Embora o keynesianismo não seja mais um paradigma importante na economia acadêmica, ele vive em sua forma vulgar nos círculos governamentais porque os políticos gostam do conceito de gerenciamento de demanda. Convém-lhes para justificar os gastos e, portanto, qualquer sinal de recessão os ajuda a legitimar mais dívidas do governo. A desculpa keynesiana serve para racionalizar mais dívidas nos bons e nos maus momentos. Assim, a dívida nacional aumenta durante uma recessão, mas não cai quando a economia se expande.
Política de estímulo no Japão
O Japão oferece uma ilustração instrutiva de uma longa estagnação induzida pelo governo. Como consequência das políticas keynesianas, a economia japonesa ficou presa no marasmo econômico por mais de quarenta anos.
Desde a década de 1990, a dívida do governo japonês como porcentagem do produto interno bruto aumentou 200 pontos, para mais de 250% no final de 2017. Os dados mais recentes indicam que o taxa atingiu 260% em 2023. O banco central japonês colocou sua taxa básica perto de zero e, de 2016 a 2024, em -0,1% (ver figura 1).

No final de 2021, a inflação de preços começou a subir e atingiu 4,3% em janeiro de 2023. Embora tenha caído perto de 2% em janeiro de 2024, voltou a subir desde então e está se movendo para 3%. Diante desse desenvolvimento, o Banco do Japão não podia mais ignorar a necessidade de elevar sua taxa de juros. O primeiro aumento da taxa aconteceu em 19 de março de 2024 para 0,1% e o segundo aumento ocorreu em 31 de julho de 2024 para 0,25%.
Embora uma taxa de juros de 0,25% ao ano pareça muito pequena, isso significa um aumento maciço quando a linha de base anterior era zero ou negativa. Não é surpresa que tal movimento tenha um impacto mundial nos mercados financeiros. Afinal, a política japonesa de baixas taxas de juros foi a razão para o chamado yen-carry trade: pedir dinheiro barato emprestado no Japão e investir os fundos em mercados de ativos promissores em todo o mundo.
Desde que a crise econômica começou no início dos anos 1990, o Japão tem tentado escapar de sua situação econômica com o charlatanismo de uma política destinada a estimular a demanda agregada. Desde o início da recessão, o governo japonês tentou impulsionar a economia com uma série de programas de gastos pesados, enquanto o banco central japonês empurrou as taxas de juros para o território negativo. No entanto, apesar dessa perfeita formulação de políticas keynesianas, a economia não se recuperou. Como legado das políticas, a dívida do governo japonês cresceu para uma dimensão raramente alcançada fora dos tempos de guerra.
Apesar dessas doses pesadas de estímulos, o crescimento econômico permaneceu fraco. Os pacotes fiscais e os impulsos monetários não tiraram o Japão da recessão. Pior ainda, a economia sofre com a estagnação da produtividade. Os dados mostram que o Japão vem ficando drasticamente atrás dos outros grandes países industrializados em termos de intensidade de capital e produtividade do trabalho (figura 2).

O legado do keynesianismo que agora está aparecendo equivale a um vasto endividamento, que paralisou a atividade econômica privada. A poupança está em declínio, os temores de aumentos de impostos estão aumentando e o zelo pela inovação enfraqueceu.
Em vez de promover uma recuperação rápida por meio da liquidação, a política econômica japonesa promoveu distorções estruturais da economia. A política macroeconômica desde a década de 1990 desperdiçou grande parte da riqueza que o Japão acumulou nas décadas após a Segunda Guerra Mundial.
A armadilha keynesiana
Não só o Japão está preso na armadilha keynesiana. Desde 2008, os Estados Unidos e a Europa cometeram erros semelhantes. O Federal Reserve e o Banco Central Europeu cortaram as taxas de juros e os governos expandiram os gastos. No entanto, essas medidas não trouxeram uma recuperação econômica sólida. Apesar dos recentes números oficiais de forte crescimento econômico, os Estados Unidos ainda estão abaixo da trajetória entre a década de 1990 e a crise de 2008.
Como reagirão os Estados Unidos e os países da Europa quando confrontados com uma nova recessão? Eles seguirão o modelo japonês e aumentarão os gastos públicos para o nível japonês? Eles expandirão ainda mais a base monetária e reduzirão a taxa de juros para zero ou abaixo? Os Estados Unidos e os países europeus se juntarão ao Japão na produção de uma recessão de décadas?
Embora o mercado de ações ainda não tenha reagido nos Estados Unidos com tanta veemência quanto no Japão, os sinais apontam para uma tempestade que se aproxima.
Os custos de tais políticas econômicas são enormes, embora em grande parte ocultos. A dívida pública torna-se um obstáculo crescente para a economia. Com o tempo, a taxa de avanço da produtividade vacila, como já aconteceu com os Estados Unidos e os países europeus nas últimas duas décadas. Empurrar a taxa de juros para zero cria má alocação econômica e distorce a distribuição de renda e riqueza.
Conclusão
A teoria da demanda macroeconômica formulada por John Maynard Keynes não é mais o paradigma dominante nos departamentos de economia, mas vive como um keynesianismo vulgar no nível político. Lá, ainda é difundida a crença de que a economia precisa de uma política ativa de estabilização e que estímulos monetários e fiscais são necessários para alcançar um alto crescimento econômico, pleno emprego e um nível de preços estável. Não são muito bem-vindas nesses círculos as vozes que afirmam que essa política econômica em si é a principal razão da inflação, desemprego e recessão.
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Nota: as visões expressas no artigo não são necessariamente aquelas do Instituto Mises Brasil.
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Hakodate, Japão (Reuters) – O vice-presidente do Banco do Japão (BoJ), Shinichi Uchida, disse nesta quarta-feira (7) que o banco central do país não elevará os juros enquanto os mercados estiverem instáveis, minimizando a chance de um aumento de curto prazo nas taxas de empréstimos.
As falas de Uchida, que contrastaram com os comentários mais rigorosos contra a inflação do presidente da autoridade monetária japonesa, Kazuo Ueda, na semana passada, quando o Banco do Japão aumentou sua taxa de juros, impulsionaram as ações japonesas e fizeram com que o iene caísse acentuadamente.
Uchida disse que a intensa volatilidade do mercado na última semana poderia “obviamente” mudar a trajetória de aumento dos juros se isso afetar as projeções econômicas e de preços do banco central e a probabilidade de o Japão atingir de forma duradoura sua meta de inflação de 2%.
“Como estamos observando uma forte volatilidade nos mercados financeiros nacionais e internacionais, é necessário manter os níveis atuais de afrouxamento monetário por enquanto”, disse Uchida em um discurso para líderes empresariais na cidade de Hakodate, no norte do Japão.
“Pessoalmente, vejo mais fatores surgindo que exigem que sejamos cautelosos em relação ao aumento dos juros”, disse Uchida, uma autoridade vista como o cérebro da formulação da política monetária do Banco do Japão, em uma coletiva de imprensa após o discurso.
Os comentários vieram na esteira dos sinais de Ueda na semana passada de que haverá mais aumentos nos juros, o que alguns operadores apontaram como causa de uma enorme reversão das operações de “carry trade” com o iene.
Uchida disse que o recente fortalecimento do iene afetará a tomada de decisões do banco central, porque reduzirá a pressão de alta dos preços de importação e, portanto, sobre a inflação geral.
A volatilidade do mercado de ações também influenciará suas decisões ao afetar a atividade empresarial e o consumo, acrescentou.
“Ao contrário dos bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa, não estamos em uma situação em que acabaríamos ficando atrás da curva, a menos que aumentássemos os juros em um ritmo definido”, disse Uchida.
“Não aumentaremos os juros quando os mercados financeiros estiverem instáveis”, disse ele no discurso.
O dólar tinha alta de 1,94% em relação ao iene, para 147,10. O índice Nikkei fechou em alta de 1,19% nesta quarta-feira, a 35.089 pontos.
Japao estagnou e ficou pagando pra nao cair.
A divida cresceu e vai crescer mais ainda.
O bom desse artigo e que ele afirma que a produtividade japonesa caiu na tabua. Ali nao tem como o gov enfiar dinheiro nas engrenagens e falar que o pais cresceu.
Quem acredita que os governos vão realmente cortar gastos, e digo cortes estruturais e profundos, não esses cortezinhos para iludir “investidor”, é sonhador, se nem o governo japonês, que é um povo extremamente disciplinado e trabalhador, que se sacrifica com jornadas de trabalho insanas, não conseguem cortar gastos, vcs acham que Europa, Estados Unidos ou Bostil do PT vai cortar.
O que vai acontecer é a simples e fácil maneira que os políticos vão fazer, é inflacionar as moedas, as próximas décadas desse século, será de inflação acima de dois dígitos, lógico que o IBGE desses países vai dar um jeito de mudar a métrica, vai triturar os números para apresentar uns números mais bonitos, mas no geral é isso que teremos.
Na verdade a culpa não é apenas dos políticos, no fim os políticos fazem aquilo que o povo quer e o povo quer saúde de graça, quer moradia de graça, quer tudo de graça, então terão que lhe dar com as consequências das suas escolhas. O que podemos fazer é pegar a pipoca, encher o copo de guaraná, sentar confortavelmente na poltrona e ver roma pegar fogo.
A conveniência nunca deixará o keynesianismo morrer. Não se deve apenas a burocracia estatal, mas também aos economistas que se apegam a ilusão de manipular de forma “cientifica” toda uma economia, muitos colegas de faculdade já entravam no curso com esse espirito, também a própria religião do cientificismo, que quer encaixar tudo dentro de seu método “como alguém tentando colocar um cadáver de obeso num caixão de criança” e outra as próprias pessoas se retiram do pensar pra delegar aos “especialistas”; Claro uma troca muito confortável! não preciso ir atras de nada e ainda tenho o afago mental de estar do nada da ciência.
Observação: Keynesianismo não é o único que se beneficia disso, mas é um dos que mais dá poder aos farsantes.
Tenho que concordar com o “Cadê a minha picanha?”. Hoje o mundo está escandalizado com a situação da Venezuela. Há uns 20 anos, qundo Chavéz se lançou candidato pela primeira vez, ele prometeu casa, comida e roupa lavada para todos, pois o “petróleo é nosso”, e finalmente seria distribuído de forna igualitária para a população. Trabalhar? Pra quê? No máximo um cargozinho na burocracia estatal. A maioria dos venezuelanos mordeu a isca e foram às urnas pulando e batendo palmas de alegria. Elegeram o Chavéz. Não tenho certeza se foi o Kogos que disse isto, mas enquanto existir pessoas querendo levar vantagem e querer a vida mansa às custas de terceiros, o surgimento de um estado será sempre inevitável.
Bom texto sobre a economia japonesa.