Assim como nunca seguiram os ensinamentos de Ludwig von Mises no que tange à ciência econômica, os governos atuais também se recusam a prestar a atenção aos discernimentos de Mises sobre a guerra às drogas. O resultado não deveria ser surpresa nenhuma.
A guerra às drogas é um fracasso. Ela fracassou em impedir o abuso de drogas. Ela fracassou em manter as drogas fora do alcance dos viciados. Ela fracassou em manter as drogas longe dos adolescentes. Ela fracassou em reduzir a demanda por drogas. Ela fracassou em acabar com a violência associada ao tráfico de drogas. Ela fracassou em ajudar os viciados a conseguir tratamento. Ela fracassou em ter algum impacto sobre a disponibilidade de drogas dentro de um país.
É óbvio que nada disso significa que haja necessariamente algo de positivo em relação às drogas ilícitas. Como Mises explicou,
É fato notório que o alcoolismo, o cocainismo e o morfinismo são inimigos mortais da vida, da saúde e da capacidade de trabalho e de lazer; e o usuário deveria, por conseguinte, considerá-los vícios.
No entanto, como Mises afirma, o fato de algo ser um vício não é motivo para que seja suprimido e nem que sua comercialização seja proibida.
Nem é de modo algum evidente que tais intervenções do governo sejam de fato capazes de suprimir tais vícios; e, mesmo que este objetivo fosse atingido, não é nada evidente que tal intervenção não irá abrir uma caixa de Pandora de outros perigos não menos nocivos que o alcoolismo e o morfinismo.
Os outros efeitos perniciosos gerados pela guerra às drogas são numerosos. A guerra às drogas congestiona e paralisa o sistema judiciário, aumenta desnecessariamente a população carcerária, gera ainda mais violência, corrompe policiais, diminui as liberdades civis, acaba com a privacidade financeira, estimula buscas e apreensões ilegais, destrói inúmeras vidas inocentes, desperdiça bilhões em impostos, atrasa o desenvolvimento legítimo de analgésicos e de outros remédios contra dores, transforma cidadãos cumpridores da lei em criminosos meramente pelo que injetam em seu corpo, e irracionalmente cria obstáculos para o comércio varejista. Os custos da proibição às drogas excedem sobremaneira seus possíveis benefícios.
Mas isso ainda não é tudo. A partir do momento em que o governo assume o controle e passa a decidir o que um indivíduo pode ou não colocar em sua boca, em seu nariz e em suas veias, ou passa a regular as circunstâncias sob as quais um indivíduo pode de maneira legítima introduzir algo em seu corpo, não há mais quaisquer limitações sobre seu poder. Não há mais como restringir seu alcance e domínio.
De novo, como Mises deixa claro,
O ópio e a morfina certamente são drogas nocivas que geram dependência. No entanto, uma vez que se admita que é dever do governo proteger o indivíduo contra sua própria insensatez, nenhuma objeção séria pode ser apresentada contra outras intromissões estatais à privacidade.
E prossegue:
Ao abrirmos mão do princípio de que o estado não deve interferir em quaisquer questões relacionadas ao modo de vida do indivíduo, a inevitável consequência será a regulamentação e a restrição do comportamento de cada indivíduo aos seus mínimos detalhes.
Mises também nos diz exatamente aonde esse caminho tortuoso da proibição irá nos levar. Ele pergunta por que aquilo que é válido para a morfina e para a cocaína não pode ser válido para a nicotina e para a cafeína. Com efeito:
Por que não deveria o estado prescrever, de um modo geral, quais alimentos devem ser permitidos e quais alimentos devem ser proibidos por serem nocivos?
E tudo ainda pode piorar, pois:
Ao se abolir a liberdade de um homem em determinar o seu próprio consumo, todas as outras liberdades já estão, por definição, abolidas.
E completa:
E por que limitar a benevolente providência do governo apenas à proteção do corpo? Por acaso os males que um homem pode infringir à sua mente e à sua alma não são mais graves do que os danos corporais? Por que não impedi-lo de assistir a filmes e a demais espetáculos de mau gosto? Por que não impedi-lo de ouvir músicas de baixa qualidade? Mais ainda: por que não proibi-lo de ler livros ruins? As consequências causadas por ideologias nocivas são, certamente, muito mais perniciosas, tanto para o indivíduo como para a sociedade, do que as causadas pelo uso de drogas.
Para Mises, no que dizia respeito a maus hábitos, a vícios e a comportamentos imorais de terceiros, a tolerância e persuasão deveriam ser as regras. Tal atitude contrasta totalmente com a do estado, que faz tudo por meio da “compulsão e da aplicação da força”.
A propensão de nossos conterrâneos em exigir uma proibição autoritária sempre que veem algo não lhes agrade, bem como sua solicitude em submeter-se a tais proibições mesmo que o proibido lhes seja agradável, mostra o quanto ainda permanece profundamente arraigado neles o espírito de servilismo. Serão necessários muitos anos de autodidatismo até que o súdito possa transformar-se em cidadão. Um homem livre deve ser capaz de suportar que seu conterrâneo aja e viva de modo diferente de sua própria concepção de vida. Precisa livrar-se do hábito de chamar a polícia sempre que algo não lhe agrada.
Para Mises, há um caminho para a reforma social:
Aquele que quer reformar seus conterrâneos deve recorrer à persuasão. Esta é a única maneira democrática de se fazer mudanças. Se um indivíduo não é capaz de convencer outras pessoas a respeito de suas ideias, então ele deve culpar apenas a sua própria incapacidade. Ele não deveria exigir a criação de uma lei — ou seja, ele não deveria pedir para o estado utilizar suas forças policiais com o intuito impor a compulsão e a coerção.
Em uma sociedade genuinamente livre, tal postura deveria ser inegociável.
Este artigo foi originalmente publicado em 27/10/2013.
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Leia também:
Criminalidade, drogas e proibição
Como o governo gera mão-de-obra para o tráfico de drogas
Armas, drogas, distintivos e cartéis
Como a guerra às drogas está destruindo o México
Tão simples e tão óbvio! No que tange a relação das “drogas” com a sociedade não creio que exista uma maneira tão explícita de demonstrar os benefícios da total liberdade econômica. Quantos males seriam evitados! O governo – que adora tributar – poderia tributar ainda mais! Entretanto, colocamos nossas vidas em risco e nas mãos de um marginal qualquer que nos quer assassinar pelo simples motivo de querer cheirar um pouco. Seria algo como: “Quero tomar um sorvete “Häagen-Dazs” e estou te assaltando e vou lhe matar por isso…
Fiquei horrorizado ao ler o texto… Se eu entendi bem, o estado não deve se intrometer no combate ao uso de drogas? É isso mesmo que eu li? Então o governo não deve proibir a pedofilia? por que estaria se intrometendo no “direito” que um pedófilo tem de satisfazer seus desejos infames com uma criança? Não deve se intrometer no controle de uso do álcool, que leva muitos irresponsáveis que não têm consciência a matarem muitas pessoas todos os anos? Ah, paciência!Toda sociedade precisa de ordem. Claro que a guerra contra as drogas pode não ter funcionado tanto aqui, mas imagine se não tivesse a tal guerra contra as drogas, o inferno que não estaria. Ademais, o tal “direito” que uma pessoa tem de “colocar em sua boca, em seu nariz e em suas veias” o que bem achar melhor infringe o direito de outros de não serem roubados, assassinado e intimidados pelos “pobrezinhos” que usam drogas!Margaret Tatcher dizia que o estado deve cuidar da segurança da população, e as drogas estão profundamente ligadas a segurança. O estado DEVE SIM interferir nisso! Numa sociedade, nem todos tem a consciência de saber o que é melhor ou não para si próprios, e é necessário uma força maior para pelo menos tentar resolver o problema. Ou vocês acham que os ex-viciados da instituição Manassés foram lá sozinhos e com o desejo de se livrar definitivamente das drogas? O estado é uma droga. Mas precisamos de sua interferência nesse caso.
Muito bonitinho na teoria , só queria saber qual solução emergencial o senhor recomendará quando as cidades se transformarem em depósitos de milhões de ”craqueiros walking-dead” vagando sem rumo , em pele e osso , morrendo à míngua.
Eu ainda não entendo o “salto” de Mises, ao dizer que quando o governo interfere no uso de drogas (drogas pesadas, como crack), não temos como objetar qualquer outra intervenção do Estado na vida individual.
Como assim? Crack e drogas pesadas não são a mesma coisa que um livro ou um copo de café.
O Estado só deveria garantir o meu direito de não tomar morfina obrigado por outrem. E só!
A “guerra às drogas” é lucrativa. Por que não se declara guerra às fontes produtoras em todos os países? Porque dá dinheiro. Simples assim.
Mais uma vez me surpreendo com a contemporaneidade do pensamento deste gênio que foi Ludwig von Mises.
Lendo alguns comentários de alguns totalitários acima eu chego a seguinte conclusão: eles pensam que a simples edição de uma lei vai fazer com que todo mundo passe a ser igual, e pensam que toda guerra às drogas e feita sem gastos. Não pensam o quão ridículo é gastar dinheiro alheio pra dizer o que um sujeito faça com seu próprio corpo. O crack não teria existido se não fosse a proibição da cocaína. O incrível desperdício de dinheiro publico para perseguir comportamentos individuais é uma das formas mais perversas de intervenção estatal que existe. Dizer-se libertário e ao mesmo tempo apoiar a guerra às drogas é nonsense absoluto. O bom de ler estes comentários é que a gente consegue saber quem de fato é libertário e quem de fato é um estatista recalcado.
No dia em que TODOS os viciados respeitarem a vida dos demais membros da sociedade, ou seja, pagar com o suor do seu trabalho o seu vício, não dirigir dogrado por ai, não violentar ou agredir fisicamente ninguém, não roubar, as drogas poderiam ser liberadas.
Sinceramente, o Brasil ainda está muito distante disto, para aos maconheiros de plantão, só um aviso: O Brasil está muito longe da Holanda – em TODOS os aspectos.
O indivíduo que consome drogas, não está prejudicando apenas a si mesmo. Se o problema fosse apenas se matar de overdose, aí o problema seria apenas do invivíduo. O problema é que os indivíduos que estão efeitos de drogas, se tornam violentos e até matam. As drogas transformam as pessoas em monstros. Não é nem um animal, é um monstro, foi o que disse o médico Antony Wong. Vejam, por exemplo, o caso da droga que transforma os usuários em canibal. Vocês acham que isso é apenas um problema individual? O problema são os efeitos das drogas.
Proibir as drogas é coisa de progressista frouxo.
Sempre haverá derrotados que recorrerão às drogas. Esses fracassados irão usar drogas de um jeito ou de outro. E irão morrer de qualquer jeito. Facilitar o acesso desses perdedores às drogas irá apenas tornar o processo mais expediente.
Ademais, nunca entendi a tara de alguns pseudoconservadores com a proibição. Quando as drogas eram legais, ainda no início do século, as famílias eram mais fortes e mais unidas, e a religião era mais presente. A proibição é uma prática totalmente recente na história humana — ou seja, é uma prática progressista. A proibição fez com que as famílias relaxassem e entregassem a segurança de seus filhos para o estado. Deu no que deu: uma geração de zumbis imbecis. E tem conservador aplaudindo.
A única posição conservadora e reacionária coerente é a total liberação das drogas. Não apenas porque sua proibição foi uma política progressista, como também pelo fato de que a liberação irá despachar mais rapidamente todos os derrotados da sociedade. Isso irá liberar recursos escassos e tornará a economia mais próspera.
A maneira correta de resolver a situação é esta: os governos devem legalizar o uso de propriedades privadas para que este lixo humano (drogados) se drogasse até a morte. Aí não haveria nenhum problema de conflito de interesses. Não haveria praças, parques e demais locais públicos sendo tomados por zumbis. É assim que tem de ser.
Feito isso, este lixo humano terá de se virar para encontrar alguma propriedade privada na qual se drogar — ressaltando que, atualmente, as drogas são proibidas mas o lixo humano ocupa impunemente a propriedade pública para fazer suas nojentices. Conhecem a Cracolândia?
http://www.youtube.com/watch?v=kDZ3bigS08s
Embate entre Direita e Esquerda nas federais.
Se você trocar drogas por lavagem de dinheiro o texto fica igualzinho.
Sou contra a visão liberal sobre as drogas. E o crack? Como permitir a circulação livre de uma droga que leva a extrema degradação humana nos locais em que é consumida?
Tive a oportunidade de ver a transformação de uma região do Rio de Janeiro que é um famoso ponto de venda de crack. Antes era um local pobre e violento. Mas depois do crack a situação piorou muito, a ponto das ruas estarem cheias de excrementos humanos e verdadeiros zumbis circularem pelas ruas. A linha de trem que passa por lá sequer consegue circular normalmente, os passageiros até evitam aquele ramal por causa dos riscos.
E não adianta dizer que é por causa da “guerra as drogas”, por que as drogas sempre foram liberadas naquele local.
A destruição é inerente a algumas drogas. Sejam ou não liberadas, a destruição VAI acontecer. a idéia liberal não leva esse potencial em conta. Não se deve combater as substâncias porque elas fazem mal as pessoas que consomem, e sim porque elas causam danos colaterais terríveis a toda a sociedade.
No dia em que alguém me provar que os indivíduos que não consomem uma certa droga não são sofrer nenhuma consequência negativa pelo vício alheio certamente vou ser o primeiro a concordar com a liberalização.
Em tempo: vocês liberais que defendem a liberalização, parem de se aliar aos esquerdistas que defendem essa bandeira. Senão, tudo o que vocês vão ganhar vai ser o aumento de impostos e regulações para permitir que o estado distribua seringas, interne usuários, persiga a “usuariofobia”, etc… Não façam esse tipo de papel, se querem a liberalização tenham certeza de só se aliar a quem também o quer para diminuir o papel do estado e não aumentar.
Enquanto os esquerdistas querem um estado gigante para controlar A, tais “conservadores” querem um estado gigante para controlar B.
Sou a favor da liberalização de qualquer droga apesar de odiar a fumaça de cigarro,detesta-la,mas tolero quem usa e portanto toleraria qualquer um usando também crack,maconha, cocaína etc pois a liberdade para mim é inegociável ou como diz o ditado os incomodados que se retirem.
Convido os leitores a lerem o artigo do mises.org, acho que é pertinente a questão:
mises.org/daily/6569/Two-Types-of-Individualism
E fica a dica para o pessoal do IMB traduzir o artigo.
Esse artigo é um sofisma só. Não passa de uma idéia que parece lógica, mas carece de fundamentalismo estatístico e comparações com outras realidades (historicamente já vivenciadas) e também não aborda contra argumentos igualmente lógicos que surgem concomitantemente a leitura do texto na mente do leigo ou autores que defendem justamente o contrário.
Só para ilustrar… Quando meu pai me deu uma surra porque eu estava viciado em fliperama (após ter me alertado umas três vezes) eu fiquei profundamente revoltado pela restrição a minha liberdade. Que absurdo! Imagina, impedir a criança duma diversão social e legalmente aceita. Se ele fosse julgado por certas pessoas ia ser considerado como autoritário ou até mesmo covarde.
Bom, o tempo passou e eu amadureci. Depois de adulto eu reconheci uma atitude misericordiosa do meu pai naquela repressão que ele me aplicou. Na minha mente hoje foi totalmente justificável sua atitude. Apesar de muito contrariado eu sou obrigado a reconhecer que naquele caso específico se abandonado a própria sorte não pararia nenhum centavo no meu bolso por não sei quanto tempo, porque todo dinheiro que estava ao meu alcance era gasto nessa diversão; e, não era só isso, já estava cabulando aula, deixando de assimilar conteúdos e influenciando outros colegas para o mesmo caminho de “perdição”. No limite, o caos estaria instalado, memo num exemplo simples como esse. Vamos imaginar que você perguntasse a minha opinião na época… eu diria justamente que era restrição de liberdade e que meu comportamento não teria piores consequencias. Argumento nunca falta. Mas hoje eu reconheço que o argumento que tem que prevalecer não é a opinião da criança e nem do viciado e sim os melhores padrões e consecuções conquistados pelo conhecimento e sociedade.
Caso a opinião dos viciados e dos fornecedores de droga se tornem a regra para toda a sociedade a consequencia inevitável no limite é o caos total. O padrão da moral cristã como base para uma sociedade justa, saudável, sustentável e prosperá ninguém quer, mas todo mundo reclama de corrupção, violência e miséria que se instalam no mundo. E ai… ? ? ?
Uma sugestão de leitura para sólidos esclarecimentos em questões de drogas e suas consequencias sociais é “Drunkness and Crime”, edição 1907 (esgotada), de E.G.White
A liberação das drogas só funcionaria numa sociedade que já tivesse à disposição outras liberdades como a de porte de armas e estrito respeito à propriedade territorial.
Se um drogado quiser se afundar sozinho no seu vício, problema dele, mas a partir do momento que ele invadir o meu espaço para usar de violência ou assaltar para sustentar o seu vício, acredito eu que devo ter o direito de me defender e mandá-lo para o caixão.
Contudo, a liberação das drogas que os socialistas propõem, tratando os drogados como coitadinhos, só trará o caos, o Brasil se tornará (já está se tornando) uma gigante cracolândia.
Ao contrário do que diz o artigo, legalizar drogas como cocaína, heroína,etc. não é novidade alguma, nem menos ainda fez bem a algum país pobre. No século XIX, por meio de duas guerras do ópio, a Inglaterra impôs a legalidade do uso do ópio ao país mais populoso do mundo, a China. Ver sites como pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_do_%C3%B3pio e tantos outros. Cocaína, morfina, heroína,etc. eram legalmente vendidas, em farmácias, para todos nos USA e Europa, no começo do século XX. Por exemplo, Sigmund Freud (suicidou-se por overdose, em 1939) cheirou cocaína, por décadas. E mais recentemente, nos anos 1980, o Peru de Allan Garcia legalizou a cocaína. Como resultado até na Suprema Corte do Peru, haviam exportadores de cocaína, como juízes. A Colômbia chegou a entregar mais de 20% de seu território para as FARC produzirem drogas à vontade. Experiência já encerrada, depois de mais de 50 mil mortes pelas FARC. O Afeganistão comunista liberou a produção de ópio no anos 1970. Há poucos anos, o narcocrata Evo Morales legalizou a produção de cocaína naquele país. Cadê a prosperidade para a Bolívia, Colômbia, Afeganistão?
No Brasil, a lei tem ficado cada vez mais frouxa para drogas. Cadê a queda do crime? Caso não saibam, o Brasil lidera o mundo em crimes.
E caso não saibam, legalizar plenamente a produção de cocaína no Brasil dará como resultado, uns espertos “exportando” cocaína para os USA, sendo que eles terão de controlar (subornar) o Congresso Nacional e colocar o Brasil em torno do tráfico internacional de drogas. Absurdo? Veja a atual Bolívia do narcocrata Evo Morales de hoje.
as drogas fazem mal à saúde de quem a usa,mas o Estado não deve impedir a pessoa de fazer mal a ela mesma,o Estado deve oferecer meios para que o viciado largue as drogas,caso essa seja a vontade dele,mas o Estado não deve impedir que uma pessoa use drogas
Estadistas, tanto os de vertente conservadora quanto progressista,
sempre recorrem a mesma falácia. Em resumo:
A – A população é [frágil e/ou estúpida] demais pra tomar a decisão X.
B – Por causa de A, precisamos de uma entidade Y com monopólio da
tomada de decisões sobre X (e sobre outras coisas).
C – Para evitar abusos de Y, a população deverá controlar as decisões
de Y, através de um processo democrático.
Observe que o argumento A e C estão em contradição um com o outro.
PS: Acho que artigos sobre drogas tem a propriedade muito útil de
trazer a tona o lado estadista de uma parcela dos conservadores. Esses
conservadores totalitários são muito interessantes, como ver uma
batida de carro ou reality shows. Schadenfreude total.
Li alguns comentários a respeito do artigo, e percebi verdadeiras batalhas entre os favoráveis e os contrários a “liberalização/descriminalização/legalização” das drogas, entretanto, fiquei com algumas dúvidas, se puderem me ajudar, agradeço:
1) A famosa frase: “cada um tem o direito de fazer o que quiser com o próprio corpo”, não soa como uma visão individualista (porém puramente egoísta), pois desconsidera totalmente os efeitos sociais que podem ocorrer com a “liberalização/descriminalização/legalização” na atual sociedade em que vivemos (ultra estatizada e regulamentada)?
Por exemplo:
É fato que drogas como o crack viciam em poucas utilizações. O problema não é o vício em si, mas o fator pernicioso desta droga. (Por favor, não digam que café, açúcar, etc… também viciam. É lógico que viciam, mas nem por isso existem clinicas de reabilitação, pois diferentemente de drogas pesadas como o crack, a pessoa pode se livrar destes vícios com uma boa dose de autocontrole.)
E no Brasil (estatizado e regulamentado) não seria “vantajoso” para o Governo estimular esta liberalização como uma estratégia de inchar ainda mais o Estado?
Cito 2 hipóteses:
a) Havendo um aumento do número de viciados, o Estado criaria “Programas Sociais” para tratar estes viciados, logicamente inchando ainda mais a máquina estatal.
Como no Brasil a predominância é a classe pobre, não creio que a família do viciado tenha condição financeira para arcar com um possível tratamento, restando pedir ajuda Estatal.
b) Ouvi comentários de uma lei que daria poderes à família ou algum responsável pelo viciado, de interná-lo para tratamento sem a sua autorização, ou seja, interferindo diretamente na sua liberdade. Não seria uma estratégia do estado para criar “prisões alternativas”? Seria um julgamento completamente subjetivo, pois no mínimo suscitaria perguntas no sentido de definir o que é vício, e até que ponto uma pessoa pode ser considerada ou não viciada.
2) Defender a “liberalização/descriminalização/legalização” numa economia como a nossa (estatizada e regulada) não levaria a formação de cartéis e monopólios, assim como ocorre em vários outros setores (automobilístico, telefonia, etc etc)? Ou até mesmo a criação de uma empresa estatal para fornecer drogas por preço mais caro e de pior qualidade? Ou ainda, depender de uma autorização/receita médica, regulando a quantidade e horário de utilização?
3) Defender a “liberalização/descriminalização/legalização” não seria o mesmo que dizer ao Governo: “por favor, queremos que os srs. burocratas tributem nossas drogas, queremos pagar mais caro!!”.
4) Acreditar que a “liberalização/descriminalização/legalização” diminuirá a violência, n° de homicídios, etc não é um paradoxo? Visto que é o próprio vicio que leva as pessoas a roubar e matar para conseguir dinheiro para financiar o vício.
5) Uma coisa é defender esta liberdade num país livre, outra é defender no Brasil. No Brasil é complicado ter porte de arma, a propriedade privada é constantemente desrespeitada, os “Direitos Humanos” são bastante atuante (claro, para o lado do bandido, pois se o cidadão der um corretivo num meliante pode se incomodar o resto da vida com processos), a mentalidade de 99% da população é pró-estado (esperam sempre iniciativa estatal para tudo). Enfim…São apenas questões, por favor, espero que ninguém se ofenda e possamos debater com calma.
Taí um contraponto interessante. Fica a pergunta: até onde um viciado é, realmente,”livre” para escolher? Um viciado em crack existe para satisfazer um circuito de area septal muito simples, primitivo, animalesco… E os pacientes portadores de uma psicopatologia grave que cause demencia ou déficit de cogniçao? Gostaria, sinceramente, de uma explicaçao, pois, como estudante de medicina, nao concordo em atestar que essas pessoas que nós sabemos estarem doentes possam, legitimamente, escolher, assim como um recem nascido… Como fica o caso da internação compulsória? Obvio, n vou entrar no merito de que o pobre da favela n tem liberdade de escolher, por causa da primitividade de suas necessidades n satisfeitas, pq quem causou isso foi a intervençao do estado na economia. Mas, e nesses outros casos?
Uma dose de droga da realidade:
veja.abril.com.br/noticia/internacional/prefeito-de-toronto
a única regulação que deveria haver em relação às drogas é que pessoas com menos de 18 anos não poderiam consumir
Eu penso é o contrário. Traficante deveria ser condenado a pena de morte e o usuário deveria ser criminalizado pois ele quem financia toda essa merda que fortalece o crime organizado e destrói milhares de famílias. Não precisa prender esses merdas para nós ficarmos sustentando esses filhos da puta. Se fosse pego com uma bituquinha que fosse de maconha seria preso preventivamente e seria solto mediante fiança altíssima, tipo, de 10 a 20 mil reais. E não pararia por aí. Após pagar fiança ele seria julgado e condenado a prestar serviços públicos/comunitários pesados por exemplo, pintar paredes, limpeza de vias públicas, necrotério limpando e vestindo defunto etc. E além disso, teria que se internar obrigatoriamente em uma clínica de drogados às suas custas, e sua pena só acabaria até provar que tivesse limpo. Se após tudo isso houvesse reincidência ele já seria enquadrado como traficante.
Quem é a favor de liberar a drogas deveria passar pela cracolândia e ver o que é a degradação humana por conta de um vício.
Saudações, assunto polêmico, não?
Assim como dinheiro não é assunto de economia,e sim da matéria direito; o tema drogas não deve ser focado tão somente em ciências sociais/saúde, mas também em economia.
Talvez, a especialidade esteja sendo ardilosamente manipulada pelo estado que gosta de controlar, ou seja, seu controle (do estado) vive dessa neblina em que os seus súditos não percebam qual em clave está a discussão.
Fundamental é saber em qual campo está o embate;reduzir àquilo ao qual fomos supostamente criados; saber as diferenças entre livre-arbítrio e liberdade.
Interessante como todos os polemistas têm razão, precisamos saber alternar em qual momento a liberdade é parte da estrutura da realidade, e em qual momento a liberdade é um ideal, portanto, a ser buscado.
Para quem quiser ver argumentos brilhantes contra a legalização das drogas:
mundorealista.com/forum/viewtopic.php?f=14&t=16041
Triste ler que a grande maioria dos que tecem críticas negativas a este texto não sabem a diferença entre legalizar e desregulamentar. Mas felizmente a grande maioria destes são recém-chegados ao site. O resto é desonesto mesmo.
Contra a legalização dos prostíbulos (e das drogas, do jogo, e de tudo)
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1276
As pessoas devem ter autonomia para tomar suas próprias decisões, respeitando a vida e a liberdade dos demais e arcando com os ônus de suas escolhas.
* * *
http://www.youtube.com/watch?v=3z0ZXi8u-xA
E ainda tem o aspecto de que cada policial caçando um adolescente estúpido, apenas por este ter fumado algo ilegal, é um policial a menos caçando estupradores, assassinos, etc.
Tanto se fala sobre o craque e como ele, aparentemente sozinho, força sua entrada no corpo das pessoas e altera monstruosamente seus comportamentos. Mas qual o sentido em se proibir a maconha? Pode ser ignorância minha, mas desconheço casos de pessoas que cometeram crimes violentos por estarem chapadas de maconha. Se acontece, é mais frequente que com o álcool? Acho que no Brasil ela já é descriminalizada, o que muito “conserva” acha o cúmulo. Mas por que não liberá-la?
Até onde sei, a maconha deixa seus usuários mongolóides. Então, caros “conservas”, não venham falar que são contra as drogas por medo de viciados violentos. Sabemos bem que não é por isso…
Que bom seria ver o Capitão Nascimento destruindo um esquema de tráfico internacional de mulheres. Muito mais foda que colocar a culpa desta insanidade de guerra às drogas nos ombros de um estudante idiota, quando são os autoritários e ungidos “conservas” os verdadeiros culpados.
*por “conservas” entenda-se não somente os conservadores a favor da proibição, mas sim todos os a favor da proibição, e todos que querem forçar algum tipo de comportamento agressivo sobre os outros.
Concordo em parte.
Como resolver a questão da Cracolândia, por exemplo?
Grande parte dqueles seres estão incapazes de se autoguiarem, mas impõem diversos problemas para a cidade e seus cidadãos.
Isso é bem diferente de quem, mesmo viciado, não causaria esse tipo de mal ao seu redor.
Aqueles que amam e aprovam essa guerra deve perecer nela.
Viva a constituição e o fim da guerra!!!
Noutro dia estava limpando a casa e comecei a pensar em uma alternativa… Claro, ela envolve a criação de leis e atuação do Estado, mas pensei que pudesse ser útil.
Tal como ocorreu com o cigarro, não é certo proibir o consumo de nada. A meu ver, interessante seria se as drogas fossem completamente liberadas, sem nenhuma mão do governo em volta do comércio e etc, no entanto, deveria usar uma política de propaganda, para apresentar à sociedade os males que tais substâncias provocam, sejam a curto, médio ou longo prazo.
Claro que poderão dizer que a propaganda é uma forma de influenciar as massas, mas mesmo com toda a publicidade contra a indústria tabagista e com imagens horríveis estampadas nas caixas de cigarro, ainda existem pessoas que fumam, mas o número de fumantes reduziu bastante. Por que não utilizar de política parecida, sem tentar proibir ou coibir as empresas?
Olá! Procurei os trechos destacados nos livros de Mises para fazer referência em um trabalho, mas não os achei. Alguém poderia me dizer onde estão (livro e página)?
Desde já grato!
Não tenho opinião formada sobre se deve ou não liberar o uso de drogas. Eu era contra, mas este texto e comentários me colocaram em dúvida. Mas o que vejo aqui são pessoas inteligentes e educadas com opiniões diferentes discutindo um assunto tão importante. Parabéns a todos.
O maior problema causado pelas drogas é a violência que é provocada pelo consumidor sem recursos que rouba e pratica latrocínio para obter recurso para financiar o vício. A simples liberação de cultivo caseiro de maconha para consumo próprio já reduziria drasticamente a violência nas ruas. Mas os defensores da descriminalização das drogas estão mesmo de olho é nos lucros dos futuros negócios de drogas, de armas ou de segurança.
Misses defendendo a liberação das drogas, será sempre Misses.
Voce, defendendo a liberação das drogas, será só mais um maconheiro.
Debate resgatado na data de hoje, por meio do perfil do Instagram…
O argumento central do texto é a liberdade individual, o que acho coerente, até por ser leitor e adepto de muitas das ideias de Mises.
Contudo, tenho que discordar sobre o “fracasso” da guerra às drogas. Não achei no artigo o motivo pelo qual essa guerra vem sendo perdida, e qual seria a solução além da garantia das liberdades individuais. Talvez esteja no livro, que ainda não li.
O tráfico de drogas e os crimes a ele associados, assim como os crimes onde há vítima e que mais impactam a qualidade de vida de uma pessoa (homicídio, roubo, furto, etc), são fatos sociais, ou seja, enquanto e onde houver sociedade haverá crime, Seria esse um motivo para desistirmos de lutar contra qualquer um desses crimes? Acredito que não. Da mesma forma, também acredito que a guerra às drogas deve ser continuada, mas não só pelos policiais que quase são colocados como culpados pelas trocas de tiro no texto acima, mas por todo Sistema de Justiça Criminal brasileiro, desmontado há anos por uma política progressista de condescendência ao criminoso.
Também foram citados efeitos “perniciosos” do combate ao tráfico, como: congestionamento e paralisia do sistema judiciário, aumento desnecessário da população carcerária, geração de mais violência, corrupção de policiais, entre outros.
Ora, o fato de um número elevado de processos envolvendo tráfico de drogas não pode ser utilizado como desculpa para a sua descriminalização. Primeiramente porque isso pode ser (e já é) utilizado como argumento para despenalização/descriminalização de outros crimes considerados pouco relevantes (pergunte par a vítima de um furto o quão irrelevante é um botija de gás, uma televisão).
Em segundo lugar, um traficante nunca é só um traficante. Toda um cadeia de crimes financiadores e essenciais à manutenção do tráfico de drogas envolve esse criminoso, via de regra.
O que precisamos para descongestionar o sistema judiciário é uma reforma do próprio sistema de justiça criminal. Dê uma olhada na quantidade de artifícios e aditivos que dificultam a aplicação da lei de maneira direta, além de abrandar a punição (isso quando não incentivam a prática do crime). Ex: progressão de regime de pena, pena em regime ABERTO, audiência de custódia, e por aí vamos…
Sobre o aumento da população carcerária, me parece que o autor acredita que este grupo crescerá em um PA ou PG, caso haja a aplicação fidedigna da lei, o que me faz pensar que ele desconsidera o efeito dissuasivo da efetiva aplicação da punição. Talvez eu esteja errado, mas a minha impressão é essa.
Também é citado o prejuízo fiscal de manter presos os traficantes e, mais um vez, falta um dado nessa equação: o prejuízo fiscal e civil causado pelo domínio do tráfico ao impor regras sob determinado território. Afinal, quantos comerciantes deixam de exercer sua atividade por imposição de um estado paralelo? Quantos turistas deixam de frequentar determinados locais por ali há disputa pelo domínio do tráfico? Imagine o “não-prejuízo” caso os culpados pelo Petrolão, caixa 2, mensalão fossem LEGALMENTE obrigados a devolver os valores subtraídos dos cofre públicos? A aplicação da lei pode ser custosa, mas a sua não aplicação é muito pior.
Policiais corruptos vão existir com ou sem o tráfico, isso não deve ser argumento para o fim do combate à drogas.
Por último, vejo como certo que punir o usuário de drogas é conflitante com a liberdade individual, mas isso não o exime de responsabilidade pela dinâmica criminal e malha comercial do tráfico de drogas. Quantas buchas de maconha um usuário precisa comprar para que o traficante consiga uma arma de fogo que será utilizada em um roubo/homicídio/latrocínio?O usuário é quem financia, ele faz parte disso, afinal, não há mercadoria se não houver consumidor,
O problema é que no vício ode certas drogas as pessoas agridem terceiros para satisfazer seu vício quando não têm recursos para comprar.