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Como o governo gera mão-de-obra para o tráfico de drogas

Sempre que você encarece artificialmente o custo de um bem, a tendência é que a demanda legal por esse bem diminua acentuadamente.  Como consequência, esse bem será empregado em outras atividades até então pouco atrativas.

Em termos práticos, se o governo encarece artificialmente o custo da mão-de-obra menos produtiva — por meio de encargos sociais e trabalhistas elevados, salário mínimo oneroso e tributação pesada sobre as receitas e os lucros das empresas –, a tendência é que esta mão-de-obra pouco produtiva seja menos demandada por empreendimentos legais e, consequentemente, seja canalizada para mercados mais desregulados — e quase sempre ilegais.

O mesmo ocorre quando o estado dificulta o empreendedorismo dos mais pobres, que não têm como arcar com a burocracia, com as licenças, com as regulamentações e com as inúmeras outras exigências impostas pelo estado que obstaculizam qualquer ato empreendedorial.  Tais pessoas são atraídas para aqueles mercados em que as imposições estatais são menores — para não dizer nulas — e a possibilidade de lucros, mais altas.

Dado que o governo bloqueou todos os métodos legais para o indivíduo sair da pobreza, recorrer a uma atividade ilícita torna-se uma opção viável para aqueles que não sofrem de restrições morais.

Um setor que atrai a imensa fatia desta mão-de-obra pouco produtiva e destas pessoas de espírito empreendedorial, mas que não têm dinheiro, é o mercado das drogas.  Se você mora nos subúrbios e não há opções legais para ascender socialmente — porque o governo criou várias imposições –, uma das maneiras mais fáceis e rápidas de enriquecer é se tornando um traficante.

Por quê?

Porque as regulamentações, as burocracias e os impostos do governo não se aplicam ao mercado das drogas.  Não há leis de salário mínimo, não há exigências burocráticas, não há taxas de licenciamento, não há um Ministério do Trabalho dando batidas e impondo requerimentos.  Principalmente, não há imposto de renda. 

Por se tratar de um mercado criminalizado pelo governo, as margens de lucro são enormes, pois elas embutem todo o risco empreendedorial — o risco de ter sua carga confiscada pelo governo e ter sua mão-de-obra encarcerada.  Essas altas margens de lucro, que possibilitam altos salários, são um atrativo irresistível para aquelas pessoas desiludidas que não conseguiram trabalhar nem empreender legalmente por causa das restrições estatais.  Nos subúrbios, é difícil resistir a essa tentação do enriquecimento fácil.  Jovens sem perspectivas e que não conseguem empregos legais são facilmente contratados pelos barões do tráfico, pois a burocracia exigida para se contratar esse tipo de mão-de-obra é nula.  Adicionalmente, o fato de o salário neste mercado ser integral, sem deduções previdenciárias e sem imposto retido na fonte, garante uma oferta contínua e crescente de mão-de-obra para o setor.

Da mesma maneira, pessoas de espírito empreendedorial também se aventurarão no mercado das drogas porque poderão reter para si todos os lucros auferidos, que não estão sujeitos a imposto de renda.  Além disso, um chefão do tráfico não tem de se preocupar com greves e outras exigências trabalhistas.  Também não há o risco de ele ser levado à Justiça do Trabalho por ter pedido hora extra.

Este é o tipo de empreendedorismo que floresce naqueles subúrbios em que não há perspectivas econômicas e não há possibilidades de ascender na vida por meios legais, pois o governo bloqueou todas as avenidas legítimas que retiram as pessoas da pobreza.  O empreendimento criminal voltado para o mercado de drogas é atraente porque opera como se estivesse em um paraíso fiscal.

Sim, trata-se de um mercado violento.  Como não há leis e os tribunais estatais não reconhecem os contratos verbais feitos no submundo, os indivíduos deste mercado sempre recorrem à justiça com as próprias mãos.  Não há outra maneira de impor o cumprimento de contratos.  Os gastos com segurança pessoal também são altos.  Os custos marginais de se eliminar fisicamente um concorrente são baixos e os benefícios, extremamente altos.  Você assume o mercado do seu concorrente eliminado e, como consequência, seus lucros se tornam ainda mais elevados.

Mas tudo isso também é consequência direta da proibição das drogas.  O governo, ao tornar ilegal tal mercado, faz com que seus integrantes não possam recorrer aos meios legais para fazer cumprir seus contratos.  E como empresas de arbitramento também estão proibidas de fazer tal serviço, a única opção que resta é recorrer à violência.  Todas essas proibições servem apenas para elevar os lucros de quem opera neste mercado e, consequentemente, a atratividade deste mercado para a mão-de-obra mais despreparada e menos produtiva.

Se não houvesse uma guerra às drogas, se as drogas não fossem criminalizadas, se elas fossem legais, não haveria todas essas oportunidades irresistíveis.  E sem essas oportunidades artificialmente criadas pela proibição estatal, e, principalmente, sem os impedimentos burocráticos, trabalhistas e tributários criados pelo governo no mercado legal, estes empreendedores dos subúrbios canalizariam sua criatividade, seu trabalho duro, sua iniciativa e seu empreendedorismo para outras atividades mais benéficas para a sociedade; vidas e recursos não seriam direcionados para esta atividade contraproducente que é o mercado de drogas.

Foi o governo quem criou este mercado paralelo, foi o governo quem dificultou ao máximo que as pessoas dos subúrbios ascendessem por meios legais, e é o governo a fonte desta criminalidade específica do mercado das drogas; e mais governo não será a solução.  Mais intervenção governamental poderá apenas perpetuar a pobreza e a fonte de mão-de-obra para o tráfico de drogas.

Por fim, para agravar a situação, o governo atua em outra ponta que faz com que a mão-de-obra para o mercado das drogas se torne crescentemente especializada: o sistema penitenciário. 

indefensável.jpgComo consequência de toda esta criminalidade criada pelo governo, vários integrantes do tráfico de drogas — mais especificamente, os “peixes pequenos” — são capturados e enviados para penitenciárias.  Deixando de lado toda a questão dos custos de se gerir estas enormes excrescências burocráticas que são as penitenciárias federais e estaduais, vamos nos concentrar nos resultados.  O que são as prisões atuais se não genuínas universidades do crime? 

Um garoto pobre que vendia drogas e que foi capturado pela polícia e enviado a uma penitenciária, o que acontecerá a ele?  Entrará em contato com todos os tipos de criminosos, todos eles mais experientes.  Esse convívio prolongado fará com que o garoto adquira malícia, aperfeiçoe suas habilidades criminais e ganha mais intimidade com o mundo do crime. 

Ao sair da cadeia, após anos de imersão com os especialistas, ele será um pós-graduado em criminalidade.  Ele agora estará a par de todos os truques das ruas; conhecerá todas as “manhas” da criminalidade.

Traficantes jovens que cumprem pena não são reabilitados.  Também não são necessariamente punidos.  Ao saírem da cadeia, eles são vistos como heróis por seus pares; eles se tornam um modelo para seus amigos.  Eles cumpriram pena, saíram ilesos e, por isso, adquirem mais respeito.  Estarão prontos e ainda mais preparados para ascender na carreira criminosa.  Graças ao governo e a todas as suas proibições.

 

Este artigo foi originalmente publicado em 04/04/2013.

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Leitura complementar:

O problema com o sistema penitenciário 

Criminalidade, drogas e proibição 

 

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123 comentários em “Como o governo gera mão-de-obra para o tráfico de drogas”

  1. charles hertz da silva

    essa vai para os amantes do capitão nascimento que diz que a culpa dos mortos pela policia na favela é culpa de quem fuma maconha (só porque o estado resolveu proibir a maconha)… já pensou se o governo proibisse o mate? iriam dizer que você, gaúcho (ou de qualquer lugar do brasil) que toma chimarrão está matando as pessoas indiretamente, quando na verdade quem está matando e diretamente é o governo…

  2. É certo que o governo dificulta o empreendedorismo, mas traficantes não são pessoas com espírito empreendedorial.

    Eles são meramente pessoas sem escrúpulos em busca de enriquecimento fácil e poder.

    Mesmo que o mercado fosse livre, sempre haveriam pessoas sem escrúpulos prejudicando os outros.

    Antes eu pensava que era bom que as pessoas pensassem mais como os libertários como o Peter Schiff.

    Mas quando leio ele dizendo que traficantes trabalham duro e têm criatividade, eu vejo que é melhor que libertários assim jamais sejam mainstream porque esse tipo de pensamento é vergonhoso. É como um esquerdismo às avessas.

  3. Em que pese as boas intenções do autor, é um absurdo sem fim e utópico o cenário imaginado! E devemos ignorar os efeitos extremamente prejudiciais das drogas? Se ela for liberada, estaremos abrindo as portas para uma destruição em massa. Vejam, até mesmo a Holanda se arrependeu de liberar drogas… O que aconteceria com os nossos jovens? O pior, estaríamos obrigando as famílias a darem mais atenção, amor e afeto dentro de casa, para que o jovem não vá usar drogas!

    Agora, ressalte-se que há uma afinidade intrínseca entre o imperialismo e as drogas! Sob o capitalismo a droga é uma mercadoria, o tráfico se organiza como uma empresa que objetiva o lucro. Diga-se de passagem, uma empresa com milhões de trabalhadores precarizados, sem nenhum direito trabalhista e vivendo sob um regime do medo, podendo ser torturados ou mortos em qualquer momento.

    No tráfico de drogas não existe um "livre-mercado". A distribuição e a venda são comandadas por um número reduzido de grupos hierarquizados que controlam a fase mais rentável: a transformação da pasta-base em cocaína. Enfim o narcotráfico é o sonho de produção de todos os grandes capitalistas Em regiões como Califórnia, a maior produtora do mundo, e no Nordeste brasileiro a produção da maconha é comandada pelos latifundiários da droga.

    A luta contra o narcotráfico exige a luta contra a lavagem de dinheiro com um ataque a todo o sistema de circulação de capitais. Com punição exemplar ao grandes traficantes. Fazendo a reforma agrária nas terras em que se produz droga ilegalmente; confiscando o dinheiro e propriedades advindas do tráfico e da lavagem; acabando com o sigilo bancário e centralizando o crédito nas mãos do Estado através da nacionalização dos bancos.

  4. Dadas as condições atuais, o usuário financia, sim, o tráfico de drogas. E temos que lidar com a realidade. Não adianta culpar só o governo pelo dinheiro que tu dá para os traficantes e te isentar atrás de um discurso sobre uma realidade que não está aqui. A questão é hoje, este momento; como está organizada a sociedade e como tua atitude a impacta.

    Só para ficar claro, isso não é um argumento contra a liberação das drogas. Nem entrei nesse ponto.

  5. Uma pergunta:

    Vocês seriam a favor da propaganda incentivando o consumo de drogas? E do marketing de amostras grátis, disponível a qualquer um? Já imaginou seu filho, 13 anos, no embalo dos colegas, experimentando gratuitamente a primeira pedra ou cheirando a primeira carreira de graça? E eu ainda colocaria uma guria bonita e descolada, oferecendo “o livre comércio” com um sorriso de criança. Pensem a respeito.

  6. Respeito, mas é a única parte da EC que não concordo (minha opinião): a questão da moralidade… nem precisam responder, eu sei o que dirão à respeito!

  7. O que falta para as pessoas entenderem é que a violência não é intrinsecamente ligada as drogas, mas sim a proibição.

    Hoje só existe violência nesse mercado porque ele é proibido. É só olhar o resultado de proibições de alcool ao longo do tempo. Assim que foi proibido, as gangues apareceram.

    Se o governo amanhã decretasse a proibição da venda e consumo de leite, uma máfia Parmalat surgiria ali também

  8. O problema é que as drogas não prejudicam apenas o usuário, mas também todos em volta dele: família, amigos, colegas e quem quer que passe por perto dele. As Drogas transformam as pessoas em animais. Legalizar não vai acabar com esse problema e o único beneficiado será o governo que passará a cobrar impostos exorbitantes e se desobrigará da missão de combater um dos tipos de crime organizado que mais o desafia.

  9. É certo que, quem vive no Brasil, seja na integral legalidade ou na

    ilegalidade, tem que ser criativo.

    O título do artigo é “Como o governo gera mão-de-obra para o tráfico de

    drogas”, tema sob o qual o autor, Peter Schiff, desenvolveu seu artigo.

    tendopor ponto de partida o governo; sim, o Peter foi realista. Tendo por

    vontade tratar da colaboração da corrupção ao mercado de drogas ou do

    fomento que os drogados promovem, o título do artigo teria sido diferente.

    Sem querer defender nenhuma das partes, penso que seria mais instrutivo

    se o foco fosse mantido. Para ilustrar o que foi citado no 2º parágrafo, pego o

    exemplo da minha tia. Havia uma empregada que trabalhava a 9 anos com

    minha tia. Por vários pormenores, não é errôneo dizer que titia a empregava

    mais com o intuito de ajudá-la do que por necessidade de ter uma

    empregada. Com a Lei da Doméstica, a empregada foi dispensada. Ela ainda

    argumentou com titia tentando manter o trabalho mas, assim como muitos

    outros empregadores, titia ficou com receio de sindicatos, advogados, de

    alguém fazer a cabeça da empregada porque ‘agora é lei’ e acabar sofrendo

    processo do Ministério do Trabalho que, obviamente, terminariam em

    pesadas multas para titia. A empregada chorou muito porque não sabe fazer

    mais nada na vida, tem 5 filhos para alimentar e está caracterizada no grupo

    dos que não tem perspectiva de arrumar outro emprego. A empregada

    mora numa comunidade e contou várias vezes dos convites de trabalho dos

    traficantes aos filhos dela que, por serem menores, ganham mais (estatuto

    da criança proteje menores infratores e gera menos perda de mão de obra

    ao tráfico – é um uso reverso da lei, infelizmente). Na hora que bater a fome,

    qual vocês acham que será a solução à mão encontrada pela empregada?

    Ela vai deixar os 5 filhos ficarem com fome? Creio que não, uma das

    prioridades de uma mãe é a sobrevivência dos filhos (em qualquer cultura,

    em qualquer país, em qualquer planeta). Sob esta visão e tendo por ponto de partida o governo, torna-se clara a geração de mão-de-obra para o tráfico de drogas.

    O governo errou lá atrás, por não ter dado condições da empregada alçar caminhos lícitos que a deixassem em posição financeira mais confortável; errou em pensar numa lei sem analisar profundamente as consequências sociais da questão de forma mais ampla e errou por não trazer junto com a lei a solução para dar o apoio às muitas empregadas que foram dispensadas no mês passado e as que serão dispensadas este mês.

    A lei tem seu mérito, na medida em que empregadas domésticas também devem ter seus direitos como qualquer outro trabalhador mas querer protegê-las apenas à força da pena sem as ações sociais para absorver essa mão de obra é trocar o vento pelo vácuo.

    Assemelha-se muito à abolição dos escravos, que não foi acompanhada de medidas para ocupar ou dar uma vida digna aos negros libertos. Aboliu-se os escravos, todos ficaram em festa, ó que maravilha mas e depois? Vieram as favelas, aumentou a marginalidade e foi dada a partida para tantos dos problemas sociais de hoje que tiveram sua origem numa resolução que não veio completa. Teria sido completa se os negros não fossem soltos à sua mercê, sem ter o como se virar para se alimentar, vestir, calçar, etc.

  10. Leonardo Faccioni

    Em um mundo não-libertário que, não obstante, repentinamente se visse livre da “war on drugs”, onde qualquer substância fosse de livre e irrestrito acesso a quem quer que a demandasse, por mais violenta que fosse a alteração comportamental, os danos físicos e psicológicos e a alienação radical por si provocada sobre o consumidor e seu meio circundante, o usuário assíduo de entorpecentes certamente seria convertido em passivo do do estado de bem-estar social (e ativo político dos governantes de turno, que assumiriam alegremente a tarefa de, com dinheiro alheio, fornecer os alucinógenos às massas alienadas).

    Liberação das drogas sem prévio esvaziamento das funções do Estado atual, temo, levaria a resultados de médio e longo prazo bastante avessos às aspirações finais libertárias – é dizer, um ainda mais célere agigantamento do Leviatã.

  11. Fernando Chiocca

    Totalmente ridículo Peter Schiff chamar o mercado de drogas de “atividade contraproducente”.

    É um mercado que atende uma demanda dos consumidores, como qualquer outro mercado. Pessoas querem drogas pois gostam de drogas. É um mercado como o de vodka, de cigarro e de sorvete.

    Sem noção o cara dizer um negócio desses.

  12. Êstá faltando a abordagem completa sôbre o problema das drogas. Por exemplo: A ligação PT/Farcs colombianas concretizada desde 2000/2001 através do Fôro de São Paulo e a ligação do tráfico com políticos esquerdistas e a troca de favôres entre os mesmos. O govêrno diz estar preocupado com internações compulsórias de dependentes de cracolândias, e ao mesmo tempo estuda a liberação da maconha, desde a “genial” intervenção de FHC e outros iluminados. O Brasil,coincidentemente, durante a gestão esquerdista,deixou de ser rota do tráfico para se transformar no segundo maior mercado consumidor da cocaína (do planêta). George Sorus,mega investidor, é proprietário de extensas áreas de terra na Bolívia. Para plantar café? Boa parte dos govêrnos “bolivarianos” esquerdistas são simpáticos e apoiadores de um território independente dentro da Colômbia a fim de que o tráfico tenha status de legalidade. As brandas leis brasileiras incentivam a ilegalidade, a contravenção e o crime. Parafraseando o filósofo Olavo de Carvalho: “O Brasil é um hímen complacente que aceita até piroca de rinoceronte.”

  13. O uso de drogas está quase liberado; não acredito que altere muito o número de usuários; veja a brandura do art. 28 da Lei 11.343; mesmo quando era o antigo 16 da Lei 6368, onde o “noiado” era preso, o número deles aumentou demais, especialmente com o advento do crack, que é uma droga realmente muito poderosa.

    A sociedade tem, na realidade, uma escolha terrível a fazer: continuar com esta guerra, que somente vem dando prejuízos, ou tentar algo diferente, uma legalização, e aturar viciados em todos os locais (não o fazemos com os bêbados?). Quem deseja conviver com amigos, vizinhos, p.ex, que vivem “doidões” após uso de todo tipo de droga? Mas este cenário já não vem ocorrendo?

    Sobre atuações duras da Justiça, Polícia, Ministério Público, estes podem fazer excelentes trabalhos, inclusive descapitalizando traficantes milionários, confiscando carrões, casas… mas não podem sopitar o desejo dos usuários por drogas, tampouco podem fazer com que qualquer pessoa, a qualquer momento, se decida a arriscar a vida neste mundo; grandes traficantes possuem contatos com fornecedores no exterior e na fronteira, mesmo completamente quebrados, como já são conhecidos, têm facilidade maior em comprar drogas fiado e pagar após vendê-las, ou colocar seus soldados para cometer roubos, e outros crimes para conseguir dinheiro e fazer a roda do tráfico girar novamente; para finalizar, lembremos que já é lugar comum que quando um traficante morre ou é preso, em pouco tempo surge outro e assume seu lugar.

    Enquanto desmedidos esforços estão voltados ao combate ao tráfico de drogas, trabalho de Sísifo, incontáveis ladrões, estupradores, estelionatários estão sem receber punição.

    Texto muito longo, não tocarei no tema liberdade de cada um fazer o que deseja com sua vida.

  14. mauricio barbosa

    PESSOAL as drogas sendo liberada seus preços irão cair,é a lei da oferta e da procura em ação,pois ela hoje atrai a bandidagem pelo seu alto preço,isso é parafraseando Leandro Roque lógica econômica,como disse antes estudem mais economia para entender que a proibição é que eleva o preço destas drogas e não os traficantes,ou seja em sendo elas liberada a concorrência derruba o preço dessa demanda reprimida que existe neste mercado imoral para alguns e normal para outros igual o gigantesco mercado de bebidas.

  15. Típico Filósofo

    Vejo-me na necessidade de elogiar o senhor Schiff. Em primeiro lugar, simpatizei de forma inimaginável com sua compreensão para com a dor dos jovens vindos de famílias carentes, sendo ele pertencente à uma classe de judeus extremamente rica, é admirável sua rara sensibilidade para com os problemas de outros.
    Senhor Schiff, se tivesses tido aulas em uma de minhas classes, com certeza teria sido um homem novo e de fato comprometido com a justiça social, com a reivindicação dos direitos dos pobres sobre tudo que pertence a outros e com a criação de uma educação pública de qualidade.

    Perdoem-me por humanizar ainda mais o artigo com o pensamento de Rousseau, Paulo Freire e Antônio Cândido(O melhor professor que já tive), porém criminosos, sequestradores, assassinos em série e estuprados não nascem de tal forma; sofreram abusos na infância e isso os induziu ao crime. Nenhum homem nasce mau, é a sociedade que o corrompe ao oferecê-lo uma educação melhor que a de outros. São crianças nascidas em famílias desestruturadas pelo capitalismo e que nunca tiveram opção senão o crime. Quando assisto a um caso de crime pela TV, não fico estupefato ao ver o rosto do criminoso e desejar um castigo divino sobre ele, como faz a classe média alienada; imagino os horrores que tal pobre jovem sofreu e que por tais traumas, cometeu o crime.

    A família PRECISA ser substituída pelo estado quando não for capaz de atender a seus compromissos para com as crianças. Impedir que o estado proíba drogas, proíba a propaganda infantil, impeça o consumismo de seus pais e proíba o brinquedo no Mc’lanche feliz é um exemplo de pouca inteligência. Apesar de admirá-lo por sua sensibilidade emocional inédita entre austríacos, sua arrogância como um homem de meia idade já agarrado às idéias reacionárias de seus mestres burgueses rompe o texto ao meio.

    Ele deseja menos impostos e legislação trabalhista. O grande problema da questão é que é apenas com impostos que criaremos uma educação e uma saúde públicas de qualidade, como um burguês, será contra a tributação; esquecerá seus benefícios aos mais necessitados(Perdem 75% de sua renda real, porém tal gasto é dado em prol deles próprios e do bem comum).

    É imprescindível que apareça mais estado e menos mercado para solucionar os problemas atuais. Apenas com o fim do conservadorismo individualista irracional no Brasil que ofereceremos uma educação pública de qualidade e salvaremos os pobres jovens do crime, da ignorância, do desemprego, da fome, da falta de roupas, da incapacidade esportiva, da alienação, do consumismo, de qualquer tipo de problema de matemática e solucionaremos todos os problemas do país.

  16. No Marrocos, o álcool não é proibido por lei, mas são raros os que bebem (obvio que a cultura funciona muito mais que leis). Já a maconha é largamente utilizada e cresce como mato nas beiras das ruas. Quando a pressão européia forçou o governo de Marrocos a proibir a comercialização da maconha, que era uma das poucas atividades que geravam riqueza para o povo, o preço foi as alturas e a produção marginal se especializou em haxixe mais forte, já que é mais fácil de esconder e transportar. Assim os recém traficantes fizeram fortuna e a violência aumentou drasticamente, enquanto o povo empobreceu e muitos dos que cultivavam, que nem sequer sabiam da proibição, foram presos e humilhados de forma violenta.

  17. acho que muitos aqui estão fazendo uma grande confusão com a palavra DROGA!

    pra começar, o café que voce toma é uma droga… o remédio que você toma é uma droga… o vinho é droga, o cigarro é droga…

    quando as pessoas falam mal das drogas eu fico pensando se elas nunca tomaram café ou remédios… eu fumo maconha toda semana, e me cosidero bem menos drogado que um cara que sai pra beber e passa horas no boteco…

    me considero tão drogado quanto varias pessoas viciadas em café… estou vendo que existem pouquíssimos libertários por aqui… vejo mais pessoas que ainda se usam de conceitos de direita e esquerda.

  18. Sou libertário e embora nunca tenha consumido drogas e nem pretenda consumir, sou a favor da liberação geral e irrestrita das drogas, pelas razões que todos sabem: já li o capítulo do Walter Block sobre as drogas e sou fã dos discursos do Ron Paul a respeito.

    Mesmo assim, acho que o genial Peter Schiff errou a mão nesse artigo.

    Pela seguinte razão: fora dos livros, isto é, na vida real, o traficante de drogas “não é” o sujeito empreendedor e com capacidade empresarial, que faz um país crescer.

    Moralidade a parte, o comércio de drogas é tão absurdamente perigoso, que só mesmo uma personalidade completamente irresponsável e psicopática entraria no ramo.

    Então, os atuais traficantes são a escória da sociedade, e a experiência mostra que são os mesmos que cometem furtos qualificados, roubos, assassinatos e até estupros.

    Vem tudo num pacote típico de pessoas narcisistas e irresponsáveis, que só pensam no presente e descontam o futuro.

    O perfil típico do traficante é bem diferente do perfil do “sacoleiro” (este sim um sujeito que na maior parte das vezes é honesto, empreendedor, criativo e apenas foge da opressão estatal).

    Não se mistura. O sacoleiro médio jamais aceitaria uma proposta de tráfico internacional, ainda que este seja bem mais lucrativo, justamente porque avalia os riscos e não é irresponsável.
    Então, não misturem.

    Se botarem uma pena de 30 anos pra quem comercializar chocolate, o tráfico de chocolate vai atrair a pior espécie de ser humano. Acho até que o próprio Walter Block já falou algo nesse sentido.

  19. “Sério que estamos tratando apenas de ‘livre arbítrio’…?”

    Sim, estamos. O princípio do livre-arbítrio se aplica ao se usar da foça para com o usuário, pois na medida em que ele viola o livre-arbítrio de terceiros, ele é destituído do seu. Na medida em que o usuário usa da força para cometer essas barbáries, passa a ser lícito e moralmente correto usar da força para detê-lo e para puni-lo.

    Mais, acho que nesse caso, a presença do usuário junto a terceiros, nesse estado, representa um explícito risco de agressão. Sua proximidade a outros indivíduos, assim, representa uma óbvia iminência de uso de força agressora. Por isso, impedir forçadamente que haja essa situação de proximidade seria um legítimo uso de força e teria caráter defensivo. Esse raciocínio se aplica também a outras drogas e situações onde o uso da força é indiscutivelmente iminente; se um assaltante apontasse uma arma para você,
    não seria preciso esperar o tiro para agir.

    Se esse indivíduo, mesmo ciente dos efeitos dessa droga monstruosa, quisesse usá-la, só seria injusto usar da força para controlá-lo se ele não apresentasse clara ameaça aos outros quando sob o efeito da droga. Acho que um usuário teimoso só poderia usá-la em um jaula; se não, qualquer um que segundos após o uso o incapacitasse não estaria em desarmonia com os princípios da liberdade, com os princípios do livre-arbítrio.

    O livre-arbítrio humano só é inviolável na medida em que é inviolante.

  20. O texto além de tudo é politicmanete correto. Desde quando estes vida loka são trabalhadores, tem espírito empreendedorial? Daonde tiraram que Beira-mar, Nem e outros tem espírito empreendedorial?

  21. Brilhante!

    Eu tinha uma breve ciência que o Estado ajudava indiretamente o tráfico, mas não tinha feito ainda uma análise como essa.

    Será que o Governo esquerdista atual não o faz deliberadamente, para sustentar o cartel das FARCs?

  22. funkeiro anarcocapitalista

    Vocês não precisam se preocupar com o Estado fazendo propaganda contra o empreendimento dos jovens seduzidos pela vida de traficante (cujo retorno é rápido, ver link abaixo) pois os próprios moradores das favelas já o fazem:

    http://www.youtube.com/watch?v=GNoES_tfdrM

    “Ao sair da cadeia, após anos de imersão com os especialistas, ele será um pós-graduado em criminalidade.”

    E eles são muitos. Geralmente a evolução natural, tal qual um graduado torna-se mestrando, é tornar-se um assaltante. Esses são verdadeiros especialistas:

    http://www.youtube.com/watch?v=gAWIrUt1m5E

    O que resta fora isso? Vestibulares semi-impossíveis para estudantes que passaram a vida nas cretinas e vergonhosas escolas públicas ou… os famosos concursos públicos, válidos somente para uma pequeníssima porcentagem de tais logradouros que tem potência intelectual e capacidade para o estudo (também, depois de 10 anos em escolas que desestimulam o estudo caseiro) que assim inflam mais ainda a máquina estatal. Quando nada disso é seguido, também há outro caminho, muito mais escabroso que o desperdício do funcionalismo público: o assistencialismo.

  23. Senhores, o que sei e que ao analisar esse artigo e esses cometários me deu uma terrível dor de cabeça. Viva a cafeina! Liberem logo as outras!

  24. A análise começou boa, bem estruturada e bem argumentada… Mas no final pecou ao “pedir” a legalização das drogas. A Holanda sofre as mazelas de ter liberado de forma indiscriminada as drogas, hoje colhe os frutos. Fico imaginando essas pessoas que defendem a legalização de drogas, o que eles pensam… O governo libera as drogas os traficantes e todos seus comandados irão imediatamente matricular em cursos do SENAI e vão virar pessoas do bem.

    Armas teoricamente são legalizadas, mas o tráfico de armas rende bilhões todos os anos! Cigarros de tabaco são legalizados, mas há tráfico de cigarro, bebidas alcoólicas são legalizadas, mas há tráfico de bebidas falsificadas.

    Na hipotética situação de que o governo resolva liberar as drogas, o tráfico não acabará, pois a maconha que for adquirida em estabelecimentos legais estará carregada de taxas , tanto as do governo, quanto as dos empresários. Contudo, os traficantes terão o mesmo produto, com a mesma qualidade, mas sem taxa do governo , sem taxa de aluguel, sem tributos trabalhistas…. Ou seja, o produto nas ruas continuará sendo mais barato.

  25. A maior parte da violência é provocada pelo consumidor sem recursos que rouba e pratica latrocínio para obter recurso para financiar o vício. A simples liberação de cultivo caseiro de maconha para consumo próprio já reduziria drasticamente a violência nas ruas. Mas os defensores da descriminalização das drogas estão mesmo de olho é nos lucros dos futuros negócios de drogas, de armas ou de segurança.

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