Contrariamente
à crença popular, o governo não obstrui o surgimento do crime
organizado; ele fomenta.
Pare
por um momento e pense naqueles setores da economia tipicamente ocupados pelo
crime organizado: prostituição, jogos, agiotagem, narcóticos e
sindicatos. O que todos esses setores têm em comum? Simples.
Ou eles são fortemente regulados pelo estado, ou são pura e simplesmente
proibidos por ele. Em contraste, nos setores que estão relativamente livres
da interferência governamental, o crime organizado não se estabelece.
A
experiência clássica que comprova a validade dessa explicação é a Lei Seca que
vigorou nos EUA no período 1919-1933. Durante essa época, a produção, o
transporte e a venda de bebidas alcoólicas eram ilegais. O que
aconteceu? Gangsteres como Al Capone entraram em cena e passaram a
controlar o comércio ilegal, aniquilando seus concorrentes nas inevitáveis e
infindáveis disputas territoriais. Entretanto, assim que a Lei Seca foi
revogada (em uma das poucas coisas decentes que Franklin Roosevelt fez em toda
a sua presidência), o crime organizado abandonou a indústria do álcool e se
voltou para os outros setores que continuavam proibidos.
O
crime organizado se beneficiou com a Lei Seca porque a polícia efetivamente
perseguia e afugentava os legítimos empresários da indústria de bebidas
alcoólicas. Aqui cabe um rápido exercício teórico: Se o estado
literalmente declarasse que Al Capone tinha o monopólio da distribuição de
bebidas em Chicago, e mandasse qualquer concorrente pra cadeia, então o preço
das bebidas em Chicago iria disparar, e Capone obteria lucros exorbitantes em
decorrência disso. Isso é algo óbvio. De maneira similar, quando o
estado ameaça colocar na cadeia todos os distribuidores de
bebidas — mas faz vista grossa para Capone, que paga suas propinas em dia –,
isso é economicamente similar a um monopólio garantido pelo estado.
Estou
utilizando Capone apenas para fazer um argumento ilustrativo. Não fiz
nenhuma pesquisa específica sobre ele, mas é certo que hoje em dia as grandes
organizações criminosas pagam regularmente sua propina à polícia — cujo termo
técnico é “taxa de proteção”. Se o leitor duvida disso, então é
porque ele de fato não entende o essencial do comércio de drogas. Para
uma introdução básica, assista a Serpico, um ótimo
filme com Al Pacino baseado na história verídica de um policial do departamento
de narcóticos da polícia de Nova York que se recusava a aceitar dinheiro
sujo. (Pensando bem, você pode assistir a praticamente qualquer filme de
Al Pacino para aprender que os grandes barões do tráfico rotineiramente
subornam a polícia).
Os custos e benefícios marginais da
violência nos mercados proibidos
Empiricamente,
já deveria estar mais do que óbvio que a violência anda de mãos dadas com os
mercados que sofrem de ampla proibição estatal. Novamente, o experimento
clássico é a Lei Seca. Seria inconcebível imaginar os executivos da
Budweiser ordenando um massacre — naquele estilo em que carros passam
metralhando a fachada de um estabelecimento — dos seus rivais da
Heineken. Entretanto, quando o estado erradicou grande parte dos
produtores dessa indústria, os massacres se tornaram comuns. Essa
constatação ajuda a entender algo maior: as disputas territoriais de gangues
rivais que ocorrem atualmente nas grandes cidades são decorrência da proibição
das drogas. Essas disputas não ocorrem, como pensam alguns, porque o
comércio de cocaína seja algo intrinsecamente “louco” ou
“insensato”.
Mas
ainda que a maioria dos libertários reconheça a associação entre violência e
proibição estatal, suas causas raramente são explicadas. Bem
resumidamente, a explicação é simples: a proibição estatal a qualquer tipo de
comércio eleva os benefícios marginais e diminui os custos marginais
de se utilizar de violência contra os concorrentes do setor econômico em
questão.
Comecemos
com os custos, que são mais fáceis de entender. Nesse exato momento, se
você se tornar um distribuidor de cocaína, você estará infringindo leis que
podem mandar-lhe para a cadeia por um bom período de tempo. Entretanto,
se você for poderoso o suficiente, você pode dar sacos e mais sacos de dinheiro
para a polícia local. Dessa forma, na margem, o custo de você
matar um traficante rival é bem menor do que seria se você gerisse um
restaurante tailandês e matasse seu concorrente japonês.
Por
quê?
Quando
você é um dono de restaurante qualquer, o pior que o governo pode fazer com
você é auditar sua declaração de renda. Porém, se você for um traficante
de cocaína e descuidar da propina, isso pode lhe custar a simpatia dos
policiais. Resultado: você pode ir em cana. Assim sendo,
se você é um traficante e tiver condições de pagar religiosamente a propina da
polícia, matar alguém deixa de ser uma medida temerária. Por outro lado,
se você for um dono de restaurante, ordenar a morte do sujeito que está abrindo
uma casa de sushi na sua rua seria algo insano. O traficante tem tiras
corruptos na sua folha de pagamento, os quais presumivelmente estariam
dispostos a fazer vista grossa a um homicídio caso recebessem uma grana
extra. Além disso, é bem provável que o traficante também tenha conexões
ainda mais importantes, não sendo desarrazoado imaginar que ele possa também
subornar juízes caso algum dia ele tenha de ir a julgamento.
Já
os benefícios marginais da violência são muito maiores para o
traficante de cocaína do que para o dono do restaurante tailandês.
Traficantes de drogas não são (completamente) imprudentes; eles operam pelo
dinheiro. Para compensar o alto risco, os retornos monetários do comércio
de cocaína têm de ser astronômicos. (Se você gosta de gráficos, quando o
governo ameaça prender os vendedores de cocaína, a curva da oferta se desloca
acentuadamente para a esquerda, ao passo que a curva da demanda também se
desloca para esquerda, só que muito pouco. Assim, o preço de equilíbrio
do quilo da cocaína dispara, indo para um nível muito acima do seu custo
monetário de produção).
Por
causa das considerações acima, o benefício de se ganhar uma fatia de mercado no
comércio de cocaína é enorme. Cada novo cliente pode significar um lucro
extra de milhares de dólares por mês. Em enorme contraste, se o dono do
restaurante tailandês “roubar” um cliente do restaurante japonês,
isso pode gerar-lhe um acréscimo de meros $100 por mês, pois a margem de lucro
na indústria de restaurantes é muito menor que no tráfico de drogas. Para
os traficantes, pode fazer sentido ficar rondando portas de escola, vendendo
seus produtos para adolescentes, ou até mesmo dando amostras grátis para
novatos (embora eu não saiba se isso de fato ocorre; estou baseando-me nas
propagandas antidrogas). Por outro lado, você nunca vê
representantes da Kellogg’s vendendo caixas avulsas de Sucrilhos para as
crianças. Por causa dessa enorme diferença, conquistar novos clientes é
algo muito mais valioso para quem opera nas indústrias proibidas do que para
quem opera no setor livre. É por isso que matar um rival — e com isso
ganhar acesso a seus clientes — é muito mais lucrativo nos setores proibidos.
Portanto,
quando o estado ameaça prender os produtores de um determinado bem, ele acaba
alterando os incentivos de mercado, de modo que a violência passa a ser muito
mais lucrativa para essa indústria.
Naturalmente,
no mundo real, as pessoas não são computadores que calculam robotizadamente
suas funções de utilidade — ao contrário do que pensam os economistas
neoclássicos. Assim, não estou dizendo que o mesmo
empreendedor vai agir de maneiras distintas, dependendo da política de
combate às drogas. Não estou dizendo que esse empreendedor irá escolher
entre ser um homem reto ou um assassino perverso, tudo dependendo apenas do
nível de repreensão ao tráfico. Não. O que ocorre é que aquelas
pessoas que têm predisposição para ser assassinas cruéis ganham um incentivo
adicional com a política de ilegalidade de certos mercados, o que permite que
elas prosperem e se tornem muito ricas em uma sociedade cujas leis antidrogas
são rigorosas.
Logo,
ao invés de ser apenas mais um sociopata — do tipo que mata um sujeito que
olhou lascivamente para sua namorada num bar e que, por isso, vai para
a cadeia –, as asininas leis antidrogas acabam por fazer com que esse
sociopata possa ganhar milhões por ano vendendo cocaína — sendo que com esse
dinheiro ele agora poderá comprar armas automáticas, contratar capangas,
subornar policiais e se tornar o rei das ruas.
O
argumento econômico padrão contra a proibição das drogas
Portanto,
no típico argumento livre-mercadista em prol da legalização das drogas, o
economista irá argumentar que a proibição gera violência desnecessária, uma vez
que as quadrilhas entram em guerra entre si para disputar territórios
lucrativos e estratégicos, frequentemente matando inocentes nesse
processo. Em seguida ele irá utilizar a ilustração clássica desse
fenômeno como sendo a matança que ocorria no submundo americano durante a época
da Lei Seca em Chicago. Ao passo que, nos dias de hoje, seria
inconcebível que executivos de cervejarias rivais saíssem por aí chacinando
seus concorrentes, esse método fazia perfeito sentido para Al Capone em relação
a seus competidores.
Até
aí, o argumento está correto. Entretanto, quando o economista tenta ir
além dessa observação geral para explicar por que a proibição
leva à violência, ele frequentemente diz algo mais ou menos assim: “Quando o
álcool ou a cocaína são ilegais, os vendedores desses produtos não podem
recorrer aos tribunais ou à polícia para protegerem sua propriedade e garantir
que os contratos sejam honrados. Consequentemente, eles têm de se armar
até os dentes; e se alguém tentar trapaceá-los, eles têm de resolver as coisas
por conta própria, pois chamar a polícia está fora de questão.”
Tal
explicação pode soar plausível para um liberal clássico, que acha que o governo
faz um bom trabalho fornecendo serviços de judiciário e de fiscalização de
cumprimento de contratos. Mas para um anarcocapitalista, que
consistentemente diz que um governo corrupto e faminto por poder irá gerir um
departamento de polícia tão bem quanto administraria uma montadora de
automóveis, essa postura em relação à legalização das drogas parece um tanto
esquisita. Pois o que está sendo dito é que a violência é causada
pela inação do governo, por sua recusa em utilizar seu
monopólio da força e da justiça com mais frequência. A implicação óbvia
parece ser a de que, se a polícia nunca respondesse a nenhum pedido de ajuda,
de quem quer que seja, a sociedade entraria em colapso.
Esse
diagnóstico está totalmente invertido. A razão por que a proibição das
drogas produz enormes estragos nas relações sociais se deve ao fato de ela, a
proibição, introduzir mais intervenções no mundo; o problema é
que o governo está utilizando sua polícia e seus tribunais excessivamente.
Por
exemplo, imagine uma área pobre de uma grande cidade, infestada de quadrilhas
de traficantes que aparentemente circulam por ali sem qualquer restrição,
vendendo abertamente drogas nas ruas e becos e descarregando rajadas de
metralhadora em qualquer um que apresente um comportamento minimamente
suspeito. A maioria das pessoas iria pensar: “Esse bairro é uma
anarquia! Está faltando estado aqui! Se ao menos a polícia
aparecesse de vez em quando para aplicar as leis… Mas não, ela é
totalmente indiferente ao sofrimento dessa comunidade!”
Novamente,
esse diagnóstico está invertido. A vizinhança está nessa situação
terrível justamente porque a polícia opera ali com impunidade.
Se a polícia realmente nunca se preocupasse em impor qualquer lei naquela área,
então ninguém teria de se preocupar com o risco de ir pra cadeia por estar
vendendo drogas. Consequentemente, empresas de fora poderiam ir se
instalar naquele bairro, abrir lojas com janelas à prova de balas e vigiadas
por seguranças muito bem armados, e vender cocaína e outras drogas para os
moradores (ou, principalmente, para os clientes que vêm de outros bairros) por
uma fração do preço vigente nas ruas. Essas empresas iriam rapidamente
quebrar todas as quadrilhas de traficantes que operam na região, uma vez que os
clientes iriam correr em manada para aqueles empreendimentos profissionalmente
geridos, principalmente por causa de seus preços baixos e pela qualidade de
seus produtos.
Porém,
por que isso não ocorre? Porque se alguns empreendedores tentassem de
fato implementar o plano acima, eles seriam rapidamente bloqueados pela
polícia, que interromperia suas atividades (com o indisfarçável apoio dos
traficantes locais). Mais ainda: essas empresas teriam suas contas
bancárias confiscados por ordem do judiciário, inviabilizando qualquer
operação. Líderes comunitários e religiosos iriam reclamar que uma
farmácia não pode vender cocaína para adolescentes em plena luz do dia (embora
os traficantes o façam imperturbáveis) e o chefe da delegacia encarregada da
região iria concordar. Com efeito, nem ocorre a qualquer empreendedor
tentar fazer o que foi dito acima porque — duh! — seria algo totalmente
ilegal.
Portanto,
não é difícil entender que não é a relutância ou a má vontade do governo em proteger
certos direitos de propriedade que permite que determinadas comunidades
permaneçam em um equilíbrio violento; ao contrário: é justamente o ataque do
governo aos direitos de propriedade que faz com que bandidos detenham um poder
permanente sobre determinadas regiões.
Similarmente,
se um estabelecimento qualquer — um restaurante chinês ou uma lavanderia, por
exemplo — em um bairro perigoso é assaltado, a polícia provavelmente também
não irá fazer muita hora extra pra tentar resolver o caso. Ainda assim,
essa negligência da polícia para com o estabelecimento em questão (idêntica à
negligência para com os bairros tomados por traficantes) não gera uma violência
indômita na indústria de lavanderias da região; tampouco tem-se notícias de
pessoas sendo mortas por motivo de disputa pelo mercado de rolinhos primavera e
frango xadrez.
O
motivo é simples: se, por um lado, a polícia não protege os
comerciantes em bairros perigosos, por outro, ela também não os molesta,
ou, pior ainda, não os sequestra sob a mira de uma arma e os joga em uma jaula
por vários anos, pelo “crime” de estar comercializando alguma
substância. Essa é a diferença chave entre a indústria das drogas e todas
as outras indústrias, e explica por que a indústria perseguida por agentes
armados do governo acaba se tornando (fortemente) militarizada também.
Conclusão
Sabemos
que o governo tem um desempenho horrível em todos os empreendimentos que
executa, sejam eles educação, pavimentação de estradas, fornecimento de
eletricidade e serviços de inteligência. Considerando-se esse histórico,
deveríamos acreditar que o governo é realmente bom em proteger as pessoas
contra criminosos? Se isso é verdade, então por que as pessoas cada vez
mais recorrem aos tribunais de arbitramento privados? Não é óbvio que os
tribunais e a polícia estatais são tão ineficientes e contraproducentes quanto
todas as outras atividades que o estado se arvora fazer?
Para
realmente testarmos as diferentes teorias, precisamos pensar em uma atividade
em que o governo (a) não crie empecilhos para os produtores, mas que também (b)
não defenda os direitos de propriedade desses mesmos produtores. Se essas
áreas forem repletas de roubo e violência, então meus críticos estão
certos. Mas se esses setores forem geralmente ordeiros e pacíficos, então
sou eu quem está certo.
Posso
pensar em alguns exemplos em que eu estou certo. Por exemplo, o comércio
pela internet é bem pouco regulado. Claro, se você comprou um livro de
uma pessoa através da Amazon, e o cara não lhe enviou o produto, você pode
levá-lo a um tribunal de pequenas causas. Mas não é isso o que faz o
sistema funcionar. O sistema funciona porque se baseia claramente nos
efeitos que uma boa reputação traz para um vendedor, e não porque haja uma
ameaça de ações judiciais governamentais.
Da
mesma forma, não é a timidez — ou mesmo a ausência — do governo o que permite
que a violência prolifere em bairros pobres infestados de traficantes. O
que permite esse desvario é justamente o exercício governamental do seu
monopólio sobre o uso legítimo da força.
Mesmo
economistas pró-livre mercado frequentemente entram em uma espécie de ponto
cego quando se trata do fornecimento de serviços estatais de justiça e de
fiscalização de cumprimento de contratos. Porém, mesmo nessas áreas,
monopólios exercidos por funcionários públicos corruptos são péssimos. O
setor privado poderia resolver vários conflitos violentos se apenas o governo
concedesse liberdade para tal.
A
teoria econômica padrão diz que os monopólios mantidos à base da violência (ou
por sua ameaça) levam a serviços de baixa qualidade e preços altos. Essa
análise se mantém válida mesmo quando o monopólio se refere aos serviços
judiciais, policiais e militares. Os libertários geralmente reconhecem
que o governo faz um péssimo trabalho quando tenta educar crianças, manter
estradas e gerir hospitais. Por que, então, alguém em sã consciência iria
querer dar a políticos e burocratas a tarefa de nos proteger de ladrões e
assassinos?
“Em contraste, nos setores que estão relativamente livres da interferência governamental, o crime organizado não se estabelece.”
Temos ai uma perspectiva americana que sabe que usar a emissão de dinheiro, como continuada interferência governamental, já não trás a solução de todos os males para a sociedade.
No Brasil, O imperialismo é mais do que um crime organizado. É uma força avassaladora que arrasa tudo que estaria sendo acumulado para o social. Como reconhecê-lo? Como combatê-lo?
Já que os economistas falam em gestão empresarial, poderiam explicar se os investimentos externos, que geram bilhões de endividamento para o estado, são conversões de valores da realidade objetiva, ou se o dinheiro americano que os contribuintes pagam, mas não circula no mercado interno – é mais social que as nossas relações?
Logo, o problema está vinculado relativamente a própria capacidade da propriedade privada em superar internamente o funcionamento exterior do capitalismo, e se livrar da intervenção governamental dos EUA no Brasil.
Não tenho PhD em Economia como o Dr. Murphy, e nem a pretensão de rebater seus brilhantes argumentos econômicos. Porém um pequeno detalhe me chamou a atenção neste artigo: as comparações com o comércio de bebidas alcoólicas, numa primeira instância, e com comida chinesa, mais adiante.\r
\r
Não é preciso ser “expert” no assunto para entender que um copo de vinho ou duas cervejas por dia são inócuos à saúde do usuário, bem como reconhecer que o consumo de rolinhos primavera e sushis não tem a menor possibilidade de transformar seu consumidor num sociopata, ou ladrão, ou assassino.\r
\r
Se bem que a lógica econômica dos respectivos mercados é similar, em termos de demanda, oferta, produção etc., os PRODUTOS em análise possuem características intrínsecas totalmente diferentes.\r
\r
Antes de prosseguir, quero deixar claro que me considero um defensor intransigente do livre mercado e um opositor ferrenho de qualquer tipo de intervenção governamental, mas eu pergunto: quais são as consequências do consumo das drogas? Em geral, começa como um hábito irrelevante, que apenas afeta a saúde, a produtividade e o ajustamento social do consumidor individual. Mas, à medida em que a dependência química se instala, o consumo de drogas leves não mais satisfaz o usuário, que passa a consumir substâncias cada vez mais potentes e com efeitos modificadores do comportamento. Dependendo da evolução do processo, a dependência crescente obriga o consumidor a atos cada vez mais radicais, e o seu comportamento perante a família, o trabalho e outros ambientes se torna cada vez mais inadequado, até que o consumidor se vê marginalizado pela própria sociedade.\r
\r
Entendo que, se a droga fosse descriminalizada, o seu preço seria muito mais baixo, portanto o viciado não precisaria roubar nem matar para poder adquirir a substância, o que alivia um pouco as consequências para as pessoas em volta. \r
\r
Mas isto não esconde os fatos: a droga é simplesmente prejudicial ao ser humano. O consumo de bebida alcoólica, segundo alguns estudos, pode ser até benéfico – p. ex. o vinho tinto possui anti-oxidantes e contribui para baixar o colesterol, segundo estudos. Porém não tenho quaisquer informações sobre efeitos benéficos do consumo de qualquer substância classificada como entorpecente: a maconha, no melhor dos casos, e quando consumida regularmente em pequenas quantidades, provoca inicialmente uma euforia, seguida de introspecção, isolamento social crescente, desinteresse pela vida produtiva, pelos estudos e pelas relações interpessoais e outros sintomas que podem ser detalhadamente descritos por qualquer pessoa que tenha um familiar viciado nessa substância. Outras drogas, como cocaína, heroína, LSD ou qualquer outro tipo em geral, possuem efeitos depressivos, alucinógenos e modificadores profundos do comportamento, que em período mais ou menos extenso (dependendo da resistência física de cada usuário) acabam destruindo totalmente a vitalidade e a saúde do usuário, levando-o até à morte (como é o caso do “crack”).\r
\r
Conclusão: apesar da análise econômica ser aparentemente correta, a droga tem um inconveniente OBJETIVO: a destruição do ser humano, o que inviabiliza estudá-la apenas como sendo “mais um produto” dentro do mercado.\r
\r
Essa questão remete às bases éticas do libertarianismo, cujo princípio fundamental é baseado em conceitos axiomáticos, por exemplo, que o princípio da não-agressão é intrinsecamente “bom” e a iniciação de agressão “não é boa”.\r
\r
Entendo que a deterioração física e comportamental do ser humano pela ação da droga é intrinsecamente “má”, portanto não me sinto confortável em apoiar a liberalização total do fabrico, distribuição, publicidade e venda dessa coisa.\r
\r
Obs.: não que isso seja uma grande verdade filosófica, mas vamos fazer um simples exercício mental: se você quiser saber se uma determinada coisa é intrinsecamente, absolutamente “boa” ou “má”, pense o seguinte: “Se todo mundo fizesse essa coisa, o que aconteceria com a humanidade?”. Se a consequência for positiva, passou no teste – já se for negativa, é preciso repensar um pouco…\r
\r
Saudações austro-libertárias,\r
RH (um pouco confuso…)\r
\r
Apenas para botar um pouco de lenha na fogueira, a maconha tem sim uso medicinal, então não é somente maléfica.\r
\r
Anabolizantes são usados em pessoas de idade para combater algumas doenças como osteoporose (se não me engano), entretanto se tomada nas doses que fisiculturistas tomam podem ser fatais.\r
\r
Sou totalmente contra o uso de drogas. Mais sou ainda mais contra a sua criminalização, pois aí ficamos com a droga mais o crime organizado. Ótimo!!
Uau, que reação!!!!\r
\r
Com esse tipo de disposição para o debate civilizado, não precisamos dos socialistas, estatistas, petistas nem outros adversários para destruir o movimento libertário!!! Nós mesmos podemos nos aniquilar mutuamente, sem dar trabalho aos opositores!!!\r
\r
Para começo de conversa, em nenhum momento defendi a proibição. Apenas fiz alguns questionamentos, porém desafio a qualquer um dos “debatedores/ atacantes” que copie e cole uma frase onde esteja escrito tal proposta (talvez algum problema de leitura/ interpretação de textos?).\r
\r
Agora, tentarei argumentar, educadamente, ponto a ponto:\r
\r
\r
– Sr. Renato Drumond:\r
=====================\r
\r
1- “Mas o efeito de uma bebida, embora em média possa ser inócuo, para alguns será extremamente prejudicial. Há pessoas que simplesmente não podem beber, sob o risco de, a longo prazo, desenvolver problemas seríssimos. Além disso, qualquer substância é assim.” – CONCORDO: quem quiser, que beba até cair – ou morrer, se assim o desejar -, desde que não inicie qualquer agressão contra terceiros, e que assuma total responsabilidade pelos seus atos perante as outras pessoas.\r
\r
2- “O que marginaliza o consumidor é em grande parte a própria proibição. Em vários grupos sociais, o consumo de maconha é visto como algo ‘comum’. – OK, idem acima.\r
\r
3- “Veja que a maior parte dos políticos eleitos admitem já terem usado maconha em algum momento da sua vida.” – ORA VEJA QUE COISA!!! Não sei se posso considerar isso como um argumento a favor ou contra das drogas. O comportamento dos políticos já fala por si mesmo. Prefiro ignorar este item, para o bem do nível da nossa discussão.\r
\r
4- “Mas será que a própria satisfação individual também não deve ser levada em conta? Se o indivíduo está disposto a trocar a sua integridade física por um pouco de prazer momentâneo e vida frenética, não é uma escolha que ele possa fazer? Vejamos o exemplo da obesidade, por exemplo. É algo que também leva à deterioração física do indivíduo. Será que devemos proibir os produtos excessivamente calóricos também? A integridade física é algo que a maioria valoriza, mas para muitos pode ser um fardo diante das preferências que um indivíduo possui. Achei curioso que você tenha tenha citado a bebida mas não tenha se lembrado do cigarro. O cigarro é extremamente destrutivo ao organismo. Deveria ser proibido também?” – OK, vide (1) acima. Obs.: me mostre onde eu advoguei explicitamente a proibição, e me retratarei humildemente.\r
\r
5- “Esse é um tipo de raciocínio um pouco perigoso. Por exemplo, se todo mundo perseguisse a castidade, a humanidade desapareceria – isso é uma conseqüência positiva ou negativa? Será que a profissão dos padres é, portanto, intrinsecamente ‘má’?” – EXATAMENTE!! [direcionado exclusivamente aos que acreditam em Deus, pois para os restantes é muito difícil o entendimento do bem x mal, certo x errado etc.] – Segundo a Bíblia, a 1ª ordem que o Criador deu ao 1º Homem e à 1ª Mulher foi “frutificai e multiplicai-vos”, e caso eles não tivessem o bom senso de cumprir esta ordem, nem eu nem o Sr. Renato estaríamos aqui. O que não quer dizer que eu apóie a reprodução compulsória, antes que algum petista venha me dizer que escrevi o que não escrevi!!!\r
\r
\r
Sr. Fernando Chiocca:\r
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\r
1- “RH, não é um PhD em economia que lhe falta, e sim uma compreensão do que seja “prejudcial ao ser humano”. – OBRIGADO, SR. FERNANDO, mas não creio que o Sr. possa me ensinar o que é prejudicial ao ser humano, eu mesmo tenho condições de perceber a realidade, com o auxílio de algum norte moral e religioso. E registro também a sua agressividade, que não acrescenta em nada ao debate.\r
\r
2- “Se as drogas fossem prejudiciais — na própria opinião do consumidor — elas simplemente não existiriam. Se as pessoas usam drogas é por que elas se beneficiam, e não pq elas se prejudicam.” – ENTÃO FICAMOS ASSIM: eu continuo achando que as drogas são prejudiciais, e o Sr. achando que são boas, OK? Só peço a gentileza de se manter a uma distância prudente da minha família, caso o Sr. queira degustar algum pó ou substância da sua preferência. Como exemplo de comportamento irracional, posso citar os fanáticos religiosos que se auto-flagelam em praça pública, achando que isto os aproxima da divindade de plantão. Eles acham o açoite benéfico, assim como o quem cheira cocaína sente prazer e, mesmo sabendo que destrói suas células nervosas, acha também benéfico – não posso fazer nada quanto a isso – “cada um na sua”.\r
\r
3- “Sobre prejudicar a saúde, lhe faltou, por exemplo, a informação de que a maioria das dorgas foram inventadas exatamente por motivos de saúde; como remádios.” – AGRADEÇO A INFORMAÇÃO & NOVIDADE, porém quando tenho um problema de saúde procuro orientação profissional e uma medicação de eficácia comprovada, que vou ingerir na dose especificada pelo médico. Se quiser, pode me apresentar algum trabalho científico reconhecido louvando as propriedades medicinais da heroína, do LSD, da cocaína, do haxixe, do crack, ou até mesmo da maconha (neste particular, que não seja apenas um alívio psicológico do desconforto da doença, mas que apresente eficácia curativa).\r
\r
4- “Soda caústica, por exemplo, acabam destruindo totalmente a vitalidade e a saúde do usuário, levando-o até à morte se ingerida, no entanto não vemos pessoas comprando soda caústica para este fim. Vc quer proibir a venda de soda caústica tb?” – ÍSTO É COMUMENTE DENOMINADO UM “STRAWMAN ARGUMENT”. Exemplo: se as facas podem ser usadas para decapitar as pessoas, então vamos proibir a sua venda? Isto é uma tática desonesta de debate, e não agrega valor (na minha modesta opinião).\r
\r
5- “Por fim, pode retirar esta “saudação”austro-libertária” de sua assinatura, pois alguém que quer agredir uma pessoa para impedí-la de fazer o que ela quer consigo mesma,seja o que for, dve assinar com uma “saudação fascista-socialista”. – ALÉM DE SER UM ATAQUE PESSOAL injustificável dentro do contexto do debate e do nível intelectual reinante neste excelente site, desafio o Sr. a demonstrar a parte do meu comentário onde eu estaria advogando agredir alguém para impedi-la que ela faça o que quiser consigo mesmo. O fato de eu citar que não me sentiria confortável quanto à liberação das drogas, não significa o que o Sr. está alegando. Voltamos ao problema básico de interpretação de textos na aula da Profª Maricota.\r
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\r
Sr. Fernando Ulrich:\r
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1- “Apenas para botar um pouco de lenha na fogueira, a maconha tem sim uso medicinal, então não é somente maléfica.” – A FOGUEIRA JÁ ESTÁ SUFICIENTEMENTE QUENTE, mas de qualquer modo respeito o seu ponto de vista. Pelo que li até agora (posso estar desatualizado), a maconha foi tentada como coadjuvante para aliviar dores e sofrimento psicológico em caso de doenças como alguns tipos de câncer, mas sua eficácia não foi considerada significativa em comparação com os riscos, como a possibilidade de adquirir dependência química. Mas volto a dizer, quem quiser queimar um baseado que o faça – se possível longe de mim, porque a fumaça me dá tosse.\r
\r
Enfim, agradeço a todos a oportunidade de expressar a minha opinião, e continuo assinando (apesar da tentativa de censura):\r
\r
SAUDAÇÕES AUSTRO-LIBERTÁRIAS,\r
RH.\r
\r
Ahh, entendi.. vc achou que alguém aqui estaria interessado em saber que tipo de música vc gosta, qual sua comida predileta e se acha bacana ou não que os outros fumem maconha…
E eu achando que era uma questão ética relativa a proibição. Realmente eu que viajei…
Olá, RH!
Você está confundido usuários de drogas com viciados em drogas. A várias fases e envolvimento no consumo de drogas, assim como existem drogas diferentes considerando a capacidade de vício e o estado mental do uso/abstinência.
Acho que a única droga que deveria ser debatida entre os libertários é o Crack, que eu saiba a única que não existe consumo moderado e controle do usuário.
Mesmo assim, acho que usuários de crack existirão com ou sem proibição, e se for sem proibição ele será tratado como um doente, não como um criminoso, ele vai financiar empresas, não o crime organizado.
Alguns até duvidam que o crack sobreviva no livre mercado de drogas, mas como ele tem avançado demais no Brasil todo e em várias classes socias acho difícil contê-lo, ou apenas os usuários atuais morram e talvez não terá nova geração de “pedreiros”.
Abraços!
Outra questão, como conter a criminalidade depois da descriminalização? O crime ainda estará armado, fontes de renda seriam apenas os crimes com vítimas.
Eu já dei minha opinião sobre legalização das drogas no último tópico sobre maconha(aquele da california); mas vou colocar alguns pontos novamente.
Legalizar não acaba totalmente com o tráfico, na Holanda entre 2007 e 2010 foram apreendidas mais de 26 tolenadas de maconha que estavam entrando por meio do tráfico. Acho que se no Brasil a maconha for legalizada no máximo vai criar uma concorrencia entre livre mercado X traficantes.
Hoje eu sou 70% contra e 30% a favor da legalização, mas meu maior medo é legalizar as dorgas, depois dar tudo errado e não ter como voltar atrás.
@Valeria Profits and Drugs
Excelente artigo! O que não consigo compreender é a legislação brasileira proibir o tráfico de drogas, mas tratar o consumidor como um “doente”. Partindo da premissa que a demanda gera oferta, se há consumidores… cedo ou tarde, caro ou barato será ofertado o produto. Creio que essa diferenciação entre consumidor e fornecedor é decorrente de existirem consumidores entre professores, médicos, advogados, juízes, políticos, empresários, ou seja, as classes formadores de opinião pública. Assim quando veem filhos ou parentes usuários de droga, são vistos como vítimas, doentes, que foram seduzidos e mantidos pelos traficantes.\r
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Sou favorável a um estudo multidisciplinar sobre uma análise da liberação do uso de algumas drogas, e por conseguinte, a liberação também da produção e venda do produto. Uma coisa é certa, da maneira que está, não funciona.
Caro Fernando Chiocca
Considero seus argumentos bastantes interessantes e claros. Acho interessante, primeiramente, pelo fato de serem completamente divergentes dos meus no que diz respeito à descriminalização das drogas e, depois, por serem apresentados com certa precisão e fundamentado em princípios libertários.
Gostaria de colocar algumas questões, você diz:
“se eu livremente escolho um curso de ação, é por que vejo nele um benefício, não um prejuízo.”
Minha pergunta é: um usuário de drogas, realmente vê com clareza o “benefício”? Não seria ele um escravo do seu próprio vício? Por que não levar em conta a degradação moral, psíquica, física, as quais um usuário pode sucumbir?
Ok, há uma diferença entre “usuário” e “viciado”, mas a defesa da liberdade não deveria levar em consideração o quanto a liberdade de escolha vai sendo tolhida na medida em que cada vez mais a droga é consumida.
Uma metáfora que pode ser usada é a da coceira. Livremente escolho coçar uma pequena ferida por que vejo aí um benefício, “uma sensação agradável”, mas na medida que coço, vou me tornando um escravo daquele “benefício” a ponto de ter um grande prejuízo físico.
Ou seja, os usuários de drogas, são na verdade escravos das drogas, dos vendedores, não pessoas autoconscientes capazes de tomar decisões por si mesmos, não? A palavra “droga” é muito boa em grego, phármakon, significa, tanto o “remédio”, como o “veneno”. Palavras como pharmakísídos era tanto usado para “a drogadora”, e a “mágica”, pharmakeús “aquele que droga”, como “aquele que encanta”. Entre “drogas”, “alívio”, “veneno”, “encanto” há uma relação nebulosa.
Qual é o critério, então, para se medir realmente o que é “um benefício” de um “pré-juízo”?
Respeitosamente
Francisco
Li vários comentários aqui, e em verdade não queria entrar muito na discussão. Mas queria deixar minha opinião aqui:
Leandro comentou assim:
Leandro 25/11/2010 19:19:54
“Bom ponto, Rhyan. Afinal, sem renda e armados militarmente, é ingenuidade achar que esses seres adoráveis (“sociopatas”, como bem disse o Murphy nesse artigo) irão sair tocando violino ou fazendo malabarismos nos semáforos para ganhar dinheiro. Sem dúvida, eles iriam tocar o terror.
Eu, humildemente, abordei essa questão nesse artigo:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=440
O fato é que décadas de intervenção governamental (a proibição) geraram uma distorção tão grande, que a correção dessa distorção não será nada simples. Certamente, será dolorosa.”.
Eu, humildimente, achei corretíssimo o que ele falou. A ação governamental durante o tempo distorceu o que era uma solução fácil.
Mas agora senhores, creio que vocês deveriam pensar de outra forma. A situação agora não é mais de “se tivesse acontecido”, “se eles fizessem isso”, “se blá blá blá”. A questão agora é: O que fazer?
Mas quanto a questão no que está acontecendo no Rio de Janeiro HOJE, tenho minha opinião. Devemos lembrar que quem começou isto foi o governo Lula com suas UPP’s(unidade de polícia pacificadora), por isto os bandidos tocaram o terror nas ruas do Rio. Logo, se não tivesse governo, a coisa não estaria assim. Agora vamos pensar um pouco: “Se não tivesse governo”, falei. Mas a questão é que ‘há’ governo. E como há governo, e um sistema anarcocapitalista demoraria muito para instalar-se aqui(não creio que seria só em 4 anos, como vi em um outro artigo), eu creio que o governo, enquanto está(infelizmente) no poder, estão reparando o erro que eles cometeram ao instalar as UPP’s. Quem fez o erro foram eles, e “aqui se faz, aqui se paga”, e eles estão pagando. Aliás, do melhor jeito, em minha visão.
Sou um defensor do anarcocapitalista, diferente de muitos aqui que cursam ou já cursaram ensino superior, ainda só estou na 1° série do Ensino Médio, mas sei que a situação que devemos levar em conta agora é a realidade. E não é preciso nenhum tolo pra pensar nisto.
Agora, a polícia invadirá o complexo do alemão, e – espero – a criminalidade vai baixar. E eles estão certos até ai, já que os ladrões não vão parar de atear fogo nos carros mesmo se as UPP’s saírem de lá, creio eu. Porém, quando tudo isto acabasse, eu creio que a medida anarcocapitalista seria – aí sim – começarem a retirarem as UPP’s e revisarem a questão da proibição de drogas.
Esta é minha opinião. Obrigado.
para os em duvida sobre manter a proibição, lanço a seguinte pergunta:
o que é melhor, cortar o financiamento do crime organizado, e se defender de seus ataques em resposta até que este não tenha mais como se sustentar, ou manter o financiamento do inimigo, e combate-lo de frente?
[]’s
O problema é muito mais profundo do que a discussão sobre livre-comércio. Vejo que muitas vezes alguns se apegam a esse dogma com um fervor quase religioso. O que vamos fazer, liberar o crack e a heroína? Impossível, um aumento do número de usuários iria causar um caos inacreditável. São drogas extremamente fortes e provocam vício rápido. Mesmo os países que liberaram drogas mantiveram proibições em relação a drogas pesadas. E com essa legislação permissiva a violência e degradação não sumiu, como os defensores das drogas pregam.
Talvez a liberação de algumas drogas possam ser discutidas? Claro que sim, temos que debater os prós e contras (que certamente existem em cada caso). Mas não existe solução mágica. Sempre desconfio de textos que afirmam que vão resolver o problema da criminalidade muito fácil…
Uma boa razão para não privatizar a política, justiça etc… é justamente o fato de que quem tem mais dinheiro terá mais polícia, justica etc… Além do mais, a justiça exercida pelo Estado, torna essa mesma justiça estatal uma espécie de “vingança” última e inapelável em uma sociedade saudável.
O que autor pretende, deixar os traficantes livres para fazerem o que quiserem ou decretar a legalização das drogas?
No primeiro caso, teremos a ausencia da Lei mas não sei se pessoas naturalmente violentas se tornariam pacíficas pelo simples fato da polícia não passar ali. (Se não há lei, porque eu devo parar de matar meus rivais?) No segundo caso, a contradição entre defender a ausencia do Estado e defender a interferencia do Estado para legalizar algo é uma contradição gritante.
No caso das drogas serem comercializadas livremente: Um empresário conseguiria realmente vender as drogas por um valor abaixo do valor dos traficantes considerando seu custo com segurança? E, de quem ele vai comprar as drogas? Do Beira Mar? Do Abadia? Do Comando Vermeho ou do PCC?
Só para lembrar: Kennedy, ex presidente da maior potência bélica do mundo tinha em suas mãos o monopólio da força legal e foi assassinado.
Lennon: Beatles milionário, foi assassinado.
Silvio Santos: Passou quase 1 dia com uma arma na cabeça além de sua filha ter sido sequestrada.
Abilio Diniz: Foi sequestrado. (Não tinha $$$ para financiar segurança fortemente armado?)
Pergunto: Alguém em sã consciência consegue admitir que um empresário fortemente armado conseguiria entrar no mercado de drogas e sobreviver por 1 dia que seja? Claro, se ele jogar o mesmo jogo, talvez, mas se colocarmos esse empresário em igualdade com os empresários já existentes aí eu não sei.
é preciso incentivar mais a formação de batalhões de moradores para a defesa dos bairros, uma experiência que deu certo na zona oeste do Rio e deveria ser exportada para o resto do Brasil
Seria pró a liberação das drogas desde que para os atuais traficantes houvesse pena de morte.
Limpar esses traficantes que tem aí e depois liberar.
Vereadores debatem sobre política de drogas no plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Em 28/02/2012
http://www.youtube.com/watch?v=ZvLIyfoOOVM
Artigo escrito pelo diplomata Alexandre Vidal Porto: A utopia de um mundo sem drogas
O intervencionismo aumenta os benefícios marginais dos marginais!
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Gosto muito dos textos que leio por aqui.
O texto me convence totalmente da eficácia dessa proposta. Vou apenas levantar uma reflexão, sem entrar na questão de afirmar se legalizar é ou não a melhor solução, pois acho que não tenho preparação adequada para tal afirmação.
Eu acho que qualquer pessoa deve concordar comigo que a solução mais SIMPLES nem sempre é a solução mais CORRETA. Na minha opinião, legalizar as drogas não é a solução mais CORRETA. Se essa solução for a MELHOR que se pode adotar, é porque ela é a mais SIMPLES de se pôr em prática.
Na minha opinião, visto pelo lado econômico sou totalmente a favor da liberação das drogas, mas pelo lado social sou contra, pois fere a minha libirdade individual. Existem moradores na minha rua e até um vizinho que fizeram (ou fazem, não sei) uso de maconha, e fica um clima não muito legal pelos arredores, além da questão do tráfico, do repasse da droga (pois ela é proibida, é claro). Chegaram a usar na rua, num ambiente em que existia crianças por perto, além de o cheiro, que transpõe barreiras, como os muros, veio parar na casa de um vizinho, como foi relatado. Não quero ser um usuário passivo de maconha (até cigarro eu repudiu ao máximo), quem dirá essas porcarias com um monte de coisa misturada no meio. Além do fato de deixar as pessoas alucinadas, meio fora de controle, principalmente os mais jovens. Sei que um problema complexo, que desenvolveram na sociedade. Se conseguirem colocar locais fechados para ato, longe da minha residência, e de quem repudia o uso de drogas, daí é outra história. Mas como simpatizante do libertarismo, não quero minha propriedade individual ameaçada por nada, nem ninguém. É compreensível, não é? Minha moradia é um lugar sagrado, e não gosto que me incomodem com sons e cheiros desagradáveis e insurportáveis também.
A questão das drogas não é uma questão do arcabouço econômico. Não é uma questão de oferta e demanda. Só é nos primeiros usos da droga em seguida vem o vício então não se torna mais uma questão de livre escolha do individuo pois o usuário estará viciado. A questão deve ser tratado do ponto de vista epidemiológico e não econômico, drogas devem ser tratadas como uma epidemia e as mesmas técnicas de controle de epidemias devem ser usadas.
Vou ser mais sincero e objetivo: eu não quero como vizinho um usuário de maconha que fume o dia inteiro, muito menos uma boca de fumo ao lado da minha casa, nem que essa seja de origem legal. Não quero como vizinho um usuário de crack, porque não quero conviver com um zumbi ou uma pessoa fora do seu juízo, que pode fazer mal a mim e outras pessoas (o mesmo vale para drogas mais fortes). Nem quero como vizinho uma casa de prostituição ou uma pessoas que pratica esses atos em sua residência (nem preciso responder porque né), iria ser uma situação constrangedora para mim e para outros. Não adianta negar, essas são práticas que causam euforia (momentânea) nas pessoas e elas acabam se excedendo e invadindo a liberdades dos outros. Afinal elas estão para consumir, se deliciar, aproveitar a vida e não estão nem aí para os que estão próximos. Se alguém quiser igualar o sexo da prostituição com o sexo de um casal em uma residência pode até tentar, mas o casal se incomodar seus vizinhos, vai estar sujeito ao julgamento dos outros vizinhos. Longe da minha propriedade, essas pessoas podem fazem o que bem entender da vida. Sei que é difícil compreender, mas não é só eu que penso assim não.
Mas quem é que quer viver perto de vagabundo? Até onde sei, é só socialista que se desmancha de amores por vagabundos. As pessoas normais querem viver longe de pilantras e arruaceiros.
Deixo aqui minha singela opinião. Gosto muito das ideias publicadas aqui nesse site, bem como o nível da discussão aqui gerada. No entanto, acho que o artigo é utópico.
Gostaria de lembra-los que aqui é Brasil. Dentre todos os problemas que temos aqui, a questão das drogas e as mazelas que permeiam este tema, é apenas mais um, dos vários problemas que temos de conviver todos os dias aqui. Alguém escreveu acima, "o problema é muito mais profundo do que a discussão sobre livre-comércio", e tenho que concordar com esta pessoa.
Acredito que o consumo de qualquer substancia deva ser controlado, não pelo estado, mas por cada individuo, esse seria o ideal. Porém o nível de conscientização social, de educação e responsabilidade do povo brasileiro de um modo geral não permite (ainda), por diversos fatores, que medidas que valorizem a total individualidade e a liberdade sejam abertamente adotadas. Acredito que a liberação/descriminalização/legalização seria um caos para o país.
Se todos que aqui participam deste debate resolvessem consumir as drogas que bem entenderem, confesso que não ficaria preocupado. Por que nós aqui, temos certo grau de instrução, de ética e moral. Mas não podemos envolver todos os indivíduos da sociedade brasileira, tanto é verdade que conseguimos (povo brasileiro) eleger 16 anos de PT…
Me desculpem a ignorância,
Abraços.
Por que toda a discussão sobre a legalização da maconha gira só em torno do comércio e dos futuros impostos que serão arrecadados? Por que simplesmente não se libera o cultivo caseiro para consumo o própro? Acho que os políticos chefões do tráfico de drogas não aceitariam perder esses consumidores.