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Como a guerra às drogas está destruindo o México

O
México está se definhando rapidamente. 
Tanto a vida de sua população quanto a própria vivacidade do país estão
sendo aniquiladas por uma desesperadora e desesperançada guerra contra as
drogas ilegais.  Quem estiver à procura
de um exemplo abjeto de teimosia e estupidez governamental, não encontrará nada
melhor do que essa ridícula insistência em querer banir o “imbanível”.

Nos
últimos cinco anos, o México contabilizou 34.600 homicídios relacionados à
guerra do governo mexicano às drogas ilegais. 
Essa é a contabilidade oficial.  A
contabilidade não oficial — provavelmente a mais acurada — eleva o número
para acima de 40.000. [No Brasil, o
número oficial de homicídios por ano é de 50.000, porém a população brasileira
é 1,7 vezes maior que a mexicana
].

Qualquer
que seja o número escolhido, trata-se de uma cifra pavorosa, ainda mais quando
se considera a maneira como as vítimas foras despachadas.  Esqueça esfaqueamentos, açoitamentos, tiros e
estrangulamentos — coisas cotidianas que a maioria de nós imagina quando
pensamos em homicídios.  Não.  No México, os homicídios
relacionados às drogas estão mais para reencenações de atrocidades —
decapitações, mutilações e enforcamentos — que remontam à era dos teatros
romanos sob o império de Cláudio.  Seja
bem-vindo ao ano 10 d.C. e à carnificina
da era dos gladiadores.

A
sorte dos barões da droga é que homicídios pavorosos não seguem as leis dos
retornos marginais decrescentes: quanto mais os barões da droga aterrorizam,
mais os mexicanos se sentem intimidados. 
O estilo retrógrado dos assassinatos praticados pelos barões da droga
forçou vários mexicanos pacíficos e trabalhadores a se recolher, se esconder e
a finalmente se retirar da sociedade.  E
nenhuma sociedade pode durar sem uma base pacífica e industriosa.

E,
pra piorar, o fato é que não há escassez de opressores no México: a própria
polícia contribui com o seu quinhão.  As
forças federais paramilitares e seus soldados de uniformes negros, com suas
metralhadoras pendendo ao longo do torso e com seus indicadores em contínuo
contato com os gatilhos, além de seus olhares frios e mortíferos que instilam
muito mais insegurança do que medo; em
termos de em quem confiar, a maioria dos mexicanos não distingue entre o
policial e o barão da droga.  O fato é
que as forças policiais são vistas como sendo apenas uma classe distinta de
bandidos, o que exacerba o desespero.

O
medo, estimulado pela confusão, pela ignorância e pela constante violência,
acaba servindo para formar e moldar a opinião pública em favor da classe
política.  Durante décadas, os oponentes
da legalização das drogas vêm repetindo o mesmo argumento escorregadio, sempre
com grande apelo: se as drogas ilegais forem legalizadas, o país irá se afundar
em uma espiral incontrolável e inevitável de iniquidade e violência.  Embora, no geral absurda, o fato é que a
mensagem é concisa, provocativa e incrivelmente persuasiva.  Uma guerra deveria ser declarada — isto é,
uma guerra unilateral que favorecesse a classe política.

Os
líderes políticos queriam apenas uma publicidade favorável para seus atos de
“valentia”.  Porém, no México, a guerra
às drogas tem sido menos unilateral do que os próprios políticos haviam
imaginado: rolaram mais cabeças de políticos
— literalmente e figurativamente — nessa guerra do que em qualquer outro
período da história.

Quem
conhece a ciência econômica, sabe que tudo tem um custo — e negligenciar os
potenciais custos da legalização das drogas ilegais seria uma atitude
intelectualmente desonesta.  Vício,
dependência, incapacidade para arrumar emprego, overdoses, violência doméstica
e acidentes de trânsito são possibilidades muito reais, e elas poderiam muito
bem aumentar ao se legalizar o ilegal.

Entretanto,
há uma razão para se acreditar que tais custos são evitáveis.  Portugal serve como uma intrigante situação
teste sobre a legalização das drogas.  O
país descriminalizou (não legalizou) as drogas ilegais há uma década; e
pesquisas conduzidas pelo advogado Glenn Greenwald, sob os
auspícios do Cato Institute, são encorajadoras. 
Greenwald constatou
que “embora o uso e o vício, bem como as patologias concomitantes, continuem em
forte ascensão em vários países da União Europeia, esses mesmos problemas …
estão contidos ou até mesmo apresentaram melhoras mensuráveis em Portugal desde
2001.”

Essas
descobertas de Greenwald na verdade são bem intuitivas: as normas sociais, os
costumes e as tradições funcionam como inibidores do uso de drogas (e, por
sinal, de praticamente qualquer tipo de comportamento).  O álcool é uma substância difusa e
generalizada não por causa de sua legalidade, mas sim por causa de sua
aceitação.  Uma Stella Artois ou um Jack
Daniel’s são aceitáveis como lubrificantes sociais; maconha e cocaína,
não.  Na esmagadora maioria dos círculos
sociais, este paradigma continuará intacto se as drogas forem legalizadas.

Mesmo
que o uso de drogas e suas consequências negativas viessem a aumentar, os
benefícios da legalização ainda assim sobrepujariam os atuais custos de se
manter o status quo.  Nos EUA, por exemplo, desde 1971 o governo já
gastou mais de US$ 1 trilhão intensificando a guerra às drogas.  Deste US$ 1 trilhão, US$ 121 bilhões foram
gastos apenas para encarcerar mais de 37 milhões de pessoas por crimes não violentos
relacionados às drogas, sendo que 10 milhões de pessoas foram presas pelo
simples porte de maconha.  US$ 450
bilhões desse US$ 1 trilhão foram gastos para trancafiar essas pessoas em
penitenciárias federais.  No ano passado,
metade de todos os prisioneiros federais dos EUA estava cumprindo penas
relacionadas às drogas.  O sofrimento não
é uma variável quantificável, mas os indícios casuais sugerem que a guerra às
drogas nos EUA intensificou sobremaneira essa variável.

Washington
e a Cidade do México são parceiras na perpetuação da fraude da guerra às drogas
assim como os consumidores de drogas americanos são parceiros dos fornecedores
mexicanos no comércio de entorpecentes, de modo que é natural que os mais bem
financiados políticos americanos ofereçam generosamente o dinheiro dos
pagadores de impostos americanos para seus colegas mais pobres da Cidade do
México.  De acordo com a CNSNews.com,
“O Departamento de Defesa dos EUA irá aumentar o financiamento antinarcóticos
do México … em 17 vezes.  Os níveis de
financiamento, que estavam em $3 milhões por ano antes de 2009, irão para $51
milhões em 2011.”

Olhando
o quadro mais amplo, $51 milhões em um orçamento de $3 trilhões é uma mixaria,
mas certamente não será uma mixaria por muito tempo.  Há simplesmente muito demanda e muito
empreendedorismo no ramo das drogas, o que significa que o único rumo que os
gastos do governo podem tomar é para o alto. 
Uma pesquisa de Milton
Friedman
revelou que a proibição das drogas estimula os fornecedores a
desenvolver e a incitar o consumo de drogas mais pesadas, assim como a Lei
Seca empurrou as pessoas para misturas mais fortes de
álcool
(as horríveis e hoje ubíquas bebidas misturadas, criadas justamente
para disfarçar o sabor repulsivo do álcool fabricado clandestinamente). Os
contrabandistas e distribuidores de rum daquela época não lidavam com cerveja;
a cerveja é volumosa e possui baixa potência.  Já o rum é compacto e de alta potência. 
A Lei Seca simplesmente empurrou os beberrões para o consumo de
substâncias tóxicas mais pesadas e mais debilitantes, afastando-os das mais
suaves e inócuas.

Folhas
de coca, mascadas e fervidas como chá, há muito têm sido utilizadas por peruanos
e bolivianos que querem aliviar os sintomas da hipoxia provocada pela altitude.  O ópio, em sua forma bruta, já foi muito utilizado como
analgésico
.  Maconha, folhas de coca
e ópio são volumosos, o que implica altos custos de transportação e
estocagem.  Para driblarem esse
empecilho, os distribuidores optaram por cultivar linhagens mais potentes de
maconha e a destilar as folhas de coca e ópio, o que gerou a cocaína e a heroína.

Mesmo
em sua forma concentrada, as drogas ilegais são caras de ser transportadas e
comercializadas.  Isso requer que os
barões da droga tenham de fazer constantes investimentos para aprimorar o seu
capital e, com isso, operar mais lucrativamente.  Esse alto custo funciona como uma barreira à
entrada no mercado, o que atenua a concorrência, reduz a oferta e joga os
preços para o alto.  Nem se os barões da
droga quisessem poderiam eles ter criado um modelo de negócios tão rendoso.

Zombar
da lei e escarnecer moralistas e cumpridores da ordem são atitudes que
glorificam os barões da droga, algo muito parecido com a maneira como a Lei
Seca glamourizou os chefões das máfias. 
Apesar de toda a matança e terrorismo associados ao tráfico de drogas,
os plebeus ignorantes e politicamente desiludidos veem o barão mexicano das
drogas Joaquín
“Chapo” Guzmán
com grande respeito e veneração.  “As pessoas consideram Chapo Guzmán uma
espécie de bandido social, um Robin Hood”, explica Victor Hugo Aguilar,
professor da Universidad Autónoma de Sinaloa, sobre a influência que Guzmán
exerce sobre as pessoas e a cultura da região. 
“Ele conserta os problemas das cidades e coloca luzes nos
cemitérios.  Ele já é parte do folclore de
Sinaloa“.

São
apenas negócios, imaginam os apologistas. 
Guzmán é um homem de negócios como qualquer outro — apenas um que se
sobressai em um comércio brutal.  Cocaína
foi o negócio escolhido, assim como o álcool foi o negócio escolhido por Al
Capone.  Os Guzmáns e os Capones do mundo
seriam apenas variações dos Rockefellers e dos Gates.  Um instinto perspicaz para os negócios que
transcende as áreas de empreendimento.

Mas
é claro que a realidade é outra.  Rockefeller
e Gates nunca fizeram uso da persuasiva ferramenta da violência; tampouco
desfrutaram de privilégios monopolísticos. 
Rockefeller e Gates operaram do lado legal da lei, mesmo que a lei fosse
imoral, assim como os presidentes da Jack Daniel’s e da Anheuser Busch também
operaram do lado legal da lei durante a Lei Seca, ainda que isso fizesse com
que seus clientes sofressem enormemente em decorrência dessa aquiescência.

Os
consumidores são as verdadeiras vítimas da guerra contra as drogas.  Guzmán não é nenhum gênio dos negócios; ele é
simplesmente um oportunista que aproveitou um monopólio garantido pelo governo
e passou a utilizá-lo tiranicamente, fazendo com que um empreendimento que
poderia ser gerido muito mais seguramente e eficientemente por empreendedores
genuínos operando concorrencialmente dentro da lei fosse transformado em um
negócio sanguinolento e sem lei, no qual só sobrevivem os mais poderosos, ricos
e bem armados. 

Ninguém
morre repentinamente de um copo de uísque ou de cigarros “batizados”.  A legalidade desses produtos estimula
empreendedores sérios a construir marcas de reconhecida qualidade.  Por outro lado, cheire uma carreira de
cocaína ou injete alguns miligramas de heroína e a sua sobrevivência passará a
ser uma questão de sorte.


o comércio ilegal de drogas não é nenhuma aposta especulativa.  Todos os monopólios garantidos pelo governo
são coisas tão certas e garantidas quanto a meritocracia reversa do serviço
público: eles fazem com que os menos dignos e meritórios se transformem nos
mais ricos.  A revista Forbes estima que o patrimônio líquido
de Chapo Guzmán esteja na casa de $1 bilhão de dólares.

Todo
monopólio gera uma sensação de direito adquirido, o que explica por que o Señor
Guzmán aparentemente ainda não atentou para a ironia de matar políticos que
defendem a proibição das drogas — são exatamente eles que tornam possível a
sua fortuna.  Muito embora ele
provavelmente esteja mais ciente dessa ironia do que os próprios políticos que
ele mata.

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Leia também:

Drogas, adultério e a guerra sem fim

Criminalidade, drogas e proibição

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65 comentários em “Como a guerra às drogas está destruindo o México”

  1. Instituto von Mises defendendo legalização de drogas? Caindo na esparrela de que o mercado é capaz de reger e “consertar” toda vida social? Poutz, von Mises jamais subiria além das tamancas deste jeito, a economia ou o mercado jamais resolverá um problema destes, isto é um caso político, social e policial. Não ofendam Von Mises. Melhor se atentarem apenas ao aspecto econômico, não dêem palpite furado sobre aspectos transcendentes a economia usando o nome do homem.

  2. Francisco Alfaro

    Ola, comecei a me envolver com as ideias libertarias ha pouco tempo, e ainda possuo muitas duvidas em relaçao ao tema. No entanto, tendo o artigo em questao como parametro, gostaria de fazer algumas perguntas:
    1-O trafico de drogas, da maneira como eh feito hj em dia, financia uma serie de atividades ilegais, nas quais a coerçao eh utilizada em larga escala. Um bom exemplo eh o que acontece nos morros do Rio de Janeiro, onde os traficantes funcionam como um estado paralelo, cobrando taxas da populaçao, assim como impondo um conjunto de regras de maneira unilateral a populaçao que habita essas areas. Apesar de ter consciencia de que a situaçao presente foi criada pelo Estado, atraves de sua politica repressora as drogas, como resolver o problema dessas areas, jah que esses “donos do morro”, caso o financiamento advindo do trafico de drogas pare, devem buscar novas maneiras de coagir a populaçao sob seu controle?
    2-Apesar do artigo citar Portugal como exemplo, creio que uma legalizaçao das drogas teria como efeito uma expansao do comercio e consumo. Essa expansao do comercio e consumo, geraria grandes dividendos aqueles individuos que atendessem a demanda dos consumidores. Tendo isso em mente, como evitar que o Estado passe a regular fortemente o mercado de drogas, atraves da imposiçåo de determinadas regulaçoes, impostos especificos e etc? Caso isso aconteça, a açao do Estado nao teria como efeito criar um mercado ilegal -ilegal no sentido de que eh feito fora dos parametros estabelecidos pelo Estado-, exatamente da maneira que acontece hj?

    Atenciosamente

  3. Eu acho que ele abordou uma questão de maneira insuficiente. Eu acho que o Guzmán é um empreendedor, o problema é que no mercado da droga a medida de sucesso de um empreendedor é sua habilidade em administrar violência. A proibição institucionaliza a violência no mercado da droga como modus operandi, e todos os recursos são desviados para defesa (da policia e de outros traficantes) e para tomada de outros pontos de droga (que devido a restrição da oferta, o benefício da guerra por um ponto, na margem, compensa o risco da guerra, ao contrário, por exemplo, de qualquer ponto de comércio legal, onde o simples risco de insolvência muitas vezes não compensa a aquisição e expansão, muito menos o risco de infringir a lei e por a vida em perigo).

    Faltou ele esclarecer isso, porque algumas pessoas acham que se ocorrer a liberalização o tráfico vai simplesmente descer do morro pra eliminar seus recém chegados concorrentes de mercado na bala.

  4. Com a liberação das drogas, os lucros dos grupos criminosos cairia, pois o setor teria mais concorrência.

    Hoje em dia paga-se um preço para entrar no mercado das drogas: segurança pessoal. Só pessoas dispostas a morrer e a matar, e a correr risco de ir para a cadeia, entram. Isso são entraves para muitos outros empreendedores; e há, portanto, lucros extraordinários a serem auferidos pelos que estão dispostos a enfrentar a lei. Com a liberação, cairiam tais entraves, muito mais gente e empresas passariam a ofertar drogas, e os lucros extraordinários cairiam.

  5. O fato é que querer proibir as drogas tomando por base o temor de que os traficantes ficarão sem receitas (e com isso sairão atacando todo mundo) é o equivalente a eu querer proibir o uso de carros porque um parente meu foi atropelado (e, com isso, eu alegar que estou preocupado em proteger a vida de outras pessoas.)

    Ademais, com a polícia agora sem ter de se preocupar em fiscalizar o que as pessoas colocam no nariz, na boca ou na veia, ela estará liberada para se concentrar em combater a criminalidade urbana, justamente a sua função precípua.

    Logo, esse argumento de que a criminalidade aumentará, embora tenha algum sentido, não é motivo algum para manter as coisas como estão. Defender proibição significa defender o monopólio e a alta lucratividade dos barões das drogas.

    P.S.: os neoconservadores que dizem que o PT está interessado em legalizar as drogas (cocaína e heroína) para beneficiar as FARC precisam urgentemente mostrar onde o PT defende isso. Seria uma total contradição o partido querer justamente acabar com o monopólio altamente lucrativo de uma organização parceira. O PT, pelo visto, sabe mais de economia básica do que os neoconservadores…

  6. Em outro artigo comentei que se as drogas fossem totalmente legalizadas além de acabar com um nicho de mercado explorado pelos marginais devido a proibição das drogas no Brasil muitas empresas investiriam nesse setor e dessa forma muitas drogas poderiam ser desenvolvidas diminuindo o impacto na saúde dos seus consumidores.

  7. Bom artigo. Já enviei para meu parentes que vivem no México com créditos ao site, obviamente.

    Além disso o momento é oportuno para artigos como esse já que este assunto está em amplo debate.

    Só discordei de um detalhe (e é um detalhe mesmo, pois não tira o mérito do Autor). Dizer que o Gates prosperou sem nenhum pilar de caráter monopolístico é um pouco de exagero. De qualquer forma esse impasse entre direito de propriedade/monopólio em relação a Microsoft já foi discutido em tópicos anteriores e não cabe discutí-lo novamente.

    OFF TOPIC:
    Parabéns ao IMB. São raras as vezes que faço comentários por aqui, tive que aproveitar a oportunidade para elogiar.

  8. von Mises defendia abstratamente a não intervenção do estado no consumo de substâncias chamadas drogas, com o pretexto de liberdade civil. Olha abstratamente, ou seja, como idéia, qualquer conservador é a favor da neutralidade estatal sobre o assunto.
    Contudo, opinar objetivamente sobre estas questões não é tão simples assim, no Brasil ou no México, a idéia abstrata de liberdade civil em si não pode ser sozinha base ou premissa para conclusões taxativas em favor de descriminalização, uma coisa é a crítica à lei seca nos Estados Unidos (para mim ele erra, principalmente ao nivelar todas as substâncias como “droga”), outra é fazer como o instituto vem fazendo, pegar o pano de fundo das idéias liberais e “aplica-las” a realidade objetiva sem fazer o mínimo esforço de pensamento nesse caminho.
    Uma coisa é concordarmos com ideais liberais, outra é em determinado local defender tais e quais ações com base em idéias abstratas. Sabemos que os chefões das drogas não são empresários comuns, são criminosos, sua rede mafiosa passa por gente da KGB, FARC, MIR e diversas outras organizações de esquerda que se utilizam do poder do tráfico para oprimir povos e financiar ideais e revoluções que no fim da contas decretarão a morte da liberdade. Então, objetivamente, defender legalização de drogas no México ou no Brasil, não trará mais liberdade civil, o máximo que isto fará, será ajudar criminosos a se tornarem empresários respeitáveis, organizações revolucionárias ficarem mais poderosas para avançarem na agenda revolucionária na América latina, desta forma, destruindo tudo que vocês defendem, seus ingênuos.
    Me desculpem, mas não sou eu que preciso estudar, afinal não estou aqui subindo nas tamancas e dando palpites sobre economia e nem querendo discutir sobre ideais libertários, os quais não tenho divergência, estou lembrando a vocês que para dar um palpite responsável em questões objetivas, não basta dar um control c + control v em algum texto de von Mises, necessita de um pouco mais de conhecimento de realidade e não apenas defender como um papagaio idéias liberais.

  9. O que falam sobre Portugal é interessante, mas levanta uma série de questões. Eles comparam com o resto da União Européia… mas não foi a mesma Europa em que vários países estão adotando legislações mais brandas contra as drogas? Então essa comparação não faz muito sentido. Além disso, é o caso de UM país. Um estudo conclusivo deveria abordar vários casos. Desse jeito várias outras variáveis que poderiam explicar o que aconteceu lá melhor do que a liberalização podem ser esquecidas.

    E sobre as forças sociais que impedem o aumento das drogas fica uma constatação. Os grupos com quem muitos libertários marcham juntos não querem a liberalização somente, querem o reconhecimento social das drogas. Não tenham dúvidas de que no dia seguinte a liberalização vão começar a marchar contra o “preconceito” em relação a usuários de drogas. Seria ingenuidade aliar-se a esses grupos por acharem que eles colaboram com a “liberdade”. Pelo contrário, eles possuem interesses muito distintos. Infelizmente muita gente não percebe isso e acaba sendo usada para ajuda-los. O resultado é um enfraquecimento das próprias forças que diminuem o consumo.

    O fenômeno das drogas é grande demais para ser encarado pelo prisma puramente econômico. Não é uma simples questão de “o estado proíbe então há violência, vamos parar com a proibição e todos vão largar as armas e cantar juntos”. O vício por si só já causa violência. Viciados se prostituem, roubam e matam para conseguir a próxima dose. A questão não diz respeito ao estado, mas sim a necessidade ou não de se considerar esta conduta como potencialmente lesiva ao restante da sociedade e, portanto, passível de sanção penal” Caso essa análise penal seja negada com o argumento de que qualquer intervenção penal é um aumento no poder estatal então teríamos que descriminalizar o código penal inteiro, inclusive o homicídio.

    É por este motivo que a argumentação libertária não me parece adequada. Não basta dizer que a proibição do estado causa males, precisa demonstrar que aquela conduta não é moralmente condenável ou não causa consequências graves o suficiente para outras pessoas. Afinal, alguém duvida que o despejo de uma pessoa que ocupa ilegalmente uma propriedade não é violência? Não é intervenção estatal? É. Mas é justificada para proteger o legítimo proprietário

  10. Fernando, como eu disse fazendo a comparação com o Precog(minority report), é que sendo possível evitar mortes não se é feito por causa da liberdade pessoal, é como treinar mira com uma arma usando pessoas como alvo, num sistema de liberdade total, só vai ser detido quando ele matar uma pessoa, que coisa linda isso.
    Mesmo tendo a chance real de evitar um assassinato, não é feito por respeito a liberdade pessoal de cada um de praticar mira em pessoas ou num lugar povoado.

  11. Não evita um ato imetiado, mas uma pessoa jogando copos diariamente seria acusada de pertubação da ordem, de tentar causar mal a terceiros ou de outra coisa.

    A questão é que existem leis que servem para evitar, não apenas para punir, o que não existiria num sistema exageradamente libertário, código de Hamurabi é algo extremamente primitivo, entre evitar e punir um crime, prefiro mil vezes a primeira opção. E a “punição” deveria ser apenas para evitar que o crime se repita, não como vingança.

  12. Pensando: agredir, matar alguém, sob efeito de drogas alucinógenas, numa sociedade onde o consumo fosse livre, seria agravante de punição, atenuante, ou não teria efeito sobre a pena?
    Porque o criminoso poderia alegar que, sob efeito da droga, viu a vítima com uma arma na mão, mas era um celular. Viu uma fera a lhe atacar, quando era só uma pessoa sem perigo algum.

  13. O mIses talvez não seja contra a guerra das drogas em si, a qual eu considero que ele tenha achado isso um fato negativo (o uso de drogas) por si só.

    O que o mises condena é o despendio do estatal para coibir o trafico, nossos governantes fazem algo verdadeiramente paradoxal, hoejhe então ele deveria achar a coisa toda mais irônica: tentam coibir o tráfego mas discriminalizam o usuário, cada vez mais o usuário ganha mais e mais liberdade para usar e claro, comprar a sua droga.

    A politica hoje é bem nitida, só se fazem incursão contra o tráfico ostensivo em armas, a política a apologia as drogas está se encolhendo cada vez mais.

  14. Vanderlei Dallagnolo

    Algumas especulações.

    Parece-me que é verdade que muitos libertários desconsideram a profundidade e a amplitudade das estratégias revolucionárias. Pois, os socialistas, comunistas et caterva nunca divulgam seus objetivos reais. Por exemplo, quando ELES defendem a liberação das drogas não é pelo mesmo motivo que os libertários. Pode ser que o discurso superficial pareça o mesmo, mas não é. Sempre tem uma agenda secreta; alguma intenção de agravar algum problema para derrubar o sistema atual e impor a tal revolução genocida deles. Claro que a massa militante não está a par disto, no geral.

    Agora, de outro lado, me parece que existe muito foco em apontar como uma sociedade mais livre exacerbará comportamentos arriscados (andar armado, dirigir embriagado, dirigir em alta velocidade, usar drogas etc).
    Só que esquecem de comentar que um ambiente de livre mercado também é o melhor para se produzirem defesas, soluções, remédios e tratamentos para todos estes problemas.
    Bem como é o melhor para a disseminação de informações importantes.
    Por exemplo, acredito que numa sociedade livre o uso de drogas será exponencialmente maior. Bem como sua variedade em todas as características imagináveis.
    Tão amplo e variado mercado tornará muito interessante e atrativo o desenvolvimento de um igual mercado de tratamento de viciados, de drogas não viciantes e outras soluções similares.

  15. A maior parte da violência é provocada pelo consumidor pobre que rouba e pratica latrocínio para obter recurso para financiar o vício. A simples liberação de cultivo caseiro de maconha para consumo próprio já reduziria drasticamente a violencia nas ruas. Mas os defensores da descriminalização das drogas estão mais interessados em discutir a COMERCIALIZAÇÃO e nos lucros dos futuros negócios de drogas.

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