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Sua obrigação de sentir dor, derrapar nas curvas e ter cáries

O demiurgo que reside no Palácio da Alvorada desentendeu-se
com o iluminado que habita a Casa Branca.  O primeiro, que surrupia nosso dinheiro, não gostou
da maneira como o último está gastando o dinheiro que surrupia dos americanos.  Por causa disso, decidiu punir a todos nós,
que não temos nada a ver com essa briga de gangues.

Explicando: o Brasil “ganhou” na Organização Mundial de
Comércio (OMC – a quadrilha suprema que determina as regras que as quadrilhas nacionais
devem impor a seus súditos, caso estes queiram incorrer em alguma prática
comercial internacional) o direito de retaliar os EUA, já que o país concede
subsídios à produção e à exportação de algodão. 
Por retaliar, leia-se “encarecer o acesso dos brasileiros a produtos
vendidos pelos americanos”.

Entre os produtos que constam da “lista de retaliação”,
estão metanol (com alíquota de 22%), paracetamol (28%), soro de leite (48%),
trigo (30%), batatas conservadas (34%), bebidas não alcoólicas (40% – ainda bem
que meu Red Bull vem da Áustria), dentifrícios (36%), pneus novos (32%),
produtos de beleza (36%), leitores de códigos de barras (22%), fones de ouvido
(40%), óculos de sol (40%) e veículos de até mil cilindradas (50%).  Veja a lista completa aqui.

Além do soro de leite (alimento protéico de alto valor
nutritivo), do paracetamol (substância usada para reduzir febre e aliviar dores) e do trigo (que pode impactar o preço do pão),
note que os celerados incluíram na lista pasta de dente e pneus novos – afinal,
esse negócio de escovar dente e dirigir em segurança são afetações burguesas.

Até onde se sabe, Don Corleone se preocupava em poupar
inocentes durante seus acertos de contas com outras quadrilhas.  Mais ainda: o Chefão prosperou justamente
porque atendia à demanda dos consumidores, fornecendo-lhes bens e serviços que
o estado havia proibido.

Já o moderno formato das máfias, que agora operam livremente
em âmbito mundial, é exatamente o inverso: os chefões trocam tapinhas nas
costas e punem justamente os idiotas inocentes que os sustentam, encarecendo
artificialmente seu acesso a vários produtos essenciais.  Ou vai me dizer que soro de leite,
paracetamol, pneus e dentifrício são itens supérfluos?

E o pior é ver gente dizendo que, se o estado for abolido,
quadrilhas despóticas assumirão o poder…

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Mais sobre o assunto: A indústria de calçados e os pobres descalços

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4 comentários em “Sua obrigação de sentir dor, derrapar nas curvas e ter cáries”

  1. Eu recebi a lista de produtos que o Brasil vai retaliar. O primeiro da lista era o Arenque. O volume de importação deve ser mínimo, mas esse é um peixe já muito caro. E para os descendentes das pessoas do Leste Europeu/Rússia esse é um alimento tradicional. O que nós temos a ver com o que acontece no mercado de algodão? Por que nós temos que pagar um subsídio de um país que não é nosso e de um setor que nós não temos nada a ver? Quem quiser se vingar que o faça, mas não prejudicando quem não tem nada a ver!!!

  2. A intervencao do Estado na economia atraves da concessao de subsidios ja e uma pratica danosa que prioriza alguns grupos de aulicos a curto prazo em detrimento dos consumidores em geral. O Brasil, por sua vez, conta com uma longa historia de subsidios a exportacao. Entao, tudo isto ‘e uma tremenda hipocrisia! O roto falando do rasgado. Sem falar da jogada eleitoral para impressionar os adeptos do bolivarianismo chavista que grassa entre nos.
    Lamantavel.

  3. Os americanos querendo nos dar algodão mais barato e ,ao invés de os governantes receberem isto bem, eles decidem encarecer outros produtos. Em outras palavras, ao invés de aceitarmos e nos aproveitarmos de preços artificialmente baixos ficamos apenas com a opção de preços artificialmente altos. Obrigado estado.

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