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O Bitcoin, os bilionários e o professor de Geografia inteligente

Meses atrás, em um daqueles programas do YouTube do tipo 1 versus 30, em que uma pessoa é chamada para defender um ponto de vista diante de 30 pessoas com pensamento contrário, aconteceu um episódio interessante envolvendo o Bitcoin.

Naquele episódio, o entrevistado era um empresário bem conhecido e bem-sucedido no Brasil. Uma das pessoas presentes, um professor de Geografia, sentou-se com ele para questioná-lo sobre alguns temas e apresentou o seguinte argumento em relação ao Bitcoin:

“Hoje existe uma montanha de dinheiro aplicada em coisas como o Bitcoin, que não têm nenhuma função para a sociedade, enquanto esse dinheiro poderia estar sendo utilizado para pagar salários mais altos” (ou atender os pobres).

Naquele momento, muitas pessoas com uma visão de mundo mais à esquerda acharam o argumento excelente, a ponto de o professor ser chamado por alguns de “professor de Geografia inteligente”.

Mas o argumento do professor faz sentido?

Não, o argumento não faz sentido, como iremos explicar ao longo do artigo.

Quem estuda economia e finanças há algum tempo já se deparou algumas vezes com esse tipo de argumentação totalmente equivocada, para não dizer absurda.

Uma variação desse argumento é feita, geralmente por pessoas de esquerda radical, em relação ao mercado de ações. Elas afirmam que o mercado acionário se trata de mera especulação com altas e baixas nos preços, sem utilidade social alguma, e defendem que, se todo esse dinheiro aplicado em ações fosse utilizado para “fins mais nobres”, haveria recursos suficientes para erradicar a pobreza do planeta.

Infelizmente, essa é uma visão extremamente rasa, superficial e equivocada sobre o tema, geralmente defendida por pessoas que não se preocuparam minimamente em compreender o que é uma ação ou o próprio Bitcoin.

O Bitcoin caiu de preço — e o que houve com a pobreza planetária?

No momento daquela entrevista (outubro de 2025), o preço do Bitcoin estava em cerca de US$ 115.000 a unidade, e o valor de mercado total dos Bitcoins à época estava próximo de US$ 4 trilhões. Ou seja, na cabeça do professor, havia US$ 4 trilhões aplicados que poderiam auxiliar na solução do problema da pobreza do planeta ou gerar maiores salários.

Algum tempo depois, enquanto escrevo este artigo (junho de 2026), o preço do Bitcoin caiu para cerca de US$ 65.000, uma queda de quase 50%, de forma que o valor de mercado da criptomoeda foi reduzido aproximadamente pela metade, sem nenhuma intervenção do governo.

Ou seja, aquela suposta montanha de trilhões que, segundo o professor, poderia remediar a miséria do planeta simplesmente deixou de existir. E, ainda assim, não houve nenhum impacto na redução da pobreza mundial.

Isso mostra como, infelizmente, o professor de Geografia não tem a mínima ideia de como funciona a formação de valor dos ativos.

O exemplo do mercado imobiliário

Para tentar deixar esse entendimento mais claro, vou começar com um exemplo mais palpável para a maioria da população: o mercado imobiliário.

Imagine que você construiu uma casa anos atrás e gastou R$ 200 mil. Você poderia ter investido suas economias em ações, aplicações de renda fixa, Bitcoin ou algum outro investimento, mas decidiu comprar um terreno e levantar uma casa para obter renda de aluguel na aposentadoria. Suponha que, passados alguns anos, a região tenha se desenvolvido bastante e essa casa esteja valendo R$ 1 milhão. Imagine ainda que todas as casas daquela região tenham se valorizado de forma semelhante.

Aplicando a lógica do professor de Geografia, haveria muito dinheiro “parado” em imóveis que não são utilizados como moradia, mas sim como investimento, e que poderia ser mais bem usado pelo estado, por exemplo no financiamento de políticas sociais.

Nesse cenário, todas as pessoas que compraram imóveis para investimento e se beneficiaram dessa valorização poderiam ter seus bens confiscados pelo poder público, com o valor sendo revertido em políticas públicas.

Qual o problema dessa medida?

A partir de agora, o estado passaria a ser dono das casas que não são usadas como moradia, seguindo a lógica do geógrafo, já que também poderiam ser vistas como bens sem função social. Porém, ao assumir a posse desses ativos, o poder público precisaria encontrar compradores dispostos a adquirir esses bens pelo valor de mercado existente antes do confisco. Se o estado não encontrar compradores, não há como transformar o bem em dinheiro para distribuí-lo aos pobres.

O grande problema é que provavelmente não haveria tais compradores, pois ninguém estaria disposto a pagar o preço de mercado por um bem sabendo que o estado pode confiscá-lo a qualquer momento caso ele se valorize.

E se o estado assumisse a posse dos Bitcoins para implementar uma política distributiva?

Com o Bitcoin, a dinâmica é a mesma. Mas antes, uma explicação.

O preço do Bitcoin naquele momento era apenas o preço da última negociação realizada. Isso não significa que existia um estoque de dinheiro equivalente ao valor de mercado do Bitcoin, pronto para ser alcançado pela mão do governo e utilizado para fazer justiça social.

Daquela época para cá, o preço do Bitcoin caiu bastante. Alguns participantes que detinham Bitcoins, sejam grandes ou pequenos investidores, pelos mais diversos motivos passaram a vender suas moedas, enquanto outras pessoas as compravam. O problema é que a pressão vendedora foi maior do que a disposição dos compradores em continuar adquirindo Bitcoin naqueles preços, de forma que as cotações recuaram.

Assumindo que fosse possível uma grande intervenção estatal, como pode argumentar o professor, com o intuito de tomar posse dos Bitcoins e vendê-los direcionando todo esse dinheiro para a justiça social, o que ocorreria é que não haveria compradores suficientes para que o estado convertesse todos esses Bitcoins em dinheiro. Na prática, as pessoas tentariam vender seus Bitcoins antes mesmo de a medida de confisco entrar em vigor. Os rumores de uma medida como essa gerariam uma pressão de venda tão grande que fariam o preço desabar, uma vez que todos iriam querer se desfazer do ativo.

Mesmo que o confisco geral fosse realizado de supetão, como se isso fosse possível, assim que as pessoas notassem essa ação, não haveria mais compradores para adquirir os Bitcoins confiscados, agora em mãos do estado. O poder público não conseguiria transformar todos esses Bitcoins em dinheiro líquido para fazer política social.

E o patrimônio que os bilionários possuem em ações?

Recentemente, o empresário americano Elon Musk entrou em uma categoria inédita de riqueza ao se tornar o primeiro trilionário do mundo, impulsionado pela forte valorização de uma de suas companhias na estreia em bolsa. Segundo as estimativas citadas, sua fortuna chegou a cerca de US$ 1,1 trilhão. Esse número é obtido da seguinte forma: a quantidade de ações detidas por Musk multiplicada pelo valor da cotação do dia. Por exemplo: se Musk, você ou qualquer pessoa possui 100 mil ações cotadas hoje a R$ 20,00, o patrimônio em ações dessa pessoa seria de R$ 2 milhões.

Nessa hora, pode surgir uma ideia na mesma linha: o estado não poderia tomar parte dessa fortuna em ações para fazer uma política distributiva?

Porém, da mesma forma que no Bitcoin, se o governo pretendesse confiscar todo o valor hoje aplicado em ações, seja das empresas de Musk ou de outra pessoa, e vendê-las para transformar esse patrimônio em dinheiro a ser distribuído aos pobres, ele não conseguiria fazê-lo. Não haveria compradores dispostos a pagar aqueles preços do momento por ativos que poderiam ser confiscados pelo estado e deixariam de ser livremente negociados. Nos primeiros sinais de uma ação como essa, a cotação das ações desabaria. Os próprios detentores de ações, imóveis ou Bitcoins tentariam, antes do confisco, vender tais ativos, mesmo que a preço de banana, e ainda assim certamente não encontrariam compradores suficientes.

Ou seja, a ideia de que o estado poderia simplesmente confiscar os bilhões ou trilhões aplicados em Bitcoins, ações ou outros ativos e transformá-los em dinheiro para financiar políticas sociais beira a insanidade. Ela demonstra um profundo desconhecimento sobre como funciona a formação de preços no mercado.

Crises e grandes quedas nos preços das ações e do Bitcoin ocorrem com frequência. Nesse processo, há ganhadores e perdedores. Pessoas que conseguiram comprar tempos antes e vender próximo ao topo lucraram, enquanto aquelas que compraram próximo ao topo, acreditando que o mercado continuaria subindo, perderam dinheiro.

Mas, novamente, isso representa ganhos e perdas entre os participantes do mercado. Não significa que exista uma caixa de dinheiro pronta para ser tomada pelo estado e utilizada para financiar políticas públicas.

A fortuna dos bilionários não é dinheiro em conta-corrente

Fica nítido, portanto, que o dinheiro aplicado em ativos que se valorizam em alguns períodos, como ações, imóveis, ouro ou Bitcoin, não é um recurso facilmente transformado em liquidez, ou seja, em dinheiro vivo.

Na vida prática, mesmo os grandes fundos de investimento que possuem uma quantidade gigantesca de ações, quando querem vendê-las para fazer caixa, precisam avaliar cuidadosamente o mercado, observando se existem compradores em quantidade e volume suficientes para que o fundo consiga de fato converter as ações em dinheiro a preços aceitáveis, sem grandes perdas nesse processo.

Os próprios bilionários, como Elon Musk, Jeff Bezos (fundador da Amazon) e Bill Gates (Microsoft), se quisessem vender todas as suas ações e doar o dinheiro para a filantropia, não conseguiriam fazê-lo sem que isso gerasse uma queda enorme no preço delas. Esse processo de venda sinalizaria ao mercado que o próprio fundador, responsável pela construção do negócio, estaria abandonando o comando da empresa, e assim não haveria pessoas dispostas a comprar aquelas toneladas de ações pelos preços de antes. Aquela “montanha de bilhões de dólares” aplicados em ações evaporaria, de forma que Musk e os demais não conseguiriam transformar todo seu patrimônio em dinheiro vivo para doá-lo aos pobres.

E um ponto importante sobre o patrimônio dos bilionários: a maior parte de suas fortunas está concentrada justamente em participações acionárias e, portanto, sujeita à volatilidade do mercado. O que eles têm como saldo em dinheiro na conta-corrente, e que poderia ser alcançado pelo estado com mais facilidade, é apenas uma pequena fração de suas carteiras.

No fim das contas, a fortuna trilionária de Elon Musk e dos bilionários deve ser entendida menos como dinheiro disponível em conta-corrente e mais como uma aposta do mercado no sucesso futuro de empresas como SpaceX e Tesla. Quase todo o seu patrimônio está em ações que dependem da performance da empresa na entrega de promessas ambiciosas, como exploração espacial, carros autônomos e robótica. Caso esses projetos fracassem, vários fundos e pessoas físicas que detêm essas ações vão querer vendê-las, derrubando o seu preço, e a riqueza de quem é hoje trilionário pode cair drasticamente.

Uma parte importante do patrimônio dos bilionários já se converte em ação social

Vale acrescentar um ponto que costuma ser ignorado por quem defende o confisco dos patrimônios bilionários: grande parte dessa riqueza já se converte voluntariamente em ação social, por meio da filantropia. O bilionário Warren Buffett, por exemplo, vem doando ações da Berkshire Hathaway para a Fundação Bill & Melinda Gates há anos. Bill Gates, por sua vez, já comprometeu a maior parte de sua fortuna com causas como saúde global e combate à pobreza. Mark Zuckerberg e sua esposa anunciaram a doação de 99% de suas ações do Facebook ao longo de suas vidas. Tudo isso sem qualquer coerção estatal.

Mas como eles conseguem fazer isso sem derrubar o preço das ações? A resposta está justamente no mecanismo que explica o argumento central deste artigo. Eles não vendem tudo de uma vez, como ocorreria num grande confisco estatal para arrecadar dinheiro. Geralmente, os bilionários transferem as próprias ações para uma fundação, que viverá basicamente dos dividendos e rendimentos gerados por elas, sem precisar vender o principal, ou vendendo aos poucos, em pequenas parcelas, ao longo de anos. Dessa forma, a pressão vendedora é diluída no tempo e o mercado absorve as vendas sem grandes impactos no preço. Se esses bilionários tentassem liquidar 100% de suas posições de uma vez para doar tudo imediatamente, o valor efetivamente arrecadado seria muito menor do que o patrimônio declarado hoje, porque o preço desabaria no processo.

Mas o estado já não é capaz de confiscar bens e obter recursos?

Sim, mas vale fazer uma distinção importante. Quando o estado realiza a retomada pontual de um ou alguns bens por motivos específicos, como imóveis ou carros tomados por dívida de impostos, o poder público até consegue encontrar compradores interessados e revender tais bens por valor próximo ao de mercado, geralmente via leilão. Há também os casos em que o estado confisca Bitcoins de pessoas ou empresas que cometeram crimes, da mesma forma que confisca relógios, carros de luxo, obras de arte e dinheiro vivo de criminosos, e em seguida consegue vender tais bens para angariar recursos aos cofres públicos. Isso funciona justamente porque se trata de casos específicos, e os demais participantes do mercado que não têm dívidas tributárias nem cometeram crimes não se sentem ameaçados por uma ação como essa.

Mas tudo muda quando se fala em confisco generalizado de determinada classe de ativos sob o argumento de justiça social, como flerta a esquerda radical. Nesse caso, dificilmente haverá compradores dispostos a adquirir esses bens do estado, pois qualquer interessado sabe que poderá ser a próxima vítima do mesmo confisco. Se o governo avançar sobre a propriedade das pessoas numa política de confisco total e generalizado de certos ativos vistos como “sem função social”, com a justificativa de redistribuição de renda, o mercado entraria em colapso e não haveria mais gente interessada em comprar tais ativos para que o estado os convertesse em dinheiro.

Cabe lembrar, ainda, que o estado já se beneficia diretamente dos ganhos obtidos com ações, imóveis, criptomoedas, ouro e outros ativos, por meio da tributação sobre lucros e ganhos de capital. Até o lucro na venda de um simples veículo pode ser tributado. Ou seja, quando o indivíduo ou a empresa lucra, o governo já lucra junto.

Dois breves adendos sobre a tributação

O primeiro: as próprias situações em que o estado toma bens de cidadãos por dívidas relacionadas a impostos sobre a posse, como IPTU e IPVA, já são, por si só, algo bastante nefasto. O cidadão já pagou tributos sobre a renda que gerou aquele patrimônio, já pagou imposto na compra do bem e, em muitos casos, também na venda. E ainda assim permanece obrigado a pagar, ano após ano, pelo simples fato de possuí-lo. É uma espécie de aluguel eterno devido ao estado, como se a propriedade nunca fosse de fato sua.

O segundo: na atividade empresarial, o estado ocupa o papel daquele sócio que não trabalha, não injeta capital, não corre risco algum, mas tem direito garantido a uma fatia do lucro. E quando o negócio vai mal, ele não divide o prejuízo. Pior: boa parte dos impostos brasileiros incide sobre a receita bruta, não sobre o lucro. Isso significa que, mesmo quando uma empresa fecha o ano no vermelho, o estado já terá mordido o seu quinhão ao longo do caminho.

Se não existisse o investimento em Bitcoin, as empresas poderiam pagar salários maiores?

O argumento literal do professor é que esse dinheiro alocado em Bitcoins poderia ser usado para pagar salários maiores. Mas para esse raciocínio fazer sentido, seria preciso assumir que as empresas deixam de pagar salários melhores porque estão direcionando seu capital para o Bitcoin, o que não faz o menor sentido.

Quem investe em Bitcoin são pessoas físicas, fundos e investidores institucionais, não necessariamente os empregadores dos trabalhadores mal remunerados. Um trabalhador que ganha salário baixo não ganha pouco porque o patrão está comprando Bitcoin. O nível de adoção e conhecimento sobre as criptomoedas ainda é relativamente baixo, de forma que uma porcentagem ínfima das empresas investe seu caixa em Bitcoin.

O nível salarial de uma economia depende de fatores como produtividade, qualificação da mão de obra, concorrência no mercado de trabalho, legislação trabalhista e crescimento econômico. Não existe nenhuma relação direta entre o valor de mercado do Bitcoin e o salário pago por uma indústria, um escritório ou uma loja do comércio. O nível geral de emprego e dos salários de uma economia é uma variável bem mais complexa e nada tem a ver com a cotação do Bitcoin.

Conclusão

Quem tem patrimônio em ações ou Bitcoin vê seu patrimônio oscilar todos os dias de acordo com notícias, eventos, dados econômicos e outros fatores. Uma pessoa pode ter um patrimônio milionário alocado em tais ativos hoje e simplesmente deixar de tê-lo caso surja uma grande crise econômica, um problema setorial, uma pandemia ou qualquer outro evento que altere brutalmente a cotação do ativo.

Na crise da Covid, milhares de pessoas que tinham a maior parte do seu dinheiro alocado em ações e Bitcoin viram grande parte do patrimônio desabar de uma semana para a outra, simplesmente porque não havia mais compradores interessados em pagar os preços anteriores à pandemia.

No caso interessante da SpaceX, a estreia na bolsa transformará cerca de 4.400 funcionários da empresa em milionários, não com todo esse dinheiro em conta-corrente, mas sim pela posse de ações da companhia. A abertura de capital fez com que muitos funcionários, mesmo em funções de chão de fábrica que foram remunerados ao longo dos anos com ações da empresa, se tornassem milionários. Segundo estimativas, mais de 4.400 empregados da SpaceX devem atingir esse patamar, e cerca de 400 devem ter participações acima de US$ 100 milhões. Isso inclui pessoas de diversos cargos, não só executivos. O caso da SpaceX é interessante porque contempla soldadores, maquinistas e funções de todos os tipos que normalmente não seriam remunerados com ações em praticamente nenhum outro lugar. E, como explicado, esses funcionários verão seu patrimônio oscilar diariamente com o sobe e desce das ações da empresa. Se houver uma forte crise econômica ou a empresa fracassar em seus projetos, Musk e tais funcionários sofrerão grandes perdas, simplesmente porque não haveria compradores disponíveis para pagar os preços de hoje por quem quisesse vender as ações.

Da mesma forma, os imóveis também estão sujeitos a fortes oscilações de preço. Suponha que, do dia para a noite, seja anunciada a construção de uma estação de esgoto ou um presídio bem ao lado do seu imóvel. Certamente você não encontrará mais compradores dispostos a pagar os preços de antes e não conseguirá converter seu imóvel em dinheiro pelo valor anterior. De novo: para que um ativo vire dinheiro nas mãos de alguém, é sempre necessário encontrar um comprador interessado.

Se o estado promover um confisco geral em alguma classe de bens e tentar revendê-los, dificilmente encontrará compradores dispostos a pagar o mesmo valor de mercado existente antes do confisco. O comprador sabe que também poderá ser vítima de um novo confisco e não irá se aventurar a adquirir algo sob essa ameaça. No limite, o estado acabaria sendo dono de um patrimônio sem valor econômico relevante, pois não existiriam mais compradores interessados em adquirir tais bens.

Enfim, fica claro que a existência do Bitcoin não está entre as causas da miséria do mundo nem dos baixos salários. O fato de existirem ativos financeiros que se valorizam em alguns momentos não cria pobreza, assim como sua desvalorização não a elimina. Poderíamos também discutir o argumento do professor de que o Bitcoin não possui nenhuma utilidade para a humanidade. Porém, esse é um tema amplo o suficiente para ser debatido em um artigo exclusivo. Por ora, cabe dizer que esse argumento da inutilidade do Bitcoin é apenas mais uma visão equivocada do “professor de Geografia inteligente”.

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