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Ciclo nefasto: a economia cresce, o governo gasta, e os gastos do governo depredam a economia

O governo federal americano gastou US$ 5,8 trilhões em 2022. Já o governo federal da Argentina gastou US$ 71 bilhões no mesmo ano.

Ou seja, os gastos do governo federal argentino
equivalem a mísero 1,2% dos gastos do governo federal americano.

Um desenvolvimentista olharia para esses números e
imediatamente concluiria que o motivo de a Argentina ser mais pobre que os EUA está
no fato de seu governo gastar menos que o governo americano. Se ao menos o
governo argentino gastasse mais e tentasse se aproximar dos gastos do governo
americano, todos os argentinos seriam mais ricos.

Em outras palavras, a economia argentina é ínfima comparada
à economia americana porque os políticos argentinos são mais parcimoniosos que
os políticos americanos.

Embora eu esteja exagerando um pouco (será mesmo?),
esta comparação simplória mostra como a estatística, quando despida do domínio da
teoria, pode obscurecer a realidade.

Um indivíduo minimamente versado em economia sabe
que os gastos do governo federal argentino são uma fração dos gastos do governo
federal americano precisamente porque a economia argentina é uma fração da
economia americana.

Pelo mesmo raciocínio, os gastos federais americanos
são gigantescos quando comparados a todos os outros países do mundo exatamente
porque a economia americana é bem maior que a destes outros países.

No mundo real, um governo só pode gastar se o setor
privado de seu país produzir riqueza para ele confiscar e gastar. Quanto maior
for a riqueza produzida por este setor privado, maiores poderão ser os gastos
do governo.

O governo americano pôde gastar US$ 5,8 trilhões em
2022 porque a produção e a geração de riqueza da economia americana foram
várias vezes maiores que U$ 5,8 trilhões (o PIB de 2021 foi de US$ 23 trilhões).

Se a economia americana fosse mais pobre — isto é,
se seu setor privado fosse menos eficiente e gerasse menos riqueza –, os
gastos do governo federal americano certamente seriam muito menores.

Questão
de lógica

Quando se entende esta lógica econômica básica,
teorias desenvolvimentistas que dizem que os gastos do governo estimulam a
economia não apenas perdem o sentido, como, na verdade, passam a ser vistas
como a própria inversão da realidade. Gastos do governo não podem estimular o
crescimento econômico; ao contrário, seus gastos só são possíveis porque houve crescimento econômico.

Para o governo poder gastar, é necessário antes
haver crescimento econômico. Sem este não há aquele. Sem uma anterior produção
de riqueza, não há riqueza para ser confiscada e consumida pelo governo. Básico.

Se, por exemplo, em um passe de mágica, metade do
governo americano desaparecesse (com seus gastos caindo de US$ 6 para US$ 3 trilhões),
haveria US$ 3 trilhões a mais em posse do setor privado, disponíveis para ser
investidos, consumidos ou alocados de acordo com as preferências temporais de
cada indivíduo, e não de acordo com as conveniências de políticos, que sempre
visam a eleições.

E os efeitos disso não podem ser minimizados.

Quando o governo federal gasta, isso significa que
deputados, senadores, ministros, reguladores, secretários, comissionados e
todos os tipos de burocratas estão desempenhando um papel substantivo na alocação
de trilhões de uma riqueza que foi previamente criada pelo setor privado. Por outro
lado, quando menos desta riqueza vai para o governo, isso significa que
empreendedores, investidores e consumidores possuem mais recursos em mãos para
produzirem e, consequentemente, multiplicar a riqueza à disposição de todos.

Truísmo

Dado que o governo só pode gastar aquilo que ele
antes confiscou do setor produtivo, é ilógico dizer esta intervenção do governo
na economia tem o poder de “estimular a produção e fazer a economia
crescer”.

Por isso, Mises nunca se cansava de repetir:

É sempre necessário enfatizar este
truísmo: o governo só pode gastar ou investir aquilo que ele toma de seus
cidadãos [via impostos ou empréstimos]. E seus gastos e investimentos
adicionais restringem, na mesma quantidade, a capacidade destes cidadãos de
gastar ou investir.

Os gastos do governo não têm como criar riqueza pelo
simples motivo de que algo que só é possível em decorrência da apropriação de
riqueza alheia não pode, por definição, criar riqueza nenhuma.

Para efetuar seus gastos, o governo tem necessariamente
de: a) coletar impostos (ou seja, confiscar a riqueza de empreendedores,
investidores e consumidores); b) pegar recursos emprestados (o que deixa
empreendedores, investidores e consumidores sem crédito); ou c) imprimir
dinheiro. 

Nenhuma destas três medidas cria riqueza. 

1) Impostos restringem a produção e o
consumo
. Se uma empresa tem menos dinheiro, ela não pode nem contratar mais
mão-de-obra e nem investir mais, o que afeta sua produção e, consequentemente,
a disponibilidade de bens e serviços. Se pessoas têm menos dinheiro, elas também
não podem nem investir e nem consumir bens e serviços de empresas.

2) O endividamento do governo
— ou seja, o governo pegar recursos emprestados para bancar seus gastos — faz
com que haja menos recursos para serem emprestados para empreendedores,
investidores e consumidores. O crédito está sendo desviado para bancar os
gastos correntes do governo e não para sustentar as atividades produtivas. Isso
não tem como gerar riqueza.

3) A criação de dinheiro pode apenas fazer com que
os preços dos bens e
serviços subam
, pois imprimir dinheiro não tem o poder de fazer com que
surjam mais produtos na economia. A existência de mais dinheiro (seja em
papel-moeda ou em dígitos eletrônicos) não tem o poder milagroso de transformar
recursos escassos em bens materiais. O dinheiro não é um meio de produção; ele
não produz nem bens de consumo e nem bens de capital. Logo, aumentar a
quantidade de dinheiro existente não causará uma maior produção de tratores,
carros, computadores, máquinas, sapatos, tomates e pães. O dinheiro é
simplesmente um meio de troca que facilita as transações.

Nenhuma dessas três medidas, portanto, cria riqueza. Consequentemente, nenhuma
dessas três medidas pode “estimular uma economia”. 

Você
é o governo – e tudo piora

Entretanto, os efeitos dos gastos do governo são ainda
piores. Eles não apenas confiscam riqueza, como na verdade destroem riqueza.

Imagine que você seja trilionário e
esbanjador. Ou seja, imagine que você é o governo. Ato contínuo, você sai
comprando computadores, laptops, carros, motos, jatinhos, imóveis, smartphones,
televisões, tratores, caminhões, retroescavadeiras, toneladas de cimento, toneladas
de café, inúmeras máquinas de fazer café, papel higiênico, sabonetes, gravatas,
ternos e afins

Ao fazer essas compras, você está provocando dois
efeitos: impedindo que haja uma maior abundância desses bens para as outras
pessoas, e desviando recursos das indústrias, obrigando-as as produzir mais
desses bens apenas para suprir a escassez deles.

Agora, imagine que você perdeu sua fonte de renda e
repentinamente cortou seu consumo. Quais as consequências? 

1) Haveria mais bens disponíveis para os outros
consumidores, que necessitam deles com mais urgência que você. Os mais
pobres agradeceriam.

2) As indústrias não precisariam empregar recursos
apenas para suprir a escassez desses bens (escassez provocada por você), o que
as permitiria investir em novos processos de produção, que resultariam em maior
abundância de bens. 

3) Os bens que já foram produzidos e não consumidos
(isto é, os bens que foram poupados) poderiam ser empregados em outros
processos de produção cujos produtos finais trariam óbvias satisfações para os
consumidores.

Quando se entende esses conceitos, fica mais fácil
perceber por que os gastos do governo desestimulam a poupança e atrasam o
crescimento sustentável do país. 

Mesmo que o governo gastasse exclusivamente com
funcionários públicos, o efeito seria mesmo. Afinal, para gastar, o
governo precisa tributar ou pegar empréstimos.  Ambas as medidas configuram
absorção de poupança e riqueza de toda a população (inclusive empreendedores e
investidores), poupança essa que poderia ser utilizada para financiar projetos
de expansão.

Conclusão

O raciocínio é realmente tautológico: para o governo
gastar, ele tem antes de tomar de alguém (seja via impostos, seja via
endividamento) ou imprimir dinheiro. Se ele tomou de alguém, esse alguém está
agora impossibilitado de consumir ou de investir. Se ele imprimiu dinheiro,
nada foi criado. E, ao gastar, ele depreda riqueza.

Como disseram Leandro Roque
e Ubiratan Jorge Iório, “Impossível mensurar os custos econômicos das empresas
que deixaram de ser abertas, dos empregos que deixaram de ser gerados e das
tecnologias que deixaram de ser criadas simplesmente porque os investimentos
não foram possíveis por causa da absorção de recursos pelo governo federal”.
 

Por tudo isso, os gastos do governo não podem ser
vistos como uma força criadora de riqueza. Todo o gasto do governo ocorre à
custa dos outros indivíduos da sociedade. Por definição. 

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150 comentários em “Ciclo nefasto: a economia cresce, o governo gasta, e os gastos do governo depredam a economia”

  1. O keynesianismo é defendido por pessoas que querem ver o governo confiscando o dinheiro dos outros e redistribuindo para elas próprias. Tá cheio de professor universitário assim. É óbvio que essa gente não é burra; eles não acreditam na teoria. Eles defendem a política de tributar e gastar simplesmente porque elas próprias estão do lado beneficiado do esquema.

  2. Vale para o governo e para as pessoas também.

    Quando as pessoas consomem, além de elas abrirem mão do capital que têm para adquirirem o bem de consumo, elas dão início ao processo de depreciação do bem adquirido. Assim, perdem de imediato o valor que despenderam e ao longo do tempo parte do valor que adquiriram. Se esse consumo ainda se der através de financiamento, soma-se ao custo de depreciação o valor dos juros sobre o capital tomado emprestado.

    Sendo assim, em hipótese alguma o aumento do consumo de bens resulta no aumento da riqueza. Podemos até nos sentir felizes com o prazer de adquirirmos um bem, porém, ao longo do tempo, a tristeza vem e com ela talvez venha o arrependimento pela depreciação do bem, pela perda do capital que se tinha e do poder aquisitivo.

  3. Cada $1 gasto pelo governo é menos $1 nas mãos da sociedade. O primeiro passo da destruição de riqueza foi feito. As pessoas agora têm menos para gastar ou investir

    Além disso, mesmo que o governo tente produzir algo com esse $1, grande parte dele é desperdiçado com burocracia e má gestão, uma parte é desviada e o que chega à sociedade é mal aplicado.

    Não tem como funcionar.

  4. Pensador Puritano

    Enfim a classe estatal não quer perder seus privilégios e todo argumento falacioso que defenda este leviatã é bem visto por ela.

    Nós os pagadores de impostos é que devemos nos insurgir contra isto.

  5. A reforma não vai passar. Até o Kim já admitiu que o congresso não quer. A oposição não quer e o governo não vai poder molhar a mão de ninguém, pois toda a mídia está em cima.

    O país vai quebrar em 2022, bem na mão do Bolsonaro. Se preparem que o seu sucessor será o Ciro Gomes e sua impressora.

    Isso é a tal democracia.

  6. STF e a República dos hipócritas

    O Supremo Tribunal Federal decidiu que todos processos da Lava Jato devem ser movidos para Justiça Eleitoral comum. Na prática, os processos agora estão sob controle dos juízes do STF, e isso abre caminho para soltar criminosos do Partido Novo. Isto gerou uma grande repercussão na opinião pública, mas, como esperado, ninguém apontou as reais causas de nossa crise institucional.

    Para entender o que está acontecendo, precisamos nos aprofundar na natureza do atual sistema republicano. A República é baseada na democracia. A democracia, por sua vez, é uma religião coletiva em que ao mesmo tempo é preciso ter fé, no sistema, e apontar eventuais culpados, que volta e meia chamam de corruptos. Segundo os republicanos, o sistema seria perfeito se não houvesse corrupção; portanto, a culpa jamais, nunca, pode recair para o sistema republicano em si. Funcionários públicos e juízes são seres acima do bem do mal cuja a única função é fazer o sistema dar certo. Políticos são representantes supremos do povo e de um ideal de sociedade que se aperfeiçoa a cada novo-ano. Se der errado, é só votar que tudo volta ao normal. Se houver corrupção, a culpa não é do sistema, mas dos indivíduos que ousaram corromper um sistema tão puro e honesto.

    Essa é a teoria do sistema atual; agora analisemos a realidade.

    Na quinta-feira (14), o presidente do tribunal superior, ministro Dias Toffoli, determinou a abertura de inquérito para investigar mensagens e ataques a ministros da Suprema Corte. Enquanto o STF planejava soltar políticos corruptos do Partido Novo, o presidente da Suprema Corte preparava terreno para calar e perseguir quem tivesse a ousadia de denunciar o absurdo [1]. Criou-se uma situação onde há uma ditadura de toga, em pleno sistema republicano, mas ninguém pode dizer o que de fato ocorre: Há uma ditadura comandada por burocratas não eleitos.

    A natureza da democracia

    A democracia é uma religião de covardes que não têm coragem o bastante para assumirem a posição de opressores e oprimidos. Todos querem vestir a capa democrata enquanto escondem sua real natureza. É uma religião de hipócritas, onde a direita, a esquerda social-democrata, os neoliberais, todos, absolutamente todos, fazem parte de uma grande liturgia diária. A religião dos homens não pode parar. Você já se perguntou o porquê do Instituto Mises não criticar abertamente os ministros do STF? Por que durante todo o governo Bolsonaro estão quietinhos compartilhando bobagens de site estrangeiro? Ué, onde foi parar a oposição liberal aos privilégios dos militares na Previdência Social? Eu quero saber se Bolsonaro vendeu a alma ao diabo quando negociou com Trump? Por que estão quietos? Por que vocês não defenderam o Golden Shower? Vocês não gostam do padrão-ouro? A resposta para tudo isso se encontra na hipocrisia democrata.

    Conclusão

    Quer culpar alguém? Culpe a hipocrisia dos homens; culpe a falta de apreço pela verdade e retidão, culpe o bom-mocismo da atual República. Prefiro mil vezes uma ditadura do proletariado do que o atual sistema. Foda-se que Stalin matou milhares! Pelo menos ele não era um viado, relativista, prostituta de Gregos e Troianos. Antigamente havia lado, e estava bem claro a natureza das coisas. O liberalismo e a democracia corrompeu o homem moderno e criou o pior dos mundos: O mundo relativista.

    [1] O Ministro do STF Alexandre de Moraes fez a seguinte afirmação: “No direito a gente chama de ‘jus esperneandi, direito de espernear. Pode espernear à vontade, pode criticar à vontade. Quem interpreta o regimento do Supremo é o Supremo.” Em outras palavras, isso significa que você um gado, bem gado mesmo, que será abatido diariamente, porém, tem total liberdade de espernear. Sua única obrigação é pagar imposto e defender a democracia, gado.

    g1.globo.com/politica/noticia/2019/03/19/moraes-rebate-criticas-a-inquerito-para-investigar-ataques-ao-stf-pode-espernear-a-vontade.ghtml

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.

  7. Keynesianos dizem que gastos do governo gera o efeito multiplicador. Uma forma fácil de notar pq o efeito multiplicador é falacioso é imaginar as consequências caso este efeito fosse real. Basicamente haveria uma prosperidade infinita, toda e qualquer escassez deixaria de existir simplesmente torrando grana, passando cédulas de uma pessoa para outra.

  8. O que gera crescimento econômico no longo prazo (leia-se aqui a taxa de crescimento do PIB real) é a soma da (i) taxa de crescimento do capital por unidade efetiva de trabalho, da (ii) taxa de crescimento da população e da (iii) taxa de crescimento devido à ganhos de tecnologia.

  9. Estado o Defensor do Povo

    Eu sinceramente não entendo como algo tão fácil de entender as pessoas simplesmente não entendem, todo mundo no Brasil pede por mais gastos e mais gastos, é triste ver isso.

  10. De onde vem o dinheiro que o governo utiliza para aumentar seus gastos?

    Do povo. O que Keynes acredita é que o governo pode direcionar alguns gastos e melhorar a economia.

    Mas então governo (burocratas) entende mais de economia do que o mercado (milhões de indivíduos)?

    Não, não entende. Provavelmente um país que tivesse só infraestrutura privada seria MUITO mais eficiente financeiramente. Mas a realidade (em todos os países do mundo) já foi “corrompida” por infraestrutura estatal, que sem investimentos do governo degradam e atrasam a economia. Exemplo: se o governo não melhora a estrada, ela se deteriora e a população não vai investir dinheiro pra melhorá-la, pois acredita que isso é responsabilidade pública.

  11. se me permitem bancar o advogado do diabo, acho que uma das razoes de o governo usar dinheiro da populacao seria para direcionar gastos onde a produtividade da economia como um todo seria melhorada, ou seja, infra-estrutura, tecnologia, educacao etc. Isso seria melhor para todos do que investimentos ultra conservadores durante uma recessao, como compra de terras, guardar debaixo do colchao etc.

  12. [OFF]

    Esses tempos eu andei dando uma lida sobre o padrão ouro quando uma dúvida me acometeu: Seria possível lastrear um moeda em diamante? Me refiro á mesma ideia do padrão ouro clássico, mas ao invés de ouro, usando diamantes ou algo similar de alto valor?

    Sou novo por aqui e estou adorando os artigos, parabéns!

  13. “O governo americano pôde gastar US$ 4 trilhões em 2017 porque a produção e a geração de riqueza da economia americana foram várias vezes maiores que U$ 4,1 trilhões (o PIB foi de US$ 19,4 trilhões).”

    Se esses dados estiverem corretos, então o governo americano gasta pouco mais de 20% do PIB, o que é pouco no mundo moderno, principalmente entre os países ricos.

    Como os EUA se endividam tanto, gastando (relativamente) tão pouco?

  14. Não sou da área de economia, apenas às vezes leio para tentar entender o básico a respeito, mas sempre fico com dúvidas…

    Lendo o texto acima, vi que foi colocado que, se o Governo cortasse consumo:

    “1) Haveria mais bens disponíveis para os outros consumidores, que necessitam deles com mais urgência que você. Os mais pobres agradeceriam.

    2) As indústrias não precisariam empregar recursos apenas para suprir a escassez desses bens (escassez provocada por você), o que as permitiria investir em novos processos de produção, que resultariam em maior abundância de bens.”

    Ocorre, contudo, que, olhando como se eu estivesse no lugar de um proprietário de uma empresa, tanto faz se eu vendo para um particular ou se eu vendo para o governo, pois meu interesse é vender (não havendo assim interesse em existirem mais bens disponíveis para outros consumidores que não fosse o governo, ao contrário eu teria era interesse em vender o máximo possível).

    Além disso, os recursos utilizados pela empresa em processos produtivos para suprir a escassez advém dos lucros dessas vendas, sejam elas feitas para o setor público ou para o setor privado e vender menos, se o governo não for comprador, a empresa teria menos lucros para aplicar nos seus processos produtivos.

    Então, partindo da posição de um empresário, me parece que não faz diferença para ele quem seria o consumidor, porque seu interesse é vender e lucrar e cada vez mais.

    Refletindo sobre essa situação, me parece que o governo age mais como um intermediário que retira coercitivamente de uns (por meio de tributos) e aloca recursos em outros setores, criando mais distorções do que destruição de riqueza, pois o que foi retirado do tributado acaba sendo disponibilizado para a empresa aonde o governo utilizou esse recurso.

    Na parte do governo consumindo o crédito disponível, fica mais fácil entender como ele destrói riqueza, na medida em que encarece o crédito para o setor produtivo, mas em relação aos tributos, me vem a ideia que coloquei antes de distorção em vez de destruição.

    Em relação à imprimir mais dinheiro, também fica claro como isso gera mais inflação, mas aí me vem outra dúvida.

    No livro Seis lições do Mises, é colocado que o Investimento Estrangeiro é um fator importante para o crescimento de determinado país, o que também me deixou intrigado sem entender como um aporte novo com dinheiro não originado nessa economia, embora empregado no setor produtivo, também não gera mais inflação, isso significa dizer que se o Governo imprimisse dinheiro e empregasse no setor produtivo também não geraria inflação?

    Essas são algumas dúvidas que me recordo agora, que acredito ser pelo fato de não ser da área e assim ficar confuso em meio as teorias econômicas.

    Gostaria que os nobres leitores pudessem esclarecer essas dúvidas.

  15. Ótimo artigo!

    É necessário muito estudo em grandes universidades para não compreender pontos tão simples e óbvios. Se bem que diversos apenas fingem que não compreendem.

    Pergunta: Proporcionalmente qual governo gasta mais: o americano, o argentino ou o brasileiro? Quais os números?

    * * *

  16. Haniel de Souza Lobo

    Belo artigo, simples e didático.

    Poucos dias atrás passei por uma situação um tanto engraçada que tem tudo haver com isso. Estava estudando economia para fazer uma prova e me deparei com a seguinte situação: “para haver estimulo na economia o governo deve aumenta seus gastos” e do contrário pra “desestimular”. Tive de decorar essa fórmula apenas para passar na prova, mas essa ideia já não me entra na cabeça de forma alguma, porém é incrível ver instituições que até julgamos ser séria se usando dessa mesma fórmula e princípios sem sequer um debate. É mesmo assim tão óbvio ou é só quem estuda um pouco de economia austríaca que consegue entender?

  17. Respondendo a pergunta do nosso amigo acima:

    “Brasília existiria em 1960 se dependesse dos investidores? As grandes hidrelétricas? Pontes em regiões de baixo valor econômico? Não force a barra do pensamento. Queria ver investidores construindo tudo e só depois começar a lucrar.”

    Um exemplo clássico de investidores privados “construindo tudo para só depois começar a lucrar”, foi o desenvolvimento do mainframe pela IBM, onde investiram 5 bilhões de dólares na época (em 1961, imagine quanto dinheiro isso representa hoje!!), apostando um valor 2x o faturamento da empresa na época:

    computerworld.com.br/2014/04/07/o-mainframe-aos-50-como-system-360-da-ibm-revolucionou-a-ti-corporativa/

    E graças a essa “aposta” capitalista foi criado uma das tecnologias que mais revolucionou a história da humanidade.

    Essa é a beleza do capitalismo.

    E enquanto isso, em bananópolis, nós estávamos preocupados em construir a fabulosa Brasilia:

    ultimosegundo.ig.com.br/brasilia50anos/em-dinheiro-de-hoje-brasilia-custaria-us-83-bilhoes/n1237588758783.html

  18. Anderson Fernandes

    Uma dúvida não sai da minha cabeça: se o Brasil abrisse totalmente sua economia, aquelas indústrias ineficientes iriam à falência. Os consumidores comprariam produtos mais baratos e assim teriam mais dinheiro sobrando para gastar ou investir em outras coisas. Entretanto, boa parte destes consumidores seriam justamente aqueles empregados que foram demitidos. Eles não teriam assim dinheiro para consumir, o consumo seria retraido e talvez a economia entrasse em recessão, impedindo a criação de novos empregos para onde iriam aqueles desempregados alocados da indústria para setores mais demandados, esse raciocínio está correto? Como fugiriamos disso numa abertura geral da economia brasileira?

  19. OFF-TOPIC: Plano de Reforma Habitacional nos EUA – Trump quer privatizar Fannie Mae e Freddie Mac

    home.treasury.gov/news/press-releases/sm769

  20. Leandro, o que você acha do Future-se, o programa do governo federal para o ensino superior? Vai trazer algum benefício? Alguma mudança?

  21. Falando em CPMF, alguém sabe dizer de onde vem a “tara” de economistas latinos por esse imposto, apesar de quinhentos estudos/fatos/experiências passadas comprovarem a catástrofe que ele provoca? Há algum artigo sobre isso aqui no site?

  22. O raciocinio do artigo só se aplica numa economia com uso pleno dos seus fatores de produção, o que não é o caso do Brasil hoje, no qual o setor privado está encolhendo seus gastos em meio a uma economia que já sofria de alta ociosidade.

    Se fosse no Brasil de 2013, eu concordaria com o artigo.

    Mas no nosso caso, o gov até pode imprimir e distribuir dinheiro que não haverá problema nenhum. Até seria bom. Lei básica da oferta e da procura.

    Aqui, hoje, se o gov imprimir dinheiro e comprar os estoques duma fabricante de cimento ou distribuidora de combustiveis, esses vao diminuir seus estoques. Se o gov não fizer isso, eles vao manter seus estoques ou falir por falta de comprador.

  23. Alguém me tira uma dúvida?

    No artigo diz que a moeda não cria riqueza nem aumenta a produção, ou seja, posso concluir que a moeda é neutra na economia? Neutra tanto no curto quanto no longo prazo?

    Pergunto isso, pois há um artigo sobre o Cantillon que afirma que a moeda é não neutra, que colo abaixo o link

    http://www.mises.org.br/article/1819/cantillon-os-ciclos-economicos-e-a-nao-neutralidade-da-moeda

    São pontos de vistas diferentes ou eu que não entendi o espírito da coisa?

  24. Politica de subsidiar exportações é semelhante ao governo te pagar um Extra pra vc vender toda sua producao, e vc vende pra ganhar mais dinheiro. Mas na hora que vc decide pegar o dinheiro ganho e comprar algo pra vc que vc necessite, vc é cobrado um extra mais caro.

    O que vc pensa que ganhou , vc perde. Vc ganha ora vender, mas é punido por comprar.

    Mas o pior é o efeito intervencionista e favorescista: o gov tira de alguns pra pagar o subsidio aos exportadores , e quem paga por ele sao outros, os consumidores. O gov entao decide quem vai prosperar e quem vai nao vai.

    Mas isso nao garante que vai ter mais empregos. O lado prospero emprega, mas o lado punido demite.

  25. Olhem que legal, pessoal, deflação de preços:

    “IPCA-15 fica em -0,01% em abril”

    Leandro, não vai mesmo escrever um artigo falando sobre esse fenômeno interessante na economia brasileira? Se você não escrever, eu vou escrever então hein… Nesse momento, seria muito bom e importante. Não vemos um podcast seu desde setembro de 2015…

    No mês passado, houve deflação de preços de certos setores. Basicamente a causa está no fato de que as commodities baratearam mais do que o real afundou em dólares? Commodities em janeiro de 2018 estavam baratas, assim como o dólar também. Mas o que causa a queda nos preços das commodities é o próprio dólar, normalmente, pois commodities baratas indicam um dólar mais forte. Normalmente a inflação brasileira é controlada pelo dólar americano, como foi demonstrado neste artigo. Desse jeito eu vou morder a língua, pois eu tinha falado que com o dólar em disparada, isso iria se refletir em inflação mais alta (ok, o artigo que eu escrevi foi feito antes do primeiro caso do novo coronavírus aqui). Até o etanol, que aqui foi mencionado de que estava em alta, caiu. A única coisa que visualizo para essa contração está com relação ao ataque impiedoso na economia, o que está causando uma queda na demanda em vários setores, devido à queda no padrão de vida, seja por desemprego, seja por redução do salarial, seja por outra situação. Mas espere um pouco, em 2015 a inflação de preços teve uma disparada, apesar do aumento do desemprego. Naquele ano, claro, o que causou aquele disparo foi também os reajustes e as correções dos preços controlados pelo governo (como os combustíveis), mas outros setores também subiram os preços. O que vocês acham?

  26. Pessoas, alguém sabe qual foi o arranjo cambial mexicano? Por que pergunto isso? Bom, eu pesquisei hoje no site do Banco Central do México e ali não vi um esclarecimento sobre o arranjo que antecedeu o arranjo flutuante. Em 1994, o câmbio flutuante nasceria, naquele mesmo fenômeno que pegou o Brasil em 1998.

    Segundo este relatório, foi tentado um arranjo atrelado em 1988. Entretanto, o problema é que isso não faz sentido. O peso mexicano devo supor que nasceu no século XIX, na época onde havia padrão-ouro, com moedas de ouro. Está bem, mas por que não faz sentido? Ao olhar o gráfico da taxa de câmbio, notem o seguinte:

    – De 1972 até 1982, quando ocorreu a crise da dívida mexicana, o câmbio se comportava praticamente como uma linha reta, ou seja, fixo. É claro que o câmbio fixo ortodoxo implica em ampliar e contrair a base monetária de acordo com a taxa cambial, sem tentar fazer como fez o Brasil nessa época, que fazia uma mistureba com imprimir dinheiro e tentar manipular o câmbio baseado nisso, o que não foi como no Plano Real;

    – Depois é que ele passou a oscilar mais, como se fosse um câmbio atrelado. Se o México copiou essa gambiarra brasileira, me provoca suspeita, já que essa crise de 1982 foi relacionada à dívida do governo mexicano, quando deu calote. Um arranjo fixo (praticamente um Currency Board) não tolera expansão monetária a ponto de explodir a dívida, a não ser que o governo tente deformar e simplesmente ignore isso (que é o que suspeito que ocorreu na Argentina, porque no início houve contenção de gastos, mas depois voltou a aumentar);

    – E então, de 1994 em diante, flutuante, e tem sido assim até agora. Bolívia tem sorte de não ser (ainda) alvo de ataques especulativos, senão a moeda deles já teria afundado faz tempo, principalmente depois da baderna no ano passado;

    E aí, o que pensam a respeito?

  27. Estou com uma duvida de outro artigo “Por exemplo, peguemos o compulsório vigente no Brasil: 28%. Se o Banco A, ao final do dia, tiver um total de R$ 100.000 em depósitos à vista, mas suas reservas junto ao Banco Central totalizarem apenas R$ 25.000, então ele terá de conseguir mais R$ 3.000 para “fechar seu balanço”. (Os motivos para ele estar abaixo do limite podem ser vários, principalmente um número de saques maior que o número de depósitos. Isso, acredite, é extremamente comum). O Banco A terá duas opções para conseguir esses R$ 3.000: ele pode recorrer ao próprio Banco Central e pedir um empréstimo (esse empréstimo é chamado de redesconto) ou ele pode pedir emprestado para um outro banco que esteja com excesso de reservas (porque teve um número de depósitos maior do que o de saques).” esse suposto 100 mil seria todo dinheiro do banco em conta corrente e investimento , se ele tem 100 mil e 25 mil de reserva no bc , por que ele nao pega os 3 mil dos 100 mil em invés de pegar emprestado com outro banco ?

  28. Qual seria o pacote anti lula? Bitcoin? Dolar? Euro? Ouro? Petróleo?

    Cansado de apostar renda variável no Brasil e nos EUA, só levo chumbo. Até com btc To perdendo

  29. Gente, sei que não tem nada a ver com o tema, mas alguém poderia indicar um livro com explicação do motivo da democracia ser o melhor caminho já que a maioria das pessoas também podem tomar uma decisão errada ?

  30. Fugitivo do comunismo

    Eai Leandro, ainda esta otimista com o Lula? Lembro que disse que não se preocupava com a eleição dele.

    Tomou alguma medida na sua vida ou esta vivendo normal como se o capitão tivesse sido eleito?

    Meirelles o vendido, já pulou do barco

  31. Desculpa a pergunta, mas se o capitão tivesse sido eleito ele iria fazer o que? Imprimir mais dinheiro sem promover corte de gastos e continuar com suas políticas populistas, só que de uma forma patriota ?

  32. “Políticos que apoiaram Lula criticam discurso contra regras fiscais”

    Isso é uma piada de mau gosto. Capaz de muito “isentão” ter ido votar no Inácio por cair nessa. Há quem diga que o Inácio está fazendo um xadrez 4D para depois mudar de postura quando assumir, mas eu não acredito muito nisso.

    Os bilionários da Avenida Brigadeiro Faria Lima podem muito bem sair do país. E os tolos?

    Só a gente ver, por exemplo, os recentes tuítes da Nathalia Arcuri e de um outro indivíduo.

  33. Nessa postagem de hoje do QR Capital (no Instagram), notório ver como o peso mexicano está indo bem. Rublo russo nem conta mais, porque já impuseram controles cambiais e de capitais.

    AMLO é um caso de um governo que contrasta uma retórica estatizante no mercado com austeridade fiscal e de manter autonomia do Banxico (autonomia que existe desde abril de 1994), cuja atual presidente estava na equipe econômica das finanças dele.

    Sol peruano é outra moeda que está indo bem, embora sem a mesma alta de mais de 2 anos, assim como o peso uruguaio.

  34. Qual o problema com imprimir dinheiro?

    Inflação é desequilíbrio de preços. Impressão de moedas para fins de desenvolvimento, gera apenas um período curto de preços altos devido ao aumento do dólar, já que o FED suspeitaria da movimentação, mas geraria emprego, consumo interno, a moeda circularia e com o desenvolvimento industrial se adquiriria mais dólares para reserva do que com o neoextrativismo e o agronegócio, sem contar que não excluiria essas duas fontes de receita.

    Estabilizando, a moeda voltaria a ter poder de compra e o seu imposto seria sentido não apenas na geração de emprego, como também num amplo complexo industrial da saúde pública, militar e na capacitação de trabalhos bem remunerados e valorização da moeda. Quem tem medo de inflação é acionista. Eu tenho medo é de estagflação e doença holandesa, que é o que de fato o tripé macroeconômico (que fundamenta epistemologicamente tbm o nosso direito financeiro) gerou.

    Mesma coisa com endividamento público. Desde que seja na própria moeda, não tem problema algum. O Reino Unido tem uma dívida interna de mais de 100%, o Japão, mais de 200%. O Brasil? Pouco mais de 80% em relação ao PIB. Em quê isso atrapalha as contas públicas? Absolutamente nada, visto que se individa na própria moeda valuta. O que se deve evitar é o endividamento em dólar.

    A criação de dinheiro é uma unidade de conta de valor soberano, originalmente para financiamento de guerras. Os registros mais antigos de uma representação de unidade de conta datam de 4 mil anos que eram traços em pedras que registravam dívidas e creditos, mas as moedas cunhadas são mais recentes, e tudo indica que foram usadas para financiar guerras. Exemplo clássico são as moedas do imperador Dario, que nas inscrições diziam que com os denares tomariam a Grécia e, no verso, o desenho de um guerreiro com uma lança. Logo então iniciaram as batalhas de Maratona no ano de 490 a.C.

    Lembro também que, durante a Idade Média, o uso da moeda se restringiu aos feudos como mera unidade de contas e que a atividade bancária e seu uso amplo só voltou a ser utilizado em larga escala com as Cruzadas pelos cavaleiros templários.

    Além disso, existem ainda hoje outras formas de unidade de conta, que se dão por trocas de dons e contra dons, em comunidades de povos não industriais, sobretudo, como os povos nativos indígenas do pacífico sul, da Amazônia brasileira (mas não só).

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