O Muro de Berlim foi erguido pela socialista República Democrática da
Alemanha no dia 13
de agosto de 1961 e só foi derrubado pelo povo no dia 9 de novembro
de 1989.
Foram o equivalente a 28 anos, dois meses e 27 dias
dividindo famílias, amigos, companheiros de trabalho e conterrâneos dentro da
capital alemã.
Hoje, os berlinenses já estão reunificados por mais tempo do que foram
mantidos separados pelo socialismo.
Esta data constitui uma excelente ocasião não apenas para
celebrar a restauração das liberdades mais básicas para os berlinenses, como
também para denunciar novamente a monstruosidade em que, necessariamente, todos
os regimes socialistas acabam se transformando.
O Muro de Berlim não foi um acidente
histórico
Como é próprio da história, o passar do tempo tende
a suavizar — e até mesmo a ofuscar — as causas dos eventos e a ser mais
cordial e tolerante com os responsáveis diretos.
Olhar friamente os relatos históricos dá a entender
que o Muro foi apenas um pitoresco acidente histórico, uma frivolidade feita
por um regime megalômano — uma frivolidade sem nenhuma conexão com o substrato
ideológico desse regime.
No entanto, o muro da vergonha socialista não foi
nenhum acidente histórico: foi, isso sim, a consequência natural e inexorável
de uma ideologia que institucionalizava a exploração do homem pelo homem, ao
mesmo tempo em que, paradoxalmente, dizia estar abolindo essa exploração.
Só que a exploração — a verdadeira exploração,
aquela baseada na repressão sistemática da liberdade — é inerente à ditadura
do proletariado: não porque a ditadura afirma saber sem ambiguidades qual deve
ser o destino dos não-proletários, mas sim porque, inclusive dentre os
proletários, existem várias divergências de interesses entre eles, divergências
essas que a ditadura socialista só pode resolver por meio da coerção estatal —
isto é, chancelando e exercendo o uso da força policial e militar em prol de
alguns proletários e em detrimento de outros proletários (na realidade, em prol
dos quadros com maior poder dentro da burocracia socialista e em detrimento do
coletivo dos proletários).
E todo regime assentado sobre a selvagem
escravização do homem pelo homem terá de erigir muros para impedir que os
escravos fujam do jugo de seus senhores, especialmente quando existem
sociedades muito mais livres ao redor.
Afinal, sem um celeiro de cobaias não há paraíso
socialista. Por isso, os muros de contenção são imprescindíveis: não para
evitar que as “massas depauperadas pelo capitalismo” emigrem em
debandada para os paraísos socialistas, mas sim para evitar que as “massas
enriquecidas pelo socialismo” sejam tentadas a fugir para o inferno da
exploração capitalista.
O
socialismo inevitavelmente exige muros
Ao passo que o socialismo promete criar o paraíso na
Terra, ele entrega apenas o inferno político, social e
econômico do qual a maioria da população ardorosa e desesperadoramente deseja
fugir.
Por isso, aos regimes socialistas não resta outra solução
senão estabelecer rígidos e violentos controles de fronteiras, bem como
construir barreiras mortíferas para evitar a travessia de pessoas. E a intenção
não é evitar que as hordas de trabalhadores explorados pelo capitalismo adentrem
em massa o Éden socialista, mas sim impedir que os proletários fujam aos milhões
desse Éden socialista com destino a essa máquina exploradora e alienadora que
supostamente é o capitalismo.
A República Democrática
da Alemanha não foi uma exceção a esta regra, não obstante se tratasse de uma
das sociedades mais ricas do planeta. Entre 1949 e 1961 — ou seja, antes da
construção do Muro –, 3,8 milhões de pessoas abandonaram a Alemanha Oriental
para se instalar na Alemanha Ocidental: aproximadamente 20% da população (vide gráfico
abaixo).
Para se ter uma perspectiva desta calamidade migratória,
vale lembrar que o número de refugiados que escaparam da Síria em decorrência de
sua devastadora guerra foi de 5,5 milhões
para uma população original de 22 milhões, ou seja, 25% de seus habitantes.
Ou, dito de outra maneira, os efeitos do
estabelecimento do socialismo sobre uma população foram análogos aos de uma
guerra civil — e o fato é que a ditadura socialista não é outra coisa senão guerra
e perseguições permanentes de uma parte da sociedade à outra.
Esta intensa e irrefreável migração da Alemanha Oriental
para a Alemanha Ocidental acabou por forçar a nomenclatura socialista a impor, já
a partir de meados da década de 1950, estritos
controles sobre a fronteira do lado oriental: ali foram sendo
progressivamente erguidos alambrados e barreiras de metal, bem como uma zona de
acesso restrito, a cinco quilômetros da fronteira, repleta de minas anti-pessoas e
valetas anti-veículos para obstaculizar qualquer tentativa de fuga.
Uma vez controlada a fronteira que separava as duas Alemanhas,
ainda faltava resolver o problema específico de Berlim: uma cidade submetida a
duas jurisdições distintas, onde a abolição da livre circulação de pessoas seria
não apenas mais complicado do ponto de vista técnico, como também muito mais
desagregador do ponto de vista humano e comunitário.
Para o socialismo real, no entanto, pouca importava
este sofrimento: frear a sangria de exilados, a qual ilustrava de maneira
prática e viva para o resto do mundo o fracasso do regime, constituía um
objetivo prioritário. Esse êxodo em massa representava um enorme
constrangimento tanto para o governo soviético quanto para o governo da
Alemanha Oriental. Também representava uma enorme perda de mão-de-obra
qualificada e de inúmeras ocupações profissionais. Assim, foi feita a opção
pela restrição total, ainda que à custa de fraturar Berlim por meio da construção
de um muro.
Consequentemente, no dia 13 de agosto de 1961,
começou a construção do Muro de Berlim. O muro era constituído de tijolo e
concreto, e levou dois anos para ser totalmente finalizado. Quando
concluído, ele tinha 45 quilômetros de extensão e 2,74 metros de altura, com
arame farpado no topo. Os guardas do lado oriental estavam sempre armados
com metralhadoras e atiravam em qualquer um que tentasse cruzar o muro. Havia
também uma área de 183 metros, entre o primeiro obstáculo e o muro, coberta de
minas terrestres e patrulhada por cães policiais.
Após o soerguimento de tão anti-humana e
anti-natural barreira, o número de emigrantes caiu drasticamente: se, entre
1949 e 1961, 3,8 milhões de pessoas fugiram do socialismo ditatorial para o
capitalismo, entre 1961 e 1988 apenas 600.000 conseguiram esta façanha (sendo
que metade era formada por aposentados cuja saída foi autorizada pela Alemanha
Oriental pelo simples fato de que eles não mais eram úteis como mão-de-obra
socialista).
Outros conseguiram escapar sobre, sob e através do
Muro. Alguns escaparam através da rede de esgoto que passava debaixo do
muro. Outros cavaram túneis — o
mais longo deles, o Túnel
57, tinha 153 metros, e 57 pessoas utilizaram-no para fugir para Berlim
Ocidental em 1964.
Figura
1: migração da Alemanha Oriental para a Alemanha Ocidental entre 1950 e 1995
(em milhares)
O Muro de Berlim resumiu perfeitamente a ideia,
típica do século XX, do indivíduo como propriedade do estado. Por trás
daquele muro, o governo da Alemanha Oriental dizia às pessoas onde elas
deveriam morar e trabalhar, quais bens elas poderiam consumir, e quais
recreações e entretenimentos elas tinham a permissão de ter. O estado
determinava o que elas deveriam ler, ver e dizer. E elas não podiam sair
do país — seja para visitar alguém ou para sempre –, a menos que isso
servisse aos objetivos e interesses de seus senhores políticos.
E se alguém tentasse sair sem permissão, ele poderia
ser metralhado e abandonado à própria sorte, agonizando sozinho e sem ajuda,
com outras pessoas sendo obrigadas a assistir à cena para se horrorizarem e
abandonarem eventuais ideias de fuga.
O
leste alemão hoje
Mais de 25 anos após a queda do Muro de Berlim,
aquelas áreas da Alemanha que estiveram submetidas ao socialismo continuam mais
pobres que as outras áreas da Alemanha que não adotaram o socialismo. Em 2014, no
aniversário de 25 anos da queda do muro, o jornal The Washington Post fez
uma reportagem mostrando
como a Alemanha Oriental ainda apresenta níveis menores de renda, taxas de
desemprego mais altas e, em geral, é menos próspera que o lado ocidental
alemão. Esta situação fez com que a região oriental da Alemanha sofresse um
êxodo de jovens, muitos dos quais se deslocaram para o oeste do país à procura
de melhores empregos e maiores salários.
O leste alemão até hoje sofre as consequências das
décadas que passou destruindo seu capital sob o domínio soviético. Como consequência,
o leste está décadas atrasado em relação ao oeste em termos de acumulação de
capital e aumento da produtividade do trabalho.
Durante a Guerra Fria, muitos oponentes do
socialismo apontaram a Alemanha como o exemplo perfeito de como o socialismo destruía
a prosperidade econômica. A piada recorrente era: se o socialismo não funcionou
nem na Alemanha, como querer que ele funcione em qualquer outro lugar?
Conclusão
Embora não exista mais na Alemanha, o socialismo
real continua vivo em outras partes do mundo, e segue devastando sociedades
inteiras, cujas pessoas, assim como ocorreu durante 10.316 dias na República
Democrática da Alemanha, estão desesperadas para escapar do cárcere vermelho e
que, exatamente por isso, são retidas por seus respectivos regimes autocráticos
mediante barreiras naturais (o estreito da Flórida, em Cuba) ou artificiais (a “zona
desmilitarizada” que fortifica a Coreia do Norte e o fechamento
das fronteiras pelo governo da Venezuela).
O socialismo não é apenas pobreza: é pobreza
carcerária. Por isso, ele necessariamente tem de construir muros ao seu redor: não
para impedir que estrangeiros entrem buscando prosperidade, mas sim para
impedir que os nativos fujam da miséria que ele inexoravelmente gera.
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Leia também:
Há 30 anos, a Polônia se libertava do socialismo – eis a vida na Polônia da década de 1980
O último natal da Romênia comunista




Libertário vivendo em Berlim. Faça a sua pergunta que eu respondo aqui.
Muito bom. É sempre importante não esquecer o que foi o chamado “socialismo”: a ditadura mais odiosa e implacável de toda a história humana, deixando o nazismo muitos anos-luz atrás, no segundo lugar das maiores escravidões da Humanidade.
Parece que o ser humano gosta de ser escravo, pois permitiu que duas chagas (“socialismo” e “nazismo”) acontecessem num mesmo século. Lamentável!
Reparem como os socialistas estão sempre levantando “muros” entre as pessoas:
– empregadores x empregados
– homens x mulheres
– brancos x negros
– heterossexuais x homossexuais
– religiosos x não-religiosos
– pagadores de impostos x recebedores de bolsas
etc.
Aproveitando o tema e lembrando a atual insurreição do povo de Hong Kong contra o governo chinês, eis uma parte do primeiro episódio da série do Milton Friedman, Free to Choose. O trecho começa a partir dos 22:57 minutos e tomo a liberdade de transcrevê-lo:
“Essas pessoas estão cruzando duas sociedades muito diferentes. Este é Lo Wu, o posto de fronteira oficial entre a China e Hong Kong. E deste lado da fronteira as pessoas são livres não só no mercado, mas em suas vidas em geral. Elas são livres para dizer o que quiserem, escrever o que quiserem, fazer praticamente tudo o que lhes convém. Não tanto daquele lado. É por isso que as pessoas na China que não conseguem a permissão para sair tomam medidas desesperadas para escapar. Elas arriscam suas vidas no processo. Muitas chegam a perdê-las, mas isso não impede que outras continuem a seguir seu exemplo. Algumas são atraídas pelo padrão de vida material mais alto em Hong Kong. Mas mais (pessoas), pelo desejo humano natural de ser livre.
As pessoas que conseguem a autorização oficial para deixar a China são afortunadas. Elas serão capazes de se beneficiar da liberdade econômica que encontrarão em Hong Kong. Mas o mais importante é que isso lhes dará uma liberdade muito mais ampla.
A liberdade humana e política nunca existiram e não podem existir sem uma grande medida de liberdade econômica. Aqueles de nós que foram tão afortunados de nascer em sociedades livres tendem a considerar a liberdade como garantida e pensar que é um estado natural da humanidade. Não é. É algo raro e precioso. A maioria das pessoas ao longo da História e a maioria das pessoas hoje viveu sob condições de tirania e miséria, não de liberdade e prosperidade. A demonstração mais clara de como as pessoas valorizam a liberdade é a forma de como elas votam com seus pés quando não têm outra maneira de votar.
Hong Kong está muito longe de ser uma utopia. Ela tem favelas, tem crimes e tem pessoas desesperadamente pobres. Mas as pessoas são livres. É por isso que, no fim das contas, muitos vêm para cá. A despeito de terem de viver em barcos-casa que vazam em uma das diversas pequenas baías de Hong Kong, aqui elas têm a liberdade e oportunidade de melhorarem a si mesmas para melhorar suas vidas. E muitas são bem sucedidas.
Há uma enorme parcela de pobreza no mundo, em qualquer lugar. Não há um sistema que é perfeito. Nenhum sistema irá eliminar a pobreza por completo (seja qual for sua definição). A questão é: qual sistema tem a maior chance, qual é o melhor arranjo que possibilita os pobres melhorarem suas vidas? E a verdade é que as provas históricas falam em uníssono. Não conheço qualquer exceção a esse preceito. Se você comparar os semelhantes, quanto mais livre o sistema, melhor as pessoas pobres comuns estarão.”
Ainda hoje, o Muro de Berlim remanesce a mim como um fantasma doloroso: uma sagrada medida emergencial da liderança socialista para defender seu povo contra o capitalismo, que permanecia com suas hordas coloridas de bens e serviços acessíveis a espreitar do outro lado da muralha, munido de tanques de pasta de dente, fuzis de papel higiênico e artilharia de rock n’roll; todas futilidades desnecessárias que quase não existiam entre os proletários honestos e bons da Alemanha Oriental.
Os bárbaros, porém, venceram. Perderam os artistas de todo mundo, os catedráticos de departamentos das humanidades, perdeu a classe política socialista e justa de todo mundo e principalmente, perderam-se as crianças de Berlim Ocidental: não mais escutarão de seus mestres lendas e fábulas sobre o paraíso socialista por trás de sua muralha defensiva e carregarão o fardo de formar-se com apenas uma abstração do que teria sido o grandioso experimento estatal, apenas sonhando cada dia em recriá-lo sem ao menos poder vê-lo e tocá-lo.
Torçamos para que mais portões sejam erguidos, mesmo que marítimos.
Ou seja, a guerra no campo econômico é besteira, os marxistas perderam ela há décadas, a cultura é o mais importante de tudo, as pessoas precisam ser “vacinadas” contra as ideologias marxistas e contra o vírus progressista. Daí a importância de ouvirmos tudo que Olavo de Carvalho tem a ensinar sobre esse tema crucial.
Aliás, ele recentemente trouxe uma perspectiva TENEBROSA. De volta ao governo, os esquerdistas cairão na jugular dos não-companheiros. A esquerda sacramentará a entrega do poder militar efetivo aos sovietes do CV/PCC/penduricalhos. Os súditos só terão como se defender apelando a outra força militar paralela.
Por isso, a sua recente exortação à união em torno da pessoa de Jair Bolsonaro toma uma dimensão militar (lato sensu) mais clara.
Resumindo: como mostra ninguém menos que a rica Alemanha, não deixem que esquerdizem seu país, pois não tem conserto.
Stalin tinha receio de que a cidade, primeiro, fosse financeiramente incorporada ao ocidente. De cara, isso já resultou no Bloqueio de Berlin e, mais tarde, nessa vergonha aí.
será que um dia as Coréias se unirão novamente? A do sul aguenta pagar a conta da reconstrução?
Onde as disparidades econômicas são mais gritantes? Sudeste x Nordeste do Brasil ou Oeste x Leste da Alemanha?
A abertura provocou uma cena curiosa.
Centenas de alemães orientais em veículos Trabant aguardando para passar do lado oriental ao ocidental. Quando passavam e começavam a ver a miríade de BMW, Mercedes, Audi, Porsche e afins, era um espanto só. Pessoas descobrindo um mundo que até então lhes tinha sido vedado. O que teve de Trabant abandonado na rua ou vendido a preço simbólico não foi brincadeira. Hoje, é uma raridade, mas na época não valia praticamente nada.
O Brasil precisa urgentemente acabar com esse retorno das tendências do passado. A sociedade brasileira precisa evoluir, exterminamos milhões de índios, escravizamos milhões de negros e negamos a correção dessa triste parte de nossa história. Na América pelo menos houve uma “política compensatoria”, embora diminuta, mas uma correção de rumo. No Brasil, insistimos na perpetuação das tendências do passado.
O muro do Trump também corrobora a mesma ideia: o povo quer ir para onde pode ter vida melhor, não para onde o chefe ideológico diz onde é melhor.
Eu fico pasmo ao ver comentários em redes sociais de alemães e brasileiros que moram na Alemanha falando que estamos numa ditadura, as vezes eu penso que seria legal a Alemanha aumentar seu socialismo, e os “refugiados”(me refiro aos folgados que não vão para produzir nada e mamam no estado) ferrando mais o país, e ele se tornando um país fechado kkkk(não sou mal, só estou pistola com os sociais democratas).
Todo o esforço pra se livrar dessa tirania e os esquerdistas querem trazer isso de volta. Hoppe está certo, remoção física é a verdadeira solução.
Olá, gente.
O que vcs tão achando da queda recorde da selic? Será que vai ter bolha de ativos, por ex, no mercado de ações e imobiliário?
O conceito de paraíso dos socialistas é por demais semelhante ao conceito de inferno dos capitalistas.
A STASI, a polícia secreta da Alemanha Oriental, foi um dos instrumentos de perseguição política mais terríveis já concebidos, equiparável á KGB soviética.
O burocrata Gunter Schabowski foi o responsável pelo anúncio que pôs fim à Alemanha Oriental (RDA). Foi uma notícia confiável em 1989, ano em que por coincidência foi anunciada uma fraude científica, a fusão fria ou energia de ponto zero.