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Por que é impossível acabar com a pobreza por meio da redistribuição de renda

Dentro do imaginário coletivo, os conceitos de “pobreza”
e “desigualdade” se tornaram sinônimos: se há pobres é porque somos desiguais;
se a desigualdade aumenta é porque aumentou a pobreza.

Esta mentalidade tende a ser reforçada durante períodos
de recessão econômica: quando as rendas agregadas da sociedade (o PIB) entram
em contração, a economia passa a ser vista como um jogo de soma zero,
ou seja, se a renda de uma pessoa aumentou é porque a renda de outra
inevitavelmente caiu.

Porém, as recessões econômicas não duram para
sempre, e o fato é que a economia de mercado se mostrou capaz, ao longo dos
últimos 200 anos, de aumentar a renda de todos os cidadãos. Segundo as estatísticas
compiladas pelo economista britânico Angus Maddison, passamos de uma renda per capita mundial de 1.130
dólares por ano em 1820 para uma de 15.600 em 2015. E isso ao mesmo tempo em
que a população global aumentou de 1 bilhão de pessoas para 7 bilhões. (Veja o estudo. Confira também este vídeo).

Igualmente, em
1820
, aproximadamente 95% da população mundial vivia na pobreza, com uma
estimativa de que 85% vivia na pobreza “abjeta”. Em 2015, menos
de 10% da humanidade
 continua a viver em tais circunstâncias.

Ou seja, não só o número de
habitantes no mundo aumentou 7 vezes, como ainda cada habitante aumentou sua
renda em 11 vezes. Isto é uma façanha extraordinária.

Este fato, por si só, mostra como estão errados aqueles
que dizem que toda a riqueza do mundo já está dada e deve apenas ser “redistribuída
justamente”. Se toda a riqueza do mundo já estivesse dada, devendo apenas ser redistribuída,
seria impossível que a renda per capita e a população mundial aumentassem simultaneamente. O que
ocorreria é que algumas pessoas aumentariam suas rendas à custa de todas as
outras, e a renda per capita permaneceria constante — aliás, cairia, por causa
do aumento do número de indivíduos.

Que tenhamos conseguido multiplicar por 11 a renda
per capita do conjunto de habitantes do planeta (e por 20 em alguns países ocidentais,
como os EUA) ilustra claramente que a economia não é um jogo de soma zero. E,
principalmente, que desigualdade não é o mesmo que pobreza.

Uma sociedade pode ser muito igualitária e muito
pobre. Ou bastante desigual e rica. Albânia, Bielorrússia, Iraque, Cazaquistão,
Kosovo, Moldávia, Tajiquistão e Ucrânia são sociedades que apresentam uma distribuição
de renda muito mais igualitária que a da Espanha, mas são muito mais pobres. Por
outro lado, Cingapura é uma sociedade muito mais desigual que a Espanha, mas
apresenta uma renda per capita maior em todos os quintis da redistribuição de
renda.

A Etiópia, cujo coeficiente de Gini — indicador que
mensura a desigualdade; quanto mais próximo de 1, mais desigual é um país — é
de 29,6 e o Paquistão (30) são mais igualitários que a maioria dos países
desenvolvidos, como Austrália (35,2), Coréia do Sul (31,6) e Luxemburgo (30,8)
e Canadá (32,6).

Tajiquistão (30,8), Iraque (30,9), Timor Leste
(31,9), Bangladesh (32,1) e Nepal (32,8) são mais igualitários que Bélgica
(33), Suíça (33,7), Polônia (34), França (35,2), Reino Unido (36), Portugal
(38,5), Estados Unidos (40,8), Cingapura (42,5) e Hong Kong (43,4).

Já o Afeganistão (27,8) é uma das nações mais
igualitárias do mundo.

Por isso, o objetivo primordial de qualquer pessoa
preocupada com o bem-estar alheio deveria ser o de aumentar a renda total de
cada indivíduo, e não reduzir as diferenças de renda entre cada indivíduo.

O bem-estar de um indivíduo está estritamente
relacionado com seu nível de renda
: quanto maior a renda, melhor sua alimentação,
maior seu acesso a bens e serviços, maior seu acesso a bons serviços de saúde,
maior seu acesso a uma boa educação, maior o seu tempo de lazer etc. Por outro
lado, como
mostram as estatísticas
, o bem-estar das pessoas não tem nenhuma relação com
o grau de desigualdade da sociedade em que moram. Mais ainda: nem
sequer há evidências
de que a desigualdade prejudica o crescimento econômico
e, por conseguinte, o aumento da renda de todas as pessoas.

Logo, não faz sentido nem mesmo qualquer preocupação
indireta para com a desigualdade. É claramente preferível uma sociedade com
rendas elevadas, porém muito desiguais, a uma sociedade de rendas ínfimas, porém
igualitárias. Qualquer política econômica de bom senso deve visar ao
crescimento econômico inclusivo (ou seja, um crescimento que beneficie a todos,
ainda que em proporções desiguais), e não a uma redistribuição de renda.

Redistribuir
renda é redistribuir miséria

É claro que, para algumas pessoas, o crescimento econômico
global não é desejável ou mesmo não é possível. Segundo elas, não podemos e não
devemos seguir explorando um planeta com recursos limitados (sobre essa
“exploração”, vale ressaltar que tais pessoas não aceitam nem mesmo que haja um
aproveitamento mais eficiente dos recursos disponíveis por meio do aumento da
produtividade).

Para tais pessoas, o objetivo é frear o crescimento
econômico e redistribuir a riqueza que
existe
: nós não precisamos de mais,
precisamos apenas distribuir melhor.

O problema é que apenas redistribuir a renda não tem
nenhum efeito duradouro sobre a pobreza mundial. Hoje, a renda per capita
global é de 15.600 dólares. Isso significa que, caso houvesse uma imediata distribuição
igualitária de renda, conseguiríamos apenas fazer com que cada cidadão passe a
ter 15.600 dólares.

À primeira vista, tal valor não parece pequeno. Uma família
composta por dois adultos e um menor desfrutaria de 46.800 dólares, aparentemente
mais do que a imensa maioria das famílias da Espanha, por exemplo. Mas o erro
deste cálculo é não entender os conceitos que realmente integram a definição de
renda per capita.

Em primeiro lugar, 15.600 dólares representam aproximadamente a
renda per capita atual de países como Argélia, Bielorrússia, Botsuana, Brasil,
China, Costa Rica, República Dominicana, Iraque, Líbano, Montenegro, Sérvia e
Tailândia. Ou seja, se redistribuíssemos perfeitamente a renda mundial, o
padrão de vida de um europeu ou de um americano seria reduzido ao nível desses
países [e nós brasileiros, como um todo, ficaríamos na mesma]. Trata-se de uma
constatação nada esperançosa, ainda que, em uma análise superficial, os 15.600
dólares por cidadão pareçam bastante.

Em segundo lugar, nem toda a renda per capita disponível
pode ser consumida: uma parte dela deve ser reinvestida de modo a garantir uma
geração de renda no futuro — se consumirmos toda a renda gerada por uma
colheita, não será possível investir para gerar uma nova colheita no futuro.

Consequentemente, se uma pessoa ganhar 15.600 dólares
hoje e gastar em bens de consumo, visando a aumentar seu bem-estar, rapidamente
voltará a ser pobre. Terá algum luxo momentâneo, mas não terá renda futura.

Nas sociedades capitalistas, parte da renda reinvestida
faz os capitalistas garantirem suas rendas futuras. No entanto, se esta renda
for redistribuída entre todos, todos nós teremos de investir uma parte da nossa
renda para manter a mesma capacidade produtiva da sociedade. Quanto deveríamos investir?
O consenso é algo ao redor de 20% do PIB. Assim, da renda per capita de 15.600
euros, somente 12.480 poderiam ser consumidos.

Em terceiro lugar, e este é o ponto crucial: após
esta renda distribuída ter sido consumida, não haveria como ocorrer novas redistribuições.
Afinal, de onde viria a nova renda a ser redistribuída? Vale lembrar que não há
mais ricos e pobres. Todos estão em igual situação. Consequentemente, não haverá
mais de quem tirar.

Logo, e por definição, uma redistribuição de renda é
algo que só pode ser feito uma única vez. E, após a redistribuição, os
contemplados estarão em melhor situação apenas enquanto durar sua nova renda.
Tão logo ela seja consumida, tais pessoas voltarão ao estado de pobreza
anterior. E pior: com os empreendedores mais pobres, será muito mais difícil para
tais pessoas melhorarem de vida.

Em quarto lugar, e complementando o terceiro item, em
uma economia de mercado, a riqueza dos ricos não está na forma de dinheiro
guardado na gaveta. Também não está em amontoados de bens de consumo
dentro de suas mansões. A riqueza dos ricos está majoritariamente na forma
de meios de produção: instalações industriais, maquinários, ferramentas,
edificações, estoques, ferramentas de produção, equipamentos de escritório de
uma fábrica ou de uma empresa qualquer. 

Esses meios de produção, além de tornarem o trabalho
humano mais eficiente e produtivo, produzem os bens e serviços que todas as
pessoas consomem. Mais ainda: esses meios de produção demandam o emprego
de mão-de-obra, e essa mão-de-obra é vendida pelas massas em troca de salários.

Quanto maior a riqueza de empreendedores e
capitalistas, maior será a produção e a oferta de bens e serviços. Consequentemente,
maior será a demanda por mão-de-obra.  Consequentemente, maior será o padrão
de vida de todos.

Caso os ricos sejam espoliados destas posses, todo o
nosso bem-estar e toda a nossa capacidade de auferir receitas via trabalho
assalariado estarão seriamente comprometidos.

Conclusão

Em suma, dizer que a pobreza mundial se resolve com
redistribuição de renda e sem crescimento econômico é mentira. A única coisa
que teríamos seria a redistribuição da miséria.

O problema atual do mundo não é a desigualdade, mas
a pobreza que ainda resta. Tanto nos países desenvolvidos, como nos países em
desenvolvimento, existem muitas pessoas pobres (embora o número seja cada
vez menor
).

A nossa prioridade deve ser tirá-los da pobreza e
não universalizar suas carências.

Mais uma vez, desigualdade não é pobreza: combater a
desigualdade não acaba com a pobreza e diminuir a pobreza não implica acabar
com a desigualdade. É imprescindível separar esses dois conceitos para não
sermos enganados pelos defensores do igualitarismo, os quais querem apenas
redistribuir a pobreza.

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Leia
também:

É o crescimento econômico em uma sociedade livre, e não a
igualdade forçada, o que salva os pobres

Estamos vivenciando uma
maciça redução na pobreza global

Em qualquer discussão sobre
desigualdade, estas são as quatro perguntas que têm de ser feitas

“Sem o estado, quem cuidará dos pobres?”

Em vez de culpar a
desigualdade, pense em criar mais riqueza

 

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62 comentários em “Por que é impossível acabar com a pobreza por meio da redistribuição de renda”

  1. Igualdade é uma utopia.

    Capitalismo é um jogo… é preciso ensinar as pessoas a jogar esse jogo.

    O ser humano precisa do outro. Assim que nascemos ja precisamos do outro… diferente de um réptil que sai da casca e se vira.

    Ainda hoje tem pessoas no Brasil sem luz elétrica. O homem com olhos de cifrão não tem interesse nessas pessoas.

    Menos Mises, Mais Humanismo ao IMB.

  2. Um pouco off, se numa hiperinflação a preferência temporal se torna gigante, por que, ao contrário, numa deflação você não postegaria o consumo, por que a preferência temporal não diminuiria? Vocês dizem que não? Teoria falha.

  3. Sem contar que, como as pessoas tem hábitos de consumo e poupança diversos entre si, logo alguns teriam mais dinheiro e outros menos, o que geraria uma nova onda de desigualdade.

    Em pouco tempo seria necessário redistribuir o dinheiro novamente, com as mesmas desculpas usadas da vez anterior.

    E de novo, sem nenhum efeito duradouro, só que cada vez haverá menos dinheiro para ser distribuído.

  4. Em um ambiente de liberdade econômica, um indivíduo que produz duas vezes mais, ao mesmo tempo em que todos os outros continuam produzindo o mesmo, será capaz de usufruir duas vezes mais o fruto de seu trabalho, pois terá um rendimento duas vezes maior.

    Mas se essa duplicação da sua produção tiver de ser dividida com os mais de 7 bilhões de habitantes do planeta, esse indivíduo, em vez de receber duas vezes mais como resultado da duplicação de sua produção, irá receber apenas a sétima bilionésima parte do dobro de sua produção (0,0000000001428) — ou seja, em termos práticos, absolutamente nada.

    Sob a liberdade que permite a desigualdade econômica, um indivíduo é capaz de aprimorar o bem-estar econômico seu e de sua família dramaticamente. Porém, quando uma política estipula que, para ele aprimorar o seu próprio bem-estar, ele tem de ser obrigado a aprimorar o bem-estar de toda a população na mesma intensidade, então ele nada pode alcançar.

    É como ver um indivíduo com pernas fortes o bastante para caminhar, e então estipular que, se ele quiser caminhar, ele tem de ser obrigado a carregar o peso de toda a população do globo sobre suas pernas.

  5. Na verdade, uma sociedade em que não existisse estado para impor a igualdade, pelo menos no Brasil, seria bem mais igualitária, uma vez que mais da metade da alta renda é constituída de funcionários públicos. Isso fora os corporativistas e grandes empresários que só estão onde estão por causa da ausência de concorrência gerada pelas regulações estatais.

    As pessoas simplesmente não entendem que impor coisas como redistribuição, além de imoral, é ineficaz, não funciona, não adianta. Isso só dá mais jus à expressão “o mundo é dos espertos”, que, no caso, são os sanguessugas engravatados.

  6. O grande desafio de uma sociedade não deveria ser combater a desigualdade, mas sim a pobreza em si. Isso, de cara, pode chocar, mas não existe outro caminho. Vejamos:

    a) Pode-se ter todo o mundo vivendo igualmente na pindaíba ou pode-se ter diferenças brutais com a base vivendo dignamente. E em regimes autoproclamados igualitários, sempre um estamento burocrático virou a elite econômica de um país ou mesmo passou a exercer uma simbiose com setores eleitos (via protecionismo, cartorialismo, empréstimos subsidiados… ).

    b) Diferenças surgem até mesmo entre irmãos criados sob o mesmo teto. Pessoas têm aptidões, talentos e aspirações diversas. Passando-se do micro para o macro, existem povos mais empreendedores do que outros, assim como há os mais poupadores, os mais ‘estudiosos’, os mais legalistas etc. Escolhas diferentes produzem resultados diversos.

    c) Com efeito, existem países paupérrimos mais igualitários do que as nações mais ricas da Terra, se levarmos em conta o tal do Coeficiente GINI.

    d) Se for para se tentar reparar injustiças históricas “na marra”, então teríamos que adentrar em discussões acerca das guerras indígenas pré-colombianas; teríamos que identificar também que povos africanos subjugaram povos vizinhos ou mesmo averiguar que povos europeus dominaram outros europeus. A coisa se complica muito mais ainda entre povos miscigenados*. A questão que se impõe é o que se pode fazer para reduzir a pobreza daqui para frente. Há, portanto, dois caminhos que podem ser trilhados (com suas gradações – o diabo vive entre elas):

    d.1) O primeiro é liberar e potencializar a capacidade empreendedora de um povo, dar um choque de liberalismo, ficando o Estado nos cuidados de prover uma boa educação, de manter as relações jurídicas protegidas e, na proporção do grau de prosperidade, de algum sistema de proteção contra o desamparo (tudo ao lado das funções clássicas, como segurança, defesa e diplomacia). Isso permite que um país evolua de forma consistente e que os mais pobres vivam com dignidade e perspectiva de melhora (mas diferenças sempre haverá). Normalmente países que percorrem essa trilha, DEPOIS QUE ENRIQUECEM, passam a ter lá seus programas sociais mais generosos e restrições ambientais. É daqui que nasce o mito do “socialismo” escandinavo.

    d.2) O segundo meio é o que visa acabar com a desigualdade tirando dos ‘ricos’. Seus métodos são mais do que previsíveis e podem até produzir bons efeitos no curto prazo. É a via chavista. Com desapropriações, tabelamentos, tributação escorchante, confiscos, nacionalizações, controles e mais controles. Não precisa ser exímio conhecedor dos fatos para lembrar que logo a economia de um país se atrasa ou colapsa, mas com líderes demagogos sendo alçados à condição de Deus.

    ________________

    *No Brasil, ainda tem aquela lenga-lenga esquerdista de “mesma-elite-de-500-anos”. Ora, grandes fortunas do passado se perderam nas mãos de herdeiros perdulários ou relapsos, brigas de família, golpes e arrivismo; chegaram por aqui, de metade do sec. XIX em diante, levas de migrantes japoneses, alemães, italianos, libaneses, bem como novas ondas de portugueses que nada tinham a ver com os que por aqui já estavam. Em grande parte, especialmente no Centro-Sul do Brasil, é essa a elite do Brasil de hoje.

    Isso não quer dizer que o Brasil não tenha velhos vícios de natureza anti-liberal que condenam o lucro e o mérito, já que o senso comum por aqui é que todos podem viver sob as asas do Estado, desde os pobres com suas bolsas, quotas e pensões; passando pela classe média concurseira, até os ricos, beneficiados pelo protecionismo, cartorialismo, empréstimos de BNDES e regulações feitas sob encomenda

  7. Imaginem um sujeito que resolva constituir uma família, baseado numa ideologia que, teoricamente, promoveria a justiça, a solidariedade, o progresso coletivo e o bem estar social.

    Estabelece, em seu lar, uma norma inicial: – Nenhum de seus membros será conspurcado pelas “más” influências externas. Seus filhos permanecerão confinados à casa, diuturnamente controlados, para que não sejam contaminados por “esse mundo devasso e egoísta de seus vizinhos”.

    Sua saúde, sua educação formal, seu aprendizado acadêmico, tudo será feito a domicílio por profissionais treinados nas crenças do Chefe, de forma a garantir a imunidade contra os vírus vindos do exterior.

    Seus brinquedos, leituras e palavras deverão sempre obedecer aos critérios do pai, que orientará sobre a pertinência de cada uma e todas as coisas.

    Conviver e interagir com a vizinhança, nem pensar! Apenas poderão brincar entre eles e dentro dos muros. Visitantes só terão acesso desde que obedeçam às regras da casa e não extrapolem ao permitido.

    Tudo isso para preservar a saúde, a segurança, a integridade física e mental e os elevados ideais de seus filhos. Tudo, inclusive a vida privada de cada um, será monitorado por esse pai provedor, cuidadoso e justo.

    Ao atingirem a idade de trabalhar, o farão nas empresas do pai, que designará a cada um sua função, segundo seus sábios critérios. Afinal, o incontestável progenitor sempre sabe o que é melhor para sua cria.

    Os proventos desse trabalho coletivo deverão ser entregues ao pai, que os distribuirá segundo as necessidades de cada um. Assim, independente de competência ou produtividade, todos serão atendidos em suas necessidades básicas, sem que, para isso, haja um critério de mérito, mas sim de justiça social.

    Sendo uma só família, todos os seus membros subalternos terão direito ao mesmo quinhão e, em caso de penúria, causada por qualquer motivo que seja, dividirão irmãmente sua miséria.

    Ao Chefe da Família caberá o maior quinhão, tendo este, como mentor e administrador da casa, direito aos melhores aposentos, à melhor alimentação, gozando ainda de todas as liberdades e privilégios negados aos seus filhos.

    E deverá ser respeitado e ouvido quando, em longas conversas, mostrar à sua prole todas as vantagens do sistema vigente em sua casa, o qual favorece igualmente a todos, em contrapartida ao caos que reina na vizinhança, onde seus chefes que se apegam a princípios egoístas e gananciosos, ao mesmo tempo que não dão limites a seus filhos, que gozam de liberdade tal que os levam aos mais baixos instintos, exploram uns aos outros e vilipendiam as necessidades básicas dos desfavorecidos.

    Os componentes dessa família que se mostrarem mais inteligentes, trabalhadores, ou competentes jamais deverão desfazer de seus irmãos desvalidos “pela natureza” dessas virtudes. Todos devem ser respeitados como iguais e acolhidos no seio dessa sociedade, sem atitudes elitistas e de segregação.

    Influenciados por esse discurso manipulador de suas mentes, alguns filhos se dobrarão à vontade do pai e reconhecerão nele seu guia e protetor. E viverão felizes suas vidas medíocres, sem questionarem nada.

    Outros se rebelarão, farão de tudo para fugir dos tentáculos paternos, mesmo correndo os piores riscos, em busca de sua liberdade de se expressar e de viver plenamente.

    Talvez aqueles irmãos inteligentes, competentes e produtivos cheguem a questionar os direitos iguais dos outros acomodados, preguiçosos e estúpidos, por usufruírem das benesses que eles proporcionam com seu empenho.

    Outros, talvez instados pelo discurso paterno, se convençam que eles, em sendo privilegiados, têm o dever moral de ajudar o coletivo e se orgulhar de poder fazê-lo pelo bem de todos e pela paz da família.

    Alguns, quem sabe, se sintam desestimulados e optem por se empenhar menos, dispensando suas habilidades e suas competências em favor de um desempenho mais medíocre, para não se sentir explorado.

    Os irmãos “antiça” (mistura de anta com bicho preguiça) defenderão sempre o sistema, já que este os favorece, sem que eles tenham que se empenhar para garantir seu sustento e seus direitos.

    Tudo bem nivelado por baixo, terá o pai um poder vitalício e inquestionável. Bom, não é?

    .-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.

    Agora, algumas perguntas:

    – Você gostaria de pertencer a uma “família” dessas?

    – Você considera correta a atitude desse pai que, para preservar seus filhos das mazelas do mundo, os condene à mediocridade, sequestre suas liberdades e decida tudo por eles?

    – Você é solidário aos seus irmãos “antiças” e acha justo dividir irmãmente o produto de seus esforços com eles?

    Se você respondeu sim às 3 questões, você é um autêntico socialista radical (ou comunista, como quiser). E se não for um esquerdista de carteirinha, talvez seja apenas aquele irmão “antiça”.

  8. Lendo este artigo me lembrei de um trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo, escrito por Allan Kardec em 1864.

    Desigualdade das riquezas

    A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual.

    A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar.

    É, aliás, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis.

    Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades.

  9. Hélio Schwartsman

    O historiador Walter Scheidel (Stanford) decidiu olhar para o passado em busca daquilo que realmente faz com que a renda seja mais bem distribuída e concluiu que só grandes catástrofes sociais dão conta da missão –e mesmo assim apenas por tempo limitado.

    O resultado de suas pesquisas está em “The Great Leveler” (a grande niveladora). Ao longo de mais de 500 páginas, ele mostra com muita erudição histórica que a tendência geral das sociedades, desde a Idade da Pedra até hoje, é concentrar riqueza e que essa orientação só é revertida de forma um pouco mais perceptível em situações extremas das quais queremos manter total distância. Não é uma coincidência que o autor chame as forças niveladoras que identificou de quatro cavaleiros do apocalipse.

    Continua.

    www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2017/06/1891959-igualdade-ou-morte.shtml

  10. Nordestino Arretado

    Olá amigos, há algum artigo aqui que fale sobre a NEP promovida por Lênin na União Soviética? No geral, do que se tratou essas políticas?

  11. Vitor Leonel Pereira

    Houve um erro no artigo:

    A Etiópia, cujo coeficiente de Gini — indicador que mensura a desigualdade; quanto mais próximo de 1, MAIS DESIGUAL é um país — é de 29,6 e o Paquistão (30) são mais igualitários que a maioria dos países desenvolvidos, como Austrália (35,2), Coréia do Sul (31,6) e Luxemburgo (30,8) e Canadá (32,6).

    Na verdade, quanto mais próximo de 1 MENOS DESIGUAL é o país.

  12. Ótimo artigo, e eu diria que é perfeito se tivesse entendido uma coisa. Não é um pouco exagerado, no terceiro e crucial ponto dos conceitos que integram a definição de renda per capita, dizer que a renda só poderia ser redistribuída uma vez?

    Imagino que essa renda total inclua a renda de todo mundo, seja ela oriunda do capital ou do trabalho. Ou seja, é no mínimo razoável pensar que se essa redistribuição fosse feita, ela teria que exigir no mínimo que todos os trabalhadores e capitalistas permanecessem exatamente nas funções que estão. Assim como os 20% do PIB para reinvestimento, que o próprio Rallo citou.

    De todo jeito, é claro, não haveriam aumentos na produtividade e o capital ia ser dilapidado. Mas aí seria aos poucos, então a redistribuição ainda poderia ocorrer por algumas vezes.

  13. Mises já havia explicado tudo isso em seu livro Socialism:

    "A maioria das pessoas que exige a maior igualdade possível de rendas não percebe que o objetivo que elas desejam só pode ser alcançado pelo sacrifício de outros objetivos.

    Elas imaginam que a soma de todas as rendas permanecerá inalterada e que tudo o que elas precisam fazer é apenas distribuir a renda de maneira mais uniforme do que a distribuição feita pela ordem social baseada na propriedade privada.

    Os ricos abdicarão de toda a quantia auferida que estiver acima da renda média da sociedade, e os pobres receberão tanto quanto necessário para compensar a diferença e elevar sua renda até a média. Mas a renda média, imaginam eles, permanecerá inalterada.

    É preciso entender claramente que tal ideia baseia-se em um grave erro. Como demonstrado em capítulos anteriores, não importa qual seja a maneira que se conjeture a equalização da renda — tal medida levará, sempre e necessariamente, a uma redução extremamente considerável da renda nacional total e, consequentemente, da renda média.

    Quando se compreende isto, a questão assume uma complexidade bem distinta: agora temos de decidir se somos a favor de uma distribuição equânime de renda a uma renda média mais baixa, ou se somos a favor da desigualdade de renda a uma renda média mais alta.

    A decisão irá depender essencialmente, é claro, de quão alta será a redução estimada na renda média causada pela alteração na distribuição social da renda. Se concluirmos que a renda média será mais baixa do que aquela que é hoje recebida pelos mais pobres, nossa atitude provavelmente será bem distinta da atitude da maioria dos socialistas sentimentais.

    Se aceitarmos o que já foi demonstrado sobre o quão baixa tende a ser a produtividade sob o socialismo, e especialmente a alegação de que o cálculo econômico sob o socialismo é impossível, então este argumento do socialismo ético também desmorona."

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1224

  14. Provavelmente quem não tem energia elétrica são pobres, e pobres não geram renda…… o “homem cifrãozudo” tinha q literalmente DAR a luz pra todos e isso é trabalho de deputado e não de empresario, Esse papo de dar as coisas só funciona qnd as pessoas se voluntariaam

  15. Alessandro Gusmão

    Vamos considerar que a partir de hoje toda a riqueza mundial será distribuída igualitariamente para todos e que cada um passasse a ter os 15.600. Em pouco tempo toda a desigualdade retornaria. Nem todos são laboriosos, previdentes e responsáveis igualmente. Uns iriam poupar, outros iriam montar seu próprio negocio, que dependeria de sua dedicação para dar resultado, e outros iriam gastar de acordo com suas preferencias de consumo. No fim, os mais produtivos, assertivos e previdentes estariam sendo os detentores do maior quinhão e estariam multiplicando, novamente, seus ganhos. A desigualdade das riquezas não é uma sentença mas uma consequência da natureza humana.

  16. Pessoal,

    Poderiam me tirar uma duvida?

    Aprendi por meio desse site que Inflação é consequencia do aumento do M1

    Entretanto, esse aumento na gasolina gerará um aumento na taxa de inflação, sem aumentar a moeda em circulação.

    O que está de errado?

  17. Claro que há um jogo de interesse dos mais ricos controlarem os políticos para permanecerem estes dois grupos mais ricos, mas distribuir dinheiro para um ignorante e mesmo que jogar perolas as porcos, em uma semana o cara vai estar pedindo esmola e o cara que foi rico em uma semana estará ficando rico de novo.

  18. A grande pergunta que o artigo propositalmente faz questão de esconder, é: Quem será que é dono dos meios de produção? Sim, Os ricos. Portanto não se trata dos ricos serem espoliados, pois não se pode espoliar alguém que vive de espoliar os mais fraco. Eles não estão sendo espoliados, é apenas a mão invisível da justiça social fazendo seu trabalho. Você não gosta da mão invisível?

    Pois eu lanço um novo termo: Mão invisível da justiça social.

    Quando percebemos que o Capitalismo vive de escravizar os mais fracos através de trocas voluntárias, torna-se necessário que “Agentes da Democracia” possam atuar em favor do bem comum. Toda essa atuação que envolve obrigatoriamente o Estado, chamamos de Mão invisível da justiça social. È para o seu bem.

    Alguém poderia dizer: “Mas, Capital Imoral, o Uber permite que os pobres sejam donos do meio de produção.”

    Obviamente, isso é uma falacia que não tem sentido, quando observamos atentamente, vemos que o Uber uma ferramenta do Grande Capital para corromper os homens. Para desmontar a falácia do Uber e os meios de produção, basta fazer as seguintes perguntas: Por que Josenildo que não sabe ler e nem escrever, e perdeu os braços e pernas, Não pode trabalhar no Uber? Por Que Welingson que não sabe ler e mora no Barraco, não pode pilotar o Helicóptero do Uber Helicopters? Por que Marinilsa que não terminou o primeiro grau, não pode fazer parte do Uber da Medicina? Logo vemos que o acesso ao meio de produção, não é para todo mundo.

    Capital Imoral é filosofo, escritor e já refutou Mises.

  19. Tradutor Liberal

    Boa tarde

    Em março passado eu traduzi um artigo parecido do Prof. Juan Ramon Rallo:

    tradutorliberal.wordpress.com/2017/03/21/desigualdade-nao-e-o-mesmo-que-pobreza/

  20. Desigualdade não é pobreza.

    E desigualdade não é necessariamente injustiça.

    Que cômodo seria se a realidade fosse tão simples quanto os utópicos dizem!

    * * *

  21. Sinceramente, achei o texto pobre trabalhando em cima de premissas falsas, como por exemplo equiparar o DISCURSO DE DISTRIBUIÇÃO DE RENDA a uma forçosa conta de dividir de toda a riqueza mundial pelo total de habitantes do planeta. Primeiro isso não é nem razoável se imaginar e, depois, quando se fala em desigualdade, pobreza e distribuição de renda se está criticando SIM sociedades onde convivem partes significativas da população (quando não a maioria) vivendo com quase nada de renda, enquanto poucos acumulam riquezas volumosas.

    Raciocinar em cima de renda per capta deve ser relativizado, pois o fato desta ter aumentado ao longo dos anos não tem se traduzido em um enriquecimento mais distribuídos. Na minha cidade existe em média 1,2 carros por habitante, mas a maioria não tem carro!!!

    Outra falácia é afirmar que quem defende distribuição de renda é contra o crescimento econômico!!! De onde tirou isso??? O que precisa compreender é que precisamos defender o DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL (Crescimento econômico combinado com enriquecimento de todos e com sustentabilidade ambiental);

    Raciocínios do tipo é melhor uma sociedade muito desigual com mais riqueza que sociedade mais igualitária, porém mais pobres…É no mínimo INFELIZ!!! QUE TAL SOCIEDADES RICAS E MAIS IGUALITÁRIAS???

  22. Mises é o novo Marx. Pegam uma ideologia e a usam sem crivo ou criticidade visando apenas estabelecer uma verdade absoluta. Produção, Renda, capitalismo e criterios menos injustos de organização social não podem ser excludentes. Sempre se usa um extremo para validar outro, desconsiderando maquiavelicamente o meio. Mises ao pé da letra simplesmente gera escasses de renda e moeda na base da pirâmide e excesso no topo. E isso com regras zero, a vida de quem está na base, passa a valer zero também. Assim como Marx apesar de muitos erros, pode até servir como critica a um modelo mas jamais, nunca como substitutivo, mises, anarcocapitalismo, diminuição do estado e de impostos o máximo possível, serve como contraponto, mas nunca como modelo social. Só quem nunca viveu, conviveu de fato em sociedade e com suas mazelas pode pensar em um modelo social darwiniano e uma sociedade movida unicamente pelo egoísmo.

  23. Proponho o seguinte… quem é a favor do capitalismo.. continue trabalhando… quem é contra.. para de trabalhar para as empresas “exploradoras”…. e vamos ver no que dá!!

  24. Bruno Pfeiffer Utsch

    Só é possível promover a geração e distribuição de riqueza/renda se houver poupança/investimentos.

    E distribuição de renda sem criação de riqueza é expropriação/confisco.

  25. Não sei por qual razão todos os jogadores brasileiros sonham em jogar um dia na Espanha se lá acabam pagando imposto de renda bem superior que no Brasil?

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