É comum ver os simpatizantes de um candidato
político derrotado nas eleições levantarem teorias conspiratórias sobre fraudes
nas urnas. Quem afirma que houve fraude
eleitoral está, na prática, dizendo que não acredita que a maioria dos
eleitores tenha optado por votar de outra maneira que não aquela única que ele
considerava a correta.
Mas não é necessário recorrer a teorias conspiratórias
para explicar um eventual resultado adverso em uma eleição. E o motivo é simples: a maioria votante nem
sempre tem razão.
A
falibilidade democrática
A democracia é um
método de agregação de preferências individuais acerca de diversas questões que
afetam o conjunto do coletivo. Mais:
tais preferências individuais são ponderadas de maneira igualitária (motivo
pelo qual tendem a prevalecer regras de decisão majoritárias, isto é, a maioria
simples vence).
Quatro aspectos são relevantes — e potencialmente problemáticos
— nessa definição de democracia: a) método de agregação, b) preferências
individuais, c) questões que afetam o coletivo, e d) ponderação igualitária.
Primeiro, o insumo de toda democracia é simplesmente
a “preferência eleitoral de cada indivíduo” (ou seja, os votos): assim como não
é nada controverso reconhecer que um indivíduo pode se equivocar em várias ocasiões
da sua vida privada, tampouco deveria ser controverso reconhecer que um indivíduo
pode se equivocar ao votar.
Com efeito, há razões de sobra para crer que uma
pessoa se equivoca com muito mais facilidade
ao votar do que ao tomar decisões sobre sua vida privada: dado que a influência
de um único voto sobre o resultado final de eleições gerais é praticamente nula
(salvo em localidade muito pequenas), as pessoas carecerão de incentivos para
se informar suficientemente antes de dar o seu voto e terão ainda menos
incentivos para analisar as reais consequências econômicas de seu voto (custos
altos e ganhos nulos).
Já no âmbito privado a situação é muito distinta: as
preferências de um indivíduo são absolutamente determinantes nas decisões que
ele toma (o custo de se informar pode ser igualmente alto, mas os ganhos de
agir de forma correta também serão).
No âmbito da democracia, isso que foi descrito é
conhecido como o fenômeno da ignorância racional
dos eleitores, fenômeno esse que tende a ser intensificado à medida que o voto
de um especialista no assunto sendo votado tem absolutamente o mesmo peso que o
voto de um não-especialista — por exemplo, o meu voto em relação a uma matéria
de desenho urbanístico vale o mesmo que o de um arquiteto.
Segundo, por ser um método de agregação de preferências
individuais, pode-se argumentar que os erros aleatórios de alguns indivíduos seriam
cancelados pelos erros aleatórios de outros indivíduos, gerando como resultado
um acerto agregado. Por exemplo, minha ignorância
em relação a desenho urbanístico poderia ser contrabalançada pelos meus
conhecimentos de economia; por sua vez, o conhecimento de arquitetura do
arquiteto poderia ser contrabalançado por sua ignorância em economia. Minhas deficiências se complementam com a
sabedoria de terceiros e vice-versa.
No entanto, não há nenhuma razão para pressupor que
todas as deficiências que afetam os eleitores sejam não-sistemáticas. Ao contrário: sabemos que certas deficiências
são sim de caráter sistemático: por exemplo, e somente em matéria de economia, dispomos
de fortes evidências de que os eleitores padecem de um viés anti-mercado (a tendência
de subestimar os benefícios trazidos pelo livre mercado), de um viés
pró-emprego (a tendência de superestimar os benefícios de se criar qualquer
tipo de emprego, mesmo o emprego público), e de um viés assistencialista (a tendência
de sobrevalorizar qualquer política que proclame aumentar a presença paternalista
do estado na vida do cidadão).
Por tudo isso, a agregação de preferências individuais
sistematicamente enviesadas gerará decisões coletivas também enviesadas. Tal é o fenômeno da irracionalidade do eleitor.
Terceiro, mesmo que as preferências individuais não se
manifestem sistematicamente enviesadas e caiba supor que os erros aleatórios de
alguns indivíduos serão contrabalançados pelos de outros, ainda assim seria necessário
que o método concreto de agregação de preferências individuais fosse neutro
para que a “vontade coletiva” da democracia não fosse arbitrariamente
irracional: ou seja, necessitaríamos de que, dadas algumas preferências individuais,
a decisão coletiva fosse sempre a mesma, independentemente do método de agregação
utilizado.
Não obstante, distintas regras eleitorais geram
distintos resultados eleitorais. Peguemos
o exemplo de meu país natal, a Espanha.
Na recente eleição geral ocorrida em 26 de junho, a esquerda formada
pelo PSOE e pelo Podemos ganharia a maioria absoluta caso nosso sistema eleitoral
fosse o mesmo da Alemanha. Por outro
lado, caso nosso sistema eleitoral fosse igual ao americano, o conservador PP obteria
uma extremamente ampla maioria (263 dos 350 eleitos). Qual dentre esses dois métodos agrega com
maior fidelidade as preferências individuais dos eleitores?
Nenhum deles exibe as características típicas da
racionalidade individual para que possamos categorizá-los como melhor ou
pior. Essa é uma das implicações mais
conhecidas do chamado Teorema
da Impossibilidade de Arrow.
E quarto, mesmo que não houvesse erros sistemáticos nas
preferências individuais, e mesmo que o método de agregação dessas preferências
fosse neutro, vale recordar que a democracia agrega preferências individuais acerca de questões que afetam o coletivo. A questão passa a ser, então, a de quais
assuntos são de competência individual e quais são de competência coletiva.
Ou, dito de outra forma, antes de votar é necessário
termos uma teoria ética que delimite quais assuntos podem ser votados, por se
tratarem de assuntos coletivos. E, neste
sentido, podemos nos mover desde um extremo político (o totalitarismo: no qual
tudo é suscetível de ser votado porque todo aspecto da vida pessoal tem implicações
coletivas) até o outro extremo político (o anarquismo individualista: no qual
nada é suscetível de ser votado porque existe apenas o indivíduo, e não um
grupo), passando por questões mais intermediárias (uma remissão cega à Declaração
Universal dos Direitos Humanos, a qual define quais assuntos devem ficar de
fora das urnas por serem direitos já previamente estabelecidos para o indivíduo).
Assim, a menos que caiamos em relativismo extremo
segundo o qual qualquer filosofia política é igualmente válida, uma democracia
perfeitamente racional poderia se equivocar ao votar sobre matérias que não deveriam
ser de âmbito coletivo, mas sim de competência (liberdade) individual. Por exemplo, ainda que todos soubessem que
Marx está profundamente equivocado e que a leitura de suas obras pode
contaminar a mente dos cidadãos, seria legítimo votarmos a favor de proibir a
leitura de Marx? Não parece.
Em suma, as decisões democráticas podem se equivocar
por falta de informação dos eleitores, pelo viés sistemático deles, pela
arbitrariedade do método de agregação de preferências individuais, e por uma
inadequada teoria ética subjacente.
As
implicações da falibilidade democrática
Tão logo admitimos que o resultado de uma eleição democrática
não é inexoravelmente correto, o simpatizante do partido que perdeu ou mesmo
aquele que odeia o partido vencedor tem agora um argumento baseado na razão e
na lógica: ele não tem de aceitar que a eleição de um partido que ele considera
corrupto, mendaz e criminoso tenha sido um processo correto.
Pode ser que seus eleitores não estavam conscientes
da corrupção e das mentiras; pode ser que eles não se atentaram suficientemente
a outras questões; ou pode ser que eles foram cúmplices e quiseram se
beneficiar a si próprios. As explicações
podem ser várias e a eleição de tal partido não foi necessariamente “correta” e
“inquestionável”.
Certamente, e como já exposto, não se pode descartar
a priori que as pessoas podem se equivocar ou que elas tenham motivações ruins
na hora de votar. Agora, se uma pessoa
acredita que os eleitores podem se equivocar com certa frequência, então, por definição,
tal pessoa jamais deveria defender uma
ampliação dos âmbitos de decisão coletiva.
Se aceitamos que as pessoas se equivocam ou por ignorância ou por má fé,
então jamais deveríamos expor questões vitais quem envolvem vida, propriedade e
liberdade a essa ignorância ou má fé.
(Não é à toa que a esquerda sempre gosta de defender
plebiscitos e referendos sobre assuntos cruciais, colocando nas mãos do
coletivo assuntos que envolvem a vida, a liberdade e a propriedade individual
— o que seria uma “democratização” da vida social).
Admitir que o eleitor pode ser ignorante ou mal
intencionado, e ainda assim defender que (quase) tudo deve ser matéria de voto,
é uma postura extremamente perigosa, pois alimenta o paternalismo autocrático e
oligárquico: se as decisões devem ser tomadas coletivamente, mas não devem ser
tomadas “pelas massas ignaras”, então ou toleramos as recorrências de más decisões
coletivas até que as pessoas “aprendam” (isto é, sejam reeducadas) ou as decisões
coletivas deverão ser tomadas somente por aquelas pessoas que se autointitulam
sábias e éticas.
Mas é o contrário: reconhecer que qualquer pessoa
pode se equivocar ao tomar qualquer decisão (inclusive ao votar) e reconhecer que
há pessoas que votam mal intencionadas deveria nos fazer adotar um saudável ceticismo
em relação à engenharia política: a saber, a defesa de uma ordem social
assentada sobre o reconhecimento de uma ampla esfera de liberdade individual dentro
da qual cada indivíduo seja competente e responsável por suas ações.
Por fim, sempre é válido relembrar Mises:
Nos
anos que imediatamente antecederam a queda de seus regimes democráticos, a
estrutura política da Alemanha e da França foi majoritariamente influenciada
pelo fato de que, para uma fatia considerável do eleitorado, o estado era a sua
fonte de renda. Não apenas havia toda uma horda de funcionários públicos
e de pessoas empregadas nos setores da economia que haviam sido estatizados
(ferrovias, correios, telégrafos e telefônicas), como também havia os
desempregados que recebiam seguro-desemprego e outras pessoas que recebiam
benefícios sociais. Para completar, havia agricultores e grupos
empresariais que, direta ou indiretamente, recebiam subsídios do governo.A
principal preocupação de todas essas pessoas era como extrair mais dinheiro dos
fundos públicos. Elas não se importavam com questões
“idealistas”, como liberdade, justiça, supremacia das leis, e governo
austero. Elas queriam mais dinheiro público, e só.Nenhum
candidato ao parlamento, aos governos estaduais, ou mesmo a prefeituras e
conselhos municipais podia correr o risco político de se opor ao apetite dos
funcionários públicos por aumentos salariais e dos agricultores e desempregados
que queriam subsídios. Os vários partidos políticos competiam entre si
para ver quem era o mais generoso nas promessas feitas. […]Nenhum
arranjo democrático pode existir se uma grande parcela dos eleitores está na
folha de pagamento do governo (funcionários públicos e pessoas que recebem
políticas assistenciais) ou recebe privilégios do governo (empresários
beneficiados por subsídios ou cartelizados por agências governamentais ou
protegidos por tarifas de importação).Se
os políticos passam a agir não como empregados dos pagadores de impostos mas
sim como porta-vozes daqueles que recebem salários, subsídios e
assistencialismos pagos com o dinheiro de impostos, então o arranjo democrático
acabou. Criou-se a insensatez.
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Leia todos os nossos artigos sobre democracia, compilados neste link:
http://www.mises.org.br/Subject.aspx?id=11
Acho que se esta olhando a luneta pelo lado contrario: A democracia é o menos pior. Assim como o capitalismo é o menos pior. E assim por diante.
A parte que não consigo aceitar no processo (democratico) de votação é a ausencia do NDA (nenhum dos anteriores).
Para mim é inaceitavel uma votação sem a inclusão do NDA.
Se o NDA vence então é necessario uma nova votação sem nenhum dos anteriores e assim continuamente. Sem a opção NDA temos basicamente uma ditadura, um autoritarismo.
Muito bom!
O problema não é o povo se informar sobre o candidato, mesmo porque muitos processos e ilícitos praticados pelo político não são veiculados na grande mídia, principal fonte de informação da maioria da população. O mais importante é a população saber reconhecer quando um candidato está sendo demagogo e isso só com nível educacional. Mais uma vez a solução de nossas mazelas passa pela educação.
Por isso o voto noa deveria ser obrigatório… mas em contra partida, é certeza que a esquerda ia pagar $30 + pão com mortadela para quem fosse votar.
A direita também não tem muito jeito não, tamo ferrado.
The Market is True Democracy:
mises.org/blog/market-true-democracy
Tipico dos Neo Liberais desprezar a democracia é por isso que junto com a Rede Globo e a FIESP patrocinaram um golpe fascista contra uma mulher honesta que é a Dilma Roussef
No fundo tudo passa por aquilo que é o mais importante no ser humano-o seu lado Espiritual. Seguido do seu lado Moral. Um povo espiritualmente e moralmente baixo sempre correra o risco de ser governado pelo pior tipo de governante.
Como um povo(coletivo) constituído por pessoas (individual)constituído por egoístas,idolatras,ignorantes,aproveitadoras,arrogantes vai eleger um governo de governantes justos,honestos,austeros,humildes,etc. A uma incompatibilidade enorme,que nunca por nenhum meio pode ser ajustada. O contrário também é verdade. Como um povo sábio e bom pode eleger um governo constituído por homens injustos,ladrões,autoritários,falsos e enganadores ?
O autor do texto talvez sem querer nos mostrou o lado ruim da natureza humana,marcada pela corrupção e pecado. O Antigo Testamento fala que o Antigo Israel era governado pelos Juízes,governantes escolhidos diretamente por Deus. Até que o povo israelita quis ser como todas nações ao redor e ter um rei. O profeta Samuel os avisou que um rei exigiria do melhor das riquezas e os oprimiria. O povo rebelde não lhe deu ouvidos. Saul foi feito rei e foi o primeiro governante perverso de uma lista longa de reis perversos de Israel. Finalizando. O pecado do povo não foi simplesmente pedir um rei,mas o coração duro,perverso e rebelde do povo daquela época.
E não é de hoje que os povos são governados pelos piores governantes. Visto a correlação entre um tipo de eleitorado e um tipo de governantes ser muito estreita.
Indo do melhor ao pior:
1- Micro Estados Privados monocráticos onde seus proprietários estabelecem as leis e zelam por elas, alugando as mesmas a quem se interessar. (Anarquismo de Livre Mercado).
2- Pequenos Estados Monocráticos onde as elites naturais são responsáveis por manter as poucas e simples leis efetivas (Rule of Law), com a possibilidade da votação de alguns aspectos menores por plesbicito (Liberalismo Clássico).
3- Médios e grandes Estados democráticos com constituições simples e leis pétreas para aspectos básicos, como moeda, onde os burocratas são responsáveis pela gestão da segurança e soberania (Minarquismo).
4- Grandes Estados democráticos com constituições complexas e que mudam ao sabor do momento, com burocratas intervindo em todos os aspectos da sociedade (Neoliberalismo a Social Democracia).
5- Grandes Estados totalitários baseados na burocracia, onde os burocratas controlam cada aspecto da sociedade, impondo até mesmo hábitos simples, como comer, vestir ou andar (socialismo a comunismo).
No âmbito da democracia, isso que foi descrito é conhecido como o fenômeno da ignorância racional dos eleitores, fenômeno esse que tende a ser intensificado à medida que o voto de um especialista no assunto sendo votado tem absolutamente o mesmo peso que o voto de um não-especialista — por exemplo, o meu voto em relação a uma matéria de desenho urbanístico vale o mesmo que o de um arquiteto.
Em se tratando de determinados “especialistas” e “intelectuais”, às vezes, quanto mais “iniciado”, pior, vide os Santos Oscar Niemeyer, Paulo Freire e por aí vaí.
Em uma votação “democrática”, ainda bem que o voto desses equivalia somente a um.
A democracia tem que ser limitada por uma constituição liberal. As pessoas deveriam votar apenas para decidir coisas como o nome de uma praça publica ou a empresa responsavel pela limpeza de uma praia.
Aristóteles afirmou isso há mais de 2 mil anos atrás, que a democracia é um dos piores formas de governo, monarquia e aristocracia são as melhores, desde que os mesmos criem leis liberais e zelem por elas.
A democracia é a decisão da maioria em cima de uma minoria, isso veremos em 2018, se a maioria quer que Lula volte, ele voltará: decisão da maioria.
Por favor alguém me responda a essa pergunta.Como um povo(coletivo) constituído por pessoas (individual) egoístas,idolatras,ignorantes,aproveitadoras,arrogantes vai eleger um governo de governantes justos,honestos,austeros,humildes,etc ?
Existe alguma maneira para fazer um povo deste tipo eleger um Governo sério,honrado,eficaz,justo ?
Visto a correlação entre um tipo de eleitorado e um tipo de governantes ser muito estreita. Tem alguma maneira de acabar com esta correlação ?
Edimar! Disse “A democracia é a decisão da maioria em cima de uma minoria, isso veremos em 2018, se a maioria quer que Lula volte, ele voltará: decisão da maioria.”
Existe uma maneira de Lula não ser eleito em 2018 se a maioria do eleitorado quiser votar nele ?
Claro ! Isto se Lula não estiver preso por corrupção em 2018,se contra tudo que fez ainda conseguir a incrível façanha de sair impune e ainda se dar bem . O que seria fantástico.
Quero ver se alguém me responde positivamente,pois muitos estão com ilusões de que isto,aquilo, resolve o problema. Um abraço a todos .
Por isso que digo, ditadura já! (a minha)
O trollzinho ignorante, em primeiro lugar, este comentário foi dirigido ao Nill acima. Em segundo lugar, esta célebre frase nem é minha, é do historiador Lord Acton. Por último, por acaso você me conhece para afirmar alguma merda sobre meus princípios morais, seu imbecil? Já estou cansado de debater com esquerdista retardado que apenas troca insultos em vez de argumentos. E antes que venha escrever merda, não, não estou te chamando de esquerdista.
“Power tends to corrupt and absolute power corrupts absolutely. Great men are almost always bad men.”
history.hanover.edu/courses/excerpts/165acton.html
Vai dizer agora que Lord Acton, católico praticante, não tinha princípios morais bons? Ele foi um dos primeiros a afirmar que a cultura cristã contribuiu mais para o conceito de liberdade que a greco-romana. Mas, claro, ele tinha uma moral maleável. Quem entende mesmo de História e cristianismo, e tem uma moralidade impecável é o Leandro Campos…
[www.mises.org.br/Article.aspx?id=781]Liberalismo e cristianismo[/link]
E as palavras do sábio historiador já foram confirmadas tanto historicamente quanto em laboratório. Quanto mais poder uma pessoa tem, mais ela será corrompida, seja por usá-lo em benefício próprio em detrimento dos outros, seja por usá-lo para impor violentamente sua visão de mundo.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Maximilien_de_Robespierre
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1048984314000800
Há notáveis excessões à regra? Claro! Mas isto em nada prova que apenas os de “moralidade maleável” se corrompem. Por isso é que existe o conceito de divisão de poderes, pois o poder absoluto corrompe absolutamente. Por isso, também, o liberalismo prega a descentralização de poder, pois quanto menos poder nas mãos dos governantes, melhor.
Mas claro, aposto que o Leandro Campos conhece aquele político incorruptível, que jamais usaria indevidamente o poder a ele concedido. Talvez o Leandro Campos seja, ele mesmo, este político incorruptível.
Decepcionante alguém neste site que não conheça Lord Acton. Desça do salto alto e vá ler mais, caro Leandro Campos.
Ótimo artigo! Sempre venho elogiar a escolha dos artigos deste autor, pois admiro a sua crítica ferrenha ao esquerdismo, bem como seu raciocínio lógico irretocável. Concordo plenamente com o que o autor defende. Acredito que a defesa ferrenha da democracia é o preço que pagamos por termos popularizado a palavra sem o mínimo de análise histórica. O que vemos por aí é uma análise maniqueísta e rasa do assunto (Se você é contra a democracia, é a favor da ditadura).
E lembro-me de algumas conversas que tive a respeito da obrigatoriedade do voto, mais especificamente a punição que levamos por exercermos nossa liberdade de escolha e não querer compactuar com esse sistema. De ser cidadão de segunda classe a ir para o inferno (sim, em minha religião ex-oficial do Estado, não ir votar é pecado grave)! Se o voto é algo sacrossanto, a festa da democracia e nosso maior protesto contra o sistema vigente, nem quero saber das outras opções…
Em tempo: Comecei há pouco a ler o livro “Los Errores de la Vieja Economía”, e recomendo a todos os que desejam ser descontaminados pela economia dos “especialistas” que normalmente habitam artigos de jornais e emissoras de TV por assinatura. E para os que se interessam pelo tema de Liberdade e Cristianismo, procurem no Amazon pelo livro “One and Indivisible”. Tem um capítulo muito bom falando de Cristianismo e Estatismo, guarda uma leve relação com o tema democracia.
Ao MarcioAB 15/07/2016 23:11:50
“Sobre o NDA: Como mencionei no primeiro post, não consigo entender um individuo se considerando liberal e tendo QUALQUER restrição ao NDA. NDA deveria se o mais basico requerimento para qualquer um que se considere liberal.
Mas entendo que não é, por isso minha duvida.”
Democracia é antônimo de liberdade. Antes de mais nada democracia é apenas um jeito da maioria decidir sobre todo um coletivo, passando por cima, é claro, da liberdade individual. Mais uma vez democracia não é liberdade. Então, com NDA ou não, democracia é contrário ao PNA, portanto é contrário ao pensamento libertário.
“Sobre os cenarios: São (naturalmente) apenas simbolicos, ilustrativos. Podemos imaginar 3 tipos de cenarios:
Tipo 1: Representam de um lado 10 caras (a principio 100% independentes) e de outro lado algo que justifique um esforço coletivo por parte desses elementos. Outro ponto que procurarei excluir de todos os cenarios foi o estado.
A principio imaginei um poço (coletivo), mas poderia ser uma antena de TV (coletiva), ou um banheiro (coletivo) ou uma vigilancia (coletiva), ou qualquer coisa que represente um interesse comum dos 10 caras que juntar forças faça sentido.”
Sem o estado este teu cenário se resolve facilmente com respeito à propriedade privada. Não há necessidade de democracia ou votação ou qualquer tipo de decisão coletiva, pois qualquer um, alguns ou todos tem a liberdade de empreender um poço (coletivo ou não), banheiro (coletivo ou não), vigilância (coletiva ou não) etc.
“Tipo 2: Se eventualmente se passarem 100 anos e os 10 caras vivam la sem ter surgido nenhuma ideia ou necessidade de embarcar em um esforço coletivo, EXCELENTE. (mas no cenario que propus, isso não ocorre).”
“Tipo 3: Entendo que tambem existe os cenarios onde ha colaboração entre os 10 caras se da atraves do mercado tradicional. EXCELENTE também.”
Tipos 2 e 3 são o mesmo. Novamente, no cenário que você propôs, originalmente, o do poço, criei uma maneira, sem nenhuma “decisão coletiva” que resolve o problema. Fiz o que se chama de contraprova (falsifiquei a sua conclusão, dando uma novo caminho de solução por uma nova abordagem ao problema). Cabe a você agora, mostrar que esta minha contraprova é logicamente falsa (já te adianto que não vais conseguir, mas tente!).
“Deve haver outros tipos, mas esses 3 ja da uma boa ideia.
O cenario que estou buscando para falar da importancia do voto é um cenario do Tipo 1.”
Novamente, não seria necessário.
“Cotas de participação: É uma variação (complicação) no cenario. No cenario, simples, os 10 caras simplesmente começam a cavar, um pouco cada um. Sem contrato, sem quotas. Cenario bem simples.”
Uai, você faz isso todos os dias, e acha que é uma complicação do cenário? Você vai com sua esposa jantar com uns amigos (e suas esposas). Na hora de pagar a conta como se faz? Resposta: cotas de acordo com os pagantes (assumindo que as esposas não pagam, ou se pagam, a grana sai da renda familiar, o que dá quase no mesmo). Cada um paga o seu, ou se pega a conta e divide pela quantidade de pessoas e cada qual paga uma parte (uma cota). É tão natural que a gente nem se percebe que é esse o tipo de relação que se assume.
Já começar a cavar assim do nada é que não é natural. O mínimo de ordenação se espera em uma empreitada onde se tem construção civil. Este seu cenário é mais utópico. Se você propusesse um cenário tipo mutirão, seria mais natural. E, de novo, num mutirão, alguns entram com trabalho, outros com material, outros com dinheiro etc. (essas coisas são simplesmente cotas, só que no mutirão, em geral, o que há é caridade, outra alternativa para a construção do poço [ou qualquer outra coisa que se deseje “coletiva”] também viável e muito utilizada).
“Esse cenarios tambem não tem dinheiro. Ninguem tem que pagar nada. A agua não entra no cenario. O cenario é apenas um poço. Um simples poço coletivo. Poderia ser um simples buraco coletivo (quem sabe uma cova coletiva).”
Dá no mesmo. Porque não se faz simplesmente um mutirão? Ou porque um grupo não faz e vende o seu produto para os demais? Ou um grupo faz e doa (caridade) o resultado de seu esforço para todos? É assim tão difícil de entender isso?
“Nada impede que um cara se apodere desse “espacinho livre”: Com certeza. Mas esse é outro cenario mais violento onde nada impede que os outros 9 (em conjunto) não matem esse que se apoderou do “espacinho”.”
Ei, você que criou o “espacinho livre”. Agora você é que está mudando as premissas e os os argumentos. Tá inserindo violência no cenário. Cenário com violência ou possibilidade de violência é outro cenário. As premissas do meu pensamento sempre foram propriedade privada e princípio da não agressão. Favor ater-se ao que foi colocado no início, senão não há discussão que possa prosseguir com esse tipo de andamento…
“Se eventualmente passarmos por essa parte dos cenarios e concordarmos em usar um cenario Tipo 1, ai podemos eventualmente chegar no enrosco do dilema do poço quadrado ou redondo, que seria resolvido por votação simples.”
Novamente, nenhuma votação é necessária. Veja bem, o grupo pode se reunir e decidir por voto. É uma alternativa, entretanto, a questão inicial se mantém. A democracia não é necessária quando se tem liberdade. Esse é o ponto!
“O meu ponto é que essa votação é NÃO ESTRUTURAL, ou seja, qualquer que seja o resultado dessa votação, isso não vai rachar o esforço comum.”
Votação sempre quebra o esforço comum. Ora você só vota se não há consenso. Se há consenso nenhuma votação é necessária. Se não há consenso, uma abordagem livre é moralmente preferível do que a democracia.
“Se fosse uma votação ESTRUTURAL, ou seja, a forma quadrada ou redonda do poço significa uma diferença estrutural insuperavel e se a votação terminasse 50/50 então a união iria terminar, teriamos 2 grupos de 5 caras cada grupo e cada grupo iria encontrar um “espacinho livre” e iriam cavar. Essa questão ESTRURUAL da forma do poço ja não mais iria sugir, mas iriam surgir novos dilemas os quais seriam resolvidos por voto. Porem antes de iniciar a votação o grupo iria dizer: Vamos la, vamos votar um assunto NÃO ESTRUTURAL, ou seja, todos saberiam que qualquer que seja o resultado o grupo não iria rachar. Se fosse uma votação ESTRUTURAL, o grupo ja sabia que se terminar proximo de 50/50, vai rachar.”
Chamar coelho de abelha não vai alterar a essência da democracia: uma forma de resolver uma falta de consenso, ou ainda, uma forma de saber a vontade da maioria, e assumir que a vontade da maioria vale para o todo, o que, obviamente é moralmente ruim.
Cabe a você mostrar que a maioria decidindo por uma minoria é um ato moralmente aceitável.
Ok, faz sentido, vou considerar.
Ate+
André Cavalcante
FOSTE PERFEITO!
Estou aplaudindo de pé e dando “urras”
Um show na exposição de argumentos. Fiquei empolgado com a clareza insofismável.
…e torço para que muitos Andrés surjam, para que debates sejam úteis e honestos.
“Em suma, as decisões democráticas podem se equivocar por falta de informação dos eleitores, pelo viés sistemático deles, pela arbitrariedade do método de agregação de preferências individuais, e por uma inadequada teoria ética subjacente.”
“Nenhum arranjo democrático pode existir se uma grande parcela dos eleitores está na folha de pagamento do governo (funcionários públicos e pessoas que recebem políticas assistenciais) ou recebe privilégios do governo (empresários beneficiados por subsídios ou cartelizados por agências governamentais ou protegidos por tarifas de importação).”
Cada vez mais desconfio que Mises foi um viajante do tempo que veio do futuro.
* * *