Um mito ainda ronda o mundo: o mito da excelência do sistema de saúde estatal da Suécia.
Normalmente, apenas alguns poucos e básicos argumentos econômicos já bastam para fazer uma pessoa entender, de maneira lógica, por que é impossível um sistema de saúde gerenciado pelo estado manter sua excelência no longo prazo.
No entanto, e infelizmente, apenas teorias não convencem. E dado que não é factível convidar todo o mundo para fazer uma excursão-surpresa nas salas de emergência dos hospitais estatais da Suécia, o que estraçalharia de maneira irreparável as ilusões dos mais crentes, terei aqui de me ater apenas às palavras.
E a realidade é que o sistema de saúde sueco é a perfeita ilustração da tragédia do planejamento central. Além de ser extremamente caro, ele ainda mata pessoas inocentes.
A saúde universal e gratuita foi implantada na Suécia na década de 1950 como parte de um projeto do Partido Social Democrata para criar a “Casa do Povo” (Folkhemmet). Este grande esforço também incluiu educação gratuita em todos os níveis, moradias modernas para os pobres, pensão estatal obrigatória, e outras coisas. Vamos aqui conceder o benefício da dúvida e supor que ao menos algumas dessas propostas eram bem intencionadas. Como quase sempre ocorre, boas intenções pavimentam a estrada que leva à servidão.
Demorou um pouco, mas hoje já está um tanto óbvio para o cidadão comum que absolutamente todos os aspectos deste projeto se revelaram um desastre. O cidadão pode até ter alguma dificuldade para ligar causa e consequência, mas ele já é capaz de ver que o sistema definitivamente não está funcionando como o propagandeado. Pior: está se deteriorando rapidamente.
Antes de este projeto utópico ser implantado, a Suécia tinha uma das mais baixas cargas tributárias do mundo civilizado. Tanto a quantidade de impostos, quanto o valor deles, era um dos mais baixos do mundo desenvolvido. O país, nada surpreendentemente, estava no topo em termos de padrão de vida. O projeto alterou completamente a Suécia. O país passou a ter a segunda maior carga tributária do mundo (a maior é a da Dinamarca), vivenciou períodos de acentuada inflação de preços, e apresenta uma economia em contínuo enfraquecimento.
Não há nada de economicamente misterioso a respeito de serviços de saúde; trata-se de um serviço como qualquer outro. Os princípios que governam os serviços de saúde são imutáveis e não podem ser alterados por meros decretos governamentais ou por “vontade política”. Como qualquer serviço, a medicina pode ser plenamente fornecida em um livre mercado a preços razoáveis e com qualidade crescente. No entanto, como qualquer outra área, tão logo o governo assume o controle e passa a fazer um planejamento centralizado, ele entre em colapso. A qualidade despenca e passa a haver escassez e racionamento.
Alegar que os atuais problemas no sistema de saúde sueco se devem a uma “falha de mercado” — como já fazem alguns social-democratas no país — é o equivalente a dizer que houve uma falha de mercado na produção de pão na União Soviética.
Analisemos o que ocorreu quando os serviços de saúde passaram a ser fornecidos “gratuitamente” pelo governo sueco (isto é, pelos pagadores de impostos). Observe que os mesmos incentivos e princípios econômicos se aplicam a qualquer outro serviço que o governo decida assumir e fornecer “de graça”.
De início, ficou estabelecido que o sistema de saúde gratuito seria somente para os pobres. Ele não iria afetar aqueles que estavam satisfeitos com os serviços até então vigentes. No entanto, ocorreu o óbvio: quando um governo passa a repentinamente oferecer uma alternativa gratuita com promessa da qualidade, várias pessoas abandonam seus fornecedores privados e adotam os bens gratuitos. Trata-se de uma questão de incentivos. Logo, esse sistema público tem de ser expandido. Médicos privados irão perder clientes. Ato contínuo, os médicos privados serão forçados ou a procurar emprego no sistema público ou a abandonar a profissão. O resultado inevitável será a criação de um único sistema público de saúde.
Alguns ainda alegam que é possível haver economias de escala dentro das operações de um sistema de saúde estatal, tornando-o eficiente. Possível até é. Porém, mesmo que existam, elas serão inevitavelmente sobrepujadas pelos custos e ineficiências inerentes a qualquer burocracia que inevitavelmente se agiganta quando passa a gerenciar um sistema desses.
Tais resultados são claramente visíveis na Suécia. Restaram poucos médicos privados. Dos poucos que restaram, a maioria faz parte do sistema nacional de seguridade social. Uma enorme burocracia foi erigida para administrar todo o necessário planejamento centralizado dos sistemas de saúde público e pseudo-privado.
Quando os suecos vão às urnas a cada quatro anos, eles elegem três níveis de governo: o nacional, o landsting, e o kommun. Um landsting é uma espécie de governo regional. Há 20 deles. Os landstings são quase que inteiramente voltados para o gerenciamento do sistema de saúde estatal. Como era de se esperar, eles sempre reclamam de escassez de fundos e regularmente incorrem em déficits.
A vantagem de um sistema de livre mercado é que a contínua interação entre demanda e oferta forma os preços. Esses preços funcionam como sinais emitidos pelos consumidores, guiando os médicos a identificar o que seus pacientes mais desejam e do que eles mais necessitam. Assim, se houver um súbito aumento na demanda por cirurgias cardiovasculares, os preços de tal serviço iriam, ceteris paribus, aumentar. Essa elevação de preços motivaria mais médicos a irem para estas áreas, que agora se tornaram mais lucrativas. Ato contínuo, mais médicos passariam a fornecer mais serviços de cirurgias cardiovasculares, e a oferta de tais serviços iria aumentar. Com a demanda agora satisfeita, os preços voltariam a cair.
Algumas pessoas protestam e dizem que é imoral que médicos queiram maximizar seus lucros e viver à custa dos problemas médicos de outras pessoas. Isso faz tanto sentido quanto dizer que agricultores — inclusive os pequenos — lucram com a fome de terceiros.
Assim, um arranjo de livre mercado sistematicamente direciona a produção (“oferta”) e a realoca de forma a rapidamente satisfazer as necessidades dos pacientes (“demanda”). Por causa da concorrência, tal sistema apresenta outra vantagem: ele está sempre tentando reduzir preços e aumentar a qualidade. Este princípio vale tanto para serviços médicos quanto para quaisquer outros serviços, sejam eles tecnológicos ou de jardinagem.
Já a burocracia inerente a um sistema de saúde estatal não tem como utilizar preços de mercado para alocar recursos. Ela tem de recorrer a outros métodos. Primeiro, ela tentará planejar de acordo com a demanda estimada. Ela tentará adivinhar o número de fraturas ósseas, de cirurgias cardiovasculares e de transplantes de rins que ocorrerá no ano que vem. As estimativas irão invariavelmente estar erradas, o que gerará escassez em algumas áreas e excesso de oferta em outras. Isso significa que haverá, ao mesmo tempo, desperdício de recursos e sofrimento humano.
Sem a motivação da busca pelo lucro, não há incentivos para se adaptar à realidade, para se utilizar equipamentos mais caros e de mais qualidade, para otimizar a capacidade, para aprimorar o nível dos serviços prestados, e para tratar pacientes com dignidade. Todas as mudanças serão impostas, por decreto, pelos burocratas planejadores. Médicos e enfermeiras inevitavelmente ficarão frustrados. Eles não mais serão livres para exercitar sua arte ao melhor de suas habilidades, e nem para ajudar as pessoas o tanto quanto gostariam. Boa parte dos melhores profissionais irá abandonar a área e migrar para outros setores.
É impossível fazer comparativos numéricos, mas é bastante óbvio que o nível de energia entre os profissionais da medicina na Suécia é baixo quando comparado ao de outros países. Um residente americano, amigo meu, passou um ano em um grande hospital sueco. Ele ficou abismado quando descobriu que os alunos nunca dedicavam parte de seu tempo livre observando procedimentos em salas de cirurgias. Simplesmente não há incentivos para se tornar bom na profissão. É claro que há entusiastas que ainda assim gostam de sua profissão e fazem um trabalho fantástico, mas o sistema não é propício a essa atitude.
O planejamento central sempre fracassa. Os planejadores inevitavelmente acabam percebendo que o mercado é superior. Mas, em vez de admitir e recuar, eles aprofundam o esquema. Eles começam a tentar emular um mercado, recorrendo a modismos técnicos como “gestão pública moderna” ou sistemas de vouchers. Os resultados destas soluções normalmente se revelam ainda mais desastrosos do que o planejamento direto. Para fazer com que a coisa funcione minimamente, eles começam a simplesmente atribuir códigos e números a tudo: cada tipo de doença passa a ser designada por um código, cada paciente se torna um número de identificação, e cada procedimento passa a ter um custo planejado (arbitrário) e uma receita estimada.
Recentemente, um grande jornal da Suécia relatou que médicos foram ordenados por burocratas a priorizar pacientes tomando por base seu valor futuro como pagadores de impostos. Sob esse critério, idosos naturalmente têm um valor futuro muito baixo, de modo que eles inevitavelmente passaram a ter baixa prioridade no aparato estatal e se tornaram menos propensos a receber tratamento adequado. Em um sistema de saúde privado você pode, como paciente, criar suas próprias prioridades: você pode, por exemplo, vender alguns ativos e gastar as receitas para melhorar sua saúde. Já em um sistema socializado, uma outra pessoa é que irá determinar quais são suas prioridades.
Como sabemos da prática, toda ação induzida por um planejamento central gera pelo menos cinco inesperadas reações em sentido oposto, sendo que cada uma delas será, por sua vez, contra-atacada com ainda mais regulamentações e planejamentos. Com o tempo, o sistema inevitavelmente entra em colapso. Na Suécia, o sistema de saúde é “gratuito”, mas não é acessível.
Para os casos que não configuram emergência, um sueco tem de ir à “Central de Serviços de Saúde”, que é estatal. Este sempre é o ponto de partida para qualquer consulta médica, desde uma simples gripe até um tumor cerebral. O sueco tem de ir à Central que lhe foi especificada, tudo de acordo com o distrito médico em que ele vive. Ele só será atendido se tiver hora marcada. Normalmente, há uma janela de 30 minutos todas as manhãs, quando você pode ligar para reivindicar uma das vagas que foram disponibilizadas no orçamento do governo. Mas você tem de madrugar, caso contrário elas acabam.
Raramente você consegue uma consulta no mesmo dia. Um burocrata irá lhe designar um médico que estiver de plantão, provavelmente um que você nunca viu antes; e provavelmente um que não fale sueco; e muito provavelmente um que odeie seu emprego. Se você tiver uma doença grave, você será encaminhado a uma fila de espera, na qual, quando chegar a sua vez, você receberá algumas orientações médicas de um especialista. Esse procedimento pode demorar meses. E isso não é um mero defeito do sistema sueco; isso é uma característica inevitável de um sistema de planejamento central, análogo às filas de pão que ocorriam na União Soviética.
É nesta “fila para o pão” do sistema de saúde que as pessoas morrem. As demoras ocorrem com tanta frequência que, quando chega a data de o paciente ser atendido por um especialista, sua condição já se agravou para além de qualquer possibilidade de cura. Também é frequente o sumiço dos pareceres médicos e o desaparecimento das listas dos encaminhamentos médicos, o que faz com que todo o tempo de espera tenha sido em vão. Burocracias criam empregados apáticos e desatentos, que não se importam com ninguém, que não fazem nenhum esforço, e que nunca são responsabilizados por suas falhas.
Já se a sua situação for de emergência, você irá à seção de emergência de um dos vários e enormes hospitais de estilo soviético. Estocolmo tinha dois desses enormes hospitais. Em 2004, eles se fundiram em um só. Obviamente, a “fusão” foi um fracasso, de modo que nos últimos anos tem havido grandes debates sobre a necessidade de separá-los novamente.
A sala de emergência é uma experiência completamente inusitada. A menos que você esteja sufocando ou apresentando uma copiosa hemorragia, você esperará de 5 a 7 horas até ser atendido. E você só receberá esse serviço de “alto nível” se chegar ao hospital em um dia útil e durante o horário comercial. Portanto, se você for um sueco, é bom programar antecipadamente o dia em que você sofrerá algum acidente grave. Após o horário comercial, ou durante os fins de semana, a coisa é muito pior. Em vez de atender os pacientes, os médicos estão majoritariamente ocupados preenchendo formulários para as autoridades do sistema central e rabiscando códigos em pequenos quadrados para relatar os serviços que foram prestados. Já foram relatados casos em que os pacientes conseguiram ser imediatamente atendidos, mas tais casos são raros.
Um fenômeno cada vez mais comum é o de negar ambulâncias àquelas pessoas gravemente acometidas por todos os tipos de sintomas, desde queimaduras severas e septicemia, a infarto do miocárdio ou derrame cerebral.
Se você planeja sofrer algum sério problema de saúde, é importante também que isso não ocorra nos meses de junho, julho e agosto, pois nesses meses de verão os hospitais estão praticamente fechados para férias.
Devido à ausência da busca pelo lucro, serviços gratuitos não apenas são ruins como também são muito caros. Um dos principais bancos da Suécia (o Swedbank) recentemente apresentou um estudo dizendo que o assalariado médio gasta aproximadamente 70% de seu salário com impostos para o governo, incluindo-se aí a enorme e invisível fatia que é retida na fonte. Dado que sistemas gratuitos se tornam mais caros com o tempo, e dado que é impossível compensá-lo com aumentos constantes de impostos, torna-se inevitável que, anualmente, novas doenças sejam listadas como não-graves, e portanto deixem de ser cobertas.
Na etapa final do fracasso do planejamento central, os planejadores simplesmente desistem. Eles lavam as mãos para tudo, e decidem “privatizar” os serviços. Isso começou a ser feito na Suécia. Só que, na prática, isso significa que eles desovam hospitais a preços de liquidação para empresários com boas conexões políticas. Ato contínuo, os próprios planejadores se tornam supervisores e reguladores. Isso cria um “mercado” extremamente protegido no qual os “empreendedores” devem apenas entregar serviços de qualidade estatal a preços que são estipulados de acordo com cálculos que estimam quanto custaria ao governo fazer o mesmo serviço.
Obviamente, isso cria distorções tão grandes, que seria possível atravessá-las com ambulâncias. E não há nenhuma livre concorrência para trazer alguma racionalidade a isso.
O mercado de saúde privado na Suécia é pequeno. Poucas pessoas podem pagar por ele, uma vez que elas já pagam 70% de impostos para todas as outras coisas “gratuitas” e dado também que o sistema é altamente regulado e não há livre concorrência (o que significa preços artificialmente altos). Os políticos, obviamente, utilizam o sistema privado, mas quem paga são os cidadãos suecos. Aparentemente, eles são pessoas tão especiais que o sistema estatal que eles amorosamente criaram para os outros não serve para eles.
Aos apologistas do modelo de saúde sueco: eu vivo neste modelo. Creiam-me: ele não funciona.
Recomendações de leitura:
Como Mises explicaria a realidade do SUS?
Um breve manual sobre os sistemas de saúde – e por que é impossível ter um SUS sem fila de espera
Referências adicionais e notícias citadas no artigo (utilize o Google Translator):
http://www.expressen.se/kvp/karin-fick-inte-aka-ambulans/
http://www.ambulansforum.se/node/930
http://www.princeton.edu/~ota/disk1/1995/9562/956209.PDF
O que me assusta é ver o movimento feito pela sociedade suéca. Antes livre, depois um sistema de Estado de bem-estar social altamente centralizador.
Com os mitos do socialismo, do bem-estar social, da social-democracia, do combate à desigualdade de renda através de transferências diretas, da regulação e controle governamental, que chance temos de fazer com que o libertarianismo triunfe no longo prazo?
Eu tenho a sensação, e me corrijam se estiver enganado, que das duas uma: Ou os mais pobre, iludidos pelas promessas desses mitos, clamam pelo aumento do poder do Estado para agir como protetor e benfeitor, e essa voz inicialmente pequena vai aos poucos se agigantando conforme concessões são feitas; ou os indivíduos médios realmente acreditam até por senso humanitário, que criar esses tipo de aparato estatal dará alento ao sofrimento dos mais pobre e decidem conceder ao Estado essa função de “protetor dos menos favorecidos”, mas as concessões sempre aumentam.
Não consigo entender como poucas (nenhuma?) sociedade consegue se manter libertária no longo prazo mesmo sendo a melhor escolha. Alguém pode me sugerir algum artigo, estudo, livro que fale do aspecto sociológico desse tipo de “escolha” da sociedade?
Mas e o sistema de saúde inglês? Ao que me consta (não sou um profundo conhecedor) é um sistema que funciona bem e de forma gratuita.
A pergunta não é diretamente relacionada ao texto, mas sim à questão da regulamentação da medicina.
Alguém tem algum artigo ou uma opinião fundamentada que fale da questão de antibióticos? O uso indiscriminado desse tipo de medicamentos é perigoso não apenas para quem o consome, já que contribui com o fortalecimento de bactérias.
Sou médico e posso garantir: todas as afirmações (exceto, é claro, quanto à comparativa qualidade do serviço) se aplicam ao Brasil.
Se você tem um problema eletivo (que precisa de marcar consulta) você demora em média um ano para conseguir a primeira consulta com o especialista. A partir daí as consultas de retorno são normalmente espassadas por muitos meses (exceto em casos graves, mas são os que passaram a ser urgências ou estão na eminencia de piorar).
Os próprios pacientes percebem isso, e passam a procurar os serviços de emergências para resolver problemas eletivos, o que apenas sobrecarrega esses serviços e dificulta o acesso para pacientes que tem problemas sérios de verdade. Lembro de uma vez, na faculdade, quando uma mãe que preferiu esperar a tarde inteira e boa parte da noite, para ser atendida quase de madrugada, porque seu filho tinha tosse há uma semana. Longe de mim julgar a importância que uma mãe da à tosse do filho, mas essa simplesmente não é uma urgência. Se houvesse menos regulação e mais concorrência, ela poderia ter varias opções de pediatras doidos para atendê-la e provavelmente em uma consulta que duraria mais que 5minutos.
Como libertário,minhas opiniões nem sempre são populares entre meus colegas. Mas tenho certeza de que tanto a qualidade dos serviços de saúde estariam melhores sob um regime menos intervencionista, quanto a minha qualidade de vida profissional.
Quando debato esse assunto, o fato de ser impossível existir uma saúde estatal de qualidade, ouço sempre que o modelo de saúde de livre mercado não existe em nenhum lugar do mundo. Um argumento muito tosco: “Não existe, logo nunca existirá, ou é impossível de existir.”
Enquanto a saúde for um direito, ao invés de um serviço, pessoas mais carentes nunca terão um acesso a ela. E os liberais ainda são criticados por não pensar nos mais pobres.
Podemos encontrar mais informações sobre a NHS aqui:
http://www.libertarianview.co.uk/current-affairs/why-we-should-scrap-the-nhs
Se os liberais/libertários adotassem a bandeira da renda mínima, todo discurso esquerdista cairia por terra.
Todos os “direitos sociais” poderiam ser resumidos num renda mínima, privatizando todo sistema de saúde e educação, sem traumas e com apoio popular.
Questões como: O que aconteceria com uma pessoa tendo um treco no meio da rua ?
Os libertários/liberais, que não defendem a renda mínima, não tem uma resposta satisfatória para isso. E aí, a esquerda cresce como “bondosa” e a direita é “malvada”, sem coração.
Uma renda mínima, variando conforme a idade e suficiente para cobrir custos de saúde emergenciais, desmantelaria todo discurso esquerdista.
Pensem nisso! Hayek e Friedman pensaram!
Um passo de cada vez.
Abs!
A Suécia conseguiu se tornar neste quesito semelhante à Cuba, Venezuela e Brasil.
Entre (1) um sistema em que só os pobres morrem e (2) um sistema em que pobres e ricos morrem, prefiro a terceira alternativa: (3) um sistema que possibilite todos a receberem pelo menos o mínimo necessário de atendimento por serem capazes de pagar por ele e por este estar disponível a preços razoáveis.
Em um sistema de livre mercado, a concorrência faz com que a qualidade aumente e os preços diminuam em todos os setores, além de aumentar a renda dos mais pobres. Assim, com liberdade econômica os mais pobres têm mais recursos e acesso a bons serviços de razoável qualidade.
* * *
è chocante a burocracia para ser atendido. o pior è saber que o burocrata que dificulta tudo isso, tem plena noção que não funciona, que as pessoas estão morrendo, mas mesmo assim defende o sistema estatal de saude.
sinceramente nao sei como alguem consegue viver com essa cullpa. talvez a politica seja sò para psicopatas.
Resumindo o texto:
O ideal é ter “Albert Einstein” e “Sírio Libanês”, para quem puder pagar.
Não tem dinheiro? Que morra.
O que se defende aqui é prioridade a quem tem dinheiro.
O sistema sueco pode não ser 100% eficiente como o Sírio Libanês, porém é pra todos.
Somos iguais. Eu, você economista formado nos EUA, o vendedor de pipoca, o menino abandonado de rua cheirando cola pra esquecer a vida.
Somos iguais, desculpe desapontá-lo.
Até quando vocês irão achar que a vida TEM que ser medida apenas pelos papéis coloridos em suas carteiras?
Eu precisei usar o sistema público sueco de saúde em 2007 e adorei… as enfermeiras!
Excelente artigo. Um tapa na cara dos esquerdopatas que adoram citar a escandinávia como exemplo de socialismo.
70% isso é ridículo. Os suecos são escravos e não se deram conta.
Só uma dúvida, a infraestrutura do país foi construída majoritariamente antes da década de 50? Na época de liberdade do país?
Um abraço
Depois do último artigo sobre monopólio livre e o corporativo eu pensava que iam fazer algum artigo sobre o maior monopólio livre da história, a Standard Oil, desmistificando a velha história em torno da empresa.
Eu quero mais que a Suécia se exploda. O brasil prestes a virar uma venezuela e nego se preocupando com suécia…
Leandro,aproveitando que o artigo fala da Suécia, gostaria de sugerir um ótimo texto sobre o passado liberal desse país:
http://www.libertarianismo.org/index.php/artigos/laissez-faire-suecia-rica/
Acho que o IMB deveria separar esse artigo em três partes e publicá-las porque é o melhor artigo que eu já para demolir o mito sueco. Acho que não teria problema para autorizar a publicação, já que a fonte é um site libertário, mas ele não tem a mesma visibilidade que o IMB.
Para os que acham que no sus, ou demais sistemas públicos de saúde pelo mundo o problema são recursos vou compartilhar minha experiência em hospitais do sus:
-pacientes que precisavam topografias ou ressonância magnética para conseguir tinham que estar internados, pois para os burocratas isto caracterizava prioridade. Logo pacientes sem a menor necessidade de internação ocupavam leitos para conseguir fazer estes exames mais rápido (pois normalmente levava anos), o que as vezes podia demorar semanas.
-um mamografo com um técnico neste hospital fazia de 7 a 10 mamografias dia, o mesmo aparelho em um serviço privado com um técnico (que recebia salário menor e menos benefícios) fazia em um dia 40.
-um tomografo top de linha no sus fazia 20 exames dia. Num serviço privado q conheço o mesmo faz 60.
-num serviço do sus havia 14 técnicos para 4 aparelhos de raiox, o ócio era tão grande que além das férias eles tinha um rodízio de faltas de 1 mês por ano. Também na ultima copa eles tinha uma escala de folga para a semana dos jogos, sim semana.
-em uma das greves dos 4000 funcionários a justiça determinou que metade continuasse trabalhando, a ausência destes 2000 só agilizou o trabalho, pois antes ficava o jogo de empurra para ver quem trabalhava, foi o período com menores filas de atendimento.
-pacientes que esperavam tanto tempo por um exame (até 5 anos) que nem se lembravam porque estavam fazendo, ou já estavam melhor, ou ainda pediam para trocar a região a ser examinada, pois já tinham sintomas em outro lugar.
-a fim de justificar para os burocratas exames caros sempre eram requisitados como se os pacientes tivessem câncer, o que criava problemas na hora de fazer os exames da maneira correta para a real doença do paciente.
Só para ilustrar uma alternativa do livre mercado para o sus: trabalhei em uma clinica na periferia de uma grande cidade com várias especialidades médicas, nutricionista, psicólogas, etc. Ainda dispunha de centro cirúrgico e realizava diversos tipo de exame. A clinica criou um plano onde o paciente pagava 15 reais de entrada e 10 reais por mês. Ele pagava para clinica aproximadamente o mesmo que um plano de saúde pagaria, ou seja 45 uma consulta, 40 um raiox, 70 um ultrasson, 80 uma mamografias, etc. O atendimento era muito bom, sem esperas e o paciente limitava o uso, pois tinha que pagar apesar de pouco e os profissionais gostavam de atender, pois recebiam em dia ao contrário dos convênios que sempre atrasavam ou não pagavam. Cirurgias podiam ser pagas parceladas em muitas vezes e o valor na sua maioria ficava abaixo de um salário mínimo. Atualmente este tipo de plano foi proibido pela ANS.
O sistema de saúde do Brasil funciona muito mau. Eu acho que o principal motivo é que os conselhos são por natureza anti liberdade, estatistas , esquerdistas e antimercado. Eles acreditam no seculo 21 que a medicina é uma função nobre e que não deve ter conotação com comercio (greed), dinheiro (chamam de honorários)e funcionam num plano ideal e irreal quase religioso, que o medico deve estar num plano angelical em relação ao paciente. A Medicina não pode, em nenhuma circunstância ou forma, ser exercida como comércio. O trabalho do médico não pode ser explorado por terceiros com objetivos de lucro, finalidade política (sus) ou religiosa.Isto é uma irrealidade extra terrena.Numa relação entre médico e paciente deve ser vantajosa para ambas as partes. O mundo não é totalmente altruísta, as pessoas são diferente intrínsicamente e igualdade é impossível entre humanos. Nínguem é obrigado a fazer sacrifício pelo seu semelhante. Se quiser e puder é optativo. O nosso sistema de saúde é obrigatório e como já disse cheio de preconceitos. As pessoas terão, que entender e concordar que saúde não é um direito mas um serviço como qualquer outro e que todas as vezes que ouvirem que algo é gratuito é para entenderem que ou que outras pessoas estão pagando através de impostos ou pagando as vezes voluntariamente por essa gratuidade. Deverão estar ciente que realidade é realidade e que boas intenções pode levar a consequências opostas. Então se uma pessoa quiser doar sangue que é dela deve poder doar. Se quiser vender o que lhe pertence também. Deve agradar as duas partes, ser bom para você, ser bom para mim. Se ela quisesse comercializar um rim que uma pessoa rica necessitasse e quisesse comprar ela não deveria estar infringindo alguma norma legal se vendesse o seu rim. Se uma pessoa desiludida de ter filhos optasse por comprar uma criança récem nascida, de uma mãe favelada que tivesse oito filhos e quisesse vender seu próprio filho que fizesse isso pelo amor de saber que uma familia de posses lhe dariam a melhor educação e um futuro promissor. Existem normas anti-mercado nos regulamentos destes conselhos chegando ao absurdo de um médico ser processado por cobrar uma consulta de oftalmo R$10,00.O consultorios particulares medidas apropriadas e até parelhamento devido (intervencionismo). “Algumas pessoas protestam e dizem que é imoral que médicos queiram maximizar seus lucros e viver à custa dos problemas médicos de outras pessoas. Isso faz tanto sentido quanto dizer que agricultores — inclusive os pequenos — lucram com a fome de terceiros”. É necessário que a saúde e a medicina seja tratadas como um ramo dos serviços e das profissões exatamente iguais as outras.Ou até que sêjam extintos os conselhos que asfixiam e engessam as as profissões.Inserção dos serviços no mercado livres. E por fim ridicularizar a grita “O governo deve, devia, fazer isso, decretar aquilo; um dia chegaremos a medicina terapêutica que o governo vai decretar o que e quanto podemos comer, beber, dormir, e qual será a nossa ração padronizada por um arrogante burocrata. Acredito que ele não fará exceções nestas rações…?! Esta é a opinião da amiga D. Mauriceia, só postei por achar diferente, da área de saúde.
E sobre a Islândia?
O estado também controla a quantidade de cursos de medicina disponíveis no país, assim a cada vestibular temos em média 40 inscritos por vaga (em universidades particulares); No meu estado(SC(, posso contar nos dedos o numero de turmas de medicina que existem, e quantidade de novos médicos que entram no mercado todos os anos. Com essa regulação é claro que faltam médicos e o valor que eles cobram é alto;
Lembro-me de uma vez ter lido uma reportagem mostrando um estudo de um economista mostrando que se houvesse mercado para órgãos e sangue, a situação de todos seria melhor. Logo em junto colocaram uma advogada estatista detonando com a ideia de comércio de órgãos etc..com o já sabido discurso moralista.
Há estudos austríacos sobre a temática?
Gostaria de entender um pouco melhor o paradoxo existente nessa questão de saúde, que induz pessoas como Michael Moore a fazer um filme como “Sicko”, onde são apontadas algumas evidências de como o sistema de saúde americano pode ser perverso. Apesar da forma parcial como Moore aborda o tema, há relatos de várias pessoas que passaram por situações onde não tiveram acesso a um tratamento realmente necessário, seja pelo preço exorbitantemente alto, ou porque o plano que alguns deles haviam contratado encontrava brechas no histórico desses pacientes, invalidando o contrato de prestação de serviços. Esta é uma prática aparentemente comum.
Conheço também pessoas que estiveram nos EUA e, dizem ter sido bastante mal-tratadas em prontos-socorros.
Em suma, minha pergunta é: se um sistema de competição como o americano é de fato eficiente, por que há tantos relatos que apontam para o lado oposto?
Boa noite Leandro!
Eu estava conversando com um amigo hoje sobre sistema de saúde,e me lembrei de um artigo escrito no IMB que falava sobre a caridade privada,que antes do estado tomar pra si a manutenção do sistema de saúde e ajuda aos pobres eram feitas por instituições filantrópicas,com a população sempre fazendo suas doações pras mesmas manterem seus projetos,porém não acho o artigo.Qual é o link dele?
E sobre minha conversa com ele citei a maior eficiência da caridade privada no sistema de saúde sobre o modelo de saúde estatal,citei como funcionava o sistema de saúde pré-estatal com as instituições de caridade,e caso não for incômodo eu gostaria que você avaliasse o exemplo básico que dei a ele sobre a operacionalidade do sistema caritativo e o estatal:
o primeiro cenário uma doação privada pra uma instituição filantrópica de saúde de 10 reais,e no estatal um imposto de 10 reais que vá para o SUS:
1°- A pessoa doa os 10 reais pra instituição privada,ela doa direto pro caixa da mesma,não precisando de intermediários pra mandar o dinheiro (o caminho do donativo é bem curto),isso faz a instituição ter a capacidade de bancar os custos operacionais,repor capital e investir dos mesmos 10 reais.
2°-A pessoa paga um imposto de 10 reais que vai para a saúde,porém não é possível dar o imposto diretamente pra um hospital público,pro recurso chegar a ser usado pelos hospitais ele precisa ser recolhido pela receita federal,porém uma parte dessa quantia tem que ficar na receita pra pagar os custos da transferência do imposto (digamos 3,50 reais),então restarão 6,50 que serão repassados pro ministério da saúde passar pros hospitais,porém como precisa também pagar os custos dessa transação vá-se mais 3,50 pra sustento da burocracia estatal,enquanto isso só 3 reais vão efetivamente pros investimentos em saúde,o que explicaria o porquê de os hospitais do SUS serem atrasados no quesito aparelhos,na infraestrutura,na quantidade de leitos… E que se o estado deixasse de ser intrometido no setor de saúde (eliminasse gastos e impostos pro SUS) e deixasse as instituições filantrópicas ocuparem o espaço deixaria as pessoas com mais dinheiro pra doações a elas,elevando e muito a quantidade e qualidade dos investimentos na saúde.
O meu raciocínio está correto? (caso tenha alguma inconsistência fique à vontade pra corrigir).
Eu moro na Suécia a mais de 4 anos e posso confirmar a maioria do escrito neste artigo e infelizmente é a pura realidade.
Após 2 anos vivendo na Suécia comecei a ter um problema de saúde que por falta de tratamento e diagnosticose agravou. Por fim cheguei ao ponto de não poder trabalhar mais. Eu fiquei totalmente desfigurado, inchado e outros sérios simtomas após um longo tratamento a base de corticoides na Suécia.
Passei por inúmeros médicos, hospital, serviços de emergência em Stockholm e após passar por muita burocracia, negligência, discrimination, etc…eu desisti do sistema suéco.
Por consequência, quando estava nas últimas fui para o Brasil e busquei o melhor médico que o dinheiro poderia comprar, por consequência na primeira consulta o médico deu o dignóstico, e exames / tratamento confirmaram tudo. Por consequência, depois de 3 meses de tratamento voltei a ter uma vida normal e recuperei minha saúde e estou deixando a Suécia devido ao que passei.
Eu posso afirmar uma coisa, quando você vê que está a beira do fim qualquer pessoa fará o que for possível para recuperar a saúde, inclusive vender o que tem e não tem para recupera-lá.
A negligência e ineficiência Suéca quase me matou, por algo que não deveria complicado o diagnóstico. Eu acredito na meritocracia e a medicina não é exceção.
Rodrigo, se você tiver condições financeiras para pagar um Albert Einstein ou Sírio Libanês está mais do que correto em defender sistemas privados.
Já um sistema público como o da Inglaterra, Canadá ou mesmo a Suécia seria ótimo para quem tem poucas condições financeiras.
Adorei o nível do debate aqui. Mas acho que temos no Brasil uma imperfeição de mercado que é a questão das dificuldades de se tornar médico, devido ao alto custo de faculdades, número restrito de vagas e ingerência total dos Conselhos Regionais e Estado. Esse é o grande problema. Nada que for feito adiantará se a quantidade de médicos e hospitais forem restritas e aumentem irrisoriamente. A discussão, pra mim, começaria e terminaria neste tópico e, depois, passaria para outras questões.
Com todo respeito, só não entendo uma coisa: se é tão ruim esse sistema, porque a Suécia tem a 8ª maior expectativa de vida e a 4ª menor mortalidade infantil. Apenas como exemplo tenh um amigo libanês com cidadania sueca. Após uma crise cardíaca no Líbano, em 24 horas tinha um jatinho UTI buscando ele totalmente de graça. Agora poderíamos criticar mais incisivamente o sistema privado norte americano que deixa morrer 50 mil pessoas por ano apenas por não terem um convênio. E estamos falando da maior potência capitalista do mundo. internacional.estadao.com.br/noticias/america-do-norte,sem-seguro-medico-quase-50-mil-americanos-morrem-ao-ano,437147
Engraçado, não é esse o comentário que um amigo médico brasileiro que está fazendo estágio na Suécia fala, pelo contrário, são só elogios!!