Um leitor que acabou de descobrir nosso site pede-nos para fazermos
uma “análise profunda do SUS (sistema socialista de saúde do país) à luz da
extraordinária teoria de Mises”.
Curiosamente,
ao se analisar o funcionamento do SUS à luz da teoria misesiana, conclui-se que
o real desafio está em perceber como uma medicina socializada afeta a oferta de
serviços de saúde privados. No caso do
Brasil, o desafio é perceber como o SUS afeta o funcionamento dos serviços fornecidos
pelos planos de saúde privados, e como as regulamentações impostas pelo governo
sobre as seguradoras de saúde ajudam a piorar todo a serviço de saúde do país.
No que
concerne ao funcionamento específico do SUS, ele em nada difere de qualquer
outro serviço socializado. Falar sobre
questões ligadas aos serviços de saúde é algo que desperta grandes paixões,
pois, por algum motivo, parte-se do princípio de que saúde é um direito do
cidadão (de quem é o dever é algo que não se comenta), e que, por conseguinte,
a oferta de serviços de saúde deve ser ilimitada.
Infelizmente,
porém, a realidade econômica não nos permite tais devaneios, e o fato de que
vivemos em um mundo de escassez é uma verdade válida também — e principalmente
— para os serviços de saúde.
Infelizmente. Se a escassez
pudesse ser extinta por meio do simples decreto governamental — como acreditam
os socialistas –, então estaríamos já há muito tempo de volta ao Jardim do
Éden.
Logo,
voltemos à realidade.
Quando se
deixa as paixões ideológicas de lado e busca-se apenas a verdade por meio da
razão e, consequentemente, da aplicação da genuína ciência econômica, nenhum
resultado é surpreendente. Mais
especificamente, o interesse aqui é discutir como a ciência econômica explica
os problemas inerentes a uma medicina socializada, sem fazer qualquer juízo de
valor. Afinal, economia não funciona de
acordo com sentimentalismos, e serviços médicos funcionam exatamente da mesma
maneira que qualquer outro setor de serviços na economia, por mais que as
pessoas se deixem levar pela emoção.
Os
libertários seguidores da doutrina dos direitos naturais — que dizem que cada
indivíduo tem o direito de não lhe tirarem a liberdade, a propriedade e a vida
— diriam que a medicina socializada não só é economicamente maléfica como
também é moralmente indefensável, pois baseia-se no roubo da propriedade alheia
para o financiamento dos serviços médicos.
Embora seja indiscutível que a medicina socializada baseia-se no roubo da
propriedade alheia, somente essa argumentação
não é muito promissora, pois a própria existência do governo baseia-se no
roubo. Logo, por coerência, pedir o fim
da medicina socializada implicaria também pedir a abolição do governo. Embora seja esse o desejo dos
anarcocapitalistas, é preciso reconhecer que tal postura não faria ninguém
vencer um debate econômico.
Logo,
argumentações puramente econômicas são necessárias para explicar por que
nenhuma medicina socializada pode ser de qualidade duradoura. (E, de fato, nenhum país que hoje possui medicina
socializada apresenta serviços de saúde invejáveis. Canadenses e britânicos que o digam,
para não citar os cubanos).
O princípio do SUS é igual ao de qualquer
medicina socializada
Serviços de
saúde socializados são defendidos e ofertados de acordo com o princípio de que
a saúde é um direito básico e indelével do cidadão, principalmente dos mais
pobres. Logo, o acesso aos serviços de
saúde deve ser gratuito ou quase gratuito, pois só assim os pobres podem ter
saúde em abundância.
O problema
é que até aí estamos apenas no terreno dos desejos, e não da realidade
econômica. É indiscutivelmente bonito
posar de defensor dos pobres e oprimidos, exigindo saúde gratuita para
eles. Porém, infelizmente, a realidade
econômica sempre insiste em se intrometer.
E a realidade econômica é que, sempre
que algo passa a ser ofertado gratuitamente, a quantidade demandada desse algo
passa a ser infinita. No caso
específico da saúde, sempre que serviços de saúde passam a ser gratuitos, a
quantidade desses serviços que as pessoas passam a querer consumir torna-se
praticamente infinita. E não poderia ser
diferente. De novo, trata-se de uma lei
econômica, e não de sentimentalismos.
A medicina
socializada é um caso clássico de intervenção que necessita de intervenções cada
vez maiores para ser mantida, até o momento em que tudo se esfacela em
decorrência da total imobilidade do setor regulado. Mises foi pioneiro em explicar a mecânica de
tal fenômeno, e é em sua explicação que vou me
basear.
Falando
especificamente do SUS, caso o governo apenas se limitasse a financiar — via
impostos extraídos da população — a oferta de serviços de saúde, a demanda por
consultas de rotina, testes de diagnósticos, procedimentos, hospitalizações e
cirurgias tornar-se-ia explosiva. Logo,
caso o governo nada fizesse, os custos gerados por tal demanda iriam
simplesmente estourar o orçamento do governo.
É aí que a
realidade econômica se impõe.
Como os
recursos para a saúde não são infinitos, mas a demanda é (pois a oferta é
“gratuita”), o governo logo se vê obrigado a impor vários controles de
custo. Os burocratas estabelecem um teto
de gastos na saúde que não pode ser superado.
Porém, apenas estabelecer um limite de gastos não é o suficiente para reduzir
a demanda. Assim, embora os custos
estejam agora limitados, a demanda por consultas, pedidos de testes de
diagnósticos, hospitalizações e cirurgias segue inabalada. Consequentemente, com oferta limitada e
demanda infinita, ocorre o inevitável: escassez. Ato contínuo, começam a surgir filas de
espera para tratamentos, cirurgias, remédios e até mesmo consultas de rotina.
O
agravamento de tais ocorrências faria com que o sistema inevitavelmente entrasse
em colapso. É aí que o governo passa,
então, a impor mais controles. No caso,
ele passa a controlar a demanda. Mais
especificamente, ele começa a “limitar” — por meio de várias burocracias
insidiosas — o número de visitas ao médico, o número de testes de
diagnósticos, o número de hospitalizações, cirurgias etc. Por exemplo, em alguns casos, um paciente é
atendido apenas quando um determinado conjunto de sintomas é perceptível. Em outros, uma hospitalização ou cirurgia
ocorre apenas se o paciente estiver acima de certa idade ou se estiver grávida
de um bebê deficiente. Em inúmeros
casos, o paciente simplesmente é rejeitado — popularmente, ficará na fila
esperando até desistir.
Outra
consequência inevitável do processo de controle de custos aparece nos salários
e nas compensações que o governo paga aos médicos do SUS, algo que é refletido
diretamente na qualidade dos serviços prestados. Afinal, profissionais mal remunerados
simplesmente não têm incentivos para trabalhar corretamente.
A medicina
socializada, portanto, baseia-se no mesmo princípio do controle de preços: a
oferta torna-se limitada e a demanda, infinita.
Como consequência, a qualidade dos serviços decai, os hospitais
tornam-se degradados e a escassez de objetos passa a ser uma inevitabilidade —
em alguns casos, faltam até sabonetes. (Tal realidade explica, por exemplo, os
constantes escândalos de funcionários de hospitais públicos extorquindo
pacientes, cobrando por fora em troca de remédios ou de pronto atendimento).
Tratamentos
ou atendimentos bem feitos ou mesmo satisfatórios tornam-se exceções em um sistema socializado de saúde.
Seguradoras
Nesse
ponto, o leitor mais iniciado pode estar pensando: “ora, dado esse cenário, o
governo deveria incentivar a medicina privada, pois ela desafogaria grande
parte dessa demanda pela saúde pública. No
mínimo, os mais endinheirados não mais estariam demandando os serviços do SUS.”
Tal
raciocínio está parcialmente certo. De
um lado, é fato que o governo, ao contrário do livre mercado, sempre vê o
consumidor como algo aborrecedor. Ao
passo que, no livre mercado, as empresas estão sempre ávidas por consumidores
para os quais vender seus produtos, no setor público, o consumidor é apenas um
irritante demandante, um usuário esbanjador de recursos escassos. No livre mercado, o consumidor é o rei, e os
ofertantes estão sempre se esforçando para ganhar mais consumidores, com os
quais poderão lucrar caso forneçam bons serviços. No setor público, cada consumidor é visto
como alguém que está utilizando um bem em detrimento de outra pessoa. No livre mercado, todos os envolvidos em uma
transação voluntária ganham, e as empresas estão sempre ávidas para oferecer
seus produtos ao consumidor. No setor
público, o consumidor é apenas uma chateação para os burocratas.
E
é justamente por essas características do livre mercado que o governo não pode permitir um genuíno livre
mercado nos serviços de saúde. Para
entendermos o motivo, basta novamente utilizarmos a razão e aplicarmos a
genuína ciência econômica.
Assim,
o que ocorreria em um arranjo em que há contínua deterioração dos serviços de
saúde e os salários dos médicos são controlados pelo governo? A resposta é óbvia: os médicos iriam querer
fugir de tal sistema e passar a lidar diretamente com seus pacientes, sem
amarras burocráticas e sem regulamentações.
Ou seja, haveria uma fuga de médicos para a medicina totalmente privada,
em um arranjo de livre mercado.
Em
tal arranjo, obviamente, os médicos não apenas poderiam ganhar maiores
salários, como também teriam a liberdade de tratar seus pacientes de acordo com
seus próprios critérios médicos, o que iria lhes render ainda mais clientes e,
consequentemente, mais dinheiro. Na
medicina pública permaneceriam apenas os ruins e incapazes, algo péssimo para
qualquer democracia, um sistema em que políticos precisam de votos.
Sendo
assim, o governo fica numa encruzilhada.
Ao mesmo tempo em que deve desafogar o setor público de saúde, ele não
pode permitir que o setor privado crie grandes incentivos, sob pena de perder
seus melhores profissionais e, consequentemente, permitir a total deterioração da
medicina pública. Logo, ele precisa
criar um meio termo.
E
é assim que o governo entra em cena estipulando pesadas regulamentações sobre o
setor de planos de saúde, fazendo com que os serviços médicos fornecidos por
seguradoras sejam quase tão ruins quanto os do SUS.
Apenas
pense: o mercado de seguro-saúde é totalmente regulado pelo governo. Não há livre concorrência. Não é qualquer empresa que pode entrar no
mercado e ofertar seus serviços.
Houvesse livre entrada no setor, as seguradoras que oferecessem melhores
condições para os médicos conveniados certamente teriam os melhores
profissionais para seus clientes. Porém,
como é o governo quem decide quem entra no mercado (o que aniquila a livre
concorrência) e como é o governo quem estipula várias regras para o funcionamento
do setor, o que temos hoje são planos de saúde caros e que remuneram muito mal
os médicos conveniados. Há situações em
que ser médico da rede pública — geralmente de sistemas estaduais ou, em
alguns casos, municipais — é ainda melhor do que ser médico conveniado de
alguma seguradora.
Logo,
temos a seguinte situação:
1)
O sistema público de saúde é ruim, sofre de escassezes e os médicos são mal
pagos.
2)
O sistema privado de saúde é controlado pelas seguradoras, um ramo fortemente
regulado pelo governo, dentro do qual a concorrência é mínima. Logo, os médicos são mal remunerados pelas
seguradoras e os planos de saúde são caros e cobrem cada vez menos
eventualidades. Para ter maiores
benefícios, é necessário pagar apólices muito altas.
3)
O domínio das seguradoras obviamente criou um “mercado paralelo”, em que
médicos particulares atendem diretamente seus clientes sem a intermediação de
seguradoras — e, consequentemente, cobrando bem mais caro, justamente por
causa dos incentivos criados pelas regulamentações sobre o setor de
seguros. Tais médicos, entretanto,
precisam ter grande renome e boa reputação para obter sua clientela cativa,
algo trabalhoso e demorado.
Desnecessário dizer que tal arranjo só é acessível para os mais ricos.
4)
Consequentemente, o sistema privado não
se torna, para boa parte dos médicos da rede pública, um sistema
substantivamente mais atraente que o sistema público, exatamente a intenção do
governo.
5)
Tal arranjo contém o êxodo de médicos da rede pública, o que impede o
esfacelamento do sistema.
6)
Apenas os realmente ricos conseguem contornar tais empecilhos, e geralmente
fazem suas consultas, internações e cirurgias sem o uso de seguradoras, lidando
diretamente com os médicos, sempre os melhores.
Estes, por sua vez, cobram caro justamente pelos motivos delineados no
item 3, a saber: porque não possuem concorrência para suas qualidades e também
porque sabem que possuem uma clientela cativa, composta daquelas poucas pessoas
que podem se dar ao luxo de não utilizar planos de saúde para pagar suas
cirurgias.
No
final, quem realmente perde são os mais pobres, justamente aqueles a quem os
amorosos defensores da saúde pública querem proteger. A medicina socializada destrói a qualidade
dos serviços médicos e, por causa das regulamentações estatais, encarece o
acesso à medicina privada. Os mais pobres
— aqueles que mais pagam
impostos em relação à sua renda — ficam privados de bons serviços médicos, serviços estes pelos quais eles pagaram a vida inteira.
Caso tivessem podido manter esse dinheiro para si, certamente poderiam
hoje estar usufruindo um melhor serviço de saúde.
Muitas
vezes um pobre tem seu acesso ao sistema público de saúde negado porque os
burocratas que controlam o sistema determinaram que outras pessoas estão mais
necessitadas do que ele; logo, estas têm mais direito àqueles serviços que ele
próprio ajudou a financiar via impostos.
A
ciência econômica mostra, portanto, que defender a medicina socializada é uma
perversidade.
Conclusão
Ainda
mantendo-nos fieis à ciência econômica, fica claro que o arranjo que melhor
atenderia a todos os necessitados seria justamente um arranjo de livre mercado. As pessoas seriam liberadas dos impostos,
podendo agora manter consigo boa parte daquilo que são obrigadas a dar para o
governo a fim de financiar um sistema de saúde que não presta serviços
decentes.
O
setor de seguros de saúde deve ser totalmente desregulamentado, havendo livre
entrada no mercado e, consequentemente, livre concorrência. Os preços dos planos de saúde cairiam e os
médicos agora passariam a ser remunerados de acordo com sua competência. Principalmente: haveria a livre negociação
entre médicos e pacientes, sem intromissões governamentais — algo que hoje só
ocorre entre médicos e pacientes ricos.
A medicina socializada não mais teria motivos para existir (como nunca
teve, aliás).
Por
fim, e ainda mais importante: nunca é demais enfatizar que a saúde é
responsabilidade de cada indivíduo, de cada família, sendo que todos devem ter
o direito de manter para si os frutos de seu trabalho e de poderem utilizar seu
dinheiro da forma que quiserem, tendo a liberdade de escolher os serviços
médicos que desejarem, e com a responsabilidade de encarar as consequências de
suas escolhas.
Não
há nada de radical ou novo nisso: afinal, esse é exatamente o princípio que
seguimos hoje quando escolhemos e compramos alimentos, roupas, carros,
computadores, celulares, iPads, iPods, iPhones, passagens aéreas, apartamentos
e tudo o mais. E, pelo menos até agora,
tal princípio vem funcionando com enorme sucesso. O fato de esse princípio (em outras palavras,
liberdade) ter sido abandonado na saúde e principalmente na educação apenas
mostra as tragédias que ocorrem quando nos desviamos dele.
Serviços
médicos funcionam exatamente da mesma maneira que qualquer outro setor de
serviços, por mais que as pessoas se deixem levar pela emoção. Ademais, pela lógica socialista, não faz
sentido pedir intervenção em serviços médicos e deixar, por exemplo, o setor
alimentício por conta do livre mercado.
Afinal, existe algo mais essencial do que comer? Porém, é exatamente por causa do livre
mercado que temos comida sempre disponível, para todos os gostos. Não importa a que horas você vá ao
supermercado, você sempre tem a certeza de que tudo estará ali. Tanto para
pobres quanto para ricos. Isso não é fascinante?
Sempre
que você quiser serviços de alta qualidade a preços baixos, você tem de ter um
livre mercado, uma livre concorrência. Não há nenhuma outra opção. Quem acha que ofertar bens gratuitamente, criar
uma montanha de regulamentações e impor controles de preços é a receita para
bons serviços, deve se preparar para uma grande decepção. Isso nunca funcionou em lugar nenhum do mundo.
Quem
realmente quer serviços médicos de qualidade para os pobres (e quem não quer?)
tem de defender um livre mercado nos serviços de saúde. Não há outra opção.
A
verdadeira ciência econômica explica.
__________________________________________
Leitura
indispensável:
Quatro medidas para melhorar
o sistema de saúde

A questão é o que fazer com as pessoas que não se adaptam a o sistema competitivo , é nisso que se basea os coletivistas e sua retórica.
Oneide,
Você tem toda razão. Coletivistas frequentemente incitam nas pessoas o medo com esses argumentos. O que é muito fácil, porque como vivemos em um país com muitos pobres, paira no ar o terror de “ser abandonado à própria sorte”, “ficar pra trás”, etc. o que leva as pessoas (principalmente a classe média, a mais aterrorizada com a pobreza) a buscar o Estado como provedor da celebrada “rede de segurança”, uma magra garantia que se cairmos durante essa luta competitiva não iremos direto pro chão.
Esse raciocínio é falho em diversos aspectos: Primeiro, a miséria que nos aflige é causada pela mesma instituição que deveria supostamente nos salvar – o Estado. O Leandro deu apenas uma pequena demonstração de como isso ocorre. A maior parte das pessoas até reconhece que o Estado é a chave que explica nossa condição, mas acredita que tal coisa se dá porque não conseguimos fazê-lo “funcionar direito”, quando na verdade o problema é simplesmente a sua onipresença. É a forma como essa instituição aleija nossa capacidade de produzir, comercializar, inovar, que cria uma massa de pessoas dependentes, que não podem arcar com suas necessidades básicas de educação, saúde, etc. Isso, lógico, confere a eles mais poder.
Ademais, essa obsessão com competição é coisa de neoclássico. Basta dar uma olhada mais cuidadosa que é possível perceber que o funcionamento intrincado e complexo de uma economia livre só é possivel porque existe uma dimensão de cooperação tão importante quanto a de competição.
Muito bom esse tema. O artigo está excelente. As ideias desse texto deveriam ser mais divulgadas para sanar com essa utopia da maravilhosa coisa que foi criação do SUS.
Muito bom o artigo, parabéns…
Erick, creio que os sensatos sabem da existência de problemas como o da causalidade reversa e variavel omitida.
Você quer dizer que os economistas de Chicago realmente acham que o Natal é causado por cartões de natal? Não os julgue tão mal..
\r
“E a realidade econômica é que, sempre que algo passa a ser ofertado gratuitamente, a quantidade demandada desse algo passa a ser infinita.”\r
\r
Praxeologicamente, não alcancei essa afirmação! Me pareceu um pouco neoclássica. \r
\r
Em tese um bem só é gratuito quando sua aquisição não afeta a alocação de recursos para outros fins (inclusive tempo); de fato, não é o caso dos serviços de saúde, especialmente SUS. \r
\r
Ademais, não entendo porque a gratuidade de um bem levaria à infinitude da demanda. O que pode haver no caso não é um caso de demanda infinita, mas de uma “não-economização”, isso é, o agente, quando demandar o bem em tese gratuito, não terá os critérios de escassez e prioridades para nortear suas decisões a respeito da apropriação daquele bem.\r
\r
Excelente artigo! Ótimo para refetir acerca da saúde no Brasil. E sobre o trecho: “E a realidade econômica é que, sempre que algo passa a ser ofertado gratuitamente, a quantidade demandada desse algo passa a ser infinita.”, considero que tal fato se origina do planejamento familiar, especialmente no Brasil, que possui “incentivos” absurdos, tais como Bolsa Família e Cia. , o que poderia explicar a “infinitude” da demanda.Afinal, para uma pessoa mais pobre, receber um ‘incentivo” em dinheiro, além da educação e saúde “gratuitas” pode parecer um ótimo negócio… Corrijam-me se estiver errado, sou descobridor recente do pensamento liberal, rs.
Como eu queria ter lido esse artigo ontem…
Hoje no trabalho ouvi um cara comentando que o melhor plano de saúde que existe é o SUS. Eu sabia que ele estava certo(pela velocidade que o SUS atende aqui na região em relação aos planos privados em alguns casos graves) e errado(porque a culpa dos planos serem ruins não é exatamente dos planos), mas me faltaram palavras, aí só escutei.
Na realidade já ouvi isso de uma enfermeira amiga minha também.
Convido a todos a assistirem esse impecável Globo Repórter falando justamente sobre o caos da saúde pública no país. Há cenas que ilustram perfeitamente tudo o que foi dito nesse artigo, como escassez de equipamentos, filas intermináveis e racionamento de pacientes.
Há cenas fortes. Mas recomendo muito.
http://www.youtube.com/watch?v=xcqVdv34fIk
http://www.youtube.com/watch?v=fROm1PcmZK4
http://www.youtube.com/watch?v=xmsXsu_eufg
Mais um exemplo do bem que é a medicina socializada, no estado mais pobre da “federação”: gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=232509
Eu queria tirar uma dúvida. Se não me engano, você pode deduzir 100% do valor pago por um seguro-saúde particular na declaração de ajuste de imposto de renda. Isso não significa que, na prática, desde que eu tenha dinheiro para bancar as mensalidades e taxas mínimas, eu posso “sair” do sistema universal?\r
\r
(sair, aqui, é um termo relativo, afinal você continua tendo o “direito” de usufruir do serviço do SUS se desejar, e por meio de outros impostos, você continua bancando as despesas do SUS com outros pacientes. O que eu quero dizer é que você passa a ter uma opção)
Com certeza o grande vilão por detrás desse problema é o Estado gigantesco e totalitário.
Contudo, eis uma pergunta que surgiu ao ler este texto: não seria uma saída médicos particulares atendendo a um preço menor?
Não estou falando dos médicos famosos e respeitados. Estou falando de inúmeros médicos que se formam a cada ano, e que não têm "histórico" para concorrer com esses médicos antigos, mas também não querem se render à rede pública ou às seguradoras.
Se vários médicos (por exemplo, todos os recém-formados) fizessem isso, haveria um livre mercado em miniatura. Se tais médicos cobrassem um pouco mais do que recebem na rede pública, eles já estariam no lucro, e muitos que não podem pagar planos de saúde seriam beneficiados e se tornariam clientes fieis. É lógico que não resolveria todos os problemas, pois essas pessoas continuariam pagando os absurdos de impostos. Mas não caracterizaria uma diminuição do problema? Ao menos para aqueles que estão insatisfeitos com a rede pública, não têm condições de pagar um plano decente, mas teriam o suficiente para pagar consultas, exames e cirurgias ocasionais que não fossem muito dispendiosas.
Resumindo: não seria uma solução incluir Economia Austríaca no currículo do curso de Medicina? 🙂
Caro Leandro,
Obrigado pelo vídeo. Excelente notícia!
Um abraço,
Felipe Sabino
http://www.mises.com.br
Como um texto ortograficamente bem redigido(apesar de um pouco longo para os padrões das crônicas atualmente publicadas) e pontuado pela clareza e rítimo de raciocínio inteligente, pode ser de total entendimento até para pessoas, como eu, leigas sobre assuntos de econômia e de saúde social; mas interessada sobre o tema por ser consumidora do produto abordado em questâo. \r
Creio que além dos motivos explicativos da ineficiência dos serviços de saúde (público e particular) relatados no texto, devemos também observar que o político (sempre ele!) tem uma ingerência e peso total nessa questão. Como os Poderes Governantes (Legislativos, Executivos e até mesmo Judiciário) poderiam barganhar vantagens e favorecimentos em benefícios as suas causas e interesses se lhes fossem tirados esse grande trunfo para negociatas amorais que a pasta da Saúde lhes oferecem?\r
Parabéns ao Leandro Roque.\r
Eliana Fonseca
Perdoem-me, chego atrasada na discussao. Mas dificil ler este esta texto e não comentá-lo. Redação clara e argumentação coerente, não obstante,manifesta uma visão elitista nas entrelinhas e conclusão. De fato, o principio da liberdde de escolha “tem funcionado para quem dispoem de condiçoes de escolher e comprar alimentos, roupas, carros, computadores, celulares, iPads, iPods, iPhones, passagens aéreas, apartamentos e tudo o mais”. Mas, SOMENTE para parcela da populaçao tem esta liberdade/oportunidade de escolha. E antes que meu argumento seja também rotulado como sentimentalista, ressalto que a desigualdade de condiçoes de vida é também um fato economico universal, inclusive, nas sociedades que se dizem “socialistas”. Se é certo que um Estado protetor dos direitos essenciais não irá jamais extinguir o fenomeno da desigualdade social, somente ele pode minizá-lo.Por fim, recomendo que o autor leia um pouco mais sobre o tema da Insegurança Alimentar e Nutricional, e veja como o livre mercado no setor alimenticio não foi capaz de assegurar o direito essencial de comer para milhoes de indivíduos no mundo. Ter supermecados abertos a qualquer hora, é fascinante, assim como confortável, mas para quem pode entrar e comprar,e este é um privilégio econômico de poucos.
Caro,
distante de meus argumentos a percepção do “estado como a instituição única salvadora e benfeitora do povo.” Mas antes um “mal necessário”, uma vez que a homem resolveu viver em sociedade. Cabe ao Estado prover e regular nao somente serviços relativos a seguridade social, como também transporte, segurança,etc. Se no cumprimento deste exercício comete abusos ou desvios, dentre outras causas, possivelmente esteja o fato de que as demais instituiçoes sociais e os individuos que a constituem,não raras vezes, eximem-se do dever de se interagir, monitorar e cobrar a aplicaçao de recursos publicos em politicas públicas voltadas para os interesses coletivos e nao particulares e/ou corporativos. Me reportando a realidade como sugere, questiono: é mesmo possível uma sociedade sem estado? Não é melhor admitirmos a necessidade de um estado com cidadãos efetivos?
Abraços!
Eu gosto muito dos artigos do Leandro Roque, mas este sinceramente….mas parece propaganda barata
medico ganhando mal? eu acho que você não deve conhecer nenhum medico, todos eles são ricos
É a primeira vez em toda a minha vida que sou acusado de fazer “propaganda barata” em prol do estado. (O curioso é que absolutamente todo o artigo é um libelo antiestado). Estou totalmente sem chão. Não sei se encaro este comentário como prova de meu total equilíbrio, minha total isenção e meu total bom senso crítico ou se como evidência de que já cheguei a um prematuro e lamentável fim de carreira.
e se, em um livre mercado, apesar de tudo, umas pessoa precisar de uma cirurgia para sobreviver, a qual o custo é maior do que ela pode conseguir em muito tempo trabalhando? como a sociedade se organizaria para não deixa-la morrer? ou simplesmente deixaria?
João, a sociedade se organizaria. As pessoas são incrivelmente caridosas:
exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/jovem-arrecada-na-web-dinheiro-para-cirurgia
Hoje há diversas organizações de caridade, apesar de o estado já ter tomado para ele todas as atividades clássicas da filantropia(moradia, saúde, educação etc). Essas poderiam ser ainda maiores, caso o estado se retirasse dessas áreas e cortasse o equivalente em impostos, pois mais pessoas se sentiriam com vontade a ajudar e teriam mais dinheiro para isso.
Acho um exemplo fantástico a história da Santas Casas de Misericórdia, na época do Brasil colônia, onde o país era paupérrimo, já atendia a mulheres e crianças em diversas unidades. Vale uma pesquisa pela internet.
Realmente um estado social é uma aberração,pois depender de uma burocrata para resolver nossos problemas é uma porcaria.Mas maior aberração é ver que a sociedade não pode resolver-se a sí própria. Ou pior achar que um plutocrata que nada mais é que um burocrata com sinal trocado tb vai nos ajudar. Aconselho o dono destas ideias procurar um conselho local de sáude(entidades publicas não estatais não vinculadas ao governo) de seu bairro ou munícipio para colocar a suas ideias, pois realmente precisamos de participação popular de todos,e quem sabe com ele podemos construir um bom debate e ajudar a melhorar a situação da saúde no Brasil. Ou mesmo procurar um canadense para ver se ele trocaria seu sistema pelo Americano que mais se aproxima das ideias do texto. O canada tem um sistema de saúde publico não estatal,Se é que vc pode conceber isso? um serviço publico não estatal aonde as entidades/médicos são autonomas(não servidores publico), e ver como se faz o repasse de verbas para os médicos? Tb Comparar quanto se gasta com saúde no estados unidos e no canada ou ainda melhor veja os indicadores de saude dos 2 paises. Ou melhor saber que no estados unidos a 4 causa de morte é iatrogênia. Não concordo como esta o SUS no Brasil que erroneamente seguiu um modelo Cubano. E vejo com clareza que mtas da ideias liberais são boas e trazem efetividade para o sistema,mas desconfio que um sistema liberal puro seja o caos como é no estados unidos. E entender que saúde não é apenas um problema biológico, é um problema social e psicológico.
É visível a demanda infinita. Pode ser observada no seu dia a dia.
Nas filas do sistema público uma boa parte (senão a maioria) está lá por qualquer dor de barriga, afinal pode render um atestado para faltar ao trabalho é grátis e você ainda terá um minuto de atenção do “Dotô”. apenas constatando quem já não ouviu dizer: – Pobre adora ir ao médico?
No sistema de seguros privados acontece algo similar. Pessoas marcam consulta e exigem exames clínicos por qualquer dor no dedão. Já presenciei isso com conhecidos e quando questionados a resposta é:-Eu pago eu tenho esse direito. Não se dão conta de que essa atitude é mais uma que encarece os planos. Mais ainda, é provado que mais de 30% dos resultados de exames clínicos não são retirados nos laboratórios.
Funcionários públicos em geral, médicos entre eles, reclamam da má remuneração, mas quando instados a pedir demissão e encarar o mercado quantos fazem isso? Resposta:Nenhum. O Estado não exige eficiência nem comprometimento nem esforço continuado de produtividade e consequentemente maiores ganhos. No fim do mês está lá garantido “for life” seja você bom ou mau profissional.
Esse artigo é tão fantástico que deveria ter um igual sobre a educação brasileira.
Notícia de hoje:\r
\r
Marcação de consultas no Into causa longa fila no entorno da unidade \r
g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/12/marcacao-de-consultas-no-causa-longa-fila-no-entorno-da-unidade.html
E que tal isso como exemplo de demanda infinita?
veja.abril.com.br/noticia/saude/hospital-federal-tem-fila-quilometrica-para-marcar-consulta
Mas como é que o pobre teria acesso à saúde? Planos de saude cobram caro. Nem todo o mundo tem dinheiro pra isso. E as pessoas doentes e velhinhos pobres, que não tem dinheiro pra pagar um plano, como seria? Que morram? Não estamos falando de coisa supérflua, estamos falando de saúde, que é algo que nao envolve dinheiro. É questão de vida. Quer dizer o lucro acima da vida humana?
Leandro, desde as décadas de 20/30 até décadas de 60/70 (não sei as datas ao certo) empresas como a Nestlé faziam um marketing agressivo em cima de seus produtos lácteos (Ninho, NAN, etc), então destinados primariamente aos recém nascidos, como substitutos do leite materno.
Nos primórdios (década de 20) a propaganda era justamente de que a mulher não precisaria amamentar, era só dar o leite Nestlé.
Durante o mesmo período e com o aperfeiçoamento da Medicina Baseada em Evidências, ficou provado por A+B em sem números de pesquisas e trabalhos que o aleitamento materno era (e é) superior e benéfico em todo e qualquer aspecto a qualquer leite artificial, fórmula láctea ou leite animal (segundo meu professor, leite de vaca é muito bom, pro bezerro).
Depois disso foram criadas em vários países uma série de restrições à propaganda desses produtos, justamente para não influenciar as mães a deixarem de amamentar seus filhos (com todas as suas vantagens, além de gratuito) para dar esse leite artificial.
Ainda hoje encontramos esse obstáculo ao orientar as mães, ansiosas por iniciar um NAN1 pro seu bebê por achar o seu leite é “fraco” ou em pouca quantidade, segundo conselho das próprias avós dessas crianças, que cresceram tomando esses leites.
Como isso ocorreria num livre mercado? A empresa continuaria livre para fazer a propaganda que quisesse para vender o seu produto, e as mães seriam de certa forma “enganadas” quanto às qualidades do leite (o fabricante pode dizer o que quiser dele) e deixariam de amamentar, o que é sabido ser muitas vezes superior para a criança do que o produto oferecido pelo mercado.
O mercado anunciaria como verdade (como já fez) que seu produto é um legítimo substituto do leite materno quando na verdade não é, enganando as mães. Eles sabem disso e faziam questão (antes das regulamentações) que as mães não soubessem.
“Quem realmente quer serviços médicos de qualidade para os pobres (e quem não quer?) tem de defender um livre mercado nos serviços de saúde. Não há outra opção.”
Moro na Alemanha e considero o sistema de saude mais socialista do que capitalista/de livre mercado. A questao é que aqui a saude(sistema) funciona.
Embora nem todos contribuam mensalmente com o mesmo valor financeiro, todos tem acesso aos mesmos servicos e de mesma qualidade.
Leandro, calma…
Sou simpatizante dos libertários.
Meu comentário sobre o leite foi pra dar um exemplo de que ás vezes num mercado desregulado, empresas irão até as últimas consequências para obter mais lucros, seja através de propaganda agressiva ou de mentiras mesmo, enganando o consumidor sobre as reais qualidades de seu produto ou mesmo prejudicando-o.
Eu entendo o ponto onde as pessoas deveriam ser melhor informadas, mas uma empresa agressiva e ambiciosa pode causar muito estrago até ser “desmascarada”, principalmente se seu produto for novidade.
Fiz o comentário aqui pois, como estudante de medicina, é difícil para mim ver num livre mercado uma saúde pública (no sentido de coletiva, não estatal) funcionante, pois tudo fica bem individual.
O que poderiam fazer os médicos pelos seus pacientes caso os vissem se usando um produto conhecidamente maléfico, porém sem que a maioria o saiba (e seu fabricante prefere que seja assim)?
1.200 pessoas morreram de fome nos hospitais estatais do Reino Unido (o National Health Service – NHS) porque as "enfermeiras estavam ocupadas demais para alimentá-las".
http://www.dailymail.co.uk/news/article-2287332/Nearly-1-200-people-starved-death-NHS-hospitals-nurses-busy-feed-patients.html
Me perdoe a ignorância mais em relação a esta parte do texto > Como os recursos para a saúde não são infinitos, mas a demanda é (pois a oferta é “gratuita”). Sou pobre e não sou defensor dos mesmos, mas não seria a demanda alta porque o povo realmente está doente?, isso é o mesmo que dizer que eu vou ao médico não porque estou doente, mais porque é de graça. Quanto privatizar o serviço de saúde: os pobres poderiam pagar pelos exames e cirurgias?, ou entra aquela de oferta e procura?. se a procura fosse alta os empresários donos dos planos de saúde reduziriam o preço para atrair mais clientes doentes?, e se todos tipo em um esquema resolvessem manter um valor auto que poucos poderiam pagar para ter lucros maiores ainda?, ou seja não adiantaria nada eu procurar outro plano, pois todos teriam o mesmo preço caro.
Não basta obrigar as pessoas a passarem anos numa faculdade para obter um diploma que lhes permita trabalhar. O governo vai obrigar também as pessoas a trabalharem pra ele, senão nada de diploma…
oglobo.globo.com/pais/estudantes-de-medicina-terao-que-trabalhar-2-anos-no-sus-para-obter-diploma-8960019
Não se trata de se ser a favor ou não de que os pobres sejam beneficiados, mas sim de qual é a melhor forma de fazê-lo.
* * *
Ótimo artigo!
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Não sei se isso é possível, mas como fazer as pessoas saírem de dentro da Matrix que nasceram? E mostrar a elas, que para uma melhor condição de vida, elas têm que parar de recorrer ao Estado!
ATT
Jefferson
Eu tenho um adendo a fazer, que apesar de parecer “bobo”, explica exceções a esta triste regra:
– A demanda pela saúde “gratuita” nunca é, de fato, infinita. Isto se deve, simplesmente, ao fato de que qualquer população É finita. Ela “tende ao infinito”, melhor dizendo; mas mesmo nessa afirmação há falhas. Ela se sustenta na lógica de que, conforme melhora a qualidade no serviço de saúde pública, na possibilidade remota de que melhore, a demanda melhora proporcionalmente, anulando assim o progresso real teorizado. Porém, como eu ressaltei, a população é finita, então existe sim um limite para essa demanda (até porque a população, finita, não está sempre doente, mas está sempre pagando imposto), e ele é atingido quando todos os esforços do governo e da sociedade estão focados nesta melhora, gastando a maior parte do seu recurso nisso; algo mais difícil de se acontecer (e ainda assim, imoral) do que “ir ao estádio num jogo de futebol e uma pomba branca pousar no seu ombro” (Quebec, atualmente).
É claro que isso exige um esforço coletivo, uma mobilização sem precedentes, qual pouquíssimas das sociedades humanas estão, ou estarão, capacitadas a atender. Sendo assim, o conteúdo desse artigo, e a lógica libertária, permanece a mais válida.
Leandro, entrei em contato com as ideias liberais há pouco tempo, pois sempre “desconfiei” da plausibilidade e do que realmente seria um sistema coletivista. Em primeiro lugar, gostaria de agredecer e parabenizar o IMB pelo trabalho. Em contrapartida, fico receoso, como estudante de medicina, á argumentação apresentada. Claro, a lei da escassez e a incompetência estatal de alocar recursos com eficiência são notórias, mas, e no caso de pacientes com patologia genéticas, necessidade de neurocirurgia, cirurgia cardiovascular, tratamento para câncer, doenças auto imunes e etc? O tratamento seria muito caro, nenhum plano de saude ou seguradora privada iria arcar com os prejuízos, ou mesmo aceitaria contratuar pacientes em tal condições. Nesse arranjo, ocorreria a sobrevivencia e a sobrevida em inumeras doenças apenas para uma pequena parcela da populaçao(aqui nem classe média entra) capaz de arcar com custos elevadíssimos. Não consigo imaginar que a simples filantropia iria conseguir pagar o tratamento dessas pessoas.. Serviços de saúde são muito caros. Gostaria muito de um esclarecimento nesses pontos que eu levantei, pois considero o SUS uma calamidade, mas muitas vezes me vejo refreado por essa outra linha de pensamento. Abraços
Primeiro, Leandro, parabéns pelo artigo, extremamente conciso.
Como médico que trabalha em ambos planos público e privado, tenho de concordar plenamente com seu ponto de vista.
A saúde é EXTREMAMENTE cara. Quem não tem nenhuma noção, o custo real de um dia de UTI é de ao redor de 10.000. No SUS, onde a demanda é infinita, não adianta. Se você abre uma UTI com 100 leitos, em uma semana está lotada, não de jovens acidentados de trânsito economicamente ativos que podem se recuperar de uma estadia na UTI, mas de idosos com demência avançada ou com doenças terminais cuja família, pelo custo zero, opta por não se responsabilizar e atira o cuidado do familiar nas costas dos médicos e do sistema.
Ah, e a culpa. Sempre dos médicos. Da falta de um leito para o paciente internar, é do médico. Afinal, somos nós os médicos os gestores da saúde e que decidem quem deve internar ou não. SQN —>>> existem em todo o país no SUS as famigeradas CENTRAIS DE LEITOS, em que você passa o caso do seu doente crítico (que na realidade muitas vezes não poderia ficar esperando esses passos burocráticos) e a central magicamente procura um leito para ele. Novamente, demanda infinita – NUNCA haverão leitos suficientes.
O que o povo precisa entender é que o SUS não funciona. E jamais funcionará. Ofertar tudo a todos é inviável. O sistema será sempre subfinanciado.
A saúde é MUITO cara. E quem ganha menos nessa história toda é o medico.
PS – só pra exemplificar: estudei 10 anos pra ser endoscopista (6 de faculdade + 4 de residência). E estudei de verdade, não foi ir em aulinha de noite e assinar presença, foi ser residente por 4 anos trabalhando 80 horas/semana em um hospital escola. Tenho a vergonha de dizer que recebo R$ 38,00 por uma endoscopia. A moça que me corta o cabelo ganha mais do que eu ganho. E o pior de tudo, é que no convênio, onde uso a minha aparelhagem (que custou ao redor de R$100.000,00), eu ganho mais ou menos R$ 100,00 por exame. Isso sem descontar os 27,5% de imposto. E depois o povo do SUS e convênios vem se queixar que demora quase um ano pra agendar um exame…
Sistema de saúde brasileiro fica em último lugar em ranking mundial
"48 países foram classificados em critérios de expectativa de vida e custo per capita dos tratamentos de saúde. Diante disto, o Brasil ficou na última posição da lista atrás de países como Romênia, Peru e República Dominicana.
Hong Kong, Cingapura, Japão e Israel são respectivamente os quatro primeiros colocados.
Apesar da crise financeira europeia, a Espanha e a Itália vêm em seguida na quinta e na sexta colocação."
noticias.r7.com/saude/sistema-de-saude-brasileiro-fica-em-ultimo-lugar-em-ranking-mundialnbsp-31082013
Curiosamente, nem França e nem os escandinavos, os queridinhos da esquerda, estão no topo. Tomam pau de Espanha e Itália. Hong Kong e Cingapura lideram.
Excelente texto. Porém gostaria de deixar um destaque aqui:
Médicos no sistema público são mal pagos em sua grande maioria, mas nem todos, e pior, são comuns injustiças em função da ineficiência do sistema! Porém o que a maioria, inclusive o autor deste texto, se esquecem, é que a saúde não é feita apenas de médicos, mas já na base, de farmacêuticos, enfermeiros, além de outras diversas especialidades distintas da saúde, pois não saberia enunciá-las todas.
Cabe ressaltar agora que um dos pontos que não fazem a qualidade da saúde no Brasil melhorar é justamente a caótica remuneração de todos estes profissionais, seja na saúde pública ou na privada. Isso mesmo, na privada chega a ser pior que na pública.
Profissional mal remunerado não tem motivação para buscar aperfeiçoamento técnico e científico, consequentemente o trabalho prestado tende a não evoluir e o sistema a ficar enroscado na “idade da pedra”.
Um farmacêutico com duas pós-graduações, qualificado em uma área específica, oncologia por exemplo (conheço um profissional inclusive), tem de dar duro a reclamar por um salário maior que o de um residente, pois o residente ganha bolsa do governo, mais alta que o piso da categoria, e na maior parte dos casos acaba sendo descartado pela instituição ao brigar por uma remuneração mais justa.
Agora me diga, sem desmerecer o potencial do residente, qual dos dois terá mais condições de atuar numa especialidade como oncologia, sendo que a maioria das graduações de farmácia sequer incluem conhecimentos básicos de oncologia? Pois é, as instituições preferem manter um residente ou um profissional recém-formado nessas áreas, mesmo que despreparados, a ter de atribuir uma remuneração justa a quem tem capacidade para dar qualidade à saúde.
Por essas e outras que é muito difícil você encontrar profissionais de outras áreas além da medicina se especializando, qual o retorno futuro? Médicos ainda possuem alguma perspectiva de melhorar a condição de trabalho quando especialistas, mas pelo comentário do Jonathan parece que mesmo assim anda difícil.
Leandro, sou médico e li seu artigo. Parabéns. É exatamente o que eu penso, mas nunca teria sua eloquencia, coerencia e lucidez para fazer um texto tão bom.
Continue. A batalha é dura, ardua, mas quem sabe não consigamos algum dia uma melhora intelectual nesse país…
Abs
Concordo com o texto. Está mais do que provado que o SUS não presta e o pior que ainda existem economistas marxistas/keynesianos que dizem que o SUS é viável e que pode oferecer algo de qualidade. Hoje eu vejo que o SuS está morto e completamente inútil a sociedade.
Um amigo médico MPH em Public Health pela harvard medical school afirmou que não é possível aplicar as leis básicas de mercado na saúde, pois a saúde não é um mercado perfeito. Concordo com ele. Não há como aplicar as leis de livre escolha, com “perfect information” quando se fala em tratamentos de saúde.
Também sou médico e atuo no serviço público e privado, já fui secretário municipal de saúde, professor de saúde pública, e atualmente tento ser empresário neste país, atuando exclusivamente na iniciativa privada…
Ao meu ver a explicação da realidade do SUS se faz com uma conta simples: aqui gastamos uns 400 dolares per capita ano com saúde pública, enquanto que na Europa em média são gastos 3 mil (e mesmo assim tem vários sistemas com problemas).
Para termos um sistema público que aplicasse 3mil dólares per capita ano, teríamos que investir 1,44 trilhões de reais/ano em saúde… isto não é factível no sistema público nem no privado neste país.
Então senhores, diante de um PIB em 2013 de 4,8 trilhões, uma saúde “quase ideal” corresponderia sozinha a um gasto 30% do PIB. Imaginemos que não exista sistema público, a nossa nação investiria 30% de toda sua riqueza somente em saúde, mesmo que privada? Inviável, hoje com uma carga tributária batendo em 40% do PIB, o país já não têm de onde mais tirar dinheiro….
Se considerarmos o orçamento federal previsto para 2014 de 2,40 trilhões, a saúde sozinha consumiria quase 60% dele….(sabemos que não é só o governo federal que financia a saúde pública)
Bom ainda nem discuti a gestão deste sistema, interferência política, a alta complexidade que por lei não é contemplada nos de planos de saúde, etc, é uma discussão tão complexa estou planejando escrever um livro com estes temas. Ao meu ver no atual contexto do país o SUS inicialmente deveria deixar de ser gratuito, ou ser gratuito apenas para a parcela mais pobre da população. Aproveito para lembrar a todos neste tocante que várias ações prestadas hoje em dia pelo SUS nas áreas de vigilância sanitária não são gratuitas.
Só para terminar este enorme post lembro a todos que ter saúde não é ter acesso a serviços de saúde, mas sim é não precisar “consumir” estes serviços, portanto demanda infinita por serviços de saúde só por serem gratuitos, só existiria numa população hipoteticamente “infinitamente doente”.
Comentei já este texto acima, há algum tempo.
Tenho de confessar que o AnCap me fascina, e todo o conceito de liberdade.
Como professor de medicina e preceptor de residência médica, venho tentando esclarecer todos meus alunos e residentes da ineficiência do estado e da falência inevitável e irreversível do SUS, e inclusive venho-os encorajando a quando formados de saírem do país, porque aqui no RS temos um ensino médico de alta qualidade, nossos melhores alunos acabam nas grandes universidades do Brasil e mundo afora ensinando e pesquisando medicina (e muito bem).
Venho tentando inclusive ensinar os conceitos de liberdade e falência do estado a meus pacientes, tanto privados quanto do SUS, e incitando a revolta com o ineficiente Estado, e tentando esclarecê-los das atitudes deletérias de nossos governantes.
Acho incrível o conceito de liberdade e a erudição deste site, e realmente acredito ser verdadeiro esse conceito, e vocês de boa índole (ao contrário de nossos políticos psicopatas). Sinto-me diariamente explorado por essa corja.
Concordo também com outros comentários da ausência de incentivo à formação. apesar de ter mestrado e residência em um ótimo serviço, atender bem os pacientes, ser realmente comprometido no melhor cuidado, estudar sempre, o socialismo dos convênios e do estado não incentiva isto, o faço somente por desejo pessoal, e vejo que todos os colegas que se afastam do mundo acadêmico emburrecendo, sem capacidade de auto-reciclagem, e se transformando nesses médicos preguiçosos dos quais o texto fala. Sou extremamente exigente no cuidado do paciente, e tento sempre transmitir essa exigência aos meus residentes e alunos.
Apesar de tudo, tenho esperança de que a verdade prevalecerá e o mundo será mais livre. Mas somente para ajudar, esse partido único e totalitarista bem que poderia perder essa eleição. Me faria resistir com mais intensidade aos convites de abandonar minha carreira que contruí aqui e ser um dos pesquisadores brasileiros em universidades renomadas…
Olá, sou ignorante sobre econômia, mas me interessei em alguns artigos deste blog. Gostaria de fazer uma pergunta e expor minha opinião: Precisa mesmo se assumir que a demanda num sistema de saúde socializado é infinita? Afinal, um cidadão saudável não vai ao médico a troco de nada, ele vai por que está doente. Um povo saudável iria reduzir suas demandas até chegar ao nível básico que poderia ser financiado por todos, incluindo iniciativas de medicina preventiva. Eu sei que o sistema de saúde socializado está falido aqui no Brasil, mas em outros países o resultado é razoável, vi alguns casos no documentário Sicko – S.O.S saúde, do Michael Moore. Por outro lado, o livre mercado praticado no sistema americano criou uma indústria cruel de planos de saúde. Você condena igualmente outros serviços socializados como a polícia e os bombeiros? Não acredito nem em direita, nem em esquerda, nem em socialismo nem em capitalismo, acho que o mal dos homens é o próprio homem, mas gostaria apenas de trocar esta opinião. Obrigado!
Ok, vou ler os links. valeu!
Bom, nao sei se alguem vai ler meu comentario, mas achei muito interessante o artigo e fiquei pensando algumas coisas que gostaria de saber se fazem sentido. Pelo o exposto no artigo poderiamos dizer que o principal contratante dos planos de saude, no nosso modelo, eh o Estado e nao o ususario, o contrato do usuario eh sempre “secundario”. Isso explica, em parte, os precos altos e a baixa qualidade dos servicos prestados, pois os planos tem que prestar contas principalmente para o estado (seguindo a regulamentacao) e nao para o usuario, logo, nao importa tanto se o usuario esta satisfeito ou nao. E para “satisfazer” o estado, basta ser melhor que um sistema muito ruim, que eh o SUS, ou seja, nao precisa muito.
Esta certo este raciocinio?
Sou liberal e concordo com as teorias da Escola Austríaca, em minha opinião o artigo ficou muito claro e didátito. Contudo, discordo do autor em relação ao salário dos médicos no Brasil. O estado não somente controla a saúde da população, mas também a educação superior. Devido a essas grandes regulamentações, a entrada de novos ofertantes de cursos de medicina é bastante afetada e reduzido, aumentando assim o preço dos poucos cursos existentes. Com menos cursos disponíveis temos mensalidades mais caras nas universidades, consequentemente menos alunos, e por fim menos médicos disponíveis no mercado. Ano após ano a demanda por serviços médicos aumenta mais do que a oferta, fazendo com que a competitividade entre os médicos diminua, aumentando o preço por consultas, cirurgias, etc (isso no setor privado). No setor público, para impedir que os melhores médicos deixem o SUS, o Estado precisa manter seus salários não muito distantes dos que se fossem prestar serviços de forma autônoma ou trabalhar via planos de saúde. Moro em uma cidade de 100 mil no estado de SC, e um médico do hospital público recebe R$800 reais por 12 horas de plantão (em algumas cidades menores o valor é até maior). Fora isso, concordo totalmente com o restante do artigo. Grande abraço!
Desculpe a ignorância, mas nós temos diversos planos de saúde concorrendo. Como a desregulamentaçãp iria aumentar a concorrência ai?
O artigo é interessante…Mas o que me deixa intrigado é o lance do mercado livre.
Realmente acreditam que os empresários não vão querer grana do governo se o negócio deles der errado?
pt.wikipedia.org/wiki/Programa_de_Est%C3%ADmulo_%C3%A0_Reestrutura%C3%A7%C3%A3o_e_ao_Fortalecimento_do_Sistema_Financeiro_Nacional
www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1805200321.htm
Com o tempo teríamos que ter o seguro plano de saúde.
As pessoas não atendidas iriam ficar doentes…e os planos de saúde iriam pegar mais grana do Governo.
Ah. A Andressa Urah teve problemas de saúde. O plano de saúde dela não quis cuidar a partir de um certo ponto.
Todo o resto do tratamento foi realizado no SUS. O SUS salvou a vida dela:
cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-SUS-e-a-desigualdade-no-Brasil/4/32568
É claro que o SUS não é a oitava maravilha do mundo. Mas é um acesso ético à saúde.
As pessoas não são empresas. As empresas visam o lucro máximo.
Um dos melhores artigos do website. Parabéns.
Eu tenho uma dúvida. Suponhamos que fosse aplicado este modelo de saúde, como o miserável vai ter acesso à saúde? (o governo vai financiar esse individuo ou vai contar com a caridade de terceiros). Porque independente de você ter livre mercado e preços competitivos, ainda assim, em se tratando de Brasil, vai existir uma parcela significativa da população sendo excluída do sistema.
Eu tenho outras dúvidas. Existe algum país que tenha um modelo de saúde bem-sucedido que se aproxime desse de livre mercado?
E existe algum material com enfoque sobre esse tema que eu possa ler? (ex: livros, artigos estrangeiros, etc).
PS: Obrigado por me responderem antes. Eu vou fazer um trabalho de economia da saúde sobre o tema, e provavelmente eu vou ter que rebater críticas sobre esse enfoque.
Leandro, dizem que a taxa de imposto sobre o salario é de 40 até 60%. Digamos ser 40%. Ou seja, se o cara deve receber x, é descontado dele 40% e ele recebe 780 (supondo salario minimo pra todos), o que significa que x é igual a 1300 $. Logo o Estado pega dele 520 $ de imposto, que vai pra educaçao, saude… Pensemos nos +- 120 milhoes de brasileiros dos quais pagam imposto.
Sem contar que com parte desse dinheiro o Estado vai investir na economia e com isso vai ter mais dinheiro. Igual a multiplicao de dinheiros em bancos.
Isso mostra que o Estado é claramente muito incompetente, pois com tantos recursos nao consegue/quer fazer nada de sua competencia.
Esta correto o raciocinio?
Engraçado: a defesa do Estado mínimo é feita até que se precise/recorra de/a subsídios estatais ou desde que seja “mínimo” para os outros e “provedor” para mim. Empresários do agronegócio, mesmo com muito dinheiro em caixa, não deixam de recorrer às linhas de crédito com juros subsidiados disponibilizadas pelo governo federal anualmente (Plano Safra); construtoras não deixam de recorrer a recursos do BNDES para viabilizar seus empreendimentos e por aí afora…
O Estado tem, sim, que ser regulador, protetor e provedor. O que precisa melhorar são os governos, as gestões. Questionar a legitimidade de um Estado democrático de direito e começar com o discurso neoliberal de que políticas sociais são o grande entrave ao desenvolvimento econômico de um país é, na minha opinião, discurso de quem ou é bem nascido e sempre teve estrutura para se desenvolver ou é alienado a ponto de não se reconhecer como povo e defender o discurso da burguesia. É o que EU penso.
Saúde do DF descobre próteses hospitalares esquecidas em estoque
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal encontrou próteses, pinos, parafusos e marcapassos hospitalares armazenados em hospitais da rede pública. O material é suficiente para 50 anos de abastecimento, mas está perto do fim do prazo de validade.
O dinheiro gasto com os produtos daria para comprar pelo menos 67 remédios que estão em falta, segundo levantamento da pasta.
g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2015/05/saude-do-df-descobre-proteses-hospitalares-esquecidas-em-estoque.html
Estou aqui num hospital atendido pelo SUS, tive sorte em arrumar um colchão p dormir no chão, hospital velho caindo aos pedaços. Simplesmente lamentável.
Olha, a meta estipulada pelo governo para que SUS não funcione é destinar verbas para desvios de verbas, mais ou menos em 70%.
Aí, quando se atinge essa meta, eles dobram os problemas que é pra poder dobrar a meta.
E ainda há aquele superfaturamento nas licitações em negociação básica entre governo e empresas para aquisição de materiais… É negócio da China!!
Concordo com os argumentos, principalmente por respeitar a Ciência Econômica. Só faço uma ressalva, pela percepção, talvez equivocada, de um discurso do tipo “liberar geral”. Nas entrelinhas talvez esteja alguma modulação do radicalismo intrínseco ao liberalismo. Gostaria de compreender melhor a defesa (radical) do livre mercado postulada pelo Mises. Me parece que confiar apenas no altruísmo humano não seja suficiente. Contudo, sou muito simpático a um sistema se saúde mais livre das garras contaminadas do governo.
Esse artigo ilustrado na prática:
Professora morre após passar por quatro hospitais públicos em um dia
g1.globo.com/rj/norte-fluminense/noticia/2016/05/professora-morre-apos-passar-por-quatro-hospitais-publicos-em-um-dia.html
Um artigo de 2011 que ilustra os dias atuais.
Muito bom.
Tem um ponto crítico na questão da concorrência em sistemas de saúde: Hospitais são equipamentos complexos. Como ficaria o atendimento às populações de regiões remotas, onde o estabelecimento de ofertas múltiplas concorrenciais esbarra no quesito viabilidade? A tendência não seria de escassez de opções de escolha, por parte dos demandantes de serviços médicos? Isso não favoreceria o monopólio dos serviços nessas regiões?
Alguém poderia me mandar algum link com essas regulamentações governamentais que encarecem o sistema de saúde privado?
Para aqueles que defendem estado cuidando da saúde, expliquem essa:
No setor da saúde, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) decretou estado de emergência há onze meses, como forma de acelerar repasses do governo federal. Hospitais de urgência e emergência convivem desde então com a falta de itens como gaze, prótese e esparadrapo. O atraso nos repasses para fornecedores levou à redução no efetivo de profissionais de limpeza e na alimentação destinada a pacientes internados.
Os casos mais graves foram verificados no Albert Schweitzer, em Realengo, na zona oeste no Rio, o Getúlio Vargas, na Penha, na zona norte, e no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, justamente as unidades de referência em suas regiões.
No Rocha Faria, em Campo Grande, na zona oeste, até acúmulo de sacos de lixo nos corredores se viu. Familiares de pacientes se mobilizaram para fazer faxina.
Geridas por organizações sociais (privadas, que recebem dinheiro público), as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) também foram sacrificadas, e chegaram a recusar pacientes. Com salários atrasados, parte dos funcionários vem limitando o horário de trabalho. Ontem, a cuidadora de idosos Maria do Socorro Araújo, de 43 anos, reclamava de dor em frente à UPA de Botafogo, na zona sul.
"Cheguei com muita dor pélvica, a médica me olhou e me deu uma receita para comprar remédio na farmácia. A UPA tinha de fornecer. Não tenho plano de saúde nem dinheiro sobrando. Moro na Baixada Fluminense e lá ainda está muito pior", afirmou.
Sua prima, a diarista Ineide Araújo, de 42 anos, chamou a situação de "filme de terror". "Vimos uma moça com hemorragia saindo daqui aos prantos, se esvaindo em sangue. É uma situação revoltante, e o pior é que eu acho que é só o começo", disse.
economia.estadao.com.br/noticias/geral,para-moradora-rio-virou-um-filme-de-terror,10000087201
Todos conhecemos o ‘PROUNI’ na educação superior,…
Parece que vem funcionando razoavelmente apesar de necessitar de alguns ajustes,…
Fico imaginando se um sistema semelhante fosse criado para o ensino fundamental e médio,…
E até mesmo para a saúde,…
Pode ser uma opção ou não,…
Há que se avaliar possibilidades,…
Saudações.
Li um artigo aqui a um tempo atrás de como o governo, ao competir com o setor privado, obrigava este a ter que se concentrar em um mercado mais elitista. Se alguém lembra, me envia o link por gentileza.
Mas a que vocês atribuem o fato de as melhores posições no rankings de sistema de saúde serem dr saúde pública?
“Outra consequência inevitável do processo de controle de custos aparece nos salários e nas compensações que o governo paga aos médicos do SUS, algo que é refletido diretamente na qualidade dos serviços prestados. Afinal, profissionais mal remunerados simplesmente não têm incentivos para trabalhar corretamente.”
Mas então se aumentasse por decreto o salário deles a qualidade aumentaria?
Puxa, quem poderia imaginar isso?
Serviço de saúde britânico sofre crise humanitária, diz Cruz Vermelha
Excelente artigo!
No entanto os serviços de saúde tem uma característica que torna mais complicada a equação: a imprevisibilidade dos custos com saúde que uma pessoa terá ao longo da sua vida.
Uma pessoa pode viver perfeitamente saudável até os 50 ou 60 anos de idade.
Nestas condições, a imensa maioria das pessoas achará que não vale à pena pagar um seguro-saúde de qualidade, com ampla cobertura em caso de doença; no máximo terá algumas economias para o caso de adoecer.
Mas, de repente, esta pessoa pode ficar gravemente enferma, e o custo do tratamento pode facilmente superar as economias que ela fez e, em alguns casos, pode até superar tudo o que ela acumulou ao longo da sua vida.
É claro que ela então vai se arrepender, e desejar ter feito um seguro-saúde melhor, mas então já será demasiado tarde.
Neste caso a sociedade terá que assumir o custo do tratamento (invalidando todo o modelo) ou terá que aceitar que esta pessoa deve morrer devido a ter tomado más decisões quanto ao financiamento de sua saúde.
Será que estamos preparados para assumir este ônus? Ou os parentes das pessoas enfermas se encarregarão de derrubar o governo que implantou estas medidas?
Minha Tia contribuiu a sua vida toda para o Estado e morreu em um corredor de hospital público sem atendimento médico. Morreu acreditando em um direito social que seria garantido pelo Estado. Meu pai quase segue o mesmo destino em uma maca no corredor e se não o levássemos para o Hospital privado teríamos o perdido. Como uma organização política limitada como o Estado, com recursos limitados, pode tomar para si uma responsabilidade de ofertar a uma demanda ilimitada da população. Isso não tem lógica é praticamente decretar a morte de pessoas sem atendimento. É como você querer sozinho puxar um ônibus cheio de pessoas que está caindo em uma ladeira.
Eu fiquei em dúvida com uma questão. A PEC de teto de gastos diz que 15% do orçamento primário seria destinado a saúde, mas nesse link abaixo diz que o Brasil investe apenas 6% de seu orçamento:
saude.estadao.com.br/noticias/geral,orcamento-para-saude-no-brasil-fica-abaixo-da-media-mundial,70001788024
Como a maioria da população não tem condições de pagar um plano de saúde uma solução momentânea é o indivíduo pagar um plano que cobre internação, consultas e exames e o Estado pagar por cirurgia e tratamento!
Olá, sou bastante leigo no assunto mas algumas situações me criaram duvidas …
no texto é relatado que se um medico atender o paciente sem o SUS e toda a burocracia ele poderia ”obviamente ganhar mais”, eu não consigo enxergar isso, o que vocês pensam como uma consulta barata pensando na real situação do Brasil ? Eu imagino uma consulta barata por 20 reais, quantas pessoas um medico deverá atender pra obter um salário equivalente ao recebido pelo SUS pra receber o mesmo tanto ou obviamente mais ?
Na situação do Brasil acho complicado essa mudança drástica, acho na verdade que os salários dos médicos diminuiriam com a liberalização da Saúde, que talvez não seria ruim pois eles teriam que trabalhar bastante pra viver na competição de todos os trabalhos que não tem a intervenção do governo.
O que um mendigo faria nesse caso onde todos os setores são privados? (só li dois livros do mises até agora, não sei muito sobre libertarianismo)
"…por algum motivo, parte-se do princípio de que saúde é um direito do cidadão (de quem é o dever é algo que não se comenta), e que, por conseguinte, a oferta de serviços de saúde deve ser ilimitada."
O direito a saúde consta na declaração universal dos direitos humanos e também na nossa constituição. O dever é do Estado.
A oferta de serviços não é ilimitada. Todo ano a verba da Saúde é aprovada no orçamento público. Cabe ao Estado ser eficiente no gasto público e cabe a nós cidadãos exigir tal eficiência.
"Se a escassez pudesse ser extinta por meio do simples decreto governamental — como acreditam os socialistas —, então estaríamos já há muito tempo de volta ao Jardim do Éden."
Nenhum Estado extingue ou pretende extinguir a escassez por decreto governamental. Os decretos apenas conferem ao Estado as suas obrigações para com a sociedade. Alguns estados desempenham bem as suas atribuições, outros têm péssimos resultados. No mercado acontece o mesmo, algumas empresas são excelentes prestadoras de serviços, outras são horríveis e apenas colecionam infindáveis reclamações nos órgãos de controle. No caso das empresas o consumidor (quando possível) pode trocar por um fornecedor melhor. No caso do Estado o cidadão pode trocar os seus políticos.
"Embora seja indiscutível que a medicina socializada baseia-se no roubo da propriedade alheia"
Como a existência do Estado bem como o serviço público de saúde são legitimados pela própria sociedade em sua Constituição, não podemos considerar que a cobrança de tributos é "roubo", embora uma pequena parcela da população, inconformada com essa idéia de pagar por um serviço para satisfazer a necessidade de outrem, ache que o melhor seria abolir tudo.
"E, de fato, nenhum país que hoje possui medicina socializada apresenta serviços de saúde invejáveis"
Muitos países hoje possuem medicina socializada com qualidade satisfatória. Dada a limitação de recursos me parece um excelente resultado. Pessoas com renda maior podem consumir um serviço de saúde invejável na rede privada.
Eu defendo um serviço público de saúde em que todo o conjunto da população paga através de impostos e dentro de um orçamento limitado e definido, o Estado ofereça o melhor que puder. Existem vários modelos possíveis, inclusive ampliando a participação do setor privado na operacionalização com custeio do Estado. O SUS infelizmente não é um bom exemplo mas a boa notícia é que existem modelos muito melhores quem podem ser adotados.
E nos casos relacionados a saúde pública, como vacinação, combate a desnutrição, endemias e epidemias? E nos locais de pouco interesse da iniciativa privada, locais de difícil acesso e pouco povoadas, como população indígena ou ribeirinhos, por exemplo?
Todo o texto parece se basear na lógica que, se um serviço é gratuito, a demanda por ele torna-se infinita. Mas essa premissa nem sempre é válida.
A oferta gratuita de educação faz com que os alunos estudem o tempo todo? As bibliotecas públicas estão abarrotadas de pessoas exigindo um maior acervo e mais espaço para leitura?
Da mesma forma, não é porque o sistema de saúde é público, gratuito e universal que as pessoas irão ao médico 3 vezes por dia ou aumentará “infinitamente” a quantidade de procedimentos. “Doutor, quero fazer uma neurocirurgia, sempre quis alguém operando meu cérebro.” ou “Doutor, cansei desse coração, bora fazer um transplante” são diálogos absurdos.
Lembramos da saúde quando ela faz falta – e só aí que se procura assistência, quando muito.
Um sistema público e universal é capaz de dedicar-se a promoção e prevenção de agravos, que são mais baratos do que recuperar a saúde perdida.
É verdade que o SUS, ou qualquer outro modelo de saúde universal e gratuita, não é perfeito. Há abusos, há falhas estruturais e legais. Mas´é certamente mais eficiente do que o modelo privatista.
Sugiro à página a busca por referências mais empíricas e menos ideológicas. Um deles, por exemplos, dados de pesquisa transversal encomendada pelo CFM indicam que as pessoas que pior avaliam os SUS são as que menos fazem uso dele (por possuir plano de saúde). A mesma pesquisa indicam uma insatisfação maior da população com o setor saúde de forma geral (incluindo planos e particular) do que com o SUS isoladamente…
A explanação é perfeita. Sem dúvida os minutos que aqui passei lento tão bela demonstração de racionalidade e pragmatismo me permitiram evoluir enquanto cidadão e profissional da área de saúde.
Acrescento o seguinte:
O Brasil vem praticando ha mais de 60 anos uma assistência em saúde tecnicamente equivocada e pouco resolutiva, focada em procedimentos isolados em detrimento do foco em resultados e acompanhamento, e que por assim serem, são de baixíssima qualidade. Com o advento da constituição de 88 e a criação do SUS ha 30 anos mais ou menos potencializou-se o problema – na medida em que se ampliou de forma gratuita um processo de assistência falho, para toda a população, travestindo-o ainda como obrigação para ente que não poderia suprir e de direito para o ente que também deveria ter obrigação. Em outras palavras, o SUS, a despeito de toda paixão e poesia envolvida ou até da nobreza sob certos pontos de vista, foi a instituição do inicio da degeneração completa da assistência em saúde no Brasil. Chego ao ponto de em certos momentos cogitar se não seria um mecanismo polidíssimo e eugenia deliberada de nossa população.
É claro que da perspectiva econômica se propor a dar tudo para todos, mesmo que num segmento específico, cria um cenário de insustentabilidade em qualquer tempo, o que é comprovado pelo panorama atual do SUS e minuciado na matéria acima. Contudo é de certo modo compreensível que em cenários de grande tragédias o emocional se imponha sob certas perspectivas – como é o caso da criação do SUS e todo sentimentalismo envolvido sobre ele no momento de sua concepção. Contudo é de muita surpresa, após 3 décadas de resultados insipientes e concretização de grande piora na assistência ainda existam pessoas que acreditem que o problema se resuma APENAS a má gestão.
A má gestão (processos desestruturados, desconectados, corrupção, metas com vieses demagógicos), certamente aceleram uma tendência. Mas não mudam um desfecho que é inevitável a partir da insustentabilidade econômica (matemática e lógica) dos processos. É perfeitamente comprovado que quem mais é defendido com tudo que envolve o SUS, é aquele que é o mais é prejudicado pela sequencia de desastres que o SUS, previsivelmente, se tornou.
Certo. Mas, poderiam dar algum exemplo prático de alguma situação hipotética que demonstre a falta que um sistema de preços faz no que tange o sistema de saúde? Só pra facilitar o entendimento.
Respiradores novos estão encaixotados em hospital público do Rio há 7 meses
g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/11/17/respiradores-novos-estao-encaixotados-em-hospital-publico-do-rio-ha-7-meses.ghtml
Parte dos equipamentos também desapareceu, segundo indicam documentos da Secretaria de Saúde. A pasta não quis comentar o sumiço e informou que os aparelhos fazem parte de uma investigação em curso.
defendam o SUS, precisamos do estado para ter saúde HAHAHAHAHAHA
se o estado tiver que tomar conta de uma tartaruga , ela foge
“Outra consequência inevitável do processo de controle de custos aparece nos salários e nas compensações que o governo paga aos médicos do SUS, algo que é refletido diretamente na qualidade dos serviços prestados. Afinal, profissionais mal remunerados simplesmente não têm incentivos para trabalhar corretamente.”
O que mudaria com um aumento salarial por decreto? Se o salário por si só fosse determinante, o Judiciário brasileiro, com funcionários de altos salários, seria um dos mais eficientes do mundo. Normalmente os salários médicos do funcionalismo estatal no Brasil são mais altos do que no setor privado.
Por que o governo quer conter o êxodo de bons profissionais para o setor privado de saúde? Qual seria o prejuízo político com essa fuga, já que em essência a saúde estatal é ruim, tendo bons profissionais ou não?
Discordo totalmente dessa noção de “demanda infinita”. Ninguém vai ao médico ou hospital porque quer, vai porque precisa obviamente!
Falaram anteriormente que se fosse “pão grátis”, todos iriam lotar as padarias pra pegar. A questão aí é diferente, pão é um bem de consumo que se deseja consumir cada vez mais, mesmo que não se precise, por puro “luxo”.
Contudo, eu nunca vi alguém em perfeita saúde estar ansioso pra ir no hospital ou no médico por que não tem nada pra fazer e gosta de estar naquele ambiente por puro “prazer”, e mesmo que tenha alguém assim é um ou outro maluco que não justifica a superlotação do SUS !
Para que tá feio por favor.
Indice dxy esta 101.12 e subindo.
Dolar pula a 4.80
Artigo bastante utópico, afinal não existe nenhum país do mundo com saúde apenas privada. Vocês defendem isso com base apenas em suposições teóricas sem nenhuma comprovação empírica no planeta. Não adianta apenas dizer que a saúde pública é “ruim” é necessário que haja uma alternativa, e onde ela está concretamente? Não existe! Apenas na mente fértil de vocês.