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Os erros de Keynes

A
Escola Austríaca de economia já forneceu ao mundo devastadoras críticas à obra
magna de Keynes, A Teoria Geral do
Emprego, do Juro e da Moeda
(doravante Teoria
Geral
).  Friedrich A. von Hayek,
Jacques Rueff, Henry Hazlitt, Murray Rothbard, Ludwig Lachmann, Ludwig von
Mises e William Hutt já contribuíram com importantes e sólidos argumentos
contra Keynes e o keynesianismo.

Para
o júbilo dos defensores da liberdade, podemos agora acrescentar um novo nome a
esta distinta lista.  Em 2012, o espanhol
Juan
Ramón Rallo
, diretor do Instituto
Juan de Mariana
, professor associado de economia aplicada na Universidad
Rey Juan Carlos, em Madri, e graduado sob a orientação de Jesús
Huerta de Soto
, publicou uma nova crítica à Teoria Geral com o título de Los Errores de la Vieja Economía
em homenagem à obra de Henry Hazlitt intitulada The
Failure of the ‘New Economics’
.

Na
época de Hazlitt, o programa de Keynes ainda era revolucionário e foi descrito
por Hazlitt como sendo um tipo de “Nova Economia” que rompia com as
constatações da economia clássica, e especialmente com a Lei de Say.  Hoje, o keynesianismo já se tornou a corrente
dominante.  O keynesianismo, e mais
especificamente a sua ideia de que os gastos do governo reduzem o desemprego, é
o programa majoritariamente ensinado nas universidades, jubilosamente aplicado
por políticos (pode haver coisa melhor do que um economista dizendo a um
político que ele tem de gastar mais?) e proeminentemente defendido pelo
vencedor do Prêmio Nobel de 2008, Paul Krugman.

Com
efeito, a imediata resposta política à atual crise financeira do mundo
ocidental foi inspirada pela Teoria Geral.  Uma segunda Grande Depressão tinha de ser
evitada, diziam os economistas, e as ideias de Keynes foram aplicadas.  Os governos então adotaram uma política
monetária expansionista combinada a volumosos estímulos fiscais, e tudo em
resposta àquilo que, aos olhos de Krugman, parecia ser uma bolha causada pela ‘especulação
temerária estimulada pelo mercado’, fenômeno este que havia sido inspirado pelo
“espírito animal” dos agentes de mercado. 

Sendo
assim, ainda que o livro de Rallo fosse apenas um resumo dos velhos argumentos
apresentados contra a Teoria Geral, o
momento para a sua publicação seria mais do que apropriado, já que as ideias do
passado ainda são a prática do presente. 
No entanto, Los Errores
de la Vieja Economía
 é muito mais do que um mero sumário e síntese
dos argumentos expostos pelo supracitados autores austríacos.  Rallo aproveita, combina e aprimora estes
argumentos de uma maneira metódica e ordenada. 
Ainda mais importante, ele acrescenta suas próprias e inovadoras ideias
para, no final, produzir um argumento devastador contra a Teoria Geral.

A
crítica de Rallo à Teoria Geral
utilizando a teoria austríaca é rigorosa, sistemática e profunda.  Importante ressaltar que as ideias de Keynes
não são em nenhum momento do livro distorcidas ou mal interpretadas.  A completa ausência de espantalhos faz com
que o ataque desferido por Rallo ao cerne das crenças keynesianas seja mais
forte e poderoso do que o de seus pares. 
Rallo também não sai à procura de contradições e inconsistências terminológicas.  Neste sentido, a crítica de Rallo é ainda
mais profunda e devastadora do que, por exemplo, os trechos do brilhante livro
de Henry Hazlitt que enfatizam as inconsistências, as imprecisões e toda a
falta de clareza de Keynes.  Rallo possui
um grande e genuíno interesse em fornecer um retrato claro e coerente do
raciocínio de Keynes e, por isso, apresenta a teoria keynesiana sob uma luz
extremamente favorável.

Vejamos
agora alguns dos argumentos de Rallo, começando pela famosa crítica feita por
Keynes à Lei de Say.  Para começar,
Keynes distorceu a Lei de Say, e esta versão distorcida, que aparece na Teoria Geral, afirma que a oferta cria
sua própria demanda.  Rallo corrige essa
distorção e descreve a Lei de Say em sua versão original: no longo prazo, a
oferta de bens se ajusta à demanda por eles. 
Em última análise, bens são ofertados porque o indivíduo quer adquirir
outros bens (entre eles, o dinheiro).  Um
indivíduo produz com o intuito de demandar, o que significa que é impossível
haver um excesso de produção.

A
Lei de Say nos leva diretamente ao mais inovador argumento do livro de
Rallo, que aborda a velha crítica ao entesouramento.  Até mesmo alguns severos críticos de Keynes
— por exemplo, o pessoal do campo monetarista ou neoclássico — admitem que
ele ao menos estava correto na questão de que o entesouramento — mais
especificamente, o ato de guardar dinheiro dentro da gaveta — é uma atividade
perigosa e desestabilizadora.

Rallo,
no entanto, demonstra, comprova e enfatiza a função social do
entesouramento.  Se as pessoas estão demandando
dinheiro — isto é, se elas estão aumentando a quantidade de dinheiro vivo em
seus encaixes — isso não significa que elas não estão demandando nada do
mercado.  O entesouramento é uma reação
natural dos poupadores e dos consumidores a uma estrutura de produção que não
está se ajustando às suas reais necessidades. 
Trata-se de um sinal de protesto enviado aos empreendedores: “Por favor,
ofertem-nos outros bens de consumo e de capital!  Mudem a atual estrutura de produção, pois os
bens que ela nos oferece hoje não nos é adequada.”

Em
uma situação de grande incerteza, é mais prudente entesourar do que imobilizar
fundos para o longo prazo.  Rallo nos
oferece um exemplo visual.  Suponhamos
que a incerteza aumente porque as pessoas estão à espera de um terremoto.  Consequentemente, elas começam a entesourar,
ou seja, elas aumentam seus encaixes em dinheiro vivo, o que dá a elas mais
flexibilidade.  Tal atitude é
completamente racional e benéfica do ponto de vista dos participantes do
mercado.  A alternativa keynesiana seria
dar este dinheiro para o governo para que ele pudesse gastar.  A construção de arranha-céus estatais não
apenas iria contra a vontade da maioria das pessoas prudentes, como também se
comprovaria desastrosa casso o terremoto ocorresse.

Entesourar
é um seguro contra incertezas futuras. 
Rallo argumenta que, se a demanda por dinheiro aumentar (em termos
técnicos, se a preferência por liquidez aumentar) por causa desta maior
cautela, as taxas de juros de curto prazo tenderão a cair, ao passo que as de
longo prazo irão subir.  As pessoas irão
investir mais em ativos de curto prazo e menos em ativos de longo prazo, pois
elas querem se manter líquidas.  Isso
leva a um reajuste na estrutura de produção. 
Mais recursos serão direcionados para a produção de bens que
apresentarem maior liquidez (em um padrão-ouro, por exemplo, este bem seria o
ouro), e para a produção de bens de consumo. 
A estrutura de produção será alterada, apresentando agora um maior número
de processos mais curtos e menos arriscados e um menor número de processos mais
longos e mais arriscados.

O
entesouramento, portanto, não faz com que os fatores de produção fiquem
ociosos.  No cenário acima, tais fatores
serão alocados para a produção de ouro e para outros projetos de curto prazo.  Rallo insiste que não é nada irracional
querer entesourar.  Com efeito, quando
projetos de longo prazo são mantidos e as condições econômicas se alteram,
estes projetos talvez tenham de ser liquidados. 
Por exemplo, o terremoto destruiria o arranha-céu que está sendo
construído.

Vale
observar que a maioria dos austríacos não é adepta de uma teoria híbrida que
diz que a taxa de juros é determinada tanto pela preferência pela liquidez
quanto pela preferência temporal.  Rallo,
porém, é adepto desta teoria híbrida, e acredita que a taxa de juros, ou a
estrutura das taxas de juros, é determinada tanto pela preferência temporal
quanto pela preferência pela liquidez.  A
maioria dos austríacos defende apenas a teoria da preferência temporal como
formadora das taxas de juros.  Devido à
incerteza, um agente prefere estar líquido em vez de ilíquido.  E devido à preferência temporal, um agente
prefere estar mais líquido agora do que no futuro.  Consequentemente, em condições normais, os
juros de curto prazo tendem a ser menores do que os juros de longo prazo.  Quando a incerteza aumenta, os juros de longo
prazo tendem a ficar ainda maiores.  No
entanto, em uma crise financeira, um outro efeito tende a prevalecer sobre esta
tendência.  Quando a sociedade em geral se
torna ilíquida — em consequência do início da crise –, surge uma maior
demanda por empréstimos de curto prazo. 
Esta busca por liquidez imediata tende a fazer com que os juros de curto
prazo aumentem e se tornem maiores do que os juros de longo prazo.

A
questão dos recursos ociosos é
outro tópico importante do livro de Rallo, uma vez que Keynes recomenda a
inflação monetária como forma de evitar que os fatores de produção se tornem
ociosos e o desemprego aumente.  Rallo
pergunta por que, em primeiro lugar, os fatores se tornaram ociosos e o
desemprego aumentou?  A resposta é que os
proprietários destes fatores — no caso dos bens de capital, os donos das
fábricas; e no caso da mão-de-obra, os desempregados — estão demandando um
preço por seus serviços que é maior do que o valor presente de seu produto
marginal.  Nestas circunstâncias, a
inflação monetária irá apenas gerar uma redistribuição de renda em prol dos
proprietários destes fatores, em nada ajudando a reestruturar a economia — ou
seja, a estrutura de produção continuará desajustada e a economia vivenciará um
consumo de capital, isto é, recursos escassos continuarão sendo utilizados em
linhas de produção para a qual não há mais demanda.

Por
outro lado, quando os fatores de produção têm seus preços reajustados, isto é,
quando os preços dos bens de capital caem e os salários diminuem até chegar ao
valor de seu produto marginal, a demanda agregada não cai, como sugere
Keynes.  Ao contrário: a demanda aumenta
porque, em decorrência do maior número de pessoas agora empregadas e do maior
nível de investimentos em decorrência da queda no preço das máquinas, a
produção total da economia também aumenta.

Rallo
ataca impiedosamente outros conceitos keynesianos.  O famoso “multiplicador
do investimento
” é uma das vítimas. 
Segundo esta teoria, um aumento unitário no volume de investimento de
uma economia provoca ondas sucessivas de aumento da renda, cuja dimensão depende
da propensão marginal a consumir ou poupar. 
Esta teoria requer que todos os fatores de produção estejam apresentando
alguma ociosidade.  Mais especificamente,
para Keynes estar correto, é necessário que haja desemprego voluntário de todos
os fatores de produção e que também haja capacidade ociosa nas indústrias de
bens de consumo. 

Vejamos.  Se não houver desemprego voluntário de todos
os fatores, o estímulo governamental a novos projetos de investimentos irá
gerar apenas gargalos, uma vez que fatores de produção serão retirados de
outros projetos mais lucrativos e direcionados para projetos artificiais.  Os keynesianos concordam com isso.  Se todos os tipos de fatores de produção estiverem
apresentando alguma ociosidade, mas não houver mais capacidade produtiva nas
indústrias de bens de consumo, então estímulos governamentais irão apenas
elevar os preços dos bens de consumo e encurtar a estrutura de produção,
tornando-a mais voltada para o presente. 
Os keynesianos também concordam com isso.  E, finalmente, se os dois fenômenos ocorrerem
conjuntamente — isto é, se houver uma ociosidade geral dos fatores e houver
folga na capacidade produtiva das indústrias de bens de consumo, que é o
pressuposto da teoria de Keynes –, por que então não há um acordo voluntário
entre os proprietários dos fatores de produção e os empreendedores?  Keynes não respondeu a essa questão, e
preferiu ir diretamente para a defesa do aumento dos gastos do governo e da
inflação monetária para corrigir esta situação.

Outra
importante ideia keynesiana que Rallo aborda é a famosa armadilha da
liquidez.  Uma armadilha da liquidez
ocorre quando, em uma economia em recessão, as taxas de juros estão muito
baixas.  Nesta situação, Keynes diz que a
política monetária se torna inútil, pois os especuladores irão simplesmente
entesourar todo o dinheiro que o governo imprimir.  Os especuladores não irão investir em títulos
porque eles já estão com preços máximos (os juros são mínimos), e os preços
deles irão cair quando os juros finalmente voltarem a subir.  Neste ponto, a política monetária se torna
impotente e o aumento do gasto público se torna necessário para estimular a
demanda agregada.

Rallo
mostra que, após um período de forte crescimento artificial estimulado pela
expansão do crédito, em que vários investimentos errôneos foram feitos, a
economia entra em recessão quando esta expansão do crédito é reduzida em
decorrência da alta dos preços (que levam a um aumento dos juros cobrados pelos
bancos).  Neste cenário, os preços estão
mais altos e há um endividamento generalizado das pessoas e empresas.  Consequentemente, praticamente não há demanda
por novos empréstimos, mesmo que as taxas de juros sejam acentuadamente
reduzidas.  Neste caso, a economia na
verdade se encontra em uma armadilha de iliquidez,
uma vez que indivíduos e empresas estão preocupados em aumentar sua liquidez.  Eles
querem reduzir suas dívidas e não pegar mais empréstimos.  A política monetária de redução dos juros irá
na realidade piorar a situação, pois com juros baixos não há incentivo para
pagar antecipadamente e cancelar as dívidas (pois uma redução dos juros eleva o
valor presente da dívida).  A solução
para esta situação de incerteza generalizada é o entesouramento, a estabilidade
das instituições, a liquidação dos investimentos ruins e a redução das dívidas.

Uma
alta incerteza não implica um alto desemprego, uma vez que até mesmo sob uma
alta incerteza a redução dos preços dos fatores de produção faz com que novos
projetos sejam mais lucrativos.  Sob uma
alta incerteza, estes projetos de investimento serão a produção de ouro (se a
economia estiver em um padrão-ouro) e a produção de bens de consumo voltada
para o curto prazo.

Rallo
demonstra que, ao contrário do que diz a Teoria
Geral
, não é a oferta agregada ou a demanda agregada o que importa, mas sim
a composição das duas.  Em uma depressão
em que a estrutura da produção está distorcida e a economia apresenta uma “armadilha
da liquidez”, se a demanda agregada for estimulada pelos gastos do governo, a
estrutura existente não terá como produzir os bens que os consumidores querem
com mais urgência.  Logo, a solução não é
mais gastos e mais endividamento, mas sim uma redução da dívida e a liquidação
dos investimentos ruins para fazer com que novos e mais sensatos investimentos
sejam exequíveis.

Para
Keynes, por outro lado, o problema sempre será de ‘demanda insuficiente’.  Sendo assim, o que deve ser feito se
consumidores e investidores não quiserem comprar os produtos que as empresas
estão oferecendo, preferindo poupar?  Keynes
recomenda reduzir os impostos, as taxas de juros e desvalorizar a moeda.  Se isso não funcionar, o governo deve sair
comprando os produtos que os consumidores não querem comprar.  Porém, pergunta Rallo, por que os
consumidores e investidores deveriam comprar bens que eles não querem?

A
resposta de Keynes é que, se isso não for feito, o desemprego aumentará.  E Rallo contra-argumenta: mas se uma pessoa é
forçada a gastar seu salário comprando algo que ela não quer, qual seria seu
incentivo para trabalhar?  Por que ela
sequer deveria ter um emprego?  A
alternativa a forçar as pessoas a gastar é reduzir os salários até o valor de
seu produto marginal, o que elevaria a produção e a demanda.  Como demonstra Rallo, a sociedade não se
torna mais rica se o governo induzir ou forçar as pessoas a comprar bens que
elas não querem. 

Logo,
para Rallo, eis a essência da Teoria
Geral
: quando as pessoas não querem comprar aquilo que está sendo
produzido, o governo deveria obrigá-las a agir contra sua vontade.

As
observações sobre o livro de Rallo aqui demonstradas são apenas uma pequena
amostra.  Dentre outras coisas, Rallo
também apresenta uma análise das principais definições inventadas por Keynes e
os erros teóricos de cada uma delas (como, por exemplo, seu viés pró-consumismo).  Ele apresenta uma análise austríaca dos
mercados financeiros, discutindo as inter-relações que existem entre a
estrutura da curva de juros, as taxa de juros, a taxa de redesconto, a
estrutura do investimento, a armadilha da liquidez e a bolsa de valores.  Ele analisa a questão dos salários reais e
nominais, os ciclos econômicos, as implicações políticas dos ciclos e todos os
antecessores intelectuais da Teoria Geral
de Keynes, e tudo utilizando a teoria austríaca.  Também extremamente útil é o guia criado por
Rallo para os leitores da Teoria Geral,
que torna mais fácil e mais eficiente ler e identificar os principais erros de
Keynes, capítulo por capítulo.  Como
extra, no final do livro, Rallo também apresenta uma crítica ao modelo IS-LM,
desenvolvido por John Hicks e Franco Modigliani, que formalizou a teoria de
Keynes e que ainda é maciçamente ensinado nas universidades ao redor do mundo.

O
livro de Rallo, além de repleto de observações brilhantes, é hoje a obra que
fornece a mais poderosa e completa demolição dos argumentos keynesianos.  Los Errores de la Vieja Economía
será, no futuro, a referência, tanto dos estudiosos quanto dos leigos, para
encontrar todos os erros no pensamento de Keynes e nas políticas adotadas pelos
governos.  O único ponto negativo do
livro é que, por enquanto, existe apenas a versão em espanhol.  É de se esperar que a obra rapidamente seja
disponibilizada em outros idiomas.

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50 comentários em “Os erros de Keynes”

  1. Antonio Galdiano

    Verifiquem, por favor, a correção dessa dedução: Se em um dado momento as pessoas optam por entesourar dinheiro em vez de investi-lo, há uma menor demanda no mercado de fundos emprestáveis, o que faz com que, por ajuste de mercado, preços destes (a taxa de juros)caia. Como investimento é uma aposta no futuro e que este é cada vez mais incerto quanto mais distante, naturalmente as pessoas atribuem mais risco aos investimentos de longo prazo, remunerando-os (sob condições econômicas normais) mais que os de curto prazo. Nesse sentido, se há uma retração de demanda no mercado de fundos emprestáveis e este é representativo da expectativa de rentabilidade futura por parte dos emprestadores, isso significa que, como um todo, os emprestadores não estão confiantes com relação à viabilidade dos investimentos futuros, e como são avessos ao risco, estão proporcionalmente agora (e pro agora eu digo o momento da decisão de entesouramento) menos propensos (menor demanda relativa aos outros tipos de investimentos) aos investimentos de longo prazo em decorrência da maior incerteza inerente aos investimentos de longo prazo, reduzindo a demanda desses fundos de longo prazo ainda mais que os fundos de curto prazo, o que reflete na elevação de seu custo (taxa de juros maior), o que provoca uma redução dos investimentos de longo prazo e portanto o perfil de risco dos investimentos da economia.

    Estou correto?

    Já peço desculpas pela linguagem excessivamente redundante, mas em economia é melhor ser redundante do que deixar subentendidos.

  2. Não me caiu bem a teoria híbrida da taxa de juros defendida por Rallo, ele afirma que em cenário normal a taxa de juros de longo prazo é maior que a de curto prazo, em um cenário de MUITA incerteza a taxa de juros de longo prazo tende a ser maior ainda. No entanto em um cenário de crise a taxa de curto prazo passa a ser maior em virtude da demanda por empréstimos de curto prazo.

    Eis a questão, não seria a crise um ambiente de muita incerteza? Qual o acontecimento que torna um ambiente de MUITA incerteza em CRISE, e que é capaz de inverter o princípio de preferência temporal?

  3. O tragicômico é que a maioria das pessoas associa o capitalismo com o consumismo, como se este fosse parte intrínseca daquele. Quando criticam os males do consumismo, o atribuem ao sistema de livre mercado.

    Porém, o capitalismo genuíno é baseado na poupança em vez de no consumismo, conforme outros artigos do IMB mostram.

    Como os defensores do livre mercado classificam o consumismo? Como socialismo, “social democracia”, “capitalismo de estado”, intervencionismo ou o quê?

    * * *

  4. “eis a essência da Teoria Geral: quando as pessoas não querem comprar aquilo que está sendo produzido, o governo deveria obrigá-las a agir contra sua vontade.”

    E isso já está em Malthus.

  5. “O único ponto negativo do livro é que, por enquanto, existe apenas a versão em espanhol.”

    Melhor pra nós deste lado de cá, latino americanos.
    A propósito, é o ressurgimento da Escola de Salamanca?
    Melhor mesmo é assistir à entrevista de Rallo:

    “Los errores de la vieja economía”
    Entrevista a Juan Ramón Rallo grabada en la sede del
    Instituto Juan de Mariana el 15/12/2012

    Espero ter acertado na inclusão do vídeo. De qualquer forma é só entrar com o nome Rallo em buscar na página http://www.juandemariana.org.

    Abraços.

  6. Como poderia adquirir esse livro? Só esse texto pequeno já é assustador!
    Vontade de chorar. Curso economia numa universidade brasileira. Keynesianismo puro!

  7. quando vi que o artigo se chama Os Erros de Keynes tirei da rede sem fio e liguei no cabo q tem velocidade maior, pra poder carregar páginas gigantescas hehe

    ta mto bom esse artigo, parabéns ao Bagus que resumiu os principais erros desse mocorongo de forma sucinta e clara

  8. numa prova de economia para o direito, questionei varias ideias keynesianas apresentando os argumentos encontrados nesse fantástico site.

    ja sabendo das consequências , rsss tirei nota baixa…

    alguem ja conseguiu apresentar alguma defesa contra as ideias keynesianas em alguma faculdade no Brasil?
    o bibliografia que o professor passou é de 2004 (cheia de dados estatísticos inuteis nos dias de hoje, alem de erros, como citar artigos de lei de forma incorreta)

    se eu apresentar alguma bibliografia em ingles com as ideias da EA … acham que tenho alguma chance?

  9. E os erros de Hayek ? Mises ? Ora,acreditar em um sistema em que os indivíduos se organizam sem o Estado, os mercados regulam-se sozinhos só pode ser senil. O ser humano é tão egoísta que se o Estado não intervir ,vira bagunça. Se o mercado regulasse o salário ( sem o Estado definir um mínimo)hoje seria de R$ 200,00 .”Não quer ?? Tem outro miserável na esquina que quer.Lembram da reserva de mão de obra de 8% da cartilha neoliberal de Thacher e Regan???”Trabalhar só 8 horas por dia ??? Que nada ,tem outro miserável ali que trabalha 16 horas ,como na Revolução Industrial. Liberalismo é a humilhação do mais fraco que não nasceu em berço de ouro e depende só do seu trabalho. Seria o caos na Terra. Humaninade na bestialidade, num abismo de diferenças sociais absurdas.Teríamos Zumbies ,como The Walking Dead ,miseráveis que “não têm talento e nem intelecto e por isso não conseguiram chegar lá,então que se danem” vagando pelas ruas.Liberalismo é o contrário de humanidade.Se vivemos aglomerados em sociedade é por que somos seres sociais e não individuais.Não pode o indivíduo ser maior que o todo.

  10. Olá a todos,

    Acompamho o IMB há quase dois anos, mas é a primeira vez que escrevo.

    Sou partidário da EA e da filosofia libertária, mas ainda um diletante no campo do conhecimento econômico.

    Gostaria de pedir ajuda ao Leandro e/ou a outros participantes mais tarimbados a respeito de uma discussão que venho travando com um amigo economista (com diploma de curso superior), que trabalha no executivo federal.

    Ele usa como principal argumento sobre a superioridade das idéias do Keynes o fato de os países desenvolvidos em geral terem experimentado um progresso econômico jamais visto – distribuição de renda, aumento de produção, fortalecimento da classe média – nos 30 anos subsequentes à II Guerra Mundial, justamente por terem seguido políticas keynesianas. Sei que essa afirmação não está muito correta, mas tenho dificuldade em encontrar dados para refutá-la.

    Qualquer contribuição é bem-vinda. Desde já grato.

  11. Artur, Ricardo e Marcelo,
    Muito obrigado pela atenção e disponibilidade em esclarecer alguns (dos vários) pontos da minha ignorância.
    Li as referências bibliográficas e já estou elaborando a minha contra-argumentação.
    Ricardo, curiosamente o meu amigo atribui a derrocada do “bendito” keynesianismo no final dos anos 70 ao crescimento do pensamento neoclássico, amparado pela famigerada “curva de Philips” (sei dos fundamentos, mas não vejo porque isso acabou com o keynesianismo “old school”).
    Grande abraço.

  12. Amarilio Adolfo da Silva de Souza

    Somente uma mente distorcida e perturbada, como a de Keynes, poderia conceber ideias tão absurdas e contraditórias. Um exemplo, a de que aumentar gastos “públicos” provocam crescimento econômico. Essa teoria, se aplicada como ele a concebeu, é desumana. o que me provoca admiração é o fato de as pessoas aceitarem, passivamente, esses erros.

  13. Boa noite, eu queria entender melhor dois pontos.

    “se a demanda agregada for estimulada pelos gastos do governo, a estrutura existente não terá como produzir os bens que os consumidores querem com mais urgência. Logo, a solução não é mais gastos e mais endividamento, mas sim uma redução da dívida e a liquidação dos investimentos ruins para fazer com que novos e mais sensatos investimentos sejam exequíveis.”

    Como na prática essa dívida seria diminuída? Superavit primário?
    E como aumentar os investimentos se os empresários estão com os bens de capital ociosos?

    “A alternativa a forçar as pessoas a gastar é reduzir os salários até o valor de seu produto marginal, o que elevaria a produção e a demanda.”

    Mas se essas pessoas estão endividadas não seria perigoso deixar os salários caírem? ou, para compensar, as dívidas também cairiam? Por exemplo: No cenário atual brasileiro, se permitíssemos os salários das pessoas caírem, o que aconteceria com o resto? Abraços.

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