Praticamente todos os grandes municípios vivem sérios problemas de transporte público. A cidade de São Paulo, em especial, tem vivenciado sérios problemas. No ano de 2011 a passagem dos ônibus atingiu o valor de R$ 3, tornando-se a mais cara do país. Estudantes, principalmente, tem se mobilizado em passeatas e manifestações contra o alto preço cobrado. Apesar das claras disparidades entre o valor cobrado, o número de usuários e a qualidade do serviço, as manifestações não apontam uma solução para o problema.
É certo que ao analisar o problema do transporte público pode-se perceber que a culpa é da gestão pública dos transportes. Entretanto, os governantes não erram apenas por tabelar o alto preço, em conluio com as empresas de transporte. Há diversas outras falhas no sistema de transportes públicos. Para evidenciá-las usarei o que conheço, enquanto morador, da cidade de São Paulo.
Primeiramente, a rede de ônibus é gerida pela SPTrans. De acordo com o site institucional do governo municipal, “as atividades operacionais são terceirizadas e executadas por empresas que foram contratadas por licitações públicas”[1]. Deste modo, os ônibus pertencem a empresas privadas que concorrem entre si por intermédio de licitações. O problema das licitações está, além das possíveis fraudes para colaborar com empresas amigas, nas consequências de tal modelo. Empresas concorrem para ter um monopólio legitimado pelo governo municipal. Se não há concorrência enquanto se presta o serviço, é óbvio que a empresa vencedora não terá estímulos para a melhoria de sua frota. Porém, devido ao fato de dividirem a cidade em diversas regiões, e em cada uma dela haver mais de um empresa atuando, a prefeitura não considera que exista um monopólio. Mas, ao analisarmos de perto, podemos perceber que não há concorrência entre empresas pois a origem e o destino é sempre diferenciado, mesmo que percorram uma mesma parte do percurso.
A partir da crítica às licitações, dissemos que não há incentivo para a melhoria de um serviço se não há concorrência deste serviço. Pensando nisto, a prefeitura arrumou uma forma de tapar o sol com uma peneira. A SPTrans, pensando na qualidade do serviço, tem como atividade “o planejamento, a programação e a fiscalização, além do incentivo ao desenvolvimento tecnológico”[2]. Ora, se há tranquilidade para os “empresários” do transporte, então é necessário que algo incentive a melhoria do serviço. Atualmente, isto é feito com com subsídios da prefeitura, uma medida que vai justamente contra a ideia de incentivo.
A retórica da prefeitura é estranha, pois de acordo com ela a cifra que chegou a R$ 600 milhões é por causa dos estudantes, idosos e deficientes, que possuem desconto ou gratuidade na passagem[3]. É estranho que transportando 5 milhões e meio de passageiros por dia, as empresas ainda precisem de auxílios para suas frotas. Com a passagem a R$ 3, as empresas faturam juntas algo em torno de R$ 370 milhões por mês (apenas contando os dias úteis). É claro que apresentando estas cifras pode-se pensar que as manifestações estão certas em protestar contra um preço exorbitante.
Existe, entretanto, a defesa de algo diferente. Clamar pela “catraca livre”, isto é, pelo subsídio total no transporte público não é a solução. Nossos estudantes se esquecem de que, com tudo subsidiado, o transporte público ficará mais sucatado do que já está. O que faz com que um bom serviço seja prestado é a concorrência. Atrair clientes faz com que existam novidades e aumento de qualidade. Portanto, o que precisamos para o transporte coletivo é torná-lo realmente coletivo, ou seja, é necessário que os indivíduos que formam a coletividade tomem para si a responsabilidade pelo transporte. Isto pode se dar da seguinte forma:
1 – Fim do monopólio: Com a ausência de licitações, toda empresa desejosa em prestar um serviço de transporte poderá planejar e decidir as suas rotas. A livre entrada no mercado de transportes aumentará a concorrência no setor, trazendo mais opções para os passageiros.
2 – Desregulamentação: É preciso que o governo não interfira no setor de transportes. Significa que cada empresa pode fixar o valor que desejar em suas tarifas. A liberdade na prestação do serviço trará novos modelos de veículos. Haverá maior variedade de preços e serviços.
3 – Carona: Há pouco tempo uma política propôs a “carona solidária”, porém não há maior incentivo para a carona do que a liberdade de qualquer um que possuir um veículo poder cobrar para transportar pessoas a determinados destinos. É a consequência da desregulamentação do setor de transportes.
Com uma sociedade na qual não há regulamentação de tarifas, itinerários e veículos, os únicos que iriam perder algo seriam os péssimos empreendedores e os políticos que trocam favores. Péssimas escolhas levariam empresas ruins à falência. Sobreviveria apenas quem pudesse prestar um bom serviço. Os estudantes que tanto reclamam do valor cobrado teriam um transporte de qualidade e com um preço menor. As possibilidades que surgiriam com a ausência de regras são várias, entre elas: sistema de cobrança de passagem debitada em conta corrente, valor da viagem de acordo com a distância percorrida ou até mesmo sorteio de transporte gratuito em promoções. A retirada do governo do setor de transporte público é o maior benefício público que se pode ter.
Antes de terminar, é preciso antecipar uma pergunta sobre o tema:
1 – Tais soluções não iriam piorar o trânsito?
R: Não necessariamente. Talvez houvesse aumento no início da desregulamentação. Entretanto, com empresas concorrendo, os preços tendem a baixar. Preços mais baixos e veículos com maior qualidade e conforto tendem a incentivar o uso de tais transportes.
[1] Disponível em: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/transportes/institucional/sptrans/index.php?p=3513
[2] Idem.
[3] Número de acordo com o publicado no Jornal da Tarde em 29 de novembro de 2010. Disponível em: http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/kassab-da-mais-de-60-mi-em-subsidios/
Os estudantes protestando por mais subsídios e regulamentação sintetizam de forma muito sucinta a filosofia de esquerda: achar que ações imediatas e, de certa forma, ingênuas irão resolver o problema.
Nesse caso, não poderia ter o risco de cartéis? Da mesma maneira que ocorrem em postos de gasolina.
Sou de Curitiba e aqui temos os famosos bi-articulados, que são grandes onibus que possuem uma rua somente para eles, como se fosse um metrô. O governo, nesse caso, não ajudaria nas construções de soluções mais amplas, que precisassem de uma grande modificação no ambiente da cidade, como aumentar ruas, desapropriações, etc etc?
O transporte público deve ser re-estatizado em prol do bem comum, assim como devem ser formados bastiões públicos em outros setores estratégicos para a população como acesso à informática, comunicação, alimentação, literatura e cultura. Deve-se adotar um sistema sólido que seja baseado em uma alocação de recursos e fundos puramente racional e livre da busca pelo lucro, sendo o serviço público o único capaz de tal feito.
Se há um inimigo para o sucesso do transporte público é o cidadão de classe média, que ao invés de utilizá-lo junto aos trabalhadores, toma seu egoísmo como motivação principal e retira seu veículo(Símbolo da alienação) para fora da garagem e rouba as ruas para si, engarrafando-as e aumentando os custos de combustível acima do tolerável para um setor governamental.
Economistas austríacos intervirão com esquemas elaborados de sistema de unidade e sistema, explicando que o motivo de tal fenômeno não é o interesse classista, mas sim a existência de um bem escasso ofertado a preço zero(Ruas). Entretanto, tal afirmação é simplista e ignora os estudos psicológicos do povo brasileiro há décadas elaborados pelo departamento de psicologia da USP através da orientação dos ensinos de Fromm, que deixam claro que a culpa para a imperfeição de qualquer sistema público é puramente a ganância e o egoísmo das classes dominantes.
Transporte público, já!
Ótimo texto, Celeti!
Quanto à piora no trânsito oriunda da desregulamentação, ela é realmente uma possibilidade.
Todas essas questões esbarram no mesmo problema: propriedade pública das vias. A oferta (e o gerenciamento) de vias não obedece à demanda, e é gratuita no consumo. Sendo assim, é natural que a demanda exceda a oferta: congestionamento.
existe ou já existiu em algum lugar domundo um exemplo prático de um setor de transportes desregulamentado?
Filipe,
há um erro neste raciocínio. Na época da finada CMTC, os intinerários eram maiores e não com as divisões que existem hoje de forma em que há hubs nas periferias para posterior encaminhamento dos ônibus para o cinturão do centro da cidade.
Mesmo com a desregulamentação que você propõe, o risco seria mais mais trajetos quebrados (que demandam mais tempo, e mais viagens, e mais subsídios como o bilhete único).
A solução parra obrigatóriamente por um estudo de engenharia do fluxo desses transportes, e então a posterior desregulamentação.
Abs!
Minha humilde contribuição:
Discussão sobre a privatização do transporte coletivo
O fato é que o empreendedor PRIVADO tem todos os incentivos para atender ao desejo do público consumidor: chegar até onde ele está, e levá-lo até onde ele quer, da forma que ele deseja. Basta liberar a concorrência, que surgirão serviços de transporte personalizados atendendo aos mais diversos anseios de transporte: básico, de luxo, médio, rápido, interurbano, interbairro, etc.
Não precisa legislar. Basta liberar a concorrência. Por isso que cada vez mais pululam aqui no Brasil o “mercado negro” das vans “piratas”. Elas só existem para atender um desejo do consumidor: transporte eficiente.
Os ônibus públicos são lotados porque são subsidiados (e não há alternativas de transporte, já que aqui carros ainda são muito caros para se adquirir e principalmente manter – diferente dos EUA, onde se refere o vídeo que eu passei), e têm péssima qualidade de serviço porque não têm incentivos para melhorá-la, já que não há concorrência.
Mais um tijolo pra lápide da “concessão”.
Agora eu queria saber como funciona o transporte INTERURBANO no Brasil. É necessária uma concessão? Ou qualquer empresa pode entrar? Digo isso pois entre minha cidade e a cidade da minha faculdade há apenas uma empresa de transporte, cujo serviço é ruim, mesmo sabendo que esse trecho é o mais movimentado daqueles cobertos pela empresa.
A questão é que por mais injusto que nosso sistema de transporte coletivo seja, nada justifica a violência e a baderna cometida por aqueles vagabundos. O que eles querem é um transporte subsidiado ou um controle de preços.
Eu novamente reproduzo aqui no site do IMB um ótimo texto de Roberto Rachewsky (autor do escrito “Sensação de Segurança”) que disserta a respeito do tema (a bela bagunça que é o transporte coletivo). O nome do artigo é “Nada mais pode ser injusto”. Ele foi publicado de forma parcial no jornal Zero Hora do dia 02.04.2013. Abraços!
A prefeitura de Porto Alegre foi alvo da ação de grupos político-partidários que recrutam baderneiros travestidos de estudantes para pressionar o governo se utilizando de todas as formas ilegítimas de manifestação, como ameaçar a integridade física das pessoas, impedir o fluxo livre de veículos e transeuntes e depredar o patrimônio que é de todos.
Poder público e foras da lei reúnem-se em programas de rádio e televisão, para fazerem acusações mútuas, todos com ou sem razão, dependendo do enfoque, tentando justificar o injustificável.
Facilmente podemos ver que os baderneiros, que deveriam ser responsabilizados criminal e pecuniariamente pelos danos que causaram, não têm razão nas suas demandas, pois querem transgredir a ordem estabelecida, seja no campo jurídico, seja no campo econômico, ao reclamarem que o preço das passagens de ônibus subiram, desconhecendo os aumentos nos custos dos insumos decorrentes do processo inflacionário promovido pelo governo e evadindo-se do fato de que mais de um terço dessas passagens são fornecidas gratuitamente, onerando, assim, o custo total do serviço pago pelos dois terços de pobres coitados.
Do outro lado, o poder público se defende com justificativas legais e econômicas para explicar por que a prefeitura é pródiga em tirar arbitrariamente do bolso de uns para, demagogicamente, dar a outros sob as mais variadas motivações, que podem ser baseadas na elevada idade do passageiro, na sua ocupação ou na sua condição física. Para um político, sempre haverá alguém a ser satisfeito em troca de votos.
O que nem um nem outro grupo faz é discutir efetivamente sobre as causas de termos um serviço de transporte coletivo público tão ineficiente, caro e, como vemos, também polêmico ao ponto de parar uma cidade pelo evento de uma batalha campal entre forças bárbaras e as forças do status quo.
Caso quisessem realmente questionar o modelo presente que define os serviços de transporte coletivo na cidade, encaminhando o debate para soluções verdadeiras, deveriam discutir sobre princípios morais e econômicos fundamentais, e não sobre paliativos que pouco amenizam os sintomas do problema e muito contribuem para agravá-lo.
Sempre que o Estado, através do governo, intervém na economia ou em qualquer atividade econômica, tira das pessoas o poder de agir voluntária, espontânea e livremente.
Ao restringir o acesso ao mercado de potenciais ofertantes, privilegia alguns com injustificada reserva de mercado, que, ao mitigar a concorrência, gera a incompetência, a elevação dos preços, a queda da qualidade dos serviços e muda o enfoque do empresário, que deveria ser o consumidor, para o burocrata que lhe outorga os benefícios. Sempre que no lugar de um consumidor estiver um burocrata a escolher o fornecedor, não teremos serviços ou produtos baratos e de melhor qualidade.
Sempre que alguém estiver protegido por leis que estabelecem monopólios ou oligopólios impedindo que outros participem num determinado mercado, estes estarão mais sujeitos à corrupção do que à insatisfação de seus usuários.
Não é à toa que permissões para a exploração dos serviços de ônibus, táxis-lotação e táxis em geral valem como valiam capitanias hereditárias concedidas pelo poder real.
Ao estabelecer regramentos baseados nos conceitos burocráticos do poder público e não na vontade dos consumidores, que somente num livre-mercado poderia ser percebida e satisfeita com justeza, o governo desagrada a quase todos, pois não é onisciente nem onipotente ao ponto de saber sobre todos os desejos e vontades da população, nem sobre as capacidades e vontades dos fornecedores daquele serviço controlado.
Assim, linhas a serem percorridas, cores dos veículos, tamanho dos carros, valor das tarifas, regras de contratação trabalhista, tipo de combustível, etc., hoje definidas em gabinete, desprezam os interesses particulares dos indivíduos que se utilizam desses serviços ou os proveem. E o fazem argumentando que acima do interesse individual está o interesse coletivo, desprezando o fato de que não há um ser coletivo, mas um coletivo de seres individuais, com vontades, gostos, preferências e capacidades muito peculiares.
A intervenção do Estado que perverte a lei, colocando-a a serviço de demagogos e populistas, permite que se crie uma sociedade de usurpadores dos direitos individuais, onde tirar à força de uns para dar a outros, onde tirar a liberdade de iniciativa de uns para privilegiar outros, onde uns definem impositivamente o que outros, que inclusive pagam por isso, deverão usufruir, é nada mais nada menos do que o Estado totalitário aplicado às leis da economia e à vida dos indivíduos no exercício de suas vontades e necessidades no dia-a-dia.
Quando o governo resolve agradar a todos de forma centralizada, ganha mais quem grita mais alto. É o que baderneiros sabem fazer mais do que o cidadão comum, que não tem tempo de gritar, pois lhe é exigido trabalhar para seu sustento e também para sustentar os que legislam e os que são beneficiados, como parasitas, pelas leis que são estabelecidas.
Tarifas caras e serviços ruins só tem um antídoto viável, o livre acesso ao mercado.
A satisfação dos consumidores só pode ser alcançada através do direito de escolha e do mútuo entendimento com seu fornecedor, sem intermediários.
A justiça somente será encontrada quando deixarmos de botar a mão no bolso alheio e quando o alheio deixar de botar a mão no nosso. Será o fim da hipocrisia e o início do fim da barbárie.
Com a liberalização do transpote coletivo, acho até que o trânsito melhoraria, visto que as classes mais altas, por exemplo, poderiam passar a optar por transportes coletivos de melhor qualidade, mais caros. Por exemplo: Microônibus com assentos acolchoados, ar-condicionado, tv e internet, etc.
Quem tem condições de ir e voltar de carro de luxo para o trabalho e não goste de dirigir, poderia muito bem optar por transporte coletivo de luxo, que sairia a preços mais baratos que táxis.
E como, quem tem dinheiro, no atual sistema de transporte sem opções, vai cada um num carro, o número de carros nas ruas poderia cair bastante, principalmente nos percursos para o trabalho.
Penso até que muita gente revisse se realmente precisaria de um carro.
O trânsito tenderia a melhorar… ninguém estaria obrigado a pegar esses ônibus esculhambados que os estudantes pseudo-revolucionários querem…
Engraçado como na sociedade atual as “causas” contra o livre-mercado estão se esvaindo… a “causa” arranjada pelos estudantes em todo o Brasil, desta vez, foi protestar contra a passagem do busão… e gozado como em todo o Brasil apareceram estudantes universitários pseudo-revolucionários protestando, feito massa de manobra, sendo feitos de besta protestando contra passagem de ônibus… imagine se tivessem levado um esculacho da polícia (estariam chorando para os pais pagarem consultas e exames médicos com planos de saúde caríssimos… até porque pobre não vai para as ruas fazer este tipo de protesto besta, pois tem que trabalhar…)… Serão os mesmos, estes estudantes, que daqui a poucos anos ou meses estarão pedindo emprego nas maiores firmas do país e deixando de lado o revolucionarismo, caindo na realidade da vida: ter que trabalhar para viver, meu caro amigo…
Adendo: o império da liberdade, neste país, está perdendo espaço para o império da esculhambação, do estado paternalista e populista… Á população só sabe pedir mais e mais favores do estado – passagem grátis, bolsa família, bolsa educação, bolsa leite, bolsa isso, bolsa aquilo, meia-entrada, toda-entrada, casa grátis, tudo grátis… como se as coisas não tivessem preço, não tivessem custo… como se as pessoas não quisessem ganhar para trabalhar… se alguém está obtendo algum benefício, quem está trabalhando de graça para elas?
No momento em que grande parte dos estudantes universitários de universidades públicas, de todo o Brasil, se alinham com um pensamento completamente defasado, que, posto em prática, praticamente afundou economicamente quase toda a Ásia alinhada com a antiga URSS, estão, não somente fazendo proselitismo de um sistema fadado ao fracasso e a pobreza, econômica e de ideias, como também demonstrando desconhecer quase que por completo a História do Mundo moderno e contemporâneo, iludidos por um pensamento que mais se aproxima de uma religião cega do que de alguma faísca de ciência, e, por fim, bobocamente, favorecendo inúmeras empresas que procuram se aproximar de governos para proteger seu mercado com reserva de mercado, através de aprovação de leis absurdas e processos licitatórios fraudulentos, apaniguados com políticos que fazem da política um grande comércio ilícito.
Alguns iludidos estão tentando consertar todo este sistema fracassado com mais intervencionismo, com mais fiscalização estatal, com mais repressão policial (MPs, TCUs, RF, Polícias, BOPEs, etc.), também certamente fadados ao fracasso, posto que o sistema é corrupto por si mesmo e não se está vendo nenhuma evolução em termos de educação e civilidade na população brasileira desde a redemocratização… o país passa por um de seus piores momentos em termos de segurança para a população civil e organização social, provavelmente provocados pelo desemprego, inflação, trânsito intenso, concentração de recursos em determinados pontos do território, redistribuição errônea de recursos (já, que, obviamente, não há como o estado acertar) etc.
Enquanto a vanguarda não passar a ser pró-liberdade, anti-estatizante, defendendo o estado mínimo (essa, acredito, a única opção política viável a curto e médio prazos), a pequena empresa, a liberação dos mercados, a diminuição dos impostos (tributos em geral), a diminuição dos gastos públicos, etc., este país terá que aguentar a pobreza, a ignorância, a falta de educação, as soluções que nada solucionam, deixando este país, uma das maiores nações do mundo, continuar a ser a velha república das bananas…
E os ciclos se repetem. Há um ano atrás escrevi esse artigo sobre uma situação similar aqui em Florianópolis.
Essas pessoas que protestam são ligadas a ONGs financiadas por agentes da própria esquerda e do governo federal. Isso está longe de ser um protesto espontâneo. Só que dessa vez eles deram um tiro no próprio pé, pois “atacaram” um prefeito amigo, do próprio PT. Esse tipo de coisa acontece de vez em quando na esquerda, nem sempre há um controle 100% eficaz.
Por incrível que pareça, ainda considero o modelo paulista um dos melhores. Em outras cidades brasileira a situação é muito pior.
No entanto, certamente falta liberdade e isso afeta gravemente o sistema.
Texto muito bom, se não me engano do Rodrigo Constantino e mais duas pessoas:
Um exercício de imaginação: como seria se a alimentação fora de casa, feito o transporte público, fosse gerida pelo governo? Má qualidade, filas e corrupção…
“A semana foi de muito transtorno para quem precisa se alimentar fora de casa. Greves de garçons e cozinheiros paralisaram os serviços de mais de 30 mil restaurantes, padarias e lanchonetes que formam o sistema de alimentação pública municipal. Os trabalhadores pedem aumento real e reajuste dos abonos salariais. Não houve acordo entre o governo e o sindicato até o fim da noite de ontem.
Na capital, 6 milhões de pessoas utilizam diariamente o serviço de alimentação coletiva.
Todos os estabelecimentos que vendem comida pronta são operados sob concessão por apenas 16 consórcios e cooperativas. A prefeitura e o governo estadual supervisionam a distribuição dos prato feitos e comerciais, planejam o sistema e realizam os repasses para as concessionárias.
Sem ter a quem recorrer diante da paralisação dos serviços, usuários chegaram a depredar bares e restaurantes. Outros se arriscaram em lanchonetes clandestinas, aquelas que não foram escolhidas nas licitações do governo e por isso atuam à margem do sistema de abastecimento da cidade.
A prefeitura alerta que esses serviços, além de ilegais, trazem diversos riscos para os usuários.
O sistema oficial, porém, é mal avaliado pelos cidadãos. Pesquisa recente mostra que o número total de queixas à prefeitura contra as comedorias saltou de 119.755, em 2010, para 143.901, em 2011.
A demora no atendimento ficou em primeiro lugar entre as dez principais reclamações. Outras queixas comuns são o desrespeito dos garçons, a pouca variação do cardápio e a falta de limpeza nas instalações.
O prefeito prometeu ontem mais investimentos na área. ‘Até 2013, esperamos reduzir para 40 minutos o tempo de espera para o almoço’, disse. Ele negou que o aumento dos salários dos garçons e cozinheiros resulte em aumento da tarifa do prato feito, hoje em R$ 30.
O Ministério Público investiga supostos repasses ilegais da prefeitura a concessionárias, que fizeram expressivas doações de campanha na última eleição. Os promotores acreditam que esses repasses seriam o principal motivo para a comida custar tão caro mesmo sendo subsidiada pelo governo.
Analistas afirmam que seria melhor que o governo deixasse para a iniciativa privada toda a venda de comida pronta. A concorrência entre padarias, botecos e restaurantes, argumentam eles, levaria diversidade e qualidade ao setor, atrairia a classe média e ainda baixaria o custo do serviço popular, como acontece em centenas de outros ramos da economia.
Para os analistas, a livre iniciativa e a concorrência poderiam até fazer a cidade ser mundialmente conhecida por seus restaurantes.
O sindicato dos garçons, a prefeitura, a associação das concessionárias, o Ministério Público e o governo estadual reagiram veementemente a essa proposta, que qualificaram de ‘irresponsável e neoliberal’.
Para as entidades, a ausência do Estado na alimentação poderia resultar na falta de lanchonetes em áreas distantes, além do desabastecimento de comida na cidade. ‘Se algum dia entregarmos o setor de restaurantes a empresários comprometidos apenas com o lucro, criaremos um completo caos’, disse o prefeito.”
Não chega a surpreender, mas para quem não viu:
veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/em-nota-petrobras-diz-que-contrato-com-ong-que-e-dona-do-dominio-passe-livre-ja-foi-encerrado-entidade-tira-logos-oficiais-de-sua-pagina/
O governo (nós) financia (mos) a organização dos vândalos.
Essa lei rouanet, conteúdo nacional na TV a cabo, e outras para “incentivar” a produção cultural nacional foram uma sacada de gênio dos esquedistas.
Financiamento ilimitado para suas causas.
Infelizmente, o setor de transporte urbano tem imperfeições de mercado que não podem ser sanadas pela concorrência. Uma pessoa que fica no ponto de ônibus não optaria por uma ou outra empresa, em decorrência de um preço menor ou de mais conforto. O usuário toma o primeiro ônibus que passa. Daí que o incentivo à “diferenciação do serviço” é ínfimo.
Não sei se já foi dito ai nos comentários, mas isso incentivaria até a diminuição da frota de carros, visto que possivelmente surgiriam transportes que hoje julgam “piratas”. Esses transportes até aumentariam a ideia de “carona coletiva”, porém com o incentivo de cobrar a passagem. Seriam mais pessoas dentro dos carros, diminuindo a frota de carros no trânsito. E os transportes também poderia até investir em trocar seus carros por veículos maiores. Seria um novo tipo de ramo de trabalho. Além disso, aumentaria as especialidades nessa área, fazendo com que empresas que queiram realmente serem bem-sucedidas, invistam em novas e inovadoras ideias, tirando os leigos do controle dos transportes.
FINALMENTE, UMA ANÁLISE COM NÚMEROS, DIAGNÓSTICO E PROPOSTAS! Eu não sou tão liberal, assim. Acrescentaria à proposta a necessidade de licenciamento com respeito à segurança do veículo, habilitação do motorista e conforto do passageiro. Uma vez cumpridos os requisitos, o poder público não poderia negar licença a ninguém. Ou seja, não haveria limitação quantitativa de licenças, como ocorre hoje com os taxis.
A direita especialmente a libertária esta perdendo a chance de estar ao lado de uma causa justa, a redução da passagens,ou pelo menos a discussão sobre o transporte coletivo de uma forma mais profunda.
Tem que OCUPAR ESPAÇOS e quando o cavalo encilhado passa na tua frente tem que pular.
Uma que as manifestações caem no colo da esquerda e dos estatistas.
Outra pq tira o esteriótipo da direita ser elitista.
O que não podemos é aceitar calados tudo que os governos fazem.
Vão deixar a esquerda ser sempre o protagonista da história?
Amigos, gostaria de fazer duas perguntas. 1) Em um sistema de transporte público desestatizado funcionando em livre concorrência como seria estabelecido a questão das paradas dos veículos? Hoje os motoristas dos ônibus são instruídos a parar somente nos ponto determinados pela prefeitura. No modelo proposto no artigo cada um poderia parar onde bem entendesse? 2) Há algum lugar que privatizou o transporte coletivo? Há algum caso real de sucesso? É assim nos países com maior liberdade econômica?
Quero propor uma questão. Vocês acham que esse momento no Brasil, em que a esquerda esta com a sua legitimidade corroída, seria um momento oportuno para a divulgação e penetração das ideias da escola austríaca na politica e na sociedade? A social-democracia e a esquerda deixaram de ser opções, então a escola austríaca seria aquela que ofereceria uma opção, uma solução para os problemas no Brasil. Os jovens no Brasil estão preparados para as ideias da escola austríaca?
Pessoal citando o Rodrigo Constantino nos comentarios,ele e’ totalmente contra o anarco-capitalismo.E’ patetico esse raciocinio dele nesse video:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=j8NZW2N3xc4
So uma parte transcrita do video:
“Muitos desses anarco-capitalistas usam o nome de Ludwig von Mises de forma absolutamente injusta”
O pior do video e’ afirmar a falacia do anarco-capitalismo e misturar anarquistas socialistas com o anarco-capitalismo
Para vocês que dizem ser impossível o transporte público gratuito:
Capital europeia passa a ter transporte público gratuito
Somente com a estatização do transporte e com mais regulações iremos coibir as injustiças do liberalismo que tanto afundaram os EUA e os países neoliberais!
Ocorreu nesta noite de segunda-feira a “entrevista” dos “cabeças” do movimento “Passe Livre” em São Paulo (…não era um movimento espontâneo?…) na Roda Viva da TV Cultura (como descobriram quem eram os cabeças?). Não se preocupem. É o mesmo papo ultra-estatista de sempre. Vai ver que, mais a frente, vão querer concorrer a algum cargo “público” (seria a velha imprensa autopromovendo seus “líderes”?).
Na entrevista, sequer disseram claramente que existia um conchavo entre as empresas de ônibus de São Paulo e a Prefeitura, para cartelizar o mercado (algo, como sabem os leitores deste IMB, corriqueiro em todos os órgão públicos que licitam concessões) – só disto, dá para concluir que ou tiveram receio de dizer o que acham (improvável, já que andam baixando o verbo em vários políticos), ou não foram exatamente sinceros (hum… a quem andaram poupando?). Disseram que agora, que a população está ficando menos pobre (hum…), de dez anos para cá (hum… interessante este interstício temporal… a simpatia política nem ficou evidente…), a “população” (havia realmente alguém que não fosse universitário?) está se mobilizando.
Além da poupança de alguns políticos (mostraram-se até animados e sorridentes em terem encontrado um deles), de dizerem que aceitavam alguns partidos no movimento (que quisessem mudar radicalmente o “status quo” – será? mudança rumo a quê?) e que não aceitariam especificamente pelo menos um (vou poupar a todos e não vou citar nomes de conglomerados políticos, por respeito ao próximo), de, em resposta a um comandante da polícia, dizerem que do investimento público no passe livre e do não investimento em cadeias públicas decorreria uma dimunuição dos números da violência alarmante neste país (donde se pode concluir que de “Passe Livre” o movimento deveria passar-se a chamar “Passe de Mágica”), sequer os cabeças tiveram a coragem de responder, claramente, a que, exatamente, pensamento político pertenciam (já que a este tipo de pensamento você pertence, ao invés de possuir).
Disseram que não tinham responsabilidade sobre o que os membros do movimento andaram quebrando pelas ruas (nem se fosse propriedade particular de alguém? Acho que não querem gastar com indenizações de bens alheios depredados…). Que depredem só os públicos, por favor, já que não são de ninguém mesmo, não é? (Pelos bens particulares, alguém os comprou e investiu dinheiro suado nisto… se quiserem depredar bens particulares, comecem pelos de vocês próprios…)
Quer dizer, o pensamento estatista doentio continua a todo vapor. Além do movimento ser “Passe Livre” (pelo subsídio total do Estado… imagine-se a guerra das empresas, com subsídio total… seria certamente uma blitzkrieg para ver quem tomaria o maior quinhão primeiro…), apoiado por alguns partidos xiitas (braços disfarçados do próprio partido do governo federal), ainda toma como exemplo a ser seguido os 70% de subsídio que supostamente, segundo os mesmos, a França dá ao seu transporte público.
Depois de se ver tamanhas regurgitações, há que se alertar os incautos que ainda acham que foi um movimento espontâneo, surgido nos meios virtuais, para mobilizar a população contra a praga dos cartéis estatais: pelo entrevista, não deve ter sido. Estão apenas mobilizando a população para poderem gastar mais dinheiro “público” com transporte coletivo – isto é, alguém vai sair ganhando bem no final desta historieta e o “contribuinte” tendo que arcar com a farra. Desconfiem de tudo o que dizem ser “espontâneo”. Há sempre dinheiro alheio a ser repartido entre os bons…
De todo modo, a única coisa que se pode dizer de boa neste movimento é que alerta a população que algo vai mal (ufa!) – apesar de popularizar as razões erradas e soluções dividosas (não se pode querer tanto…).
Como o texto acima mostra, nada melhor que uma boa liberalização do transporte coletivo para acabar de vez com os cartéis estatais, baixando o preço e melhorando a qualidade. “Estranhamente”, esta, a única solução jamais adotada desde a adoção irrevogável do Estado-Forte (vou chamar assim, em homenagem a “vivacidade” estatal, tão comum e estudada nos estados soviéticos e nacional-socialistas…) e solução esta jamais defendida por nenhum movimento “social”, seja provocado ou espontâneo.
Quem sabe a juventude, de fato, realmente não acorda, passa a estudar e ler mais o IMB, a fim de não ficar dizendo besteiras pelas ruas (besteiras estas, sempre em prol do Estado-Forte) e, quem sabe, um dia, deixar este país avançar, junto com seu povo. Quem sabe, um dia, num movimente, articulado que seja, em prol da liberdade, da livre iniciativa e contra a cartelização do estado em favor de alguns poucos apaniguados.
@Leitor,
Realmente querer demais. Racionalizar o movimento que temos visto nas ruas com um “os jovens estão insatisfeitos pena que não sabem com o que” não é mais do que isso: uma racionalização.
O fato é que, de alguma forma doentia, todas as manifestações anti-estado levam ao aumento do próprio estado. Eu gostaria de ficar satisfeito com movimentos como o que temos visto, colocar a cabeça no travesseiro a noite com a sensação de “começou! o povo acordou!”, mas eu estaria mentindo para mim mesmo… e eu já fiz isso muito na vida.
O trágico é que esses jovens se acham revolucionários… não estão mais do que colocando outro prego no próprio caixão (e no caixão de todos nós, por conseguinte).
Pelo menos a “presidenta” (uma pessoa que inventa uma nova palavra para si mesma) foi vaiada. Obviamente não foi vaiada pelo povão, para quem ela paga bolsa-esmola (afinal de contas, uma calça de adolescente custa 300 reais, não é mesmo?). Foi vaiada pela classe-média, que compra ingressos àqueles preços. Essa “presidenta” já deve estar se arrependendo de não ter inventado o bolsa-ingresso-da-copa.
Essa manifestação é um grande caos. Existe certos líderes sim, mas estes tem poder limitado e não tem conseguido emplacar suas bandeiras junto a grande massa. A impressão mais nítida é que há insatisfação, mas as pessoas simplesmente não sabem o que fazer para resolver isso. As pessoas agem por agir, sem um rumo definido.
Percebam que isso é perigosíssimo. É um grupo enorme, revoltado e que não sabe direito o que quer. E a esquerda já tenta aliciá-los por todos os meios. No entanto, é também uma chance para quem queira transformar isso em um protesto anti-estado. A oportunidade se apresenta.
Entretanto, se a coisa continuar como está, nada vai mudar. Protestar sem ter idéias claras sobre o que fazer não leva a lugar algum.
No meu modo de entender a SPTrans nada mais é do que um cartel das empresas de ônibus em São Paulo. Ou não?
Agradeço ao Filipe por ter escrito a matéria, é sempre bom ver que tem pessoas que ainda estão dispostas a pensar e discutir.
Vamos nos unir aos manifestantes!
Os manifestantes estavam escorraçando os partidos políticos que começaram a atuar lá dentro. Esses liderecos que a mídia está inventando é para desarticular o movimento.
Fora os partidos e seus asseclas!
Pela diminuição pela metade dos impostos!
Pelo fim dos subsídios às grandes empresas!
Pelo fim dos tributos às pequenas empresas!
Pelo fim da burocracia!
Pelo fim dos cartéis!
Pela liberdade de realizar transporte coletivo!
O movimento é democrático e partido ou ideologia nenhuma pode impedir isto. A sociedade não aguenta mais. Falta um norte. Este pode ser o norte.
Esta pode ser a oportunidade de mudar o rumo desta nação!
Esse aqui é pra todos que pensam em apoiar os manifestantes:
g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/06/movimento-quer-diminuicao-de-lucro-de-empresas-para-reduzir-tarifa-em-sp.html
Faço novamente a ressalva, embora a maioria não esteja protestanto o preço da tarifa, mas sim a condição geral do país, os oportunistas, ligados ideologicamente ao governo, vão se aproveitar da situação. Manifestante, voce é massa de manobra, parabéns.
O Padre Paulo Ricardo fala sobre estas manifestações no video de hoje:
Filipe
Hoje em dia uma linha de ônibus opera em intervalos regulares, o que é uma garantia de transporte pela cidade. Com uma completa desregulamentação, não correríamos o risco das empresas operarem somente nos horários lucrativos, perdendo então essa garantia?
Essa ideia pode ser expandida para o Metrô? Como uma empresa privada poderia arcar agora com os enormes custos para a construção de um Metrô subterrâneo, se cada proprietário de imóvel quisesse cobrar pela passagem da linha sob seu terreno?
Teria o mercado condições de se articular sozinho para a realização de grandes obras?
Esse foi o texto mais sensato que já li sobre estes protestos, especificamente o transporte.
Não cara. Você não vê os moto-taxis? A carona paga poderia ser uma alternativa. Fora que um empreendedor vendo que existe uma demanda não-satisfeita na madrugada (exemplo de horário pouco movimentado), ele poderia satisfazer essa demanda de forma lucrativa, seja com um veículo mais econômico (moto, van) e/ou cobrando mais caro.
Metrô não compensa. Como eu assisti num vídeo sobre a privatização do transporte coletivo, a maioria das soluções de transporte coletivo são deficitárias justamente porque são antiquadas. Trem de alta velocidade, bonde, metrô…se liberalizar o acesso ao mercado, o empreendedor vai entrar onde ele pode lucrar. Como você mesmo mostrou, se o metrô não compensa, ele não vai entrar.
Sobre desregulamentacao do transporte….
Quando estudanre da USP na decada de 60 particpei de “carona paga” ..um colega nosso tinnha uma Kombi e pagavamos uma ” tarifa” ….e claro que era tuod informal..sem nenhum estado se intrometendo…deu certo..ficamos amigos memso depois de formados….
Ao ler o artigo acima e os artigos com a mesma temática a preocupação que me ocorre é como ficam aqueles serviços de que a população precisa e que não produzem o lucro almejado pelos empresários. Na questão dos transportes, não vejo como possa uma empresa privada ter interesse em prestar o serviço em uma favela ou alguns bairros periféricos, por exemplo. Com certeza ainda preciso estudar mais para obter uma melhor compreensão a respeito, mas, ao menos por enquanto, pululam interrogações que me levam a crer que a proposta liberal é tão utópica quanto aquilo que pretende combater.
@Júlia,
Essa é uma falácia recorrente para justificar a presença do estado. Veja que o preço de produtos e serviços é determinado pela relação entre oferta e procura. Os coletivistas e estadistas adoram pensar que o preço é determinado por algum mecanismo mágico ou divino, ou pelo canetaço de algum burocrata. E esse pensamento tortuoso é responsável por grande parte do “duplipensar” que é possível identificar em comentários como o seu (sem nenhuma intenção de desrespeitá-la, veja bem).
Se houver demanda, sempre haverá uma maneira de alguém engenhoso supri-la. É bem provável que uma empresa privada, uma vez livre do peso dos impostos e das amarras da lei trabalhista, conseguisse arranjos vantajosos para todos no transporte de pessoas da periferia. O que é preciso, na realidade? Pense bem! É preciso apenas uma van, algum dinheiro investido em gasolina e motoristas que aceitem um salário justo.
Se você descontar todos os impostos da aquisição de veículos, pode facilmente comprar uma van ou mini-onibus por 20 mil reais. A gasolina não vai sair mais do que 500 reais por mês (mais uma vez, sem impostos), dependendo do trajeto, um bom motorista pode trabalhar por 700 reais (novamente, sem impostos). Temos 34 mil reais de investimento para recuperar em um ano. Isso dá ~ 2900 reais por mês de faturamento para empatar. A 1 real a passagem (novamente sem imposto), são 2900 viagens. Supondo ida e volta de todos, são 1450 viagens duplas por mês, ou aproximadamente 5 idas e vindas com a van lotada (considerando 15 pessoas e 20 dias úteis por mês).
Isso é bem simples. É uma operação pequena e demora um ano para dar frutos (depois de empatado o investimento, passamos a ter uma receita de 20 mil por ano). É fácil de ver uma pequena empresa operando um serviço de vans populares para bairros periféricos, satisfazendo a população e seus funcionários e auferindo algum lucro.
Observe que considerei uma passagem de 1 real. Essa operação seria lucrativa em metade do tempo se fosse 1,5. E 1,5 é a metade do que tem cobrado hoje em grandes cidades.
Se o empreendedor não tiver capital, basta procurar um capitalista investidor ou um banco para começar a operação. Em um Livre Mercado, pessoas que identificam e têm capacidade de fazer funcionar operações lucrativas sempre terão investidores.
Agora, vamos supor que esse negócio tenha decolado com uma tarifa de 2 reais (maltido porco capitalista, quer lucrar com a necessidade alheia). Sem demora um dos insatisfeitos motoristas do empreendedor acima resolve concorrer com ele. Não existe licenciamento algum para proteger o mercado e ele tem uma kombi mais velha, mas que ainda dá pro gasto, logo não precisa fazer o investimento inicial. Ele pode fazer a viagem ao preço de 1 real… mas uma kombi carrega menos gente e ele tem de fazer mais viagens. Também não é tão confortável quanto uma van, mas ainda assim tem pessoas dispostas a economizar 50% do preço da passagem e tomar a kombi ao invés da van.
Ambos empreendedores prosperam. Talvez o primeiro tenha de baixar seus lucros para enfrentar a concorrência da kombi e fazer viagens a 1,5. Ainda assim, com um bom lucro. A existência do transporte por kombi, além de beneficiar obviamente os que não podem bancar mais do que 1 real por viagem, também beneficia os usuários da van, que podem pagar 1,5 ao invés de 2 reais.
Desculpe ter de passar por tudo isso para chegar ao meu ponto… mas era necessário fazer ver que os pensamentos empacotados como o seu (“não vejo como possa uma empresa privada ter interesse em prestar o serviço em uma favela ou alguns bairros periféricos”) necessitam ser desmembrados para provar que estão errados. São apenas uma ladainha repetida aos quatro ventos e um milhão de vezes para que se torne verdade. No final só servem para a manutenção do status quo.
Meu ponto é, em uma sociedade de Livre Mercado, sempre que houver demanda os empreendedores e capitalistas darão um jeito de supri-la. Alguns vão até mais longe e inauguram nichos inteiros de mercado, para os quais nem se sabia que existia alguma demanda (veja o caso dos tablets, por exemplo). A concorrência se encarrega de manter os diversos empreendimentos operando de forma eficiente e com um lucro justo. Sempre que esse lucro for muito alto, um concorrente vai se encarregar de entrar no mercado forçando uma redução. Sem um governo para proteger os empreendedores já estabelecidos, a concorrência se encarrega de manter os preços o mais baixo possível. Todos se beneficiam.
Por fim, veja que esse é o objetivo e o fim do Livre Mercado: todos se beneficiam das relações estabelecidas voluntariamente através do sistema de preços. As pessoas podem, a um preço acessível, não ter de caminhar até o trabalho. Podem inclusive chegar mais cedo e ganhar mais (sim, por que em um sistema em que as leis trabalhistas não estão tão amarradas, é bem provável que empreendedores premiem funcionários que chegam mais cedo… no sistema atual, isso não tem espaço para ocorrer, mas isso é outra história). Os empreendedores auferem algum lucro ao prestarem um serviço necessário para o qual seus clientes podem pagar. Os empregados do novo empreendedor ganham um salário condizente e, se não estiverem satisfeitos, sempre podem assumir os riscos para si e empreenderem por conta própria.
Prezados,
obrigada pelos esclarecimentos. Com relação ao Estado, vejo claramente os males que ele causa. Não precisamos debater este ponto e não estou defendendo a manutenção do mesmo. Aliás, litigo contra ele diariamente. No entanto, não consigo ver no liberalismo a panaceia para todos os males. O que me incomoda na proposta liberal é um certo aspecto dinheirista. Se você tem capital ou pode pagar por algo então você é interessante para a sociedade. Se você não tem, morra e pare de encher o saco porque não é justo outra pessoa trabalhar e ser explorado para pagar por serviços que você precisa. Vocês pregam o respeito absoluto à propriedade, mas para isso é necessário ter alguma. E como nós bem sabemos, infinitas atividades e serviços são necessários sem que tenham potencial para gerar lucro. Exemplo: fornecimento de cuidados médicos a órfãos com câncer. Vejam, eles não tem propriedade nem ninguém que tenha algum capital para pagar pelo tratamento para eles. O que fazer? Aí a única resposta que obtenho é que pessoas iluminadas irão fazer uma caridade e sozinhas ou em grupos vão se mobilizar para resolver esse tipo de problema. Sinceramente, tenho medo que haja a continuidade da dominação dos fracos (desvalidos) pelos fortes (detentores do capital), o que já há, dominação esta instrumentalizada pelo Estado. Para encurtar, acredito mesmo que não importa a forma de viver ou a ideologia dominante em uma sociedade, mas sim a inserção de valores morais. Uma sociedade em que haja respeito mútuo e a perfeita assimilação do conteúdo do princípio da igualdade é o mais próximo do ideal que consigo hipoteticamente alcançar. Sei que isso causa arrepios aos liberais, mas quanto mais eu estudo, mais retorno a este ponto. Assim, agradeço o debate sempre produtivo, pois precisamos uns dos outros para poder enxergar as coisas com maior clareza.
Abraços!
@Julia,
Exemplo: fornecimento de cuidados médicos a órfãos com câncer. Vejam, eles não tem propriedade nem ninguém que tenha algum capital para pagar pelo tratamento para eles. O que fazer?
O que é feito hoje? Essas crianças são jogadas em depósitos humanos e tem cuidados dados por pretensos médicos contratados do serviço público que na realidade só passam lá uma ou duas vezes por mês para ajustar a dose de morfina ou para assinar o atestado de óbito. (Eu sei disso em primeira mão… fico bem tranquilo para discutir contigo em privado, se quiseres).
Esse pensamento é outra falácia estadista. Precisamos do estado por que, do contrário, quem vai cuidar dos desvalidos. Ora, se forem de fato desvalidos, sempre haverá uma alma caridosa para cuidar dele… o que acontece é que a caridade mandatória é um abuso estatal e só alimenta o Leviatã. Nunca chega a sua finalidade real.
Na realidade, os de fato desvalidos são uma parcela ridiculamente pequena da sociedade e cada vez menor (em países ocidentais), facilmente cuidados por pessoas de bom coração (desde que elas não precisem pagar impostos por isso). Em outro fórum respondi a uma pergunta parecida: “se você estivesse diante da opção de roubar um pão ou passar fome, o que você escolheria?”. Esse é uma falácia parecida: precisamos do Estado para não ser atacados pelos desvalidos.
Ora, essa situação existe? Quem está com fome não pode oferecer a própria força de trabalho em troca do pão de que necessita? Sempre tem um pátio para carpir, um lixo para transportar ou uma roupa para lavar… quem propõe uma situação dessas “ou rouba ou morre de fome” não vive no mundo real. Vive em um mundo onde a fantasia impera.
Por fim, quero repassar a lição de vida que eu mais prezo. Foi há uns 30 anos, quando, ainda imbuido do espírito Marxista, estava justificando em voz alta o roubo do toca-fitas do meu carro (sim, já existiu outra coisa além do CD e do Bluetooth, chamava-se toca-fitas). Dizia para mim mesmo “isso deve ser algum pai-de-família, precisando alimentar seus filhos… que faça bom uso”.
Ouvindo o que eu dizia para mim mesmo, o “seu Antônio”, o porteiro do prédio, olhou para mim e disse assim: “Não dotô. Isso é vagabundo! Pai de família não róba para dar comida aos filhos. Quando eu estive passando necessidade – eu passava fome mesmo dotô – sai com meus 3 filhos na rua para catar ferro-velho e garrafa pra comprar a comida pra por na mesa deles. Num precisei di robá não!”.
Então, o “seu Antônio” me deu uma lição de vida que me valeu mais do que quase tudo que meus pais intelectuais marxistas de esquerda me ensinaram em toda a minha vida.
Julia, abra seus olhos. Questione se esse seu sentimento condiz com a realidade ou se é algo implantado por um estado cujo único objetivo é se perpetuar no poder.
Ótimo artigo !
Por favor, poderiam fazer algumas considerações acerca deste vídeo? Gostaria de ter argumentos para refutá-lo, mas não tenho recursos intelectuais suficientes, mas percebo que há algo falacioso na proposta:
http://www.youtube.com/watch?v=k14kp145gB8
Agradeço a atenção
Luciano
“A Comlurb é a empresa mais eficiente do mundo!”
Que o carioca seja bairrista e se ache o umbigo do mundo, vá lá. Agora, divulgar ignorância pela internet já é demais. Quer dizer então que a Comlurb (que não é puramente estatal, mas sim uma empresa mista) é melhor que todos os sistemas de coleta de lixo de todas as cidades dos EUA, do Canadá, da Europa e da Ásia?! Puxa…
Taí uma provinciana que nunca saiu do Méier e que jura que o mundo todo é pior e mais atrasado do que aquilo.
Outra coisa: o vídeo diz que o certo é a prefeitura controlar as tarifas. Ora, isso é exatamente o que ocorre hoje. As tarifas são determinadas no momento da licitação, e todo e qualquer reajuste só ocorre se for autorizado pela prefeitura.
De resto, sobre a tarifa zero não ter custo nenhum, pois o dinheiro se “reverte em impostos”, a coisa não faz nenhum sentido econômico. É papo pra enganar trouxa.
Também não entendi a proposta de a prefeitura licitar o quilômetro rodado, mas controlar a passagem. Segundo o vídeo, a empresa seria remunerada estritamete de acordo com o custo. Ou seja, o empresário trabalharia de graça, sem ter um centavo de lucro. Transporte viraria obra de caridade.
Essa gente, além de espalhar mentiras, não tem a mais ínfima noção de como é que funciona o mundo real. São um bando de remelentos e mafaldinhas criados a leite com pêra que não sabem como funciona a vida real. São tão revolucionários que tomam Toddynho sem agitar.
Excelente artigo, precisamos disso, que abra as um leque de soluções. Não sou de direita, mas esse site ou blog, está ou de parabéns. Continuem o ótimo trabalho, sou anarquista e acredito na liberdade, e o melhor caminho para isso é ser livre… Minha unica duvida é, se os próprios empresários não criariam um tipo de cartel, para dominar o mercado,meu medo dessa busca do lucro, é que os próprios empresários se tornem “coletivistas marxisistas” kkkkkkkkk???
Essa proposta é um verdadeiro fiasco na verdade. O primeiro motivo é simples: qualquer transporte de massa em uma cidade que exista demanda se torna inviável sem a presença do Estado, porque o gasto comprando propriedades é muito alto, além da burocracia e do tempo gasto que aumenta os custos. O estudo de solo seria um outro grande desafio. São problemas que existem indiferente do nível de liberdade econômica. Transporte de massa seria uma obra faraônica impossível. Somente é possível o modelo público-privado para o transporte de massa (diga-se metro, monotrilho, trem) como forma de “desestatizar”.
Imagino que vocês aplicariam a explicação sobre o perigo do socialismo e comunismo nas concessões público-privadas, como a ideia de que os prejuízos fique na responsabilidade do Estado. É uma infeliz verdade que o prejuízo é subtraído pelo Estado, mas essa ideia está incompleta, porque qualquer empresa tem a pretensão de aumentar a margem de lucro. Isso é invariavelmente verdade nos casos desses modelos de transporte de massa, porque o menor erro de qualquer natureza impacta na confiabilidade do serviço e põem em risco a credibilidade da empresa. Por esse serviço se tratar de um sistema especializado que as pessoas não conhecem o seu funcionamento, é grande o rigor em relação aos padrões de qualidade. Nesse caso o desleixo e o prejuízo não é uma alternativa.
A única solução possível para a desestatização do serviço de transporte de massa e com isso a diminuição dos impostos, é o modelo público-privado na atualidade.
A Linha Quatro Amarela do Metro é um dos modelos de sucesso reconhecido no país e fora dele, porque explora o espaço interno com propaganda, publicidade, aluguel dos seus espaços para comércio, convênios com outros meios de transporte etc, além de empregar um reduzido número de funcionários. Isso poderia ser aplicado pelo Metrô de São Paulo ou de qualquer outra cidade do país, mas falta criatividade devido a estabilidade e existe o empecilho ideológico que se põe contra essas medidas que tornam o serviço mais rentável. E isso é o suficiente para aumentar o lucro sem a necessidade do aumento da tarifa, mas o risco de interferência política é sempre perigo, por isso a necessidade de tirar das garras do Estado como sempre.
O único lugar em que a iniciativa privada deu 90% da execução do projeto foi Hong Kong, mas nesse caso foi necessária ainda sim a intervenção do Estado (ele cedeu terras à iniciativa privada). Assim como ocorre aqui em São Paulo na Linha 4 em que exploram o entorno da linha para projetos imobiliários, está sendo feito pela linha privada de Hong Kong para manter a tarifa baixa. infelizmente é um serviço restrito ao oligopólio/monopólio.
A respeito dos transporte de média e pequena capacidade que são os modais viários, é possível sim privatizar completamente, mas o problema é que impacta na integração e mobilidade urbana. Não digo dos transportes intermunicipais, mas digo do transporte municipal. Uma solução inteligente seria estabelecer o teto de 3 reais a passagem com reajuste conforme a inflação e o aumento de renda real da população. O trajeto, lucro e o prejuízo seria da total responsabilidade de quem se prestasse a oferecer esse serviço de transporte. Qualquer um poderia prestar o serviço e as regras seriam mínimas: modelos de carro autorizados, identificação visual, cadastro do trajeto que seria feito, tempo mínimo de prestação de serviço, aviso prévio caso pretenda parar de oferecer o serviço e uso do sistema bilhete único. Eles teriam toda a liberdade para escolher o trajeto, o horário, se permitiriam a venda nesses espaços etc. Além de tudo o mais importante que a integração e mobilidade urbana não seriam atingidas.
Esse texto me fez lembrar a questão do pedágio urbano, que visa amenizar a tragédia dos comuns existente nas ruas públicas. Já li em um livro de microeconomia (o do Gregory Mankiw) que Singapura adotou a taxação e passou a ter um trânsito muito mais organizado. Seria uma solução intermediária, caso a população não aceite de forma alguma a ideia das ruas privadas. Alguma sugestão de como adotar algo do tipo sem fornecer mais superpoderes ao governo? Talvez através de créditos de mobilidade que seriam comercializados entre a própria população. Se eu não pretendo dirigir muito num certo mês eu vendo o excedente para outra pessoa, criando um sistema de preços.
Acho um tema bem importante de se discutir, pois é uma das causas do caos na nossa mobilidade urbana e é uma ideia que assusta a maior parte da população, que prefere o uso das ruas seja “gratuito”.
“The protest, scheduled for 9 a.m., targets smartphone apps that allow users to summon a car with the touch of a screen. Taxi companies and city officials say the app companies have not obtained the proper permits and are operating illegally.”
articles.latimes.com/2013/jun/25/local/la-me-ln-taxi-rideshare-apps-protest-20130624
Estou atrasado no cronograma do texto, mas como a questão de mobilidade urbana é sempre atual, então estou em dias com o assunto.
Eu faria praticamente tudo ao contrario do que disse o Rafael logo acima, com raras exceções. Falo isso porque vivo numa região metropolitana de um estado do centro oeste em que teve uma historia ressente – na virada da década de 1999/2001 – de conflito no transporte convencional concedido pelo poder publico municipal e os chamados alternativos (vans e micro-ônibus) de iniciativa exclusivamente privada. O poder publico neste caso foi o protagonista central e decisivo para a derrota do modelo alternativo totalmente privado de transporte coletivo.
Hoje é triste ver nesta região urbana a falta até mesmo de táxis, pois esses para existir precisa da concessão e permissão do poder publico municipal, que leva décadas sem fazer uma concessão do tipo. A conclusão que a gente chega é de que o estado é a maior pedra de tropeço na frente do cidadão comum em tudo por tudo, inclusive na questão da mobilidade urbana. Os problemas só existem porque o próprio estado os cria e mantem ao logo do tempo, essa é a minha opinião, e baseada nos fatos da minha região onde moro – isso é uma realidade triste, mas real.
Precisamos compreender totalmente o significado desses movimentos de massa e dessas denuncias. Como isso irá afetar o desempenhos desses políticos nas eleições de 2014. O estudo das eleições passadas pode nos dar algumas pistas sobre o perfil do candidato e de seus eleitores e como ele se encaixa nesse novo cenário. Que mudanças o candidato tem que fazer na sua postura e programas para atender a este novo eleitor.
Como funcionaria uma cidade abaolutamente miserável, com uma população com pouco poder aquisitivo? Que incentivo as empresas, tanto de transporte como outras (supermercado, escolas, saúde privada etc) teriam para se instalar lá? Não seria necessário primeiro criar um mercado consumidor, precisando de interferências governamentais pra isso?
Olá, a dúvida que me surgiu foi exatamente a possibilidade do surgimento de cartéis entre as empresas. Vi que já houve essa pergunta aqui e que o Leandro Roque, como sempre, respondeu. No entanto, não me convenci da resposta para a questão dos transportes. Concordo com a análise de que os cartéis, entre outras falhas de mercado, são geradas, em geral, exatamente por algum nível de intervenção governamental. Mas eu quero saber para esse caso, o do sistema de transportes. Por que essa solução apresentada no texto, sem nenhuma intervenção do Estado, está livre do risco de apresentar cartéis? Me parece claro que seria extremamente conveniente aos empresários do setor o conluio, já que a população mais pobre em muitas áreas não tem alternativa a não ser o ônibus.
Obrigado e parabéns pelo rico conteúdo do site.
É possível, para algum município brasileiro, efetuar essa desregulamentação do transporte coletivo? Digo, não haveria nenhum questão jurídica que pudesse impedir isso?
Muito legal a ideia de livre concorrência no transporte público. Se não fosse uma pequena coisa chamada trânsito. Se todo mundo que quiser entrar, entrar, ninguém mais anda. O fim do monopólio é, sem dúvida, muito necessário. Mas deixar todo mundo que quiser competir, competir, não é uma boa. Licitações existem por isso. O espaço é limitado, a concorrência só pode vir até aqui. Caso contrário, vai haver tanto ônibus na rua que todo serviço vai ser ruim por questão de trânsito. Tá vendo como neoliberalismo não pensa em nada além do próprio lucro. Desconsidera até uma coisa simples como espaço limitado e trânsito.
Dizer que a culpa é por má administração pública é clichê. Na França é estatal e não vejo esse tipo de crítica. Governo é reflexo de seus governantes. O problema da Vale foi de administração privada. Isso não invalida as privatizações quando se fazem necessárias, como no setor de telefonia.
Em Maricá, o transporte já consegue ser completamente subsidiado e a prefeitura não renovou as concessões da viações. Em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo não dá pra fazer, mas deixar na mão do privado não é uma ideia inteligente. A prestação de serviço público objetiva grandes lucros e as passagens ficam mais caras e não atendem os requisitos básicos. É só olhar o Eduardo Paes aqui no Rio, os aumentos exorbitantes há 3 anos e nem 50% da frota com ar condicionado. É uma relação patológica. O erro está em achar que o problema é a administração governamental. Isso é uma desculpa imbecil pra quem não quer fazer sua parte política no desenvolvimento do país. Países com boa administração governamental são reflexo de um povo politicamente ativo.
O necessário é lapidar a esfera governamental até ela se tornar adequada, com representantes corretos. SP há 20 anos se deixa governar pelo PSDB e há 20 anos reclamam de trânsito ruim, mau desenvolvimento econômico, crescente de violência e, ultimamente uma polícia que bate em crianças que querem estudar. Mas não associam isso com seus governantes, mas com o governo como uma entidade abstrata.
Serviços básicos não podem ser entregues para a iniciativa privada (transportes, prisão, economia). A esfera privada contempla demanda e oferta, mas não contempla relações mais amplas dentro dessa teia. Ela para naqueles que lhe dão lucro. E existe além.
O BRT por exemplo, é mais desenvolvido que os ônibus que andam por aí sem ar condicionado e custa o mesmo preço. O metrô tá quase a mesma coisa. Não há desculpa. O governo precisa é ser bem moldado pelos seus eleitores, ao invés de macacos que falam em política de 4 em 4 anos. O que é prestação de serviço público e básico deve se manter no público. Aquilo que é produto e consumo deve ir para o privado. Isso assegura o acesso realmente popular do que é serviço básico. Uma passagem à R$3,80 numa economia com salário mínimo de R$880,00 não é acessível, não é popular. E não vai ser uma indústria que objetiva lucro que vai resolver essa questão. Que dirá tentar acabar com o monopólio simplesmente lotando estradas.
Gostaria de saber como ficaria a situação da galera que mora em lugares mais “prejudicados” com uma total abertura e concorrência, desregulamento. Que empresário gostaria de participar ou investir em uma “frota” desta ?
Aqui na minha cidade temos apenas uma empresa de Tansporte Privado (ônibus) e nenhum estatal, porém não existe concorrência. Os moto taxista não são “legalizados”, tem carros particulares os chamados ligeirinhos que cobram um valor ligeiramente mais alto, porém são mais rápidos e e eficientes. esse não são legalizados e são caçados pela polícias e pelos fisçães de trânsito.