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Propostas para uma reforma bancária completa e estabilizadora

A crise financeira mundial vem explicitando a instabilidade do nosso atual sistema bancário, que opera sob reservas fracionárias.  Após o estouro da bolha imobiliária americana, vários bancos faliram nos EUA, o que levou o governo americano a utilizar dinheiro público para trazer alguma estabilidade ao setor.  Na Europa, a situação segue caótica.  Sempre que a situação parece estar se tranquilizando, surgem novas notícias de que algum grande banco de algum país está insolvente e necessitando de novos pacotes de socorro.  Caso tal pacote de socorro não seja concedido, o temor é o de que todo o sistema bancário do país pode se tornar insolvente — o que, por conseguinte, pode contaminar os bancos de todo o continente.

As causas das crises bancárias são as mesmas: os bancos detêm o privilégio de criar dinheiro do nada para conceder crédito para empresas e para pessoas físicas.  Durante o processo de expansão artificial do crédito — orquestrado pelo Banco Central em conjunto com o sistema bancário de reservas fracionárias –, uma bolha especulativa é desencadeada, dando início a uma fase de crescimento econômico que, nas palavras do próprio Alan Greenspan, pode ser caracterizada por uma “exuberância irracional”. 

Esta fase da expansão creditícia provoca uma série de desequilíbrios e descoordenações na economia real, fazendo com que vários projetos e empreendimentos de longo prazo, que antes da expansão do crédito se mostravam desvantajosos, se tornem agora, por causa da queda dos juros, aparentemente (muito) lucrativos.  A expansão do crédito gera um aumento da quantidade de dinheiro na economia.  Como consequência, a renda nominal das pessoas aumenta, o que gera nos empreendedores a crença de que haverá demanda futura para seus investimentos de longo prazo.

No entanto, por causa desta inflação monetária, os preços dos bens e serviços na economia começam a subir, o que leva o Banco Central a subir os juros e os bancos a cobrarem mais caro por seus empréstimos.  No final deste ciclo, quando a expansão creditícia — que não pode se perpetuar para sempre — for desacelerada, a realidade virá à tona, o mercado inevitavelmente apontará os erros cometidos durante esta época de exuberância, e todos os empreendimentos que foram iniciados porque pareciam lucrativos revelar-se-ão excessivamente ambiciosos e acabarão sendo um grande desperdício. 

A redução da expansão do crédito faz com que a renda nominal dos consumidores, que até então era crescente, se estagne.  Como os preços ainda seguem crescendo, e como os consumidores estão mais endividados, sua capacidade de consumo estará afetada.  A demanda esperada para os investimentos não se concretiza. 

Vários bens de capital produzidos durante o período da euforia, bem como vários empreendimentos imobiliários, se tornam ociosos, revelando que sua produção foi um erro e um esbanjamento desnecessário (o que os fez ser distribuídos incorretamente no tempo e no espaço) porque os empreendedores se deixaram enganar pela abundância do crédito, pela facilidade de seus termos e pelos juros baixos estipulados pelas autoridades monetárias.

O resultado de tudo isso é que o padrão de vida dos consumidores não aumentou em nada.  Pelo contrário: os consumidores estão agora relativamente mais pobres em decorrência de todos estes investimentos errôneos e insustentáveis que foram empreendidos em decorrência da expansão artificial do crédito, investimentos estes que imobilizaram capital e recursos escassos para seus projetos, recursos estes que agora não mais estão disponíveis para serem utilizados em outros setores da economia.  No geral, a economia está agora com menos capital e menos recursos escassos disponíveis. 

Todos estes empreendimentos que foram iniciados porque pareciam lucrativos não teriam sido feitos caso não houvesse ocorrido uma expansão artificial do crédito.  Tais empreendimentos não foram financiados por um aumento na poupança real dos cidadãos.  Ninguém reduziu seu consumo para que recursos escassos fossem liberados para ser utilizados nestes empreendimentos.  Tudo foi possibilitado pela simples criação de dinheiro pelos bancos.  A criação de dinheiro pelo sistema bancário faz com que haja uma disputa por recursos: de um lado, consumidores aumentam seu consumo; de outro, empreendedores aumentam seus investimentos.  O resultado é que os preços e salários da economia aumentam.

Quando a expansão creditícia é interrompida e o processo de reajuste é estabelecido, as empresas que fizeram os investimentos errôneos entram em dificuldades financeiras.  Consequentemente, elas começam a ter dificuldades em quitar seus empréstimos tomados junto aos bancos.  Muitas dão o calote.  Isso faz com que os bancos sofram reduções no valor de seus ativos (empréstimos são ativos).  Caso se torne óbvio que um determinado banco está em dificuldades, seus correntistas podem querer sacar o dinheiro de suas contas, levando o banco imediatamente à falência.  A quebra de um banco pode gerar um efeito dominó, levando à queda de todo o sistema bancário.

A resposta a esse tipo de crise financeira e bancária sempre envolve um aumento da regulamentação estatal sobre os bancos, como um aumento das exigências de capital e da proibição de determinadas operações.  Mas tais medidas apenas atacam os sintomas, deixando impávida a raiz real do problema: a capacidade dos bancos, com o aval e com o incentivo do governo, de criar dinheiro do nada para expandir o crédito.

A reforma bancária

No capítulo 9 do meu livro Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos, apresento um detalhado processo de transição rumo à única ordem financeira que, sendo totalmente compatível com o sistema de livre iniciativa, pode eliminar as crises financeiras e as recessões econômicas que ciclicamente afetam as economias mundiais.  Tal proposta de reforma financeira internacional é, obviamente, extremamente relevante em nossa época atual, tendo em vista os recentes acontecimentos no sistema bancário europeu.  Como explico em detalhes ao longo dos nove capítulos do meu livro, qualquer reforma futura irá fracassar tão miseravelmente quanto as reformas passadas caso ela não ataque as raízes dos problemas atuais e seja baseada nos seguintes princípios:

1. Abolição da prática das reservas fracionárias e o restabelecimento de 100% de reservas para todos os depósitos em conta-corrente e demais depósitos que na prática funcionem como conta-corrente (como aqueles depósitos em poupança que podem ser movimentados por meio de cheque ou cartão de débito);

2. Abolição dos bancos centrais, que, além de serem intrinsecamente perniciosos por atuarem como uma agência de planejamento central, também estimulam e intensificam o risco moral ao funcionarem como emprestadores de última instância.  Adicionalmente, um banco central se torna imediatamente desnecessário caso o primeiro princípio seja aplicado; e

3. Desestatização do dinheiro, que atualmente nada mais é do que uma moeda fiduciária, sem nenhum lastro, emitida monopolisticamente pelo estado, sem nenhuma restrição.  Deve haver completa liberdade de escolha da moeda (a tendência é que o ouro seja a escolha predominante).

Esta reforma radical e definitiva marcaria essencialmente a culminação da queda do Muro de Berlim e do real socialismo, uma vez que ela significaria a aplicação dos mesmos princípios de liberalização e de propriedade privada àquela esfera — setor bancário e monetário — que até hoje é sinônimo de planejamento central (pois controlada pelos bancos “centrais”), de extremo intervencionismo (o governo estipula a taxas de juros e impõe todo um emaranhado de regulamentações ao setor), e de monopólio estatal (as leis de curso forçado, as quais impõem a aceitação obrigatória do papel-moeda fiduciário emitido pelo estado) — medidas com desastrosas consequências, como temos visto.

Devo enfatizar que o processo de transição — descrito detalhadamente em meu livro, e sintetizado na próxima seção — também permite, desde o início, a estabilização imediata do sistema bancário, impedindo o seu atual colapso e a inevitável contração monetária que ainda pode ocorrer se os bancos continuarem tendo seus empréstimos caloteados e se, em um ambiente de crescente perda de confiança no sistema bancário, os correntistas decidirem sacar um significativo volume de depósitos bancários.  Mais ainda: ele permite a total, ou quase total, abolição da dívida pública do país.

O que fazer

Este objetivo — a estabilização do sistema bancário –, o qual os governos ocidentais estão desesperadamente tentando alcançar por meio dos mais variados e pirotécnicos planos (que envolvem a compra maciça de ativos “tóxicos” em posse dos bancos, como hipotecas caloteadas; uma impossível garantia federal a todos os depósitos bancários; e até mesmo a total estatização do sistema bancário), poderia ser alcançado muito mais rapidamente e efetivamente, e de maneira muito menos danosa para a economia de mercado, se a primeira medida da minha proposta de reforma fosse imediatamente implantada: lastrear a quantidade total de depósitos bancários à vista (em conta-corrente e equivalentes) com dinheiro. 

Mais especificamente, o banco central imprimiria e daria aos bancos a quantidade de cédulas necessárias para lastrear 100% dos depósitos bancários.  Obviamente, essa impressão de dinheiro não seria de modo algum inflacionária, pois este novo dinheiro iria para os cofres dos bancos e ali permaneceria não com o intuito de ser emprestado, mas sim de satisfazer qualquer necessidade de saques, retiradas e transferências.

Concomitantemente, todos os outros ativos bancários (empréstimos pendentes, investimentos, títulos do governo etc.) nos balancetes dos bancos seriam transformados em quotas de fundos de investimento, cujo gerenciamento passaria então a ser a principal atividade dos bancos.

E quem serão os proprietários destas quotas destes fundos de investimento?  A proposta é que seus proprietários sejam aqueles que estão hoje em posse de títulos da dívida do governo.  A ideia é simples: os proprietários dos títulos do governo abririam mão deles e, em troca, receberiam quotas de valor correspondente nestes fundos de investimento.  Os títulos da dívida do governo seriam consequentemente cancelados.

Esta medida eliminaria, se não toda, ao menos uma grande parte da dívida pública do país, algo que beneficiaria todos os cidadãos, uma vez que dali em diante eles não mais teriam de pagar impostos para arcar com o serviço da dívida.  Adicionalmente, os atuais detentores destes títulos do governo não seriam afetados, pois a atual renda fixa que eles auferem com os títulos seria substituída por quotas que, desde o momento da reforma, já teriam um valor de mercado e uma taxa de retorno conhecidos.  No que mais, existem outros passivos governamentais (por exemplo, as pensões da Previdência Social) que também podem ser convertidos em títulos e consequentemente trocados por quotas nestes novos fundos de investimento, com efeitos econômicos altamente benéficos.

Teríamos então a seguinte situação:

a) Depósitos à vista (conta-corrente e outros que funcionem como conta-corrente) 100% lastreados por cédulas de dinheiro (sendo que esta porcentagem tem de ser mantida sob toda e qualquer circunstância);

b) Todos os outros ativos bancários transformados em fundos mútuos e gerenciados pelos bancos.  Títulos da dívida do governo que estavam em posse dos bancos são cancelados e abolidos de seus balancetes.

Deste ponto em diante, a atividade dos bancos consistiria em gerenciar os fundos de investimento criados com seus ativos.  Empréstimos seriam concedidos normalmente: um depositante compraria novas quotas nestes fundos (nada mais que um depósito a prazo) e o banco investiria este dinheiro, emprestando para empresas e pessoas físicas.  Durante o período do empréstimo, o emprestador obviamente não teria como utilizar seu dinheiro. Adicionalmente, os bancos continuariam incorrendo naquelas outras atividades legítimas que eles sempre praticaram, como transferências bancárias, pagamento de contas e demais serviços, podendo cobrar os correspondentes preços de mercado por estes serviços.

Deste ponto em diante, com os bancos operando com 100% de reservas, a expansão artificial do crédito iria desaparecer completamente.  Nesta etapa, o banco central estaria limitado a aumentar a oferta monetária em uma pequena porcentagem — sugere-se 2% ao ano, que é a taxa histórica do crescimento da oferta mundial de ouro –, sendo que este aumento seria utilizado para financiar uma fatia dos gastos do governo.  De forma alguma este dinheiro poderá ser usado para fazer operações de mercado aberto (ou seja, manipular os juros) ou para expandir o crédito. 

Estas reformas levariam à quase completa eliminação das crises financeiras e das recessões econômicas.  A partir deste estágio, o comportamento dos poupadores, consumidores e empreendedores no livre mercado estaria estreitamente coordenado pelas taxas de juros naturalmente formadas no mercado de poupança e empréstimo.

O estabelecimento de um sistema bancário com 100% de reservas é uma condição necessária para a abolição definitiva do banco central, que seria a etapa final.  Com efeito, tão logo o sistema bancário esteja subordinado aos mesmos princípios jurídicos que governam todos os outros empreendimentos (como a proibição de fraude e de falsificação de dinheiro, e o respeito à propriedade alheia), a completa liberdade bancária — com plena liberdade de entrada e de concorrência no setor — deve ser permitida, e o banco central deve ser abolido. 

A abolição do banco central exigirá que o atual dinheiro fiduciário, o qual apenas o banco central tem o poder de emitir, seja substituído por uma forma de dinheiro privado.  É impossível dar um salto no escuro e do nada estabelecer um padrão monetário artificial que não tenha surgido ao longo de um processo evolucionário.  Sendo assim, a nova forma de dinheiro provavelmente irá consistir naquele elemento que a humanidade historicamente sempre considerou como sendo dinheiro por excelência: o ouro.

(Como exatamente poderá ser feita esta transição do dinheiro de papel para o ouro é um outro debate, também coberto em meu livro).

Concluo esta seção com um importante alerta: naturalmente (e nunca é demais ser repetitivo), esta solução que proponho só é válida em um contexto de uma irrevogável decisão de se estabelecer um sistema bancário sujeito a 100% de reservas sobre depósitos à vista.  Qualquer uma das reformas mencionadas acima, caso adotada sem a prévia e resoluta convicção de se alterar o sistema bancário e financeiro da maneira sugerida, seria totalmente desastrosa: um sistema bancário que continuasse operando com reservas fracionárias (orquestrado por um banco central) iria gerar — em um efeito cascata, em decorrência do dinheiro criado para lastrear os depósitos — uma expansão inflacionária sem precedentes na história, uma que certamente poderia aniquilar todo o nosso sistema econômico.

Benefícios

Além da redução drástica da dívida pública (e, dependendo, da resolução do problema previdenciário), quais os benefícios de um sistema bancário com 100% de reservas, cuja moeda é o ouro?

1) Um sistema com 100% de reservas impossibilita crises bancárias.  Havendo 100% de reservas para seus depósitos à vista, não há como os bancos terem problemas de liquidez.  Correntistas podem sacar seu dinheiro no momento em que quiserem e na quantia que desejarem.  Os bancos não se tornarão insolventes em decorrência desses saques.

2) Este sistema impede a ocorrência de crises econômicas cíclicas.  O privilégio de operarem apenas com reservas parciais para seus depósitos permite que os bancos possam criar dinheiro do nada para conceder empréstimos.  Tais empréstimos não exigem nenhuma abstenção de consumo (poupança) por parte do depositante.  Cria-se o fenômeno do investimento sem a prévia poupança.  Esta expansão do crédito gera um aumento da quantidade de dinheiro na economia e leva a um crescimento econômico artificial, o qual inevitavelmente se reverte em recessão algum tempo depois.  Bancos operando com 100% de reservas tornam tal expansão creditícia impossível.

3) A abolição da prática das reservas fracionárias está em completa harmonia com o conceito de propriedade privada.  Mantendo reservas de 100%, os princípios tradicionais do direito de propriedade também são aplicados aos depósitos bancários.  Bancos não mais podem emprestar dinheiro cuja custódia lhes foi confiada.

4) O modelo de padrão-ouro proposto estimula um crescimento econômico estável e sustentável.  Prejuízos em decorrência de investimentos errôneos e insensatos podem ser evitados.  Com um crescimento médio anual de 2% na produção de ouro e de 3% na economia, os preços dos bens e serviços diminuíram aproximadamente 1% ao ano.  Isso levaria a aumentos salariais reais, dispensando a necessidade de tensas negociações sindicais.  As pessoas não mais teriam de perder tanto tempo pesquisando oportunidades de investimento no mercado financeiro para tentar proteger o poder de compra do seu dinheiro.  Apenas deixar seu dinheiro guardado já lhe permitiria usufruir um crescente aumento em seu poder de compra.

5) Este sistema colocaria um fim nas especulações financeiras.  A criação de dinheiro pelos bancos permite que eles próprios, bem como seus contumazes tomadores de empréstimos, se enriqueçam facilmente.  A tentação em praticar atos fraudulentos e inescrupulosos é praticamente irresistível.  Os incentivos para se ser honesto, responsável, poupador, trabalhador e voltado para o longo prazo são rejeitados em prol da oportunidade de se enriquecer de modo rápido e fácil pela simples criação de dinheiro, prejudicando terceiros que terão seu poder de compra reduzido.

6) Um padrão-ouro com reservas de 100% é um poderoso limitador ao crescimento do estado.  Uma grande fatia dos gastos governamentais atuais é financiada diretamente pela criação de dinheiro.  O sistema bancário de reservas fracionárias, em conjunto com o banco central, cria dinheiro do nada e o empresta ao governo.  Se esta opção for abolida, o estado seria restringido e deixaria mais espaço para o setor privado. 

7) Este sistema proposto promove a paz.  Sem a capacidade de criar dinheiro do nada para financiar o esforço de guerra, algo que oculta de maneira eficaz os reais custos militares de conflitos contra populações, as guerras dos dois últimos séculos poderiam ter sido evitadas.  No mínimo, sua intensidade seria muito reduzida.

Em suma: este novo sistema bancário não apenas impediria injustiças e evitaria sofrimentos, como também permitiria um crescimento econômico constante, harmonioso e estável.

 

*Este artigo foi originalmente publicado em 20 de março de 2013.

 

Leia também:

Explicando a recessão europeia

O sistema bancário brasileiro e seus detalhes quase nunca mencionados 

Por que o Banco Central é a raiz de todos os males

 

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Nota: as visões expressas no artigo não são necessariamente aquelas do Instituto Mises Brasil.

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118 comentários em “Propostas para uma reforma bancária completa e estabilizadora”

  1. Ricardo Fernandes

    A leitura deste artigo só me faz recordar a evolução social e económica do meu país, Portugal, nos últimos 20 anos…Não compreendo porque não se coloca um travão a toda esta ´´porcaria“ europeia e portuguesa neste caso…até quando vamos continuar afundar-nos!!!!!

  2. Às vezes uma indagação pode parecer idiota, e quem sabe seja mesmo…

    Mas, perdoem-me e vamos a ela: se bancos emprestam dinheiro que criam do nada, do vento, e, ao fim, geram bolhas, por que o calote dos que tomaram emprestado “dinheiro de vento” pode afetar a solidez de um banco e de um sistema bancário? Afinal é certo que o “nada nada gera” (ex nihilo nihil fit), logo, não receber de volta o “vento” emprestado tempestade não se cria…

    Grato.

  3. Leandro, ou qualquer pessoa que queira ajudar :

    Você poderia me informar, que linha econômica é hoje chamada de “Mainstream”?

    E quais são os principais modelos que eles utilizam, sob quais pressupostos basicos?

    Um abraço!

  4. De tudo o que é falado aqui, na maioria das vezes o principal culpado é o sistema de reservas fracionárias. Enquanto ele existir, o governo continuará mandando na economia e ciclos econômicos vão continuar acontecendo.

    Qual a chance disso acabar? Acho difícil que uma medida seja tomada nessa direção, a não ser que não tenha outra saída (E nessa hora aparecerão várias)

  5. Mercado de Milhas

    Antes de fazer isso, tem que dar um calote de 90% em quem tem mais de 2 milhões de dólares no banco e tá beleza.

    Aí é só imprimir a quantidade exata pra abolir as reservas fracionadas e ficar subindo a quantidade de dinheiro em 4% (e não 2%) ao ano.

    Pronto! Chegamos ao paraíso! (ou próximo disso)

  6. Postei no meu face um resumo do que li e entendi aqui sobre inflação, e reproduzo abaixo…o que voces acham?

    99,99% da população acha que a culpa da inflação é dos empresários… lamento, mas o grande culpado pela inflação é o governo, se alguem quiser saber, explico o porque… aliás, voce sabe o que é INFLAÇÃO?

    Vamos lá… INFLAÇÃO é o aumento na qtdo de DINHEIRO da economia,,, esse aumento na qtde de dinheiro é que leva ao aumento dos preços (inflação de preços)… e quem é o responsável pelo aumento de dinheiro na economia? O GOVERNO… só ele pode emitir, fabricar dinheiro sem lastro (uma reserva em ouro, por exemplo, igual ao valor emitido)… outra forma de injetar dinheiro na economia é através dos empréstimos bancarios, em que os bancos são autorizados pelo governo a emprestar um dinheiro que eles nao tem (por lei, os bancos só precisam ter uma fração do que emprestam como ”reserva”)… assim, os bancos ”criam ” dígitos eletronicos na conta de alguem e emprestam, mesmo não tendo todo o dinheiro ”em caixa” para emprestar… assim, via fabricação de dinheiro na casa da moeda, ou via emprestimos bancarios com dígitos criados na conta de alguem, que se aumenta a quantidade de dinheiro na economia. A EXPLICAÇÃO DE COMO É QUE ISSO CAUSA A INFLAÇÃO VEM A SEGUIR.

    CONTINUANDO-assim, aumentando a qtde de dinheiro(inflacionando) na ECONOMIA, o governo faz com que ocorra inflação de preços, pois teremos mais dinheiro na economia para comprar a mesma qtde de produtos, assim se tinham 100.000 reais de dinheiro em toda economia economia para comprar um total de 100.000 produtos existentes na economia, o preço por produto seria 1 real por produto certo? Se o governo cria, via fabricação de dinheiro ou via emprestimo bancario (dígitos criados na conta de quem empresta, um dinheiro ”criado”, que não existe ”fisicamente” (cédulas) mais 10.000 reias, teremos na economia 110.000 para comprar os mesmos 100.000 produtos, o que dá 1,10 por produto (10% de inflação)… ok?

    Se o governo não aumenta a qtde de dinheiro na economia e alguem quer subir o preço, ou não vai vender, ou alguem vai ter que abaixar, porque a qtde de dinheiro fixa na economia é FIXA… OU SEJA , 100.000 REAIS para comprar 100.000 produtos, a conta tem que fechar… Se alguem subir o preco e ninguem abaixar, alguma coisa ficará sem vender, pois não terá dinheiro suficiente na economia… ou seja, o próprio mercado fará os ajustes para que não tenha inflação… e pelo contrário, com a tecnologia melhorando o rendimento da produção, normalmente o que ocorrerá é que, sem mais emissão de dinheiro na economia, tenhamos os mesmos 100.000 reais comprando 103.000 , ou 105.000 produtos…cada vez melhorando a produção, teremos o efeito inverso: a DEFLAÇÃO (preços diminuindo), com o mesmo dinheiro comprando mais produtos … ok?

  7. Alexandre M. R. Filho

    Leandro,

    Não é uma contradição defender um sistema bancário livre e, ao mesmo tempo, um sistema com 100% de reservas?

    Afinal, um sistema bancário livre não deveria permitir que um banqueiro fracionasse suas reservas e tentasse, dessa forma, vencer seus concorrente?

    Obrigado!

  8. Aonde está o “espírito-animal” do homem, para o bem ou para o mal, o medo e a coragem, nesta formulação?

    E lógico, para os “benefícios” 4 e 5, sugiro ao Jesús, descer na terra e fazer um novo milagre! Aliás, convenhamos, como colocar em “benefícios” algumas condições ex-ante para que este sistema mandrake funcione? É um tipo de tautologia sistêmica? Um moto-contínuo econômico?

    Outras questões:

    Em que espaço-tempo o padrão-ouro arrancaria tanto metal das entranhas da terra? Será que há tecnologia, capacidade de investimento e principalmente, racionalidade ecológica para sair cavando buraco pelas terras dos pólos norte e sul?
    E lógico, esta ação “coordenada” sobre os bancos, em conformidade com a “livre iniciativa”, “simples” como roubar balinha de criança, exigiria somente uma, como colocar?, hiper-mega-intervenção coercitiva planetária para evitar que “O mercado” aja como “O mercado”. Diria Garrincha: Tem que combinar com os russos e com os chineses, não é?

    Diriam alguns: SOMOS RACIONAIS E A EFICIÊNCIA, A EFICÁCIA E A EFETIVIDADE ADVINDAS DO MERCADO, NÃO FOSSE O ESTADO, REINARIAM!

    Pois é! Este mesmo ser tomado como “racional puro” na “ciência” de muitos economistas libertários, destituído de sua deidade e moralidade por Nietzsche, de sua consciência objetiva por Freud, de seus sistemas herméticos por Bertalanffy, de sua simplicidade por Morin, sinto informar, não existe!

    Hayek e Cia, deveriam ter na cabeça que a humanidade, ao se libertar do padrão ouro, libertou também um poder fictício muito maior do que a própria abstração de valorar o ouro pela escassez, sendo o motor desta exuberância irracional, mas real. Foi bom? Foi ruim? Se esbaldou com sua inconsequência? Fazer o quê!?

  9. Leandro, :

    Você poderia me informar, que linha econômica é hoje chamada de “Mainstream”?

    E quais são os principais modelos que eles utilizam, sob quais pressupostos basicos?

    Um abraço!

  10. “Não sei se você sabe, mas a cotação diária do ouro no mercado precifica exatamente essas coisas. O Bundesbank pediu para repatriar seu ouro. China e Índia seguem comprando furiosamente. Nada de o preço disparar. As coisas não funcionam da maneira tão simples quanto você supõe.”

    Não sabia (acabei de me inteirar em http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1509 ), em parte! Só que repatriar é uma coisa, comprar é outra. E para mim, ficou claro no texto que houve um certo cuidado estratégico para não ouriçar o mercado nesta situação e um frisson do “consultor econômico sênior” para que a coisa descolasse para cima na cotação. Interessante também é que ele reconhece o poder da demanda/oferta na influência do preço:

    “quando todos eles fizeram esforços de maneira concertada para desmonetizar o ouro, algo que só podia ser feito por meio da venda efetiva de grandes quantidades de ouro. “

    Complementando o artigo e clareando a sua colocação, é fato que a Índia sempre foi um grande comprador de ouro, mas mais por motivos culturais e descolados desta possível onda de compra e sem grande afetação na cotação do ouro. E a China? Bem, a China é até o momento, ironicamente, um enigma ao pensamento econômico. Temo até que vire um padrão a ser emulado por políticos por aí, por motivos nada liberais.

    “Então o seu problema não é com a teoria. Ao contrário, aliás. Você sacou que a teoria procede e que ela, justamente por amarrar o governo, seria prontamente rechaçada pelos burocratas. Parabéns.”

    Eu não tenho problema nenhum com as teorias macroeconômicas. São os teóricos delas é que tem um probleminha com a falseabilidade do “ser humano”.

    —off topic—

    Sugestão: Seria interessante colocar o livro HIERARQUIA: EXPLORAÇÕES NA MATRIX REALMENTE EXISTENTE, do Augusto de Franco, na biblioteca do mises.org.br. É instigante e expande a visão dos desafios de libertários, abordando a gênese da hierarquia de nossas instituições. Está em domínio público como convém e creio que ele não faria objeções ideológicas. Segue o link: https://www.facebook.com/LivroHierarquiaMatrix/info

  11. Nos últimos meses tenho lido e aprendido muito sobre economia, principalmente aqui no IMB. Confesso que, talvez por ter sido, por muito tempo (muito tempo…? Muuuuito tempo. Rs…), um analfabeto no assunto, o senso comum sempre me levava a crer nas ideias keynesianas, mas graças ao IMB (e a E.A. é claro!), tenho refletido melhor… Sejam sinceros: não é mais fácil um leigo acreditar nos argumentos do estado de bem estar social à acreditar no livre mercado? Ao menos é o que aponta minhas poucas experiências em debates com colegas. E foi exatamente por conta de um destes debates que eu resolvi escrever este comentário que, na verdade, é mais uma das várias dúvidas que insistem em resistir mesmo após tantos artigos lidos… Penso que devo reler os artigos e prestar mais atenção… Perdoem este ser em transformação! Mas a confusão é a seguinte: Estava pensando no porquê de tantos economistas de formação serem intervencionistas… Isso mesmo, ECONOMISTAS, não leigos como eu. Então comecei a esquadrinhar em minha mente, procurando pelo possível raciocínio que justificaria esta tendência dos intelectuais em teorias econômicas em debandarem para o lado oposto aos missenianos , aliás, se existe algum empecilho ainda que me impeça de gritar, SOU ANTI-KEYNESIANOS! É esta tara dos economistas por este estado intervencionista (calma… Falo da maioria!). Imaginei a seguinte situação hipotética (nem tão hipotética assim, né…?): Pedro resolve criar um banco, como manda a lei, ele deixará apenas 28% dos depósitos no BC. João resolve depositar R$ 100,00 no Pedro-bank, e viver do juro (vixe! Relevem…). Maria pega R$ 78,00 emprestado do Pedro-bank para abrir uma empresa (de novo… Por favor, tenham mais paciência). Depois de um tempo a empresa de Maria afere lucros e ela paga o empréstimo. Resultado final: João, Pedro e Maria saíram ganhando… Este deve ser o pensamento Keynesiano, certo? Onde está o erro? Grato!

  12. Entendo que não se fale muito aqui no IMB sobre o destino de todo o dinheiro criado do nada, além de seu desperdício em investimentos errôneos, afinal este é um site de economia, não de análise política.

    A concentração da propriedade de bancos e grandes empresas nas mãos de poucos conglomerados é um fenômeno nem tão recente. Ignorar a atuação destes agentes em conjunto, seus planos já nem tão secretos e sua estratégia de ação resulta numa falsa análise de conjuntura, que pode sim levar a erros graves, principalmente em caso de se levar a termo uma proposta como a do prof Jesus.

    Não quero entrar fundo neste assunto, apenas deixar algo a ser refletido pelos demais leitores. Suponhamos que tal concentração de poder e dinheiro por meio do comando (formal ou informal) de bancos privados, bancos centrais, governos, empresas petrolíferas, telecomunicações e etc esteja formando uma elite com poder jamais testemunhado antes na história, e este reduzido grupo esteja formulando há décadas estratégias para aumentar o seu poder, com sucesso absoluto. Tudo isso ocorrendo fora do alcance do mundo acadêmico e da mídia, e com implicações além de econômicas, culturais, políticas e militares.

    A questão é: Será que alguém poderia se arriscar a fazer análises precisas de conjuntura, sem levar em conta este fenômeno?

  13. Uma boa forma de um país crescer sem poupança é tomando emprestado. Acho que as reservas são realmente muito pequenas, mas 100%? Empréstimos diretos, então? Ter-se-ia um crescimento muito lento, penso. E em todo o mundo. Isso se crescesse… Sou ainda novo na área, se puderem me dar mais otimismo quanto a isso, ficarei grato.

    Obrigado

  14. ops…! Foi mesmo… Esqueci de acrescentar a criação de dinheiro do nada como já, várias vezes, mencionado, especialmente por Leandro, no artigo sobre a SELIC. Vamos lá então: Digamos que o dinheiro do investimento de Maria foi parar no banco de outro personagem, Rafael(Rafa-BANK). logo, ele deposita R$ 22,00 no BC e empresta 56(R$ 78,00 – 28% = 56; e, 78-56=22) para Lucas, que também investe em uma padaria que, mais tarde, obtém lucro e paga o empréstimo… Uff! Pronto, está feito o dinheiro do nada. Minha real dúvida é: Não seria os economistas(os não austríacos) a favor de tal sistema por que ele possibilita, suponho, que pessoas desprovidas de capital, mas com interesse e força de vontade, possa abrir um negócio? E isso não é produção de riqueza?

  15. Aah, acho que entendi… Baseando-se em outros arigos penso que o argumento será: Os EUA dos anos de padrão ouro e ausência de BC é um ótimo exemplo de que o crescimento sem moeda fidunciária (empréstimo a 100%) não é pequeno; Os ciclos econômicos com períodos de recessões demostra os riscos de operar com dinheiro sem lastro; (…) Alguém poderia corrigir isso, ou, acrescentar mais alguma motivo? obrigado!

  16. Daniel e Vitor,

    Criar dinheiro do nada não é sinônimo de criação de riqueza. Um banco criar dígitos eletrônicos que lhe permitam abrir uma padaria sem dúvida será algo bom para você, mas será ruim para todas as outras pessoas não diretamente envolvidas neste esquema.

    Para elas, haverá menos recursos disponíveis, pois você, em decorrência do "privilégio" de ter recebido dinheiro falsificado antes de todo o resto da população, se apropriou destes recursos.

    O fato de você ter se apropriado destes recursos em decorrência desta simples criação de dinheiro faz com que os preços destes recursos aumentem para todas as outras pessoas. Você se beneficiou, todo o resto perdeu. Você ganhou poder de compra, todo o resto perdeu.

    É claro que, tomando-se apenas um exemplo isolado, esse processo de criação de dinheiro não parece ser grandes coisas. No entanto, generalize esta ocorrência para toda a economia e você terá um arranjo em que as pessoas utilizam dinheiro falsificado para se apropriar de recursos escassos, prejudicando todas as outras pessoas que não fazem uso deste esquema. Para estas, sobrará apenas preços mais altos.

    Em uma economia "normal", você só pega emprestado o dinheiro daquela pessoa que voluntariamente abriu mão dele, isto é, daquela pessoa que está genuinamente poupando, que decidiu passar algum tempo sem gastar seu dinheiro. Neste processo, não há criação de dinheiro e não há privilégios. Você consome aquilo que outra pessoa voluntariamente abriu mão de consumir. Neste arranjo, não há como haver aumento generalizado de preços. Neste arranjo, há uma coordenação na economia. Se há mais pessoas poupando, os juros caem e os empreendimentos são feitos. Se há poucas pessoas poupando, os juros sobem, o que torna mais atrativa a poupança, voltando ao primeiro estágio.

    Desnecessário dizer que todo este processo de criação de dinheiro está no cerne dos ciclos econômicos, como explicam os mais de 500 artigos deste site sobre o assunto.

    Vejam também estes artigos:

    Economistas de fato acreditam que é possível conseguir algo em troca de nada

    Juros, preferência temporal e ciclos econômicos

    O sistema bancário brasileiro e seus detalhes quase nunca mencionados

    Explicando a recessão europeia

  17. Tenho uma duvida … qto é a porcentagem que os bancos brasileiros tem que manter em relação ao dinheiro emprestado, no atual modelo de reservas fracionarias? E essa ”reserva” é mantida onde, nos cofres do banco ou no Bacen? Essas reservas são ”intocáveis”? Dinheiro na conta corrente conta como ”reserva”? O que mais conta? Já li num artigo aqui, mas nao entendi direito, se puderem me responder estas perguntas da maneira mais simples possível agradeço… grato.

  18. Após essa reforma não existiria mais a “taxa básica de juros” e o “mercado interbancário” tal como é tido atualmente, também deixaria de existir?

  19. Sobre o sistema bancário suíço, naquele país o compulsório é de apenas 2%.

    (1) O que impede os bancos suíços de criarem dinheiro a rodo é apenas a prudência?

    Me recordo de ter lido uma explicação do porquê o compulsório brasileiro ser tão alto, justificado pela baixa concorrência no setor bancário.

    (2) Qual a relação entre a taxa do compulsório e o grau de concorrência do setor?

    Grato.

  20. “A redução da expansão do crédito faz com que a renda nominal dos consumidores, que até então era crescente, se estagne. Como os preços ainda seguem crescendo, e como os consumidores estão mais endividados, sua capacidade de consumo estará afetada.”

    Isso me lembrou um questionamento que me fiz há certo tempo, mas não encontrei uma resposta.

    Existe alguma explicação mais formal sobre esse atraso temporal que ocorre entre a expansão crescente de crédito e o aumento no nível de preços e — vice-versa — o arrefecimento desse ritmo, enquanto os preços ainda crescem até que se estabilizam e (raramente) comecem a cair? Ou tudo isso é explicado pelo simples fato de que leva um tempo até que as pessoas compreendam os sinais (distorcidos) da economia?

    Em tempo, é garantido que uma expansão creditícia artificial fatalmente gerará aumento de preços em algum momento?

    Grato.

  21. Esse artigo foi recomendado pelo Leandro na seção de comentários desse outro artigo como o melhor artigo sobre reforma da previdência. Mas eu falhei como seria feita tal reforma de acordo com o que foi proposto no artigo.

    Se alguém puder jogar uma luz nesse assunto, fico grato.

  22. Igor de Souza Yabiku

    Deixa eu ver se entendi:

    1 – Então, um modo de reduzir a dívida interna tupiniquim seria lastrear em 100% os depósitos bancários em concomitância com a abolição do sistema de reservas fracionárias e transformar os títulos do governo em fundos de investimento (em bancos privados) para quem neles investiu (nos títulos do governo), cancelando assim parte da dívida do governo com pessoas e empresas que a ele emprestaram ou nele investiram seu precioso dinheirinho?

    2 – Visto que os bancos privados agora teriam liquidez poderiam também as pensões da previdência serem transformadas em fundos de investimento, desonerando ainda mais a parcela produtiva da população?

  23. Tenho uma dúvida sobre como o governo injetaria esses 2% de ouro na economia, se ele não pode expandir por meio de dividas, ele simplesmente “gastaria” esse ouro?

    Não sei se fui claro, o governo atual expande a base monetária por meio dos bancos e criando títulos certo? Sem essas ferramentas ele apenas criaria esses 2%?

    Obrigado.

  24. Leandro, desculpa por desenterrar o artigo.

    Gostaria de compará-lo como sua proposta de cambio fixo para o Brasil.
    Bem, creio que sua proposta de cambio fixo de fato seja a mais adequada para o Brasil. E vários outros países bagunçados.
    Para os que tem relativo sucesso com o cambio flutuante, e são ortodoxos na conducao da base monetária, essa reforma do de Soto seria melhor. Para os EUA, é a única possível.

    Num cenário em que os EUA seguissem à risca essa transiçao, mesmo que parassem na fase de ausencia de reservas fracionarias mas mantendo o Fed, e este orquestrando a expansao monetaria continua de 2%aa, já seria uma grande bênção; aí o dólar poderia se tornar a âncora mundial, a âncora de todas as moedas do mundo; obviamente, isso dependeria de uma tremenda confiança no Fed.

    (Uma curiosidade: se algumas moedas fixassem sua taxa de expansão, e se essa taxa fosse a mesma, em pouco tempo o cambio ficaria naturalmente fixo, não? Mas ainda seriam guardadas algumas diferenças com a adoção do currency board)

    Li aqui em outro artigo que quem mais se aproximou desse modelo foi o Japão, com o Yene, né?
    E o Euro, como tem se comportado?

    Bem, eu me sentasse na cadeira de presidente do BACEN, e tivesse autonomia, e o Brasil tivesse perpectiva de responsabilidade política contínua (quanto “ses”…), o melhor arranjo para a moeda fiduciária seria um regulamento rígido, contemplando o modelo do de Soto. Haveria valorização contínua em relação a todas as moedas mundiais! Seria interessantíssimo liberar as outras moedas para circularem aqui.

    Ah, mais uma questão: qual a importancia das reservas cambiais para um país que adota o cambio flutuante, e só faz política monetária? Elas seriam totalmente desnecessárias se as moedas estrangeiras fossem de livre circulacao no país, não?

  25. Mas a produção de ouro, tem como aumentar? é um recurso escasso, ele não dura pra sempre. E se as reservas de ouro acabassem, como seria sustentado o crescimento econômico? Se há X ouro no mundo disponível, como crescer?

  26. Bom dia senhores.
    Estudo economia como autodidata há algum tempo e gostaria de saber a opinião de vocês acerca de algumas ideias sobre um novo modelo bancário que tenho e que vou tentar explicar utilizando esta proposta do autor Jesús Huerta de Soto como base. Vamos considerar em princípio que uma eventual reforma bancária seria parte de uma reforma completa no Estado (política, tributária, previdenciária, trabalhista, etc…) e sua discussão tornaria este texto demasiadamente extenso. Minhas considerações serão baseadas nos três tópicos propostos pelo autor com ênfase nos bancos, e destacando apenas algumas de suas implicações. São elas:
    1. “Abolição da prática das reservas fracionárias e o restabelecimento de 100% de reservas para todos os depósitos em conta-corrente e demais depósitos que na prática funcionem como conta-corrente (como aqueles depósitos em poupança que podem ser movimentados por meio de cheque ou cartão de débito);”: Concordo com o autor, pelas próprias explicações da escola austríaca sobre os efeitos da criação de dinheiro sem lastro.
    2. “Abolição dos bancos centrais, que, além de serem intrinsecamente perniciosos por atuarem como uma agência de planejamento central, também estimulam e intensificam o risco moral ao funcionarem como emprestadores de última instância. Adicionalmente, um banco central se torna imediatamente desnecessário caso o primeiro princípio seja aplicado; e”: Um novo banco central teria as atribuições de criar a moeda, cujo destino seria o Tesouro Nacional e não a rede bancária como no modelo atual; e somada à arrecadação de tributos, esta criação seria responsável por prover os recursos financeiros para o Estado (fazendo aqui parte da reforma tributária); e partindo-se do princípio de que todo dinheiro deve ter lastro (para não ser inflacionário), sua criação poderia ser feita parte com lastro de commodities metálicas recicláveis (incluindo o ouro) – demandando alteração no atual código de águas e minas, e parte através da transação externa, que tentarei explicar no tópico seguinte; e, se parte do dinheiro será gerado através de transação externa, um banco central é necessário, admitindo-se, claro, que todos aceitam o padrão monetário atual (no caso, o Real) como meio de pagamento no país.
    3. “Desestatização do dinheiro, que atualmente nada mais é do que uma moeda fiduciária, sem nenhum lastro, emitida monopolisticamente pelo estado, sem nenhuma restrição. Deve haver completa liberdade de escolha da moeda (a tendência é que o ouro seja a escolha predominante).”: Sobre a criação de moeda através da transação externa mencionada no tópico anterior, esta poderia ser feita de duas maneiras:
    a) No caso de acordos bilaterais de comércio, seria criada uma caixa de conversão (algo parecido com o modelo adotado no Convênio de Taubaté de 1906) para cada moeda a qual o país tem negócios e com a paridade cambial entre as moedas seguindo as regras de mercado. Por exemplo, vamos admitir que em um determinado instante de tempo, a paridade cambial USD x Real esteja 1 x 4 (um dólar valendo 4 reais) e que uma empresa do Brasil vendeu R$ 10.000,00 para um cliente nos Estados Unidos; a criação do dinheiro seria feita da seguinte maneira: o agente bancário nos USA retira da conta do cliente USD 2.500,00 (correspondente aos R$ 10.000,00 da transação) e envia ao banco central americano informando os dados do banco de destino; o banco central americano envia este valor ao tesouro americano e informa ao banco central do Brasil o banco de destino e o valor da transação; o banco central do Brasil cria R$ 10.000,00 que será creditado na conta corrente de destino e o mesmo valor é criado e enviado ao tesouro nacional do Brasil. Neste caso o comprador americano possui um bem no valor de USD 2.500,00 e o tesouro americano tem o mesmo valor (lastro), sem haver alteração na base monetária do país; e o vendedor brasileiro recebe os R$ 10.000,00 e colabora com o aumento da riqueza do país no valor correspondente.
    b) Uma segunda opção (penso que a melhor) seria a adoção da moeda única proposta por Keynes em Bretton Woods, que funcionaria como objeto conversor de moedas e referência de preço internacional para as commodities. Um pouco diferente do exemplo da caixa de conversão, as paridades cambiais seriam em relação à unidade (a moeda única); no caso do exemplo acima, se imaginarmos que neste mesmo instante de tempo um dólar estiver valendo uma unidade de moeda única, na paridade cambial da caixa de conversão o valor de R$ 1,00 será correspondente a 0,25 unidades da moeda única.
    Da adoção de um dos exemplos acima se pode esperar o fim das crises na balança de pagamento (pois na prática toda moeda será conversível, com a riqueza sendo gerada no padrão monetário de cada país); e se parte da receita do Estado é feita através da geração de dinheiro da transação externa, é possível zerar as tarifas de importação e exportação, melhorando o comércio entre as nações (que pode ser também uma maneira de mostrar a validade da teoria das vantagens comparativas de David Ricardo). O trabalho entre os bancos centrais dos países e o banco central mundial (como propôs Keynes) seria apenas chancelar as transações externas e gerar parte do dinheiro através destas , que podendo ser feitas eletronicamente, pois a tecnologia permite. Assim, o Estado também não determinaria taxas de juros (também seriam feitas pelas regras do mercado) podendo-se afirmar que este modelo bancário seria 100% austríaco.
    Qual é a opinião de vocês sobre esta ideia? Conseguiram entender o raciocínio? Seria factível?
    Obrigado a todos.

  27. Uma dúvida:

    “A proposta é que seus proprietários sejam aqueles que estão hoje em posse de títulos da dívida do governo. A ideia é simples: os proprietários dos títulos do governo abririam mão deles e, em troca, receberiam quotas de valor correspondente nestes fundos de investimento. Os títulos da dívida do governo seriam consequentemente cancelados.”

    E se eles não abrirem a mão dos títulos governamentais para ter quotas no fundo de investimento?

  28. Este artigo me deixou com uma dúvida.

    Os títulos públicos seriam cancelados e imediatamente transferidos para um fundo de investimento dos bancos, e os investidores que tivessem a posse desses títulos ganhariam quotas nesse fundo de investimento. Mas a questão é com que dinheiro esse fundo irá investir? Pelo que eu entendi a abolição dos títulos não significa que o dinheiro irá para esse fundo de investimento, e sim quem tivesse a posse dos títulos ganharia a quota nesse fundo de investimento. A única coisa que realmente pode creditar o dinheiro nesses fundos de investimento é o governo recomprar estes títulos. Como se daria isso?

    Eu não entendi essa relação entre os títulos públicos e os fundos de investimento.

    Alguém me ilumine.

  29. Uma outra dúvida que ainda me persegue, um padrão-ouro é semelhante a um Currency Board ancorado ao ouro? Ou são completamente distintos?

    E se for diferente, qual o melhor destes sistemas?

  30. Perdoe minha ignorancia mas, nao ficou clara p/ mim o padrao-ouro nessa proposta. O real seria ancorado no ouro como no currency board, ou o ouro se tornaria a propria moeda como num padrao-ouro puro?

  31. Ex-microempresario

    Concordo com os ítens 2 e 3 da proposta, mas tenho uma dúvida sobre a proibição de reservas fracionárias:

    Se os empréstimos bancários não são garantidos pelo governo e não existe criação de moeda, em que estes empréstimos prejudicam a economia mais do que qualquer outra operação de crédito, como comprar nas Casas Bahia em doze vezes sem entrada?

  32. Nunca teve um artigo no MIses sobre o The Narrow Bank

    Sob essa estrutura para stablecoins, o dinheiro físico seria tokenizado e os emissores seriam obrigados a apoiar suas stablecoins com reservas do banco central.

    O impacto sobre os empréstimos bancários – os pesquisadores usaram os termos “fornecimento de crédito” e “intermediação de crédito” – seria em grande parte mínimo. Quando se trata de depósitos, no entanto, essa estrutura pode ter um efeito negativo porque o financiamento garantido por depósitos para empréstimos seria reduzido, pois os depósitos regulares dos bancos comerciais seriam movidos para contas separadas no banco central.

    “Uma estrutura de narrow banking… minimiza o risco de ‘corridas’ em stablecoins, mas pode potencialmente reduzir a intermediação de crédito”, afirmou o estudo.

    Como as stablecoins agiriam efetivamente como uma moeda digital de banco central, seus pegs (fixação de taxa de câmbio da moeda em outra moeda estrangeira), colocando o preço em US$ 1, por exemplo, viriam com estabilidade garantida.

    Em tempos de pânico financeiro, no entanto, grandes migrações de depósitos bancários comerciais regulares para stablecoins de narrow banks podem interromper os empréstimos e aumentar o balanço do Fed para acomodar a demanda de emissores de criptomoedas estáveis.

  33. Alguém pode tirar uma dúvida de um leigo interessado nos problemas do Brasil: Se adotado essa grande reforma no sistema bancário brasileiro, quais seriam as consequências? A dívida pública realmente seria drasticamente reduzida? 

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