Qual
seria a medida essencial que, uma vez implantada, representaria um passo
definitivo rumo à liberdade? Ou,
colocando-se de outra forma, qual seria a medida sem a qual o avanço da liberdade
seria praticamente impossível?
É
claro que economistas libertários e entusiastas da liberdade em geral não se
contentam em assinalar apenas uma medida.
Quase sempre eles irão apresentar uma enorme lista contendo todas as
medidas que julgam essenciais e inegociáveis a serem implantadas para que a
liberdade finalmente chegue ao Brasil.
Listar
todas elas seria um trabalho infindável e improdutivo, porém é possível resumir
as 10 principais, aquelas que sempre aparecem em todas as listas — e não necessariamente
nessa ordem de importância:
1)
Reduzir acentuadamente os gastos do governo;
2)
Reduzir acentuadamente todos os impostos;
3)
Desregulamentar e desburocratizar todos os setores da economia;
4)
Descriminalizar a produção, a venda e o consumo de todas as drogas;
5)
Abolir ministérios e agências reguladores;
6)
Privatizar todas as estatais;
7)
Acabar com a previdência pública compulsória;
8)
Liberar o porte irrestrito de armas;
9)
Acabar com o monopólio estatal sobre a justiça e a segurança;
10)
Acabar com a obrigatoriedade do diploma e liberar o ensino domiciliar (homeschooling).
Ainda
que somente uma dessas medidas fosse implantada, é indiscutível que o avanço da
liberdade já seria notável.
Entretanto,
dentre todas essas medidas, a primeira da lista, os gastos do governo, é a
fonte de toda a tirania. É por meio de
seus gastos que o governo consegue impor, aplicar e fazer cumprir todos os seus
éditos.
Os
gastos do governo são a origem de toda a nossa servidão, e são eles que financiam
a própria máquina arrecadadora de impostos; as burocracias e agências
reguladoras, que proíbem a livre concorrência; a infindável e nociva guerra
contra as drogas, que só faz gerar mais violência; a criação e perpetuação de
dezenas de ministérios (todos eles inúteis) e de seus milhares de parasitas; a
criação e manutenção de estatais que não apenas monopolizam o mercado como
também são invariáveis cabides de empregos; a previdência compulsória que rouba
a renda e a poupança do trabalhador assalariado em troca da simples promessa de
que ele irá receber algo no futuro; a fiscalização e a proibição do porte de
armas para os cidadãos honestos, ao mesmo tempo em que bandidos
imperturbadamente conseguem suas armas no mercado negro; o monopólio da justiça
para seus tribunais e da segurança para sua polícia; e a imposição do diploma, a
perpetuação de universidades públicas e suas fábricas de militantes.
Portanto,
uma única medida que, uma vez adotada, representaria um duro golpe em todas as
outras seria, sem dúvidas, a redução dos gastos do governo. Fosse o mundo mais simples, bastaria
conseguir fazer com que o governo reduzisse amplamente seus gastos — e todas
as outras nove medidas listadas acima seriam implantadas quase que por
gravidade.
Porém,
há um fato incômodo: os gastos do governo nunca serão reduzidos enquanto houver
um banco central. Não apenas a teoria
explica isso, como a própria prática já tratou de confirmar: não há um único
país no mundo, desde a segunda metade da década de 1970 — quando os últimos
resquícios do padrão-ouro foram abolidos –, que tenha genuinamente reduzido
seus gastos.
A real função do Banco Central
Como
tentei explicitar neste
artigo, um banco central tem duas funções reais: (1) proteger o sistema
bancário, cartelizando-o e permitindo que opere reservas fracionárias sem
riscos de insolvência, e (2) financiar os déficits do governo federal.
A
primeira função não será o escopo desse artigo, pois já foi discutida
amplamente em vários outros artigos desse site (inclusive no artigo linkado acima). A segunda função, no entanto, é mais obscura
e sempre merece ser esclarecida.
Para
o governo federal gastar, ele precisa arrecadar dinheiro. Isso é algo óbvio. Para arrecadar dinheiro, o governo cobra
impostos ou emite títulos da dívida, os quais são comprados pelos bancos. Via de regra, ele utiliza um combinação
desses dois mecanismos. Assim como
qualquer instituição, quando o governo se endivida, ele tem de pagar juros
sobre essa dívida. Até aí, nenhuma
novidade.
Entretanto,
essa abordagem adquire uma nova realidade quando você passa a considerar também
a existência do Banco Central.
Caso
não existisse um banco central, a quantidade de dinheiro na economia se
manteria relativamente constante; ela poderia ser aumentada temporariamente
pelo sistema bancário caso este praticasse reservas fracionárias, porém essa
expansão seria relativamente restrita (os motivos de ser assim também estão
explicados no artigo
linkado acima). Sendo assim, com a
quantidade de dinheiro relativamente constante, haveria um limite tanto para a
quantidade que o estado poderia arrecadar via impostos quanto para a quantidade
que ele poderia tomar emprestado junto aos bancos.
Quanto
mais o estado se endividasse, quanto mais dinheiro ele tomasse emprestado,
menos dinheiro sobraria para os bancos emprestarem para pessoas e
empresas. Consequentemente, maiores
seriam os juros cobrados sobre esses empréstimos — afinal, a quantidade de
dinheiro a ser emprestada ficou reduzida, pois o governo abocanhou grande parte
para cobrir seus gastos.
Logo,
o estado simplesmente não poderia sair se endividando continuamente, pois
inevitavelmente chegaria um momento em que os juros estariam em níveis
calamitosamente astronômicos. Da mesma
forma, ele não poderia sair aumentando impostos para saciar sua sede por
recursos, pois poderia acabar incitando uma revolta popular.
É
nesse cenário que entra a genialidade por trás da criação de um banco
central. Um banco central resolve esses
dois problemas numa só tacada: imprimindo dinheiro.
(Os leitores já familiarizados com o
funcionamento de um banco central podem pular para a próxima seção (Consequência
dos déficits); os leitores familiarizados
também com a explicação de como os déficits do governo provocam aumento na
quantidade de dinheiro na economia podem pular para a seção Implicações)
Atualmente,
o Banco Central brasileiro não imprime dinheiro para entregá-lo diretamente ao
governo. A Lei de Responsabilidade
Fiscal, de 2000, proibiu esse tipo de financiamento direto. Entretanto,
isso ocorria até meados da década de 1990. Naquela época, o governo
mandava para o Congresso uma proposta pedindo autorização para que o Banco Central
imprimisse uma determinada quantia de dinheiro para cobrir o déficit
orçamentário do governo. E o Congresso sempre aprovava. Era simples
assim mesmo: o governo coletava $1.000 em impostos, mas queria gastar
$2.000. Solução? Imprima os $1.000 restantes. Depois que a
inflação de preços atingiu alguns bilhões por cento, os gênios finalmente
resolveram acordar pra realidade.
Hoje,
como dito, o Banco Central não imprime dinheiro para entregá-lo diretamente ao
Tesouro. Entretanto, na prática, ele continua fazendo exatamente isso, só
que agora de maneira indireta. E é esse o truque genial do qual quase
ninguém se dá conta.
Funciona
assim: quando o Banco Central quer expandir a base monetária, ele precisa
realizar aquilo que chamam de operações de mercado aberto (open market)
— isto é, o Banco Central compra títulos públicos que estão em posse dos
bancos; exatamente aqueles títulos que os bancos adquiriram do Tesouro quando
emprestaram dinheiro ao governo.
Falando
mais explicitamente, o Banco Central cria dinheiro para
comprar esses títulos que estão em posse do sistema bancário. Atualmente,
essa é a única maneira legal de o Banco Central criar dinheiro. Como o Banco Central faz isso? Grosso
modo, ele aperta um botão no computador e acrescenta alguns dígitos na conta
(as reservas compulsórias) que o banco que está vendendo os títulos possui
junto ao Banco Central. De onde veio esse dinheiro? De lugar
nenhum. O Banco Central o criou do nada. Nenhuma outra conta foi
debitada. A base monetária expandiu magicamente; as reservas desse banco
aumentaram.
Agora,
imagine que você é um banqueiro. Você, por causa das reservas
fracionárias, pode criar dinheiro do nada e utilizar esse dinheiro em algum
investimento. Você também sabe que a maneira como o Banco Central cria
dinheiro é comprando títulos públicos que estão em sua posse. Logo, não é
preciso ser nenhum gênio das finanças para entender que o investimento mais
óbvio e seguro que você pode fazer é justamente comprar os títulos públicos que
o Tesouro põe à venda. Em outras palavras, você alegremente vai financiar
o déficit do governo, pois sabe que esses títulos que você vai comprar
do Tesouro serão mais tarde comprados pelo Banco Central, pois é assim que ele
faz política monetária.
É
justamente por saberem que os títulos do Tesouro serão comprados pelo Banco
Central — o que significa que eles possuem um mercado de revenda garantido e de
alta liquidez –, que os bancos animadamente financiam o déficit do
governo. Ou seja, aquilo que antes era feito diretamente — com o BC
dando dinheiro diretamente para o Tesouro –, agora passou a ser feito
indiretamente, só que um adicional: agora os bancos entraram nesse arranjo e
lucram enormemente com isso.
Consequência dos déficits — aumento da
quantidade de dinheiro na economia
Uma
vez estabelecido esse arranjo, os limites sobre a expansão do governo estão
virtualmente extintos. Sempre que incorre
em um déficit orçamentário — isto é, quando gasta mais do que arrecada –, o
governo vende títulos para arrecadar dinheiro extra para financiar esse
déficit. Os bancos compram esses
títulos. Como consequência, o setor
bancário fica com menos dinheiro disponível para conceder empréstimos ao setor
privado. Adicionalmente, isso também faz com que a quantidade de dinheiro
disponível para o mercado interbancário (aquele em que os bancos emprestam uns
para os outros com o intuito de manter suas reservas em níveis estipulados pelo
BACEN) fique reduzida, pois agora há dinheiro sendo demandado de todos os lados
(governo e setor privado).
Nesse
cenário, caso o Banco Central nada fizesse, a tendência seria que a taxa de
juros desse mercado interbancário subisse muito. E a taxa de juros do
mercado interbancário, como se sabe, nada mais é do que a SELIC. Mas como
o BACEN trabalha com uma meta para a SELIC, ele não pode deixar que ela
suba. Consequentemente, ele tem de injetar dinheiro no mercado
interbancário justamente para evitar que ela aumente.
Ou
seja: de um lado, o governo pega dinheiro emprestado dos bancos, o que tende a
elevar a SELIC; de outro, o Banco Central injeta dinheiro nos bancos,
justamente para evitar que a SELIC suba. Resultado? O governo obtém o dinheiro de que necessita e
os bancos ficam com a mesma quantidade de dinheiro em suas reservas que tinham
antes de emprestar para o governo. Logo,
houve um aumento da quantidade de dinheiro na economia.
Portanto,
sempre que o governo gasta mais do que arrecada e emite títulos para cobrir
esse déficit, ele está aumentando a quantidade de dinheiro na economia. E quem, no final, orquestra todo esse arranjo
é o Banco Central.
Implicações
É
impossível enfatizar o quão importante são as implicações geradas pela
conclusão acima. Quando se entende que
toda a gastança governamental pode ser, em última instância, financiada pela
simples impressão de dinheiro do Banco Central, compreende-se, finalmente,
1)
por que a utilização de dinheiro de papel (que pode ser criado a custo
baixíssimo) é o arranjo favorito de todos os governos;
2)
por que os gastos nunca param de subir; e
3)
por que os governos impõem uma moeda única e de curso forçado sobre seus
súditos.
Os
mais céticos poderiam perguntar: “Ora, se é tão fácil assim, por que os
governos cobram impostos, uma medida sempre impopular? Por que não imprimem dinheiro para financiar
tudo?” Felizmente, ou infelizmente
(depende do ponto de vista), os brasileiros que viveram a inflação de preços da
década de 1980 e a hiperinflação da primeira metade de década de 1990 sabem a
dolorosa resposta. Por mais que seja o
ímpeto perdulário do governo, ele precisa se refrear para não deixar que a
inflação de preços corroa sua popularidade.
Uma
recente e sensacional reportagem
da revista ÉPOCA mostra que, atualmente, o governo federal possui algum
tipo de participação ou influência em pelo menos 675 empresas de todos os
setores imagináveis, sendo que o governo controla nada menos que 276. Desde a década de 2000, mais especificamente
desde o advento do governo Lula, a participação estatal na economia só vem
aumentando. Isso só ocorre por causa da contínua
criação de dinheiro do Banco Central.
Da
mesma forma, toda a intrusão governamental na vida dos cidadãos só é possível
de ser financiada porque há essa expansão contínua na quantidade de dinheiro na
economia. Ministérios que querem impor
tanto o que nossos filhos devem aprender na escola como até a opção sexual
deles; agências reguladoras que querem determinar o que podemos e o que não
podemos comprar nas farmácias (agora vão proibir remédios para emagrecimento);
todas as burocracias, regulamentações e tarifas que tanto os ministérios quanto
as agências impõem sobre o mercado a fim de cartelizá-lo em benefício de
empresas com boas conexões políticas; subsídios concedidos a grandes empresas
via BNDES — tudo isso só ocorre continuamente por causa da criação de dinheiro
do Banco Central.
Para
enfatizar: nossas liberdades civis e econômicas são continuamente tolhidas e
pisoteadas porque há um banco central com liberdade irrestrita para imprimir
dinheiro — não há absolutamente nenhuma lei impondo limites na quantidade de
dinheiro que o Banco Central pode criar.
Veja,
por exemplo, esse gráfico que mostra a quantidade de títulos públicos pendentes
que foram vendidos pelo Tesouro para conseguir cobrir o déficit do orçamento (em
outras palavras, o gráfico mostra a dívida bruta do governo federal).
Em
julho de 1994, a dívida total do governo federal era de R$ 68,4 bilhões. Em abril de 2011, o valor da dívida já estava
em R$ 2,372 trilhões. Ou seja, em 17 anos, o endividamento total do
governo federal aumentou 34 vezes.
Nesse
mesmo período, a base monetária, que é todo o dinheiro criado diretamente pelo
Banco Central, aumentou de R$ 6,495 bilhões em julho de 1994 para R$ 179,926 bilhões em
abril de 2011, quase 28 vezes. Não fosse
essa criação de dinheiro, teria sido impossível o Tesouro aumentar nesse volume
suas vendas de títulos.
(Uma
nota técnica: se a quantidade de dinheiro tivesse aumentado no mesmo ritmo que
aumentou a venda de títulos — 34 vezes –, a quantidade destes estaria
estagnada ou até mesmo declinante.
Porém, a inflação de preços estaria nas alturas).
O
volume dessa dívida — a qual pode ser vista como a soma dos déficits —
representa o tanto que o Brasil está menos rico em relação ao que poderia estar
caso os recursos que o governo consumiu com esse dinheiro tivessem sido
utilizados pelos setores produtivos da economia brasileira.
Quando
se visualiza as coisas desta forma, fica mais fácil entender por que os
déficits orçamentários (no caso, os déficits nominais, que o governo brasileiro
constantemente apresenta) e os impostos são nocivos. Cada real que o governo tributa ou toma
emprestado para gastar representa o consumo de um recurso que deixou de estar
disponível para o setor privado fazer investimentos e para construir capital
(máquinas, ferramentas e equipamentos).
Mais
ainda: cada real em posse do governo, além de representar um real a menos em
bens que poderiam ser utilizados para aumentar o padrão de vida do povo brasileiro, é um real que será utilizado para
financiar a expansão do estado e de todas as suas destrutivas intervenções.
Consequências
Portanto,
além dos ciclos
econômicos, da inflação
de preços e da redistribuição
de renda de pobres para ricos, o Banco Central também gera o agigantamento
do estado, o consumo de riqueza por parte do governo e, consequentemente, a
perda de nossas liberdade civis e econômicas.
Sem essa capacidade de imprimir dinheiro e financiar gastos crescentes
do governo federal, não haveria como este expandir continuamente seus gastos. Mais ainda: não haveria como o Tesouro emitir
dívidas ad eternum para cobrir aquela
fatia do orçamento que não cabe apenas dentro dos impostos.
Extinga
o Banco Central e uma gigantesca parte da monstruosa burocracia estatal vem
abaixo.
Além
de impossibilitar as políticas protecionistas baseadas na desvalorização da
moeda, todas as outras políticas que o governo porventura quisesse manter
seriam impiedosamente restringidas. O
governo iria manter apenas aqueles programas governamentais que ele fosse capaz
de bancar por meio do dinheiro que ele conseguisse extrair impunemente da
população — espoliação essa que agora seria muito visível e sensível para a
população. Uma enorme fatia do setor
público teria de ser simplesmente abolida.
Regulamentações e leis idiotas seriam extintas por falta de recursos
para serem impingidas. Seria a maior
benção já vivenciada pelo setor produtivo da sociedade.
E
não só o setor público perderia: o setor bancário passaria a ser uma indústria
como outra qualquer, tendo de se virar sem a proteção do governo (leia-se do Banco
Central), e sendo sujeitada aos testes de lucros e prejuízos do mercado. Bancos em apuros — porque criaram via
reservas fracionárias mais dinheiro do que deveriam — não mais poderiam ser
socorridos pelo Banco Central. O mesmo
ocorreria com todas as outras grandes empresas que recebem vários subsídios do
governo, e que agora teriam de concorrer abertamente no livre mercado com
empresas pequenas.
Como
Mises explicou, embora aumentos na quantidade de dinheiro não façam a economia
crescer, eles alteram a estrutura da mesma; embora variações na oferta monetária
não produzam impacto no crescimento agregado da economia, elas certamente
afetam a maneira como os recursos da economia são alocados e distribuídos. Ou seja, as variações da oferta monetária
determinam como será a estrutura produtiva da economia, mas não o nível da
produção. Variações na oferta monetária
sempre serão benéficas apenas para o governo e para suas empresas favoritas —
como o setor bancário e os grandes industriais amigos do rei –, que são os
primeiros a receber o novo dinheiro criado.
Conclusão
A
existência de um banco central faz com que o governo fique igual a uma dondoca
que tem liberdade para usar o cartão de crédito do marido rico: enquanto o
cartão de crédito estiver ativo, ela vai gastar desbragadamente e jogar a conta
final para os outros. Quanto mais ela
gasta, mais oprime o marido trabalhador.
Porém, tão logo o cartão seja cancelado, ela abruptamente ver-se-á na
obrigação de voltar à realidade, tendo de trabalhar para se sustentar — ou
fazer muitos agrados no marido, sempre cuidadosa para não irritá-lo.
Traduzindo
para o governês: enquanto houver um banco central, o governo seguirá gastando e
se endividando, jogando a conta (os juros da dívida) sobre a geração
futura. Quanto mais gasta, mais oprime o
setor produtivo da sociedade. Porém, tão
logo o banco central seja abolido, a fonte de financiamento barato será
extinta, e o governo terá de se adaptar à nova realidade: viver só com aquilo
que arrecada — e ainda assim temeroso de não incitar a revolta dos explorados.
Embora
a abolição do Banco Central não signifique a concomitante eliminação de todos
aqueles 10 itens da lista apresentada no início deste artigo, tal medida
inevitavelmente faria com que muitos daqueles itens fossem, na pior das
hipóteses, redimensionados para baixo.
Já a eliminação de qualquer um daqueles itens, sem a eliminação do Banco
Central, seria uma medida apenas temporária, pois jamais faltariam “verbas”
para a sua reativação.
Além
do totalitarismo governamental, a abolição do Banco Central (1) preservaria o
poder de compra da moeda (acabando com a contínua inflação de preços que
aturamos); (2) deixaria a sociedade mais rica, pois os ciclos econômicos — que
sempre destroem capital e riqueza — seriam bastante atenuados, senão
eliminados por completo; (3) faria com que as pessoas não mais tivessem de
perder tempo e recursos pesquisando várias formas de investimento financeiro
com o intuito de apenas proteger o poder de compra de seu dinheiro, permitindo
que elas direcionem seus esforços para atividades mais produtivas que trariam
um aumento no padrão de vida de todos; e (4) acabaria com a justificativa para
esquemas fraudulentos como a Previdência Social, uma vez que a moeda ganharia
poder de compra com o tempo.
Conservadores
que não querem mais ver um governo esquerdista com inúmeros programas para
perverter a moral e os bons costumes devem pedir a abolição do Banco Central;
esquerdistas que não querem um governo de conservadores impondo moral e bons
costumes devem pedir a abolição do Banco Central.
Todos
os países hoje são menos livres do que eram há uma década. Em todos os países onde há um banco central,
a liberdade regrediu. Os únicos que se
mantêm relativamente livres são justamente aqueles onde não há um banco central
propriamente dito — como Hong Kong — ou aqueles onde não há uma autoridade
monetária, como Mônaco, Andorra, Liechtenstein.
Nos EUA, em particular, é impressionante como as liberdades civis e
econômicas estão se evaporando em uma velocidade espantosa.
A
questão monetária é hoje o assunto mais premente para quem preza a liberdade. Estatais, agências reguladoras e ministérios
perdem importância frente à máquina de criar dinheiro. Aqueles não resistiriam muito tempo sem esta.

Gostaria de entender melhor uma questão: Se o governo apresentar superávits nominais por algum tempo, sem abolir o BC, qual seriam as consequências para o governo, os bancos e a população?
Ótimo artigo !
Olá,
1-Existe um movimento na internet dizendo que como nosso sistema monetário é baseado na dívida então a quantidade de dinheiro na economia nunca é o suficiente para os pagamentos de juros. De acordo com eles esse é o motivo da expensão monetária: Tornar possível algo que é um absurdo matemático (Dinheiro Circulante < Dívida).
Depois de pensar sobre isso cheguei a conclusão de que essa ideia é errada uma vez que o mesmo dinheiro pode ser usado mais de uma vez. Eu estou certo? Ou realmente existe esse bug do sistema?
2-O FED(Banco Central dos EUA) é uma empresa privada, logo é de se imaginar que todos os bancos centrais também são. Isso se aplica a todas as instituições que são imaginadas como públicas? Como Hospitais, escolas, etc? Ou seja, usar da faixada pública para ter privilégios privados?
3-Esquecendo do nosso sistema monetário. Mesmo depois de séculos de discussão em torno da usura, a economia colocou uma pedra sobre o assunto. Mas não seria a hora de rever esse assunto tendo em vista que os contratos comerciais se baseiam em valores fixos em um mundo que não tem nada de fixo? Os contratos comerciais não colocariam em posição de perigo milhões de pessoas? Não seria muito mais vantajoso, estimulante, honesto para a sociedade a proibição da usura e a promoção do investimento baseado em confiança?
4-A Ordem Executiva 6102, confiscou o ouro dos americanos em 1933 e colocou nas mãos do Federal Reserve. Sabendo disso, não é um tremendo de um erro apoiar o padrão ouro, como a maioria dos economistas austríacos fazem?
5-Os primeiros habitantes dos Estados Unidos usavam um papel-moeda que garantia ser aceito no pagamento de impostos, sem dívida. O que causou a fúria dos grandes banqueiros… Se causou a fúria dos banqueiros, então o sistema parece bom, não seria mais ideal apoiar esse então?
Muito Obrigado!
Parece que a inflação não acompanha o nível de expansão monetária como esperado.
Se os EUA aumentaram a base de 800 bi para 2,4 tri porque a inflação ainda não deu 300% ?
Segundo este artigo acima, de 1994 para cá a base no Brasil aumentou 28x,
e na calculadora do cidadão
( https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/exibirFormCorrecaoValores.do?method=exibirFormCorrecaoValores&aba=1)
dá uma inflação de 1995 para cá de 330% segundo o IGPM.
Resumindo, uma expansão de 100% não implica inflação de 100% (conforme o senso comum imaginaria). Porquê?
“um banco central tem duas funções reais: (1) proteger o sistema bancário, cartelizando-o e permitindo que opere reservas fracionárias sem riscos de insolvência”
Leandro,
Você sabe se alguém já escreveu alguma resposta ao George Selgin, que afirmou que todos os bancos de 100% de reservas da história foram patrocinados por governos? O artigo em que ele disse isso é este: http://www.freebanking.org/2011/05/31/the-state-and-100-percent-reserve-banking/
Leandro, raiz de TODOS os males? Aí você pegou pesado e foi simplista demais! Antes da existência de bancos centrais havia o que? Perfeição? Menos…
Muito bom! Levando em consideração o pequeno mas importante avanço da LRF e o atual impasse nos EUA sobre a elevação do teto da dívida americana, creio que há boas razões para pensar que em um não longo prazo poderemos ter uma discussão sobre a restrição do financiamento do BC ao TN via política monetária. É preciso ser um pouco otista às vezes!
Sr. Leandro,\r
Antes de mais nada, + um excelente artigo.\r
Agora, minhas dúvidas: \r
Já me perguntaram certa vez o seguinte: Se o governo imprime dinheiro, porque ele se dá ao luxo de pedir emprestado pagando juros? Por que não imprimir o montante suficiente para a sua fome insaciável de gastos evitando tomar empréstimos?\r
Então eu respondi argumentando que a tomada de dinheiro emprestado via títulos públicos pelo Governo se tratava de um mecanismo complexo utilizado para represar parte da dinheirama colocada na praça, uma vez que as aplicações nos bancos rendem algum trocado para os aplicadores/poupadores/investidores de papéis do Governo. Caso não houvesse esse imenso mercado de títulos públicos remunerados a juros fixados pelo próprio Estado, essa massa de recursos vazaria para o sistema, inflacionando ainda mais os agregados monetários provocando elevações maiores nos preços. Então, o Governo, sabidamente, controla esse fluxo via gerenciamento do juro básico da economia. Quanto maior o juro, maior a retenção desses recursos nos bancos – viabilizando o governo se endividar eternamente…\r
\r
Então, lhe pergundto: Faz sentido essa resposta?\r
\r
Abraços,\r
Zeca.
Meu ponto foi simples, contra o simplismo: o Fed só foi criado em 1913! E antes, havia algo perto da “liberdade plena” que alguns ancaps insistem em acreditar ser algo possível?\r
\r
O artigo é bom sim, e chamar a atenção para os riscos do BC é sempre válido (eu mesmo tenho alguns artigos nessa linha, chegando a demandar o fim do banco central). Só não gostaria de cair na falácia de vender uma “solução fácil” ou “mágica” para os problemas econômicos. O título do artigo passou esta impressão. A raiz dos males está no próprio ser humano, logo, SISTEMA ALGUM pode evitá-los. Alguns podem produzir MENOS males, mas é só. Quem sonha com “soluções” precisa acordar logo.
Hélio, entendo, mas tenho certo receio desta estratégia, ainda mais quando sei que alguns ancaps realmente acreditam que há “soluções mágicas” para os males que assolam as sociedades, e que tudo se resume à abolir o estado. Simples assim! Contra estes, que adotam postura de seita, eu tento argumentar.
Muito importante ressaltar o quão nefasto o Banco Central é para a liberdade, pois é a fonte maior de alimento do maior inimigo da liberdade, o estado.
Essa pesquisa realizada um tempo atrás mostra que mesmo os libertários não estavam muito a par do que representa esta instituição.
Na é poca eu comentei:
“Fiquei impressionado com o número de votos que recebeu “Padronização da moeda”.
Este é um dos setores que o governo intervém que é mais destrutivo à sociedade.
Acho que seria o primeiro da minha lista de inadimissíveis.
O pessoal precisa estudar um pouco mais economia.”
O que é melhor: os artigos do Leandro ou suas explicações nos comentários?
Parabéns, Leandro!
Você é muito gentil e bondoso, André. E exagerado também. Obrigado!
A existência do banco central fez emergir uma aberração conceitual: ativo livre de risco, um nome bonito para os títulos do governo. No livre mercado e, na verdade, em todo campo da ação humana é possível a existência de um ativo/investimento livre de risco? Creio que não. O prof. Iorio faz questão de enfatizar que “a economia é ação humana ao longo do tempo, nos mercados, sob condições de incerteza genuína”. Sem maiores elucubrações sobre “risco-país”, os títulos do governo recebem o rótulo de ativos livre de risco porque em última instância podem ser pagos com a impressão de moeda (falsificação) ou com impostos (expropriação de riqueza), fenômenos estranhos à uma estrutura social baseada na propriedade privada e no livre mercado.
Parabéns pela excelente aula, Leandro!
É sempre um prazer visitar este site. Quero deixar aqui registrado a minha gratidão pelo esforço de todos vcs em tornar acessível alguns conceitos econômicos, essenciais para o entendimento do mundo em que vivemos. Vejo aqui, por parte de todos os articulistas, a intenção maior de educar, de se fazer claro. Os temas tratados aqui, tais como o do presente artigo, estão presentes em nosso noticiário todos os dias e jamais são compreendidos em sua essência. Qual é o verdadeiro papel do BC? Sua existência, segundo um correto senso das proporções, trazem mais benefícios do que prejuízos para o conjunto dos brasileiros? Estas perguntas não são respondidas nos noticiários ocos e sem senso de valores, nem por pessoas que, ao invés de refutar ponto a ponto o que lêem, preferem recorrer, do alto de sua pretensa superioridade, a velha desculpa de que “economia é muito complicado”. A estes, sugiro que elegantemente os ignore até que venham com sólidos argumentos ok.
Um abraço
ABAIXO AO BANCO CENTRAL!
Ignorando todas as demais consequencias de uma pol. monetária comandada por um BC, apenas a bagunça no cálculo econômico causado pela inflação e incerteza sobre inflação futura ja é razao suficiente para repensar o sistema de reservas frácionárias/BC.\r
Pensem quantas empresas não foram enganadas com lucros imaginarios por um longo período (vendem ativos pós inflação e apuram como lucros), quantas populações tiveram as poupança de vidas inteiras sendo espoliadas ou ainda setores inteiros inflados pelas intervencoes na ETTJ como bem descreve a TAC.\r
Enfim, resta-nos comemorar como os governantes e a ata de hj a “pequena” inflação de 7%a.a e espernear que o Brasil é menos arriscado que os EUA (isso ai, CDS é um puta mercado relevante, todo mundo compra para se proteger de um calote americano)\r
Leandro, parabéns pelo artigo.
Não sei se aqui é o local apropriado para perguntar, mas gostaria de saber se o Mises Brasil pretende iniciar algum curso online? Seria muito interessante um curso de economia ministrado online – eu sei que aqui não é o ambiente mais recepitivo- à semelhança do Instituto Olavo de Carvalho. Há algum projeto nessa linha? Pergunto pois isso ajudaria e muito aqueles que, como eu, querem estudar a Teoria Econômica Austriaca.
Excelente artigo. A análise da evolução da dívida do governo federal mostra claramente a ferocidade da irresponsabilidade fiscal no Brasil; tudo isso acontecendo numa época que se falou muito, e ainda se fala, em responsabilidade fiscal. Pior ainda, é saber que nada, ou praticamente nada, de importante foi feito no país nos últimos 17 anos; o que realmente temos é o caos aéreo, estradas acabadas, uma capacidade elétrica instalada que é uma ameaça constante de apagão, enfim, uma infraestrutura em ruínas. Para piorar ainda mais a situação, nosso Estado paquiderme impede a iniciativa privada de fazer as importantes obras de infraestrutura, obras essas que são vitais para a nação.
Prezado Leandro e equipe IMB\r
\r
Mais um excelente texto sobre economia e liberdade feito pelo site.\r
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O estatismo tem várias facetas e instrumentos como pode ser visto pelo 10 itens exposto no início do texto.\r
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Mas nenhum instrumento estatal é tão emblemático como o banco central.\r
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É o banco central que viabiliza o aumento do estado e engole as liberdades individuais das pessoas.\r
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O banco central, com sua impressão de dinheiro sem lastro, garante que os 9 itens seguintes da lista constante do início do texto sejam realizados, o que o texto demonstra de forma clara.\r
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Os textos que eu considero mais interessantes sobre economia são aqueles que falam sobre o funcionamento do sistema bancário pois tem-se uma exata medida de como se opera a intervenção do governo na economia.\r
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A questão monetária é o principal ponto de uma economia de mercado porque a abolição do banco central e o estabelecimento do padrão ouro clássico são garantias efetivas de uma sociedade livre.\r
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Outro ponto que considero de grande apelo popular é a demonstração da forma como o estado se financia (tributos, inflação e empréstimos), pois este tema afeta, de forma objetiva, as finanças das pessoas.\r
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Dá até para considerar este texto como uma declaração de princípios libertários.\r
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Abraços\r
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O que o tesouro faz quando os títulos públicos em posse do BC vencem, ele os resgata, se sim o que o BC faz com o dinheiro?
Luciano, quando os títulos públicos que estão em posse do Banco Central vencem, eles são simplesmente rolados — no caso, o BC pode “comprar diretamente títulos emitidos pela União para refinanciar a dívida mobiliária federal que estiver vencendo na sua carteira.” (Como explicado neste artigo).
Parte do lucro obtido pelo Banco Central em suas operações com títulos públicos é remetida para o Tesouro. Ou seja, o Tesouro lucra com toda a criação de dinheiro do Banco Central.
Erik, resumiu perfeitamente. Obrigado pelos elogios.
Abraços!
’10) Acabar com a obrigatoriedade do diploma e liberar o ensino domiciliar (homeschooling).’
Isso vai ser praticamente comprar briga com a classe dos professores.
Eu tenho só uma informação para você:
A ferramenta para acabar com o Banco Central chegou, ela se chama: BITCOIN!
Abraço!
Thiago
Ola,\r
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Quero agradecer a publicacao deste rico e informativo artigo que e de grande importancia para “acordar” e informar o povo brasileiro sobre as parafernalias e disadvantages do banco central. Gostaria de saber quando os curos online comecarao, pois tenho grande admiracao por este instituto e quero poder usufruir dele o tanto que eu puder.\r
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Obrigada pelas informacoes!
Muito bom o texto, Leandro.
O engraçado é que, o sistema de mercado aberto é inconstitucional. Vejam o que diz a nossa incrível constituição de 88:
Art. 164. A competência da União para emitir moeda será exercida exclusivamente pelo banco central.
§ 1º – É vedado ao banco central conceder, direta ou indiretamente, empréstimos ao Tesouro Nacional e a qualquer órgão ou entidade que não seja instituição financeira.
§ 2º – O banco central poderá comprar e vender títulos de emissão do Tesouro Nacional, com o objetivo de regular a oferta de moeda ou a taxa de juros.
Como você disse, é óbvio que dar liquidez e fomentar o mercado secundário (§ 2º) faz o mercado primário ser mais atraente e, portanto, o BCB ajuda o tesouro a tomar empréstimos (§ 1º).
Esquecendo a contradição acima, tem mais coisas estranhas…existem as operações chamadas “associadas”. Nelas os bancos comerciais compram os títulos federais de emissão primária (direto do tesouro, dívida nova), mas os pagam com grana tomada emprestada do BCB, por meio do redesconto!! Essa grana ainda pode sair de graça, caso os bancos paguem o empréstimo no mesmo dia ao BCB.
Além disso, quando os bancos compram as emissões primárias de títulos diretamente com seu próprio caixa, ou quando saldam a obrigação com o BCB, isso causa queda na liquidez do sistema, na oferta de moeda, como diz a CF/88. E o que faz o BCB? Compra títulos do mercado para restaurar a liquidez e empurrar a selic para a meta!!
Se nada disso não é financiar o tesouro, então não sei o que seria. Alguém quer entrar com uma ação de inconstitucionalidade??
Às vezes pensava nas ordenanças da Constituição de 1988 como também na impressora do Banco Central. Mas, por outro lado, sempre me vinha à mente que nossa Carta Magna não é um livro levado a sério, principalmente pelos políticos.
“O Brasil não é um país sério”, teria dito Charles De Gaulle. Será que o Supremo Tribunal Federal ( STF )está sendo uma instituição séria ? Para muitos, hoje em dia, os ministros do STF são exatamente o contrário do que deveriam ser, ou seja, estas eminentes autoridades estão sendo apenas e meros subalternos do Poder Executivo. Portanto, uma ação de inconstitucionalidade insere pessimismo em muitos brasileiros.
Leandro, poderia explicar melhor para um leigo esse negócio de o Banco Central receber juros de títulos que estão em posse dele ( BC ) ?
Acabo de assistir a um espetáculo da logística associada ao banco central. Havia dezenas de policiais do grupo de operações especiais armados com fuzis e vestidos com aquele uniforme de guerra camuflado de cinza claro e escuro. Havia também muitos carros do último ano do tipo pick-up preta. No centro de tudo um caminhão lotado de notas fresquinhas recém impressas do banco central. Eu já tinha assistido ao espetáculo muitas vezes pois há anos moro perto de um depósito local do BC. O que mudou dessa vez foi a minha percepção do evento. É impressionante como mudei depois que comecei a estudar a EA. Só posso agradecer por vocês curarem a minha miopia. Muito obrigado!
“aquelas que sempre aparecem em todas as listas”
Amigo Leandro, a quais listas exatamente voce se refere? Todas as listas de neoliberalistas? Como voce definiria liberdade? Seriam a Suecia, a Finlandia e a Dinamarca paises menos livres que o Brazil?
1) Reduzir acentuadamente os gastos do governo;
2) Reduzir acentuadamente todos os impostos;
Sem os gastos do governo perderiamos a variavel mais importante da demanda agregada. A unica capaz de alterar o equilibrio da economia que pode existir num cenario de recessao por exemplo.
3) Desregulamentar e desburocratizar todos os setores da economia;
5) Abolir ministérios e agências reguladores;
Economia sem intervencao do governo converge a monopolios. Monopolios nao repeitam as leis de mercado que os liberalistas tanto exaltam.
4) Descriminalizar a produção, a venda e o consumo de todas as drogas;
Nao se conhece os efeitos de longo prazo disso na sociedade. Eh um tanto quanto “irresponsavel” esta afirmacao.
6) Privatizar todas as estatais;
Quem teria dinheiro para comprar??? Quando todos os setores estrategicos do pais estiverem na mao de extrangeiros, o que dirao os inflamados que expulsavam o FMI e ainda inflam o peito para defender a soberania nacional e criticar o maquiavelico “imperialismo americano” ???
7) Acabar com a previdência pública compulsória;
Em uma sociedade cada vez mais individualista, quem vai tomar conta dos idosos que vao se amontoar pelas ruas a pedir esmolas como no Mexico?
8) Liberar o porte irrestrito de armas;
Num pais onde bebados matam milhares de pessoas todos os anos nas estradas talvez nao fosse tao boa ideia arma-los tambem. Infelizmente nao somos um povo com uma maioria de pessoas responsaveis e instruidas.
9) Acabar com o monopólio estatal sobre a justiça e a segurança;
A quem serveria a tal justica e policia privada?
10) Acabar com a obrigatoriedade do diploma e liberar o ensino domiciliar (homeschooling).
Quem nao gostaria de ser operado por um medico sem diploma??? Ou morar no vigesimo andar de um predio projetado por um profissional que nao eh engenheiro?
Eu acho que o pessoal que escreve essa lista a que voce se refere cai na mesma tentacao que o PT caia antes de assumir o governo. A tentacao de criticar sem ter a responsabilidade de se comprometer com o resultado.
“permitindo que opere reservas fracionárias sem riscos de insolvência”
O que significa isso?
Leandro por favor esclareça(eu e os demais leitores internautas).O banco central enquanto banco emissor possui qual percentagem de papel moeda e moeda metalicas em relação a seu ativo e por acaso você saberia me responder qual é a proporção que ele usa para encomendar as notas e moedas à casa da moeda do brasil(ex.x% para a nota de R$100,00,y% para a nota de R$50,00 e assim sucessivamente de acordo com a demanda)e se existe essa informação no site do banco central qual seria o link.
O IMB continua a cada dia melhor.
“6) Privatizar todas as estatais” e desestatizar a economia.
O Banco Central foi inventado basicamente para realizar o oposto do que afirmam ser sua função: em vez de combater a inflação, ele a mantém em doses controladas. Sua abolição enfrenta dois problemas, entre outros: (1) a maioria nasceu e cresceu após sua criação e o considera parte natural e fundamental da sociedade e economia; (2) ele proporciona enorme fonte de poder e os “donos da bola” não querem ficar menos poderosos.
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Prezados,
Há dias, talvez semanas, que eu estou para fazer esta pergunta, e encontrei um bom lugar: vocês acreditam mesmo em tudo o que o artigo diz?
Na verdade é uma pergunta que serve para trocentos assuntos, mas este aqui – relativo aos bancos centrais – é simplesmente perfeito: além de ser dos mais favoritos, é também supostamente a raiz de todos os males. Queria saber se alguém realmente acredita nisto. Seria bom se alguém pudesse responder.
Abraços!
Muitos educadores financeiros recomendam o tesouro direto como forma de investimento mais segura e mais rentável do que a poupança, devido ao fato de o primeiro ser garantido diretamente pelo tesouro nacional. Mas, a julgar pelo teor do presente artigo e de outros, uma boa parte da própria inflação considerada para os cálculos dos rendimentos e preservação do poder de compra no futuro parece ser criada justamente pelo fato de esses títulos públicos existirem e serem negociados nos mercados.
O individuo pode fazer o que quiser com seu dinheiro, é claro, mas por princípio, após conhecer o modus operandi dos bancos centrais, um libertário deveria se abster de investir em títulos públicos?
Boa noite, Leandro não seria mais viável politicamente proibir o tesouro de emitir títulos? visto que propor a abolição do bacen seria um suicídio político?
Leandro,
Que taxa de crescimento da base monetária (M0) seria razoável o BCB projetar para trazermos a inflação abaixo de 2-2,5%, considerando o multiplicador monetário para os empréstimos bancários (a efetiva entrada do dinheiro na economia), um crescimento de pib da ordem de 3,0% e um superávit de 0,5% pib no Balanço de Pagamentos (câmbio a R$3,00)? E levando em conta um ajuste possível com o atual arranjo do bacen?
Notei que de 2008 pra cá a base monetária simplesmente dobrou (2x). No mesmo período, os empréstimos bancários quadruplicaram (4x, nominais). Em contrapartida, tivemos um aumento pequeno no Produto e superávits no Balanço de Pagamentos (em 2011, bastante razoável, por exemplo). É claro que uma parte desse crédito concedido se transformou em investimento (ainda que o processo de desindustrialização siga sua marcha), mas o resultado foi uma inflação acumulada de 55% (IPCA).
PIB: http://www.tradingeconomics.com/charts/brazil-gdp.png?s=wgdpbraz&d1=20080101&d2=20151231
Inflação: http://www.tradingeconomics.com/charts/brazil-inflation-cpi.png?s=bzpiipcy&d1=20080101&d2=20151231
M0: http://www.tradingeconomics.com/charts/brazil-money-supply-m0.png?s=brazilmonsupm0&d1=20080101&d2=20151231
Empréstimos: http://www.tradingeconomics.com/charts/brazil-loans-to-private-sector.png?s=brazilloatoprisec&d1=20080101&d2=20151231
BoP: agnrn.com/wp-content/uploads/2014/09/superavit-e1411590846912.jpg
Produção Industrial: http://www.tradingeconomics.com/charts/brazil-industrial-production.png?s=bzipyoypct&d1=20080101&d2=20151231
Crédito ao setor privado: http://www.tradingeconomics.com/charts/brazil-private-sector-credit.png?s=brazilpriseccre&d1=20080101&d2=20151231
Essa conta, se elaborada na ponta do lápis, mais ou menos fecha?! É por aí mesmo?
Abraço, Mestre.
Ótimo artigo.
A propósito, só acrescentando que a prática de aumentar a base monetária já existia desde o Império Romano, quando vários imperadores diminuíam a porcentagem de metais preciosos das moedas para fabricarem mais quantidade delas e desta maneira cobrirem seus gastos – e isso gerou obviamente inflação. Ou seja, não existia Banco Central, mas a prática falaciosa é a mesma. Incrível como a história se repete!
Mas eu gostaria de tirar uma dúvida, Leandro.
Muitas vezes, quando argumento nos debates que o governo utiliza esta tática de impressão de dinheiro para cobrir seus gastos, os debatedores me perguntam: “Me prove que o governo imprimiu dinheiro, principalmente recentemente!”. Isto é, eles querem provas reais de que houve expansão monetária. Daí eu não consigo responder. Tento investigar em algum site do governo sobre emissão de títulos públicos, mas não encontro evidência – pelo menos pra mim, que sou leigo.
Às vezes eu uso o argumento de que a maior prova da expansão monetária é a inflação, mas daí esse argumento, embora óbvio para alguns, não é suficiente para muitos. Eles querem uma prova real e incontestável de que tenha havido emissão de dinheiro, e em quais datas específicas.
Então eu pergunto, como obter essas provas reais?
Abraços
Ps: a pergunta foi dirigida ao Leandro, mas quem puder me ajudar na resposta, por favor fique à vontade para escrever.
Leandro,
Poderia por gentileza sanar uma única dúvida minha nesse processo feito pelo BC…
Quando o BC compra os títulos em poder dos bancos privados, esses títulos ficam sobre propriedade do banco central. Sendo assim, como fica as remunerações que o governo deve repassar (indexação Selic)? O governo perde a obrigatoriedade?
Certo de sua atenção.
Uma boa medida seria entrar na zona do Euro.
Esse turma do banco central brasileiro vai afundar o país.
Por mais maluco que sejam os europeus, eles são mais responsáveis do que nós.
Olá, Leandro. Tudo tranquilo?
Depois de ler vários textos seus e de diversos outros autores/analistas do Mises Brasil e do Mises USA, e especialmente de ver inúmeros vídeos de caras como Peter Schiff e Mike Maloney, comecei a investir em ouro e prata, e me tornei um ferrenho defensor desta maneira de pensar (e agir).
Pois bem, outro dia estava debatendo com um amigo sobre investir no Tesouro (a grande vedete de todo mundo aqui no Brasil, ao que me parece…) X investir em metais preciosos. Entre outras coisas, escrevi isto aqui, defendendo uma “teoria” um tanto surpreendente pra ele:
“A diferença é que comprar ouro e prata é investir em real money, enquanto que ir pra qualquer modalidade que tenha a ver com em Real, Dólar, Euro etc. é investir em currency (números na tela de um computador/papéis coloridos infinitamente inflacionáveis, sem lastro em nada – ou melhor, com lastro em dívida – e com valor intrínseco zero). Currency é algo bem diferente de real money, e o desconhecimento em relação a isso faz com que as pessoas em geral não entendam como as coisas funcionam.
Investir no Tesouro significa depositar confiança no Real. Só que nossa moeda (que, claro, é currency, e não real money) é tão fraca que conseguiu a façanha de levar apenas 23 anos pra se desvalorizar num percentual que o Dólar – que está em queda livre e colapso iminente – levou cerca de 100 anos pra se desvalorizar. E investir no Tesouro também significa depositar confiança Estado brasileiro, aquele polvo mastodôntico que está há décadas e décadas impedindo que o país se desenvolva economicamente. Que belezura, não?
Fora o óbvio fato de que investir no Tesouro (ou títulos públicos em geral) significa contribuir diretamente para o aumento do montante de dívida do Estado, já que os títulos emitidos são nada mais que novas dívidas em cima de dívidas pré-existentes. Ora, se as duas vias básicas que o Estado usa para saldar dívidas, no fim das contas, são a inflação e o aumento da carga tributária, então investir em títulos públicos significa automaticamente 1) contribuir diretamente para que o Estado se mantenha numa bola de neve de endividamento; e 2) pagar para manter a própria moeda em constante desvalorização. A própria emissão dos títulos já aumenta automaticamente, inclusive, o volume de moeda circulante na economia. Isso tudo significa, também, contribuir para que os mais pobres continuem sendo esmagados pela inflação e pelos impostos, e manter os empreendedores (e o setor privado como um todo) com dificuldade para poupar, investir, acumular capital e consequentemente aumentar a produtividade.
Em suma, olhando a partir de uma visão menos míope: INVESTIR EM TÍTULOS PÚBLICOS AJUDA A EMPOBRECER O PAÍS. [Ok, muitos investidores vão converter os lucros em acúmulo de capital e aumento de produtividade, mas isso talvez só mantenha o jogo no “zero a zero”, porque o cobertor é sempre curto…]
A bala é até bonitinha, mas o tiro sai pela culatra.
Viva o keynesianismo! Viva a inversão (falaciosa e criminosa) de prioridades! Viva o Estado gigante!
Enfim: considerando isso tudo, será mesmo que é um investimento inteligente? Há mesmo comparação, em qualquer grau, entre investir no Tesouro e investir em ouro e prata?”
Minha pergunta, Leandro: você acha que eu estou missing something? Minha explicação é infundada? Ou você concorda comigo?
Sua palavra é de valia inestimável pra mim.
Obrigado.
Abraços!
O que os senhores tem a dizer a respeito da redução do compulsório realizado ontem? Gerará inflação e um futuro ciclo econômico futuramente?
O maior problema das drogas é a violência provocada pelo consumidor pobre que rouba e pratica latrocínio para obter recurso para financiar o vício. A simples liberação de cultivo caseiro de maconha para consumo próprio já reduziria drasticamente a violencia nas ruas. Mas os defensores da legalização das drogas estão mais interessados em discutir a DESCRIMINALIZAÇÃO DO COMERCIO e nos lucros dos futuros negócios legalizados de drogas.
Toda a crítica no final é o argumento de que o Banco Central não deveria estipular a taxa de juros. Ok, mas o Banco Central não tem recursos e/ou conhecimentos para ter uma ideia realista dos efeitos de cada taxa aproximadamente? O Banco Central da Rússia escolheu recentemente 20% em um sorteio? Vocês falam como se eles fossem burros e não tivessem referência para nada.
Leandro, por que após o fim do resto de padrão ouro nos EUA os salários reais estagnaram mesmo havendo aumento de produtividade? Isso tem relação com o que foi dito no artigo? Como se deu esse processo?