À exceção das contas do governo, nenhuma outra estatística
econômica é reportada com maior pesar e tons apocalípticos do que um déficit na
balança comercial de um país.
Sempre alerta à procura de iminentes desastres econômicos,
tanto a imprensa quanto economistas desenvolvimentistas se apressam em
pontificar, em tons graves, sobre os perigos de se ter um déficit comercial.
O problema é que ninguém nunca realmente explicou
qual perigo há em recebermos mais bens dos estrangeiros do que damos a eles.
E ninguém nunca explicou simplesmente porque não há nenhuma
explicação. Com efeito, eis uma lista de
alguns países que, nas últimas décadas, sempre ou quase sempre tiveram déficits
em sua balança comercial: EUA,
Austrália,
Nova
Zelândia, Suíça
(esta, aliás, teve o mais prolongado déficit de todos, de 1950 até meados da década
de 1990), Reino
Unido e Luxemburgo.
Por outro lado, escolha qualquer país da América do
Sul ou da África e as chances são de que você encontrará um país que exporta
muito mais do que importa.
(Já o Chile, durante sua década de desenvolvimento,
apresentou recorrentes
déficits em sua balança comercial).
O exemplo a seguir ajudará a entender por que déficits
na balança comercial não apenas não são ruins, como, ao contrário, podem
significar um aumento da prosperidade do país.
A
pequena ilha
Imagine um pequeno e pobre país isolado no meio do
Pacífico, com uma economia baseada predominantemente na pesca e na agricultura
de subsistência. Um belo dia, uma excursão de geólogos descobre vastas
reservas de petróleo nesse país. Imediatamente após essa descoberta, os
investimentos estrangeiros começam a afluir em massa para esse lugar.
Como o país até então não possuía uma infraestrutura
avançada, esse investimento estrangeiro terá de construir basicamente tudo:
poços petrolíferos, refinarias e oleodutos. Terá também de construir
estradas para escoar a produção, bem como um porto, onde embarcar o
produto. Para fazer todas essas construções, toneladas de equipamentos e
materiais de construção terão de ser levados a esse país, bem como quantidades
substanciais de bens de consumo para prover os trabalhadores dessas
construções.
Todos esses materiais, todos esses bens, constituem importações. Mais ainda: eles representam a contrapartida física de todo o dinheiro de
investimentos que está entrando na conta capital e financeira dessa ilha. O aumento do investimento estrangeiro possibilitou um aumento das importações.
A pergunta é: teria como esse país evitar um déficit
na balança comercial? Nem se ele exportasse todos os peixes, verduras,
cocos e vacas que seus habitantes possuem. E o principal: ele não teve de
exportar absolutamente nada para pagar por essas importações — o petróleo só
começará a jorrar daqui a vários anos, quando tudo isso estiver construído e
operante.
Logo, essa balança comercial deficitária
(“desfavorável”, segundo economistas) e todo o investimento
estrangeiro que a gerou representaram, na verdade, um desenvolvimento econômico
extremamente favorável para a economia local. Difícil
imaginar algo mais favorável do que esse arranjo.
Porém, um economista desenvolvimentista olharia para
os números e lamentaria o déficit na balança comercial. “Puxa, se ao
menos vacas, peixes e cocos estivessem sendo mandados para fora para atenuar
esse déficit comercial…”.
O desenvolvimentista realmente acredita
que os habitantes desse país estariam em melhor situação caso abrissem mão de
suas vacas, peixes e cocos, mandando-os para o estrangeiro e, em troca,
alimentando-se de capim. Para ele, o que importa é a balança
comercial. Quanto menor o déficit, melhor.
Já um economista um pouco mais sensato reconheceria
que o atual arranjo econômico desse país realmente é benéfico para sua
população; ele reconheceria que investimentos estrangeiros produtivos
necessariamente geram déficits na balança comercial, pois investimentos
precisam da importação de bens de capital — se não precisassem da importação
de bens de capital, então poderiam ser realizados por nativos.
Investimentos estrangeiros e o déficit na balança
comercial que eles geram representam acumulação de capital para o
país em questão.
Todos
nós, como indivíduos, temos déficits em nossa balança comercial
Você certamente possui um déficit em sua balança comercial
com seu dentista, com os restaurantes, com os supermercados, com as lojas, com
as salas de cinema, com seu senhorio e, acima de tudo, com sua empregada
doméstica. Nenhum deles compra nada de você. Você dá seu dinheiro para eles.
Mas esses déficits comerciais são a recompensa que temos pelo nosso trabalho
assalariado. Nós conseguimos cobrir
esses “déficits” graças aos “superávits” que temos com nossos empregadores.
Isso mostra uma tautologia básica: no final, toda e
qualquer transação econômica entra em equilíbrio. Nós trabalhamos e produzimos para que
possamos consumir.
Expandamos agora esse exemplo para toda a população de
um país. Se um indivíduo de um país compra
bens e serviços de outras pessoas que moram em outros países, ele tem
necessariamente de ter produzido algo de valor para poder fazer essa importação. Se os indivíduos de um país estão comprando
mais televisores, tablets e smartphones de outro país, isso significa que alguém,
em algum lugar, está comprando algo de valor em posse desses indivíduos. Alguém está dando a eles os meios que os
permitem fazer essas importações.
Esses “meios” são os investimentos estrangeiros. No exemplo
da ilha acima, seus habitantes receberam esse dinheiro dos investidores
estrangeiros, os quais voluntariamente direcionaram para a ilha o seu dinheiro. Mas há outras formas.
Por exemplo, se eu sou o proprietário de uma fábrica
de automóveis e vendo um carro para um canadense, essa venda é computada como
sendo uma exportação. Por outro lado, se
um canadense compra ações dessa minha empresa, isso é computado como “investimento
estrangeiro”, e não entrará nos cálculos de superávit/déficit comercial que
tanto preocupam os economistas.
Mas perceba que, em ambos os casos, algo foi
vendido. Na primeira situação, vendi um
carro. Na segunda situação, vendi uma ação. A primeira venda foi
computada como “exportação”. A segunda
venda foi computada como “investimento estrangeiro”.
E com um detalhe: os dólares usados neste investimento estrangeiro acabarão sendo utilizados para importações. Logo, a contrapartida de um investimento estrangeiro direto é a importação de um bem ou serviço.
No entanto, dado que o investimento estrangeiro não é
contabilizado como exportação/importação, é realmente de se estranhar que
países tenham déficits comerciais? Ora, são
exatamente esses investimentos estrangeiros que permitem as importações. Um país que está importando pouco é um país
pouco atraente para os investidores estrangeiros. Certamente será um país pobre.
Por isso, vale a pena repetir: toda transação comercial
deve se equilibrar. Se um país tem a
capacidade de importar bens e serviços produzidos pelo resto do mundo, isso
significa que o resto do mundo demonstrou interesse em investir nesse país.
Consequentemente, não é de se estranhar que todos
aqueles países ricos mencionados no início deste artigo tenham apresentado
contínuos déficits em suas balanças comerciais. Déficits na balança comercial gerados
por um aumento das importações são a consequência de fartos investimentos
estrangeiros. Realmente, não há nada de catastrófico
nisso.
A raiz do problema está na agregação
Não
existe isso de déficit comercial “entre países”; o que existe é uma
população produzindo e outra população comprando.
Os americanos, por exemplo,
compram dos mexicanos US$ 60 bilhões a mais do que os mexicanos compram dos
americanos. Trata-se de uma ação completamente pacífica e voluntária. Os
americanos voluntariamente compram produtos fabricados pelos mexicanos. Ninguém
os obriga a isso. Nenhum americano é coagido a isso. Nenhum americano é
agredido por isso.
Assim
como você possui um “déficit comercial” com o supermercado que você
frequenta ou com o restaurante em que você almoça — ambos os quais lhe
fornecem bens e serviços em troca do seu dinheiro –, os americanos possuem
essa mesma relação com os mexicanos, que lhes fornecem bens e serviços em troca
de dinheiro. Qual exatamente é o problema com este arranjo?
Ainda
assim, há quem diga que tal relação mútua e pacífica entre cidadãos americanos
(compradores voluntários) e cidadãos mexicanos (vendedores voluntários) é
deletéria para os EUA e deve ser revertida. Trata-se do perfeito exemplo da
mentalidade mercantilista, que acredita que, em uma transação comercial, só o
lado vendedor ganha, e o comprador só perde.
O
curioso é que, se este raciocínio realmente for levado a sério, jamais deveria
haver uma única transação comercial na história do mundo. Quem iria comprar algo,
se comprar é sinônimo de perder?
Este,
aliás, é o problema de se ver a economia como apenas uma massa agregada de
números, ignorando o indivíduo. Transações que, em nível individual, são
benéficas para ambos os lados, repentinamente tornam-se deletérias quando
analisadas agregadamente. Algo completamente sem sentido.
Superávits
na balança comercial significam privação
Entendido tudo isso, ainda resta a pergunta derradeira: qual seria o sentido de exportar mais do que
importar?
Pense em um cidadão brasileiro. Do ponto de vista dele, as exportações de
soja, laranja, milho, café, aço e automóveis do país só lhe são boas porque
trazem dólares que lhe permitem importar iPads, notebooks, smartphones,
tablets, livros, alimentos, vinhos, cervejas e várias outras coisas. Fora
isso, as exportações não lhe são nada vantajosas.
Ao contrário até: quanto mais um país exporta, menor
será a oferta desses bens exportados no mercado nacional. Quanto maior a
exportação de soja, laranja, café, milho, aço e carros, menor será a oferta
desses produtos para os brasileiros, o que significa que seus preços no mercado
interno serão maiores do que poderiam ser caso não fossem exportados.
De modo geral, sempre que a balança comercial
apresenta um superávit recorde, isso significa que o cidadão brasileiro foi
privado de uma maior oferta de bens, tanto aqueles produzidos nacionalmente e
que foram exportados, quanto aqueles produzidos no estrangeiro e que não
puderam ser importados por restrições governamentais.
Logo, a política governamental de estimular
exportações e restringir importações apenas para se ter superávits
na balança comercial só pode ser vista como um sadismo governamental, um ato de
criminosa privação da população.
Populações ricas são aquelas com amplo acesso aos
bens e serviços produzidos pelo resto do mundo. São aquelas que têm liberdade para importar. É para isso que acordamos cedo e trabalhamos muito:
para conseguirmos os meios para elevar nosso padrão de vida. E a importação de bens e serviços estrangeiros
de qualidade aumenta nosso padrão de vida.
Tudo
se resume a proteger a indústria nacional
A realidade é que a gritaria contra eventuais déficits
comerciais nada tem a ver com teorias econômicas. Hoje, os números da balança comercial não são
utilizados para informar ou iluminar. Seu
real propósito é fornecer estatísticas espúrias, bem como apoio
pseudo-científico, para grandes grupos empresariais em busca de legislações protecionistas.
Esses empresários avessos à concorrência externa
querem uma reserva de mercado, fazendo com que a população — principalmente os
mais pobres — seja forçada a comprar apenas os seus produtos. Para camuflar seus apelos diretos por
protecionismo, eles dizem apenas estar defendendo o “bem comum” em prol de uma balança
comercial favorável.
Para esses empresários protecionistas, as indústrias
nacionais não devem ser submetidas à liberdade de escolha dos consumidores
nacionais. Os consumidores não devem ter o direito de escolher produtos
estrangeiros. Eles devem ser obrigados a comprar apenas produtos
nacionais mais caros. Como defender
abertamente isso não seria muito popular, recorrer ao bicho-papão do “déficit da
balança comercial” soa mais científico.
Em todo caso, qualquer pessoa minimamente sensata
que já tenha parado para pensar sobre o assunto certamente ainda não deve ter
entendido esse básico: afinal, por que é dito que um país que dá mais bens do
que recebe em uma transação comercial apresenta uma balança comercial favorável?
Por que, afinal, dar mais do que recebeu seria “favorável”?
Se você já pensou sobre isso e não conseguiu
encontrar uma resposta, não se preocupe, pois você está em boa companhia. Adam Smith, ainda no século XVIII, também não
encontrou nenhuma resposta. Disse ele:
Nada
pode ser mais absurdo do que essa doutrina da balança comercial, sobre a qual […]
praticamente todas as regulações sobre o comércio exterior são baseadas.
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Artigos
complementares:
Exportar muito e importar pouco não gera crescimento e é o caminho para a pobreza
O livre comércio, mesmo quando adotado unilateralmente, só traz ganhos
O livre comércio nos
enriquece e o protecionismo nos empobrece – como reconhece Paul Krugman
Nove perguntas frequentes
sobre importação, livre comércio e tarifas protecionistas
Dez argumentos econômicos – e um ético – em prol do livre comércio
Países pobres tributam
pesadamente importados; países ricos têm suas fronteiras abertas


Como diria Milton Friedman: “Permitir a entrada de produtos japoneses é ruim pra nossa economia? Como pode ser ruim trocar produtos bons e baratos por papeis verdes?”
Excelente artigo.
“no final, toda e qualquer transação econômica entra em equilíbrio.”
Esta frase resume tudo.
O Maior expoente do protecionismo é o Ciro Gomes mas será que ele da exemplo e estimula o turismo nacional passando ferias em Salvador, Recife ou Rio de Janeiro ao inves de Miami, Paris e Londres? Ou será que ele ja teve um Gurgel? Será que ele presenteia suas amantes com perfume jetiqui ao invez de frances ou seus seguranças armados usam pistola taurus ao invez de glock?
Se a “ESCOLA AUSTRICA” e tão boa assim por que nem mesmo a AUSTRIA adota ela?
Ótimo artigo, apenas uma consideração: uma economia saudável e produtiva geraria muitos bens exportáveis, e esses produtores estariam poupando dinheiro o que é bom.
além disso um superávit na balança traria moeda estrangeira para o país, em seguida esses produtores trocariam a moeda estrangeira pela moeda nacional fazendo com que a moeda nacional se valorizasse, aí está a vantagem.
Os EUA na época que eles tinham uma economia saudável eles tiveram por muitos anos Superavit.
“Em todo caso, qualquer pessoa minimamente sensata que já tenha parado para pensar sobre o assunto certamente ainda não deve ter entendido esse básico: afinal, por que é dito que um país que dá mais bens do que recebe em uma transação comercial apresenta uma balança comercial favorável?
Por que, afinal, dar mais do que recebeu seria “favorável”?”
Perfeito raciocínio elaborado pela equipe. Realmente nos jornais o que mais você escuta é a tal da balança comercial negativa ou positiva, e todos ficam espantados quando a balança fica negativa(Importação > Exportação). Praticamente todos os economistas caem nesse discurso da balança comercial, claramente é ensinado nas universidades a pensarem dessa forma.
Parabéns a Equipe Mises.
E até quando será assim no Brasil?
Fugindo do tema do artigo.
Eu gostaria de saber, quando será atualizado para o novo layout do site?
Eu me lembro que no ultimo evento do instituto mises, foi apresentado um layout muito bonito, que lembra um pouco o instituo mises americano.
Uma das razões do governo odiar o Déficit na Balança Comercial é porque reduz o PIB, correto?
No capítulo 14 do seu livro “Popular Economics”, John Tamny trata dos chamados “trade deficits”:
http://www.regnery.com/books/popular-economics/
Proteção DEMAIS, desprotege o todo.Bela ÓTICA para os DOUTRINADOS e DOUTRINADORES[com raríssima exceções]
Os países citados possuem grandes reservas em ouro e em $ acumuladas em séculos de história, é uma realidade completamente diferente da que vivemos aqui. Dutra abriu as fronteiras e isso fez com que se esgotasse todas as reservas acumuladas pelo Brasil nas guerras mundiais em apenas 1 ano.
Abrir fronteiras é bom, no governo Dutra o país cresceu 7,6% ao ano. O problema é o que fazer quando as reservas acabam ?
Criem mais e mais regras trabalhistas, restrições à livre iniciativa, licenças e mais licenças remuneradas, mais e mais férias remuneradas, um porção de feriados, aumento a carga fiscal, criem burocracia, criem contabilidade fiscal etc. etc. etc. , e depois fiquem falando mal das empresas que perdemos para o exterior e sugerindo que devemos, para defender o seu emprego, comprar produtos ruíns e baratos. Não se pode ter tudo ao mesmo tempo. Vejam o exemplo da Europa. Os países que mais criam restrições são os que menos crescem. A Europa está caminhando para a estagnação. No rítimo que as coisas vão, países que há 50 anos não eram levados em conta, caminham céleres para deixar a Europa da rabeira.
Não existem mercados perfeitos. Fosse assim não haveria necessidade de OMC e órgãos reguladores, acordos do GATT etc.. São inumeráveis os casos de dumping, subsídios, oligopólios e monopólios. A produtividade dos países é desigual, assim como os custos de produção e comercialização. Cabe ao estado agir em defesa de alguns setores que podem ser prejudicados, e a órgão reguladores punirem as infrações. E finalmente, grandes desequilíbrios na balança comercial são indesejáveis quando o dinheiro que vai para o exterior não retorna, e esse não é exatamente o caso dos EUA, Suíça, e outros citados.
Muito bom.
Seria errado dizer que os estudantes (nem todos, é claro) de economia e ciências sociais, filosofia história são os únicos que estudam para ficarem burros?
A do Ciro Gomes (Cironel) foi ótima: Nem mesmo a Austria adota a Escola Austríaca!
O que vcs acham sobre os grampos telefônicos? Estou falando no caso de se usar para uma investigação.
E se o país está importando muita coisa mas não é pra investir em nada, é apenas pra consumir?
Não é isso que o Peter Schiff fala que os EUA estão fazendo?
Os chineses estão vivendo com as janelas fechadas de tanta poluição.
A pergunta simples sobre isso é: quem vai cuidar de todo o lixo gerado pela indústria nacional ?
Somos porcos ou seres humanos ? Os porcos fazem menos sujeira do que a indústria.
É melhor importar do que viver no meio do lixo.
Muito interessante o artigo.
Fiquei com uma dúvida na questão de grampo telefônico e incluo no bolo os casos de sucessivos bloqueios ao whatsapp por não cooperar com as investigações da polícia.
Oras, consideremos que tenhamos o nascimento de uma célula terrorista aqui no país, que foi o que “supostamente” aconteceu, não seria esperado que a justiça tivesse o acesso liberado aos diálogos de whatsapp desses suspeitos para, assim, evitar um possível atentado, o tomaria a vida de centenas ou milhares de pessoas?
Acredito que os argumentos de resposta vão ser:” Da mesma forma que a justiça pode usar para esse tipo de coisa, corruptos na política podem usar em benefício próprio, o que de uma maneira utilitarista seria muito mais prejudicial para a sociedade. Além disso, você daria o direito de a justiça interferir nos seus pensamentos, caso essa tecnologia já existisse, e você fosse um possível suspeito?”
Inclusive, acredito que se partirmos sempre para uma lógica puramente utilitarista, acredito que isso “possa” ter sentido.
No entanto, a política de aplicação e divulgação de grampos eletrônicos, no Brasil, é bem rígida. Acredito, portanto, que dificilmente uma pessoa escaparia impune caso aplicasse um grampo eletrônico “legalmente” com um buscando claramente seu interesse próprio.
Ps: Reforço que admiro muito esse site e as suas contribuições dadas à sociedade impregnada de pensamentos doutrinados. Entendo que, apesar de ter algumas dúvidas quanto a viabilidade de todas as propostas elaboradas aqui, ele é fundamental para a desconstrução do pensamento do “óbvio” que nos é ensinado e corroborado diariamente.
Na ilha a população continua tão pobre quanto antes da exploração do petróleo.
Só quem ficou rico foi o rei ou o ditador (africa, Arábia Saudita etc.)
Qualquer preocupação referente a balança comercial é uma grande bobagem. O que interessa é só e somente a taxa de câmbio. Se a moeda estrangeira está sendo demandada para importar, fazer turismo ou limpar a bunda, não faz a menor diferença. No câmbio flutuante o preço sempre se ajusta a oferta e a demanda, os motivos que levam as pessoas a ofertar e demandar moedas no mercado de câmbio não interessa, só o preço importa e ele sempre se ajusta.
Pegando o gancho do comentário do Pedro, nós não podemos só culpar as empresas nacionais pelo protecionismo. Temos que ir mais além e nos perguntar: mas por que mesmo assim os produtos são caros no Brasil? A resposta é: por causa do governo. Vejam, o governo precisa dos impostos para manter o seu tamanho absurdo e suas mamatas políticas, e portanto aplica essa carga tributária anabolizada, única no mundo. E aí sim, como consequência, as empresas vão até os políticos e dizem: caros, ou vocês nos protegem da concorrência externa, ou digam adeus para as nossas empresas e toda essa linda arrecadação de impostos. Ou seja, as empresas são reféns desse governo que tanto explora, mas que há anos não sabe gerir adequadamente os recursos. Enquanto isso, quem paga o pato somos nós, consumidores.
Chocante tudo isso.
As pessoas sempre foram burras e manipuláveis… os meios de comunicação em massa, que muitos acreditavam ingenuamente ter chego para deixa o ser humano mais informado, fez justamente o oposto.
Bukowski e Schopenhauer devem estar dando risadas de seus túmulos vendo pessoas sendo atropeladas por carros enquanto correm atrás de seres (que não existem) metade peixe, metade macaco com seus celulares.
Infelizmente a humanidade não tem mais jeito… acabou, game over!
Fiquei com duas dúvidas…
1) No caso da ilha, ela não deveria ter reserva internacional para importar os bens de capital?
2) No caso de um país qualquer que, reiteradamente incorre em déficit na sua balança comercial. Teoricamente este país não estaria também reiteradamente diminuindo sua reserva internacional e em algum momento ela se esgotaria? Se fosse um Currency Board, até já foi explicado aqui no instituto que uma saída de US$ por exemplo diminuiria a base monetária elevando a taxa de juros, o que por sua vez atrairiam investimentos. Mas em uma taxa de câmbio flutuante e neste sistema em que a entrada de dólares faz com que surjam reais criados do nada… não sei não…
Alguém sabe qual seria (ou se existe) um indicador analise a balança comercial como um todo? Contabilizando não apenas importações e exportações mas também os investimentos recebidos pelo pais?
Obrigado ao IMB por mais esse primoroso e didático artigo. Além de nos privilegiar com a possibilidade de ampliar cada vez mais nossos conhecimentos econômicos, esse portal funciona como um gigantesco FAQ para rebater todos os clichês que ouvimos por aí diariamente.
No caso da balanca comercial, lembro que desde a época de sala de aula, na faculdade de economia, nunca entendi por quê a conta do PIB utiliza o famoso X-M, que parece suplicar o axioma de que exportacões aumentam a riqueza enquanto importacões a destróem. Minha intuicão me dizia que isso simplesmente não faz sentido, e fiquei encucado com o fato de não encontrar em nenhum lugar nos livros didáticos a explicacão sombria e misteriosa por trás desse raciocínio.
Hoje resta evidente que essa explicacão não consta nos livros porque simplesmente não existe.
Superávit comercial é um amuleto para quem acredita na superstição chamada mercantilismo.
Mas não podemos descartar que alguns apenas fingem acreditar como pretexto para controlar tudo.
* * *
O artigo diz q toda importação é por causa de investimento estrangeiro, sao bens de capital, mas e no caso da maioria das importações serem bens de consumo? Como ficaria a explicação?
Outra dúvida, também é dito que os dólares recebidos das exportações são utilizados para importar ipads, iPhones, entre outros produtos de elevado valor agregado, mas e a opção de simplesmente trocar os dólares por reais e comprar no mercado interno? Não existe?
Se a balança conercial for sucessivamente negativa e o capital estrangeiro começar a comprar empresas, imóveis e terras no país, a tendência não seria praticamente a aquisição desse país pelo estrangeiro?
Seria possível um cenário em que todos os empreendimentos de um país tenham estrangeiros como proprietários? A balança comercial negativa contribuiria para o surgimento desse cenário? Qual seria o impacto para a população desse país?
Debate econômico no Brasil é risível.
É primário e cansativo. Essa questão de balança comercial já devia ter sido superada faz uns quinze anos, porque até mesmo desenvolvimentistas menos tapados assumiam que em certos anos que o Brasil apresentou déficit a maior parte se devia a Investimento Estrangeiro Direto, óbvio que sem explicar se podia ser bom ou ruim.
E mais, esse povo morre de medo de China, cruzes…se os xings me vendem produto barato, eu tenho mais é que comprar. E num exemplo usado ad nauseam nos comentários, eu compro sapato de Franca, porque primeiro, não sei explicar porque, eles me apertam os pés, mesmo número maior e segundo, eu tenho sudorese acentuada e combinado com a vulcanização do sapato chinês, depois de um dia de uso intensivo se eu tirar o sapato em público fico sozinho no ambiente…A bem da verdade, sapato francano é superbom.
Essa refutação, faz algum sentido?
Concorrência infinita existiria???
”Em um mercado perfeitamente competitivo, o lucro esperado, descontados o custo do capital e do risco, é zero. Não há concentração. Porém mercados perfeitamente competitivos e coelhinhos da Páscoa não existem. Os mercados têm atrito, perda de energia, i.e. custos de transação. A busca de contrapartes custa tempo e energia. Isso deveria ser óbvio a qualquer um. Disso se conclui, sem muito esforço, que liquidez é um recurso escasso. E, como todo recurso escasso, demanda um preço. É um preço que está embutido nos preços negociados de todos os produtos e serviços. Enquanto uns tiverem mais acesso à liquidez que outros, uns pagarão mais barato pelos mesmos produtos, e os venderão mais caro. Isso inclui o próprio trabalho. Por isso o capital se concentra. A concentração do capital evidentemente sabota a concorrência, desfaz a meritocracia e extermina a produtividade. É a contradição do capitalismo. A solução? A boa distribuição do acesso à liquidez. Como? Tributação da propriedade e garantia de emprego. Ou seja, o Estado.”
Parece que não existe aquilo de ”progresso contínuo do conhecimento humano”. Existe questões superadas faz séculos. Mas infelizmente (e a cada dia é mais claro ) a economia sofreu um regresso.
Será que a esquerda não troca liberdade econômica por legalização da maconha ?
“Consequentemente, não é de se estranhar que todos aqueles países ricos mencionados no início deste artigo tenham apresentado contínuos déficits em suas balanças comerciais. Déficits na balança comercial gerados por um aumento das importações são a consequência de fartos investimentos estrangeiros. Realmente, não há nada de catastrófico nisso.”
Ok, mas isso não é senso comum? O problema não está exatamente no investimento estrangeiro? Se não há consenso no modo de propiciar um ambiente favorável ao investimento estrangeiro, e a nossa vontade de comprar do exterior for maior que o desejo do exterior investir aqui, os deficit seriam corrigidos pelo cambio, normalmente desvalorizando a moeda. Moeda sendo desvalorizada, desperta o interesse do investidor estrangeiro, mas sem uma segurança jurídica razoável o risco não compensa, moeda continua a se desvalorizar. A única saída de paralisar a desvalorização da moeda é superavit na balança comercial…
Dessa forma, a defesa de superavit na balança comercial não é somente por um questão de lobby do produtores nacionais, mas também pela aversão politica e social ao investimento estrangeiro dos tomadores de decisões. Talvez pela pressão popular devido ao histórico de arrego negocial.
Por um questão estratégica politica, acredito que brigar pelo deficit ou superavit da balança comercial seja desvio de foco. Defender o investimento estrangeiro sem um poder de barganha razoável é arriscado.
Precisamos urgentemente formar bons negociadores!
Bem galera, o debate está bom. Acho importante que isso aconteça pra evoluirmos as idéias. Mas vamos lá:
Diante de tudo que foi falado aqui e posto nos artigo, podemos abstrair a tendência dos debatedores a acreditar que empresas brasileiras são ineficientes e empresas estrangeiras eficientes. Esse é para mim o ponto do debate. Foi colocado no artigo que o déficit da balança comercial tem um interesse , qual seja, proteger um casta de empresas brasileiras que querem monopolizar o mercado em detrimento da concorrência imperfeita. Nesse sentido, dá-se resposta que estruturas de mercados como “os oligopólios” por exemplo, são mantidos pelo estado e tendo este políticas protecionistas para com aqueles. Ou seja, do texto não se abstrai em nenhum momento da tendência do individuo capitalista burguês manter seus oligopólios não só em nível nacional mas… em nível internacional. Vejamos, apenas 5 pessoas no brasil detêm a mesma renda que 100 milhões de brasileiros (2018). Em 2018 apenas os 8 homens mais ricos do mundo detêm mais da metade da renda de metade da população mundial. Imaginemos se pusermos na balança os 50 homens mais ricos do planeta? Pergunta-se quem é que vai mesmo investir na pequena ilha citado no artigo?? Então a burguesia da ilha não quer concorrência e a burguesia de outros países querem?
Sim, vai gerar emprego (na maioria das vezes subemprego – mas aqui é outro debate) e renda na ilha… existe um lado “bom”… mas, qual vai ser o preço do retorno do investimento feito na ilha? Como o governo da pobre ilha pode tirar alguma vantagem disso que favoreça o povo da ilha? Como vai ficar o meio ambiente da ilha – pesca por exemplo? quem vai pagar pelos possíveis danos causados ? Sim, é provável que aconteça crescimento econômico na ilha mas é bom lembramos que desenvolvimento econômico por si só “Pode”não promove desenvolvimento Desenvolvimento social.
Mas, voltemos a balança comercial…
A balança comercial contabiliza receitas de exportações e despesas com importações. Os principais produtos que importamos são os aparelhos transmissores ou receptores e componentes (1°), partes e peças para veículos automóveis e tratores (2°), medicamentos para medicina humana e veterinária (3°), naftas (4°) e óleos combustíveis (5°)… São todos produtos que não fabricamos aqui e que em suma não geram valor (bens de consumo) … Precisamos colocar aqui também o boom do ecommerce , as pessoas estão cada vez mais comprando produtos de outros países pela internet e isso está levando a um crescimento ano após ano do número de empresas virtuais na rede. Ou seja, quando um cidadão brasileiro opta por comprar um produto estrangeiro, este cidadão acaba de pagar um despesa e o país de destino acaba em obter receita … O ruim disso é quando estamos com déficit na balança comercial este acaba sendo um sinal claro que estamos sim, deixando de gerar empregos aqui e gerando empregos no estrangeiro desde que na composição da balança comercial tenhamos uma proporção de investimentos estrangeiros aqui muito maior que as despesas com bens de consumo.
OBS: Em 2015 e 2016 tivemos retração da nossa economia de 3,8% e 3,6 respectivamente em contrapartida tivemos saldos da balança comercial de -17,8% e -21,5 % respectivamente. Da mesma forma que dentre o período de 2003 a 2012 tivemos crescimento econômico e o saldo da balança comercial positivo. Logo, Dentro de uma teoria se eu puder apresentar um elemento falso toda a teoria está fracasada!!!!
Outro, ponto de discussão que não cabe aqui mas, é necessário debater seria a estrutura da precificação brasileira que é onerosa principalmente para os mais pobres. Por diversos motivos…. dois deles são a dívida pública e o sistema financeiro. Um reforma tributária poderia atenuar um pouco isso e motivar os brasileiros a consumirem mais nossos produtos…
Em fim, por hora é isso…
g1.globo.com/politica/noticia/temer-diz-que-acordo-entre-mercosul-e-uniao-europeia-sera-fechado-em-definitivo.ghtml
Uma notícia boa. Qual será o impacto sobre os carros brasileiros, entre outros importados? Fiquei em dúvida.
Se as tarifas forem reduzidas, então é uma das melhores medidas depois da lei de teto de gastos do Vamp
Muito intrigante este artigo! Na ocasião fiquei com uma dúvida, por esta perspectiva como explicar as crises nos Balancos de Pagamentos?
O que Ciro Gomes quer dizer com a expressão “passivo externo”, quando comenta a respeito de comércio internacional?
Por que ele está sempre tão preocupado com isso?
O problema de novo é o entendimento simplista.
Existem déficits na balança comercial bons e déficits na balança comercial ruins.
“Não existe isso de déficit comercial “entre países”; o que existe é uma população produzindo e outra população comprando.”
Nem isso: o que existe são alguns indivíduos de cada população (…)
* * *
É verdade que uma balança comercial superavitária não significa bem-estar econômico ou social.
É ilusório acreditar que um país, mesmo com uma quantidade imensurável de estoques, poupança nacional e mão-de-obra altamente capacitada, além de recursos naturais vastos, possa ser autossuficiente. Além disso, a abertura às importações têm impactos positivos: auxilia no controle da inflação, gera competividade interna e no longo prazo conduz a economia doméstica a ajustes necessários e a ganhos de produtividade que por sua vez podem levar a um aumento da renda e da qualidade de vida.
No entanto, ainda assim, não seria interessante manter no “azul” o balanço de pagamentos? Por exemplo, durante partes do governo FHC tinhamos uma balança comercial deficitária e no final do exercício apresentavamos um balanço de pagamentos superavitários, aumentando as reservas internacionais. Isso acontecia porque recebiamos um alto fluxo de IDEs e receitas financeiras vindas do exterior (principalmente por conta das privatizações feitas naquele período).
Pergunto por conta da relação de oferta e demanda de divisas internacionais para realizar as próprias importações.
Estou num grupo de debate, e compartilharam a proposta de Paulo Guedes em reduzir as tarifas de importação, e uma pessoa fez o seguinte comentário:
“Sem corte de gastos e reformas da previdência e tributária, o déficit nas transações correntes será absurdo.”
Seguindo essa lógica, só se pode fazer redução tarifária após reformar previdência, o nosso modelo fiscal e tributário. Essa afirmação procede? Qual a consequência nos déficits nas transações correntes?
O problema é que, quando o ambiente não é propício ao investimento, é melhor focar em exportar e esperar que o ambiente vá naturalmente melhorando…
Uma pergunta: eu entendi que balança comercial é irrelevante para o câmbio, contudo… Se no Brasil nós usamos a taxa de câmbio flutuante, isso significa que a taxa do real para o dólar é determinada pela lei da oferta e da demanda. Se muitas pessoas importam (gerando déficits na balança), elas precisariam primeiro trocar reais por dólar. Isso não causaria alguma desvalorização? Já que muitos estariam se livrando dos reais para adquirir os dólares? Alguém pode me dizer qual é o erro no meu raciocínio?