Quando políticos ficam sem bons argumentos, seu último
refúgio sempre acaba sendo a alegação de que o que eles querem é “necessário
para a defesa nacional”.
Dado que simplesmente não há argumentos econômicos em prol de tarifas de importação, é natural
que governos recorram ao argumento político
da “defesa nacional”.
Mais especificamente, ainda que a administração
Trump fosse forçada a reconhecer
a realidade e admitir que, sim, tarifas são ruins para a renda e para o
padrão de vida da maioria dos americanos, o governo ainda poderia argumentar
que todos devem fazer sacrifícios em prol da segurança nacional.
E foi exatamente o que ele fez: ao
assinar o decreto, Trump afirmou que as “tarifas são necessárias para a
segurança nacional”.
Mas será que esse argumento faz pelo menos algum
sentido, por mais mínimo que seja?
Em uma nota
divulgada pelo Departamento de Defesa, em resposta às tarifas propostas por
Trump (25% para o aço e 10% para o alumínio), o Secretário de Defesa declara
que as tarifas não são necessárias para a segurança nacional:
As
necessidades e demandas das forças armadas dos Estados Unidos da América por
aço e alumínio representam apenas 3% da produção de aço e alumínio do país.Consequentemente,
o Departamento de Defesa não acredita que as conclusões do relatório [do
Departamento do Comércio, que foi quem defendeu a implantação das tarifas]
melhorem a capacidade dos programas do Departamento de Defesa de adquirir aço e
alumínio necessário para satisfazer as necessidades da defesa nacional.
A nota do Departamento de Defesa vai adiante e
defende uma tarifa muito mais limitada do que aquela proposta pelo governo
Trump, afirmando que “o Departamento de Defesa está preocupado com o impacto
negativo destas tarifas sobre nossos aliados estratégicos […] Tarifas
específicas sobre países específicos são preferíveis a uma tarifa global”.
A nota conclui afirmando que, se o governo realmente
quer impor tarifas, então que ele ao menos espere um pouco para impor as
tarifas sobre o alumínio.
Dado que é do interesse do Pentágono sempre exagerar
as ameaças à segurança dos EUA, a própria oposição do Departamento de Defesa ao
escopo e à severidade das tarifas propostas pelo governo americano apenas
ressalta quão realmente desnecessárias elas são.
O Departamento de Defesa está preocupado, e
realmente deveria estar, como o fato de que as tarifas prejudicam as relações
americanas com seus aliados, o que consequentemente afeta todos os esforços
americanos de segurança.
Pior ainda: as tarifas são prejudiciais para a
robustez da economia doméstica, que é a verdadeira
fonte do poderio internacional americano.
Implantar políticas que irão diminuir a
produtividade e a competitividade americana é uma medida que, em última
instância, representa uma ameaça direta aos esforços de segurança de longo
prazo do país.
Como persuasivamente argumentou
o cientista político John Mueller, é o potencial
poderio militar americano, e não o atual orçamento militar ou a atual produção
industrial, o que sempre fez os outros regimes temerem um conflito com as
forças armadas americanas. E esse potencial poderio militar é mensurado em
termos da produtividade e da robustez econômica vigentes no país.
Quanto
aço os EUA compram da China?
Mas mesmo se os EUA tivessem de se preparar para uma
guerra iminente, e começassem a repentinamente demandar grandes quantidades de
aço para seus maquinários, quanto dessa demanda realmente dependeria de fontes
domésticas?
Bom, como o próprio Pentágono observou, a defesa
nacional necessita de apenas 3% da produção doméstica total de aço.
Porém, em prol do debate, ignoremos esse número e
vamos supor que o Departamento de Defesa necessitasse de aço estrangeiro para
seus propósitos militares.
Quanto disso teria de vir da China?
Atualmente, de acordo com os próprios dados do
Departamento do Comércio, os EUA importam
da China apenas 2,2% de todo o aço que o país consome.
Os
principais países exportadores de aço para os EUA (em porcentagem de toneladas
importadas pelos EUA)
Obviamente, o governo Trump tentou amplificar esse
número alegando os chineses praticam uma “exportação disfarçada” para os EUA
por meio do processo de “transbordo” (transshipment).
Isso ocorre quando os chineses exportam para outro país, e então este país
acrescenta valor ao aço e exporta o novo produto para os EUA.
Segundo administração Trump, isso ocorre muito, embora nunca tenham apresentado
absolutamente nenhum dado.
Pesquisadores fora do governo, no entanto, estimaram
que se esse aço de transbordo for incluído nas estatísticas, então o total de
aço importado pelos EUA da China equivale
a 4% do total de aço importado.
Por que isso é importante? Porque todo o “argumento
da defesa nacional” se baseia na ideia de que potências estrangeiras hostis, em
caso de guerra, poderão bloquear o acesso dos EUA ao aço — isto é, parariam de
exportar para os EUA. No topo da lista destas “potências hostis” está, é claro,
a China. O argumento também se baseia na ideia de que se essas determinadas
potências hostis cortarem suas exportações de aço para os EUA, seria impossível
compensar essa diferença recorrendo a importações dos aliados.
De início, perceba a ironia da situação: o governo
americano, em nome da segurança nacional, está querendo reduzir as importações
de aço da China com o temor de que, no futuro, a China poderá reduzir suas
exportações de aço para os EUA…
Mas isso ainda é o de menos.
Como mostram os dados acima, a China representa uma
ínfima fonte de aço para os EUA, e dentre os dez principais exportadores de aço
para os EUA, sete são aliados de longa data, incluindo Canadá, Japão, México,
Brasil e Alemanha. O Canadá, que mantém relações pacíficas com os EUA há 200
anos, é de longe o principal exportador de aço para os EUA, sendo responsável
por 16,5% de todo o aço importado pelos americanos. Países da União Europeia, o
Reino Unido e a Austrália, conjuntamente, oferecem mais 15%.
E, ainda assim, o governo Trump achou por bem impor
uma brutal elevação das tarifas sobre
todos esses aliados em conjunto com as tarifas impostas à China — depois,
percebendo a besteira, recuou e isentou Canadá e México, mas apenas com a condição
de que o NAFTA seja renegociado.
Apenas a China está sendo acusada de “dumping” e de
outras práticas “injustas”, mas os grandes prejudicados serão um grupo de
países aliados dos EUA, cujo comércio exterior sofrerá ainda mais devido à sua
maior proeminência no comércio de aço com os americanos.
É fácil entender por que o Departamento de Defesa
dos EUA pediu mais cautela nesse esquema do governo americano de impor tarifas
globais. Antagonizar desnecessariamente com aliados históricos dificilmente
contribuirá para uma bem-sucedida defesa nacional.
E, finalmente, há o fato de que as tarifas de aço,
além de afetar todas as indústrias que utilizam o aço como matéria-prima
(caminhões, automóveis, maquinários pesados, cervejarias etc.), provavelmente
também irão afetar a produtividade das empresas que possuem contratos junto ao
governo para oferecer serviços de defesa.
Remy Nathan, da Associação de Indústrias
Aeroespaciais, escreve:
Esta
indústria [a aeroespacial] contribui para a segurança econômica e nacional dos
EUA ao alavancar o acesso do país a uma cadeia global de suprimentos visando a
produzir os melhores produtos aos melhores preços para nossos consumidores
dentro de um mercado internacional altamente competitivo.Precisamos
de fornecedores globais de alumínio e de aço para permanecermos competitivos, e
a demanda por esses produtos está aumentando. Cotas reduzem nosso acesso a
estes materiais básicos. Tarifas não corrigem todas as distorções de mercado,
como os custos de energia, para que uma maior produção de alumínio nos EUA seja
viável.Antes
de impor tarifas ou cotas sobre o alumínio e o aço, o governo Trump deveria
considerar os impactos do aumento de custos, da redução da oferta e das
distorções sobre toda a cadeia de suprimentos para uma indústria que é
essencial para a economia americana.O
histórico de nosso país em impor tarifas sobre matérias-primas como o aço não é
nada auspicioso. Um estudo de 2003 feito pela Consuming Industries Trade Action
Coalition Foundation demonstrou que a elevação dos preços em decorrência de uma
tarifa de importação sobre o aço, imposta pelo governo americano em 2002,
destruiu mais empregos na economia como um todo do que aqueles que existiam em
toda a indústria do aço, o que felizmente levou à revogação desta tarifa. [Veja
todos os detalhes aqui].
Em outras palavras, encarecer artificialmente o
custo do aço e do alumínio simplesmente irá reduzir a quantidade de recursos disponíveis
nos EUA para propósitos militares.
A
incoerência
Mas isso provavelmente não irá mudar o pensamento de
ninguém na Casa Branca. Como vários outros políticos antes dele, Trump
justifica sua política externa invocando os cenários mais improváveis (e
histéricos) imagináveis — ao mesmo tempo em que supõe não haver nenhuma
oportunidade empreendedorial em se planejar para esses cenários.
A atual alegação é a de que os EUA devem estar
preparados para a possibilidade de que todos os parceiros comerciais dos EUA irão
bloquear o acesso do país ao aço — algo que tem aproximadamente zero chance de
acontecer.
Ademais, é óbvio que a administração Trump realmente
não acredita que isso tenha alguma chance de ocorrer, uma vez que ela não tem
nenhum problema em fechar acordos para volumosas exportações de armas militares
americanas para países estrangeiros. A administração Trump vem abertamente
pressionando para maiores vendas de armas militares para outros regimes,
inclusive para o governo da Arábia Saudita, que financia terroristas. Outros
recebedores de armas militares americanas incluem Turquia, Índia, Iraque,
Egito e Coreia do Sul. Os EUA mandam armas militares até mesmo para o Vietnã.
O Departamento de Estado dos EUA também fornece bilhões
de dólares em financiamento para que os governos de Egito, Jordânia, Iraque e
Paquistão comprem armas.
Em resumo: o governo americano recorre à paranóica suposição
de que todo o mundo poderá repentinamente isolar os EUA do comércio exterior —
ao mesmo tempo em que envia armas militares e oferece financiamento para esses
mesmos países que supostamente irão conspirar para negar acesso dos EUA ao aço.
Conclusão
No final, nenhuma alegação feita pelo governo
americano em prol das tarifas tem qualquer sustentação quando se considera todo
o contexto.
Mas nada disso realmente importa, uma vez que já está
bem claro que as reais motivações para as tarifas estão em outro lugar. O
argumento da defesa nacional é apenas parte de estratégia política muito maior,
que é a de ventilar várias possíveis justificativas para ver qual cola.
Em um dia, o governo está impondo as tarifas para
corrigir “práticas comerciais injustas”. No dia seguinte, é para “criar
empregos”. Depois, é para “reduzir o déficit da balança comercial”. Agora, é para
“a defesa nacional”. No final, o real
motivo é um só: as tarifas, como ocorre em todos os outros países do mundo, são
impostas apenas para proteger indústrias específicas e lhes garantir uma confortável
reserva de mercado, e tudo para que o presidente possa ganhar pontos políticos perante
um eleitorado populista.
Sempre ficou bem claro que a teoria econômica nunca
teve nada a ver com as políticas de comércio exterior do governo Trump. Mas sua
alegação de “segurança nacional”, desmentida pelo próprio Departamento de
Defesa e pelas empresas que fazem contratos com o governo, mostra que seus
outros argumentos não-econômicos não são nada melhores.
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Leia
também:
Antes de Trump, Bush e
Obama também elevaram algumas tarifas de importação. Eis as consequências

Isso se não estiver rolando uma troca de favores no estilo brasileiro. Você paga aqui e eu te protejo ali.
Como a (soviética) mídia americana está cobrindo a guerra da tarifa do aço? Estão entretendo argumentos típicos dos apoiadores do livre-mercado porque a implicância dos jornalistas com o Trumo é maior do que seu amor pelo estado?
Alguém está acompanhando como a mainstream media está falando da tarifa?
Excelente artigo. Trata de maneira competente os vários pontos da questão.
Liberais não aprendem. Não tem jeito. Entendam, a China não está comprando do Brasil, ela está comprando O Brasil. Se dependermos de vocês, todos viraremos chineses. Graças a Deus que Bolsonaro consegue filtrar aquilo que é útil do puro delírio infantil com lantejoulas.
Estás ai a minha aversão a políticos (principalmente os nacionalistas), sempre mascarando suas ações, muitas vezes corporativistas e lobistas, em prol de um “bem comum”.
Tudo muito belo. Ações governamentais pulverizando os mais pobres, com desculpa de defende-los as custas dos mesmo.
Populista tolo. Vai reduzir o poder de compra de toda uma população pra fazer propaganda que isso salvou um punhado de empregos.
"Sempre ficou bem claro que a teoria econômica nunca teve nada a ver com as políticas de comércio exterior do governo Trump. Mas sua alegação de “segurança nacional”, desmentida pelo próprio Departamento de Defesa e pelas empresas que fazem contratos com o governo, mostra que seus outros argumentos não-econômicos não são nada melhores."
Porque a "segurança nacional" e demais argumentos nunca foram realmente argumentos, mas apenas desculpas e racionalizações. Tarifas são simplesmente uma punição imposta a todos como forma de se exercer poder em prol de alguns poucos.
Trump é como o xerife que chega a uma cidade e sai impondo suas próprias leis e impostos (com a desculpa de estar criando "lei e ordem") para em seguida cumprir apenas as que interessam a ele e aos grupos que o apóiam.
De certa forma, é de se admirar essa postura honesta que Trump tem em relação ao governo: ele trata tudo como se fosse um sindicato do crime organizado, do qual ele é o chefão. Que é exatamente o que ocorre.
E novamente o pessoal do Mises ignora o aspecto geopolítico.
O argumento da defesa nacional NÃO se baseia no fato de que o aço importado pode ser necessário para a indústria bélica.
O argumento da defesa nacional se baseia no fato de que a China ajuda a Korea do Norte. Pelo mesmo motivo que a Korea do Norte está sofrendo embargos, os EUA estão impondo essas tarifas de importação que afetam majoritariamente a China.
Quer dizer então que a China com transbordo e tudo só exporta 4% aço que os americanos compram no exterior?Pelo visto os chineses só são fortes mesmo na área de smartphones,semicondutores,discos rígidos,equipamentos de transmissão etc.Assim sendo se o Trump quiser mesmo acabar com o déficit comercial com os chineses a saída é obrigar a Apple e a Samsung a mudarem suas fábricas para os EUA e mandar a NASA ir buscar terras raras lá em Marte.Outra opção seria taxar os brinquedos e roupas da China e acabar com a festa desses youtubers brasileiros nos EUA que se deslumbram com preços de Wall Mart e lojinhas de 1 dollar.
se trata de geopolítica trump com sua jogada geopolítica restringi a china e assim possar ganhar folego para travar o expansionismo chines. o ocidente esta em evidente perigo esta alimentando o monstro que os engolira precisamos de planos geopoliticos serios
alem do mais esta previsto que o pib chines alcançara 49 trilhoes em 2050 justamente no ano em que xi jiping anunciou que ate la a china devera ser a maior superpotencia do planeta
Por que tem tanta maconha nas escolas e universidades públicas ?
Entregar os filhos ao governo está parecendo a mesma coisa, que entregar os filhos aos traficantes.
Essas festas dentro das universidades são regadas a maconha.
O Brasil é o melhor exemplo disso.
Nós temos empresas multinacionais que funcionam em outros países, e não funcionam no Brasil. Por exemplo, os carros da GM do Canadá são mais baratos e os funcionários ganham mais que no Brasil.
O protecionismo deixa as pessoas pobres, causando problemas até para os protegidos. É um mar de insanidade.
O protecionismo criou empresas que conseguem sobreviver apenas com proteção. E essa mesma proteção gera as crises, pois sempre vai faltar máquinas, matérias primas e riqueza.
Nós só usamos roupas importadas e compramos algumas comidas importadas. O resto é tudo nacional. Os eletrodomésticos são nacionais. Os celulares e computadores são montados no Brasil. Os carros são montados no Brasil.
Enfim, o protecionismo elevou os preços dos produtos que os protegidos compram. É bizarro.
A China está de olho na empresa de celulose no municipio de Aracruz no ES,a FIBRIA, mas boa parte da população e também o governo é contra a venda.Talvez seja compreensivo que alguns governos queira empedir por exemplo que paises como a China que está crescendo muito economicamente e ganhando grandes proporções no mundo venha comprar nossas maiores empresas, se um dia ele entrar numa crise economica oque já é corriqueiro em paísses onde o governo gosta muito de se entrometer no sistema economico o brasil também será devastado . cadeia tipo efeito dominó.
Os direitistas tem o pé no chão e sabem que há um aparato estatal indestrutível de 11 milhões de funcionários públicos vivendo do Estado, uma burocracia soviética para protegê-los e um povo doutrinado durante 30 anos para fazer parte desta estrutura, abrir o mercado nacional sem antes desmontar essa estrutura que suga a produtividade nacional vai devastar o que resta de indústria por aqui.
E para desmontar essa estrutura os liberais no mundo da Lua acham que será como? Passando leis? Acha que essa corja vai ler umas linhas no diário oficial, ler que está dispensado e pegar suas coisas e ir pra casa produzir? olha este judiciário brasileiro, conheço universidades menos ideologizadas. A restauração nacional se dará pela força conservadora, força esta que liberais não possuem nem para emplacar politicamente seus ideais. Se quiserem ajudar bem, se não quiserem serão taxados e regulados até que voem para Miami.
Quanto ao partido Novo veremos o que conseguem em 2018, torço para que logrem bons resultados, mas enquanto o centro de discussão liberal brasileiro for Miami não será fácil espalhar idéias liberais.
Liberalismo (mundo das ideias) x Protecionismo (mundo real)
Eu lí essa nota do Departamento de Defesa e ela não se posiciona especificamente contra (nem a favor) das tarifas. Dizer que o Trump “já perdeu ” com base no argumento da segurança nacional ainda não procede .
Em um determinado trecho a nota ainda afirma que ” o uso sistemico de praticas comerciais injustas (China) prejudicam a inovação e a capacidade industrial dos EUA e representam (SIM) um risco à segurança nacional”.
É dito neste artigo:
“Como mostram os dados acima, a China representa uma ínfima fonte de aço para os EUA.”
É dito no artigo “Antes de Trump, Bush e Obama também elevaram algumas tarifas de importação. Eis as consequências”:
“Em março de 2002, o então presidente George W. Bush impôs uma tarifa de 30% sobre o aço chinês. O objetivo, obviamente, era proteger empregos no setor siderúrgico. […] Os resultados dessa tarifa foram caóticos, embora totalmente previsíveis pela teoria econômica. […] 200.000 americanos perderam seus empregos em decorrência do aumento dos preços do aço em 2002”.
——————————————————————————————–
Se a China exporta tão pouco aço para os EUA, a tarifa que o Bush impôs sobre o aço chines nem deveria ter sido sentida. E se 200.000 empregos foram perdidos quando se taxou exclusivamente o aço chines, desta vez estamos na beira de um cataclismo visto que somente o aço canadense e mexicano estão livres.
E ontem o celerado simplesmente bloqueou a compra de uma empresa privada americana por outra empresa privada que também é americana, mas cuja sede está em Cingapura.
Certamente, isso deve ser mais uma medida genial contra o imperialismo… de Cingapura!
http://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/7329950/trump-bloqueia-acordo-117-bilhoes-que-seria-maior-historia-tecnologia
Atentem que boçais como Ciro Gomes (a Dilma que sabe discursar) já estão recorrendo a Trump como argumento definitivo contra o liberalismo e, consequentemente, em prol do retorno das mesmas políticas desenvolvimentistas da era Dilma.
Neoconservadores que batem palma para tudo o que Trump faz devem ser responsabilizados.
Exatamente por que Trump elevou as taxas sobre alumínio e aço?
Só vou deixar isso aqui…
Eu havia dito aqui que a lógica das ações do Governo Donald Trump é geopolítica e não econômica, de modo que nenhuma das últimas ações da cúpula governamental de Washington podem ser compreendidas pelo estreito instrumental teórico do economocismo liberal. Em resposta, me perguntaram sobre o Brasil e eu respondi que não havia com o que se preocupar. Pois bem, aí está.
Tudo o que Donald Trump está fazendo é parar de sustentar um adversário geopolítico que sempre se valeu de toda sorte de trapaça — política, legal, econômica e internacional — para se firmar no sistema internacional e propagar seus valores iliberais e anti-ocidentais. Os EUA continuam respeitando as regras da ordem internacional, da qual ainda são os mantenedores, mas não estão mais dispostos a aceitar relações assimétricas com quem se aproveita das contradições dessas regras.
P.S.: Se o Brasil eleger um candidato que entende o que está ocorrendo, como o Bolsonaro parece entender, poderemos ser os maiores beneficiários dessa movimentação americana para diminuir a dependência em relação à China.
Felipe Martins
g1.globo.com/economia/noticia/eua-vao-excluir-brasil-ue-e-outros-paises-de-taxacao-sobre-o-aco-diz-autoridade-de-comercio-norte-americano.ghtml
O protecionismo em qualquer forma é um erro e os argumentos apresentados são sempre infundados.
Mas o motivo oficial nem sempre é o verdadeiro motivo. Temos que olhar a foto e o filme.
Talvez seja a estratégia do cachorro louco:
“Eu sei que essa decisão também vai me prejudicar; mas vai prejudicar muito mais a você, enquanto eu aguento o baque; você sabe disso, então é melhor você ceder às minhas outras exigências.”
* * *