
Nota da edição:
A França é uma das favoritas para a Copa do Mundo. Fora dos gramados, porém, sua experiência econômica oferece lições bem menos inspiradoras. Neste sentido, republicamos este artigo de 2024, no qual são analisados alguns dos problemas gerados pelo avanço do estatismo no país.
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Após as eleições europeias, os swaps de risco de crédito da França dispararam para um recorde pós-2020 de 39 pontos. Muitos analistas culpam a ascensão da Frente Nacional pela turbulência nos mercados, que levou a um aumento dos spreads em toda a zona do euro. No entanto, nada disso teria acontecido se a dívida da França fosse baixa, as finanças estivessem sólidas e as economias da zona do euro desfrutassem de um crescimento econômico saudável.
A França é o exemplo mais emblemático do estatismo no mundo. O mesmo estatismo que alguns políticos buscam impor aos Estados Unidos devastou economicamente a França, um país maravilhoso com excelente capital humano e empreendedores notáveis.
A França nunca teve austeridade. Possui o maior governo do mundo em relação ao tamanho da economia. Os gastos públicos em relação ao PIB excedem 58%, o maior índice do mundo. Os sindicatos são extremamente poderosos. Sua capacidade de organizar greves paralisantes lhes confere um nível de poder econômico que excede em muito sua representação real. O estado francês é tão grande que o setor público emprega 5,3 milhões de pessoas (21,1% da população ativa), uma proporção de funcionários públicos por habitante de 70,9/1.000, de acordo com o Eurostat. A França tem um dos sistemas tributários mais onerosos da OCDE. Na França, o imposto de renda e as contribuições patronais para a previdência social somam 82% da carga tributária total, segundo a OCDE. As alíquotas do imposto sobre as sociedades na França também são extremamente altas, de 26,5%, com empresas com lucros superiores a € 500.000 pagando uma alíquota de 27,5%. As regulamentações do mercado de trabalho na França são tão restritivas que o número de empresas com quarenta e nove funcionários é 2,4 vezes maior do que aquelas com cinquenta, principalmente devido aos encargos significativos que as empresas enfrentam assim que atingem o limite de cinquenta funcionários. De acordo com a Bloomberg, uma empresa com 50 funcionários deve criar “três conselhos de trabalhadores, introduzir a participação nos lucros e apresentar planos de reestruturação aos conselhos caso a empresa decida demitir trabalhadores por motivos econômicos”.
Se você é um estatista keynesiano, deve estar salivando. As características acima mencionadas apontam para uma sociedade socialista perfeita, um estado gigantesco, impostos extremamente altos e progressivos e uma rede social gigantesca. Deveria ser a economia ideal. Ou não?
Bem, não. A França está em estagnação econômica há décadas; não apresenta um orçamento equilibrado desde o final da década de 1970, e o descontentamento é hoje a norma. As empresas e os pagadores de impostos estão cansados do esgotamento de seus recursos, e o sistema de subsídios gerou um grupo de cidadãos dependentes e indignados que se sentem deixados para trás e têm dificuldade em compreender sua situação. O tão aclamado estado social fracassou porque a gigantesca máquina de subsídios e gastos ignorou o cálculo econômico, tornando o país um pesadelo para os criadores de empregos e riqueza, bem como um pesadelo para aqueles que buscam uma rede de segurança social que ofereça oportunidades. A França demonstrou que a promessa da redistribuição socialista apenas gera estagnação. Apesar de suas alegações de desigualdade extremamente baixa, com um coeficiente de Gini de 31,5%, é um dos países europeus com o mais alto nível de descontentamento, insegurança e empobrecimento arraigado entre cidadãos apodrecendo em guetos.
O socialismo sempre desconsidera o cálculo econômico e a necessidade de promover crescimento e riqueza para alcançar o progresso. Quando manter um estado inchado e a redistribuição se tornam os únicos objetivos, a economia estagna e todos ficam revoltados.
O problema da França vai além dessas eleições. Os eleitores têm a escolha de decidir entre estatismo, mais estatismo ou comunismo puro e simples. Fascinante.
Décadas de aumentos de impostos agonizantes e políticas de imigração equivocadas, que alienaram até mesmo aqueles admitidos no país, deixaram os pagadores de impostos exaustos e os cidadãos cumpridores da lei aterrorizados. A economia está passando por um crescimento baixo ou nulo e por um declínio no crescimento da produtividade, resultando em um enfraquecimento do crescimento dos salários reais, maior insegurança e impostos incapacitantes. O que você está lendo na mídia? “A ameaça é a extrema direita.” Não. A ameaça é o estatismo.
De acordo com a Bloomberg, nenhuma das três alternativas possíveis para o governo reduzirá a dívida ou conterá o déficit. Nenhuma delas enfrentará o tamanho excessivo do estado. Duas delas defendem ainda mais controle estatal sobre a economia, enquanto a terceira propõe a redução de impostos como única política claramente favorável ao crescimento. No entanto, é improvável que esses cortes de impostos estimulem a atividade econômica enquanto os encargos administrativos e burocráticos continuarem a pesar sobre a economia.
A França tem potencial para ser uma potência econômica global. Ela possui o talento, o espírito empreendedor e a expertise empresarial para formar líderes globais. No entanto, o sistema simplesmente os expulsa do país. Muitos dos mais brilhantes da França emigraram para outras nações onde podem prosperar. Infelizmente, a elite política está extremamente satisfeita em manter as chamadas “empresas campeãs nacionais” repletas de políticos e um pequeno grupo de setores clientelistas que têm medo de levantar a voz contra o estado inchado, pois poderiam sofrer a ira do governo. Um seleto grupo de intelectuais e empresários corajosos está tentando mudar o sistema por dentro e, infelizmente, está fracassando.
A lição que podemos aprender com a França é que tentar o socialismo nunca funciona e, uma vez que os resultados desastrosos se tornam evidentes, é quase impossível corrigir o problema. A França é um enorme problema na zona do euro, e o BCE não consegue disfarçá-lo. Mas não pense que este seja um exemplo único. A França está agora na ponta do iceberg. O desastroso Fundo Next Generation EU e uma Comissão Europeia surda estão atualmente encobrindo as questões estruturais muito piores na Espanha e em outros países da zona do euro.
A França mostra por que ninguém deveria tentar o socialismo. A zona do euro demonstra por que ninguém deveria imitar o modelo estatista que os políticos franceses impõem.
Este artigo foi originalmente publicado em dlacalle.com.

