Caminhoneiros
de todo o Brasil estão, há mais de uma semana, bloqueando
estradas em vários estados do país em sinal de protesto contra algumas
políticas do governo.
Com
essa greve, várias cidades estão sendo severamente afetadas, pois toda a cadeia
de suprimentos foi quebrada.
No
Paraná, há cidades em que o litro da
gasolina está sendo
vendido a R$ 7. No oeste e no
sudoeste do Paraná, indústrias suspenderam a coleta de leite e o
abate de aves. Sem
alternativas de desvio para seguir viagem, cargas de alimentos e insumos estão
estragando em vários pontos de bloqueio nas estradas do sul do país. Fornecedores de frutas reclamam ainda das
perdas com saques de cargas nas barreiras.
A
operação do porto de Paranaguá, principal terminal de exportação de produtos
agrícolas do país, também é prejudicada por causa dos protestos.
Em
Santa Catarina, cirurgias foram canceladas em
dois hospitais do oeste do estado por falta de medicamentos, que não chegaram
devido à falta de transporte. Também no
oeste, falta gasolina em 90% dos postos de
combustíveis da região. A coleta de leite foi suspensa e algumas
indústrias pararam a produção.
Em São
Paulo, houve redução de entrega de frutas na Companhia de
Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Já foi
registrada queda de 10% na entrada de caminhões carregados de frutas, como a
maçã, pêra e melancia, vindas da região Sul do Brasil.
Em
Minas Gerais, a produção da Fiat foi afetada. Segundo a empresa, devido à falta de peças que
não foram entregues, não é possível retomar a produção, e turnos foram
suspensos. No Centro-Oeste do estado está faltando gasolina. Na mesorregião do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba, há filas nos postos de combustíveis.
Na quarta-feira, chegou a faltar combustível em estabelecimentos dos dois
municípios. Na Ceasa (Centrais de
Abastecimento de MG), a oferta
de alimentos caiu e os preços subiram, em média, 7,8%.
No
Rio Grande do Sul, diversos setores produtivos estão afetados.
Indústrias de laticínios e frigoríficos estão com produção reduzida por falta
de matéria-prima. Os supermercados
afirmam que podem faltar produtos nas prateleiras. Um caminhoneiro que tentou passar por um
trecho interditado foi
apedrejado na cabeça e está respirando por aparelhos. Seu caminhão capotou e sua carga (avaliada em
R$ 35 mil) foi saqueada.
Já
o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do estado
(Sindilat-RS) afirma que, se o bloqueio continuar, em um ou dois dias faltará
leite no mercado. Adicionalmente, o
maior frigorífico de suínos do estado suspendeu as atividades na manhã de
quarta-feira e 3 mil animais deixarão de ser abatidos.
No
Mato Grosso, nada menos que dez trechos das BRs 364, 163 e 070
continuavam bloqueados até ontem.
Os caminhoneiros tentam impedir, há quase uma semana, que os veículos de
cargas façam o escoamento da produção agrícola.
Os caminhões com combustíveis seguem presos em bloqueios e, nesta
quarta-feira, postos de combustíveis amanheceram fechados em
cidades do norte do estado.
No
Mato Grosso do Sul, veículos
com carga perecível e de combustíveis estão sendo bloqueados.
O que querem
O
objetivo do protesto dos caminhoneiros é bastante difuso. Como não há uma liderança específica
coordenando todo o movimento, não é possível saber exatamente qual é a lista de
exigências. Mas é possível identificar pelo
menos três
pedidos claros:
1) Redução do preço do diesel;
2) revisão da Lei
12.619, conhecida como Lei do Descanso, que obriga o caminhoneiro a
repousar 11 horas em um prazo de 24 horas e parar por uma hora de
refeição. Os caminhoneiros querem apenas
8 horas de descanso. (Quanto mais horas obrigatórias de
repouso, menos eles ganham por mês).
3) aumento do valor do frete;
Sobre
reduzir o preço do diesel, que é controlado pelo governo, não há a menor chance
de isso acontecer. Com o balancete
destroçado pela corrupção e desesperada para aumentar seu fluxo de caixa, a
Petrobras (leia-se: o governo) resolveu apenas jogar a fatura para o consumidor
brasileiro. Em um momento em que os preços
do petróleo e seus derivados estão em queda no mundo inteiro, no Brasil estão
em alta acentuada, graças à corrupção da estatal
monopolista.
Sobre
a Lei do Descanso, caso ela não seja revisada, haverá um forte impacto
sobre a produtividade e sobre os custos, principalmente em decorrência de uma
redução do número de viagens. Será
necessário um redimensionamento na quantidade de motoristas para manter os
prazos de entrega, principalmente nas viagens de média e longa distância. Em tese, novas contratações seriam
necessárias, mas isso não será tarefa fácil, pois atualmente o país já vive um grande
déficit de motoristas, estimado em cerca de 160 mil profissionais.
O
governo simplesmente está desconsiderando as particularidades do país: o tempo perdido
nas barreiras fiscais, as péssimas condições das estradas, e os engarrafamentos
das cidades. Com estradas cheias, esburacadas,
sem sinalização e sem acostamento, é quase impossível os caminhoneiros desenvolverem
uma velocidade padrão e constante que permita se enquadrarem dentro da nova legislação.
Viagens que já são demoradas irão se prolongar ainda mais dentro dessa lei.
Uma coisa é impor essas regras na Europa, onde há autoestradas civilizadas, a distância
entre as cidades de um mesmo país é muito menor, e há diversas alternativas de
transporte (trens são extremamente comuns). Outra coisa é fazer isso no Brasil, país de
dimensões continentais, repleto de estradas inacabadas e precárias, com amplos
gargalos na infraestrutura. Além do
maior dispêndio de horas, tanto o empresário quanto o caminhoneiro autônomo
terão de arcar com esses custos adicionais gerados exclusivamente pela inépcia
e incompetência estatal. Esses custos
mais altos não serão suportados somente pelas empresas do setor; eles terão de
ser repassados para o consumidor.
Por
último, sobre aumentar o valor do frete, é aí que as coisas ficam extremamente
interessantes.
As consequências não-premeditadas das
ajudas estatais
Assim
como qualquer empreendimento, o transporte rodoviário no Brasil lida com vários
custos.
No
caso de um caminhoneiro autônomo, ele tem de arcar com o seguro do caminhão,
com o IPVA e com o seguro obrigatório, com o combustível, com os pneus, com os
lubrificantes, com a manutenção, com o pedágio, com os eventuais danos causados
por estradas ruins, e com as eventuais avarias do veículo. (No caso de uma transportadora,
além de todos os itens acima, ela também tem de pagar o salário do caminhoneiro
e dos seus funcionários.)
Os
custos de todos esses itens subiram, e muito, ao longo dos últimos 4 anos. Em decorrência do súbito enfraquecimento do
real perante (quase) todas as moedas do mundo, os preços de todos esses bens e
serviços dispararam. No que tange a
moedas, não há muito segredo. Se uma
moeda enfraquece, todos os preços mensurados por ela sobem. E dado que nos últimos 4 anos o real
se esfacelou — desvalorizou-se quase 50% em relação ao dólar –, a
carestia vivenciada por todos nós, e pelos caminhoneiros, é inevitável.
Só
que, no caso dos caminhoneiros e das transportadoras, houve um ingrediente
especial, quase que irônico: por causa de políticas do governo criadas
justamente com o intuito de ajudá-los, hoje eles estão em situação delicada. Seus custos dispararam, mas suas receitas
diminuíram.
Para
entender o que houve, veja esse trecho revelador dessa
reportagem (negrito meu):
Segundo a Associação dos Transportadores de
Cargas de Mato Grosso (ATC), a redução do valor pago pelo frete entre a safra
2013/14 e a safra 2014/15 foi de aproximadamente 25%.O diretor executivo a ATC, Miguel Mendes,
cita exemplos de preços de frete reduzidos de municípios do Médio-norte de Mato
Grosso até o porto de Santos (SP). Partindo de Sorriso, o frete passou de R$
315 em 2014 para R$ 235 em 2015; de Lucas do Rio Verde, passou de R$ 300 em
2014 para R$ 220 em 2015.Mendes afirma que o maior número de caminhões disponíveis para o frete foi o principal
fator responsável pela queda no preço da atividade, já que muitos empresários e
motoristas autônomos conseguiram adquirir seu veículo de carga pelo
financiamento do BNDES.[…]
[…] o empresário Édio Moreira de Castro,
tem 60 caminhões atualmente, mas no ano passado sua frota era composta por 80
caminhões. Em uma conta rápida, ele calcula que está tendo prejuízo de cerca de
R$ 453 por viagem caso faça um frete de Lucas do Rio Verde para Rondonópolis,
com um caminhão de 7 eixos cobrando R$ 70 por tonelada.Castro aguarda agora uma resposta do governo sobre as reivindicações. “Minha
vontade é de vender todos os caminhões, porque do jeito que está a atividade
fica inviável, estamos tendo prejuízo e assim vamos à falência”, diz.
Trata-se de um perfeito exemplo prático daquilo que a teoria econômica
sempre enfatiza: estímulos e benefícios artificiais geram efeitos aparentemente
benéficos no curto prazo, mas cobram um preço caro no longo prazo.
Permita-me
ser mais claro: o BNDES, por meio de um programa chamado Procaminhoneiro, financia,
a juros bem abaixo da SELIC, a compra de caminhões por parte de caminhoneiros autônomos,
de empresários individuais e de empresas individuais. Atualmente, os juros são de 9% ao ano, com
prazos de financiamento de até 96 meses, incluída a carência de 6 meses. No entanto, nos anos de 2010 a 2013, os juros
variavam entre
módicos 2,5% a até no máximo 7%.
Esses
juros baixos, aliados a todos os estímulos dados pelo governo, impulsionaram uma
farta compra de caminhões.
O
gráfico abaixo mostra os números das vendas mensais de caminhões no Brasil. Veja como as vendas disparam justamente entre
2010 e 2013:
Fonte: Banco
Central
Muito
bem.
Isso
é positivo, não? Afinal, mais caminhões,
mais transportes, mais concorrência entre as transportadoras, menores os preços
do frete.
O
problema é que esse é apenas um lado da história. Se tudo terminasse aqui, seria ótimo. Só que, infelizmente, há o outro lado, e as
consequências não são boas.
A
encrenca começa com a maneira como o BNDES arranja esse dinheiro para emprestar
barato aos caminhoneiros e aos empresários.
Originalmente,
os recursos do BNDES eram oriundos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador —
fundo destinado a custear o seguro-desemprego e o abono salarial). E os
fundos do FAT advêm das arrecadações do PIS e do PASEP. Sob esse arranjo, o BNDES era uma máquina de
redistribuir recursos, mas não era inerentemente inflacionário, pois ele não
criava dinheiro.
O
problema é que essa matriz, já ruim, foi alterada para pior a partir de
2009. Se antes o BNDES se financiava exclusivamente via impostos, agora
ele passou a se financiar também via endividamento do Tesouro, o que significa
que ele se financia via inflação monetária.
Funciona
assim: como o BNDES não tem todo o dinheiro necessário para fazer todos os
empréstimos que o governo quer conceder a seus empresários e grupos favoritos,
o Tesouro começou a emitir títulos da dívida com o intuito de arrecadar esse
dinheiro para complementar os empréstimos.
E
quem compra esses títulos? Majoritariamente, o sistema bancário. Como
ele compra? Criando
dinheiro do nada, pois opera com reservas fracionárias. Ou seja, a
atual forma de financiamento do BNDES é inerentemente inflacionária. Ela aumenta a quantidade de dinheiro na
economia.
O
gráfico a seguir mostra a evolução dos empréstimos do BNDES, atualmente com um
saldo de R$ 638 bilhões. Observe a guinada ocorrida em meados de 2009,
quando essa nova modalidade foi implantada.
Evolução dos empréstimos concedidos pelo BNDES. A
linha vermelha (que foi descontinuada em 2013) representa a soma da linha azul
(empresas) com a linha verde (pessoas físicas).
Portanto,
além de aumentar o endividamento do governo, este mecanismo utilizado pelo
Tesouro para financiar o BNDES também aumenta a quantidade de dinheiro na
economia. E, como mostra o gráfico acima, desde 2009, o BNDES já jogou
mais de R$ 400 bilhões na economia.
(Todos
os bancos estatais em conjunto despejaram na economia, nesse mesmo intervalo de
tempo, R$ 1,100 trilhão,
o que significa que apenas o BNDES responde por quase 40% desse valor).
Além
de ter causado uma grande inflação monetária — algo que, por si só, pressiona
a carestia –, esse mecanismo de financiamento do BNDES, via endividamento do
Tesouro, também ajudou a deteriorar o
quadro fiscal do governo. A dívida
bruta está em
63,4% do PIB. (Para que se tenha uma
ideia, no final de 2013, a dívida bruta do Brasil estava em 56,7%
do PIB.)
Esse
valor da dívida bruta — mais ainda, essa tendência –, além de ameaçar o grau
de investimento (investment grade) conferido
ao país pela Standard & Poor’s, ajudou a acelerar a depreciação do
real, o que turbinou ainda mais a inflação de preços.
Portanto,
eis o roteiro trágico:
1)
o BNDES, com o intuito de estimular a economia, estimular os caminhoneiros, e
ajudar o setor de veículos pesados, decidiu conceder empréstimos baratos para que
indivíduos autônomos e também transportadoras comprassem caminhões a juros
baixos e a várias prestações;
2)
ato contínuo, a quantidade de caminhões em circulação aumentou, bem como o
número de caminhoneiros autônomos, o que gerou mais concorrência para as
transportadoras e para os caminhoneiros autônomos já estabelecidos. Os preços dos fretes caíram;
3)
esses empréstimos concedidos pelo BNDES foram feitos por meio de endividamento
do Tesouro, o que deteriorou a situação fiscal do governo (elevou a dívida
bruta), e ainda aumentou a quantidade de dinheiro na economia;
4)
ambos os efeitos acima desvalorizaram o real e geraram carestia generalizada;
5)
como consequência dessa carestia generalizada, os custos operacionais das
transportadoras e dos caminhoneiros autônomos dispararam, mas a maior
concorrência no setor — gerada pela maior quantidade de caminhões — impediu
um que os custos fossem repassados para o preço do frete, que continuou caindo;
6)
a subida do preço do diesel terminou por empurrar de vez o setor à bancarrota
7)
com custos crescentes, receitas em queda e total inviabilidade operacional, os
caminhoneiros resolveram protestar.
Conclusão:
uma medida intervencionista que foi criada com o intuito de ajudar um setor
acabou deixando-o próximo da insolvência.
Isso
vale de lição para todo e qualquer setor da economia, e também para aqueles que
defendem intervenções, subsídios e ajudas estatais a determinados setores: uma
aparente benesse governamental pode gerar a própria bancarrota do beneficiado.



Perfeito texto. Poucos , infelizmente, tem consciência que não existe almoço grátis!
Nao entendi a parte do déficit de caminhoneiros. Como pode o frete estar barato com déficit de 160 mil caminhoneiros? Se não existisse esse déficit o frete seria ainda menor?
Precisa e agilíssima análise do Leandro. É impressionante como um indivíduo alheio ao Estado é capaz de gerar uma verificação muitíssimo mais atenciosa e lúcida.
A oferta da Dilma para acabar com o protesto dos caminhoneiros é muito mais do que eles NÃO querem:
http://www.dm.com.br/politica/2015/02/dilma-nao-diminui-preco-diesel-mas-faz-proposta-para-caminhoneiros.html
O projeto aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 11 de fevereiro trás alguns benefícios aos trabalhadores motoristas de caminhão. A carga horária permitida, junto com horas extras, será de apenas 12 horas, com descanso de no mínimo 11 horas. Caminhões vazios não vão precisar pagar pedágio.
O governo verdadeiramente acredita que tal lei é solução e não parte do problema.
Se tal proposta suicida for aceita (aceita por quem? Onde? Como? O protesto é de extensão nacional, mas liderança descentralizada), será um prego ainda maior no caixão insolvente da profissão.
O estado não faz a menor ideia do que faz. Parabéns, Leandro.
excelente! texto repleto de fontes e informações precisas. muito didático (bom para mostrar para amigos e familiares). +1 para o IMB
Este texto foi escrito baseado em uma “não verdade” ou em uma “quase verdade”.
Os caminhoneiros não querem essas três coisas (baixa do diesel, regulamentação de horas e aumento do valor do frete).
Essas três coisas na verdade fundamentam um pedido maior, que demonstra claramente o entendimento de que não existe almoço gratis.
Eles querem a derrubada do governo intervencionista/comunista.
A Greve não é uma greve por algumas coisas. Essa é a pauta inventada pela imprensa e pelos sindicatos que fingem representar os caminhoneiros (quase todos autônomos).
Trata-se de um protesto ao estilo Gandhi. Não é Greve. É desobediência civil.
Leandro, excelente!
Ontem mesmo iria pedir uma visão a respeito deste assunto.
Estou ligado direto ao setor de transporte rodoviário e estamos sentindo bastante os efeitos citados, faz algum tempo que os custos estão pressionando o setor e as receitas sendo empurradas para baixo.
Outros três fatores que gostaria de colocar:
1- Com o aumento de crédito para financiamento os valores dos veículos, bem como seu prazo de entrega, haviam subido muito.
2- Com o enfraquecimento do mercado interno, recentemente em especial declínio, os fretes foram ainda mais pressionados para baixo, tanto em valor quanto volume.
3- Com a legislação de controle sobre horas trabalhadas aumentaram custos administrativos para manter este parâmetro dentro dos conformes de legislação, ficando frequentemente margem para questionamentos judiciais futuros, ficando à mercê da nossa justiça trabalhista, que dispensa comentário adicional como todo sistema judiciário nacional, capaz de deturpar o entendimento da lei para fins contra a lógica consensual.
Podemos perceber que qualquer pacote de estímulo criado pelo governo nada mais é que a criação de uma potencial bolha no médio/longo prazo.
Está valendo a máxima de “ajuda mais quem não atrapalha”. O governo poderia entender este fato de uma vez por todas…
O problema é que qto mais problemas, mais há clemência por intervenção governamental.
Vi em alguns lugares que há a reivindicação para que seja estipulada uma “Tabela de Fretes” a nível nacional … chega a ser medonha a idéia.
Engraçado que ontem, quando vi a matéria no noticiário, pensei: “É triste, são trabalhadores inocentes que caíram no engodo do governo quando apostaram que o modal rodoviário seria algo sustentável a longo prazo.” Obviamente não é e a coisa só vai piorar. Exemplos como este temos aos montes nesse país onde o desperdício é melhor que a eficiência. Como costumo dizer, daqui a 750 anos a gente chega lá.
E a Venezuela retorna ao perído de escambo
internacional.estadao.com.br/noticias/geral,trinidad-e-tobago-dara-papel-higienico-por-petroleo-venezuelano,1640213
O que o artigo afirma não bate com minha experiência pratica do dia a dia.
Uma tradicional montadora de caminhões estava atualizando sua linha de produtos . Protótipos estavam fazendo durabilidade .
Vários caminhoneiros foram convidados para avaliar estes caminhões. Desde grandes frotistas até donos de um único caminhão . Havia um pequeno exercito de 100 pessoas que inspecionavam o caminhão , lavava e fazia um diagnostico de problemas.
Metade dos caminhoneiros dirige verdadeiras peças de museu e houve um Scania com 35 anos de idade que ainda rodava . Fazia um único tipo de transporte : containers vazios , pois as seguradoras não confiavam mais no veiculo . Para ter clientes , cobrava um preço ridiculamente baixo.
Assim , no survey da montadora , fui anotando casos particulares de caminhoneiros que recebem tão pouco que não conseguem comprar um caminhão mesmo que seja subsidiado.
Há algum tempo atrás , a profissão de caminhoneiro tinha certo glamour ,mas hoje , está tão arrochado economicamente que não passa de um barnabé às portas da mendicância.
Agradecimentos ao Leandro Roque, pelo texto extremamente esclarecedor. Andei lendo outros sites de notícias e artigos, no entanto sempre a informação é picotada, sendo que aqui teve um agrupamento lógico e conciso. O fato que o sistema do modal rodoviário está preso em um ciclo vicioso, e infelizmente as medias são paliativas e no final irão gerar um estrago maior ainda. A ironia de tudo que o fundo do poço é mais em baixo.
Impressionante como as análises do Leandro Roque têm um olhar quase clarividente, é o economista que vê aquilo que está diante dos olhos e aquilo que se esconde por trás das artimanhas estatais.
olha aí mais uma incoerência dos liberais: reclamam que o real desvalorizado encareceu os itens necessários pra fazer o caminhão rodar. mas é claro. todos esses itens são importados. isso é mais um motivo para se produzir pneus, lubrificantes, e etc aqui no brasil. além de criar vários empregos, não teria esse problema de encarecer por causa do real desvalorizado, pq os produtos feitos no brasil não são afetados por isso. Mas não. Seguem defendendo que tudo seja importado, e não estão nem aí que isso irá tirar milhares de empregos aqui no brasil.
Boa tarde Leandro.
Primeiramente, parabéns pelo excelente artigo.
Neste texto e em outras publicações e palestras que você apresenta, vejo com frequência a utilização do termo carestia.
Estou interpretando como inflação, porém acredito que não seja exatamente isso que você quer dizer. Pode me explicar o que significa essa carestia?
Obrigado.
Genial como sempre! Leandro é um gênio!
Leandro,
ótimo artigo, como sempre.
Como conciliar “o país já vive um grande déficit de motoristas, estimado em cerca de 160 mil profissionais.” com a conclusão de que se vendeu caminhões demais nos últimos anos graças ao BNDES?
Leandro, faltou citar também alguns estados do Nordeste como Ceará e Bahia, que participaram da manifestação bloqueando a BR-116, gerando até casos policiais entre a PRF.
Leandro = gênio.
Espero conseguir, um dia, chegar ao nível de leitura necessário para conseguir fazer as análises do Leandro.
Keep moving 🙂
Sensacional… some-se ainda à questão econômica o aumento significativo no número de acidentes envolvendo caminhões (e motoristas despreparados…
Será que daqui uns anos o Leandro aceitaria um convite para o Ministério da Fazenda? HAHAHA
Assim como várias questões importantes de reformas no Brasil, como a política, tributária, trabalhista, o governo também está conseguindo enrolar os caminhoneiros na questão do transporte. O que o governo federal promete não resolve 1% dos problemas do setor.
São promessas vazias e enganosas. O que vi os representantes falando ao vivo na TV, fica claro que não entendem nada de transporte e das necessidades do setor. Infelizmente, mais uma vez, o problema foi empurrado com a barriga, mas a conta virá mais cara mais a frente, como já estamos pagando por outras contas, como inflação, PIB negativo, desemprego, ameaça de racionamento (fora alto custo da conta de energia), falta de água etc.
As promessas do governo >
1. PREÇO DO DIESEL – Não aumentar o preço do diesel nos próximos seis meses. Mas a reclamação não é do preço atual? Isso significa que o preço aumentaria nos próximos meses e que vai aumentar depois de seis meses? E a incidência da Cide em abril, foi cancelada? Não ficou claro isso.
2. FINANCIAMENTO Pró-Caminhoneiro – A carência de 12 meses para pagamento do financiamento do Pró-Caminhoneiro? Mas, pelo que todos que trabalham no setor sabem, são raros os caminhoneiros que conseguiram esse financiamento em função da burocracia do BNDES e dos bancos em geral. Quantos caminhoneiros têm financiamento com o Pró-Caminhoneiro? Uma minoria!
3. LEI DO MOTORISTA – Aprovação de todos artigos da Lei do Motorista. Mas é uma lei (importante) mas ainda polêmica e, no caso aqui, secundária dentro das reivindicação dos grevistas, senão, sem importância na pauta do momento.
4. PEDÁGIO – Manter uma coisa que já existia um tempo atrás que ninguém que não é do setor não entende. Então, as TV estão falando bobagem, que é a questão dos eixos extras do caminhão. Um caminhão, por exemplo, de três eixos, ele precisa de apenas dois para rodar vazio e dos três quando carregado. Esse caminhão tem tecnologia para suspender um eixo, quando está vazio para evitar desgaste desnecessário dos pneus do terceiro eixo. Quando carregado, os três eixos ficam no chão. Portanto, era injusto que pagasse pedágio pelos três eixos, quando vazio, sendo que o caminhão estava rodando com apenas dois. As administradoras de rodovias estavam cobrando os três eixos independentemente se o caminhão estava vazio ou cheio. Uma injustiça. Ou seja, o governo prometeu fazer justiça em troca de parar a greve?
5. DIÁLOGO – Manter uma mesa constante de diálogo com os embarcadores. Espero que sim.
6. FRETE – O governo prometeu intermediar uma mesa de negociação entre caminhoneiros e empresários para estabelecer uma tabela justa de frete. Pelo histórico, duvido. Mas, quem sabe, milagres realmente existam.
CONSIDERAÇÕES
Sinceramente, como jornalista há 13 anos cobrindo o setor de transporte e membro de família que trabalha há 25 anos no setor, não vejo que haverá nenhuma mudança no setor e que está sendo apenas uma enganação.
Quero ver se o governo vai conseguir renovar a frota. Como está o projeto apresentando por mais de 10 entidades para renovação da frota de caminhões do país, começando com os caminhões de 30 anos de idade, que poluem, cada um, mais do que 20 caminhões Euro 5 (fabricados a partir de 2012) juntos? Fora que o risco de um caminhão velho e por falta de tecnologias modernas causar um acidente é muito maior. O projeto está há mais de um ano com o governo federal e não saiu do papel.
E o roubo de carga, um custo alto para o Brasil, como resolver isso? Muita gente não entende o que é Custo Brasil. Mas sabe aquele iPhone que é muito caro aqui? Para todo o lugar que a carga vai, tem que andar com um batalhão de seguranças atrás. Os seguranças são apenas mais um dos itens que encarecem os produtos no Brasil, fora vários outros, como buraco, corrupção, impostos etc.
A burocracia que faz alguns tipos de cargas ter que rodar com mais de 200 folhas de papel A4 de licenças etc.? Para que isso? Já diz o velho ditado que, quanto mais burocracia, mais corrupção. Dali mais Custo Brasil.
Como resolver a falta de mais de 100 mil motoristas, porque os jovens não interessam mais pela profissão, por causa das condições precárias, como baixo salários, preconceito, lugares ruins de parada, carga e descarga etc.? As transportadoras estão com dificuldade de substituir os motoristas que aposentam ou falecem por idade, doença ou acidentes (que são muitos).
Vou parar por aqui, porque a lista de problemas é muito longa.
Bom texto! O mesmo raciocínio se aplica ao setor imobiliário?
O artigo deveria falar de outras coisas:
1- A mania de mais de cem anos, de tantos governos do Brasil de desprezar as hidrovias e jogar dinheiro em ferrovias estatais corruptas, como a NORTESUL de Sarney, Lula, etc. No livro “Mauá – Empresário do Império” se mostra que um quilômetro de ferrovia imperial custava mais de seis vezes daquela feita, sob livre iniciativa.
2- Para transportar cargas à longa distância, como levar uma tonelada por mil quilômetros, o caminhão custa mais de vezes mais caro que hidrovia e mais do triplo, que por ferrovia.
3- Em simples termos, a distorção econômica e o tremendo endividamento do setor público foi feito na pior das alternativas de transporte. Os governos e suas leis idiotas entregaram os portos às máfias de sindicatos portuários.
4- Não é para existir nem BNDES, nem bancos públicos. Os bancos estaduais não fizeram falta, nem deixaram saudade. Também tem de acabar o tal compulsório do Banco Central, que manda a esmagadora maioria da poupança do país para a compra de títulos do tesouro, aniquilando a fonte de investimento privado com uma mão e sustentando estatais e órgãos públicos corruptos com a outra. Condene-se a Bolsa Família para os pobres, mas condene-se antes e com mais vigor as Bolsas BNDES, Caixa Econômica, etc. para BNDESários como Eike Batista e toda escumalha de mamadores do dinheiro público que desfilam(ou desfilavam) em iates, em nome do tal “interesse nacional”.
5-Cuba é o futuro da Venezuela.
A Venezuela é o futuro da Argentina.
E a Argentina é o futuro do Brasil.
Dilma é Lula. E Lula é Sarney.
Dei-me um país que tenha monopólio estatal do petróleo e, eu lhe darei um país pobre. O petróleo é dos árabes.
E a Petrobrás é dos políticos e de seus funcionários.
o cLasse esta confusa pelo pedidos , o maior inimigo dos autonomos não e o governo e sim as trasportadoras que ficam com o maior valor dos fretes,pedagio e disel quem paga eo consumidor final.
Atendendo ao apelo do blog, tentarei ser o mais educado possível. Tudo está se encaminhando para o caos total, e o final todos nós já conhecemos. Democracia não é o modelo ideal para povo burro!
Leonardo, o caminhoneiro que adquiriu por financiamento o caminhão novo, logo em seguida descobriu que ia ter de trabalhar muito mais só para pagar o seguro do caminhão, que é caríssimo, dada a total insegurança a que estão submetidos. O Brasil é campeão em roubo de carga e assassinato de motoristas. Não vi ninguém aqui falando das malditas (desculpem o pleonasmo) multas. Não há quem aguente. Combustível subindo, pedágio caríssimo, insegurança e um governo desmoralizado, imobilizado e perdido. O primeiro passo para começar por a casa em ordem passa necessariamente pela saída do PT do governo. Adeus pedidanta!
Prezados, muito obrigado a todos pelos calorosos elogios. São estimulantes muito mais sólidos do que empréstimos do BNDES.
Abraços a todos!
Lembrando os grandes beneficiados durante a farra do procaminhoneiro: Mercedes, MAN, Scania e Volvo.
Associação prevê quebra de transportadoras por frete defasado
NTC&Logística aponta que há grande oferta de caminhões no país. Entidade ressalta desequilibro entre o frete e os custos de operação.
A NTC&Logística, que tem cerca de 3,5 mil empresas de transporte de carga e mais de 50 entidades patronais associadas, aponta a diferença entre o preço do frete e os custos efetivos da atividade como um dos principais problemas por trás da crise. Pesquisa divulgada pela NTC nesta quinta-feira calcula que a defasagem média entre o frete e o custo está atualmente em 14,11%.
De acordo com a NTC&Logística, a diferença entre o custo e preço do frete tem origem, principalmente, na inflação dos insumos que compõem as despesas, incluindo o recente aumento do preço do diesel, bem como as defasagens de frete que vêm se acumulando ao longo dos últimos anos. Mas também tem relação com a má administração de custos conduzida por muitos empresários e caminhoneiros.
Frete a preço baixo
O frete barato também pode ser explicado pelo crescimento da frota de caminhões do Brasil, impulsionada por financiamento subsidiado oferecido pelo governo federal, e a própria crise econômica pela qual passa o país.
Se o país estivesse crescendo, observou Valdivia, a situação seria resolvida mais facilmente, porque os contratantes não teriam tanto problema em pagar mais pelo frete. “Mas está em um momento em que a economia não favorece recomposição de nada, o contratante também precisa reduzir o custo, porque o mercado também caiu”, explicou.
Ele apontou ainda que um dos setores com frete mais defasado é o do agronegócio. “Há três anos, quem estava reclamando eram os embarcadores (contratantes) em Mato Grosso. O frete subiu 40% (na época) e tinha gente brincando que até médico estava comprando caminhão (para transportar grãos)”, afirmou Valdivia, lembrando que as cotações das commodities agora estão mais baixas, afetadas por grande safras globais, incluindo do Brasil.
E o pior de tudo, Leandro: como o financiamento dos caminhões foi de 8 anos, tem muito caminhoneiro quebrado, operando com prejuízo, mas que não pode parar senão perde o caminhão. Show de horror.
Excelente artigo Leandro, parabéns pelos esclarecimentos, abraços!
Excelente análise Leandro!
Apontando os fatos que ninguém da mídia esquerdista percebe.
Ivar Schmidt, líder do movimento, deu uma entrevista ontem (26/02/2015) e afirmou que o principal objetivo deles é o estabelecimento da tabela de fretes e que o movimento não tem intenção política (no sentido de derrubar a Dilma).
https://soundcloud.com/rvox_org/midia-sem-mascara-vide-versus-ivar-schmidt-lider-dos-caminhoneiros-do-brasil-26022015
Foi como aqueles fiorinos com equipamentos pra fazer cachorro-quente, mas em grandes proporções. A saída é um em cada dez desistir e o frete sobe 10%, porém a conta quem paga é o consumidor final.
Esse protesto vai terminar em aumento da gasolina pra subsidiar ainda mais o diesel.
Que venha logo a tecnologia dos caminhões robotizados, assim teremos redução de custos, redução de acidentes, caminhões trafegando a qualquer hora do dia e da noite. Aliás, num futuro próximo, todas as profissões envolvidas com o transporte, como os taxistas, motoristas de caminhão e ônibus, maquinistas de trens, tripulação de navios, pilotos de avião e helicóptero, estarão extintas.
Eu não sou de comentar os artigos que leio neste site diariamente.
Mas tenho que render totais agradecimentos ao Leandro Roque, que sempre nos brinda com análises assertivas e pragmáticas, sem deixar de lado a profundidade teórica que o assunto merece.
Muito obrigado, Leandro.
Isto só acontece porque o nosso “governo” não trata as coisas num conjunto macroeconômico. Tudo são medidas populistas, consumistas e eleitoreiras, de impacto imediato, sem pensar nos reflexos paralelos a médio e a longo prazo. Meu pai foi caminhoneiro por quase 30 anos. Educou seus 5 filhos. Suando muito, conseguiu comprar e pagar 3 FNMs, que depois trocou por duas carretas Scania. Aposentou-se pelo teto máximo em 1980. Ao falecer em 2000, percebia por volta de 3 SMs( mas isso é outra senvergonice). Eu pergunto: qual o caminhoneiro( autônomo) que hoje consegue fazer isso?
Abs, Getúlio Dealmino Fava, economista
Não se vê por aí uma análise que seja feita a partir do propósito de investigar e divulgar a raiz das causas dessa greve dos caminhoneiros – e que é também a mesma de tanto outros problemas. Pior que isso, é que ainda não se vê nem sinal de pelo menos uma discussão sobre repensar o crédito subsidiado, o endividamento do governo e a inflação monetária; só medidas paliativas. Mas espero que esta seja a razão de estarmos aqui.
Não tem a menor importância, mas Alto Paranaíba não é precisamente Triângulo Mineiro. Em todo caso (emancipação, independência, secessão, etc.), sim, aceitamos. Ficamos com ele.
E, claro, parabéns ao autor pela iniciativa e pela excelente forma com que (sempre) apresenta e esclarece a questão. Se fosse a primeira vez que eu estivesse lendo um artigo daqui, ficaria encantada.
Abraços!
Tem algo mais nessa questão do preço do frete. Eles querem que o governo federal faça uma planilha nacional (tabela) sobre os custos do setor. Coisa que eu acho que as entidades ligados ao setor — associações e federações de caminhoneiros e transportadores — deveria fazer (não sei se já não fazem). O que vai aumentar a intervenção estatal no setor. Ou seja, eles não aprenderam a lição.
No meu humilde entendimento, bancos criam dinheiro do nada apenas em cima de uma base monetária previamente criada do nada pelo banco central. Assim, se o banco compra um título novo do gov, mas este nunca é comprado pelo banco central, não houve dinheiro novo criado a priori. A não ser que assumamos que o banco não tenha nenhuma outra alternativa para o seu excesso de reservas na sua conta no banco central. Creio que isso no Brasil é meio difícil de ocorrer, pois os bancos sempre podem fazer algum empréstimo ou investimento com o dinheiro excedente do compulsório. Em realidade, quem efetivamente cria dinheiro do nada é o banco central, que, ao comprar um título, aumenta a base monetária, a qual, por sua, vez pode ser multiplicada pelos bancos. No entanto, se zero dinheiro é criado do nada pelo banco central, os bancos vão criar zero dinheiro novo, pois o múltiplo de zero é zero. Os bancos apenas multiplicam o dinheiro criado pelo banco central. Talvez o correto fosse dizer que os bancos podem multiplicar o dinheiro criado do nada belo banco central. No caso dos EUA atualmente, os bancos não tem multiplicado o dinheiro criado do nada pelo FED, e o excesso de reservas se acumula, deixando o M0 > M1. Não creio que esta situação tenha jamais acontecido no Brasil, ao menos por tempo considerável.
leandro
você acha que o governo vai tomar alguma medida para mudar essa situação a curto prazo?
Ótimo texto. Vale lembrar que a intenção do governo quando baixou as taxas juros para financiamento não foi pra ajudar os transportadores mas pra se livrar da pressão das montadoras que estavam com os pátios abarrotados de caminhões e com previsão de demitir muitos funcionários caso as vendas não reagissem.
Texto Magnifico. Parabéns ao Leandro que consegue sempre demonstrar com exemplos práticos a situação pós intervenção governamental.
“E os caminhoneiros pensaram que aquilo seria bom para eles” Ótima análise Leandro.
Mas ! Não seria melhor a frase :”E os brasileiros pensaram que aquilo seria bom para eles” Vou explicar porque a frase “E os brasileiros pensaram que aquilo seria bom para eles” seria melhor. Sou um velho descontente e opositor com os governos de Lula,Dilma até FHC. Todos governos esquerdistas. E não é por razões financeiras (não estou levando prejuízos financeiros por causa do Governo)mas,por razões ideológicas,morais e até religiosas.
Sou um cristão protestante conservador abomino este Governo de Dilma (Lula,FHC também)por apoiarem o aborto,aceitação do homossexualismo,legalização de drogas,serem contra a Família,o Estado de Israel,desprezarem o Cristianismo,a Democracia,a Liberdade,etc,etc.
Mas ! Reconheço a vasta maioria do povo brasileiro não é descontente ou abomina os governos de Lula ou Dilma,pelo contrario Lula e Dilma até recentemente e por anos a fio gozaram de alta popularidade. Dilma ganhou uma eleição recentemente. E vasta maioria do povo não se importa com questões morais e valores,não estão nem aí se o Governo apoia aborto ,homossexualismo,apoia ditaduras,etc,etc. Para eles este é um Governo que protege e ajuda os pobres,contra os ricos,populismo puro,simples assim.
Ai ! cai bem a frase :”E os brasileiros pensaram que aquilo seria bom para eles” Pensaram que o corrupto governo esquerdista petista seria bom para eles. Na verdade os caminhoneiros só estão revoltados com o Governo porque estão se lascando,se ferrando,se danando,entrando pelo cano por causa do Governo. E este é o destino dos brasileiros em geral. INSATISFAÇÃO GERAL.
Como disse um comentarista:” Não suspeitam tais personagens que estão armando uma bomba. Nem conhecem,também, a história universal, e, por isso, não mostram temor algum sobre o processo crescente de INSATISFAÇÃO que estão alegre e inocentemente promovendo.” Traduzindo no popular a revolta dos caminhoneiros é apenas uma BOMBA DE INSATISFAÇÃO que estourou, na medida que mais gente(brasileiros) forem se lascando,se ferrando,se danando por causa do imprestável,incompetente,perverso,corrupto Governo que o Brasil tem. Mais e mais bombas de insatisfação explodiram. Como diz a frase : ” E os brasileiros pensaram que aquilo seria bom para eles ” Mas ! Agora depois de longos anos finalmente estão levando na cabeça o que é bão pra tosse. Na história não falta exemplo de povos que “levam na cabeça” por causa de maus governos e governantes.
Ahh que esses episódios me geraram raiva com as opiniões ignorantes sobre os preços nos postos.
Todo mundo reclamando que alguns postos elevaram os preços por não estarem recebendo reabastecimento e que o consumidor deveria “reclamar com o procon”; cometi o erro de tentar explicar o que raios essa elevação dos preços fazem para evitar que o combustível acabe e a racionalização dele aumente.. Mas nada, as pessoas só olham “ganancia” naquilo que é pura lei de oferta e demanda. Acham que é “crime” cobrar mais por algo mais escasso, e que é dever do estado impedir essa “exploração”..
Pois é, até a falta de água em São Paulo pode ser explicada pelo congelamento de preços. O Brasileiro médio é ignorante em economia, e mesmo assim ele não se sente inibido em implorar medidas aos estados. Com sua mão de ferro, como se por um decreto a gravidade estivesse anulada. E pulamos assim rumo ao abismo, achando que estamos voando e em segurança, graças a uma lei de congelamento. Até que o chão duro chega.
É cilada Bino !
Agora só chamando o Pedro e Bino da Globo.
O fato é que o disel subiu, os pedágios controlados pelo governo são caros, as estradas sem pedágios são esburacadas, a inflação está corroendo o salário dos caminhoneiros, etc.
Agora só chamando o Pedro e Bino !
Os caminhoneiros estão equivocados em seus objetivos. Primeiro eles reclamam para o estado. O estado é tudo de ruim que está ai e muito mais. Ao apelar para o estado já estão de antemão se sujeitando ao estado, numa posição submissão. O objetivo atual seria pedir menos estado, menos interferência do estado em seus negócios. Negociar com ladrão que é o que o estado é, perdendo aos poucos a liberdade que já é pouca. Eles deveriam fechar as estradas contra a interferência do governo em seus negócios. O caminhoneiro trabalha para prover sua família não para ser assistente social de muitos vagabundos que não trabalham e vivem as custas do governo, acrescentando os parasitas do serviço publico é um fardo imenso na maioria da população. Existe até programa para ajudar economicamente aos travestis. Um absurdo. Todos são iguais perante a lei. Além disso o procurador do governo Sr Lula da Silva e a presidanta Dilma, dizem que nada sabiam, sobre a corrupção na Petrobrás (desestizaçao já), mas deveria saber. No estagio atual, deveríamos ter um mandato único e que não poderia ser repetido, proibida a reeleição em qualquer tempo, retirada de todas a imunidades dos membros do governo, todos os ativos do governo divididos e devolver a população que criou tudo. Dividindo as riquesas do estado (que pertence ao povo) entre população. Cada Cidadão brasileiro teria direito a uma ação correspondente a 1/200.000.000 de todos os bens do governo. O governo não poderia ter nenhum bem. Colocar na Contituição o principio da não agressão, proibindo o governo de interferir no direito as pessoas a liberdade. Definir liberdade na constituição e lei como conjunto de normas justas iguais para todos válidas em qualquer prospetivas no tempo e no espaço…até chegarmos ao anarco capitalismo. O Estado nunca vai melhorar. Só o individuo sabe o que é bom para ele.
Leandro,
Parabéns para texto
Massssss…
Como de costume, volto a focar que os tópicos aqui sofrem de “Amadorismo Político”
Pergunto:
E as montadoras parecem ser santas, esquece de enfatizar os lobistas do setor que atuam há muito tempo.
Qual caminhoneiro não quer um Truck novinho em folha pagando juros baixos?
Lula, gênio político, operário obviamente queria fomentar o setor e fazer girar a cadeia. Eu lembro bem nesse período que FORD no Interior do Rio, (Penedo, eu acho) contratava gente a rodo. Não é a toa que o PT está há 12 anos no poder…
Montadoras sempre arrumam uma chantagem contra os Governos. Acompanhe a greve da GM em São José dos Campos – SP . (www.ovale.com.br). “Se não vender carro, vamos demitir”.
Lei do descanso: Qual trabalhador que não quer melhoria para categoria. Do jeito que escrevem aqui, melhor é colocar a criançada para dirijir o Truck e aumentar a produtividade.
Qual empresário não quer um frete barato, parasse até piada o texto “criminalizando” a queda dos fretes…
Enfim, texto bem tendencioso que desconsidera a realidade do jogo Governo x Montadoras.
Leandro Roque..sera que essa situação de aquisição fácil de caminhões com um trágico, vai se estender para automóveis?
Analise perfeita… Mas faltou mencionar que o pró caminhoneiro foi alardeado como uma ferramenta para o profissional autônomo, mas o que realmente aconteceu foi que pequenas médias e grandes transportadoras foram as mais beneficiadas. Enquanto alguns poucos caminhoneiros autônomos conseguiram financiar 1 (um) caminhão, empresários financiavam 100, 200 ou 1000 caminhões pelo mesmo sistema pró caminhoneiro.
Na prática seria como se construtoras comprassem de uma vez todas as casas do programa Minha Casa, Minha Vida a juros baixíssimos…
Há ainda uma outra consequência grave para a intervenção governamental: a distorção de uso dos modais de transporte. Com os incentivos para o setor rodoviário, cargas que poderiam ser transportadas em outros modais com maior eficiência acabam tomando o caminho das rodovias, graças as medidas governamentais. Uma empresa ferroviária, por exemplo, precisa pagar parte do subsídio ao diesel e do financiamento a compra de caminhões por meio de impostos. Ou seja, acaba sendo obrigada a transferir dinheiro para seus concorrentes.
O único modo de ter um setor de transporte racional e eficiente é permitindo a igualdade de condições entre os modais. Enquanto o governo privilegiar determinados tipos de combustível ou conceder linhas de créditos específicas, o resultado será apenas a ineficiência, que aparece no encarecimento do frete ou na piora das condições de trabalho em algum setor.
Leandro
Bom, mas o caminhoneiro que quer um Truck novo, espera e VOTA numa legenda que vá beneficiá-lo. Logo ele quer uma política que o favorece. Você diz que a intervenção estatal está resultando numa ressaca mas o caminhoneiro quer um GOV que ajude ele de alguma forma… Então mesmo com essa ressaca ele vai continuar qrendo intervenções.
Ai você via dizer, “mais intervenções somente gerará mais intervenções”. Porém o cidadão quere ver o governo trabalhando. Como se fosse um técnico de futebol gritando com o time, por isso que o PT está 12 anos e vai ficar 16 anos no poder.
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Leandro, parabéns, mais uma vez um belo texto.
Você gosta de podcast? Tem um ótimo chamado “mamilos”. É apresentado por duas mulheres muito inteligentes.
Num programa a pauta foi o atual problema dos caminhoneiros, e a âncora gostaria muito de trazer mais assuntos onde a economia e o livre mercado podem esclarecer. Se tiver oportunidade de nos ajudar com seus conhecimentos, nós ouvintes ficaríamos agradecidas. Segue o email se tiver interesse : [email protected]
Interessante essa análise: ricardogallo.ig.com.br/index.php/2015/03/03/muito-caminhao-para-pouco-pib/
Corrobora o que diz neste artigo.
Leandro, como você explica que as outras distribuidoras (Shell, Texaco, Esso, Ipiranga, Castrol, Agip) não ofereçam preços menores que a BR importando barato enquanto a Petrobras tem alto custo de produção? Mesmo se admitirmos que os impostos de importação não permitiam um preço menor que o da BR _antes_ da queda do preço do petróleo, certamente agora elas poderiam importar e tomar o mercado da BR praticando preços menores que ela. Segundo o raciocínio de outros artigos desse site, um cartel nesse cenário seria instável, mas parece que vemos justamente o contrário.
IMB, por que esse ajuste fiscal com aumento de impostos, se o governo possui 370 bilhões de dólares em reservas cambiais ?
Esse ajuste de 100 bilhões de reais do governo, poderia ser realizado com a venda de reservas cambiais.
Hoje, vendendo 33 bilhões de dólares da reserva, seria possível fazer todo o ajuste fiscal sem danos à população.
Esse ajuste fiscal está claro que é para segurar o dólar acima de 3 reais.
Além disso, a venda das reservas vai dar muito lucro ao governo, porque eles compraram os dólares por um preço muito mais baixo.
Enfim, as reservas cambiais são para momentos de crise e devem ser usadas nesse momento que estamos vivendo.
Bom dia!Por favor, comente a entrevista dada à Veja pelo ministro do desenvolvimento Armando Monteiro.
veja.abril.com.br/multimidia/video/os-ajustes-economicos-nao-vao-sucumbir-ao-pessimismo-diz-ministro-do-desenvolvimento
Didático artigo, Leandro.
Parabéns e obrigado pela clareza e riqueza de dados.
Existe um setor onde a maioria dos financiados não paga as parcelas dos BNDES faz tempo e somente vão prorrogando para o final do contrato por qualquer problema que surge: máquinas agrícolas.
Talvez esteja no momento de fazer um artigo sobre este setor extremamente subsidiado e intervencionista. Seria uma forma de provar, de forma antecipada, porque nós, libertários, respeitamos e acreditamos no mercado livre e independente.
Leandro,
Você tem sempre batido na tecla do quanto é ruim ter uma moeda desvalorizada.
Com a grande desvalorização do real nos últimos dias, temos uma confirmação de que os piores cenários previstos para 2015 irão se realizar, certo?
PS: Não que houvesse dúvida de que 2015 seria ruim, mas parece que o ritmo das coisas está superando até mesmo os cenários mais pessimistas.
Algumas concessões do governo à custa de todos eles conseguiram.
Brasileiros costumam reclamar das consequências do estatismo, mas pensar que a solução é ainda mais estatismo.
* * *
A conta que o governo brasileiro está deixando para o povo pagar será enorme e os custos psicológicos serão incalculáveis. O estado deve ser extinto o quanto antes.
Leandro, parabéns, muito bom o texto “… E os caminhoneiros pensaram que aquilo seria bom para eles” Concordo plenamente, na realidade estamos todos ‘enrolados’ por acreditar num Deus chamado Estado. Sou motorista carreteiro desde piquinininho, celetista ate 2005. Em 2006 tomei uma dose de coragem e comprei um cavalo mecânico ano 95 e uma carreta 2004. Foram 36 prestações bem pesadas, fora uma poupança que foi consumida com a entrada e as primeiras manutenções. Realmente é um mundo novo, totalmente diferente do celetista que vivi por longos anos, mas é muito mais interessante, adorei a liberdade para trabalhar, sem destino(não é aquele filme de 69 com o Jack Nicholson e o Peter Fonda), quero dizer, o destino era o dindin, quem pagava mais eu corria atrás. Uma das coisas que mais me atrai nesse ramo é exatamente a lei da oferta e procura. Vivemos isso todos os dias, precisamos baixar custos e aumentar rendimentos como qualquer empresa. Mas, estou escrevendo pra relatar uma decisão tomada antes dessa crise toda, quando foi liberado esse financiamento chamado ‘pro caminhoneiro’. Acreditei que seria um bom momento pra atualizar o bruto mas, quando percebi que quase todos os meus colegas estavam entrando no esquema comecei a pensar num tal ‘efeito manada’ e cheguei a conclusão que esse troço ia dar m*rda por alguns detalhes: todo mundo de caminhão novo, prestação alta, especialistas falando em inflação represada, desindustrialização acelerada, etc, etc. Fiquei com um pé atrás, desisti da troca, fique com o meu bruto velho e como se dizia lá no interior, é véi mais tá pago. Hoje estou sofrendo os mesmos problemas que todos os caminhoneiros sofrem, só que não devo nada pra banco algum, tenho as despesas normais de um caminhão já bastante usado, porem, vivo bem tranquilo em ralação aos meus colegas que meteram a cara num financiamento de longo prazo. Troncando em miúdos: escapei desse furacão. Continuando a história, enquanto essa ‘lei do caminhoneiro’ não estava em vigor, consegui juntar um patrimoniozinho bem legal, antes, tinha um terreninho e o sonho de construir uma casinha, hoje tenho alguns terrenos e uma tremenda casa(com aquecimento solar e sistema grid tie e também com coleta de agua de chuva com um tanque de 70 metros cúbicos), um carrão que nunca imaginei possuir sem dever nem obrigação a ninguém… Tudo bem que trabalhava umas 20 horas por dia sete dias por semana e 360 dias no ano, sem acidentes e sem prejudicar a saúde(digo, sem ribite). Mas agora, tudo mudou , acabou a farra, não dá mais pra trabalhar tanto, a renda caiu muito e passamos mais tempo parado descansando do que trabalhando, enfim, vou mudar de ramo…
E hoje, 24 de maio de 2018, outra greve de caminhoneiros com reivindicações parecidas. Realmente algumas coincidências.
Impressionante como esse artigo continua atual.
Os caminhoneiros NÃO estão em GREVE, estão em uma PARALISAÇÃO. Não confunda um ato patriótico com ato ideológico.
Um texto perfeito como esse deveria estampar a primeira página dos jornais mais importantes do Brasil.
Li o artigo e achei estranho os gráficos pararem em 2015, somente ao ler os comentários contendo “presidenta” que fui verificar a data da postagem. Impressionante como continua atual esse artigo, será que teremos mas um repeteco em 3 anos após a engabelada desse governo?
E como sempre no Brasil, eles ficam insatisfeitos e saem por aí fechando estradas, apedrejando quem quer trabalhar, e está tudo certo.
Eles tem todo o direito que não tirar o caminhão da garagem, mas bloquear estradas e apedrejar quem quer trabalhar ?.
Texto esclarecedor.
Não entendi direito como funciona o financiamento do BNDES via endividamento do Tesouro. Alguém pode me explicar melhor isso?
Parece que o BNES resolveu rebater as criticas que recebeu por inflar o mercado de camilhões: “BNDS publica estudo …” economia.estadao.com.br/noticias/geral,bndes-publica-estudo-para-mostrar-que-nao-teve-culpa-na-greve-dos-caminhoneiros,70002351732 . Talvez alguém do Mises queira comentar a respeito dos argumentos usados.
Em pleno abril de 2019, 2 presidentes depois, e ainda sofremos com as consequências dessa loucura estatizante.
“Estímulos e benefícios artificiais geram efeitos aparentemente benéficos no curto prazo, mas cobram um preço caro no longo prazo.”
Esse curto prazo é o horizonte eleitoral, as pessoas votam no candidato que proporcionou essas “benesses”. Depois quando vem os efeitos colaterais da intervenção estatal. Aí o governo se reelege com a promessa de resolver o problema causado por eles mesmos e o ciclo se retroalimenta.
“Isso é positivo, não? Afinal, mais caminhões, mais transportes, mais concorrência entre as transportadoras, menores os preços do frete.
O problema é que esse é apenas um lado da história. Se tudo terminasse aqui, seria ótimo.”
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Seria aquela velha lei “lógieconômica” que diz: “Quando um produto ou serviço é ofertado gratuitamente (no caso empréstimo barato para comprar caminhões) a demanda por ele aumentara?”
Poxa, será que deu erro nos comentários do Mises Brasil? Ficou mais de um dia sem receber novos comentários…
São 5 anos passados e mudou nada. Brasil tem mais espaço para ferrovia do que para caminhão, não tem como isso funcionar. O setor ferroviário precisa ser aberto com urgência. O que o governo está fazendo de PPP com ferrovias é melhor do que antes, mas ainda longe do ideal: qualquer pessoa morando numa biboca poder construir seu pedaço de ferrovia em sua terra. Não sei que combustível os trens usam, mas o Diesel subsidiado acaba também causando um inchaço de caminhões e ônibus Brasil afora.