O tempo é um elemento inseparável da condição humana. Tudo o que fazemos envolve o tempo. Tudo é restringido pelo tempo.
Só o fato de você parar para ler este artigo já requer que você saiba alocar um período de tempo para tal tarefa. E o período de tempo que você gastar para ler este artigo não estará mais disponível para outros afazeres.
A importância do tempo nos processos de produção econômica e na avaliação das escolhas a serem feitas é algo que foi especialmente enfatizado por vários seguidores da Escola Austríaca de pensamento econômico, começando por Carl Menger, o fundador da escola.
Porém, entre os primeiros membros da Escola Austríaca, foi Eugen von Böhm-Bawerk quem desenvolveu a primeira análise detalhada do papel do tempo nos processos de produção e no processo da escolha humana.
Os primeiros dois volumes de sua obra-prima sobre esse tema, Capital and Interest, foram publicados nos anos 1880. O terceiro volume, predominantemente respostas aos seus críticos, apareceu em seu formato final no ano de 1914, pouco antes de sua morte.
Outro grande contribuinte para a teoria austríaca do tempo, já nos primórdios do século XX, foi o economista americano Frank A. Fetter. Sua análise do processo de “avaliação temporal” foi apresentada em dois tratados: The Principles of Economics (1904) e Economic Principles (1915).
Durante os anos 1930 e 1940, contribuições adicionais foram feitas pelos seguintes economistas austríacos: Friedrich A. Hayek em Prices and Production (1931) e The Pure Theory of Capital (1941); Richard von Strigl em Capital and Production (1934); e Ludwig von Mises em Nationalökonomie (1940) e Ação Humana (1949).
Cada uma de nossas ações requer que levemos em consideração o tempo e que saibamos como iremos agir ao longo do tempo.
Seja fritar um ovo ou construir uma nave espacial que irá às estrelas, estamos sempre sendo confrontados com a necessidade de esperar pela consumação do resultado desejado. Utilizamos os meios à nossa disposição que parecem ser os mais apropriados para as tarefas que almejamos, e tentamos atingir os fins desejados que temos em mente.
Porém, a causa (a utilização dos meios) sempre precede o efeito (o objetivo ou o fim resultante); e entre o começo da causa e o seu efeito resultante, sempre há um período de tempo, seja um período de alguns meros minutos ou de vários anos.
Cada um de nossos planos, portanto, contém dentro de si um período de produção.
Raramente, no entanto, podem os nossos planos de produção ser completados em uma única etapa. Geralmente, os recursos à nossa disposição têm de passar por várias transformações, por vários estágios de produção. Somente após isso é que os bens de consumo que desejamos estarão prontos para ser utilizados em sua forma final desejada.
Uma árvore tem de ser derrubada na floresta. A madeira tem de ser transportada e cortada na serraria. Essa madeira cortada tem de ser levada para a fábrica de polpa e transformada em papel. O papel deve ser encaixotado e enviado para a empresa que irá utilizá-lo. Lá, o papel deve ser cortado em um tamanho adequado para o fim desejado, e a impressora irá jogar tinta em várias páginas, as quais serão finalmente enviadas por correio para vários endereços diferentes.
Isso que foi ilustrado no simples exemplo acima é equivalente ao que ocorre em todas as linhas de produção de todos os bens imagináveis de uma economia.
A relação entre tempo e poupança
No entanto, a realização destes processos de produção requer uma determinada quantia de poupança. Isto é, os recursos que serão utilizados nesse processo não podem ter sido consumidos em outros setores da economia. Logo, eles precisam ter sido poupados.
Recursos e matérias-primas que de outra forma poderiam ter sido utilizados para satisfazer alguns de nossos desejos no presente mais imediato devem ser liberados para atividades produtivas que consomem mais tempo.
Primeiro, alguns desses recursos devem estar disponíveis para serem transformados em bens de capital — ferramentas, maquinários e equipamentos –, os quais posteriormente serão utilizados pelos trabalhadores que estão empregados na produção mais direta de bens de consumo.
Esses trabalhadores irão combinar sua mão-de-obra a esses bens de capital e, por meio de processos de produção mais “alongados”, mais complexos ou que demandam mais tempo, irão produzir bens de consumo.
Segundo, recursos e bens de consumo devem estar disponíveis para serem utilizados por esses trabalhadores empregados no processo de produção.
Quanto maior for a poupança (isto é, quanto maior tiver sido a abstenção do consumo), maior poderá ser a quantidade de processos de produção que poderão ser empreendidos na sociedade — e mais alongados eles poderão ser.
Quanto mais alongado for um processo de produção, maior tende a ser a qualidade do produto final.
Consequentemente, quantos mais processos de produção alongados puderem ser implementados, maiores serão as quantidades e a qualidade dos bens que estarão disponíveis para ser consumidos no futuro.
Por quê? Porque, tudo o mais constante, quanto mais indireto ou quanto mais demorado for um processo de produção, mais produtivos (geralmente) são os métodos de produção dele resultantes.
Surgem os juros
No entanto, quanto mais longos forem os períodos de produção que utilizamos, mais tempo teremos de esperar pelos bens finais que desejamos consumir.
As pessoas, portanto, têm avaliar o sacrifício exigido, em termos de espera, que estão dispostas a fazer a fim de obter um efeito potencialmente maior e mais desejado, o qual somente poderá ser obtido se o processo de produção se estender por um período mais longo de tempo.
Os sacrifícios de tempo que as pessoas estão dispostas a fazer normalmente são diferentes para cada indivíduo. E estas distintas avaliações de tempo criam oportunidades para ganhos comerciais.
Aquelas pessoas que estão dispostas a adiar seu consumo — e, consequentemente, o uso de recursos no presente — poderão encontrar indivíduos que desejam ter acesso a uma quantidade de bens e recursos maior do que aquela que sua renda e riqueza lhes permitem adquirir no presente. E esses segundo grupo de pessoas pode estar disposto a, no futuro, pagar um preço pelo uso desses recursos no presente mais imediato.
Assim, um preço intertemporal irá surgir no mercado à medida que os indivíduos avaliam e “fazem propostas” quanto ao valor do tempo e do uso de recursos.
Esse preço é a taxa de juros.
A taxa de juros reflete as preferências temporais dos agentes de mercado no que diz respeito ao valor dos recursos e das mercadorias no presente em comparação ao valor delas no futuro.
Sendo o preço do tempo, a taxa de juros equilibra a propensão a poupar de uns com o desejo de pegar emprestado de outros.
Mas a taxa de juros não apenas coordena os planos de poupadores e investidores; ela também funciona como um “freio” ou um “regulador” da duração dos períodos de produção empreendidos com a poupança disponível na sociedade.
Por exemplo, quais seriam os respectivos valores presentes de um investimento que retornasse $ 100 daqui a um ano, daqui a dois ou daqui a três anos, com uma taxa de juros de mercado de, digamos, 10%? Eles seriam, respectivamente, $ 90,91, $ 82,64 e $ 75,13.
Isso significa que $100 daqui a um ano valem subjetivamente o mesmo que $ 90,91 hoje. E $100 daqui a dois anos valem subjetivamente o mesmo que $ 82,64 hoje. E $100 daqui a três anos valem subjetivamente o mesmo tanto que $7 5,13 hoje.
Agora, suponha que a preferência temporal das pessoas dessa sociedade tenha mudado, de modo que elas agora optaram por poupar mais. Consequentemente, haverá uma maior oferta de poupança disponível para ser emprestada. Isso derruba a taxa de juros para, digamos, 7%.
Quais serão agora os valores presentes daquele investimento que retorna $100 daqui a um, dois e três anos? Os valores presentes seriam, respectivamente, $ 93,46, $ 87,34 e $ 81,63.
Observe que o valor presente aumentou para todos os três potenciais investimentos, cada qual com um horizonte temporal diferente. Porém, os aumentos percentuais dos valores presentes desses três possíveis horizontes de investimento não seriam os mesmos.
Para o investimento de um ano, seu valor presente aumentou 2,8%. Para o investimento de dois anos, seu valor presente aumentou 5,7%. E para o investimento de três anos, seu valor presente aumentou 8,6%.
Claramente, a tendência de uma queda na taxa de juros é estimular um aumento nos investimentos com períodos mais longos de produção.
Se, ao contrário, as preferências temporais se movessem na direção oposta, com as pessoas optando por poupar menos, o que consequentemente geraria um aumento na taxa de juros, os investimentos de longo prazo ficariam relativamente menos atraentes.
Se a taxa de juros aumentasse de 7 para 10%, os valores presentes de um investimento que retornasse $ 100 daqui a um, dois e três anos diminuiriam, respectivamente, em 2,7%, 5,4% e 8%.
Isso faria com que investimentos com períodos de produção mais curtos se tornassem relativamente mais atraentes.
Poupança e consumo podem andar juntos
Em uma economia que está vivenciando um aumento na renda real, a decisão dos assalariados de poupar uma proporção maior de sua renda não requer uma redução absoluta no consumo.
Suponha que as preferências temporais dos assalariados fossem tais que eles normalmente poupassem 25% de sua renda. Para uma renda de, digamos, $1.000, eles poupariam $250. Se sua propensão a poupar aumentasse para, digamos, 30%, para uma dada renda de $1.000, seu consumo diminuiria de $750 para $700, e sua poupança aumentaria de $250 para $300.
Entretanto, se a renda dos assalariados aumentasse para, suponhamos, $1.100, e sua propensão a poupar também aumentasse para aqueles 30%, então agora eles estariam poupando $330 dessa renda aumentada. Porém, o consumo também aumentaria para $770.
Essa é a razão pela qual, em uma economia que está enriquecendo, a poupança pode aumentar — permitindo um novo processo de formação de capital e, consequentemente, investimentos com períodos mais longos — sem qualquer sacrifício absoluto do consumo.
O consumo aumenta em decorrência da renda real maior, embora aumente menos do que poderia aumentar caso os assalariados não tivessem optado por poupar um maior percentual de sua renda.
Mas se houver uma redução na demanda por bens de consumo e um aumento na poupança, quais seriam os incentivos para os produtores investirem em mais capital e em um aumento da capacidade produtiva?
Esta foi a crítica levantada contra Böhm-Bawerk no início do século XX por um economista chamado L.G. Bostedo. Ele argumentou que, uma vez que é a demanda de mercado que estimula os fabricantes a produzir e levar bens ao mercado, a decisão dos assalariados de poupar mais e consumir menos destrói exatamente esse incentivo de se empreender novos projetos, os quais a maior poupança supostamente deveria facilitar.
Bostedo concluiu então que uma maior poupança, em vez de ser um motor para o aumento dos investimentos, servia na verdade para retardar o investimento e a formação de capital.
Em 1910, no artigo “A Função da Poupança”, Böhm-Bawerk retrucou essa crítica. “Em sua premissa está faltando uma única, porém muito importante, palavra”, apontou Böhm-Bawerk. “O senhor Bostedo assume (…) que a poupança significa necessariamente uma redução na demanda por bens de consumo.”
Porém, continuou Böhm-Bawerk:
“Ele omitiu a pequena palavra ‘presente’.
Para começar, o homem que poupa reduz a sua demanda por bens de consumo presentes, mas de maneira alguma ele reduz seu desejo geral por bens que lhe deem prazer. A ‘abstinência’ gerada pela poupança não é uma abstinência absoluta, ou seja, ela não gera uma renúncia definitiva a todo e qualquer bem de consumo. Ele continua consumindo bens básicos no presente. Mas abrirá mão do consumo, no presente, de bens mais luxuosos. Mas tal renúncia não é definitiva. Ela é apenas uma postergação.
O motivo principal daqueles que poupam é precisamente preparar-se para o consumo futuro; ter meios com os quais suprir suas demandas futuras ou as de seus herdeiros.
Isso significa, nada mais nada menos, que eles desejam garantir que terão controle sobre os meios que permitirão a satisfação de seus desejos futuros, isto é, sobre o consumo de bens em um período futuro.
Em outras palavras, aqueles que poupam reduzem sua demanda por bens de consumo no presente justamente para poderem aumentar proporcionalmente sua demanda por bens de consumo no futuro”.
A importância da concorrência
Porém, mesmo se houver uma potencial demanda futura por bens de consumo, como os empreendedores irão saber quais tipos de investimentos em capital deverão fazer?
E quais tipos de bens, e em quais quantidades, devem planejar ofertar no mercado em preparação para esta maior demanda futura?
A resposta de Böhm-Bawerk foi mostrar que a produção é sempre voltada para o futuro, um processo no qual se utiliza meios produtivos hoje com o intuito de se ter bens de consumo para serem vendidos amanhã. O exato propósito da competição entre empreendedores é testar constantemente o mercado, de modo a antecipar da melhor forma as demandas do consumidor, corrigir as existentes e perceber as que estão mudando.
A concorrência é o método de mercado que faz com que a oferta seja sempre correspondente às demandas dos consumidores. E se erros forem cometidos, e eles serão, os prejuízos resultantes desse prognóstico errôneo dos lucros funcionam como estímulo para que se faça ajustes apropriados na estrutura de produção, ou para que se realoque mão-de-obra e recursos para outras linhas de produção.
Quando deixado funcionando livremente, argumentou Böhm-Bawerk, o mercado exitosamente garante que as demandas tenderão a igualar a oferta, e que os horizontes temporais dos investimentos serão compatíveis com a poupança disponível necessária para manter e expandir a estrutura do capital no longo prazo.
E qualquer tentativa de manipular esse arranjo, por exemplo, por meio da redução artificial das taxas de juros, inevitavelmente gerará ciclos econômicos.
Para concluir
Tendo entendido todo o processo acima, o leitor agora está em condições de entender por que é pernicioso existir um Banco Central com liberdade para inflacionar a moeda e, com isso, alterar artificialmente as taxas de juros vigentes na economia.
Uma expansão monetária, ao adulterar as taxas de juros, falsifica todo o cálculo dos empreendedores, e com isso altera todos os processos de produção da economia, fazendo com que empreendimentos insensatos sejam feitos e com que empreendimentos cruciais vivenciem desastrosos aumentos dos custos de produção.
Esse artigo veio bem a calhar. Já li vários artigos sobre a teoria dos ciclos econômicos, assisti a palestras de economistas da EA e estudei a apresentação do Roger Garrison sobre a macroeconomia baseada na estrutura do capital. Tais conceitos são bastante lógicos e, pra mim, bem mais lúcidos que os propagados pelas escolas mainstream.
Contudo, há algumas questões que tenho refletido e gostaria de perguntar ao Leandro ou a qualquer outro colega da EA que queira comentar, quais sejam:
1) Assumimos que em uma economia sem a interferência do Banco Central manipulando artificialmente a taxa de juros, estas seriam definidas de acordo com a preferência temporal dos indivíduos. Ou seja, é o nível de poupança que a determinaria. Então, considerando uma situação em que essa preferência se altere de modo que diminua a poupança e, por conseguinte, cause um aumento na taxa de juros, nesse caso, o custo do investimento foi onerado, como o próprio artigo diz, e o empreendedor reduzirá seu investimento, em especial aquele de longo prazo. Pois bem, e quanto a esse aumento na demanda no presente, suponho que seria atendido ou pelo aumento da produção ou pelo esgotamento dos estoques. Certo? Esse aumento de produção se daria por meio da utilização de uma eventual capacidade ociosa e pelo aumento das horas trabalhadas? Seria esse o investimento em capital na fase final da estrutura?
2) Boa parte das escolas de economia ensina que as decisões de poupança e de investimento se baseiam na taxa de juros. Um aumento da taxa de juros estimula a poupança e desetimula o investimento e vice-versa. Já a EA entende que é a poupança que determina a taxa de juros e, por conseguinte, influencia as decisões de investimento. Eis minha dúvida: seria correto admitir que realmente existe um conflito de pensamentos ou, na verdade, a premissa da EA serve para uma economia sem a intervenção de uma autoridade monetária manipulando artificialmente as taxas de juros e, por outro lado, as demais escolas já consideram essa interferência estatal e, portanto, as hipóteses de ambas, embora possam parecer contraditórias, são válidas, sendo que para cenários distintos?
De antemão obrigado.
Saudações,
Guilherme
Gostaria de entender melhor os processos da chamada Microeconomia, como formação de preços, formação da demanda e da oferta. Alguma sugestão?
Magistral artigo do Prof. Ebeling! Didático, simples, de uma lógica irretocável.
Não consigo parar de me espantar com a coerência lógica e a evidência das teses austríacas. A teoria do capital é uma das mais fantásticas construções teóricas que já conheci, sem dúvida a mais fantástica fora das ciências naturais. É incrível a perfeita coexistência entre um alto grau de coerência interna e evidência externa.
Não consigo entender como é possível que teorias dessa ordem sejam quase completamente desconhecidas no mundo acadêmico, particularmente pelos estudiosos da filosofia da ciência, enquanto “teorias” absolutamente exdrúxulas recebem atenção imerecida.
Prezado Leandro qual a visão da EA acerca da teoria de Prebisch de industrialização por substituição de importações na qual ele afirmava que os preços dos bens industriais são inflexíveis e os preços dos bens primários(agrícolas e minerais)são flexíveis tornando a balança comercial dos países industrializados superavitárias e dos países agrários deficitárias,creio eu que ela entra em contradição com a teoria econômica austríaca.
Prezado Leandro:\r
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Eis trecho de sua resposta ao Guilherme:\r
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“Desnecessário dizer, é claro, que essa situação é absolutamente implausível em um livre mercado, pois esse aumento de juros imediatamente incentivaria as pessoas a pouparem (abrindo mão de seu consumo presente), liberando recursos para o investimento em processos de produção voltados para o longo prazo.”\r
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Pergunto: num sistema econômico sem reservas fracionárias, em que bancos fossem obrigados a manter 100% dos depósitos feitos pelas pessoas, como se liberariam recursos para a produção de longo prazo? Talvez por meio de autorização de depositantes para utilização de seus depósitos? Veja vc que a questão consiste justamente em que, para “realização destes processos de produção requer-se uma determinada quantia de poupança” conforme trecho transcrito do Autor. \r
\r
Por outra forma ainda: utilização de poupança implica a prática de reserva fracionária?\r
Grato.
Leandro, vendo a critica de Bostedo me surgiu uma curiosidade, quais são as criticas a E.A que realmente tem sentido, logica, ou mesmo os pontos que a teoria ainda não resolveu?
O que deixaria um Austríaco de calças curtas em um debate?
Acho que seria interessante se vocês criassem um banco de dados com as bibliografias dos principais membros da EA. Nem a wikipedia em inglês tem todos os livros publicados.
Quando observo o mercado e as distorções constantemente impostas pelos governos sou obrigado a presumir que o valor do capital corrente está em desacordo com seu poder de compra real. Dito de outro modo, não é possível que o euro valha a mesma coisa que ontem (com irrisório viés percentual) se hoje o governo injetou artificialmente não sei quantos bilhões no mercado. O valor do dinheiro corrente obviamente não vale a mesma coisa se diluído por causa de um aumento irreal. Partindo da premissa que essas injeções de capital, mudanças artificiais das taxas de juros, dentro outros mecanismos de controle do mercado, criam distorções quanto ao poder de compra real do dinheiro, deixo a pergunta: Existe como calcular seu poder real de compra? Alguma metodologia, teoria, ilação, qualquer coisa, que possa criar uma inferência quanto ao que cada realzinho realmente poderia comprar numa economia livre de distorções?
Caríssimo Leandro:
“Quanto mais alongado for um processo de produção, maior tende a ser a qualidade do produto final”?
Defina alongado, por favor?E de que modo essa situação influência o aumento de qualidade e a provável escolha pelos consumidores
Cumprimentos
Rui Ribeiro de Magalhães
Não sei se eu entendi a teoria dos juros e os ciclos econômicos. Montei esse esquema aqui, por favor, analisem se está certo:
Cenário normal:
Juros baixos são porque tem muita poupança, o que significa que tem pouco consumo hoje. Resultam em muito investimento de longo prazo, aumentando a oferta e tendem a dar origem no futuro a mais consumo com a mesma % de poupança ou maior, já que houve crescimento econômico.
Juros altos são porque tem pouca poupança, o que significa que tem relativamente muito consumo hoje. Resultam em pouco investimento de longo prazo e tende a dar origem no futuro a menos consumo (em relação ao cenário de juros baixos) e mais poupança que antes (no cenário de juros altos).
Cenário de expansão creditícia artificial:
Juros baixos atravez de inflação: mesmo com pouca poupança real há crédito, o que significa muito consumo hoje e resulta em muitos investimentos de longo prazo, mas não mais consumo no futuro, já que não há poupança a ser gasta no futuro, pois já foi gasta no presente.
Enquanto os juros se manterem ou caírem (oferta monetária aumentando cada vez mais) irá haver consumo pra aqueles investimentos feitos com poupança artificial,
porém, o aumento de preços vai começar a incomodar bastante, e esse aumento corrói a poupança, fazendo os juros subirem, e por isso a oferta monetária tem que crescer
cada vez mais pra que esse ciclo continue, resultando em ainda mais aumentos de preços. Esses aumentos de preços também destróem os lucros, resultando em recessão. Pra evitar que isso ocorra os juros serão aumentados, diminuindo o consumo, e, assim, levando a uma quebradeira geral pra quem achou que sempre haveria demanda (recessão).
Quando o dinheiro novo flui pra um setor em especial, se vê a formação de uma bolha.
Dinheiro pode ser criado do nada tanto por injeção de dinheiro nos bancos, via operações de mercado aberto, quanto por reservas fracionárias.
Crises podem resultar facilmente em muitos calotes, muitos colotes podem levar à falência de bancos, e dado que por causa das reservas fracionárias os bancos são
dependentes entre si, caso não haja alguém que cubra o rombo desse banco, a falência de um pode levar a falência de vários outros, aumentando a recessão na economia.
Eu aprendi mais sobre essa teoria do capital e juros com alguns artigos aqui sobre o Japão, do que com esse. O exemplo empírico é de encher os olhos.
Digo, não sei se entendi bem, algo deve ta faltando… mas na leitura dos artigos e nos comentários, foi explicado o porque que um sistema deflacionário não é ruim e a partir dai conseguir visualizar a teoria com facilidade, a partir da leitura de outros textos.
Digo, se você tem uma deflação, você tem a “mágica” de juros baixos, porque a deflação estimula a poupança – já que o dinheiro de amanhã estará mais valorizado do que o de hoje, vale a pena guardar, mesmo sem juros ou com juros baixos – e não tem a inflação, obvio, estamos numa deflação.
Assim, o investimento com o crédito fácil compete com o investimento de só guardar dinheiro, logo um investimento no setor produtivo tende a alocar recursos mais eficientemente, e num sistema inflacionário a criação de bolhas – má alocação de capital – ou recessõs é mais frequente por não haver incentivo a poupança, ou pelo contrário, ter isentivo ao consumismo. Consumismo faz você comprar produtos que você não quer tanto, só pela oportunidade – ou seja, este mesmo produto estará mais caro amanhã. E isso consome a poupança no presente, que normalmente é substituída por crédito.
Assim o setor produtivo se esforça pra pessoas comprarem produtos que elas não querem, e somada a facilidade de aquisição (quando os juros estão baixos) cria-se bolhas.
Dito isso, percebi que realmente, um sistema deflacionário é mais interessante porque gerá poupança, e é a poupança que promove a produção de riqueza de forma eficiente. No caso Japonês, a poupança deles é consumida pelo governo, e isso gerá estagnação econômica. Isso mostra também que, mesmo num arranjo favorável que é o Japão poupador, o governo é muito ineficiente atuando como empresário – ele destrói capital, não importa o que ele faça com dinheiro.
Não sei se essa interpretação estar certa, mas foi a partir primeiro dela que conseguir entender esse artigo.
A cada minuto que passa a economia brasileira ganha um novo malinvestiment.
Volkswagen obtém R$ 342 milhões do BNDES para carros
g1.globo.com/carros/noticia/2012/07/volkswagen-obtem-r-342-milhoes-do-bndes-para-carros.html
Por que as pessoas emprestam dinheiro sem cobrar juros?
O artigo http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=288 citado pelo Leandro nesta seção não encontra-se disponível. Gostaria de lê-lo na sequência que o Leandro recomendou para entendar a Microeconomia.
Leandro, qual sua opinião sobre o debate entre Sraffa e Hayek? Pelo que tenho pesquisado sobre a TACE, o assunto que mais aparece trata da taxa natural de juros, pelo menos o seu conceito wickselliano. O Murphy aparentemente ficou do lado do Sraffa e acha que ainda não houve uma resposta à altura dos austríacos.
valeu,
Leandro, sendo “O tempo um elemento inseparável da condição humana” ele influi naturalmente nas taxas de juros – preferência temporal.
Mas a tecnologia pode mudar completamente os postulados econômicos. Basta eu emprestar meu suado dinheiro para um empreendedor a uma taxa baixa de juros e enfiar-me numa nave a 99% da velocidade da luz, passados algumas semanas na nave eu voltaria para nosso tempo e estaria rico de tudo, e ainda jovem, bilionário!
Eu tenho certas dúvidas em relação a juros, por exemplo no livro do rothbard “O que o governo fez com nosso dinheiro” há um trecho na página 97:
“Entretanto, quando a elevação de juros acabou com a farra da expansão
monetária, o estrago já estava feito: empresas e famílias no limite do
endividamento, bancos perigosamente alavancados e uma estrutura de
produção completamente insustentável.”
A qual juros seria essa elevação de juros? Seriam os juros normais de empréstimos a pessoas? os juros dos títulos de dívida?
O meu entendimento é que o governo aumenta os juros dos títulos de divida assim os bancos emprestam ao governo dinheiro e como os juros são altos não vale apena emprestar a população à juros baixos e por isso os juros à pessoas normais aumentam.
Esse entendimento está correto?
Ademais, na página 99 temos:
“O rol de ações extraordinárias sem precedentes, no entanto, não
havia acabado. Em questão de meses, o Fed levaria a sua taxa básica de
juros a zero. ”
Seriam esses juros relacionados aos títulos de dívida? Assim funcionaria da mesma forma que meu entendimento anterior só que o contrário, como os títulos não rendem mais, os bancos emprestam mais certo?
Como vocês podem ver eu tenho duvidas basicas sobre o assunto, há algum artigo/livro que explica isso bem?
"Toda intervenção governamental [no mercado] gera consequências não intencionais, que levam a pedidos de novas intervenções governamentais."
Mises
* * *
Um bom dia a todos da equipe Von Mises e ao autor/tradutor desse texto. Fantástico, gostei muito. Sou tradutor e revisor há muitos anos, e esse é um conteúdo que eu me disporia a traduzir/revisar sem custo para esse site, que propaga tão importantes verdades, contrapondo o conteúdo marxista no Brasil. Se desejarem fazer um teste, estou à disposição.
Dinheiro e batatas são dois bens exatamente iguais. Basta saber q vender dinheiro e batatas são morais e os preços serão determinados pelo mercado, ñ importa como se planta batatas ou se faz poupança. O gde problema e, como sempre, a intervenção estatal nos juros q subvertem os juros emitindo dinheiro sem lastro e sem moral, pior, dinheiro q remunera. A criação do BC e a organização da intromissão. Deve ser fechado. A Casa da Moeda pode existir mas emissão de dinheiro na proporção do crescimento do pib e aprovação do congresso.
"Por exemplo, quais seriam os respectivos valores presentes de um investimento que retornasse $ 100 daqui a um ano, daqui a dois ou daqui a três anos, com uma taxa de juros de mercado de, digamos, 10%?
Eles seriam, respectivamente, $ 90,91, $ 82,64 e $ 75,13"
Podem me explicar a matemática desse negócio?
Como que 10% de 100 resulta em um juro de 9.09 em um ano?
Por mim proibiria a usura, como fizeram na Idade Média. Era muito melhor.
“A concorrência é o método de mercado que faz com que a oferta seja sempre correspondente às demandas dos consumidores.” simples assim! qualquer ação que desequilibre essa relação, ferra tudo…
Deve ser terrível viver em lugares como esse abaixo
g1.globo.com/mundo/noticia/2022/07/06/franca-vai-estatizar-totalmente-a-empresa-de-energia-edf.ghtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=share-bar-mobile&utm_campaign=materias
Que sociedade atrasada!!!!
Ontem, com o fim da greve, o BCB atualizou vários dados.
Na questão do M1, em saldo de final de período, entre abril de 2021 e 27 de abril de 2022, houve uma queda de – 3,58 %.
Devo deduzir de que houve quedas também nos meses de maio e junho, cujos dados ainda não foram lançados.
Ressuscitaram um perfeito artigo. Pena que tem muita comentarios sem respost as duvidas