Há dois sentidos possíveis para o termo “conservador”. O primeiro classifica como conservador alguém que normalmente apoia o status quo, ou seja, uma pessoa que deseja conservar as leis, as regras, as regulações e os códigos morais e comportamentais que existem em um determinado ponto no tempo.
Dado que diferentes leis, regras e instituições políticas existiram em tempos diferentes e/ou em locais diferentes, aquilo que um conservador apoia depende do lugar e do tempo, modificando-se de acordo. Portanto, nesse sentido, ser um conservador não denota nada de específico, exceto gostar da ordem existente, qualquer que seja ela.
O primeiro sentido, então, pode ser descartado. O termo “conservador”, portanto, deve possuir uma acepção diferente. O único significado que ele pode ter é este: “conservador” se refere a alguém que acredita na existência de uma ordem natural, de um estado de coisas natural, que corresponde à natureza das coisas; que se harmoniza com a natureza e o homem.
Essa ordem natural, é claro, pode ser perturbada por acidentes e anomalias: terremotos e furacões; doenças e pragas; pelo surgimento de desajustados e idiotas; e por guerras, conquistas e tiranias. Mas não é difícil distinguir o normal do anormal (anomalias); o essencial do acidental.
Um pouco de abstração dissipa todas as confusões e permite que quase todos “vejam” o que é e o que não é natural, o que se encontra e não se encontra de acordo com a natureza das coisas. Além disso, o natural é, ao mesmo tempo, o estado de coisas mais duradouro. A ordem natural das coisas é antiga e sempre a mesma (apenas anomalias e acidentes sofrem mudanças); portanto, ela pode ser reconhecida por nós em todos os lugares e em todos os tempos.
“Conservador” refere-se a alguém que sabe distinguir aquilo que é antigo e natural daquilo que representam anomalias e acidentes circunstanciais. Conservador é alguém que defende, apoia e ajuda a preservar o tradicional e o natural contra aquilo que é temporário e o anômalo.
No âmbito das ciências humanas, incluindo as ciências sociais, o conservador reconhece que as famílias (pais, mães, filhos, netos) e os lares familiares que têm base na propriedade privada e na cooperação voluntária com os outros lares familiares como sendo as unidades sociais mais fundamentais, mais naturais, mais essenciais, mais antigas e mais indispensáveis.
Adicionalmente, a família (o lar familiar) também representa o modelo da ordem social em geral. Assim como existe uma ordem hierárquica no seio de uma família, há uma ordem hierárquica dentro de uma comunidade de famílias — de aprendizes e servos, e de mestres, vassalos, cavaleiros, lordes, senhores feudais e até mesmo reis — vinculada por um elaborado e complexo sistema de relações de parentesco. E há uma ordem hierárquica dentro de uma comunidade de crianças, pais, sacerdotes, bispos e cardeais, patriarcas ou papas e, finalmente, um Deus transcendente.
Das duas camadas de autoridade, o poder físico terreno de pais, lordes e reis encontra-se naturalmente subordinado e submetido ao controle da máxima autoridade espiritual e intelectual de padres, sacerdotes, bispos e, por fim, Deus.
Os conservadores (ou, mais especificamente, os conservadores ocidentais greco-cristãos), caso eles apoiem alguma coisa, apoiam e desejam preservar a família, as hierarquias sociais e as camadas de autoridade material e espiritual/intelectual baseadas em — e decorrentes de — laços familiares e em relações de parentesco.
Os problemas com o conservadorismo contemporâneo
O conservadorismo moderno mostra-se confuso e distorcido. Essa confusão decorre em grande parte da democracia.
Sob a influência da democracia representativa, e com a transformação dos EUA e da Europa em democracias de massa após a Primeira Guerra Mundial, o conservadorismo, que era uma força ideológica anti-igualitarista, aristocrática e antiestatista, passou a ser um movimento de estatistas culturalmente conservadores: isto é, formado pela ala direita dos socialistas e dos social-democratas.
A
maioria dos autoproclamados conservadores contemporâneos está preocupada —
como, na verdade, deveria estar — com a decadência das famílias, com o
divórcio, com a ilegitimidade, com a perda da autoridade, com o
multiculturalismo, com os estilos de vida alternativos, com a desintegração do
tecido social, com a promiscuidade e com a criminalidade. Todos esses fenômenos
representam anomalias e desvios escandalosos da ordem natural.
O conservador, com efeito, deve se opor a todos esses acontecimentos e tentar restabelecer a normalidade. No entanto, a maior parte dos conservadores contemporâneos (pelo menos a maioria dos porta-vozes do establishment conservador) não reconhece que o seu objetivo de restaurar a normalidade exige mudanças sociais mais drásticas — até mesmo revolucionárias e antiestatistas.
Os conservadores que estão genuinamente preocupados com a desagregação familiar ou com a disfunção e a devassidão cultural deveriam começar a centrar sua artilharia justamente naqueles órgãos estatais responsáveis pela proliferação da poluição moral e cultural — como o Ministério da Educação, o Ministério da Cultura, e todos os demais programas de governo que propõem políticas racialistas e feministas. Todos eles devem ser fechados ou diminuídos em tamanho.
O problema é que, entre os conservadores, ainda não se vê essa oposição inflexível ao envolvimento do estado no campo educacional. Não há o reconhecimento de que a ordem natural na educação significa que o estado não tem nada a ver com ela. A educação é um assunto totalmente familiar.
Além disso, não há o reconhecimento de que a degeneração moral e a promiscuidade cultural possuem causas mais profundas, não podendo ser simplesmente curadas por modificações no currículo escolar (impostas pelo estado) ou por exortações e declamações.
Pelo contrário: os atuais conservadores afirmam que a virada cultural — o restabelecimento (a restauração) da normalidade — pode perfeitamente ser alcançada sem uma mudança fundamental na estrutura do moderno estado de bem-estar social (assistencialista). Quase todos os conservadores defendem explicitamente as três instituições centrais do estado de bem-estar social: a previdência social (seguridade social), a saúde pública (estatal) e o seguro-desemprego.
Eles ainda desejam ampliar as responsabilidades “sociais” do estado, atribuindo-lhe a tarefa de “proteger” os empregos na indústria nacional — por meio de restrições à importação e desvalorizações cambiais.
Sendo assim, há uma questão fundamental a ser abordada: partindo do princípio de que o conservadorismo cultural e a economia social/socialista podem ser psicologicamente combinados (isto é, admitindo que as pessoas possam manter simultaneamente essas duas visões sem sofrerem dissonância cognitiva), será que eles podem também ser combinados em termos de eficácia e de prática (econômica e praxeologicamente)?
É possível manter o nível atual de socialismo econômico (previdência social, seguro-desemprego, saúde e educação estatais, entre outras coisas) e alcançar a meta de restaurar a normalidade cultural (as famílias naturais e as regras normais de conduta)?
A maioria dos conservadores não sente a necessidade de levantar esse tema, pois acreditam que a política é apenas uma questão de vontade e poder. Eles não acreditam em coisas como as leis econômicas. Caso as pessoas desejem alguma coisa e tenham o poder de implementar a sua vontade, tudo pode ser alcançado. Ludwig von Mises caracterizava essa crença como “historicismo”, que era a postura intelectual dos Kathedersozialisten alemães, os acadêmicos Socialistas de Cátedra, os quais justificavam todas e quaisquer medidas estatistas.
Mas o desprezo historicista e a ignorância da ciência econômica não alteram o fato de que existem inexoráveis leis econômicas. Nenhum desejo ou pensamento mágico pode fazer com que tais leis desapareçam. Acreditar no contrário somente pode resultar em fracasso real.
“Na verdade”, observou Mises, “a história econômica é um longo registro de políticas governamentais que fracassaram porque foram projetadas e implementadas com um ousado desrespeito às leis da economia”. À luz das elementares e imutáveis leis econômicas, o programa do conservadorismo atual é apenas um sonho ousado, mas impossível. Nenhum desejo pode alterar o fato de que a manutenção das instituições centrais do atual estado de bem-estar social (assistencialista) e o restabelecimento da família, das normas, da conduta e da cultura tradicionais são metas incompatíveis. Você pode ter ou um — o socialismo (o bem-estar social) — ou outro — a moral tradicional –, mas você não pode ter ambos simultaneamente, pois tais características socialistas (os pilares do atual sistema estatal de bem-estar social que alguns conservadores pretendem deixar intactos) é a própria causa das anomalias culturais e sociais.
A fim de esclarecer esse ponto, é necessário tão-somente recordar uma das leis mais fundamentais da economia que assevera que toda redistribuição compulsória de riqueza ou de renda, independentemente dos critérios em que se baseia, implica tomar à força de alguns — os ricos (os possuidores de algo) — e dar a outros — os pobres (os não possuidores de algo). Assim, o incentivo para ser um possuidor é reduzido, e o incentivo para ser um não-possuidor é estimulado.
Aquilo que o possuidor tem é, caracteristicamente, algo considerado “bom”; e aquilo que o não-possuidor não tem é algo “ruim” ou uma deficiência. Na verdade, esta é a ideia subjacente a qualquer redistribuição: alguns possuem muitas coisas boas, e outros não possuem o suficiente dessas coisas.
O resultado de toda redistribuição, portanto, é que serão produzidos menos bens e cada vez mais males, menos perfeição e mais deficiências. Com a prática de subsidiar com fundos públicos (recursos tomados à força de outros) as pessoas que são pobres, mais pobreza será criada. Com a prática de subsidiar determinados indivíduos porque estes estão desempregados, mais desemprego será criado. Com a prática de subsidiar as mães solteiras, haverá mais mães solteiras e mais filhos ilegítimos.
Obviamente, esse insight fundamental se aplica a todo o sistema (assim denominado) de Previdência Social, o qual foi criado ainda em 1880 na Europa Ocidental. Trata-se, em teoria, de um sistema de “seguro” governamental compulsório contra a velhice, contra a doença, contra os acidentes de trabalho, contra o desemprego, e contra a indigência (entre tantos outros problemas). Em conjunto com o (ainda mais antigo) sistema compulsório de educação pública, essas instituições e essas práticas equivalem a um ataque maciço contra a instituição da família e a responsabilidade pessoal (individual).
Com a prática de aliviar os indivíduos da obrigação de prover os seus próprios rendimentos, a sua própria saúde, a sua própria segurança, a sua própria velhice e a educação das suas próprias crianças, um comportamento mais imediatista passa a ser adotado em detrimento de um comportamento mais frugal e de uma visão mais voltada para o longo prazo. Igualmente, o valor do casamento, da família, dos filhos e das relações de parentesco também é diminuído.
A irresponsabilidade, o imediatismo, a aversão a uma visão de longo prazo, a negligência, a doença e o descuido são promovidos; e a responsabilidade, a visão de longo prazo, a diligência, a saúde e a conservação são desencorajadas e punidas.
O sistema de Previdência Social compulsório, com a sua prática de subsidiar os aposentados (os velhos) por meio dos impostos cobrados dos atuais assalariados e criadores de riqueza (os jovens), enfraqueceu sistematicamente o natural vínculo intergeracional entre pais, avós e filhos. Os idosos, caso não tenham feito qualquer poupança para a sua própria velhice, já não mais precisam contar com a ajuda dos seus filhos; e os jovens (os quais, em geral, possuem menos riqueza acumulada) devem sustentar os velhos (os quais, normalmente, detêm mais riqueza acumulada) — em vez de as coisas serem o contrário (como é típico no seio das famílias).
Assim, no mundo de hoje, as pessoas não só desejam ter menos filhos — e, de fato, as taxas de natalidade caíram pela metade desde o início das modernas políticas de Previdência Social (assistencialistas) –, mas também o respeito que os jovens tradicionalmente concediam aos seus anciãos é diminuído, e todos os indicadores de desintegração (e de disfunção) familiar — como as taxas de divórcio, de ilegitimidade, de abuso por parte dos filhos, de abuso por parte dos pais, de maus tratos conjugais, de família monoparental, de celibato, de estilos de vida alternativos e de aborto — aumentaram.
Ademais, com a socialização (estatização) do sistema de saúde e da regulação estatal do setor de seguros (restringindo o direito de recusa das seguradoras; isto é, o direito delas de excluir qualquer risco individual como impossível e de discriminar livremente, de acordo com métodos atuariais, diferentes grupos de riscos), criou-se uma máquina monstruosa de redistribuição de riqueza e de renda. E tudo à custa de pessoas responsáveis e de grupos de baixo risco e em favor de indivíduos irresponsáveis e de grupos de alto risco.
Os subsídios para os doentes (os enfermos) e os incapacitados (os inválidos) fomentam a doença (a enfermidade) e a incapacitação (a invalidez) e enfraquecem a vontade de trabalhar para o próprio sustento e de levar uma vida saudável. Não é possível fazer melhor do que citar Ludwig von Mises mais uma vez:
“Não existe uma fronteira claramente definida entre a saúde e a doença. Estar doente não é um fenômeno independente de vontade consciente e de forças psíquicas atuando no subconsciente. A eficiência de um homem não é meramente o resultado de sua condição física; ela depende amplamente de sua mente e de sua determinação.
O aspecto destrutivo do seguro-saúde e do seguro contra acidentes está, acima de tudo, no fato de que tais instituições promovem (subsidiam) acidentes e doenças, retardam a recuperação, e muito frequentemente criam, ou de alguma forma intensificam e prolongam, os distúrbios funcionais que se seguem às doenças ou aos acidentes.
Sentir-se saudável é bem diferente de estar saudável no sentido médico. Ao enfraquecer ou destruir completamente a vontade de estar bem e apto para o trabalho, a seguridade social cria doença e incapacidade de trabalho; ela produz o hábito da lamúria, que por si só é uma neurose, além de neuroses de outros tipos.
Como instituição social, ela adoenta as pessoas tanto corporeamente quanto mentalmente — ou, no mínimo, ajuda a multiplicar, prolongar e intensificar enfermidades. A seguridade social, dessa forma, fez com que a neurose do segurado se tornasse uma perigosa doença pública. Caso essa instituição seja ampliada e desenvolvida, a doença irá se espalhar. E não há reforma alguma que possa ajudar. Não se pode enfraquecer ou destruir o desejo de se ter saúde sem que isso acabe produzindo mais enfermidades”.
O que já deveria estar claro para os conservadores é que a maior parte, se não a totalidade, da degradação moral e da devassidão cultural — que são claros sinais de retrocesso civilizatório — que verificamos ao nosso redor são os resultados inevitáveis e inescapáveis do estado de bem-estar social (assistencialista) e das suas principais instituições.
Os conservadores clássicos, ao estilo antigo, sabiam disso; e eles se opuseram vigorosamente à educação pública e à Previdência Social. Eles sabiam que os estados em qualquer parte do mundo intencionavam deteriorar, e, em última análise, destruir, as famílias (bem como as instituições, as camadas e as hierarquias de autoridade que são a consequência natural das comunidades baseadas em famílias) para, então, aumentar e reforçar o seu próprio poder.
Eles sabiam que, a fim de fazê-lo, os estados teriam de tirar proveito da revolta natural dos adolescentes (dos jovens) contra a autoridade paternal. E eles sabiam que a educação socializada e a responsabilidade socializada eram os meios de atingir essa meta. A educação pública e a Previdência Social fornecem uma possibilidade para os jovens rebeldes de escapar da autoridade paternal (de escapar de punições por comportamentos impróprios).
Os velhos conservadores sabiam que essas políticas emancipariam o indivíduo da disciplina imposta pela vida familiar e comunitária apenas para submetê-lo, em vez disso, ao controle direto e imediato do estado. Adicionalmente, eles sabiam — ou pelo menos tinham um palpite sobre isso — que tais práticas conduziriam a uma infantilização sistemática da sociedade; a um retrocesso, tanto em termos emocionais quanto em termos mentais (intelectuais), da idade adulta para a adolescência ou a infância.
A ideia de combinar o conservadorismo cultural com o estatismo de bem-estar social (assistencialista) é impossível, sendo, portanto, um disparatado absurdo econômico. O estatismo de bem-estar social — na prática, não importando a maneira ou a forma, trata-se de previdência social — fomenta a degradação e a degeneração moral e cultural. Assim, se há uma genuína preocupação com a decadência moral da sociedade e se há o desejo de que se restabeleça a normalidade no tocante à sociedade e à cultura, é necessário opor-se a todos os aspectos do moderno estado assistencialista.
O retorno à normalidade exige, no mínimo, a completa eliminação do atual sistema de Previdência Social (do seguro-desemprego, da seguridade social, da saúde pública, da educação pública, e dos Ministérios relacionados a essas questões) e, em seguida, a dissolução completa do aparato estatal e do poder governamental atual. Se o objetivo é restaurar a normalidade, os recursos e o poder do governo devem diminuir até os níveis apresentados no século XIX ou mesmo ficar abaixo deles.
Portanto, os verdadeiros conservadores devem ser libertários de linha dura (antiestatistas). O conservadorismo de hoje é falso: ele deseja o retorno à moralidade tradicional, mas ao mesmo tempo defende a manutenção das próprias instituições responsáveis pela perversão e pela destruição da moral tradicional.
O problema com alguns autoproclamados libertários
A fim de restabelecer a normalidade social e cultural, os verdadeiros conservadores só podem ser libertários radicais, e eles devem exigir a demolição de toda a atual estrutura do aparato estatal, pois ela é uma perversão moral e econômica.
No entanto, há uma conhecida resistência de vários conservadores ao libertarianismo. Não desejo aqui aprofundar a análise ou a defesa da teoria libertária. Em vez disso, desejo voltar à questão da relação entre o libertarianismo e o conservadorismo (a crença em uma ordem social natural baseada e centrada nas famílias). Alguns comentaristas superficiais — principalmente do lado conservador –, como Russell Kirk, caracterizaram o libertarianismo e o conservadorismo como ideologias incompatíveis, hostis ou até mesmo antagônicas. [i]
Na verdade, esse ponto de vista está completamente errado. A relação entre o libertarianismo e o conservadorismo é uma relação de compatibilidade praxeológica, de complementaridade sociológica e de reforço recíproco.
Para explicar isso, deixem-me enfatizar, em primeiro lugar, que a maioria — mas não a totalidade — dos principais pensadores libertários, como uma questão de dado empírico, era formada por conservadores sociais e culturais: por defensores dos costumes e da moralidade burgueses tradicionais.
Mais notadamente, Murray Rothbard — o pensador libertário mais importante e mais influente — era um assumido conservador cultural. Também o era o professor mais importante de Rothbard, Ludwig von Mises. (Ayn Rand, uma outra grande influência sobre o libertarianismo contemporâneo, é um caso diferente, é claro.) [ii]
Embora isso não revele muito (prova-se apenas que o libertarianismo e o conservadorismo podem ser psicologicamente reconciliados), trata-se de um indicativo de uma afinidade substancial entre as duas doutrinas. Não é difícil reconhecer que a visão conservadora e a visão libertária da sociedade são perfeitamente compatíveis (congruentes).
Não irei me estender aqui em todas as explicações sobre o porquê de ser assim. Irei apenas me limitar a dizer que a teoria libertária pode realmente fornecer ao conservadorismo uma definição mais precisa e uma defesa moral mais rigorosa do seu próprio objetivo (o retorno à civilização sob a forma de normalidade moral e cultural) do que o próprio conservadorismo jamais conseguiria elaborar. Ao fazê-lo, ela pode afiar e fortalecer a tradicional visão de mundo antiestatista do conservadorismo. [iii]
O problema que quero abordar é outro.
Ainda que os criadores intelectuais do libertarianismo moderno fossem conservadores culturais — e ainda que a doutrina libertária seja totalmente compatível (congruente) com a visão de mundo conservadora (não implicando, como alegam alguns críticos conservadores, um “individualismo atomístico” e um “egoísmo ganancioso”) –, o movimento libertário sofreu uma transformação significativa.
Em larga medida (e de forma completa aos olhos da mídia e do público), ele se tornou um movimento que combina o antiestatismo radical e a economia de mercado com o esquerdismo cultural, o multiculturalismo e o hedonismo pessoal. Ou seja, ele é exatamente o contrário de um programa culturalmente conservador: trata-se de um capitalismo contracultural.
Lamentavelmente, muito do libertarianismo contemporâneo é falso, sendo, na verdade, um libertarianismo contraproducente (assim como as atuais correntes predominantes do conservadorismo).
O fato de que grande parte do libertarianismo moderno é culturalmente esquerdista não se deve a inclinações dessa natureza entre os principais teóricos libertários. Conforme foi observado, eles eram, em sua maioria, conservadores culturais. Em vez disso, trata-se do resultado de uma compreensão superficial da doutrina libertária por muitos dos seus fãs e seguidores; e essa ignorância encontra a sua explicação em uma coincidência histórica e na mencionada tendência (inerente e ínsita) do estado social-democrático assistencialista (de bem-estar social) a promover um processo de infantilização intelectual e emocional (processo de descivilização da sociedade).
O movimento libertário moderno começou nos Estados Unidos na metade da década de 1960. Em 1971, o Partido Libertário americano foi fundado; e, em 1972, o filósofo John Hospers foi nomeado o seu primeiro candidato presidencial. Era o tempo da Guerra do Vietnã.
Ao mesmo tempo, promovido pelos grandes “avanços” no crescimento do estado de bem-estar social (assistencialista) a partir do início e da metade da década de 1960 nos Estados Unidos e, da mesma forma, na Europa Ocidental (a chamada legislação dos direitos civis e a guerra contra a pobreza), surgiu um novo fenômeno de massa. Emergiu um novo “lumpenproletariado” de intelectuais e de jovens intelectualizados — os produtos de um sistema em constante expansão de educação socialista (pública) — “alienados” da moralidade e da cultura do mainstream “burguesa” (mesmo vivendo com muito mais conforto do que o lumpenproletariado de antigamente graças à riqueza criada por essa cultura dominante).
O multiculturalismo e o relativismo cultural (“viva e deixe viver”) e o antiautoritarismo igualitarista (“não respeite nenhuma autoridade”) deixaram de ser meras fases temporárias e transitórias de desenvolvimento mental (adolescência) e foram elevadas ao status de atitudes permanentes entre intelectuais adultos e os seus alunos.
A oposição íntegra (com princípios) dos libertários à guerra do Vietnã coincidiu com uma oposição pouco difusa da nova esquerda a essa guerra. Adicionalmente, a conclusão anarquista da doutrina libertária atraiu e agradou a esquerda contracultural. Afinal, a ilegitimidade do estado e o axioma da não agressão (segundo o qual não se permite a iniciação — ou a ameaça da iniciação — do uso da força física contra outras pessoas e os seus bens) não implicavam que todos tivessem a liberdade de escolher o seu próprio estilo de vida não agressivo? Isso não implicava que a vulgaridade, a obscenidade, a grosseria, o uso de drogas, a promiscuidade, a pornografia, a prostituição, o homossexualismo, a poligamia, a pedofilia ou qualquer outra anormalidade imaginável, na medida em que constituíam crimes sem vítimas, fossem estilos de vida e atividades perfeitamente normais e legítimos?
Portanto, não é de se surpreender que, a partir do seu início, o movimento libertário atraiu um número anormalmente elevado de seguidores desequilibrados e perversos.
Subsequentemente, o ambiente contracultural e a “tolerância” multicultural e relativista do movimento libertário atraiu um número ainda maior de desajustados, de fracassados (tanto em termos pessoais quanto em termos profissionais) ou de simples derrotados. Murray Rothbard, em nojo, chamou-os de “libertários vazios” e os identificou como libertários “modais” (típicos e representantes).
Eles fantasiavam uma sociedade em que todos estariam livres para escolher e cultivar
quaisquer estilos de vida, carreiras ou características que não fossem agressivos e em que, graças à economia de livre mercado, todos poderiam fazê-lo em um nível elevado de prosperidade geral.
Ironicamente, o movimento que estabeleceu o objetivo de desmantelar o estado e de restaurar a propriedade privada e a economia de mercado foi, em larga medida, apropriado e moldado em sua face externa pelos produtos mentais e emocionais do estado de bem-estar social (assistencialista): a nova classe de adolescentes permanentes. [iv]
[i] Ver Russell Kirk, The Conservative Mind (Chicago: Regnery, 1953); e idem, A Program for Conservatives (Chicago: Regnery, 1955).
[ii] Sobre Murray N. Rothbard, ver os tributos a Rothbard: In Memoriam, editado por Llewellyn H. Rockwell Jr. (Auburn, Alabama: Ludwig von Mises Institute, 1995), especialmente o tributo de Joseph T. Salerno; sobre Ludwig von Mises, ver: Murray N. Rothbard, Ludwig von Mises: Scholar, Creator, Hero (Auburn, Alabama: Ludwig von Mises Institute, 1988); Jeffrey A. Tucker e Llewellyn H. Rockwell Jr., “The Cultural Thought of Ludwig von Mises”, em Journal of Libertarian Studies, 10, n. 1 (1991); sobre Ayn Rand, ver: Tuccille, It Usually Begins with Ayn Rand; Murray N. Rothbard, The Sociology of the Ayn Rand Cult (Burlingame, California: Center for Libertarian Studies, [1972] 1990); e, da perspectiva dos prosélitos de Rand (“randianos”), ver Barbara Branden, The Passion of Ayn Rand (Garden City, N. Y.: Doubleday, 1986).
[iii] Sobre a relação entre o conservadorismo (tradicionalista) e o libertarianismo (racionalista), ver Ralph Raico, “The Fusionists on Liberalism and Tradition”, em New Individualist Review, 3, n. 3 (1964); M. Stanton Evans, “Raico on Liberalism and Religion”, em New Individualist Review, 4, n. 2 (1966); Ralph Raico, “Reply to Mr. Evans”, em ibidem; ver também: Freedom and Virtue: The Conservative Libertarian Debate, editado por George W. Carey (Lanham, Maryland: University Press of America, 1984).
[iv] Murray N. Rothbard forneceu o seguinte retrato do “libertário modal” (LM):
Na verdade, o LM é homem. (…) O LM se encontrava na faixa dos seus vinte anos há vinte anos e, agora, encontra-se na faixa dos seus quarenta anos. Isso não é nem tão banal nem tão benigno como parece, pois significa que o movimento realmente não cresceu nos últimos vinte anos. (…) O LM é bastante promissor e bastante versado na teoria libertária. Mas ele não sabe nada e não se interessa pela história, pela cultura, pelo contexto da realidade ou pelos assuntos mundiais. (…) O LM, infelizmente, não odeia o estado por vê-lo como o instrumento social exclusivo da agressão organizada contra a pessoa e a propriedade. Em vez disso, o LM é um adolescente que se rebela contra todos ao seu redor: em primeiro lugar, contra os seus pais; em segundo lugar, contra a sua família; em terceiro lugar, contra os seus vizinhos; e, por fim, contra a própria sociedade. Ele se opõe especialmente às instituições da autoridade social e cultural: em particular, à burguesia da qual ele proveio, às normas e às convenções burguesas e às instituições da autoridade social (como as igrejas).
Para o LM, então, o estado não é o único problema; ele é apenas a parte mais visível e mais detestável das várias instituições burguesas odiadas: vem daí o estusiasmo com que o LM aperta o botão do ‘questione a autoridade’.
E daí se origina também a fanática hostilidade do LM ao cristianismo. Eu costumava pensar que esse ateísmo militante era apenas uma função do randianismo do qual a maioria dos libertários modernos surgiu há duas décadas. Mas o ateísmo não é a chave — pois aquele que anunciasse, em uma reunião libertária, que era um bruxo ou um adorador do cristal de energia ou de alguma besteira da Nova Era seria tratado com grande tolerância e respeito. Somente os cristãos eram os alvos dos abusos; e, claramente, a razão dessa diferença de tratamento não tinha nada a ver com o ateísmo.
Isso tinha tudo a ver com a rejeição (e o desprezo) pela cultura burguesa; e todo tipo de causa cultural maluca seria promovido a fim de torcer o nariz da odiada burguesia.
Na verdade, a atração original do LM pelo randianismo era parte integrante da sua revolta adolescente: que maneira de racionalizar e sistematizar a rejeição aos pais, familiares e vizinhos seria melhor do que aderir a um culto que denunciava a religião e que proclamava a superioridade absoluta de si mesmo (do ego) e dos seus cultuados líderes, em contraste com os robóticos ‘intermediários’ que supostamente povoavam o mundo burguês? Um culto que, além disso, conclama os seus prosélitos a desprezar os pais, a família e os associados burgueses e a cultivar a suposta grandeza do próprio ego individual (convenientemente orientado, é claro, pela liderança randiana).
O LM também possui o ‘olhar longínquo’ dos fanáticos. Ele está apto a agarrar você pela força na primeira oportunidade e a discorrer extensamente sobre as suas próprias ‘grandes descobertas’ contidas em seu poderoso manuscrito que está clamando para ser publicado, mas que nunca será publicado — e ele diz que isso é uma conspiração do poder constituído. (…) Mas, acima de tudo, o LM é um vadio, um vigarista e, muitas vezes, um verdadeiro bandido. A sua atitude básica em relação aos outros libertários é ‘a sua casa é a minha casa’. (…) Em suma, articulem eles ou não essa ‘filosofia’, os [LMs] são comunistas libertários: alguém que possua propriedade automaticamente tem de ‘compartilhá-la’ com os demais membros da sua ‘família’ libertária ampliada.
(Murray N. Rothbard, “Why Paleo?”, em Rothbard—Rockwell Report, 1, n. 2 [maio de 1990]: 4–5; ver também: idem, “Diversity, Death and Reason”, em Rothbard—Rockwell Report, 2, n. 5 [maio de 1991]).
Consultar também: Llewellyn H. Rockwell Jr., The Case for Paleolibertarianism and Realignment on the Right (Burlingame, Califórnia: Center for Libertarian Studies, 1990).
Hoppe como sempre brilhante! Botando o Tucker no lugar dele
Artigo excelente!
Se esse tipo de abordagem não reconciliar os conservadores e libertários, nada o fará.
Eu pude reconhecer o erro do apelo estatista de muitos conservadores, e mais importante, fiquei satisfeito de ver que é possível um libertário não ser um antiautoritário fanático, que acha que toda e qualquer autoridade é ruim e deve ser destruída, mesmo aquelas estabelecidas de forma orgânica, como fruto da interação humana e com o intuito de preservar os valores que construíram a civilização. Eu tenho grandes ressalvas com o libertarianismo, talvez justamente pelo que aponta o Hans-Hermann Hoppe aqui, muitos libertários parecem ser apenas hedonistas e relativistas morais que encontraram no libertarianismo um arcabouço intelectual para corroborar seu desejo de reconstrução da natureza humana, e da destruição de todos os valores que sustentam a ordem civilizacional. Acho que agora compreendo melhor porque existem tantos esquerdistas/progressistas entre os libertários, e que estes estão desvirtuando o que o libertarianismo de fato é.
Excelente, e extremamente pertinente. Hoppe coloca os pingos nos i’s e não deixa margem para dúvidas. Quase sempre, ao debater com um “conservador”, este acabava ficava revoltado pelo meu uso das aspas, e não entendia quando me referia aos verdadeiros conservadores, utilizando o sentido exposto por Hoppe logo acima.
Não consigo entender Rothbard. No começo ele colocou o Libertarianismo na esquerda. Não sei quando ele foi objetivista. E depois foi se engraçar com os conservadores.
Já vi uma crítica sobre isso, quando a esquerda estava órfã do socialismo, ao invés dos libertários dominarem-a, não, foram todos para o o colo dos paleo-libers/paleo-cons. Se não me engano foi aí que a esquerda se tornou massivamente social-democrata nos EUA.
Excelente artigo, devemos divulgar para deixar esta “alinça” bem clara pra muita gente.
A ser lido por todos libertários e conservadores, e por libertários-conservadores!
“Afinal, a ilegitimidade do estado e o axioma da não agressão não implicavam que todos tivessem a liberdade de escolher o seu próprio estilo de vida não agressivo? Isso não implicava que a vulgaridade, a obscenidade, a grosseria, o uso de drogas, a promiscuidade, a pornografia, a prostituição, o homossexualismo, a poligamia, a pedofilia ou qualquer outra anormalidade imaginável, na medida em que constituíam crimes sem vítimas, fossem estilos de vida e atividades perfeitamente normais e legítimos?”
Pedofilia??? WTF???
Conheci os escritos de Hoppe muito recentemente (esse ano). Sou um fã. E agora sei o que sou. Sou um libertário linha dura.
Discordo de alguns pontos.
Ao passo em que há possibilidade de conciliação psicológica entre um pensamento conservador e a defesa do libertarianismo, não é o que ocorre na maior parte das vezes. O libertarianismo é muito restrito em escopo (propriedade privada, PNA, devido processo legal), e não faz outras prescrições sobre moralidade.
Não há razão para que a moral conservadora seja a única que permita que o libertarianismo funcione. Nem há motivo para que a tolerância de diversas noções de moral (com livre mercado) mine as bases do libertarianismo.
Quando Hoppe parafraseia Rothbard sobre os Libertários modais, não há como não se lembrar de imediato do Daniel Fraga e muitos outros libertários no facebook e youtube, que gostam de pregar o libertarianismo sem nem ao menos conhecê-lo profundamente – Pra eles o negócio é negar o estado e nada mais.
##”Afinal, a ilegitimidade do estado e o axioma da não agressão não implicavam que todos tivessem a liberdade de escolher o seu próprio estilo de vida não agressivo? Isso não implicava que a vulgaridade, a obscenidade, a grosseria, o uso de drogas, a promiscuidade, a pornografia, a prostituição, o homossexualismo, a poligamia, a pedofilia ou qualquer outra anormalidade imaginável, na medida em que constituíam crimes sem vítimas, fossem estilos de vida e atividades perfeitamente normais e legítimos?”##
*Rhyan*, você está ciente que nem toda libertário da EA não é um anarquista, não é?
Silêncio no recinto! Hoppe, o maior intelectual vivo, está falando!
Eu já escrevi isso aqui e repito:
Para mostrar para os outros o que é anarco-capitalista, e do porque ele é melhor que qualquer um, eu uso uma forma popular que é:”SUA PROPRIEDADE PRIVADA(RESIDÊNCIA OU EMPRESA)SERÁ SUA NAÇÃO, SEU PAÍS E SUA LEI.”
Achei este texto do HHH, na parte onde analisa esta ”ala” libertaria, um espantalho absurdo … decepcionante vindo de um teórico que eu gosto muito … prefiro a explicação do Rothbard, a respeito do “libertário modal” … que pode ser encontrada na IV nota. Alem disto, a distinção entre Libertarianismo e libertinagem é coisa tao obvia, que querer sofisticar o assunto, leva a esta bagunça argumentativa que o HHH fez.
Minha opinião (talvez não tenha ”percebido” o argumento dele)
Não tenho paciência para ler artigos extensos,falha minha,mas sou libertário desde a juventude,flertei com a esquerda desde a juventude,numca gostei de conservadores no sentido popular e a conclusão que cheguei é que infelizmente a maioria das pessoas são conservadoras estatistas e me dá caláfrios todo tipo de apoio a qualquer forma de ditaduras seja de direita,esquerda,centrista,seja lá o que for e até aceito a tese minarquista mas com ressalvas,pois a característica autoritária do estado faz parte do seu DNA seja estado mínimo,seja estado máximo,quanto aos valores judaico-cristão sou favorável até porque são os homens que gostam de deturpar o evangelho pois nosso senhor Jesus Cristo não quer ninguém a força,mas os sacerdotes disputam a unhas e dentes cada fiel que existe,haja proselitismo,enfim sou libertário e repilo toda forma de subjugo seja estatista,religioso,mercantilista e viva o libertarianismo.
Sou novata nos estudos do Libertarianismo e não me considero ainda libertária, já que tenho muito o que aprender. Mas confesso que sinto muito medo quando leio artigos como esse que envolvem conservadorismo e o chamado “libertarianismo linha dura”. Por que complicar tanto? Será que um dia poderemos viver em uma sociedade que se respeite, que possua uma economia decente e que não esteja empenhada em rotular os seres humanos? Aqueles que forem produtivos e estiverem contribuindo para uma sociedade melhor e como diz o professor Alberto Oliva: “que não prejudique terceiros”, que problema há em não fazer a “linha dura”? É tão grave assim?
Espero conseguir ler muito mais autores e não me sentir tão abalada ao me deparar com artigos como esse. Nada contra o autor deste artigo, nem o conheço, mas realmente me enfraqueço de esperança quando tento digerir essa parte pesada e retrógrada do pensamento humano. Mas é só a minha humilde opinião.
Desculpem o desabafo e se fiz mal em comentar. Apenas acho que jamais farei parte de um conservadorismo clássico e tampouco me tornarei uma libertária linha dura.
Os libertários não se cansam de brigar com os liberais e com os conservadores.. ô tristeza.
A esquerda já aprendeu a “unir os divergentes para lutarem contra os antagônicos”.
Parem com isso, amigos!
Artigo extraordinário!
De fato, é incoerente ser um conservador e apoiar o assistencialismo estatal, que é uma forma de socialismo. Não é coincidência que os socialistas ataquem os valores tradicionais, pois eles acreditam que o ser humano é totalmente produto do meio (sem influência biológica) e pode ser recriado pela engenharia social.
Por outro lado, um liberal pode e deve ter e defender opiniões sobre certo e errado, aconselhável e desaconselhável, inclusive criticando pessoas que adotam esses comportamentos errados ou desaconselháveis e assim se tornam maus exemplos. Ser um liberal não significa abdicar da responsabilidade ou tolerar que outros o façam, acreditar que vale tudo e na mentira absoluta de que não existe verdade absoluta. Só não pode coagir outros.
* * *
Helio,
Entendi que Hoppe mostra que a propria emergência de diversas noções morais é um fenômeno estimulado e legitimado pelo estatismo e, portanto, são antagônica a “ordem natural” que Hoppe tenta mostrar que tal ordem é a genuína ordem conservadora.
Como sabemos, a “ordem natual” é o próprio conceito do Hoppe para a sua sociedade libertária, sem estado, baseada na propriedade privada.
Então o que precisa ser mostrado, a meu ver, é, primeiro, que as diversas noções morais não são frutos genuínos do estatismo (como argumenta Hoppe) e, segundo, que uma vez que não são valores frutos do estatismo, são valores que colaboram para o processo civilizacional, ou falando como Hoppe, que favoreçam a existencia/estabilidade da “ordem natural”.
Eu tendo a acreditar que as “diversas noções morais” não são frutos do genuíno processo civilizacional, e estou com Hoppe, acredito que são frutos do estatismo cultural-estatal e precisa ser combatido em nome da ordem natural.
Um abraço!
Lucas
Pelo que leio nos sites e páginas conservadoras do facebook a maioria dos conservadores do Brasil são tradicionais (não contemporâneos) e a maioria dos libertários brasileiros são, privadamente, conservadores.
A controvérsia maior é sobre a abolição do Estado – “e, em seguida, a dissolução completa do aparato estatal e do poder governamental atual” -. até chegar nesta fase dois conservadores e libertários tem muito em comum
O argumento libertário é ótimo para conquistar os jovens e o argumento conservador para os que já tem experiência de vida.
SENSACIONAL. ELE VAI NA VEIA E TEM TUDO A VER COM O O AVANÇO QUE ESSAS CONTRADIÇÕES SE DERAM LÁ NOS ANOS 68, COM AQUELAS REVOLUÇÕES CULTURAIS NA JUVENTUDE DAQUELA ÉPOCA, E, QUE MUITOS DE NÓS NÃO PENSÁVAMOS TER UM VIÉS TÃO CULTURAL E SIM POLÍTICO. PRECISAMOS TER MUITO CUIDADO COM AS REVOLUÇÕES CULTURAIS, POIS ELAS ESCONDEM VERDADEIROS MONSTROS EM TERMOS DE “DNA”, QUE DEPOIS FICAM IMPOSSÍVEIS DE SEREM MODIFICADOS.
Acredito que libertarianistas independente de moral que adotem, até mesmo os hedonistas ou defensores da esquerda cultural (me refiro aos verdadeiros que defendem essa moral sem apelar para coerção), são menos perigosos que os conservadores não libertarianistas, que podem até seguir uma moral a qual eu ache melhor, mas defendem o uso da coerção para impor esta moral.
Ainda acho que o conjunto moral que se escolhe seguir deveria vir depois da base libertarianista. É engraçado alguns momentos em que emito minha opnião a algumas pessoas as quais sempre comento sobre libertarianismo, pois as vezes emito uma opnião negativa de algum comportamento (baseado na minha crença moral) enquanto ao mesmo tempo defendo que esta atitude a qual não concorde moralmente não seja condenada coercitivamente (fumar por exemplo). Vejo que a maioria das pessoas fica extremamente confusa quando emito uma opnião nestes moldes.
Alguém aqui também costuma passar por essa situação?
“…desajustados…,fracassados pessoal e professional…,…derrotados…, que foi Hoppe? Acordou mal hoje?
O Hoppe defende o conservadorismo. Mas não é um conservadorismo qualquer, é um conservadorismo que tem as seguintes características:
“O termo ‘conservador’, portanto, deve possuir uma acepção diferente. O único significado que ele pode ter é este: ‘conservador’ se refere a alguém que acredita na existência de uma ordem natural, de um estado de coisas natural, que corresponde à natureza das coisas; que se harmoniza com a natureza e o homem.’
Hoppe utiliza, conforme o trecho acima transcrito, um apelo à natureza para definir o seu conservadorismo.
Eu tenho dificuldades em identificar uma “ordem natural” ou um “estado de coisas natural”. Se eu observo uma comunidade de formigas, vejo que elas trabalham em conjunto e que elas constroem coisas em conjunto. Se eu observo um bando de leões, vejo que a busca de alimentos (caça) é feita predominantemente por leoas. Os leões machos ficam descansando enquanto as leoas tratam de botar a comida na mesa. Se eu observo algumas raças de cachorro, vejo que elas são companheiras e dóceis com os humanos. Dessas três observações, dá para tirar alguma regra geral? Só dá se eu focar individualmente as formigas ou os leões ou os cachorros. Mas, se eu deixar de lado o foco individualizado e alargar a visão, a fim de analisar globalmente as três situações descritas (formigas, leões e cachorros), não encontrarei nenhum princípio de que poderei lançar mão para guiar moralmente a minha conduta.
Pode-se inferir do texto do Hoppe que ele crê que o homossexualismo é anormal (cf. quinto parágrafo de baixo para cima). (Além de ele ter essa crença, eu suponho que ele também creia que o homossexualismo seja antinatural, ou seja, contrário à natureza.) Mas o que significa dizer que o homossexualismo seja anormal? Por acaso significa dizer que apenas uma minoria da população se declara homossexual? Se é apenas uma questão numérica, então essa afirmação fica meio vazia de propósito. Uma minoria da população mundial tem cabelos loiros. Mas e daí? No fundo, por baixo da alegação de que o homossexualismo é anormal, eu suponho que o Hoppe acredite que ser homossexual seja uma coisa “errada” ou “má” ou “ruim” ou de alguma maneira “nociva” para as demais pessoas. Eu posso estar enganado na minha suposição. Mas o texto deixa entrever essa possibilidade.
Apelos à natureza são muito pouco persuasivos para mim. Ainda mais quando empregados para classificar como moralmente maus ou nocivos à sociedade uma conduta, um comportamento, uma tendência. Não deixem de ler este artigo daqui (criticanarede.com/homossexualidade.html), que demole impiedosamente a utilização do apelo à natureza como estratégia argumentativa que se propõe a embasar uma atitude de condenação ao homossexualismo. É filosofia analítica no que ela tem de melhor.
Além disso, é possível perguntar se a argumentação pró-ordem-natural-das-coisas do Hoppe não incorre na falácia naturalista: da observação de que algo é de uma determinada maneira não se pode extrair validamente a conclusão de que tal coisa deva ser dessa tal maneira sem que se introduza a premissa menor “as coisas devem ser como elas são”, que é uma premissa altamente questionável. A falácia naturalista é bastante controvertida no terreno da lógica, mas ela diz muito para mim sobre esse papo de condenar certas coisas por serem “antinaturais”.
De resto, considero o Hoppe um dos maiores intelectuais vivos.
Sabem, depois de uma reflexão , cheguei a uma conclusão.
Creio que a partir do momento em que as pessoas provarem de coisas que antes não eram ‘legais’ (Drogas, Prostituição, Cassinos etc.), elas não irão se sentir tão motivadas a repetir tal ato como seriam antes, quando eram ilícitas. Provavelmente porque aquela ‘aventura do proibido’ não lhe será mais proporcionada.
Logo, a vida começaria a se tornar ‘inócua’.
Esta consequência (porque não ‘tragedia’) se repete continuamente hoje (ficar bêbado e cheio de ressaca todo final de semana, por exemplo) aparentemente porque isso é uma ‘muleta emocional’.
É uma maneira de seguir a vida tendo ao seu redor um ambiente calamitoso (Por isso que o pobre é mais resoluto ao alcoolismo).
Mas e se em uma sociedade anarcocapitalista não existisse pobres (sem que houvesse intervencionismos, apenas mão-de-obra e acumulo de capital), seria possível que um ciclo fatalista de ‘comamos e bebamos, pois amanhã morreremos’ se extinguísse AOS POUCOS?
(Obviamente que a devassidão moral não existe só nos meio dos pobres. Com isso, a extinção dos pobres não causaria a extinção de devassidão moral.)
Bem, se quisermos nos aprofundar mais neste assunto, poderíamos analisar a história de algum indivíduo em um dado momento, passou pela situação de ‘abundancia de prazer’ sem que isso fosse desculpa pra aliviar algum sofrimento. Digamos que ele buscasse o prazer apenas porque podia.
Que tal Salomão?
Veja bem, a prosperidade do reinado de Salomão lhe proporcionou um prazer de causar inveja aos reis. Ele tinha quase mil mulheres. Tinha muitíssimo ouro. O que ele não podia? Tudo estava ao seu alcance.
Mas depois de provar de diversos prazeres, em um dado momento, ele disse:
“Perscrutei com o meu coração, animando minha carne até mesmo com vinho, ao passo que eu conduzia meu coração com sabedoria, sim, para apoderar-me da estultícia, até que eu pudesse ver o que havia de bom para os filhos da humanidade naquilo que faziam debaixo dos céus, pelo número dos dias da sua vida. ?Empenhei-me em trabalhos maiores. Construí para mim casas; plantei para mim vinhedos. Fiz para mim jardins e parques, e plantei neles toda sorte de árvores frutíferas. ?Fiz para mim reservatórios de água para irrigar com eles a floresta em que crescem árvores. Adquiri servos e servas, e vim a ter filhos dos da casa. Vim a ter também gado, gado vacum e rebanhos em grande quantidade, mais do que todos os que vieram a estar antes de mim em Jerusalém. Acumulei também para mim prata e ouro, bem como propriedade peculiar de reis e de distritos jurisdicionais. Constituí para mim cantores e cantoras, bem como as delícias dos filhos da humanidade, uma dama, sim, damas. E tornei-me maior e aumentei mais do que qualquer outro que veio a estar antes de mim em Jerusalém. Além disso, minha própria sabedoria permaneceu minha.
?E tudo o que os meus olhos pediram, eu não retive deles. Não neguei ao meu coração nenhuma espécie de alegria, pois meu coração se alegrava por causa de todo o meu trabalho árduo, e isto veio a ser meu quinhão de todo o meu trabalho árduo.”
Qual o resultado?
“E eu, sim, eu me virei para todos os meus trabalhos que minhas mãos tinham feito e para a labuta em que eu tinha trabalhado arduamente para a realizar, e eis que tudo era vaidade e um esforço para alcançar o vento, e não havia nada de vantagem debaixo do sol.
E eu é que me virei para ver sabedoria, e doidice, e estultícia; pois o que pode fazer o homem terreno que entra depois do rei? A coisa que já se fez.”
E ele conclui:
“E odiei a vida, porque o trabalho que se tem feito debaixo do sol tem sido calamitoso do meu ponto de vista, pois tudo era vaidade e um esforço para alcançar o vento. E eu é que odiei toda a minha labuta em que trabalhava arduamente debaixo do sol, que eu deixaria atrás para o homem que viria a suceder-me. ?E quem sabe se ele se mostrará sábio ou estulto? No entanto, assumirá o controle sobre toda a minha labuta em que trabalhei arduamente e em que mostrei sabedoria debaixo do sol. Também isto é vaidade.”
Bem, com certeza Salomão não era contra o trabalho e a diversão, pois disse:
“Para o homem não há nada melhor [do] que comer, e deveras beber, e fazer sua alma ver o que é bom por causa do seu trabalho árduo. Isto também tenho visto, sim eu, que isto procede da mão do [verdadeiro] Deus. ?Pois, quem come e quem bebe melhor do que eu?”
A conclusão é que sempre há algo além dos prazeres que realmente traz satisfação. É por isso que ele e enfático em um ponto:
“Feliz o homem que achou sabedoria e o homem que obtém discernimento, ?porque tê-la por ganho é melhor do que ter por ganho a prata, e tê-la como produto [é melhor] do que o próprio ouro. ?Ela é mais preciosa do que os corais, e todos os outros agrados teus não se podem igualar a ela.”
Já a minha conclusão é a seguinte:
Precisaríamos de uma geração de vagabundos que na sua velhice carregasse nas costas toda a consequência de uma vida inútil. Seria um aviso vivo para os jovens. Eles veriam em primeira mão que se você só viver o momento, seu futuro só lhe guardaria ‘amarguras’. Ele veria que sua vida só foi um esparso momento de VAIDADE. Sabedoria vale mais que ouro, e nenhuma lei de livre mercado pode mudar isso.
P.S: Estou aberto às criticas.
Somos humanos, logo, a ”ordem natural” que se refere, é a humana, e não a de outros seres. Como os animais que citou.
No entanto, a ordem natural antecede todos os seres. Os seres são frutos dessa ordem auto evidente, que é apenas observável, e não alterável por nós. A não ser em nossas fantasias imaginativas. Que não são reais, evidentemente.
Para nós humanos, é natural a vida, a liberdade, a propriedade. Direitos naturais auto evidentes. Pois o contrário é a agressão, que obviamente não é natural, com excesão à auto defesa. Dai o PNA sintetizando a conduta de humanos obedientes à lei natural.
A grande preocupação dos neoconservadores, é com o semelhante – que as pessoas agridam à si mesmas com condutas auto degenerativas (não naturais). Ou seja, não percebem que, coagilas à não se auto agredirem, é agredi-las. E, trocando em miúdos, é essa a critica de Hoppe aos conservadores da atualidade. Pois qualquer um que queira intervir coercitivamente contra a liberdade individual, necessitará de força de abrangência coletiva – estado. Crime contra a lei natural desde o princípio.
A ”geração de vagabundos” que deseja, já está sendo providenciada pelo welfare state.
Algo curável apenas com liberdade econômica e individual.
Sabedoria vale ouro.
Elimádas,Salomão em nenhum momento crítica a busca de tesouros na terra,o que ele critica é a atitude de alguns em confiar só em riquezas e ouro,para quem não é religioso isso parece bobagem,mas sabemos que não é,agora o IMB ressalta que o trabalho duro é que enriquece o individuo e imposto é roubo e estado é quadrilha ou seja a busca de ouro e prazeres não é atitude pecaminosa per si o que é pecaminoso é não confiar em Deus e depositar sua fé em riquezas efêmeras,basta ver a lista da revista FORBES como as posições dos magnatas mudam ao longo do tempo,Bill Gates logo será ultrapassado é só uma questão de tempo,quanto a nós admiradores dos ricos e empreendedores não nos preocupamos com riquezas e prazeres efêmeros mas sim com a liberdade,prosperidade e paz neste mundo perdido pela ação nefasta do estado e seus agentes…
Conciliar os valores conservadores, com posições libertárias me parece um tentativa de encontrar conforto psicológico. Defender antiestatismo é uma heurística que funciona na maior parte dos casos onde a competição mantém a qualidade dos serviços. No entanto, inserir mudanças culturais planejadas neste ponto não me parece adequado.
Além disso, mesmo que se admita que diversos problemas resultem do afastamento dos valores familiares, é um tanto difícil pensar em um modo de reverter as alterações ocorridas durante o sec. XX. Em geral, este tipo de mudança ocorre através da interação de diversas instituições(igreja, estado, ongs), sendo difícil prever o resultado real de uma intervenção.
Nesse vídeo o Clint Eastwood cita que antigamente os conservadores eram mais parecidos com os libertários:
Acredito que este seja um problema ainda mais aparente no Brasil, onde temos uma cultura estatista tão grande que idolatramos estatais mesmo quando estas estão para quebrar(tirando o fato de que sempre se consegue roubar do “contribuinte” para mante-la por mais um tempo) e todos os grupos políticos tem horror ao tal “entreguismo”.
O estatísmo conservador é um vício moral e não um mero erro cognitivo.
Aonde estavam os gays libertários na hora de lutar contra o kit gay do MEC? Ou de condenar beijo lésbico dentro do culto evangélico do Feliciano? Bando de hipócritas.
Concordo plenamente que existe infantilidade difundida e aceitada em muitas camadas da sociedade estatista. Porem, vejo como pensamento infantil acreditar num Deus bíblico protetor de toda humanidade. Pensamento extremamente pertencente ao conservadorismo patriarcal. Aprecio o ceticismo. Sou conservador? O autor defende uma posição social da gênese que vai ate a sociedade grega antiga. É importante dizer que naquela época era aceito sexo entre homens. O aluno ou iniciante deixava livre seu corpo para seu mestre praticar a pederastia. Com frequência, o relacionamento entre ambos extrapolava a mera amizade, auferindo contornos de relacionamento amoroso. Isso é conservador hoje? Por essa linha dura de raciocínio do autor, ele entra em contradição ao aceitar muitos caminhos que foram abertos por pessoas taxadas como não ''conservadoras'', não ''naturais'' a um sistema hierárquico. Ele mesmo não é um tipo conservador autentico, se acaso não aceitar tais comportamentos antigos. Regredindo ao máximo na explicação conservadora, segundo o autor, apenas a titulo de exemplificar, não faz parte desse pensamento, e não é de bom tom conservador apreciar: rock, pop, internet, redes sociais, blogs, etc. Aceitando um conservadorismo ortodoxo estaríamos ainda hoje enviando cartas escritas a mão (não que seja uma coisa ruim). Um conservador regido por regras jamais poderia ouvir outro estilo musical, a não ser a musica erudita (musica dita como clássica). Se alguém sai dessa trilha, então, saiba que não é na essência conservadora e libertaria. Avalie sua posição e suas ideias sobre o tema. Eu apenas tentei fazer uma desconstrução daquilo que o autor escreveu.
Ok, essa resposta provavelmente será grande e dependendo do conceito de educação não será educado.
Se tivermos como base para educação a honestidade do comentário será bastante educado.
Eu sou um conservador, não acredito em previdência social (Armadilha dos fabianos para implodir a democracia), nem CLT e nem na regulação do estado sobre a maior parte dos assuntos.
Tendo em vista essa colocação eu afirmo que ODEIO os libertários, pior que odiar, a maioria deles (existem exceções incríveis, óbvio) me provoca profundo nojo e asco. E não vejo a MENOR possibilidade desse fusionismo acontecer, como aliás, obviamente já falhou. E não tenho a MENOR intenção de lutar lado a lado com os libertários brasileiros, que NÃO SÃO sinônimo de liberais por aqui.
Agora as explicações.
Economicamente o libertarismo brasileiro é perfeito, por que como o texto bem coloca muitos dos que são chamados de “libertários” são conservadores. E economicamente não existe nada que oponha fundamentalmente os dois campos de pensamento na área econômica.
E aí temos a área social… O Libertarismo brasileiro (conforme a militância) é utopista e prevê a liberdade TOTAL desde que seguindo o princípio de não iniciação de violência, ou não agressão.
Esse conceito é CONCRETO E OBJETIVO, mas como sempre nas doutrinas utópicas já vem sendo relativizado.
A base libertária de “princípio da não iniciação da violência” não tem qualquer base e podemos encontrar até mesmo o Milton Friedman expondo isso em uma palestra para libertários.
NÃO EXISTE como justificar o princípio da não iniciação da violência.
Da mesma forma segundo essa visão a maior parte da imposição da moral por parte DA SOCIEDADE está descartada, afinal algo só é errado se violentar fisicamente alguém. Logo vender drogas não pode ser errado, seduzir crianças não pode ser errado, passar a madrugada com som alto não pode ser errado (talvez possa, se pudermos subjetivizar a coisa a ponto de medir os efeitos do som no organismo e constatar que é uma agressão, mas aí também justificamos a proibição para as drogas ao mesmo tempo) e eu poderia passar o dia apenas dando exemplo de como o princípio da não agressão ou na sua forma super específica de princípio da não iniciação de violência são furados.
Esse conceito ao ser aplicado para IMPOR (ó a coerção aqui) uma nova moral sobre a sociedade não pode ter outro resultado prático além do fim desta e aí sim um exército pacificador que chega, reunifica o país e impõe uma nova moral.
MAS PERA AÍ, NÃO FOI EXATAMENTE PARA ISSO QUE O MARXISMO CULTURAL FOI CRIADO? Para destruir a civilização e acabar com o tecido social a ponto de que o povo dê graças a Deus quando um exército invasor com um conceito de moral pronto aparecer?
Olha só a Rússia do Putin agora é conservadora!!! Que milagre, será que ele como agente da KGB conhecia esse plano? Ou seria coincidência???
Perdão por misturar assuntos relacionados vou voltar ao tópico em questão.
Por esses dias tenho visto “líderes” libertários mandando a merda essa tal de moral e bons costumes.
Humn… interessante.
O que é a Moral? A moral é simplesmente o conjunto de regras sociais IMPOSTAS (olha a coerção cruel aqui de novo) PELA SOCIEDADE para seus próprios membros. Lembrando que ética é basicamente a relação do indivíduo com a MORAL e que MORAL e ÉTICA são originalmente sinônimos, moral de raiz latina e ética de raiz grega.
Então para criar esse estado utópico libertário precisamos MAIS UMA VEZ destruir a moral para criar indivíduos realmente “livres” já que a imposição da moral para o convívio em sociedade é obviamente FASCISMO, conforme já havia definido o Theodor Adorno em Dialética Negativa, que como não poderia deixar de ser é exatamente socialismo gramsciniano.
Mas então o que eu sou a favor como conservador BRUTALISTA???
Resposta SIMPLES, democracia, uma sociedade aberta onde homens e mulheres LIVRES. possam decidir por si que regras sociais são adequadas e quais não são.
O que os esquerdistas chamam de ditadura da maioria.
O que leva ao assunto RELIGIÃO. A religião e a moral são suas palavras SEMPRE relacionadas embora os esquerdistas e OS LIBERTÁRIOS adorem dizer que não. 🙂 A religião recebe direções da sociedade e transmite direções a sociedade, ou seria coincidência que durante praticamente toda a história humana pessoas de mesma religião tenham vivido dentro de um mesmo estado?
E aí chegamos ao cristianismo e ao Ocidente! Coincidentemente como sempre o livre comércio floresceu sobre o cristianismo, os direitos civis também, em que lugar do mundo fora do cristianismo as minorias e as liberdades individuais foram ESTABELECIDAS e TÃO RESPEITADAS?
Estou citando isso por dois motivos.
Primeiro por que o libertarismo Brasileiro está completamente infectado de anticlericalismo o que testemunha sua origem MARXISTA via escola de Frankfurt.
E em segundo lugar para lembrar que sobre a Democracia Plena e teórica “ditadura da maioria” nunca houve uma caça às minorias dentro do Ocidente democrático, o que é claro não podemos afirmar quando falando do resto do mundo.
A sim, agora mais uma razão para meu profundo ódio e repúdio ao Libertarismo Brasileiro. Seus membros!!! claro que baseado em suas atitudes!
Eles REALMENTE acham que são os legítimos representantes da VERDADEIRA liberdade, e PIOR realmente acham que a mudança que o povo quer é fruto do seu trabalho!!!
Eu tenho de lembrar que milhões foram às ruas ano passado nas manifestações da esquerda jurássica? Eles eram esquerdistas? NÃO, eles acharam uma chance de falar e externalizar sua insatisfação, muitas vezes sem base teórica alguma e sem ter a menor noção do que pedir, e foram lá e expulsaram as bandeiras da esquerda tomando o espaço.
Então é natural que o povo (que SEMPRE É de maioria conservadora) buscando alternativas tenha em um primeiro momento tenha se aproximado dos libertários.
Mas bom, graças a Deus esse fim de semana e a nem confirmada candidatura de Jair Bolsonaro expôs que os libertários não curtem esse lance de liberdade e tals e o cisma foi criado, e foi MUITO BOM isso acontecer, assim o poder política sai da mão de quem NUNCA o mereceu. No caso os libertários.
Alguns pequenos fatos desse final de semana que eu presenciei e relato.
-Rodrigo Constantino declara guerra aos conservadores, e claro, não podemos deixar de dizer que os conservadores são uma seita! Não é questão de votar ou apoiar um ou outro, mas o COMO fazer isso. Não existem meios e fins existem atos.
– Um dos redatores de uma página libertária do facebook declara avisando que não fala pela página o seu apoio a Jair Bolsonaro, claro que a liberdade libertária não é tão liberal assim né? Ele foi afastado da página e na “correção” o candidato amplamente apoiado pelos conservadores foi chamado de “escroto de bosta”. Não custa lembrar que JAMAIS um comentário com termos tão fortes e chulos e foi endereçado a qualquer membro do PT pela dita página.
– Em uma lista de debate “liberal” (que não existe mais no brasil) um senhor mais velho que eu e que os “verdadeiros donos da liberdade” simplesmente questiona o teor de uma palestra que contava a “história do liberalismo no Brasil” sem contar a história do liberalismo no Brasil e sim a do libertarismo. Ele fez isso de forma elegante e tranquila, lógico que foi atacado em bando em bando pela nova matilha de cães raivosos crias do PT.
Aí quando eu questionei o tom de um dos agressores tive que ler que “tal pessoa está com o nome gravado na história do liberalismo no Brasil e que eu que não tenho o nome gravado na história do liberalismo no brasil não posso questioná-la!
QUANDO EU OUVI ESSE DISCURSO ANTES RECENTEMENTE? A SIM, PARA DEFENDER O GENUÍNO E O JOSÉ DIRCEU!!! HAUHAUAHUAHAUHAH
Resumindo, libertários jamais terão meu apoio ou meu voto, acho que nem contra o PT. Se ainda não são ninguém e nem tem partido (alguns estão tentando fundar o “libertários” mas a maioria parece estar tentando roubar o “Novo” mesmo) imaginem o que farão quando estiverem no poder????
Meu solitário e inexpressivo apoio NUNCA TERÃO.
Ao sem respeito comigo, Malthus, e pelo jeito não ”conservador” de bons costumes de educação. Com termos chulos não se tem conversa decente:
''Tentou e se estrepou''. Não é necessário escrever coisas implícitas para sabermos quando um autor defende algumas posições. Igualmente não é difícil, e fica muito claro que você se define defensor de um conservadorismo. Pena que sua ação não corresponde ao que defende: ''Tentou e se estrepou.'' Encerro a conversa usando um termo que autor usa e define como ruim (eu penso que é ótimo) num conservadorismo autentico: Game over! (multiculturalismo).
Na próxima vez tenha educação nas palavras.
O que afasta muitos conservadores do libertarianismo é o apego forçado, doutrinário e claramente amoral que certos libertários têm para com valores abstratos que nenhuma sociedade sadia jamais colocará em prática.
Admitamos que o axioma da não agressão seja realmente “a verdade absoluta” em matéria política.
Isso quer dizer que a sociedade vá algum dia realmente aderir ao “Código legal” do Rothbard e fazer vigorar como lei todas as coisas que ele advoga em “The ethics of liberty” (p. ex., direito natural de abortar, direito natural de deixar o filho morrer de fome, direito natural de chantagear, direito natural de caluniar, direito natural de subornar, direito natural de incitar a multidão à violência, e por aí vai)?
É óbvio que não. Todos sabem que, mesmo sem um Estado centralizador e monopolizador das leis, as comunidades continurarão adotando, espontaneamente, o Direito que melhor refletir seus valores morais. As leis continuarão a incorporar a visão de mundo da maioria (e não um axioma abstrato sem conteúdo moral nenhum, que dá margem para todos os tipos de perversão). Quem não gostar, que procure um gueto.
Quanto ao Hoppe ter citado a pedofilia: ora, se o sexo é uma atividade recreativa como outra qualquer e que ficar implicando com isso é coisa de cristão moralista, por que, então, em uma sociedade libertária, um pai poderia dar um picolé ou uma casquinha de sorvete para o filho pequeno colocar na boca e chupar, mas, ao mesmo tempo, não poderia dar você-sabe-o-quê? Não é tudo consensual? Caso não, por que a criança seria capaz de consentir em chupar o sorvete, mas não em chupar você-sabe-o-quê? É possível responder a essa pergunta sem recorrer a dogmas moralistas sobre a função natural do sexo e dos órgãos do corpo na vida de um ser humano?
Parabéns à equipe do IMB pela publicação desse artigo. Queria ter mais tempo pra ler tudo, porque além do artigo sensacional, os comentários que consegui ler também estavam excelentes. Até pensei em tentar escrever alguma coisa que acrescentasse, mas me senti muito pequeno pra isso. Eu também faço parte do grupo que acredita que em um mundo sem estado, a sociedade TENDERIA a uma moral bem parecida com a judaico-cristã, e que vários dos elementos dessa podem ser visto em civilizações que passaram longe dessas religiões, fortalecendo o argumento de que há uma “moral natural” que vai sendo descoberta e que não se sustenta sozinha… só com a coerção estatal.
Mas também vale ressaltar que essa moral não é imutável, e que diversas mutações na sociedade foram promovidas pelo próprio capitalismo, como a alteração na estrutura familiar de divisão do trabalho (mulheres participando ativamente na economia, ao invés de só cuidarem da casa), a possibilidade de planejamento familiar trazida pela evolução e popularização dos meios contraceptivos, dentre outros. Provavelmente esse é o tipo de mudança de condições que altera a “estrutura natural” da sociedade. Com certeza várias mudanças que nem imaginamos estão por vir. Infelizmente muitas delas serão “anomalias” promovidas pelo estado.
Novamente parabéns!
É quase impossível e até mesmo não desejável que haja qualquer união entre nós, libertários, e a escória conservadora, representada por elementos como esse Josias Acauan. Libertários não são de direita, os conservadores são. A direita é inimiga da liberdade, os libertários não são. Eu sei que existe a corja de Left-libs, mas esses aparentemente não são muito libertários. O PNA pavimenta perfeitamente uma convivência harmônica numa sociedade livre. A “moral” conservadora também, mas desde que não haja pulhas querendo impor à força essa mesma “moral” para os outros cidadãos que não tenham o mosmo estilo de vida.
Não há nada de errado num imbecil fumar o que quiser, num queima-rosca dar o que lhe pertence, numa puta conbrar pelo próprio corpo, num swingueiro compartilhar a própria esposa espalhando AIDS com trouxas que voluntariamente fazem sexo com ela; ou qualquer outra atividade que não agrida ninguém. Se os conservadores quiserem impor à força qualquer tipo de moral que eles consideram superior, então são tão indecentes quanto qualquer esquerdista. Nós, libertários, não podemos nos juntar a esse tipo de cretino, mesmo que seja para combater esquerditas também cretinos.
Adriano, – “… Não estou aqui sugerindo que libertarios são geralmente mais virtuosos de que estatístas. A Justiça é apena uma virtude dentre várias, e o libertarianismo é apena uma aplicação da Justiça; portanto, a única moral autocongratulatoria que podemos nos permitir é que somos melhores do que nosso colegas em um aspecto de uma virtude…” –
Respondendo ao Bruno; – “… O conceito de compreençao tem de ser completado por um ato de discernimento,por meio do qual o adepto distingue exemplos em que a regra se aplica daqueles em que a regra não se aplica…” – I. KANT
…aquele que finge ser versado em um determinado ramo do conhecimento e ainda assim trata a teoria com escárnio irá inevitavelmente se expor como um ignorante em sua área… I. KANT
Ótimo texto. As críticas dirigidas tanto a conservadores quanto a liberais se encaixam exatamente com o que tenho observado. Cada vez mais me convenço que a falta de diálogo vem de uma deficiência nos estudos. Alguns conservadores não estudam economia austríaca e certos liberais acham que não precisam ler autores conservadores. Então ambos atacam espantalhos, sem ter nem ideia da complexidade do que estão analisando.
Fora que o conservador autoritário e o libertário radical, antirreligioso e “esquerdista” são tipos que costumam aparecer com mais facilidade do que gente mais séria. Os discursos rasos e explosivos são bem mais fáceis de serem difundidos. O fato do marxismo estar vivo ainda hoje é a prova disso.
Hans-Hermann Hoppe é socialista. Acho que os chineses leram-no bastante. Hoppe acredita na liberdade sem democracia, na ordem sem imposição de quaisquer limites e também em um líder monopolístico que destrua todas as instituições e proíba os sujeitos de as criarem. Defende o direito de propriedade sem que exista direito, defende a autotutela dos “direitos” e uma “polícia particular”, ou seja, é o atraso do atraso. TUDO ISSO PORQUE EXTRAPOLOU OS LIMITES DA ESCOLA AUSTRÍACA e começou criar princípios jurídicos com fundamento nos princípios econômicos. O conservadorismo é a prudência em ação. É o direito construído lenta e sistematicamente, de forma livre, durante os séculos. Só isso, e nem por isso “opressivo”. Feminismo, socialismo, libertarianismo estão todos no mesmo balaio, para mim.
É realmente inacreditável como esse grupo que se intitula de Libertários não conseguem enxergar o perigo de sua irracionalidade. Este artigo é prova viva do que pretende esse grupo: a conservação do domínio de um grupo de pessoas que logram sua ascensão às custas da liberdade e do sacrifício das famílias. O valor das famílias que esse grupo defendem, refere-se única e exclusivamente às de seu grupo reduzido. As demais famílias, dos escravos (pagos ou não), seriam apenas aglomerações de idiotas sem força nem inteligência para tirar das pessoas em seu próprio benefício. Assim, o Estado, ao constituir um limite ético e moral para sua sanha de dominação, torna-se alvo primeiro a ser combatido.
Rotina muito presente nos comentários por aqui:
lucianoayan.com/2014/05/28/rotina-esquerdista-quem-executa-seu-direito-de-nao-achar-o-homossexualismo-normal-quer-meter-o-bedelho-no-c-dos-outros/
Duvido muito que conservadores e libertários possam se unir. São totalmente incompatíveis. Quero ver um conservador defender a liberação total das drogas.
Muitos conservadores não se opõem à liberação total das drogas. Mas os conservadores acreditam q as medidas políticas não podem ser adotadas por bases ideológicas, mas de acordo com a conjuntura social e política do momento. Por isso muitos conservadores afirmam q o conservadorismo não é ideologia.
Neste momento, com o completo domínio da cultura comunista avançando rapidamente sobre toda a América Latina, principalmente no Brasil e até nos EEUU, a liberação total das drogas fortaleceria a escalada da cultura marxista, anti-conservadora para acabar mais rapidamente com as bases do capitalismo.
São os valores cristãos e a moral cristã que propiciaram o surgimento natural do capitalismo que garante a ordem para o anarcocapitalismo.
Valores – moral -> ordem -> capitalismo -> AnCap.
É o conservadorismo católico individual, privado que garante na esfera pública, política o libertarianismo.
O conservadorismo não tem uma proposta política sólida, apenas pessoal.
O libertarianismo radical, esquerdista na esfera individual, privada, destruiria as bases do próprio libertarianismo político.
Nigro, dá uma lida (se te interessa) em F. A. Hayek, porque não sou conservador; pode ser interessante para o teu ponto de vista.
@Eduardo Bellani 07/06/2014 00:41:52
Eu costumava gostar dos seus comentários, Eduardo, mas com esse comentário você se excedeu um pouco. Talvez não esteja em um bom dia, ou talvez tenha ficado muito passional com as observações do “um Observador”. Deixe entrar na discussão para comentar em que discordo de vc:
* Aborto. O corpo é da mulher, logo ela pode expulsar o invasor. Ela
deve fazer isso com o mínimo de força necessário, e, se possível,
preservando a vida da criança.
O embrião, feto, bebê, nascituro ou como você quiser denominar, só é invasor quando fruto de aborto. Se um casal cognitivamente capaz, que sabe que o resultado de uma relação sexual às vezes é uma gravidez e não toma medidas para coibir isso antes do zigoto fixar-se no útero da mulher, aquele zigoto, parte propriedade do homem, parte propriedade da mulher, não pode ser expulso, uma vez que adquiriu o direito de viver e qualquer agressão ao mesmo é uma violação do PNA.
Se, por outro lado, aquele zigoto é fruto de um aborto, a parte de propriedade do estuprador é um invasor, a mulher não consentiu em abrigá-lo. Pode abrir mão da parte do zigoto que é de sua propriedade e abortá-lo. Nesse caso o aborto não é uma violação do PNA, mas uma legítima defesa da integridade física (e psicológica) da mulher.
O mesmo vale para gravidez de pessoas cognitivamente incapazes. Embora isso possa criar o problema de determinar se alguém é cognitivamente capaz. Isso é outra história.
Um ponto que também fica pendente é até que momento uma mulher pode abortar uma gravidez fruto de um aborto… Aqui a definição terá necessariamente de ser um alvo móvel e provavelmente vai mudar com o desenvolvimento tecnológico. Na minha humilde opinião, esse momento é equivalente a menor idade gestacional que o aparato médico da época consegue manter vivo um nascituro fora do útero. Nesse caso a mulher tem até esse momento para abortar o concepto sem incorrer em violação do PNA, uma vez que, conhecedora desse limite, se ela escolheu manter a gestação até após essa idade gestacional, presume-se que ela abriu mão do seu direito a legitima defesa e terminou por consentir a evolução de uma gestação para além do ponto em que aquele ser se torna viável e, portanto, imbuído do mesmo direito a vida que os demais seres humanos.
* Pedofilia. O conceito de criança varia de cultura para cultura, mas,
supondo que se trate de uma criança. O que os pais possuem é
propriedade no título de criação da criança. Eles devem manter ele
de determinada forma, ou esse título pode ser considerado abandonado
pela sociedade, e sujeito a apropriação.
A definição da maioridade é sem dúvida um aspecto cultural, muito antes de ser um aspecto legal. Eu discordo da ideia de que os pais tem uma propriedade sobre a criação dos filhos… eu realmente penso que os filhos são eles próprios propriedade temporária de seus pais, uma vez que forma eles que forneceram o material genético para sua concepção, e também foram eles que “misturaram o seu trabalho” a essa propriedade durante a infância.
Embora o conceito de propriedade de seres humanos esteja relacionado ao conceito de escravidão, essa relação é apenas incidental. A escravidão também tem um componente de violação do PNA que a separa da propriedade sobre os filhos. Então, antes que isso seja levantado como uma objeção, perceba que é um non-issue.
Até quando os pais detém a propriedade dos seus filhos? Até a maioridade, a ser definido em cada cultura. Os pais podem abusar dessa propriedade (por exemplo, um pai pode estuprar sua filha menor) claro que não, uma vez que viola o PNA. Um pai (ou mãe) não pode fazer nada com o seu filho/filha menor que violasse o PNA em relação a esse mesmo filho/filha caso ele fosse maior.
Embora a maioridade aqui também fosse um alvo-móvel, variando de cultura para cultura, ela necessariamente tem de abordar a questão da autonomia. Quando o filho se torna completamente autônomo, os pais finalmente perdem a propriedade sobre o filho.
Vou interromper o comentário aqui pq sinto que já estabeleci meu ponto. É claro que existe muito mais a ser considerado, mas tudo isso é mais do que cabe em um comentário.
* Em um jantar, existem diversos contratos explícitos e implícitos.
* O princípio da proporcionalidade do uso da força deve ser observado,
para não realizar uma invasão na defesa da sua propriedade. Por
exemplo, atirar sem aviso na cabeça de um punguista de chicletes é
uma invasão do corpo do punguista.
Eu sei de tudo isso. Só estou pedindo que alguém me explique por que nada disso se aplica a um bebê.
@Pedro 30/06/2014 18:44:48
VOCÊ vacilou e deixou o penetra entrar em sua aeronave, agora vai ter que carregá-lo até o final. Aí sim, no solo e em segurança, pode expulsá-lo e até mesmo processá-lo para que este o repare pelo prejuízo causado.
Não. Você não pode culpar a vítima. O dono da aeronave sofreu um dano ao ter sua aeronave invadida. O invasor se colocou a mercê do dono da aeronave quando foi descoberto. Se o cara quiser jogar ele no espaço, pode. Moralmente questionável, mas o invasor causou isso a si mesmo. O que é mais provável é que o cara amarre o invasor e o jogue no porão até o destino final, ou que exija que trabalhe para pagar a sua viagem, mas isso é apelo emocional ao dono da aeronave. Não se pode obrigar que ninguém seja emocional.
VOCÊ, mulher, vacilou e permitiu que o pequeno invasor se desenvolvesse em seu interior. Agora, que o carregue até o final da gestação. Depois, se assim achar melhor, que o entregue para adoção.
Analogia inválida. A mulher não vacilou e deixou o invasor entrar. Ela se envolveu ativamente em uma atividade cujo risco era esse. É diferente do cara da nave que não presume que, em sua atividade, um invasor esteja envolvido. O invasor é um transgressor e colocou-se na aeronave por sua própria livre, desimpedida e consciente vontade. Já o zigoto se formou no corpo da mulher após uma ato voluntário e consciente dessa em que ela assume o risco disso acontecer.
Eu sou meio iniciante no liberalismo, mas tenho a impressão de que o PNA não é, ou nunca vai ser, algo imposto de cima pra baixo
Então não vejo motivo pra criticas ao PNA, já que de certa forma isso seria um jogo onde todo mundo sabe das regras: ninguem vai entrar em uma propriedade de um vizinho que não conhece por exemplo ou entrar em um avião sem ter um documento, assim como acontece nos dias de hoje
Sobre o aborto eu não tenho opinião formada, mas concordo com os abortos no caso de estupro e risco de vida
Concordo que em caso de gravidez a mãe não tem direito de considerar o bebe como invasor
É como eu colocar um prato de comida na minha casa, e esperar uma criança faminta da Africa entrar pra comer, e eu matar ela por isso
Deve se levar em conta o conceito da sobrevivencia, e como não é justo aplicar uma proporcionalidade ao que o invasor está fazendo, por esse invasor não ter condições basicas de fazer algo a sua propriedade
Quando leio essas discussões, especialmente a respeito do problema do aborto, a impressão que me dá é que libertários às vezes se perdem quando tentam aplicar sua própria filosofia aos fins, em vez de se aterem aos meios.
Se eu, numa hipotética visão pessoal (não tenho opinião formada a respeito), não visse como uma restrição moral séria a uma mulher o fato dela ter abortado, mesmo que tenha sido “só porque sim” (isso não me impediria de namorá-la, por exemplo), então por que eu teria de ser coagido a me importar e a considerar isso um crime?
Outro exemplo: um amigo meu de longa data assassina alguém. Por que eu teria de considerar isso um crime? E se o assassinado fosse alguém que, além de não possuir nenhum amigo ou parente que se importasse o bastante com ele para querê-lo vivo, ainda era odiado por todos da comunidade (inclusive por mim), de modo que meu amigo estivesse “fazendo um favor” a ela pondo um fim à existência dele? Sim, há o direito da vítima de não ser assassinada. Entretanto não acredito que se possa violar o direito de outros de escolher não se importar com aquilo o suficiente pra levar o assassino a júri. Estaria sendo escolhido um meio errado, ainda que para um fim correto. Nada muito diferente do que o estado tenta fazer quando senta o dedo na vida em sociedade.
Talvez no fim a ética da liberdade consista em dar liberdade às pessoas fazerem o que quiserem e puderem – inclusive ignorar tanto a ética quanto a liberdade -, desde que não agridam ninguém.
O feminismo, como um fenômeno social, surgiu no final do séc. XIX sem absolutamente NENHUM apoio estatal, muito antes do surgimento da social-democracia e do assistencialismo coletivista. Só esse fato já refuta a ideia de Hoppe de que é um fenomêno causado pelo estatismo.
Alguns libertários não gostam do estado e não gostam do feminismo, aí ao verem uma conexão entre eles (e.g. Lei Maria da Penha) já proclamam o estado como causa primaria do feminismo. E ainda se acham gênios por esta grande descoberta.
Ainda admiro Hoppe pela sua envergadura intelectual (ele foi genial ao colocar a teoria libertária em bases argumentativas) mas nesse artigo ele cagou no pau!
O anarcocapitalismo é uma ideia bem “moderninha”, é muita estupidez afirmar que “os verdadeiros conservadores só podem ser libertários radicais”. Hans-Hermann Hope afirma que CONSERVADORES defendam uma ideia “moderninha”. A proposta é completamente ridícula. Ainda, ele afirma Rothbard como conservador, quando no livro Ética e Liberdade, no capítulo “As crianças e seus direitos” ele defende o ABORTO!
“O único exemplo que conseguiu dar e errou mesmo assim, enquanto que conservadores pedem uma diminuição do Estado, libertários pedem seu fim. Enquanto conservadores pedem algo que existiu por muitos anos na humanidade, libertários pedem algo que jamais foi visto na história da civilização.”
é por que não existe sociedade sem governo, e nunca irá existir. Sociedade pressupõe estrutura jurídica, coercitividade e execução da lei (Estado). E pra isso se faz necessário destacar pessoas que cumpram essas funções administrativas-estatais, dentro de um princípio de hierarquia (alguém tem de mandar/coordenar). Isso é o governo dentro da estrutura político-jurídica do Estado. Ele personifica o princípio ordenador da sociedade, sem o qual reina a fragmentação e a justiça privada.
* antes que os apressados venham despejar seus impropérios, esclareço que sou radicalmente pelo estado mínimo-mínimo, capitalista, liberal e cristão.
*2. não sei se os libertários são maciçamente pelo fim do estado.
https://www.youtube.com/watch?v=v7BjbRYCv4o
Quem sabe com uma feminista falando, nego left lib consiga entender o óbvio.
Mas no caso específico de calunia, é razoável imaginar uma situação onde uma pessoa acusaria a outra de ter cometido alguma relação quanto a sua propriedade privada. Como não configuram agressões, o caluniador poderia forjar provas, comprar juízes e mentir em depoimentos. Se no final das contas ainda fosse provado que o acusado é inocente, nada aconteceria, legalmente, com o acusador, uma vez que ele não violou o PNA em momento algum?
Resumindo: somente os libertários cristão seriam "verdadeiros" libertários. Todos os outros são "falsos" libertários, estatistas indiretos, fracassados, derrotados, desajustados e artificiais, que não seguem a ordem "natural" da família tradicional (cristã). E sem o estado socialista, em uma sociedade livre, todos seriam "naturalmente" cristãos de família tradicional, bem sucedidos, vencedores, ajustados, monogâmicos e anarcocapitalistas. Aqueles que não o fossem, seriam como desastres da natureza, fora da "natureza do homem", anomalias, como doenças e pragas.
Hoppe diz:
"A maioria dos autoproclamados conservadores contemporâneos está preocupada — como, na verdade, deveria estar — com a decadência das famílias, com o divórcio, com a ilegitimidade, com a perda da autoridade, com o multiculturalismo, com os estilos de vida alternativos, com a desintegração do tecido social, com a promiscuidade e com a criminalidade. Todos esses fenômenos representam anomalias e desvios escandalosos da ordem natural."
Ou seja: os autoproclamados conservadores estão muito preocupados com a vida alheia como, segundo Hoppe, deveriam estar. E os fenômenos causando preocupação são anomalias e desvios da "ordem natural" cristã. É claro que ele coloca decadência das famílias, divórcio, ilegitimidade, perda da autoridade, multiculturalismo, estilo de vida alternativo, desintegração do tecido social e promiscuidade juntinho com criminalidade. Porque toda família em que houve divórcio é decadente, todo filho de pais divorciados não aceita autoridade e é criminoso, toda pessoa tolerante com culturas diferentes é uma aberração da natureza, toda pessoa alternativa (não-cristã) é má, todo promíscuo é agressor e criminoso. E, claro, toda pessoa cristã é bem intencionada, honesta, natural e vitoriosa, principalmente as que cresceram em famílias tradicionais (cristãs).
Hoppe diz:
"Um pouco de abstração dissipa todas as confusões e permite que quase todos “vejam” o que é e o que não é natural, o que se encontra e não se encontra de acordo com a natureza das coisas. Além disso, o natural é, ao mesmo tempo, o estado de coisas mais duradouro. A ordem natural das coisas é antiga e sempre a mesma (apenas anomalias e acidentes sofrem mudanças); portanto, ela pode ser reconhecida por nós em todos os lugares e em todos os tempos."
É interessante notar a crítica do Hoppe ao estado sem perceber que a igreja é uma instituição historicamente intervencionista, autoritária e coercitiva. Alguém é realmente ingênuo de acreditar que ela deixaria de ser assim, como recentemente, se as pessoas não tivessem superado seus medos em relação a necessidade dela? Para um libertário, o melhor seria torcer para que aconteça ao estado exatamente o que aconteceu a igreja: adesão voluntária, liberdade de secessão. Mas, ainda hoje, as ideias da igreja estão para os fiel assim como o estado está para o cidadão. A igreja só perdeu o poder supremo que tinha, sendo que, agora, o estado é o detentor desse poder. Até na doutrinação essas duas são similares.
Hoppe diz:
"O conservador, com efeito, deve se opor a todos esses acontecimentos e tentar restabelecer a normalidade."
Normalidade cristã. Todo o resto é anormal.
Sempre que leitor ver, neste artigo, as palavras (e derivados) família, naturalidade, normalidade, cultura, moral, etc… pode-se acrescentar, tranquilamente, a palavra cristã na frente.
Hoppe diz:
"esquerdismo cultural, o multiculturalismo e o hedonismo pessoal. Ou seja, ele é exatamente o contrário de um programa culturalmente conservador: trata-se de um capitalismo contracultural."
Ou seja: se você é um "falso" libertário (não-cristão), você é um esquerdista cultural, que seria contra a cultura (cristã, que é a única cultura).
Hoppe diz:
"O fato de que grande parte do libertarianismo moderno é culturalmente esquerdista não se deve a inclinações dessa natureza entre os principais teóricos libertários. Conforme foi observado, eles eram, em sua maioria, conservadores culturais. Em vez disso, trata-se do resultado de uma compreensão superficial da doutrina libertária por muitos dos seus fãs e seguidores; e essa ignorância encontra a sua explicação em uma coincidência histórica e na mencionada tendência (inerente e ínsita) do estado social-democrático assistencialista (de bem-estar social) a promover um processo de infantilização intelectual e emocional (processo de descivilização da sociedade)."
Ignorando o ad verecundiam, aqueles que não são libertários verdadeiros (cristãos), não o são por ignorância e conhecimento superficial do libertarianismo. Estes são infantis intelectual e emocionalmente. É todo aquele que se dize libertário mas não detém a verdadeira moral (cristã).
E também, segundo Hoppe, quem usa drogas (álcool e tabaco se incluem, Hoppe?), é promíscuo (gosta de sexo), gosta de pornografia (sexo), de prostitutas (sexo), é homossexual e/ou poligãmico, seria também anormal, desequilibrado e perverso (gosta do sofrimento alheio).
Gênio!
Está claro a religião cristã espalhada por todo este artigo, assim como o ódio de Hoppe pelos libertários não-cristãos que, segundo ele, seriam estatistas "indiretos", "falsos" e "contraproducentes".
É um artigo fanático-religioso travestido de artigo libertário. Até hoje, gostava de tudo que havia visto de Hoppe, mas não concordo com o que vi neste artigo. Extremamente arrogante!
Para mim, ignorante e infantil é acreditar que para ser uma boa pessoa, ser vencedor, ser isso ou aquilo, a pessoa deve ser cristã, tradicional ou religiosa. Conheci, durante minha vida, ótimas pessoas de diferentes religiões (diferentes morais), assim como conheci ótimas pessoas sem religião alguma. O contrário também é válido, pessoas cristãs desonestas e ruins. Também conheci ótimas famílias que nada tem de cristãs, inclusive boas famílias em que os pais são separados (nem por isso os filhos eram degenerados e os outros membros da família perversos). Ler este artigo após ler http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1864 foi frustrante. E a decepção foi maior sendo do Hoppe.
Conservadores não passam de socialistas que defendem o estado minimo para manter o estado do bem estar social. Algo que não tem mais como fingir que funciona.
Os liberais atuais,é um bando de idiota que nunca leu um livro de economia na vida e acredita que votar nos politicos “anti sistema” vai levar ao anarcapitalismo.
O artigo já começa com uma premissa frágil: reescreve o conceito de “conservador” ao sabor de Hoppe, ignorando que a língua não é feita por uma só pessoa, e o termo não significa o que um indivíduo deseja ou pensa ser o melhor, independente dos seus motivos. Além disso, a própria língua não é estática, e as palavras mudam seus conceitos de tempos em tempos. A primeira definição que ele coloca me parece muito mais útil, real e verdadeira, embora não contribua em nada com a narrativa que ele tenta emplacar (motivo pelo qual ele teve que reconceituar o termo).
O resto do artigo foi todo utilizando esse novo conceito de “conservador”, mas não leva em conta o uso que todas as outras pessoas (que não leitores de Hoppe) utilizam do termo.
Estou sendo implicante? Talvez. De todos os autores considerados “libertários”, Hoppe pra mim é o que menos gosto, pra dizer o mínimo. Mas realmente tem ideias dele que não consigo concordar…
Creio que o maior problema de todo o ambiente de debate atual é justamente o uso de “definições que não definem”: conservador, liberal, socialista, democrata, esquerda, direita, fascista, comunista, todas essas palavras viraram auto-elogio na opinião de alguns e xingamento da opinião de outros.
Fuca vendo o pessoal falar que principio da nao agressa seria vc nao recir violentamente nas situacoes, quando na verdade pna e ” voce nao invadira o espaço alheio violentamente “. Isto e , nao sera vc a invadir o espaço alheio.
Nao da a ver com nao reagir viole tamente. O pna nao fere o direito de legitima defesa, isto e , vc pode reagir violentamente quando alguem invade seu espaço, seja pra roubar, ameaçar sua propriedade. Ao contrario ela condena que vc va assaltar ou invadir propriedade e espaço alheio