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As duas ideologias dominantes na Europa

Desde o início da União Europeia, tem havido um conflito entre os
defensores de dois ideais diferentes. 
Qual postura o continente europeu deve adotar: a visão liberal-clássica
ou visão socialista?  A introdução do
euro teve um papel decisivo sobre as estratégias dessas duas visões.[1] Para se entender melhor os problemas causados pela
adoção de uma moeda única, bem como a história por trás de sua adoção, é
importante estar familiarizado com essas duas visões divergentes e essenciais, assim
como as subsequentes tensões que vieram à tona em decorrência de uma moeda
única.

A visão liberal-clássica

Os pais fundadores da União Europeia, Maurice Schuman
(França [nascido em Luxemburgo]), Konrad Adenauer
(Alemanha) e Alcide de
Gasperi
(Itália), todos católicos que falavam alemão, eram adeptos da visão
liberal-clássica para a Europa.[2] Eles também eram
democratas-cristãos.  A visão liberal-clássica
considera a liberdade individual como sendo o mais importante valor cultural
dos europeus e do cristianismo.  De
acordo com essa visão, a função dos estados soberanos europeus é proteger os
direitos de propriedade e a economia de livre mercado em uma Europa de
fronteiras abertas, permitindo desta forma o livre comércio de bens, serviços e
ideias.

O Tratado
de Roma
, assinado em 1957, foi a principal realização para a criação de uma
Europa baseada no liberalismo clássico. 
O tratado estabeleceu quatro liberdades básicas: livre circulação de
bens, livre oferta de serviços, livre movimentação de capital financeiro e
livre migração.  O tratado também
restaurou direitos que haviam sido essenciais para a Europa durante a vigência
do período liberal-clássico no século XIX, mas que haviam sido abandonados
durante a era do nacionalismo e do socialismo. 
O tratado representou a rejeição da era do socialismo, período esse que
havia gerado conflitos entre as nações européias, culminando em duas guerras
mundiais.

A visão liberal-clássica visa à restauração das liberdades do século
XIX.  A livre concorrência, sem barreiras
à entrada nos mercados, deveria prevalecer em um mercado comum europeu.  De acordo com essa visão, ninguém poderia
proibir um cabeleireiro alemão de cortar cabelos na Espanha, e ninguém poderia
tributar um inglês que quisesse transferir dinheiro de um banco alemão para um
banco francês, ou que quisesse investir no mercado de ações da Itália.  Ninguém poderia impedir, por meio de
regulamentações, que uma cervejeira francesa vendesse suas cervejas na
Alemanha.  Nenhum governo poderia dar
subsídios, algo que distorce e corrompe o sistema de livre concorrência.  Ninguém poderia impedir que um dinamarquês
fugisse de seu estado assistencialista e de sua alta carga tributária e
migrasse para um estado com uma carga tributária mais baixa, como a Irlanda.

Para atingir esse ideal de cooperação pacífica e prosperidade
comercial, o único pré-requisito necessário seria a liberdade.  De acordo com essa visão, não haveria nenhuma
necessidade de se criar um superestado europeu. 
Com efeito, a visão liberal-clássica é completamente cética no que
concerne a um estado central europeu; tal criação é considerada prejudicial e
perniciosa para as liberdades individuais. 
Filosoficamente falando, muitos defensores dessa visão são inspirados
pelo catolicismo, e as fronteiras da comunidade europeia são definidas pelo
cristianismo.

De acordo com a doutrina social católica, o princípio da subsidiariedade deveria prevalecer: os
problemas deveriam ser resolvidos no nível mais baixo e menos concentrado
possível dos arranjos.  A única
instituição centralizada europeia aceitável seria uma Corte de Justiça
Europeia, com suas atividades sendo restritas à resolução de conflitos entre os
estados-membros e à garantia das quatro liberdades básicas.

Do ponto de vista liberal-clássico, deveria haver vários sistemas
políticos concorrentes, como ocorreu na Europa durante séculos.  Desde a Idade Média até o século XIX,
existiram sistemas políticos muito diferentes, tais como as cidades
independentes de Flandres (região no noroeste da Europa, que inclui partes da
Bélgica, França e Holanda), da Alemanha e do norte da Itália.  Havia reinados, como os da Bavária e da
Saxônia, e havia repúblicas, como a de Veneza. 
A diversidade política era demonstrada de modo mais explícito na
fortemente descentralizada Alemanha.  Sob
essa cultura de diversidade e pluralismo, a ciência e a indústria se
desenvolveram e prosperaram.[3]

A concorrência em todos os níveis é essencial para a visão
liberal-clássica.  Ela gera uma
congruência, uma vez que a qualidade dos produtos, os preços dos fatores de
produção e, principalmente, os salários tendem a convergir.  O capital vai para os locais onde os salários
são menores, o que provoca sua elevação; os trabalhadores, por outro lado, vão
para onde os salários são mais altos, o que faz com que essa maior oferta de
mão-de-obra os reduza.  Os mercados
oferecem soluções descentralizadas para os problemas ambientais, baseando-se na
propriedade privada.  A concorrência
política assegura o mais importante valor europeu: a liberdade.

A concorrência tributária promove alíquotas de impostos mais baixas,
bem como a responsabilidade fiscal.  As
pessoas “votam com seus pés”, saindo dos países com carga tributária abusiva,
como fazem as empresas.  Nações soberanas
concorrendo entre si com diferentes cargas tributárias são vistas como a melhor
proteção contra a tirania.  A
concorrência também se dá na questão das moedas.  Diferentes autoridades monetárias competem
para oferecer a moeda de maior qualidade. 
As autoridades que oferecem moedas mais estáveis exercem pressão sobre
as autoridades mais displicentes, e estas são obrigadas a se adequar e seguir o
exemplo daquelas.

A visão socialista

Em direta oposição à visão liberal-clássica tem-se a visão
socialista ou imperial da Europa, defendida por políticos como Jacques Delors e François
Mitterrand
.  Uma coalizão de
interesses estatistas entre grupos nacionalistas, socialistas e conservadores
faz o que pode para promover e avançar sua agenda.  Tal coalizão quer ver a União Europeia como um
império ou uma fortaleza: protecionista para quem está de fora e
intervencionista para quem está dentro. 
Esses estatistas sonham com um estado centralizado e controlado por
tecnocratas eficientes — atributo este que todos os tecnocratas estatistas
imaginam ter.

Dentro desse ideal, o centro do Império deveria governar toda a
periferia.  Haveria uma legislação comum
e centralizada.  Os defensores da visão
socialista para a Europa querem erigir um megaestado europeu, reproduzindo as
nações-estado em um nível continental.  Eles
querem um estado assistencialista europeu que garanta a redistribuição de riqueza, a
regulamentação econômica e a harmonização das legislações dentro da Europa.  A harmonização dos impostos e as
regulamentações sociais seriam executadas pelo mais alto escalão da burocracia.  Se o imposto
sobre valor agregado
estiver variando entre 15 e 25% dentro União Europeia,
os socialistas iriam harmonizá-lo em 25% para todos os países.  Tal harmonização das regulamentações sociais
é do interesse dos mais protegidos, mais ricos e mais produtivos trabalhadores,
que podem “arcar” com os custos dessas regulamentações — ao passo que seus
concorrentes não podem.  Por exemplo, se
as regulamentações sociais alemãs fossem aplicadas aos poloneses, estes teriam
grandes problemas para concorrer com aqueles.

A intenção desse ideal socialista é conceder cada vez mais poderes
para o estado central — isto é, para Bruxelas. 
A visão socialista para a Europa é a ideal para a classe política, para
os burocratas, para os grupos de interesse, para os privilegiados e para os
setores subsidiados que querem criar um poderoso estado central visando ao seu
próprio enriquecimento.  Partidários
dessa visão apresentam um megaestado europeu como uma necessidade, e consideram
sua total implementação apenas uma questão de tempo.

Ao longo desse caminho socialista, o estado central europeu iria se
tornar um dia tão poderoso, que os estados soberanos passariam a lhe prestar
total subserviência.  (Já podemos ver os
primeiros indicadores de tal subserviência no caso da Grécia.  A Grécia se comporta hoje como um protetorado
de Bruxelas, que diz ao governo grego como ele deve lidar com seu déficit
orçamentário.)

A visão socialista não fornece nenhuma limitação geográfica
explícita para o estado europeu — ao contrário da visão liberal-clássica
inspirada no catolicismo.  A concorrência
política é vista como um obstáculo para o estado central, o qual, no ideário socialista, deve sair
completamente de qualquer controle por parte do público.  Nesse sentido, o estado central na visão
socialista se torna cada vez menos democrático à medida que o poder vai sendo
deslocado para burocratas e tecnocratas. (Um bom exemplo disso é a Comissão
Europeia, o corpo executivo da União Europeia. 
Os membros da comissão não são eleitos, mas sim designados pelos
governos dos estados-membros.)

Historicamente, os precedentes para esse velho plano socialista de
criar um estado central controlador na Europa foram estabelecidos por Carlos
Magno, Napoleão, Stalin e Hitler.  A
diferença, entretanto, é que dessa vez nenhum meio militar seria
necessário.  Seria a mera coerção do
poder estatal a mola propulsora para a criação de um poderoso estado central europeu.

De um ponto de vista tático, situações específicas de crise seriam
utilizadas pelos partidários da visão socialista para criar novas instituições (tais
como o Banco Central Europeu (BCE), ou, possivelmente no futuro, um Ministério
Europeu das Finanças), bem como para ampliar os poderes das atuais instituições,
como a Comissão Europeia ou o próprio BCE. [4]

A visão liberal-clássica e a visão socialista para a Europa são
irreconciliáveis.  Com efeito, o aumento
no poder de um estado central — como proposto pela visão socialista — implica
uma redução das quatro liberdade básicas, e certamente liberdades civis cada
vez menores.

A história de uma batalha entre duas visões

Essas duas visões têm travado batalhas entre si
desde os anos 1950.  No início, o projeto
das Comunidades Europeias era mais fiel à visão liberal-clássica[5].  A Comunidade Europeia era composta por
estados soberanos e assegurava as quatro liberdades básicas.  Do ponto de vista do liberalismo clássico, um
dos principais defeitos de nascença do projeto eram os subsídios e as
intervenções da política agrícola.  Da
mesma forma, desde seu nascimento, o único poder legislativo pertencia à
Comissão Europeia.  Assim, uma vez que a
Comissão fizesse uma proposta legislativa, o Conselho da União Europeia poderia
sozinho, ou em conjunto com o Parlamento Europeu, aprovar a proposta.[6] 

Esse arranjo já continha em si as sementes da
centralização.  Consequentemente, o
arranjo institucional, desde seu início, havia sido projetado para acomodar a
centralização e o controle sobre as opiniões minoritárias, uma vez que a
unanimidade não era necessária para todas as decisões, e as áreas em que a
regra da unanimidade se fazia necessária foram sendo reduzidas ao longo dos
anos.[7]

O modelo liberal-clássico é defendido
tradicionalmente pelos democratas-cristãos e por países como Holanda, Alemanha
e Reino Unido.  Porém, os
social-democratas e socialistas, normalmente liderados pelo governo francês,
defendem a versão imperialista da Europa. 
Com efeito, em decorrência de sua rápida queda em 1940, dos anos da
ocupação nazista, de seus fracassos na Indochina, e da perda de suas colônias
africanas, a classe dominante francesa utilizou a Comunidade Europeia para
readquirir sua influência e seu orgulho, e para se recuperar da perda de seu
império.[8]

Com o passar dos anos, houve uma lenta porém
contínua tendência rumo ao ideal socialista — com orçamentos cada vez maiores
para a União Europeia e uma nova política regional que efetivamente redistribui
riquezas por toda a Europa.[9]  Inúmeras
regulamentações e harmonizações também estão empurrando o arranjo para essa
direção.

A visão liberal-clássica sobre estados soberanos
e independentes de fato parecia ter readquirido um novo vigor após o colapso da
União Soviética e a reunificação da Alemanha. 
Primeiro porque a Alemanha, tendo tradicionalmente sempre defendido essa
visão, se tornou mais forte após a reunificação.  Segundo porque os novos países emergindo das
cinzas do comunismo, tais como a Tchecoslováquia (sob a liderança do misesiano
Václav Klaus), a Polônia, a Hungria etc., também apoiavam a visão
liberal-clássica para a Europa.  Esses
novos países queriam usufruir sua nova e recém-conquistada liberdade.  Eles já estavam fartos de socialismo,
impérios e centralizações.

A influência do governo francês estava agora
reduzida.[10]
O campo socialista viu sua derrota se aproximando.  Uma rápida ampliação da União Europeia, com a
incorporação dos novos estados do Leste Europeu e a consequente ampliação do
mercado comum, tinha de ser impedida.  Um
passo rumo à criação de um estado centralizador tinha de ser rapidamente
feito.  A moeda única seria o veiculo que
permitiria a realização desse objetivo.[11]

De acordo com os jornais alemães, o governo
francês temia que a Alemanha, após sua reunificação, criasse “uma área de livre
comércio dominada pelo marco alemão, estendendo-se de Brest [litoral noroeste da França] até
Brest-Litowsk [no sul da Bielorrúsia]”.[12]
Os socialistas europeus (franceses) precisavam urgentemente de adquirir poder
sobre a unidade monetária.

Como argumentou Charles Gave[13]
a respeito dos eventos ocorridos após a queda do Muro de Berlim:

Para
os proponentes do “Império Romano” [a visão socialista], o Estado Europeu tinha
de ser organizado imediatamente, não importasse os riscos, e se tornar algo
inevitável.  Caso contrário, os
proponentes de uma “Europa Cristã” [a visão liberal-clássica] venceriam a
batalha por ausência de rivalidade, e a história provavelmente jamais
reverteria seu curso.  O colapso da União
Soviética foi a crise que deu a oportunidade, bem como a força-motriz, para que
o Império Romano levasse a cabo um programa ostensivamente ambicioso.  Com a balança pendendo para o lado da Europa
Cristã, o Império Romano precisava urgentemente desequilibrá-la para o seu
lado; e a criação do euro, mais do que qualquer outra coisa, veio para
simbolizar a investida do campo Romano rumo a uma superestrutura centralizada.

O argumento oficial utilizado pelos defensores
de uma moeda única e de curso forçado era o de que o euro iria reduzir os
custos de transação — facilitando o comércio, o turismo e o crescimento
econômico na Europa.  Mais
implicitamente, entretanto, a moeda única era vista como o primeiro e essencial
passo rumo à criação de um estado europeu. 
Foi presumido que o euro iria criar a pressão necessária para a
introdução desse estado.

O real motivo de o governo alemão,
tradicionalmente oposto à visão socialista, ter finalmente aceitado o euro
tinha a ver com a reunificação alemã.  O
acordo era o seguinte: a França construía seu império europeu e, em troca, dava
o apoio que faltava para a reunificação das duas Alemanhas.[14]
Afirmava-se que, de outra forma, a Alemanha iria se tornar excessivamente
poderosa.  Consequentemente, sua arma
mais pujante, o marco alemão, tinha de ser abolido — em outras palavras, um
desarmamento.

A etapa seguinte nos planos do campo socialista
foi redigir o esboço de uma constituição europeia (feito pelo ex-presidente
francês Valery Giscard d’Estaing Ginard), estabelecendo um estado central.  Porém, esse projeto constitucional fracassou
completamente; ele foi rejeitado nas urnas pelos eleitores da França e da
Holanda em 2005.  Como sempre, a Alemanha
sequer foi consultada.  Os alemães também
não foram perguntados se queriam fazer parte do euro.  Porém, os políticos geralmente não desistem
até que todas as suas ideias sejam aceitas. 
No caso da constituição europeia, eles simplesmente renomearam a constituição;
e não mais foi necessário submetê-la à votação popular em muitos países.

Como consequência, o Tratado de Lisboa foi
aprovado em dezembro de 2007.  O Tratado
está cheio de palavras como pluralismo,
não discriminação, tolerância e solidariedade, todas elas podendo ser interpretadas como clamores
para se violar os direitos de propriedade de terceiros, bem como toda e
qualquer liberdade de contrato.  No
Artigo Três, a União Europeia promete lutar contra a exclusão social e a
discriminação, desta forma abrindo as portas para intervencionismos de todos os
tipos.  Deus não é mencionado uma única
vez no Tratado de Lisboa.

Na realidade, o Tratado de Lisboa acabou sendo
uma derrota para o ideal socialista.  Não
se trata de uma genuína constituição, mas apenas de um tratado.  Isso deixou os proponentes de um Império
Europeu em um beco sem saída, e eles foram obrigados a se reagrupar e centrar
seus esforços na única ferramenta que restou — o euro.  Mas como, exatamente, o euro provoca a
centralização de Europa?

O euro gera os tipos de problemas que podem ser
encarados como um pretexto para que haja uma centralização de poder coordenada
por políticos.  Com efeito, a construção
e a implantação do euro provocaram uma corrente de crises severas: os
estados-membros podem utilizar as impressoras do Banco Central Europeu para
financiar suas dívidas; essa característica da União Monetária Europeia
invariavelmente gera crises da dívida soberana para os países-membros que se
endividam em
excesso.  Essa crise,
por sua vez, pode ser utilizada para centralizar o poder e as políticas
fiscais.  A centralização das políticas
fiscais pode então ser utilizada para unificar a tributação e com isso abolir a
guerra tributária entre os países.

Com a atual crise da dívida soberana de países
como Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda, o único meio que restou aos
socialistas para fortalecer seu plano de implementar um estado central está em risco.  Portanto, é algo totalmente
irrealista dizer que o fim do euro significaria o fim da Europa ou do ideal
europeu; o fim do euro seria apenas o fim da versão socialista da Europa.

Naturalmente, é perfeitamente possível ter uma
Europa economicamente integrada, com suas quatro liberdades básicas, sem que
haja uma moeda única de curso forçado.  O
Reino Unido, a Suécia, a Dinamarca e a República Tcheca não utilizam o euro, mas
pertencem ao mercado comum e usufruem essas quatro liberdades.  Se a Grécia abandonar o euro e se juntar a
esses países, a visão liberal-clássica permaneceria intacta.  Com efeito, uma livre escolha entre várias
moedas é algo mais relacionado ao valor europeu de liberdade do que a obrigação
de utilizar uma moeda continental de curso forçado criada por um banco central
que possui o monopólio de sua produção.

____________________________________________

Esse artigo foi extraído do livro The Tragedy of
the Euro
. (Ludwig von Mises Institute, 2010).

Notas

[1] Ver Jesús Huerta de Soto, “Por una
Europa libre,” in Nuevos Estudios de Economía Política (2005),
pp. 214-216. Ver Hans Albin Larsson, “National Policy in Disguise: A
Historical Interpretation of the EMU,” in The Price of the Euro,
ed. Jonas Ljundberg (New York: Palgrace MacMillan, 2004), pp. 143-70, sobre as
duas alternativas para a Europa.

[2] Uma base teórica para esse visão
explicitada em Hans
Sennholz, How can Europe Survive (New York: D. Van Nostrand
Company, 1955).  Sennholz critica os
planos para uma cooperação governamental criados por diferentes políticos, e
mostra que apenas a liberdade pode eliminar a causa dos conflitos na Europa.

[3] 
Roland Vaubel, “The Role of Competition in the Rise of Baroque and
Renaissance Music,” Journal of Cultural Economics 25 (2005): pp. 277-97,
argumenta que o surgimento da música barroca e renascentista na Alemanha e na
Itália resultou da descentralização desses países e da subsequente concorrência
entre eles.

[4] Em consonância com essa teoria, o
presidente Frances Nicolas Sarkozy tentou introduzir um fundo de resgate
europeu durante a crise de 2008 (ver Patrick Hosking, “France Seeks ?300
bn. Rescue Fund for Europe.” Timesonline.
Dois de outubro, 2008, http://business.timesonline.co.uk).  A chanceler alemã Angela Merkel, entretanto,
resistiu à ideia, e passou a ser conhecida como a “Madame Não”.  A recente crise também foi utilizada para
estabelecer a European Financial
Stability Facility
(Linha de Crédito para a Estabilidade Financeira
Europeia), com a qual o BCE ampliou suas operações e, consequentemente, a base
monetária.  Outras instituições, como a European Systemic Risk Board (Conselho
de Risco Sistêmico Europeu), também foram
criadas durante a crise.  Sobre a
tendência de os estados expandirem seu poder em situações de emergência, ver
Robert Higgs, Crisis and Leviathan:
Critical Episodes in the Growth of American Government
(Oxford: Oxford
University Press, 1987).

[5]
As Comunidades Europeias eram formadas pela Comunidade
Europeia do Carvão e do Aço
, que criava um mercado comum para carvão e aço;
pela Comunidade
Econômica Europeia
, que promovia a integração econômica; e pela Comunidade
Europeia da Energia Atômica
, que criava um mercado especial para energia
nuclear, fazendo sua distribuição pela Comunidade.

[6]
O Conselho da União Europeia, frequentemente chamado de “O Conselho” ou
“Conselho dos Ministros”, é formado por um ministro de cada estado-membro e não
deve ser confundido com o Conselho Europeu. 
O Conselho Europeu é formado pelo presidente do “Conselho dos
Ministros”, pelo presidente da Comissão, e por um representante de cada
estado-membro.  O Conselho Europeu
orienta a União Europeia ao definir sua agenda política.

[7]
Esses importantes defeitos de nascença reduzem o crédito dado aos pais
fundadores, como Schuman, Adenauer e outros.

[8]
Larsson, Hans Albin. 2004. “National Policy in Disguise: A Historical
Interpretation of the EMU.”, p. 162. 
Como escreve Larsson: “A arena na qual a França buscou ressuscitar sua
honra e influência internacional foi a Europa Ocidental.  Como principal país da Comunidade Econômica
Europeia, a França recuperou influência e, com isso, recompensou a perda de seu
império — e tudo isso dentro de uma área onde a França, tradicionalmente e de
diversas maneiras, sempre procurou ter domínio e influência”. 


em 1950, o premiê francês René Pleven, propôs criar um Exército Europeu como
parte da Comunidade de Defesa Europeia (sob a liderança da França).  Ainda que o plano tenha fracassado, ele
fornece evidências de que, desde o início, os políticos franceses pressionaram
pela centralização e pela visão imperial da Europa.  Uma exceção foi o presidente Charles de
Gaulle, que se opunha a um estado europeu supranacional.  Durante a “crise
da cadeira vazia
“, em junho de 1965, a França abandonou seu assento no
Conselho dos Ministros por seis meses em protesto contra um ataque à sua
soberania.  A Comissão havia pressionado
por uma centralização do poder. 
Entretanto, de Gaulle também estava tentando melhorar a posição e
liderança da França nas negociações acerca da Política Comum Agrícola.  A Comissão havia proposto a criação de uma
decisão por maioria de votos nesse quesito. 
Os agricultores franceses eram os principais beneficiários dos
subsídios, ao passo que a Alemanha era a principal contribuinte.  A decisão por maioria de votos poderia ter
privado os agricultores franceses de seus privilégios.

[9]
Roland Vaubel, “The Political Economy of Centralization and the European
Community,” Public Choice 81
(1–2 1994): pp. 151–190, explica a tendência rumo à centralização na
Europa utilizando argumentos oriundos da Teoria da Escolha Pública.

[10]
Larsson, “National Policy in Disguise,” p. 163.

[11]
Como escreveu Arjen Klamer a respeito da estratégia de se utilizar a moeda
única como veículo para a centralização: “A suposição era a de que, tão logo a
unidade monetária fosse uma realidade, seria necessário algum tipo de
construção federal — ou ao menos uma união política mais forte — para que a
união monetária pudesse funcionar. Assim, a carroça foi colocada na frente dos
bois.  Foi tudo um experimento.  Nenhum político ousaria lidar com as
consequências do fracasso — ou do que poderia acontecer — caso uma forte
união política não fosse realizada.  Tudo
já estava arrumado e o show tinha de continuar.” (Arjen Klamer, “Borders Matter: Why the Euro is
a Mistake and Why it will Fail,” in The Price
of the Euro
, ed. Jonas Ljundberg, (New York: Palgrave MacMillan, 2004), p.
33).

Similarmente,
Roland Vaubel escreve sobre os efeitos do euro: “A União Monetária Europeia é o
ponto de partida para a centralização de várias outras políticas econômicas e,
em última instância, para a criação de um estado europeu”. (Roland Vaubel, “A Critical Analysis of EMU and
of Sweden Joining It,” in The Price of the Euro, ed. Jonas
Ljundberg, (New York: Palgrave MacMillan 2004), p. 94) Ver também James
Foreman-Peck, “The UK and the Euro: Politics versus Economics in a Long-Run
Perspective,” in The Price of the Euro,
ed. Jonas Ljundberg, (New York:
Palgrave MacMillan 2004), p. 104.

[12]
Frankfurter Allgemeine Zeitung, June
1, 1996.

[13]
Charles Gave, “Was the Demise of the USSR a Negative Event?” in Investors-Insight.com,
ed. John Mauldin, (5 de maio, 2010), http://investorsinsight.com/.

[14]
Até hoje, o governo francês obteve êxito em criar uma influência
desproporcional sobre a União Europeia. 
A maioria das instituições da UE está localizada na França e na
Bélgica.  O francês é um dos idiomas
oficiais da UE, ao lado do inglês, mas não o alemão, ainda que a União Europeia
tenha muito mais cidadãos que falem alemão do que francês.  Quando se pondera a influência dos
estados-membros baseando-se em sua população, a França está sobre-representada
e a Alemanha, sub-representada.  Com
efeito, a influência proporcional da Alemanha não aumentou absolutamente nada
após sua reunificação.  Como escreveu
Larsson: “Em suma, a União Europeia e seus arranjos predecessores são
basicamente projetos franceses, os quais, não obstante algumas declarações
oficiais, em muitos aspectos serviram ao propósito de utilizar todos os meios
possíveis para ampliar — ou, no mínimo, manter — a influência política
mundial da França, particularmente na Europa.” (“National Policy in Disguise,” p. 165)

 

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44 comentários em “As duas ideologias dominantes na Europa”

  1. Muito esclarecedor este texto. Apesar de estudar história européia eu não tinha conhecimento da existência dessas duas correntes no processo de constituição da UE. É esclarecedor também das posições manifestadas (e reveladas via wikileaks) do Vaticano sobre os limites geográficos da UE e de suas raízes cristãs. Não me ficou claro, contudo, o que aconteceu com a corrente liberal-clássica: quem a defende hoje? há alguma possibilidade de que ela retome os rumos da UE? Se alguém souber de algo a respeito, eu agradeceria bastante.

  2. Interessante: o autor do livro de onde foi retirado esse texto é colega do economista Jesús Huerta de Soto na Universidad Rey Juan Carlos. Os alunos do curso economia nessa instituição estão muito bem servidos.\r
    \r
    \r
    Pelo que vejo do que sai na mídia europeia e das conversas que tenho pela internet com pessoas de lá, a ideologia dominante é de longe o socialismo. Por isso sou sempre pessimista sobre as perspectivas de mais liberdade na Europa. Uma pena, pois maior liberdade por lá poderia significar maior liberdade por aqui já que a elite tupiniquim é muito influenciada (melhor seria dizer colonizada) pelos intellectuels.\r
    \r
    Esse plano socialista de integração da Europa em um único Estado pode até ser factível, tamanha é a influencia da propaganda anticapitalista no Velho Continente. Mas será que eles conseguirão manter essa monstruosidade sem instabilidades políticas e sem levantes populares que ameassem a desintegração do megaestado?\r
    \r
    A História mostrou que Mises estava certo sobre a impossibilidade do calculo econômico em uma economia planejada e acho que até os socialistas aprenderam a lição, pelo modo mais difícil, claro. Há alguma análise no livro sobre como funcionaria esse megaestado e se seria possível mantê-lo?\r
    \r
    Excelente texto e obrigado pela tradução.\r
    Abraços!

  3. Muito bom o texto. A situação européia atual é um tema que tem chamado minha intenção.

    E mudando de assunto rapidamente:

    Alguém tem informação de quando vai ser publicado “Ação Humana” do Mises?

  4. Erik Frederico Alves Cenaqui

    Infelizmente o liberalismo clássico morreu como escola de pensamento influente no mundo todo.\r
    \r
    A União Européia caminha a passos largos para se tornar uma União Soviética mais sofisticada.\r
    \r
    Os europeus estão muito autoritários mesmo.\r
    \r
    Na Suécia houve a estatização completa da instuição família.\r
    \r
    A França dispensa comentários.\r
    \r
    Quem se salva é somente a Inglaterra.\r
    \r
    Todos os tipos de totalitarismos que existem já foram implantados no velho continente.\r
    \r
    Os poucos libertários europeus que existem tem um gigantesco trabalho de conscientização pela frente.\r
    \r
    Abraços

  5. “quem acha que as empresas devem ficar nas mãos do governo, é porque acha que o povo é incapaz de administrar seu próprio dinheiro.”

    Essa frase é ótima!

  6. “O acordo era o seguinte: a França construía seu império europeu e, em troca, dava o apoio que faltava para a reunificação das duas Alemanhas” – \r
    \r
    Faz muito sentido. Isso explica a intransiguência do presidente francês em defender o euro. Quanto a Alemanha, seria realmente surpreendende que um país em guerra (formalmente) e militarmente ocupado desde 1945 tivesse algum peso decisório quanto às polícas da Europa. Se depender da força polítca alemã a Europa continuará socialista por um bom tempo.\r
    \r
    O texto ficou ainda melhor com o adendo. Parabéns ao tradutor

  7. Marcelo Werlang de Assis

    Um cumprimento a todos!\r
    \r
    Vi que em abril haverá o Segundo Seminário da EA em Porto Alegre.\r
    \r
    Pretendo, dessa vez, dele participar.\r
    \r
    Eu gostaria de fazer uma pergunta: vocês venderão, nesse evento, livros do Mises e do Rothbard, além de outros autores comprometidos com a Liberdade? \r
    \r
    Eu adoraria comprar: “Human Action”, “The Theory of Money and Credit”, “Man, Economy, and the State”, “For a New Liberty”, “America’s Great Depression” e “A History of Moneuy and Banking in the United States”.\r
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    Os palestrantes que vierem do LvMI bem que poderiam trazê-los…\r
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    Abraços!\r
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  8. Miguel A. E. Corgosinho

    “Dentro desse ideal, o centro do Império deveria governar toda a periferia. Haveria uma legislação comum e centralizada.”\r
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    Que contradição: Governar toda periferia = Legislação comum e centralizada.\r
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    Ao meu ver, a questão estratégica da legislação comum é a capacidade dos poderes da moeda única suprimir todas as outras edições que deverivam de duas moedas e de títulos públicos para assegurar uma fidedignidade centralizada.\r
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    – A segunda frase é o que vai acontecer depois dos EUA perderem o império do padrão monetário internacional!\r
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    Se livrar do império americano a UE ja conseguiu, ou seja, não depende de dever dólar (VACUO DA CIÊNCIA), em progressão desastrosa, entre os 27 países. \r
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    – Posto que a legislação centralizada, em si, ainda tem o poder para deixar de fora o mercado financeiro – credor do sistema capitalista – não emitindo moeda alienada ao sistema padrão de valor (?); credita-se a união do Banco Central Europeu ser ele o próprio padrão monetário, lastreando o VALOR DE TRANSFERÊNCIA à moeda pelo crescimento do PIB.\r
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    Como assim?\r
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    Fica apenas como uma introdução à propriedade da natureza da moeda única, para preencher O VACUO DA CIÊNCIA, que a existência da riqueza gera um fenômeno externo ao proprio estado teórico de representação da sua produção, que chamarei doravante de VALOR DE TRANSFERÊNCIA INTERNA.\r
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    Logo, em uma legislação centralizada para lastro monetário, basta a ciência apresentar o crescimento do PIB para gerar O VALOR DE TRANSFERENCIA INTERNA à moeda. \r
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    Portanto, nenhum país precisará se endividar pela própria riqueza, em uma economia centralizada fora dele.

  9. Miguel A. E. Corgosinho

    Carlos Santos disse:\r
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    “…conversas que tenho pela internet com pessoas de lá, a ideologia dominante é de longe o socialismo. Por isso sou sempre pessimista sobre as perspectivas de mais liberdade na Europa. Uma pena, pois maior liberdade por lá poderia significar maior liberdade por aqui já que a elite tupiniquim é muito influenciada (melhor seria dizer colonizada) pelos intellectuels.”\r
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    Será que é difícil compreender que a discussão da ideológia dominante na Europa é em relação a distribuição de renda, a favor de um sistema social e não pelo sistema capitalista sem pátria (teoria do imperialismo)? \r
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    Por que mais liberdade por lá poderia significar maior liberdade por aqui?\r
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    Precisamos deixar de lado o complexo de vira-latas… Em matéria de intelectualidade podemos ficar à frente deles na economia. Mas para um sistema social democráico tem que existir muitas pessoas interessadas em mudança, coisa que, pelas mentes daqui, a ideologia dominante vai longe com o imperialísmo. \r
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    Claro, temos que culpar a incapacidade da economia de construir meios de produção científicos – o que obriga o estado a se apropriar da taxa de renda da riqueza, com o monopolio da violência, para pagar as contas, em primeiro lugar, para o mercado financeiro!\r
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    “A História mostrou que Mises estava certo sobre a impossibilidade do calculo econômico em uma economia planejada e acho que até os socialistas aprenderam a lição…” \r
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    Como a história não acabou podemos tentar destrinchar o enigma?\r
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    Segundo a literatura econômica – “a taxa de lucro não pode ser determinada antes de conhecermos os preços” \r
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    Ricardo afirmou que “a economia carecia de uma mercadoria que se pudesse saber, ao longo do tempo, sempre produzida com a mesma quantidade de trabalho” – estado teórico do padrão de valor.\r
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    A lógica de que o custo do ouro e dólar se tornaram padrão de valor, a mercadoria recomendada por Ricardo antes conhecermos a taxa de lucro, se mostra incompatível para planejar a economia, pois, teoricamente, os preços anulam o calculo socialista; tendo em vista que a tal mercadoria não expressa a quantidade de trabalho produzida (produção, ao longo do tempo), ao substituir o princípio de valor da propriedade privada, por preço, e acrescentar taxa de juros.\r
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    Então, Mises pode ter concluido que o calculo econômico não é possível ser repartido, porque o padrão de valor escolhido fica com o produto da taxa de lucro para fazer o resultado matemático da centralidade econômica. \r
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    Os especuladores do dolár podem dizer: o valor está em poder do preço. Mas. por outro lado, o valor que se poderia calcular, com características do concreto, é conseguido por abstração\r
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    Voltando a UE, por que o sistema centralizado não deu certo? porque seguiu o exemplo do comunismo – centralizado na moeda pública – que excluiu a proprieda privada do calculo do socialismo da produção. \r
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    Ai sim, por preço e não abstração, deveríamos também não querer suportar a ligação do livre mercado (financeiro) ao Estado.\r
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    Observe, porém, que atividades da propriedade privada, que derivassem da forma central de medir a produção, podem fundamentar a precedência natural de estruturação do VALOR DE TRANFERENCIA INTERNA e, por assim dizer, a moeda passaria a existir como perspectiva de repartição da taxa de renda – calculo do renovo interno da economia, montante de moeda real e socialismo da produção que, ao longo do tempo, se converte ao mundo exterior – e eles sempre produzem características comuns.

  10. Já houve algum tempo em que a visão liberal-clássica defendida pelos liberais europeus de hoje, tal qual explanada no texto, foi realidade ?\r
    Por outro lado, a meu ver, a ideia de um megaestado europeu é puro delírio. Desde a queda do império romano, isso nunca aconteceu. Por que aconteceria agora? Caso se torne realidade, será efêmero. \r

  11. Leandro,\r
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    Aproveitando este importante topico, voce teria alguma referencia direta ao tema do “interesse publico” na perspectiva liberal/libertaria?\r
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    Parece-me claro que, adotando-se o metodo da praxeologia, nao podemos falar de “interesse publico” ou de “interesse coletivo”, porque apenas individuos podem ter interesses.\r
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    Por outro lado, muitos desses interesses individuais sao comuns a um grande numero de individuos. Por exemplo, a maioria das pessoas quer uma educacao que lhe permita conseguir bons empregos; a maioria das pessoas quer viver em areas livres de poluicao; a maioria das pessoas quer viver sem medo de assaltantes a cada esquina…\r
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    Obviamente, os meios usados para realizar esses interesses podem variar enormemente: numa comunidade, ha um curriculo minimo a ser seguido; noutra, todas as escolas sao operadas pelo governo; numa terceira, nao ha qualquer regra universal… e assim por diante.\r
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    Do mesmo modo, quando um grupo de pessoas vai ao cinema, todas tem um interesse comum, que eh assistir um determinado filme. Mas se esse filme agrada os gostos individuais de cada um, eh outra historia.\r
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    No Brasil, a propria Constituicao coloca o “interesse publico” como finalidade do Estado. Mas o que eh, conceitualmente e na pratica, o interesse publico?

  12. Emerson Luis, um Psicologo

    A palavra “ideologia” tem um sentido pejorativo de racionalização para justificar o controle de uma classe dominante. Neste sentido, ao contrário do que Marx disse, o socialismo e o intervencionismo sim são uma ideologia e o liberalismo é uma filosofia de vida.

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