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Como a inflação cria miniciclos para as commodities

Em
seu livro Hot Commodities, o
legendário investidor Jim
Rogers
argumenta persuasivamente que grande parte das commodities passa por
longos superciclos de crescimento seguido de contração de preços porque as
commodities possuem uma baixa elasticidade de preço no curto prazo — isto é, a
oferta e a demanda não se alteram no curto prazo independentemente da variação
dos preços –, ao passo que, no longo prazo, tal elasticidade é muito grande —
isto é, alterações no preço afetam a oferta e a demanda.

Se
há um grande aumento na demanda (ou uma redução na oferta), a oferta (advinda
de novas fontes) poderá aumentar apenas levemente no curto prazo, pois leva-se
muito tempo — tanto por motivos naturais quanto por motivos políticos
(ambientalistas, burocracia etc.) — para se encontrar novos fontes de petróleo
e metais, por exemplo.  E mesmo quando
esses novos recursos são descobertos, novos obstáculos tanto de natureza
política quanto de natureza ambiental impedem que eles sejam de fato extraídos.

Como
resultado, o aumento na demanda ou a redução na oferta de alguma commodity irá
necessariamente fazer com que, no curto prazo, tal alteração seja equilibrada
por meio de um grande aumento de preços.

Ademais,
esse necessário ajuste de preços no curto prazo é intensificado ainda mais em
decorrência do fato de a maioria das pessoas acharem muito difícil ou caro
fazerem elas próprias ajustes em seu comportamento.  Por exemplo, se elas possuem um utilitário e
o preço da gasolina dispara, elas dificilmente poderão trocar de veículo no
curto prazo — abandonando o utilitário e comprando um híbrido, por exemplo –,
pois a troca seria muito cara.

Por
esses motivos, aumentos súbitos na demanda ou reduções súbitas na oferta irão
provocar, no curto prazo, aumentos acentuados nos preços das commodities.  E esses aumentos perdurarão por um bom tempo.

Entretanto,
após alguns anos, novos poços de petróleo ou novas minas serão descobertos; e,
após mais alguns outros anos, as commodities passarão a ser extraídas
destes.  Como resultado, a oferta
começará a aumentar significativamente. 
Ademais, após vários anos de preços elevados, as pessoas já terão
reduzido ou até mesmo substituído inteiramente o uso que faziam destas
commodities.  Consequentemente, a demanda
já terá sido significativamente reduzida.

O
resultado desse aumento na oferta e dessa redução na demanda será um acentuado
declínio nos preços das commodities. 
Isso fará com que haja um novo período de preços baixos, pois, no curto
prazo, oferta e demanda também reagem lentamente a preços baixos.

Concordo
plenamente com a análise acima descrita. 
Porém, creio que ela esteja incompleta, uma vez que deixou de fora da
análise como a inflação afetou os preços das commodities nesse ínterim.  Como os preços das commodities são mais
flexíveis que os preços de outros bens, e como as commodities estão muito longe
do consumidor final na cadeia de produção (e, com isso, de acordo com a teoria
austríaca, elas são extremamente sensíveis a toda e qualquer variação nas taxas
de juros reais), políticas inflacionárias elevarão os preços das commodities
muito mais acentuadamente do que os preços dos bens de consumo em geral.

Uma
das prováveis explicações para o motivo de Jim Rogers ter deixado de fora essa
explicação é que talvez ele estava interessado apenas nos superciclos de longo
prazo criados pelos fenômenos acima descritos, e não estava interessado nos
efeitos de mais médio prazo causados pela inflação da oferta monetária.  E parece improvável que políticas
inflacionárias irão afetar as duas décadas ou mais dos longos ciclos que Rogers
estava interessado em descrever, dado que elas possuem pouco efeito nos
fundamentos de longo prazo.

E
isso provavelmente está correto.  Porém,
embora Rogers não estivesse interessado nisso, creio que isso seja do interesse
de qualquer um que queira analisar flutuações nos preços das commodities para
períodos menores que duas décadas.  As
razões que descrevi acima com efeito explicam por que políticas inflacionárias
irão criar miniciclos nas commodities em intervalos de poucos anos.

Como
as políticas inflacionárias possuem pouco ou nenhum efeito sobre os fundamentos de
longo prazo dos preços das commodities em relação a outros preços — embora
tenham fortes efeitos positivos (no sentido de aumentar os preços das
commodities) no curto prazo –, conclui-se que, sempre que os bancos centrais
começam a perseguir políticas mais inflacionistas, commodities e outros ativos
que se beneficiam dos altos preços das commodities se tornam bons
investimentos. 

Entretanto,
como isso também significa que os preços das commodities voltarão a cair mais tarde,
os investidores devem ficar atentos às medidas dos bancos centrais: quando suas
políticas inflacionistas forem interrompidas, é hora de ficar vendido nesses
ativos.

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3 comentários em “Como a inflação cria miniciclos para as commodities”

  1. Eu lembro dos gráficos de “Candle Stick” usado para medir os preços. Basicamente usa uns símbolos que ajudam a entender se o preço fechou em alta ou baixa.

    O importante aqui é de onde eles vieram: do mercado de arroz japones, há centenas de anos atrás… e já haviam essas variações de preços nas commodities.

    (e falamos de antes de 1700… ainda nem tinham inventado os bancos centrais). É a história da Tulipa se repetindo de novo, e de novo e de novo.

  2. Não sei se é verdade ,mais não foi o brasil que na decada de 70 no intuito de obter dólares exportou milho(ou outro produto)em grande quantidade, logo depois ouve a falta no mercado brasileiro e teve que importar o mesmo produto com um preço mais caro do que exportou.

  3. Emerson Luis, um Psicologo

    A inflação produzida pelo governo distorce todo o fluxo de informações da economia, gerando ciclos que são atribuídos ao livre mercado, cuja solução é mais intervencionismo.

    * * *

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