A imprensa descobriu a pólvora. E está em polvorosa. A manchete está em destaque no jornal britânico The Guardian, e repercutiu com vigor nas redes sociais.
Ei-la, em toda a sua glória:

“Temos uma arma poderosa para combater a inflação: controle de preços. Está na hora de usá-la.”
Simples assim.
Aqui está a matéria na íntegra. O leitor pode conferir que não é trote. Realmente está-se defendendo, com ares de grande novidade, o controle de preços.
Aparentemente, para a mídia, ninguém nunca pensou nisso antes…
A causa da atual carestia
A causa da atual carestia generalizada ao redor do mundo já foi repetidas vezes exposta nas páginas deste Instituto. Ao contrário do que se imagina, não se trata de um choque de oferta, mas sim de um excesso de demanda.
As coisas não estão caras porque “as fábricas estão fechadas” (não estão), ou porque “o agronegócio mundial parou” (nunca parou). As coisas estão caras porque os Bancos Centrais mundiais, em uma medida inédita e coordenada, em resposta à pandemia de Covid-19, injetaram na economia um volume sem precedentes de moeda. Em apenas um ano, a quantidade de moeda injetada na economia aumentou 50%. (Confira todos os detalhes aqui, aqui e aqui).
Com moeda em excesso, a demanda dos consumidores aumenta. É realmente simples e direto assim.
A tão famosa escassez de chips — que está encarecendo os carros novos e, consequentemente, os usados — não se deve um problema nas fábricas de chips. Semicondutores estão sendo produzidos em volumes inéditos. Taiwan acabou de bater um recorde na produção de chips (esta monografia da Bridgewater comprova que nunca se produziu tanto chip na história do mundo).
Estão faltando chips pelo simples motivo de que a demanda por eles está excessiva — demanda esta causada pelo acentuado aumento da oferta monetária global.
Não há, portanto, nenhum problema generalizado na oferta. Há, isso sim, um excesso de demanda, a qual aumentou abruptamente (de novo: a quantidade de moeda na economia mundial aumentou 50% em 2020) e a qual simplesmente está superando em muito a oferta.
Consequentemente, é natural e até desejável que os preços subam. É exatamente este aumento de preços, em reação a um aumento da demanda, que irá garantir a continuidade da oferta de bens e serviços no mercado.
Qualquer tentativa de proibir esta liberdade de preços irá garantidamente gerar escassez e desabastecimento.
Nada menos que 4 mil anos de história nos ensinam isso.
Um breve histórico
O argumento contra os controles de preços não é meramente um exercício acadêmico, algo restrito aos manuais de economia. Há realmente um histórico de quatro mil anos de catástrofes econômicas causadas pelos controles de preços.
Este histórico está parcialmente documentado em um excelente livro intitulado Forty Centuries of Wage and Price Controls (Quarenta Séculos de Controles de Preços e Salários), de Robert Schuettinger e Eamon Butler, publicado originalmente em 1979.
Todas as citações a seguir foram retiradas do livro, com a preciosa ajuda do professor Thomas DiLorenzo.
O Código de Hamurabi
Na Babilônia, aproximadamente em 1772 a.C., o Código de Hamurabi, de 282 leis, estabeleceu: tabelas de preços fixos de aluguel de carroças, de armazenamento de grãos, de serviços médicos, aluguel de barcos, e outros.
O Código de Hamurabi continha uma barafunda de regulamentações e controle de preços, do tipo: “Se um homem contratar um camponês, deverá dar a ele oito gurs (unidade de medida hamurábica) de cereais por ano”; “Se um homem contratar um boiadeiro, deverá dar a ele seis gurs de cereais por ano”; “Se um homem alugar um barco de seis toneladas, deverá pagar um sexto de um shekel de prata por dia por esse aluguel”.
E os decretos não paravam mais.
Tais imposições “sufocaram o progresso econômico no império por vários séculos”, como mostram os registros históricos. Assim que estas leis foram implantadas, “houve um acentuado revés na prosperidade das pessoas”.
O comércio declinou continuamente durante o reinado de Hamurabi, após comerciantes e mercadorias escassearem. O tabelamento teve por consequência um castigo não premeditado àqueles que o código pretendia apoiar.
Sofismas gregos
Durante o período clássico de Atenas, em 400 a.C., fiscais denominados “sitophylakes” impediam preços ‘abusivos’ dos grãos, em uma antevisão do Código de Defesa do Consumidor.
Lísias, escritor de discursos, em sua peça oratória 22, “Contra os Comerciantes de Grãos“, pediu em tribunal ateniense a pena de morte para os comerciantes que acumulassem ou aumentassem preços em tempos de escassez.
Foi criado “um exército de fiscalizadores nomeados para a função de estabelecer o preço do cereal em um nível que o governo ateniense julgasse justo”. Os atenienses chegaram até mesmo a executar fiscais que não logravam êxito no tabelamento.
Esse controle de preços grego inevitavelmente levou à escassez de cereais. Por sorte, vários empreendedores corajosamente conseguiram se esquivar destas leis ignaras e, com isso, salvaram milhares da inanição. Não obstante a imposição de pena de morte para aqueles que desobedecessem às leis de controle de preços, tais leis “eram praticamente impossíveis de serem impingidas”.
A escassez criada pelo controle de preços criou grandes oportunidades de lucro no mercado negro, para a grande sorte do povo grego.
Uma nova praga no Egito
À mesma época, no Egito, “havia uma verdadeira onipresença do estado” na regulação da produção e da distribuição de grãos. “Todos os preços foram congelados por decreto em todos os níveis”.
Este “controle assumiu proporções assustadoras. Havia um exército de burocratas que inspecionavam diariamente o cumprimento do decreto”.
Os agricultores egípcios ficaram tão enfurecidos com esse controle de preços, que vários deles simplesmente abandonaram suas fazendas. Ao final do século, “a economia egípcia havia entrado em colapso, junto com sua estabilidade política”.
Roma não caiu em um dia
Até essa altura, as altas de preço eram geralmente pontuais e derivadas dos chamados “choques de oferta”, ou quebras de safras. Já no Império Romano, entrou em cena uma novidade: o fenômeno da inflação, ou alta generalizada de preços, que se tornou política pública.
Desde 269 a.C., ainda na República, o templo de Juno Moneta (origem da palavra “moeda”) cunhava o “denarius” contendo 100% de prata. Mas, a partir de 64 d.C., os imperadores passaram a recunhá-lo misturando metais mais baratos.
Faziam-se moedas menores, ou aparavam-se pequenas nervuras das beiradas das moedas de ouro, serrilhando-as, com o objetivo de cobrar impostos, quando entravam nos prédios do governo. Posteriormente, essas aparas eram derretidas para se transformar em mais moedas.
Obviamente, assim como também fizeram os gregos, os romanos misturavam, às moedas de ouro e prata, metais menos nobres como o cobre. Adicionalmente, inventaram a não tão sutil arte da revalorização, o que significava que cunhavam as mesmas moedas novamente, porém com valor de face superior ao anteriormente gravado.
Nero reduziu o conteúdo de prata para 88% (lucro e inflação instantâneos de 15%). O “denarius” seguiu sendo continuamente depreciado por ligas metálicas até conter apenas 0,5% de prata, em 268 d.C.
Quando Diocleciano subiu ao trono em 284 d.C., a inflação (e a população romana) estava ensandecida: as moedas romanas eram apenas uma placa de estanho folheada a cobre ou a bronze.
Em 301 d.C., Diocleciano lançou seu infame Édito Máximo, que impôs pena de morte a qualquer um que vendesse mercadorias acima dos preços estipulados pelo governo. Além do controle dos preços, os salários também foram congelados.
Diocleciano “estipulou um teto de preços para carnes, cereais, ovos, roupas e outros bens, e instituiu a pena de morte para qualquer um que vendesse seus artigos a um preço maior do que o estabelecido”.
Diocleciano atribuía a culpa da inflação generalizada à ganância de comerciantes e especuladores. Além de instituir a pena de morte aos vendedores, instituiu também para aqueles que comprassem acima do preço de tabela.
Entretanto, para surpresa de Diocleciano, os preços continuaram subindo. Os comerciantes não podiam vender seus artigos com lucro; assim, fechavam as portas. As pessoas deixavam suas carreiras de escolha em busca de empregos nos quais os salários não fossem fixos ou desistiam e aceitavam a ajuda do governo, uma espécie de seguro-desemprego ou mesmo bolsa família.
Sim, foram os romanos que inventaram esse tipo de assistência social. Roma tinha uma população de cerca de 1 milhão de pessoas nesse período, e 200 mil delas, cerca de 20%, recebiam ajuda do governo.
Os resultados foram que “as pessoas simplesmente pararam de colocar seus bens à venda no mercado, dado que elas não mais poderiam obter um preço sensato por eles. Isso aumentou tão acentuadamente a escassez, que, após a morte de várias pessoas, a lei foi finalmente revogada.”
No fim, foi a adulteração da moeda e o déficit das contas públicas – despendido para financiar o exército, o funcionalismo público, os programas sociais e a guerra – que derrubaram o Império Romano.
Washington e os soldados famintos
Já em épocas mais modernas, foi por muito pouco que o exército revolucionário de George Washington não morreu de fome no campo de batalha graças ao controle de preços sobre alimentos que havia sido instituído pelo governo da Pensilvânia e por outros governos coloniais.
A Pensilvânia impôs controle de preços especificamente sobre “aquelas mercadorias imprescindíveis para o exército”, criando uma desastrosa escassez de tudo que o exército mais necessitava.
O Congresso Continental sabiamente adotou uma resolução anti-controle de preços no dia 4 de junho de 1778, a qual dizia:
Considerando que já foi descoberto pela experiência que limitações impostas aos preços das mercadorias não apenas são ineficazes para o objetivo proposto, como também são igualmente geradoras de consequências extremamente maléficas, fica resolvida a recomendação aos vários estados para que revoguem ou suspendam todas as leis limitando, regulando ou restringindo o preço de qualquer artigo.
Ato contínuo, “Já no outono de 1778, o exército já estava suficientemente bem provido como resultado direto dessa mudança de política”.
Robespierre conhece a guilhotina
Os políticos franceses repetiram os mesmos erros após sua revolução, instituindo a “Lei de Maximum” em 1793, a qual impôs controle de preços sobre pão, cereais e, depois, sobre uma longa lista de vários outros itens.
Quando essas medidas se revelaram incapazes de aumentar a oferta de alimentos, o comitê enviou soldados para o interior do país com o intuito de confiscar violentamente os cereais dos perversos agricultores, que estavam “entesourando” tudo.
Previsivelmente, “em algumas cidades francesas, as pessoas estavam tão mal alimentadas, que estavam literalmente caindo pelas ruas por desnutrição”.
Uma delegação representando várias províncias escreveu para o governo em Paris que, antes da lei do controle de preços, “nossos mercados estavam bem providos; porém, tão logo congelamos os preços do trigo e do centeio, estes cereais nunca mais foram vistos. Os outros tipos que não estão submetidos ao controle de preços são os únicos que podem ser encontrados à venda”.
O governo francês se viu então obrigado a abolir sua maléfica lei de controle de preços após ela ter literalmente dizimado milhares de pessoas.
Quando Maximiliem Robespierre estava sendo carregado pelas ruas de Paris a caminho de sua execução, a plebe gritava “Lá vai o maldito Maximum!”.
Um sermão nazista
Ao final da Segunda Guerra Mundial, os planejadores centrais americanos haviam se tornado ainda mais totalitários em termos de política econômica do que os nazistas derrotados.
Durante a ocupação americana da Alemanha, no pós-guerra, os “planejadores” americanos se mostraram muito entusiasmados com os controles econômicos impostos pelos nazistas, inclusive o controle de preços. Desnecessário dizer que eram estes controles econômicos que estavam impedindo a recuperação econômica alemã.
O notório nazista Hermann Goering chegou até mesmo a passar um sermão no correspondente de guerra americano Henry Taylor sobre o assunto. Como relatado no livro de Schuettinger e Butler, Goering disse:
Todas as coisas que a sua América está fazendo no campo econômico estão nos causando vários problemas.
Vocês estão tentando controlar os preços e os salários das pessoas — ou seja, o trabalho das pessoas.
Se você faz isso, você inevitavelmente tem de controlar a vida das pessoas. E nenhum país pode fazer isso pela metade.
Eu tentei e não deu certo.
Tampouco pode um país fazer isso integralmente, indo até as últimas consequências. Eu tentei isso também e, de novo, não deu certo.
Vocês não são melhores planejadores do que nós. Eu imaginava que seus economistas haviam lido e estudado o que ocorreu aqui.
Os controles de preços foram finalmente abolidos na Alemanha, em 1948, pelo Ministro da Economia Ludwig Erhard. A abolição ocorreu de uma só vez, em um domingo, quando as autoridades de ocupação americanas estavam ausentes de seus escritórios, incapazes de impedi-lo. Tal revogação produziu o “milagre econômico alemão”. [Veja todos os detalhes do milagre alemão neste artigo].
Modernidades
Nos EUA, controles de preços foram a causa da “crise energética” da década de 1970 e dos apagões na Califórnia na década de 1990 (os preços do setor de geração de energia foram liberados, mas continuam congelados no setor de transmissão e distribuição).
No Brasil, em 1986, após anos de crescente inflação (monetária e de preços), o presidente Sarney baixou um decreto congelando os preços de todos os bens e serviços da economia brasileira.
Como consequência, carros usados tornaram-se mais caros que carros novos, as carnes desapareceram dos açougues (mas prontamente reapareciam tão logo o comprador ofertasse uma quantia extra por baixo do balcão) e o governo acabou tendo de literalmente prender bois no pasto para impedir suas exportações, que eram bem mais vantajosas.
Recentemente, Argentina e Venezuela nos forneceram os mais atualizados, didáticos e escabrosos exemplos. Na Argentina, durante o governo de Cristina Kirchner, houve falta de absorventes e supermercados desabastecidos foram saqueados. Na Venezuela, onde o congelamento foi total, acabou tudo, até o papel higiênico.
Para concluir
Ao longo de mais de quatro mil anos, ditadores, déspotas e políticos de todos os naipes viram nos controles de preços uma forma suprema de prometer ao público “alguma coisa em troca de nada”.
E, por mais de quatro mil anos, os resultados têm sido exatamente os mesmos: escassez e desabastecimento, várias vezes com consequências catastróficas; deterioração da qualidade do produto; proliferação dos mercados negros, em que os preços são maiores do que seriam em um mercado livre e os subornos são desenfreados; destruição da capacidade produtiva daquelas indústrias cujos preços são controlados; distorções grosseiras dos mercados [no Brasil do Plano Cruzado, carro usado era mais caro do que carro novo]; criação de burocracias tirânicas e opressivas para fiscalizar o controle de preços; e uma perigosa concentração de poder político nas mãos destes burocratas controladores de preços.
Tabelar os preços sempre teve a mesma consequência: o comerciante tende a deixar de negociar o produto tabelado porque terá prejuízo; então, restringirá a oferta, buscará outros ramos de atuação (de produtos não tabelados), e o consumidor acaba com o prato vazio.
Como bem resumiu Roberto Campos: “Como as damas balzaquianas, de vida airada, o tabelamento de preços rejuvenesce à medida que se esquecem as experiências passadas. É a teoria dos que não têm teoria.
Interessante é que, no meio desse caos, a Bolívia tem ficado com índice de preços bastante comportado.
Em novembro, a inflação de preços (anual) foi só de 0,96 %. Está entre as menores do mundo.
É claro que o índice de preços não será totalmente preciso (ainda mais sendo um governo abertamente de esquerda), mas olhando o M1 do país, ele cresceu em ritmo menor do que na Alemanha, bem próximo ao ritmo suíço. O M1 boliviano, de janeiro de 2020 a setembro de 2021, cresceu 13,92 %. Na Alemanha, 21,02 %; 13,27 % para Suíça; 115,8 % para Argentina e 50,11 % para Brasil. Isso, embora as reservas internacionais bolivianas continuem em baixa recorde.
Como o boliviano usa o dólar como âncora, o fortalecimento do dólar também ajuda em conter pressões inflacionárias no país.
Curioso ver que os planejadores americanos na Alemanha no pós-Guerra conseguiram ser piores no controle de preços do que os próprios nazistas. Coisa de profissional.
Reagan começou o seu mandato acabando com os controles de preços do gás e do petróleo. Além disso, quais foram as suas demais desregulações? Das reduções de impostos eu já sei, houve o ERTA, o TEFRA e o TRA de 1986.
Vi alguns materiais na Internet, com gente falando que a desregulação no setor bancário foi ruim e causou o Savings and Loan Crisis de 1989, além de que as desregulações nas tarifas aéreas deram mais poder para grandes empresas aéreas (mas pelo que me lembre, essa desregulação nas tarifas veio no governo Carter) e prejudicou as pequenas (queria saber como que isso aconteceu).
Vale recordar que desde o fim 2019, quando o preço da carne subiu forte por causa da liberação de importações pelo governo chinês, a mídia brasileira passou a defender congelamento da carne.
É só você ver o tom das chamadas da época. Uma simples googlada traz as seguintes manchetes:
“Apesar da forte alta, Bolsonaro diz que não vai tabelar o preço da carne” (Estadão)
“Bolsonaro diz que, mesmo com alta, não vai tabelar ou congelar o preço da carne (Globo)
“Mesmo com alta, Bolsonaro defende “mercado aberto” e diz que não vai tabelar preço da carne” (Revista Fórum)
“Apesar da alta recorde, Bolsonaro descarta tabelar o preço da carne” (Jovem Pan News)
“Bolsonaro não vai fazer nada para impedir alta da carne bovina” (Conversa Afiada)
“Bolsonaro descarta ação do governo para conter alta da carne bovina” (Correio do Povo)
Para mim, o mais incrivel foi que na época que o preço da carne subiu, muitos pediam que o BONORO congelasse o preço da carne !!!
Dentre esses muitos, estava grande parte da mídia. O que deixa claro o poder de fazer cagadas monumentais que eles tem, destacando a GLOBO.
Ainda bem que o BONORO não entrou nessa furada. Mas muita gente, acuada por achar caro demais o preço, até gostaria que tal medida fosse aplicada.
Imagino o desastre que teria sido aplicar isso.
Esse negócio de controle de preços, me lembra a época de hiperinflação, época que eu tenho lembranças bem marcantes.
As vezes a minha mãe substituía o café com leite por chá de mate leão, que era mais barato e rendia mais. Quando sobrava um dinheiro, a gente tinha mais chance de tomar café com leite.
Refrigerante? Só as tubaínas, e bem de vez em quando, com o dono do bar emprestando o casco.
Quando ela recebia o salário, a gente ficava um tempão na fila do banco, e com o dinheiro na mão, já ia correr para o mercado para fazer a “despesa” do mês, senão você só comprava o básico, e ficaria sem dinheiro para comprar a “mistura”, que podia ser salsicha, ovos, coxa de frango.
Nugets, e outros congelados só no sonho.
Na época do Plano Cruzado, lembro do discurso do Sarney na televisão, e da festança que o povo fazia. Nego ia no mercado e na padaria, com aquelas tabelas da Sunab que muitos pegavam no jornal, principalmente do jornal “Notícias Populares”, que toda a semana tinha uma chamada na capa com tabela da Sunab, com novas atualizações de produtos.
É nessa época o surgimento dos famosos “Fiscais do Sarney”.
Gerente de mercado, ou até mesmo o dono de mercado, padaria ou açougue era tratado como se fosse bandido. Tinha gente que achava que tinha poder de polícia só por que o Sarney falou que as pessoas eram os próprios fiscais do plano.
Loucura.
Lembro até hoje, quando começou a faltar os produtos e as prateleira ficarem vazias, a Globo fez algumas propagandas do tal “Tem que dar Certo”, que tinha a Lucélia Santos e até os trapalhões, falando que a falta das coisas era culpa do comércio, e que o plano “Tinha que dar certo”, como se fosse na base da boa vontade.
Aí veio a dureza para fazer despesa: Não precisava correr para o mercado, mas tinha que levar os filhos juntos para garantir a cota do que podia comprar. Quem não se lembra das famosas filas do leite?
Lembro que o PMDB ganhou disparado aqui em São Paulo naquela época. O Quércia virou governador, e que anos depois acabaria com o Banespa.
Aí depois da eleição os preços dispararam. Tinha voltado o costume de correr para o mercado pra fazer a despesa do mês. Pior era pra aqueles que tinham tripudiado dono de padaria e mercado, tiveram que voltar com o rabo entre as pernas.
Dose é que o pessoal mais novo (abaixo dos 40 anos) não viveu aquela época, e acha que é só congelar os preços que resolve.
Controle de preços não funciona desde a Roma Antiga. Ingenuidade achar que “agora é diferente”.
A economia é importante? É. Mas tem certas coisas que eu não aceito. Tem certas coisas que não são justas.
Por exemplo, imagine que ocorra um desastre natural em uma cidade — um furacão — e centenas de famílias fiquem desabrigadas. A demanda por habitação aumenta. É justo que os preços das habitações nesta cidade aumente 100% porque a demanda por habitação aumentou devido ao desastre natural? Por essas e por outras que devemos pensar se a lei da oferta e demanda.
O artigo do “Guardian” afirma que o controle de preços funcionou durante e depois da 2ª guerra, e portanto pode funcionar agora.
O controle de preços funcionou tão bem que o racionamento de comida na Inglaterra só acabou nove anos depois do fim da guerra. (e não custa lembrar que a Inglaterra ganhou a guerra)
e o dollyinho vai a 5.57 reecas.
Se há algo que História sempre nos ensinou é que a maioria das pessoas não aprende com a História.
Aqueles antigos desenhos animados que mostram pessoas de séculos ou milênios anteriores pensando e agindo como nós hoje não são tão fantasiosos quanto parecem.
Suponhamos um Estado totalitário. O governo estabelece pena de morte para quem aumentar os preços. As consequências lógicas seriam a escassez. Entretanto, para contornar esse problema, o governo resolve então aplicar a pena de morte para quem diminuir a produção. Qual seria a consequência lógica dessa medida?
O citado “Verbetes de um Dicionário”, do Roberto Campos, é hilário.
CONGELAMENTO DE PREÇOS
Conjunto de medidas destinadas a transmitir ao mercado os sinais errados — aumentar a procura e diminuir a oferta — com o propósito patriótico de desorientar os especuladores.
Na forma mais branda, o burocrata se arroga das funções do mercado e os preços são “cipados”. Na versão mais radical, os preços são “congelados”, o que significa o triunfo definitivo do burocrata sobre o mercado, coisa plenamente justificável à luz da melhor informação, maior sensibilidade social e superior velocidade de reação, características das entidades governamentais.
Isso faz emergir uma nova classe sociológica, dotada do poder de vida e morte sobre as empresas — a dos “tabuladores” — que se sobrepõe à tetralogia medieval dos “oradores”, “bellatores”, “mercatores” e “fabricatores”.
COMBATE À INFLAÇÃO
Expressão que denota o engajamento do Governo na “guerra à carestia”. Mais precisamente, é o combate à alta de preços provocada por acidentes climáticos, ou pelos atravessadores e especuladores, não devendo ser confundido com o combate à inflação propriamente dita, resultante da expansão monetária.
A expressão abrange várias modalidades de ação.
Na chamada variante “corpo-a-corpo”, o Ministro da Fazenda e altas autoridades inspecionam pessoalmente e diariamente os preços da cebola e do chuchu.
Na variante “estatística”, o índice de preços é encurtado ou alongado durante o mês, introduzindo-se, quando oportuno, um “fator de acidentalidade”.
Na variante “estrutural”, os preços do petróleo e tarifas de utilidades públicas são acelerados ou repassados em função do preço do feijão.
Eu já era adulta no episódio “Confisco do boi no pasto”. Foi hilariante! Serviu, com garbo, para mostrar como os silvícolas sabem fazer seu trabalho, e como os funcionários públicos, ao tentarem o mesmo, cumpriram um episódio ridículo. Lembro de meu pai relatando que, por não saberem montar a cavalo, e muito menos distinguirem um boi de uma vaca, fizeram a peonada gargalhar.
Funça tentando domar boi para confiscá-los era uma cena impagável. Pena que não tinha celular nem youtube na época. Seria uma desmoralização eterna.
Estado e seus colaboradores denunciantes sempre andaram juntos ao longo da história do século XX. O estado é uma fábrica de psicopatas. Posso afirmar isso com muita certeza.
Deviria congelar os gastos do governo isso sim
Recentemente o governo publicou uma MP com a pretensão de deixar os cartórios com maior acessibilidade, sem precisar ficar indo para uma outra cidade para pegar algum documento. Todavia, o lado ruim é que isso dá mais poder para o governo, já que agora será mais centralizado.
O que poderia ser feito no lugar disso? Como que essa estrutura cartorial surgiu no Brasil? Em países desenvolvidos, como funciona? Um americano por exemplo não entende o que é despachante, quando falamos para ele de que isso existe no Brasil.
Nesse ano de 2022, fará 20 anos que o Henrique Meirelles seria aprovado no Senado (no fim de 2002). Heloísa Helena foi uma das opositoras da nomeação dele. Como era o Lula e ele sempre foi a personificação do PT, então não houve grandes problemas.
Esse trecho mostra o que viria à frente (negritos meus):
“O escolhido pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência do BC disse ainda que irá trabalhar para a redução da taxa de juros, desde que isso não ponha a moeda em risco.“
Infelizmente não encontrei a sabatina completa com as perguntas. Achei até a do Alan Greenspan em 1987, mas a do Meirelles não.
Banqueiro central raiz. Está em extinção nos tempos atuais.
Esqueci de colocar também esse vídeo, que mostra a indicação do Alan Greenspan em 1987. Paul Volcker, só com a voz grossa, já faz o DXY disparar.
Nesse dia 1º de janeiro, fez 20 anos que o euro entraria em circulação para vários países europeus. O euro foi um caso de arranjo ruim para os países com governos mais responsáveis com as finanças e com a moeda (como a Alemanha) e bom para os países com governos mais pródigos fiscalmente e não muito cautelosos com a moeda, como a Grécia e a Itália. Os italianos talvez vissem estabilidade (ou mesmo queda) de preços somente na época do padrão-ouro clássico, algo também no caso dos gregos.
Onde você estava nessa época, Leandro? Achava que o euro iria substituir o dólar, como muitos naquela época?
Olhem essa notícia:
“Que previsões se concretizaram após 20 anos de euro?”
No item 4, eles compararam a estabilidade do euro com a do marco alemão. Será que faria sentido essa comparação?
Vejam a matéria de época do Estadão. De curiosidade, um euro custava aproximadamente R$ 1,85 no dia 03/01/2002.
E claro, ali eles falaram que agora, sem a possibilidade de desvalorizarem a moeda, os países do sul da Europa não podem incentivar o turismo e o emprego. Para a Itália, a taxa de desemprego está alta, mas está menor do que no Brasil e não está em alta histórica. Para a Grécia, não há dados de muitos anos antes de 2002. Agora, vendo nesse site, realmente era mais baixo o desemprego. Chama atenção essa taxa de desemprego nos anos 1970. Houve algum milagre econômico grego? Até meados de 1972, o índice de preços do país até que estava bom.
E funça ameaçando parar tudo para ter aumento. Esta é a verdadeira máfia do país.
Trinta anos depois, eis que pulula uma miríade de petistas e ciretes querendo tabelar o preço da gasolina. Quero crer que o povo brasileiro não está disposto a eleger esses demagogos comunistas no pleito de outubro.
Vejam o péssimo nível dos candidatos a presidência em 2022:
Lula: semi letrado , inepto, dificuldades tremendas para se comunicar, ficha suja, fará vista grossa para roubalheira
Bolsonaro: incompetência, tumultuador, desdém com cargo e inépcia.
Ciro: radicalismo, pautas poderão arruinar a economia levando ao caos.
Moro: ao abrir a boca dificuldades no falar, pauta central contra corrupção e inepto aos demais problemas do país.
Dória: marqueteiro sendo que os problemas não são resolvidos, desdém com a seriedade do cargo muita rejeição no cargo atual.
Demais candidatos nada a comentar pois não chegam a 1% por nada mostrarem capacidade no cargo que ocupam.
Precisamos da ajuda Divina para um livramento!
“Balança Comercial registra superávit de US$ 61 bilhões em 2021”
A gente pode dizer que isso foi graças ao mercantilismo promovido pela atual equipe econômica?
Houve também aumento nas importações.
O governo imprimere reais para pagar sua dívida em REAIS. E as dívidas em dólar? como e que faz?
Para quem acompanha o mercado financeiro, essa notícia é preocupante (publicada em 27/09/2021).
einvestidor.estadao.com.br/mercado/entrevista-mailson-da-nobrega-mercado/
Saiu já a carta do BCB sobre o descumprimento do teto da meta.
O índice de preços deu uma caída, ficando em 10,06 % em dezembro.
O que acharam da carta?
Com o histórico de fracassos do controle de preços, só demitir quem escreve um artigo sugerindo isso não basta. Deveriam é revogar o diploma de jornalista e manter ela longe de qualquer atividade intelectual.