Na semana passada, a Ned Davis Research (empresa global fornecedora de dados para análises de investimentos) publicou um relatório em que, fazendo ironia com a recorrente afirmação dos Bancos Centrais de que “a inflação é transitória“, afirmou o seguinte: “No final, parece que o crescimento é que era transitório — já a inflação será mais permanente”.
E, com efeito, há vários fatores comprovando que, ao redor do mundo, consumidores e salários estão sendo devorados pela carestia, levando a uma abrupta interrupção na recuperação econômica pós-Covid19.
Ao redor do mundo, as vendas de automóveis e de imóveis novos desabaram. Só nos EUA, as vendas da Ford desabaram 33%; não há chips a serem utilizados nos novos veículos. Na zona do euro, as vendas estão no menor valor da série histórica (que começou no fim da década de 1980). A renda real disponível da população mundial está em forte queda, e o crescimento da mediana dos salários está menor que a inflação.
Para piorar, a Europa também está em vias de enfrentar um inverno do descontentamento. Há uma crise de abastecimento de gás natural. Ao mesmo tempo em que há previsões de que a oferta de gás da Rússia será menor, há também o fato de que a própria produção de gás na Europa foi restringida por políticas ambientalistas. Isso significa que, em alguns países europeus, os consumidores não só enfrentarão um aumento explosivo em suas contas de energia, como ainda terão racionamento. Na prática, os ambientalistas europeus deixaram o continente à mercê de Vladimir Putin.
O gás natural, que custava US$ 1,50 por milhões de BTUs há um ano, agora custa US$ 6,00 (aumento de 300%).
Gráfico 1: evolução do preço, em dólares, do gás natural
Nos EUA, os preços aos produtores — ou seja, os preços que os produtores pagam em suas matérias-primas para fabricar bens — subiram 20% nos últimos 12 meses. É a maior taxa desde 1974, quando ocorreu o choque do petróleo.
Gráfico 2: Variação anual dos preços ao produtor nos EUA (commodities)
Na Europa, a inflação ao produtor acumulada em 12 meses está em 13%, o maior valor desde o início da década de 1980.
Gráfico 3: Preços ao produtor na zona do euro (geral)
Sempre um fenômeno monetário
Desde a pandemia de Covid-19, os banqueiros centrais ao redor do mundo inflacionaram a oferta monetária a um ritmo sem precedentes, recorrendo à mais agressiva política monetária de que se tem notícia desde o fim do padrão-ouro.
Apenas nos EUA, a oferta monetária chegou a subir mais de 25% nos últimos 12 meses.
Gráfico 4: taxa de crescimento acumulada em 12 meses do M2 nos EUA
Os países em desenvolvimento que tentaram fazer o mesmo com suas moedas se saíram ainda piores (e por motivos explicados em detalhes aqui).
Bastou uma recuperação econômica normal após a reabertura econômica para demonstrar, mais uma vez, por que a inflação generalizada de preços sempre é um fenômeno monetário: os Bancos Centrais aumentaram a oferta monetária para muito além da demanda por moeda. A inflação de preços, no fim, sempre é um fenômeno monetário, e decorre do fato de haver mais dinheiro a ser trocado por ativos escassos.
Isso levou a maciças elevações de preços para bens essenciais e serviços.
A retórica de que a carestia é “transitória” e que tudo é culpa de “interrupções na cadeia de oferta” foi rapidamente desmistificada. Os chamados “efeitos de base” (quando se parte de números baixos para a inflação, o que faz com que seus aumentos sejam matematicamente grandes) já terminaram, mas os preços continuam subindo fortemente.
Ademais, os preços das commodities nos setores em que há ociosidade aumentaram tanto quanto nos setores em que quase não há ociosidade. De novo: a inflação de preços, no final, decorre do fato de haver mais dinheiro perseguindo ativos escassos. E é por esse motivo que vemos os preços do alumínio e dos fretes marítimos alcançando os maiores valores de sua história, ao mesmo tempo em que há ampla capacidade nestes segmentos, até mesmo excesso de capacidade (nos EUA, há até congestionamento de navios cargueiros nos portos; e o número de cargueiros em operação bateu recorde, bem como sua capacidade volumétrica).
Mesmo os alimentos, cujos preços também dispararam para níveis historicamente recordes, não estão enfrentando nenhum grave problema de oferta. Os lockdowns não fecharam o agronegócio. Há problemas de secas pontuais, como com o milho, e colheitas atrasadas, mas estes sempre existiram. E são sazonais.
Pela terceira vez: no fim, o que empurra os preços gerais — bens e serviços — para cima é a inflação monetária.
Os culpados de sempre
A história monetária mostra que políticos sempre recorrem às mesmas desculpas quando a inflação de preços surge em decorrência da inflação monetária: primeiro, eles dizem que não há nenhuma inflação; depois, reconhecem que até há alguma inflação de preços, mas afirmam que ela é transitória; depois, tão logo fica claro que não há nada de transitório na carestia, dizem que os culpados são os empresários gananciosos; depois, passam também a culpar os consumidores, que estão gastando demais. Por último, os próprios políticos se apresentam como a “solução”: impor controle de preços, o que termina por destruir a economia.
Nos EUA, o crescimento da mediana dos salários já foi mais do que contrabalançado pela inflação de preços. Na zona do euro, o crescimento salarial desabou em julho. Com efeito, o risco na zona do euro é maior, dado que os salários caíram no segundo trimestre de 2021 em relação ao mesmo trimestre de 2020.
Ao redor do mundo, os consumidores veem que os preços daqueles bens e serviços que compram diariamente aumentam bem mais rapidamente do que o relatado pelos números oficiais da inflação. Nos EUA, como consequência, o índice de confiança do consumidor caiu para níveis vistos apenas na esteira da crise financeira de 2008.
E isso, por sua vez, está descarrilhando a suposta recuperação econômica que deveria advir de um boom no consumo (algo cada vez menos provável) e de uma explosão no setor de serviços. Nenhum destes milagres keynesianos se consumou.
Considerando que os governos se beneficiam fiscalmente da inflação monetária (a qual aumenta sua arrecadação, pelo simples fato de haver mais dinheiro na economia), é difícil imaginar que haverá medidas drásticas contra essa inflação.
Estamos agora adentrando na fase em que os governos culpam os empresários pela inflação. O presidente americano Joe Biden atribuiu o aumento da gasolina à ganância dos donos dos postos, e mandou o governo investigar. Nenhuma palavra sobre o fato de o barril de petróleo estar perto dos US$ 80 dólares, graças à política inflacionista do Federal Reserve.
Gráfico 5: evolução do preço do barril de petróleo do tipo Brent, em dólares
Ainda mais estridente é o seu silêncio sobre o fato de o seu próprio governo ter revogado a licença para a construção do Gasoduto Keystone, que seria construído entre Alberta, no Canadá, e as refinarias do estado americano de Nebraska, de onde ele seria conectado à rede já existente de oleodutos nos EUA, chegando às refinarias do sul do Texas. Adicionalmente, o governo Biden também vetou novos projetos de fracking no Alasca e em todas as terras federais do país.
Já um de seus principais conselheiros econômicos veio a público dizer que as carnes de porco, boi e frango aumentaram fortemente de preço porque apenas quatro empresas controlam a oferta. É de se perguntar por que, já que há esse oligopólio, elas não aumentaram os preços antes.
Na Europa, a coisa não é melhor.
Em meu país natal, a Espanha, as tarifas de eletricidades dispararam. O governo, obviamente, culpou as geradoras. Nenhuma palavra a respeito do imposto sobre CO2 criado pelo governo em 2020, o qual elevou enormemente os custos operacionais — e com o qual os governos europeus esperam arrecadar 20 bilhões de euros em 2021.
Ou seja, o governo espanhol estava efetivamente lucrando com o aumento dos preços ao mesmo tempo em que culpava empresas por isso.
O mesmo ocorreu na Alemanha: os preços da energia dispararam devido ao forte aumento do gás natural e dos preços do CO2, e os partidos políticos culparam a especulação e as empresas. Já os ambientalistas passaram incólumes.
E a tendência é que isso se intensifique no último trimestre, com a chegada do inverno. Governos irão culpar empresas pela inflação que os próprios governos causaram. E, em seguida, irão se apresentar como a solução e impor controle de preços, o que irá destruir o tecido empreendedorial, especialmente as pequenas empresas.
Para concluir
Políticas keynesianas sempre destroem aquilo que pretendem ajudar e proteger.
No atual caso, as classes médias, os salários reais e as pequenas empresas estão sendo esmagadas pelo imposto inflacionário (a inflação é um imposto) e pelo aumento de outros impostos, à medida que os governos colhem o benefício das políticas inflacionistas e vão aumentando o tamanho do setor público como consequência.
Apenas uma drástica reação dos Bancos Centrais podem mudar o atual cenário inflacionista. A questão é: irão os BCs contrair a política monetária em um momento em que os déficits do governo estão altos e, pior ainda, qualquer pequeno aumento nos juros pode gerar uma crise da dívida (uma vez que estes países possuem uma relação dívida/PIB muito maior que 100%)?
Irão os BCs reagir àquilo que claramente é — como sempre foi — um processo de inflação monetária?





Política de criança de 5 anos.
Com o rosto cheio de chocolate, acusando o irmão incapaz de falar e reagir de ter comido o bolo.
Que artigo sensacional, muito bem escrito e explicado. Parabéns!
Olha, vide as políticas adotadas na pandemia, esses índices de inflação ainda estão comedidos. Estava esperando algo muito mais elevado. Se os BCs pelo mundo vão fazer algo? Por hora, creio que não. Pra piorar, ainda teremos ano de eleições aqui e na europa, assim, é de se esperar mais um ano “morto”. Mas no fim, tudo isso agora não passa de uma deixa pro grande reset. Está cada dia mais óbvio que ele vai ocorrer e muito em breve.
Se formos espertos (i.e., o Brasil voltar a ter juros atrativos), o País pode se dar bem com uma possível alta nos preços das commodities, possível porque, a despeito do forte comportamento expansionista e das perspectivas medonhas do ESG, um fortalecimento do dólar mundial (que é o que está acontecendo agora) pode controlar a alta dos preços das commodities. Tivemos um pouco disso na década de 1970 e, com mais intensidade, nos anos 2003-2011. Era uma combinação interessante: as commodities estavam encarecendo em dólar americano, ao mesmo tempo em que barateavam em real brasileiro.
Os juros longos americanos estão subindo (por volta de 1,52 %) e o DXY está em seu maior valor do ano, aproximadamente 93,6.
O rublo russo deve se dar bem nesse cenário.
E o Brasil, ta se recuperando? Como esta a previsão da nossa economia? A Argentina ta melhor?
No Brasil, ocorreu restrição de oferta (fique em casa), que provocou falências e diminuição da produção. Esses setores encolheram porque o governo ordenou.
O governo fez sua a mediana do PIB (o que encolhe com o que sobe), e chegou à conclusão que não tinha inflação.
Então ele ligou as prensas do Orçamento de Guerra. A criação de dinheiro então provocou a demanda artificial e o dinheiro foi pros alimentos. Por isso esse setor teve aumentos de 50 por cento.
Tivemos então restrição de oferta (pare tudo) e estímulo monetário ao mesmo tempo. Também houve desvalorização da moeda. Tudo ao mesmo tempo.
Como as três medidas são inflacionárias, elas se somaram e criaram a inflação atual. Três tempestades se somaram pra criar a tempestade perfeita.
Na mídia, absolutamente ninguém tem a coragem de dizer que a atual carestia energética tem a ver com a imbecilidade do ESG, que simplesmente está aniquilando investimentos no setor de combustíveis fósseis e de gás.
Quando começarão a falar em mais investimentos e menores barreiras no setor de energia l?
ESG pega bem em reuniões da alta sociedade europeia, mas é berinjela no povão.
e o câmbio segue apanhando: 5.40
http://www.google.com.br/amp/s/oglobo.globo.com/economia/ibovespa-tem-queda-firme-dolar-opera-acima-dos-540-com-exterior-negativo-25215549%3fversao=amp?espv=1
Era de se esperar que o Joe Biden fizesse kgda atrás de kgada desde o começo de seu desgoverno.
Primeiro ele restringe a capacidade energética do próprio país e não fala absolutamente nada sobre a loucura do FED de imprimir 120 bilhões de dólares por mês pra despejar na economia. Quando começa a faltar combustíveis o Bidê cobra da OPEP pra bombear mais petróleo! Não tem noção nenhuma de economia e mercado, igual ou pior que Dilma Rousseff.
Quem está melhor agora aqui no continente americano é o Canadá, lá tem minérios, petróleo e terras raras sobrando, e olha que nem descobriram tudo que tem lá por que as terras na região da Tundra Ártica estão inexploradas!
Agora só falta o gigante do Norte correr atrás de novos parceiros comerciais, não ficar sempre dependendo dos Estados Unidos do tio Bidê.
Se Justin Trudeau fosse esperto ele estaria viajando pelo mundo agora em busca de novos acordos comerciais e inclusive COBRAR da administração Biden a volta do NAFTA (Tratado de Livre Comércio da América do Norte). O tratado USMCA de Donald Trump beneficia demais os Estados Unidos em detrimento do Canadá e México. Se eu fosse o Trudeau aproveitaria essas oportunidades, mas o canadense está hoje com um governo minoritário. Difícil ele fazer qualquer coisa sem a aprovação dos conservadores liderados por Erin O’Toole.
“E é por esse motivo que vemos os preços do alumínio (…) disparando”
Ouve um golpe militar na Guiné-Conacri, grande produtor de bauxita, que segundo o mainstream é um dos fatores da disparada nos preços do alumínio.
O presidente está em uma sinuca de bico: precisa aprovar o projeto eleitoreiro (e ordenado pelos comuno-globalistas) da Renda Mínima, o que é bastante inflacionário, mas ao mesmo tempo precisaria cortar despesas e impostos e subir rapidamente os juros, de forma que fiquem maiores do que a inflação, mas esse choque de juros causaria redução do PIB e do emprego (pelo menos o dólar cairía), o que o faria perder a eleição. Ele deveria lembrar-se do Macri, na Argentina, que, por falta de coragem, não fez a tempo o que deveria, a inflação disparou e ele perdeu a eleição. Se for para tomar medidas duras, tem que ser já, pois no ano que vem será fatal!
Como já dizia Maquiavel, as maldades devem ser feitas de uma vez só e as bondades aos poucos!
E os resultados do Brexit, a midia avisou e o resultado esta ai. E agora?
Com a crise de energia, alguns esquerdistas vêm defendendo uma lei com obrigatoriedade de que todas as novas construções serem feitas com placas solares (com intuito de que a população fique menos refém dos regimes de chuva p/ geração de energia).
Qual seria o efeito dessa medida? (Me ajudem a entender)
A princípio, haveria encarecimento dos custos de construção e consequente do preço dos imóveis. Imóveis mais caros tenderiam a gerar alugueis mais caros. (Porem, penso que o encarecimento do aluguel seria compensando por uma menor fatura de energia no final do mês para o inquilino.)
Outro ponto, o encarecimento da construção tenderia a gerar uma menor oferta de imóveis e assim alta de preços. (Maior dificuldade para as pessoas construírem ou alugarem imóveis)
Partindo do pressuposto que tais efeitos ocorreriam, o benefício de se ter a população e a economia menos vulnerável a um apagão/racionamento em períodos de seca poderia compensar no balanço final?
Leandro,
Sei que aqui não se defende tabelamento de juros feito por um comitê estatal. O melhor seria juros livres refletindo as condições reais de poupança e consumo.
Entretanto, dado a atual loucura dos BCs aqui e lá fora, vc acha que a utilização da regra de Taylor pelos BCs (colocada em lei e que fosse realmente cumprida) poderia gerar um cenário melhor que o atual ?
Pela regra de Taylor era para as taxas de juros no Brasil e nos EUA estarem em níveis muito maiores que os atuais.
A regra de Taylor não seria o cenário ideal, mas me parece que seria algo melhor do que temos hoje. Oq vc pensa?
E onde a inflação está sendo mais entida é justamente num lugar onde o ministro da economia é um chiCagão Boy.
Será que o bitcoin pode nos salvar???
Porém, quantas pessoas estão comprando ou vendendo coisas com bitcoin?? Se está sendo pouco usado, então no máximo que vai ocorrer é que muitos irão transformar sua moeda estatal em bitcoin em alguma corretora. No máximo isso, depois fazer especulação.
Somente quando bens escassos estiverem sendo trocados por bitcoin em escala mundial poderemos falar então em uma mudança. C
O que acham da previsão do Rober Kyosaki sobre o crash em outubro?
O que acharam da opinião do estadão?
opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,combustivel-para-a-demagogia,70003854823
Há algo inerente nas moedas fiats que as condene ao colapso no longo prazo ou tudo depende apenas do nível de inflação? Pode uma moeda sem lastro durar ?
Alguém me fez essa pergunta e não soube dar uma certeza . O Franco Suíço parece depor contra.
china proibe bitcoin
http://www.istoedinheiro.com.br/china-proibe-bitcoin/?fbclid=IwAR3-hCbs3b6Tm_bxL4cUcBAk49zSy8884q7C-fW9YK2FLWbNqVNHHdsaOcc
Segundo a CPI da Covid, operar com bitcóio ou creptomoeda pode ser uma boa maneira de driblar a inflação.
Pessoal, tenho uma duvida, como no Brasil jogamos dinheiro impresso sem lastro? Não é proibido por lei?
Como o BACEN fez pra inundar a economia com dinheiro sem lastro
“Paulo Guedes mantém offshore ativa em paraíso fiscal”
Isso é legal (embora haja questionamentos na notícia, já que o dólar ficou mais caro em reais desde 2019), todavia mostra o seguinte: eles desvalorizam a sua moeda, mas eles mesmos se protegem.
925 dolingos e vc pode investir nas ilhas virgens britânicas.
Guedes tem informações privilegiadas
economia.uol.com.br/noticias/redacao/2021/10/04/pandora-papers-o-que-e-offshore-e-ilegal.htm
Leandro; com todos os comentários acima, qual é o porto seguro para investimentos nesse atual momento da economia? Investir em estoque, em alguma moeda, ouro, imóveis, máquinas e equipamentos, ou algum tipo de aplicação? Confesso que nos últimos 4 meses o mercado vem minguando e as perspectivas são cada vez mais escassas.
Sou leitor assíduo e fã dos artigos e dos comentários. Desculpe a minha “ignorância” e a pergunta, pois acima já há um comentário sobre as previsões futuristas mas, vale a pena considerar.
Obrigado
ouro cai perante o dolynho
http://www.google.com.br/amp/s/www.terra.com.br/amp/economia/ouro-fecha-em-queda-com-alta-nos-juros-dos-treasuries-e-do-dolar-ante-rivais,c7e5e6ae7685a4c38ea3c05acbd9c858u42uwtgy.html?espv=1
Brasilonia : inferno fiscal
http://www.ilisp.org/artigos/o-real-problema-nao-e-o-paraiso-fiscal-mas-o-inferno-fiscal/?fbclid=IwAR3Csu8HZHEY499ML29ijyGBOhB7JcYby16jj_0j4ZiX4dAxAX87ji6TOvM
se os estados unidos começarem a aumentar os juros, o que acontece com o real?
“Banco Central e CMN alteram regulamentação cambial”
Com a regulação nova cambial, caso aprovada no Senado, será que poderemos ver uma desvalorização menos intensa do real? Quando a regulação estava sendo discutida lá em 2019, o real se apreciou.
Não sei vocês, mas eu fico chocado com o índice de preços quase nulo na Bolívia: 0,18 % em setembro (0,3 ponto percentual maior que na Suíça), acumulado dos últimos doze meses. Os juros lá são flutuantes, por volta de 4 % agora. Juro baixo e que não afunda a moeda, que é um arranjo fixo (pelo menos por enquanto), num país que é bem mais instável que aqui.
Com a alta das commodities, pode ser que o banco central consiga mais reservas internacionais, que lá estão em mínimas históricas, o que pode trazer riscos para o boliviano. O que motivou o forte aumento de 2004 a 2014, é algo que não sei.
O BCB poderia copiar esse arranjo, já que há uma grande fartura de reservas internacionais (embora a proporção tenha caído desde que o Bolsonaro assumiu, já que o real afundou).
O índice de preços brasileiro atingiu, nesse mês de setembro, 10,25 %, maiores valores desde fevereiro de 2016 (quando chegou a 10,36 %), no acumulado dos últimos doze meses.
Entre os componentes que mais subiram de preços (anual):
-Combustíveis: 39,6 %;
-Energia elétrica: 28,82 %;
-Transporte: 17,93 %;
-Habitação: 14 %;
-Artigos de residência: 12,58 %;
-Alimentação e bebidas: 12,54 %;
Entre os nossos vizinhos com os dados atualizados, os valores brasileiros estão maiores do que os do Equador (1,07 %), Peru (5,23 %), Chile (5,3 %), Paraguai (6,4 %) e Uruguai (7,41 %).
Informações extras (inclusive as utilizadas aqui), disponíveis no Trading Economics.
Outro assunto:
“Leilão da ANP tem apenas 5 de 92 blocos de petróleo e gás arrematados; área próxima a Noronha não recebe proposta”
O governo precisa acabar com essa porcaria de regime de partilha (acho que está valendo isso ainda, não é?). Poderia ir direto para o de autorização, como está acontecendo agora com as ferrovias. A questão: dado que petróleo é bem da União, isso na prática já sepulta a indústria daqui…
“Mansueto Almeida, hoje no BTG, é citado dentro do governo para o lugar de Guedes”
Paulo Guedes também foi criticado pelo próprio colega, o Marcos Pontes, sobre os cortes no setor de ciência e tecnologia.
Se o Mansueto substituir o Guedes mesmo, seria uma vitória caso ele não criar (ou propor) impostos e nem ficar falando bobagens sobre câmbio. Pelo menos ele reconhece que o câmbio desvalorizado tem relação com a bagunça fiscal e política do País.
Como ele já tinha saído do governo no ano passado, eu tenho dúvidas se ele entraria no cargo.
Tendo em vista que esse site já demonstrou sua predileção por investimento em ouro, tenho algumas dúvidas de quem está começando a entender melhor essa ideia:
1) em razão de não ser um ativo que não “produz” nada , como ações de uma empresa, o ouro só “rende” algo face à desvalorização da moeda?
2) se o real (por algum milagre) voltar a se valorizar, alguém que investiu em ouro por um longo período pode perder parte do dinheiro investido?
3) caso meu objetivo, numa janela de longo prazo, seja me aposentar em outro país de moeda mais forte que o real esse seria um bom investimento?
“Temos o objetivo de conter uma segunda rodada de inflação, diz diretora do BC”
“Nosso principal trabalho é manter a inflação controlada. Claro que haverá consequências para o crescimento, mas controlar a inflação é importante para o crescimento no longo prazo”
A Fernanda Guardado parece mais durona do que o Roberto Campos Neto.
“Guedes culpa comida e energia por inflação elevada”
Paulo Guedes não tem culpa alguma…
É verdade que a inflação é quase mundial (simplesmente porque quase todos os bancos centrais brincaram de TMM), mas basta comparar o Brasil com os vizinhos, inclusive aqueles que nem produzem tantos alimentos como aqui: Uruguai, Chile e Peru. A intensidade aqui está sendo maior do que em muitos locais ao redor do mundo. Nesse setor, devemos perder apenas para Paraguai, Argentina, Venezuela e Suriname, entre os vizinhos mais próximos.
Vale lembrar que o setor alimentício é sempre influenciado pelo câmbio, afinal encarece tanto o mercado interno, quanto os custos de produção e diminui a oferta interna com um aumento nas exportações de commodities. Impressionante que isso até hoje o povo não aprende, acha que desvalorizar a moeda é uma maravilha.
Claro, podem ainda falar das situações americana e britânica de desabastecimento, mas aqui (ainda bem) não estão dando mais de um salário mínimo para o cara ficar sem trabalhar, nem proibindo estrangeiros de trabalhar como caminhoneiros (que é o que está acontecendo no Reino Unido).
O setor elétrico realmente não tinha o que fazer (só se tivessem fechado a ANEEL lá em 2019, talvez), agora o fato é o seguinte: as tarifas de energia seguem o IGP-M, índice que sofre grande influência do dólar e de commodities.
E se todos os países adotassem bitcoin?
Por Fábio Marton e Alexandre Versignassi
(…)
Não haveria mais inflação. Fato. Mas… se a economia travar, danou-se. Os governos não terão como injetar dinheiro novo na economia. 1929 está de prova. Uma quebra da bolsa seguida de uma cascata de falências bancárias secou o crédito no mercado. O dinheiro deixou de circular, basicamente. O governo amercano, porém, decidiu que era hora de levar o padrão-ouro a sério e não imprimir dinheiro novo. O resultado foi a Grande Depressão, que traria de reboque uma guerra mundial. Adote-se o bitcoin como moeda única e teremos um colapso parecido em mãos.
super.abril.com.br/sociedade/e-se-todos-os-paises-adotassem-bitcoin/