Voltar

O arroz, o excesso de moeda e os 4 mil anos de controle de preços

Urukagina foi o primeiro reformista da história. Após campanha contra os arbítrios do monarca anterior, foi coroado rei de Lagash, na Suméria, em 2.350 a.C.

Entre outras medidas, Urukagina aboliu o controle de preços. Suas reformas chegaram a nós por meio da escrita cuneiforme esculpida em impressionantes cones de pedra, em uma verdadeira “declaração de direitos” centrada no conceito de “liberdade”, ou “amagi”, que teve ali seu primeiro registro histórico.

A história econômica é em essência uma narrativa de 4.400 anos consecutivos de fracassos de medidas governamentais como os controles de preço de Lagash.

Um breve histórico

O argumento contra os controles de preços não é meramente um exercício acadêmico, algo restrito aos manuais de economia. Há realmente um histórico de quatro mil anos de catástrofes econômicas causadas pelos controles de preços.  Este histórico está parcialmente documentado em um excelente livro intitulado Forty Centuries of Wage and Price Controls (Quarenta Séculos de Controles de Preços e Salários), de Robert Schuettinger e Eamon Butler, publicado originalmente em 1979.

Todas as citações a seguir foram retiradas do livro, com a preciosa ajuda do professor Thomas DiLorenzo.

Hamurabi, o continuador

Na Babilônia, seiscentos anos depois do evento em Lagash, o Código de Hamurabi, de 282 leis, estabeleceu: tabelas de preços fixos de aluguel de carroças, de armazenamento de grãos, de serviços médicos, aluguel de barcos, e outros. 

O Código de Hamurabi continha uma barafunda de regulamentações e controle de preços, do tipo: “Se um homem contratar um camponês, deverá dar a ele oito gurs (unidade de medida hamurábica) de cereais por ano”;  “Se um homem contratar um boiadeiro, deverá dar a ele seis gurs de cereais por ano”; “Se um homem alugar um barco de seis toneladas, deverá pagar um sexto de um shekel de prata por dia por esse aluguel”.  

E os decretos não paravam mais.

Tais imposições “sufocaram o progresso econômico no império por vários séculos”, como mostram os registros históricos.  Assim que estas leis foram implementadas, “houve um acentuado revés na prosperidade das pessoas”

O comércio declinou continuamente durante o reinado de Hamurabi, após comerciantes e mercadorias escassearem. O tabelamento teve por consequência um castigo não premeditado àqueles que o código pretendia apoiar.

Portanto, nem tudo começou com os gregos. Mas os helênicos não ficaram atrás em termos de controles de preços. 

Sofismas gregos

Durante o período clássico de Atenas, em 400 a.C., fiscais denominados “sitophylakes” impediam preços ‘abusivos’ dos grãos, em uma antevisão do Código de Defesa do Consumidor.

Lísias, escritor de discursos, em sua peça oratória 22, “Contra os Comerciantes de Grãos“, pediu em tribunal ateniense a pena de morte para os comerciantes que acumulassem ou aumentassem preços em tempos de escassez. 

Foi criado “um exército de fiscalizadores nomeados para a função de estabelecer o preço do cereal em um nível que o governo ateniense julgasse justo”. Os atenienses chegaram até mesmo a executar fiscais que não logravam êxito no tabelamento.

Esse controle de preços grego inevitavelmente levou à escassez de cereais. Por sorte, vários empreendedores corajosamente conseguiram se esquivar destas leis ignaras e, com isso, salvaram milhares da inanição. Não obstante a imposição de pena de morte para aqueles que desobedecessem às leis de controle de preços, tais leis “eram praticamente impossíveis de serem impingidas”.  

A escassez criada pelo controle de preços criou grandes oportunidades de lucro no mercado negro, para a grande sorte do povo grego.

Uma nova praga no Egito

À mesma época, no Egito, “havia uma verdadeira onipresença do estado” na regulação da produção e da distribuição de grãos. “Todos os preços foram congelados por decreto em todos os níveis”. Este “controle assumiu proporções assustadoras. Havia um exército de burocratas que inspecionavam diariamente o cumprimento do decreto”.

Os agricultores egípcios ficaram tão enfurecidos com esse controle de preços, que vários deles simplesmente abandonaram suas fazendas. Ao final do século, “a economia egípcia havia entrado em colapso, junto com sua estabilidade política”.

Roma não caiu em um dia

Até essa altura, as altas de preço eram geralmente pontuais e derivadas dos chamados “choques de oferta”, ou quebras de safras. Já no Império Romano, entrou em cena uma novidade: o fenômeno da inflação, ou alta generalizada de preços, que se tornou política pública.

Desde 269 a.C., ainda na República, o templo de Juno Moneta (origem da palavra “moeda”) cunhava o “denarius” contendo 100% de prata. Mas, a partir de 64 d.C., os imperadores passaram a recunhá-lo misturando metais mais baratos. 

Faziam-se moedas menores, ou aparavam-se pequenas nervuras das beiradas das moedas de ouro, serrilhando-as, com o objetivo de cobrar impostos, quando entravam nos prédios do governo. Posteriormente, essas aparas eram derretidas para se transformar em mais moedas. 

Obviamente, assim como também fizeram os gregos, os romanos misturavam, às moedas de ouro e prata, metais menos nobres como o cobre. Adicionalmente, inventaram a não tão sutil arte da revalorização, o que significava que cunhavam as mesmas moedas novamente, porém com valor de face superior ao anteriormente gravado.

Nero reduziu o conteúdo de prata para 88% (lucro e inflação instantâneos de 15%). O “denarius” seguiu sendo continuamente depreciado por ligas metálicas até conter apenas 0,5% de prata, em 268 d.C.

Quando Diocleciano subiu ao trono em 284 d.C., a inflação (e a população romana) estava ensandecida: as moedas romanas eram apenas uma placa de estanho folheada a cobre ou a bronze.

Em 301 d.C., Diocleciano lançou seu infame Édito Máximo, que impôs pena de morte a qualquer um que vendesse mercadorias acima dos preços estipulados pelo governo. Além do controle dos preços, os salários também foram congelados. 

Diocleciano “estipulou um teto de preços para carnes, cereais, ovos, roupas e outros bens, e instituiu a pena de morte para qualquer um que vendesse seus artigos a um preço maior do que o estabelecido”.  

Diocleciano atribuía a culpa da inflação generalizada à ganância de comerciantes e especuladores. Além de instituir a pena de morte aos vendedores, instituiu também para aqueles que comprassem acima do preço de tabela.

Entretanto, para surpresa de Diocleciano, os preços continuaram subindo. Os comerciantes não podiam vender seus artigos com lucro; assim, fechavam as portas. As pessoas deixavam suas carreiras de escolha em busca de empregos nos quais os salários não fossem fixos ou desistiam e aceitavam a ajuda do governo, uma espécie de seguro-desemprego ou mesmo bolsa família. Sim, foram os romanos que inventaram esse tipo de assistência social. Roma tinha uma população de cerca de 1 milhão de pessoas nesse período, e 200 mil delas, cerca de 20%, recebiam ajuda do governo.

Os resultados foram que “as pessoas simplesmente pararam de colocar seus bens à venda no mercado, dado que elas não mais poderiam obter um preço sensato por eles. Isso aumentou tão acentuadamente a escassez, que, após a morte de várias pessoas, a lei foi finalmente revogada.”

No fim, foi a adulteração da moeda e o déficit das contas públicas – despendido para financiar o exército, o funcionalismo público, os programas sociais e a guerra – que derrubaram o Império Romano

Washington e os soldados famintos

Já em épocas mais modernas, foi por muito pouco que o exército revolucionário de George Washington não morreu de fome no campo de batalha graças ao controle de preços sobre alimentos que havia sido instituído pelo governo da Pensilvânia e por outros governos coloniais.  

A Pensilvânia impôs controle de preços especificamente sobre “aquelas mercadorias imprescindíveis para o exército”, criando uma desastrosa escassez de tudo que o exército mais necessitava. 

Congresso Continental sabiamente adotou uma resolução anti-controle de preços no dia 4 de junho de 1778, a qual dizia: 

Considerando que já foi descoberto pela experiência que limitações impostas aos preços das mercadorias não apenas são ineficazes para o objetivo proposto, como também são igualmente geradoras de consequências extremamente maléficas, fica resolvida a recomendação aos vários estados para que revoguem ou suspendam todas as leis limitando, regulando ou restringindo o preço de qualquer artigo. 

Ato contínuo, “Já no outono de 1778, o exército já estava suficientemente bem provido como resultado direto dessa mudança de política”.

Robespierre conhece a guilhotina

Os políticos franceses repetiram os mesmos erros após sua revolução, instituindo a “Lei de Maximum” em 1793, a qual impôs controle de preços sobre pão, cereais e, depois, sobre uma longa lista de vários outros itens.   

Quando essas medidas se revelaram incapazes de aumentar a oferta de alimentos, o comitê enviou soldados para o interior do país com o intuito de confiscar violentamente os cereais dos perversos agricultores, que estavam “entesourando” tudo.

Previsivelmente, “em algumas cidades francesas, as pessoas estavam tão mal alimentadas, que estavam literalmente caindo pelas ruas por desnutrição”.

Uma delegação representando várias províncias escreveu para o governo em Paris que, antes da lei do controle de preços, “nossos mercados estavam bem providos; porém, tão logo congelamos os preços do trigo e do centeio, estes cereais nunca mais foram vistos. Os outros tipos que não estão submetidos ao controle de preços são os únicos que podem ser encontrados à venda”.

O governo francês se viu então obrigado a abolir sua maléfica lei de controle de preços após ela ter literalmente dizimado milhares de pessoas.  

Quando Maximiliem Robespierre estava sendo carregado pelas ruas de Paris a caminho de sua execução, a plebe gritava “Lá vai o maldito Maximum!”.

Um sermão nazista

Ao final da Segunda Guerra Mundial, os planejadores centrais americanos haviam se tornado ainda mais totalitários em termos de política econômica do que os nazistas derrotados.  

Durante a ocupação americana da Alemanha, no pós-guerra, os “planejadores” americanos se mostraram muito entusiasmados com os controles econômicos impostos pelos nazistas, inclusive o controle de preços. Desnecessário dizer que eram estes controles econômicos que estavam impedindo a recuperação econômica alemã.  

O notório nazista Hermann Goering chegou até mesmo a passar um sermão no correspondente de guerra americano Henry Taylor sobre o assunto. Como relatado no livro de Schuettinger e Butler, Goering disse:

Todas as coisas que a sua América está fazendo no campo econômico estão nos causando vários problemas.

Vocês estão tentando controlar os preços e os salários das pessoas — ou seja, o trabalho das pessoas.

Se você faz isso, você inevitavelmente tem de controlar a vida das pessoas. E nenhum país pode fazer isso pela metade.

Eu tentei e não deu certo.

Tampouco pode um país fazer isso integralmente, indo até as últimas consequências. Eu tentei isso também e, de novo, não deu certo.

Vocês não são melhores planejadores do que nós. Eu imaginava que seus economistas haviam lido e estudado o que ocorreu aqui.

Os controles de preços foram finalmente abolidos na Alemanha, em 1948, pelo Ministro da Economia Ludwig Erhard. A abolição ocorreu de uma só vez, em um domingo, quando as autoridades de ocupação americanas estavam ausentes de seus escritórios, incapazes de impedi-lo. Tal revogação produziu o “milagre econômico alemão”.  [Veja todos os detalhes do milagre alemão neste artigo].

Modernidades

Nos EUA, controles de preços foram a causa da “crise energética” da década de 1970 e dos apagões na Califórnia na década de 1990 (os preços do setor de geração de energia foram liberados, mas continuam congelados no setor de transmissão e distribuição). 

No Brasil, em 1986, após anos de crescente inflação (monetária e de preços), o presidente Sarney baixou um decreto congelando os preços de todos os bens e serviços da economia brasileira.

Como consequência, carros usados tornaram-se mais caros que carros novos, as carnes desapareceram dos açougues (mas prontamente reapareciam tão logo o comprador ofertasse uma quantia extra por baixo do balcão) e o governo acabou tendo de literalmente prender bois no pasto para impedir suas exportações, que eram bem mais vantajosas. 

Recentemente, Argentina e Venezuela nos forneceram os mais atualizados, didáticos e escabrosos exemplos. Na Venezuela, por exemplo, acabou até o papel higiênico.

O nosso arroz e o Banco Central

Em nosso 2020 d.C., o governo ainda não avalizou o tabelamento do arroz, do leite, da laranja e outros alimentos. Porém, muitos seguem acreditando que o comerciante ou o produtor ganancioso é o responsável pelo aumento de preços. 

Não aprenderam a lição de 4.400 anos.

A alta atual dos preços de alimentos é resultado do aumento da moeda injetada na economia pelo Banco Central. Como diziam Milton Friedman, Ludwig von Mises, Roberto Campos e outros, “a inflação é, em todos os tempos e lugares, um fenômeno monetário”.

A política monetária frouxa do Banco Central promoveu a alta do dólar: o real tem o pior desempenho entre os principais emergentes neste ano

O dólar caro, por sua vez, contaminou os preços em reais das commodities negociadas no mundo e cotadas em dólares, como o arroz. 

Não houve nenhum “choque de oferta”. Não houve nenhuma redução da produção de alimentos. Ao contrário, houve recorde de produção. O que ocorre é que, por causa do câmbio desvalorizado (graças a reduções artificiais da Selic, que está em um nível irreal; nossos juros reais estão negativos e menores que os da Suíça), as exportações de alimentos estão batendo recorde.

E então, como consequência, está havendo desabastecimento no mercado interno. Mas não é um desabastecimento causado por um clássico choque de oferta; é um desabastecimento causado por câmbio artificialmente desvalorizado.

Mesmo com safra recorde, o forte aumento da exportação para a China e também para outros países, majoritariamente em decorrência de uma taxa de câmbio favorável às exportações, está causando essa carestia. 

As exportações do agronegócio estão em níveis recordes — e os produtores estão totalmente corretos em mandar sua produção para fora em troca de moeda forte.

Já os donos de supermercado, que apenas compram dos produtores para revender aos consumidores, nada podem fazer quanto a isso.

O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da oferta monetária (M1).

Gráfico 1: linha vermelha, eixo da esquerda: M1; linha azul, eixo da direita: taxa Selic

Observe que a relação é quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão da oferta monetária sofre uma desaceleração. Quando a Selic cai, expansão da oferta monetária acelera.

Já o gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da taxa de câmbio. 

cambioselic.pngGráfico 2: linha vermelha, eixo da esquerda: taxa de câmbio (reais por dólar); linha azul, eixo da direita: taxa Selic

Observe que a relação é também quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão a taxa de câmbio cai (ou pára de subir). Quando a Selic cai, a taxa de câmbio sobe.

Para concluir

Ao longo de mais de quatro mil anos, ditadores, déspotas e políticos de todos os naipes viram nos controles de preços uma forma suprema de prometer ao público “alguma coisa em troca de nada”.  

Com o gesto de uma mão, uma piscada de olhos e o movimento de uma caneta, eles prometem que irão deixar tudo milagrosamente mais barato. E o povo sempre acredita. 

Por mais de quatro mil anos, os resultados têm sido exatamente os mesmos: escassez e desabastecimento, várias vezes com consequências catastróficas; deterioração da qualidade do produto; proliferação dos mercados negros, em que os preços são maiores do que seriam em um mercado livre e os subornos são desenfreados; destruição da capacidade produtiva daquelas indústrias cujos preços são controlados; distorções grosseiras dos mercados [no Brasil do Plano Cruzado, carro usado era mais caro do que carro novo]; criação de burocracias tirânicas e opressivas para fiscalizar o controle de preços; e uma perigosa concentração de poder político nas mãos destes burocratas controladores de preços.

De resto, tabelar os preços nunca foi a solução: o comerciante tende a deixar de negociar o produto tabelado porque terá prejuízo; então, restringirá a oferta, buscará outros ramos de atuação (de produtos não tabelados), e o consumidor fica com o prato vazio. 

E é isso que os economicamente ignorantes querem criar sempre que pedem ao governo que intervenha nos preços de um determinado setor da economia. 

Mais Urukagina, menos Hamurabi.

 

*Este artigo foi originalmente publicado em 15 de setembro de 2020.

Últimos Artigos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

126 comentários em “O arroz, o excesso de moeda e os 4 mil anos de controle de preços”

  1. Aproveitando a deixa, eis a fresquinha de hoje (atenção: o valor é mensal, e não o acumulado de 12 meses):

    IGP-10 acelera alta para 4,34% em setembro com forte avanço de preços no atacado

    Os preços no atacado medidos pelo IPA-10 tiveram alta de 5,99% no mês, ante uma elevação de 3,38% em agosto, mostra FGV

    “A taxa em 12 meses ficou positiva em 17,03%. A alta no custo dos alimentos ajudou a sustentar a inflação ao consumidor dentro do indicador.”

  2. O que vocês acham desta ideia que foi postada no 4chan?

    “Cupons de arroz – uma solução para ajudar a alimentar os pobres do mundo

    Olá, / qa /, dê uma olhada nesta ideia que tive.

    Muitas pessoas no Terceiro Mundo sofrem de insegurança alimentar. Muitas vezes, eles têm dinheiro, mas é inútil porque seus governos continuam imprimindo cada vez mais.

    De acordo com a Wikipedia, o arroz é o alimento básico mais popular do mundo. É especialmente popular em países pobres da Ásia, África e América Latina. E se um desses países pobres abolisse sua moeda e passasse a usar cupons de arroz?

    Minha ideia funcionaria assim:

    > cada empresa de arroz imprimiria um conjunto de cupons no valor de 1, 5, 10, 20, 50 e 100 quilos de arroz

    > cada um desses cupons deve corresponder exatamente à quantidade declarada de arroz, nem mais, nem menos

    > o dinheiro seria abolido e as pessoas trocariam por meio dos cupons de arroz

    > por exemplo: uma corrida de táxi do aeroporto ao centro da cidade custaria, digamos, 10 KGR (quilos de arroz)

    > o taxista iria então ao escritório da empresa de arroz e trocaria seus cupons por arroz, para alimentar sua família

    > não haveria autoridade monetária, o número de cupons de arroz impressos na sociedade seria determinado exclusivamente pelos produtores e importadores de arroz

    > não importa como os preços do arroz flutuem, cada família teria seu valor de trabalho armazenado em cupons que iriam, pelo menos, garantir que ela fosse bem alimentada”

  3. Incrível como todo rentista está descontente com a situação do juros. Se você não quer enfiar seu dinheiro em ativos reais e viver mamando o governo simplesmente jogue seu dinheiro na Argentina, lá a taxa de juros está ao seu favor. A única medida que o governo necessita fazer é desburocratizar ainda mais a exportação e importação de bens de consumo. Retirar essa porcaria de radar e descentralizar a exportação apenas para grandes empresas. O resto o próprio mercado faz naturalmente com o tempo.

  4. Mas oq deverá acontecer nos próximos 2 a 5 anos? hoje vejo apenas duas saídas.

    Cambio totalmente desvalorizado devido a Selic baixa e dívida em 95-100%.

    Selic mais alta, real mais valorizado, mas em contra partida dívida indo pro espaço (oq naturalmente depreciaria o cambio de igual forma devido ao risco maior de calote).

    Hoje eu vejo a seguinte situação, se correr o bixo pega e se ficar o bixo come.

    O ideal seria subir a Selic e cortar custos do estado, mas convenhamos, vamos falar sobre oq deve acontecer e não o nosso sonho rsrsrs.

    Gostaria de uma posição melhor quanto a isso dos colegas, oq vocês veem como possíveis caminhos que o pais irá/poderá tomar.

  5. Gado e seus demagogos estatais, o binômio da alegria. E quando todos esses desincentivos ao trabalho é produção atingiam o ápice, o jeito era colocar o exército para invadir o país vizinho para roubar suas riquezas e trazer escravos para o trabalho forçado nos campos. Acho que o excesso de ócio e regalias desses dirigentes estatais deve causar problemas mentais como delírios e esquizofrenia…

  6. É realmente cômico esse sermão do piloto Hermann Göring sobre os controles de preços. Aliás os nazistas se afundaram na própria burrice, já que uma economia planejada não se sustenta por muito tempo. Agora estou terminando de ver o documentário “Hitler’s Circle of Evil”.

    O que eu tinha falado sobre as causas do desabastecimento foi confirmado por esse artigo. Leandro escreveu sobre isso em 2015.

    Falando de inflação de alimentos, tive a curiosidade de comparar o Brasil com os países da América do Sul que adotaram medidas próximas em lockdown (por isso não coloquei o Uruguai). Peguei os dados de julho desse ano, em acumulado dos últimos 12 meses. Dos piores para os melhores. Vamos lá?

    – Venezuela, 2239,9%;

    – Argentina, 46%;

    – Brasil, 7,61%;

    – Colômbia, 5%;

    – Peru, 2,31%;

    – Equador, 1,21%;

    – Bolívia, – 0,14%;

    – Paraguai, – 0,9%;

    Ou seja, o Brasil é o terceiro pior em inflação de alimentos na América do Sul.

    Se os lockdowns causam inflação, por que na Bolívia e no Paraguai houve deflação?

    E decidi comparar também em termos de ouro as moedas da América do Sul:

    – O ouro encareceu 69,95% em relação ao real brasileiro;

    – O ouro encareceu 46,48 em relação ao peso uruguaio;

    – O ouro encareceu 46,06% em relação ao peso colombiano;

    – O ouro encareceu 40,63% em relação ao guarani paraguaio;

    – O ouro encareceu 39,01% em relação ao sol peruano;

    – O ouro encareceu 31,63% em relação ao peso chileno;

    – O ouro encareceu 29,71% em relação ao boliviano;

    Ou seja, o real brasileiro perde para as moedas vizinhas até em termos de ouro. Não existe esses dados para o bolívar soberano nem para o peso argentino, o qual é manipulado graças ao cepo.

  7. BC acaba de manter a taxa de juros em 2% ao ano. Pelo visto essa insanidade não vai acabar tão cedo. Protejam suas economias, não mantenham suas poupanças em reais.

    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/09/16/bc-copom-juros-selic-16-setembro.htm

  8. Por falar em controle de preços, hoje o Banco Central manteve o tabelamento dos juros de curto prazo.

    Aliás, o que tem de "liberal” por aí que defende que o BC tabele o preço do crédito…

    Ainda pior são aqueles que juram que BC tabelando o preço do crédito de curto prazo é de fato uma prática liberal e não-intervencionista.

  9. Sim, a alta do dólar é um fator que contribui para a alta do preço dos alimentos. Mas penso que não seja o principal. Os auxílios emergenciais geraram uma tonelada de dinheiro gerado a partir do nada, que foram distribuídos diretamente na camada mais necessitada da população. E quem está na base da pirâmide vai fazer o que com esse dinheiro? Demandar coisas que não dê para deixar para amanhã. Vulgo, comida! Ninguém pode deixar de comer, logo esse dinheiro começa a circular justamente no setor mais demandado. O preço dos outros produtos e serviços que compõe o IPCA permanecem "estáveis" mesmo com a alta do dólar. Já que são produtos e serviços onde as pessoas estão mais dispostas a cortar de seus gastos. Me parece que a alta do dólar não é o principal fator desse surto inflacionário no IGMP.

  10. E o caso do japão que houve varias rodadas de qe, é dito que a base monetaria expandiu 279% desde o inicio e a inflaçao la se manteve baixa. Qual a explicação?

  11. Anarquista Liberal

    – Off topic –

    Boa tarde. Ontem a tarde vi um texto num site no qual um professor de história dizia a seguinte pérola:

    “A ditadura promoveu ativamente o silenciamento do debate político sobre o tema: As representações dominantes ora objetificavam as posições subalternas, ora naturalizavam os corpos negros, associando-os falsamente ao crime, ao futebol, ou ao carnaval.”

    Gostaria de saber que tipo de afirmação é esta e a quê ela explicitamente diz, e também se ela é uma frase falseável e porquê. Juro que fiquei com uma pulga atrás da orelha ao ouvir isso. A todos, obrigado.

  12. Para vocês verem como a coisa está feia para o Brasil.

    Era para estarmos com um real tão ou mais forte do que no governo Temer, já que não estourou nenhum escândalo de corrupção dentro do governo federal, há mais membros pró-mercado e em tese é um governo totalmente novo, ao passo que o governo Temer ainda tinha alguns resquícios do governo petista e teve de lidar com coisas como o Joesley Day.

    Esse é o poder que um ministro da Economia possui sobre a moeda.

    Chama o Meirelles e o Goldfajn, Bolsonaro.

  13. Controle de preços é a política que falha sempre mais tentada na história. É como ver uma casca de banana do outro lado da rua e ir em direção a ela, pensando: “Droga, vou ter que cair de novo….”

  14. Parabéns a todos os envolvidos:

    Alta nos preços leva morador de periferia a trocar carne por ovo e pedir cesta básica nas redes sociais

    Segundo ela, antes da Covid-19, era possível fazer uma boa compra no mercado com R$ 200, mas agora está mais complicado.

    "Subiu demais os preços de alimentos, o arroz, feijão, óleo, carnes. Tentamos o máximo economizar, mas é difícil porque as coisas estão bem caras"

    Se o Maurício Macri brasileiro não acordar para vida pode já ir esquecendo de uma possível reeleição. As próximas pesquisas serão um pouquinho diferentes do que nós estamos vendo hoje.

    Na América Latina a regra é clara: acabou o dinheiro, acabou o amor. Pergunte ao Collor e a Dilma. Quem desrespeita essa regra básica da política latino-americana é chutado para fora do governo.

  15. Dólar ficou estável em R$ 5,30 por alguns dias, agora ficando por volta de R$ 5,23. Eu acho que o dólar vai continuar se enfraquecendo mundialmente pelo menos nos próximos meses. Mas será que será uma repetição da deterioração ocorrida no governo Bush?

    Eu não me iludo em achar que, mesmo com o dólar ficando mundialmente fraco, o real vá deixar de ficar mundialmente fraco (está fraco até em relação às moedas dos países vizinhos).

  16. Pessoal, visto esse tuíte do Fernando Ulrich sobre insumos na indústria, ficou uma dúvida: essa falta foi causada pela desvalorização cambial e/ou lockdowns? Ok, cadeias de produção de alimentos ficaram funcionando e até houve exportação, mas e para os outros setores? O que esperar para próximos meses e anos?

    O índice de commodities está alto, voltando para valores próximos dos de outubro de 2018 e de setembro de 2015. Commodities em dólares, por outro lado, ainda estão muito baratas.

  17. Boa tarde. Leandro ou auxiliares, como vocês respondem à crítica de que a desvalorização cambial não se deve (majoritariamente) à política monetária frouxa do BCB, mas sim a outros fatores como CDS, DXY e CRB?

  18. Então, o correto seria o governo zerar todos os impostos de importações para bens de capital e tudo o quê aumente a produção. Essa abordagem funcionaria? Pq nesse cenário hipotético haveria um aumento de produtividade e o preço dos produtos diminuiriam.

  19. Perguntando sobre o caso zimbabuense (de novo, porque ainda fiquei com dúvidas): Mugabe saiu do poder em novembro de 2017 (supostamente por golpe, o que não tenho certeza).

    A inflação de preços acumulada dos últimos 12 meses ficou civilizada, entretanto, até julho de 2018. Depois foi subindo e subindo.

    Se as moedas estrangeiras foram banidas somente em junho de 2019, então como que a inflação voltou a incomodar quando o país ainda podia usar dólares, euros e afins?

  20. Alguém aqui viu aquele vídeo do Celso Russomano que o Bolsonaro teve coragem de colocar no canal dele no YouTube? Para mim é o fim da picada só de ele dar importância ao Russomano.

  21. Augusto Godinho Cordeiro Ferreira

    Eu sou um estudante de economia e tenho como principal e única teoria a qual uso para basear minha perspectiva a da economia austríaca.

    No entanto, também por gostar muito de estatística e trabalhos que utilizam dados, gostaria de entender porque não há um trabalho empiríco feito por economistas da escola austríaca em relação aos ciclos econômicos.

    Por mais que, de acordo com Mises, não seja necessário uma vez que através da lógica já é possível chegar às conclusões essenciais, ainda gostaria de entender porque no século 21 com abundância de dados para se analisar, eu não consigo encontrar um tabalho empírico sobre o assunto. Seria muito interessante, não para provar a teoria, mas para torná-la ainda mais didática e mostrar alguns dados importantes os quais devem ser analisados além daqueles que a economia tradicional utiliza.

    Obrigado!

  22. Com a dolarização, como funcionam as exportações e importações no Equador? Os juros flutuam.

    Isso porque, já que lá o sucre não existe mais (além das moedinhas conversíveis), o que acontece quando o dólar desvaloriza ou valoriza pelo índice DXY? Quando o dólar fica caro, as commodities ficam mais baratas. Quando o dólar fica fraco, as commodities ficam mais caras. Essas flutuações são então como se fosse um câmbio flutuante de um país civilizado, influenciando nas exportações e importações?

    Vale lembrar de que o Equador é uma economia extremamente dependente de commodities. Desde a dolarização, a produção de petróleo só subiu, deixando a Venezuela bastante para trás, apesar de o setor de petróleo equatoriano ser dominado pela estatal Empresa Pública de Hidrocarburos del Ecuador.

  23. http://www.infomoney.com.br/colunistas/alexandre-schwartsman/no-colchao/

    “Confesso que não sou muito fã de agregados monetários (base, M1, M2, etc.) e, para ser absolutamente sincero, nem costumo segui-los. Num mundo em que o instrumento de política monetária é (tipicamente) a taxa básica de juros, como a Selic, ou a Fed Funds, os agregados têm pouco a dizer sobre a postura dos Bancos Centrais.”

    Dói ler esse cara..

    Enquanto isso no mundo real (o que já era previsto a meses aqui):

    valor.globo.com/empresas/noticia/2020/09/23/industria-sobe-precos-de-itens-de-consumo.ghtml

    “Redes de supermercados estão recebendo novas tabelas de preços mais salgados, de alimentos industrializados, bebidas, produtos de higiene, limpeza e têxteis. Os fabricantes alegam pressão de custos, devido a insumos mais caros e escassos. O ritmo de entregas dos pedidos diminuiu – a indústria não consegue entregar o volume encomendado por varejistas e atacadistas.”

    Salve-se quem puder!

  24. Presidente do BC manifesta tranquilidade com relação à inflação

    A projeção do BC é que a inflação termine este ano em 2,1%. Para 2021, as projeções estão em torno de 3%.

    Se a estimativa se confirmar, a inflação em 2020 ficará abaixo da meta que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 4%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2,5% e o superior, 5,5%.

    Para Campos Neto, os preços dos alimentos em alta recente tendem a se estabilizar e a inflação deve ficar sob controle. "O Banco Central tem situação de absoluta tranquilidade em relação à inflação. Existem efeitos provenientes das subidas de preços de commodities e o efeito do pagamento do auxílio emergencial. Também mostramos relação do IPA [Índice de Preços ao Produtor Amplo] e do IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo] e possível contaminação. A mensagem geral é que estamos tranquilos e entendemos que existia uma pressão em 2020, mas não entendemos que esses reajustes recentes vão contaminar as inflações futuras", disse Campos Neto.

  25. Alguém aqui já pensou em fazer um histórico sobre os preços do xerox e dos clipes de papel de 07/1994 até os dias de hoje, e comparar com os preços de outras coisas?

  26. Hoje visitei uma loja de aquários nova aqui da cidade. Faz anos que eu não fazia isso. O que me chamou atenção é o quão caro ficaram algumas coisas. Um aquário de 40 litros não sai por menos de R$ 130. Em 2012 eu comprei o meu por algo como uns R$ 80 ou R$ 90, se não me engano. Nesses 8 anos, foi um IPCA acumulado de uns 52%. A alta nos materiais de construção deve ter influenciado nos preços dos vidros. Uma mangueira de silicone que eu pagava R$ 2 o metro, agora está em R$ 6.

    Interessante é que os animais vendidos para aquários sofreram menos com aumentos, principalmente os peixes ornamentais que sofreram massificação na produção como Betta splendens, Poecilia reticulata, Poecilia sphenops, etc. Por que será? Ração para peixe também usa commodities (embora as rações para peixes tenham isenção do Ministério da Agricultura) e os testes de aquário usam também química (não sei se seria química fina, mas é química).

    Não está fácil o Brasil não, estamos revivendo a era da Dilma. Talvez o único setor que não esteja sofrendo com carestia seja o de clipes de papel e de impressões de xerox.

  27. Eis o ranking da taxa de juros de longo prazo de alguns países:

    – Brasil: 7,07%;

    – Indonésia: 7,01%;

    – Bangladesh: 6,7%;

    – Rússia: 6,28%;

    – Índia: 6,03%;

    – México: 5,83%;

    – Colômbia: 5,14%;

    – Jordânia: 4,68%;

    – Peru: 4,26%;

    – Botsuana: 3,63%;

    – China: 3,15%;

    – Filipinas: 3,09% (detalhe que o grau de crédito de lá está bastante bom);

    Se os juros reais (pela SELIC) brasileiros estão tão baixos, então como que a taxa de juros de longo prazo está ainda alta? Simples: quanto mais reduziam a SELIC, maior ficava a expectativa de inflação futura. Baseado nisso os juros de longo prazo no Brasil permaneceram altos. E é baseado nesses juros que investimentos produtivos são feitos, não na SELIC.

    Isso é tanto verdade que os juros de longo prazo no Brasil estão em 7,07%, com SELIC a 2%. No Peru, com sua “SELIC” a 0,25%, os juros de longo prazo estão em 4,26%.

    E aí, será que agora teremos 3 trilhões de fintechs brasileiras com isso?

  28. ELCIO ROBERTO FERREIRA MAIOLINI

    Quando falam que o governo federal tem uma política inflacionária não vejo como isso pode ser. Auxílios são pagos as pessoas comuns e não a bancos e conglomerados. E essas pessoas usam o dinheiro para seu sustento. As contas públicas apesar de precárias ainda se sustentam com os juros baixos e a reserva de ativos do governo federal passíveis de privatização. A inflação esta sendo puxada pela commodities de alimentos, principalmente porque a China esta faminta e esta comprando tudo que pode no planeta ( e eu disse a um colega alguns anos atrás :” ela vai comer o mundo, não ela já esta comendo”. Houve um aumento na demanda mundial que vai exigir uma contra parte no aumento da oferta que virá nos anos seguintes. Aumentar preços no Brasil parece ser mais uma jogada dos atacadistas para lucrar diante da falta de concorrência externa, o preço dos alimentos subirem de maneira conjunta em um país exportador de alimentos não é muito normal. Mas sem demanda eles não vão vender nada. Mas apesar da desorganização econômica gerada pela farsa do frango frito chineis a batata, a mandioca a banana vão se não muito bem obrigado, pelo menos disponíveis aos famintos. A mim me parece que o empresário brasileiro mais tradicional não sabe sobreviver em um cenário econômico como o que estamos atualmente. Parece mesmo que o país esta sendo contaminado pela bolha monetária americana, essa sim preocupante porque esta inflando preços de ativos artificialmente.

  29. "A história econômica é um extenso registro de políticas governamentais que falharam, porque foram projetadas com um desprezo ousado pelas leis da economia."

    Mises

    * * *

  30. Estamos em 2024 e tao pedindo pra baixar os juros  na canetada.

    E pra ajudar os pobres? Todo mundo sabe que nao.

    Abaixe os juros e vamos ver o dolar saltar varios valores nominais. Chega hora de vender as verdinhas acumuladas , compradas  na baixa atual e vender na alta provocada pelos juros baixos artificialmente

  31. O artigo ensina algo muito claro sobre a importância dos estoques reguladores e do fechamento da conta capital e financeira.

    Mas o governo brasileiro se nega a executá-los.

Rolar para cima