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O atalho para o totalitarismo – por que não se deve brincar com a ideia de controle de preços

O governo ouve as queixas do povo de que o preço da carne subiu. A carne é, sem dúvida, muito importante, sobretudo para a atual geração em crescimento, para as crianças.  

Ato contínuo, o governo resolve controlar o preço da carne, reduzindo por decreto o seu valor e, com isso, estabelecendo um preço máximo para esse produto — preço máximo que é, obviamente, inferior ao que seria o preço potencial de mercado.  

E então o governo diz: “Estamos certos de que fizemos tudo o que era preciso para permitir aos pobres a compra de todo a carne de que necessitam para alimentarem a si próprios e a seus filhos”.

Mas que de fato irá acontecer? 

As consequências não-premeditadas

De um lado, o menor preço da carne provoca o inevitável aumento da demanda pelo produto; pessoas que não tinham meios de comprar carne a um preço mais alto podem agora fazê-lo ao preço reduzido por decreto oficial.  

De outro lado, dado que os custos de produção continuam inalterados (pois a realidade econômica é irrevogável), temos que parte dos produtores de carne, aqueles que estão produzindo a custos mais elevados — isto é, os produtores marginais — começam a sofrer prejuízos, dado que o preço final da carne decretado pelo governo é inferior aos custos do produto.  

Ou seja, os custos de produção continuam altos, mas as receitas caíram artificialmente, por causa de um decreto do governo.

Este é o ponto crucial de uma economia de mercado. O empreendedor privado não está no ramo para sofrer prejuízo. No cômputo final de suas atividades, ele tem de trer um lucro. Caso contrário, ele simplesmente se retira daquela atividade e muda de ramo. 

E, dado que ele não pode ter prejuízos com a carne, ele, de início, simplesmente irá restringir a venda deste produto para o mercado. O normal é que ele passe a vender apenas no mercado negro, a preços maiores que os decretados pelo governo.

É também esperado que ele venda alguns de seus bois e vacas para frigoríficos mais poderosos (o que aumenta a concentração de mercado). Ele pode também, em vez de carne, se concentrar na produção de leite, e vender derivados do produto, como coalhada, manteiga ou queijo.

Ato contínuo, o governo resolve punir a produção destes derivados (aumento impostos sobre estes produtos, por exemplo), como forma de obrigar os produtores a voltarem a se concentrar na produção de carne. Obviamente, esta nova restrição à produção tem o efeito apenas de reduzir ainda mais a criação de gado, bem como agora a oferta destes laticínios, piorando toda a economia.

O início do colapso

A interferência do governo no preço da carne redunda, portanto, em menor quantidade do produto do que a que havia antes, redução que é concomitante a uma ampliação da demanda. As pessoas dispostas a pagar o preço decretado pelo governo não conseguirão comprar carne.  

Outro efeito inevitável serão as filas. O enxame de pessoas ansiosas por chegarem em primeiro lugar às lojas fará com que elas sejam obrigadas a esperar do lado de fora.  As longas filas diante das lojas são um fenômeno corriqueiro em economias cujo governo decreta preços máximos para as mercadorias que lhe parecem importantes. Em economias socialistas, isso é uma rotina diária.

O caminho para o totalitarismo

Mas quais as outras consequências do controle governamental de preços? O governo se frustra. Pretendia aumentar a satisfação dos consumidores de carne, mas, na verdade, descontentou-os.  

Antes de sua interferência, a carne estava cara, mas era possível comprá-la. Agora, a quantidade disponível é insuficiente. Com isso, o consumo total se reduz.  

As famílias passam a comer menos carne, e, no extremo, chegam a nem sequer conseguir comer — pois é difícil encontrar o produto nos supermercados.  

Em meio a essa escassez, a medida a que o governo recorre em seguida é o racionamento. 

Mas racionamento significa tão-somente que algumas pessoas são privilegiadas e conseguem obter carne, enquanto outras ficam sem nenhum. Quem obtém e quem não obtém passa a ser algo determinado de forma totalmente arbitrária pelo governo. Pode ser estipulado, por exemplo, que famílias com mais crianças devem ter acesso a mais carne, e que famílias com menos devem receber apenas a metade da ração. E indivíduos solteiros ou mesmo casais sem filho não têm direito.

Neste cenário, obviamente, as fraudes se tornam crescentes. Indivíduos solteiros começam a apresentar certidões de nascimento falsas (para dar a impressão de que têm filhos). Indivíduos ricos passam a subornar burocratas do governo (que agora estão encarregados de supervisionar o racionamento nos supermercados). E as famílias realmente pobres e com muitos filhos acabam ficando sem nada (pois a carne acabou devido à fraudes dos outros grupos acima).

A expansão do totalitarismo

Faça o governo o que fizer, permanece indelével o fato de que, agora, a disponibilidade de carnes é muito menor do que a de antes.  

Consequentemente, a população está ainda mais insatisfeita que estava antes do controle de preços. 

O governo, já desesperado, pergunta aos produtores de carne (pois não tem imaginação suficiente para descobrir por si mesmo): “Por que não produzem a mesma quantidade que antes?”.  

E obtém a resposta: “É impossível, uma vez que os custos de produção são superiores ao preço máximo fixado pelo governo”.  

Ato contínuo, as autoridades se põem a estudar os custos dos vários fatores de produção. E então descobrem que um deles é a ração.  

“Pois bem”, diz o governo, “o mesmo controle que impusemos à carne vamos aplicar agora à ração do gado. Determinaremos um preço máximo para ela e os pecuaristas poderão alimentar seu gado a preços mais baixos, com menor dispêndio. Com isso, tudo se resolverá: os produtores de carne terão condições de produzir em maior quantidade e venderão mais.” 

O que acontece nesse caso? Repete-se, com a ração, a mesma história acontecida com a carne. E, como é fácil depreender, pelas mesmíssimas razões. A produção de ração diminui, o gado não mais engorda, toda a situação piora ainda mais, e as autoridades se veem novamente diante de um dilema. 

Nessas circunstâncias, os burocratas se debruçam novamente sobre o problema, agora com o intuito de descobrir o que há de errado com a produção de ração. E recebem dos produtores de ração uma explicação idêntica à que lhes fora fornecida pelos produtores de carne.  

Consequentemente, o governo se sente compelido a dar um outro passo, já que não quer abrir mão do princípio do controle de preços: determina preços máximos para os bens de capital necessários à produção de ração. Tratores, fertilizantes, colheitadeiras,  milho, soja, farelo de trigo etc.: todos os preços passam a ser controlados pelo governo.

Ao mesmo tempo, ele decreta empréstimos a juros subsidiados (ou seja, bancados pelos impostos dos cidadãos) a estes setores. Tamanha injeção de crédito na economia irá apenas estimular a demanda das pessoas, sem qualquer efeito na oferta.

E a mesma história, mais uma vez, se desenrola.  

Assim, o governo começa a controlar não mais apenas a carne, mas também o leite, o queijo, a soja, o milho, os fertilizantes, os tratores, as colheitadeiras e vários outros artigos essenciais.  Simultaneamente, a demanda segue crescendo.

E, em todas as vezes, alcança o mesmo resultado. Em todos os setores, a consequência é sempre a mesma: a partir do momento em que fixa preços máximos para bens de consumo, vê-se obrigado a retroagir para os bens de produção, e a limitar os preços dos bens de produção necessários à fabricação daqueles bens de consumo com preços tabelados.  

E assim, o governo, que começara com o controle de alguns poucos fatores, recua cada vez mais em direção à base do processo produtivo, fixando preços máximos para todas as modalidades de bens de produção, incluindo-se aí, evidentemente, o preço da mão-de-obra — pois, sem controle salarial, o “controle de custos” efetuado pelo governo seria um contra-senso.

O ápice do totalitarismo: uma economia controlada

Por fim, o governo não tem como limitar sua interferência no mercado apenas ao que ele acredita ser bens de primeira necessidade: carne, leite, manteiga, ovos e carne.  Ele precisa necessariamente incluir os bens de luxo, pois, se não limitasse seus preços, o capital e a mão-de-obra abandonariam a produção dos artigos de primeira necessidade e recorreriam à produção dessas mercadorias que o governo reputa supérfluas.  

No final, a interferência isolada no preço de um ou outro bem de consumo sempre gera efeitos — e é fundamental compreendê-los — ainda menos satisfatórios que as condições que prevaleciam anteriormente: antes da interferência, a carne estava caro; depois, tudo começou a sumir do mercado, inclusive os laticínios.

O governo considerava esses artigos tão importantes que interferiu; queria torná-los mais abundantes, ampliar sua oferta. O resultado foi o oposto: a interferência isolada deu origem a uma situação que — do ponto de vista do governo — é  ainda mais indesejável que a anterior, que se pretendia alterar.  E o governo acabará por chegar a um ponto em que todos os preços, salários, taxas de juro, em suma, tudo o que compõe o conjunto do sistema econômico, é determinado por ele.  

E isso, obviamente, é o ápice do totalitarismo — ou seja, o socialismo. 

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Esse texto é uma ligeira adaptação do terceiro capítulo do livro As Seis Lições. No original, Mises se referia a um tabelamento do preço do leite. No artigo acima, o editor simplesmente alterou para ‘carne’, com o intuito de torná-lo mais adequado aos tempos atuais. Excetuando-se isso, todo o resto do texto foi mantido.

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Quatro mil anos de controle de preços

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153 comentários em “O atalho para o totalitarismo – por que não se deve brincar com a ideia de controle de preços”

  1. HELLITON SOARES MESQUITA

    Hoje em dia já não funciona tanto. Tenho mais medo de inflação pra gerar empregos. É fácil gerar empregos assim. Depois que gerar desemprego a conta cai no próximo governo. Que pra controlar tem que ter ainda mais desemprego. E ai o cara volta como salvador da pátria.

  2. A própria mídia está implorando por tabelamento. É só você ver o tom das chamadas. Uma simples googlada traz as seguintes manchetes:

    “Apesar da forte alta, Bolsonaro diz que não vai tabelar o preço da carne” (Estadão)

    “Bolsonaro diz que, mesmo com alta, não vai tabelar ou congelar o preço da carne (Globo)

    “Mesmo com alta, Bolsonaro defende "mercado aberto" e diz que não vai tabelar preço da carne” (Revista Fórum)

    “Apesar da alta recorde, Bolsonaro descarta tabelar o preço da carne” (Jovem Pan News)

    “Bolsonaro não vai fazer nada para impedir alta da carne bovina” (Conversa Afiada)

    “Bolsonaro descarta ação do governo para conter alta da carne bovina” (Correio do Povo)

  3. O que temos aqui é apenas um claro e perfeito exemplo de que, quando o estado de se envolve, sempre vai dar ruim, mas mesmo assim, muitas preferem acreditar que o estado cumpre sua função, protege os pobres, te dá e educação e segurança e tal, mas o que temos na realidade, é justamente o oposto, muita coisa(ou tudo) só não vai pra frente mesmo como poderia, simplesmente pelas correntes físicas e mentais que ele coloca em muitas pessoas, se tornando uma escravidão legalizada.

    Um bom ponto a reforçar é: Não confie muito no que a mídia(de maneira geral) diz, ela apenas tem seus interesses pessoais e políticos acima de qualquer coisa, inclusive da verdade, na qual o jornalecos deveriam tanto prezar, apenas quer gerar um cenário de caos politico, se aproveitando de qualquer deixa e deslize que ocorra, divulgando e falando mentiras e meias verdades, ela se aproveita de migalhas e gera um falso incêndio, e as pessoas que ainda confiam nela acreditam, e depois sai como a exaltada e poderosa no final.

  4. Alguns dias atrás, estava conversando com minha mãe sobre a época do plano cruzado. Naquela época, o leite estava em falta em toda parte, por causa dos controles de preços do Sarney. Como eu era muito novo e precisava de laticínios (eu tinha dois anos quando o plano cruzado começou), a mãe substituía o leite por Yakult, pois este era um produto encontrado com relativa facilidade nos mercados. Foi um tempo difícil para todos. Se eu mostrar este artigo para minha mãe, ela nem vai precisar imaginar a situação hipotética descrita pelo Mises. Ela só vai lembrar do passado.

  5. Incrível, estava relendo o As Seis Lições e acho incrível como todo mundo ignora as teorias econômicas e quer fazer política unicamente com a emoção. O controle de preços é um dano praticamente eterno, nenhuma nação consegue anular 100% os efeitos pós-controle de preços, mesmo que estes sejam posteriormente abolidos. A única exceção é o país adotar uma política muito pró-mercado por décadas a fio, de forma que as gerações novas passem sem um novo controle. A Alemanha fez isso, conseguiu escapar da herança maldita (ao menos em grande parte). No entanto, a América Latina e os países do Leste Europeu, além da maior parte da Ásia ainda paga o preço diariamente pelas políticas de 30 anos atrás.

    Os capitalistas simplesmente não querem habitar países assim.

  6. Venho bater palmas pro trabalho que a imprensa está fazendo para conseguir esconder a relação do aumento recente da carne com a política do Lula das campeãs nacionais.

    O Cachaceiro simplesmente acabou com nossos frigoríficos. A carne está em péssima qualidade, é tudo merda velha e embalada a vácuo, cheia de plástico, e, ainda por cima, cara. A competição antes reduzia a margem de lucro nessa fase da “produção” e distribuição de carne. Agora só tem lobby das campeãs nacionais com os sauditas e provavelmente com os chineses também. A tendência é apenas a coisa piorar. Quando essas grandes empresas se juntam às grandes redes de mercado, é uma desgraça para uma desgrudar da outra. Os pequenos e novos produtores que quiserem vender aos supermercados terão sua margem de lucro minimizada e forçados a reduzir a qualidade caso queiram aumentá-la ou a simplesmente honrar contratos. Isso sempre ocorreu, mas com a destruição do mercado nacional da carne que o Cachaceiro nos rendeu, a coisa apenas cresceu e se consolidou no setor da carne.

    Se não fosse a JBS-Friboi engolir as outras menores, haveria maior competição, o lucro delas se equilibraria com a demanda do brasileiro, poderia haver redução de lucro e divisão dos prejuízos entre vendedor e consumidor. Da forma que está, apenas o produtor rural e os consumidores que tomam no rabo.

    Como estamos num período de escassez de boi também, os produtores teriam mais opções para vender e encarecer sua carne. Hoje não têm essa opção. O próximo problema, agora, será a volta, quando o dólar baixar, quando a oferta aumentar. Uma vez que não existe competição, as grandes redes puxarão o lucro para o lado deles. Por exemplo, se os supermercados conseguirem vender certo corte por 30 reais o quilo de forma estável, é porque o gado permitiu que isso ocorresse. Como o gado de hoje é mal-acostumado e joga dinheiro no lixo, o novo preço será 30 reais também, mesmo com maior oferta. Ao menos até que tenha competição. Sem competição, não tem por que os preços baixarem. Se as distribuidoras de carne também não têm com quem competir, os pequenos donos de mercado e açougue não têm como pressionar para que o preço baixe, não têm como, por sua vez, competir com as grandes redes de supermercado. E toda a competição fica travada pelos lobbies desses oligopólios que, para piorar, antes do Bolsonaro contavam com dinheiro infinito do BNDES.

    O gado brasileiro devia ser mais ciente de que o Cachaceiro cagou com a carne do Brasil. Acabou com o preço e com a qualidade, que costumava ser uma das melhores do mundo por ser criado na base do capim, e não confinados comendo ração.

  7. PAULO RICARDO DE CARVALHO SARACELLI

    Duas medidas ao meu ver são cabíveis!

    1) importar de um país produtor a custos menores e possivelmente de pior qualidade para repassar a população (não é novidade!)

    2) restringir as exportações (a culpada) para aumentar a concorrência interna.

    Um controle de preços só seria. Iavel ao meu ver se o tabelamento fossem em cima da % de lucro, não só da carne mas de todo o setor produtivo primário para não ter pra onde correrem. O difícil no caso é conseguir comprovar o real custo de produção pra isso. Seria bom pra evitar sobre preços e custos abusivos, mas não creio que tenha como viabilizar isso não…

  8. Mas o caso específico desse aumento da carne é aumento da demanda, não? Porque o texto fala sobre custos de produção.

    Por exemplo:

    – Pecuarista tem 100 bois para vender para 100 pessoas (valor R$ X)

    – Agora, com aumento de demanda chinesa, ele tem os mesmos 100 bois, com mesmo custo, mas para vender para 400 pessoas (valor R$ 4x).

    Então, o burocrata pode pensar que “controlando o preço da carne, não tem mais vantagem vender pra fora e isso não impacta o pecuarista, porque os custos continuam os mesmos. Ele só não vai ser mais um capitalista maldito e vai ajudar os brasileiros”.

    Então, mesmo essa aumenta de demanda aumenta os custos pra produção dos mesmos 100 bois?

  9. Leandro, fugindo um pouco do tema…

    Senti faltar de um comentário seu a respeito da arrogância, ignorância e espantalhos feitos por ortodoxos nos últimos dias a respeito da EA.

    Eles aparentam estar bem exaltados e chiliquentos com pessoas normais (muitos jovens estudiosos fizeram simples perguntas e foram ofendidos e bloqueados por essa corja) “ousando” questionar os seus respectivos conhecimentos e doutorados a respeito da matéria em questão.

    Sei que é um assunto chato e que o Beltrão e o Professor Bira já responderam devidamente, mas você sempre tem algo a agregar.

  10. Esse negócio de controle de preços, me lembra a época de hiperinflação, época que eu tenho lembranças bem marcantes.

    As vezes a minha mãe substituía o café com leite por chá de mate leão, que era mais barato e rendia mais. Quando sobrava um dinheiro, a gente tinha mais chance de tomar café com leite.

    Refrigerante? Só as tubaínas, e bem de vez em quando, com o dono do bar emprestando o casco.

    Quando ela recebia o salário, a gente ficava um tempão na fila do banco, e com o dinheiro na mão, já ia correr para o mercado para fazer a "despesa" do mês, senão você só comprava o básico, e ficaria sem dinheiro para comprar a "mistura", que podia ser salsicha, ovos, coxa de frango.

    Nugets, e outros congelados só no sonho.

    Na época do Plano Cruzado, lembro do discurso do Sarney na televisão, e da festança que o povo fazia.

    Nego ia no mercado e na padaria, com aquelas tabelas da Sunab que muitos pegavam no jornal, principalmente do jornal "Notícias Populares", que toda a semana tinha uma chamada na capa com tabela da Sunab, com novas atualizações de produtos.

    É nessa época o surgimento dos famosos "Fiscais do Sarney".

    Gerente de mercado, ou até mesmo o dono de mercado, padaria ou açougue era tratado como se fosse bandido. Tinha gente que achava que tinha poder de polícia só por que o Sarney falou que as pessoas eram os próprios fiscais do plano. Loucura.

    Lembro até hoje, quando começou a faltar os produtos e as prateleira ficarem vazias, a Globo fez algumas propagandas do tal "Tem que dar Certo", que tinha a Lucélia Santos e até os trapalhões, falando que a falta das coisas era culpa do comércio, e que o plano "Tinha que dar certo", como se fosse na base da boa vontade.

    Aí veio a dureza para fazer despesa: Não precisava correr para o mercado, mas tinha que levar os filhos juntos para garantir a cota do que podia comprar. Quem não se lembra das famosas filas do leite?

    Lembro que o PMDB ganhou disparado aqui em São Paulo naquela época. O Quércia virou governador, e que anos depois acabaria com o Banespa.

    Aí depois da eleição os preços dispararam. Tinha voltado o costume de correr para o mercado pra fazer a despesa do mês. Pior era pra aqueles que tinham tripudiado dono de padaria e mercado, tiveram que voltar com o rabo entre as pernas.

    Dose é que o pessoal mais novo (abaixo dos 40 anos) não viveu aquela época, e acha que é só congelar os preços que resolve.

    Controle de preços não funciona desde a Roma Antiga. Ingenuidade achar que vai funcionar agora.

  11. A economia é importante? É. Mas tem certas coisas que eu não aceito. Tem certas coisas que não são justas.

    Por exemplo, imagine que ocorra um desastre natural em uma cidade — um furacão — e centenas de famílias fiquem desabrigadas. A demanda por habitação aumenta. É justo que os preços das habitações nesta cidade aumente 100% porque a demanda por habitação aumentou devido ao desastre natural? Por essas e por outras que devemos pensar se a lei da oferta e demanda.

  12. Os maravilhosos efeitos benéficos de uma moeda forte (cujo poder de compra aumenta ao longo do tempo) são realmente verdadeiros.

    Um real forte arrumaria um monte de problemas e faria a popularidade de Bolsonaro ir às alturas.

    Que estupidez da “equipe econômica” em fazer exatamente o contrário.

  13. Leandro, você poderia produzir um artigo tratando do plano econômico do Enéas?! Ele dizia ser contra as privatizações do governo FHC, pois haviam empresas estatais cujo lucro de um curto período cobria o valor da venda, além de que o BNDES participou ativamente das privatizações. Também falava em restringir importações ao mínimo necessário por alguns meses, nos quais também manteria os preços controlados com base em um período anterior, para, então, lançar uma nova moeda lastreada em minérios abundantes no Brasil e escassos no exterior, como o Nióbio, pois o real não se sustentaria por muito tempo. Propunha fazer investimentos na agricultura e na indústria(Não sei se subsidiados). Poderia fazer uma análise a respeito? Apresentar os pontos positivos e negativos?

  14. No último vídeo do Nando Moura, ele contou o relato de um inscrito dele que vem sofrendo com a escalada dos preços de diversas coisas — gás, alimentos, energia e etc. Paulo Guedes no seu cargo de ministro com certeza não sabe o que o povão sofre com uma moeda fraca… é muito decepcionante ver um governo que tinha tudo para dar certo e popularizar o Liberalismo Econômico fazendo essa série de escorregões e sujando o nome do Liberalismo.

    E parece que não é nem questão de advertir o PG ou o Bolsonaro sobre a fraqueza da moeda, é questão de convencer, porque ambos estão determinados a continuar com essa loucura.

    Se alguém aqui ainda tem alguma ilusão, ainda espera alguma coisa do governo, pode esperar deitado. Se você quer sentir melhora na sua qualidade de vida, então vá arrumar um emprego melhor, invista seu dinheiro, pare de gastar com coisas supérfluas e até mude de país, porque a tendência por aqui é sempre piorar.

  15. Sem acabar com o déficit público,impossível ter moeda forte,pois com a moeda forte até a arrecadação aumentar quem iria financiar o estado glutão?

  16. Pessoal, li agora há pouco essa matéria e eu vou colocar um trecho que me chama a atenção:

    “O Latin NCap encontrou diferenças na forma e no volume das bolsas infláveis laterais entre carros produzidos na Colômbia e os feitos no Brasil e na Argentina: na versão colombiana a bolsa, com volume de 22 litros e maior área de cobertura, oferece maior proteção que nas outras (18 litros).

    E sabem qual é a maior coincidência? O Peso Argentino e o Real se desvalorizaram mais do que o Peso Colombiano.

  17. Pessoal me respondam,com a estabilização da moeda(Seguindo os princípios da escola austríaca,que eu concordo em tese,mas em termos de pragmatismo político e realidade dos fatos estamos longe deste ideal) sem cortes profundos de gastos da máquina pública,quem irá financiar o estado glutão?Talvez esteja ai a timidez da equipe econômica em manter o dólar flutuando rumo ao abismo?!

  18. Alguém acompanhou o embate nessa semana entre o Samy Dana e alguns adeptos da escola austríaca? Se sim, gostaria de ver se os senhores tem algo à acrescentar. Honestamente o que eu queria mesmo era um artigo resposta do Leandro Roque, mas não sei se o IMB consideraria essa sugestão.

  19. De volta pra 1986 pessoal:

    valor.globo.com/brasil/noticia/2020/09/09/ministerio-da-justica-notifica-supermercados-por-alta-nos-precos-dos-alimentos.ghtml

  20. Troca a carne por arroz agora, dia 09/09/2020… a mídia está louca para o governo congelar o preço.

    Isso me leva a pensar no perigo que passamos ao quase eleger o PT de novo. Por mais trabalhada que há com o Bonoro, ainda assim ele se põe contra essas ideias.

    Agora imagine…

    O PT no poder, pandemia, governos autoritários fazendo ABSOLUTAMENTE TUDO que querem, crise econômica, lockdown, preço dos alimentos aumentando.

    Imaginem o que esse governo não teria tentado com todas essas situações ocorrendo mutuamente.

    Creio que estaríamos já dentro de uma ditadura socialista.

  21. Fã do Ciro Gomes

    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/09/09/supermercados-limitam-pacote-arroz-cliente-campinas.amp

    PARABÉNS, PAULO GUEDES. ÓTIMO TRABALHO.

  22. Que lindo, Paulo Guedes defendendo aumento do teto salarial de funcionário publico.

    g1.globo.com/politica/noticia/2020/09/09/guedes-defende-aumento-do-teto-salarial-do-funcionalismo-publico-para-valorizar-a-meritocracia.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1

    O pior de tudo é que o Guedes ta sujando a imagem do liberalismo de um jeito inimaginável. O homem simplesmente abandonou tudo o que aprendeu em chicago.

  23. Nem precisa se espelhar na Venezuela, nós também temos nossos especialistas ,vide governo Sarnei que laçava boi no pasto e a Globo apoiava os teatros do governo.

  24. Quando li “As Seis Lições” (esse artigo em específico), foi tudo tão obviamente claro que pensei comigo “meu Deus, temos um novo evangelho aqui!”

    Se o Brasil produz grãos em quantidade recorde (era o começo do governo Dilma, e sempre tinha propaganda na TV), pensei comigo, era só tirar os impostos que deixavam a comida mais cara, que todo mundo ganhava: o produtor por poder vender ainda mais, o povo por poder comprar ainda mais comida e a tendência é que ficasse ainda mais barato.

    Pensei ainda, que isso iria ajudar o povo da minha quebrada, pois, ia sobrar mais grana pro churrasco e ainda poderia sobrar grana pra investir num cursinho ou ensino técnico pra num futuro o povo ainda ter mais grana, e assim, mais coisas pra comprar e conforto.

    Mas a experiência acabou me mostrando que das duas, uma: os governantes não leram “As seis lições”, ou eles não queriam saber de nada disso.

    Torci muito (e até militei muito) pensando que era a primeira opção, mas infelizmente era a segunda ”/

  25. “Arroz está caro por culpa dos lockdowns.”

    Então eu gostaria que me explicassem isso:

    – Aumento de 823% nas exportações de arroz entre junho de 2019 e junho de 2020. Agora passando de julho de 2019 a julho de 2020, aumento de 242%;

    – Em julho houve aumento de 1108% nas exportações de arroz. Em agosto, aumento de 93%;

    – Preço internacional do arroz despencou após 1 º de junho;

    Gostaria de saber as explicações para isso.

  26. E esse aumento da diferença do IPC-BR para o IPCA? Ambos usam a mesma cesta de produtos, com a diferença que um é calculado pela FGV e o outro pelo IBGE, a diferença estava relativamente estável até 2020

    Estamos virando a argentina e manipulando dados?

    i.imgur.com/llEn8Un.jpg

  27. Para quem quiser refrescar a memória, vejam essa entrevista de 2010 do Meirelles para The Economist. Ela já revela porque o Lula foi reeleito e a aprovação dele entre os mais pobres subiu.

    E aproveitando, vejam só que irônico esse tuíte do Lula:

    “Sempre lembro da minha felicidade quando era presidente e alguém me falava que o preço do Tio João tinha baixado…

    – “Ô Lula, você viu que o arroz tá 8 reais?!”

    Nossa como eu ficava feliz.

    O povo precisa ter dinheiro pra comprar comida.”

    Claro que o arroz ficou mais acessível… o real ficou cada vez mais forte e a economia brasileira cresceu consideravelmente no período. Mas ele infelizmente não aproveitou esse momento bom para fazer reformas estruturais e preferiu bombar os bancos estatais com crédito (por isso que a inflação no período era mais alta do que no governo Temer). E pagamos o preço até hoje.

    Bolsonaro poderia sim usar um discurso “populista” em prol de uma moeda forte, usando algo como “Moeda forte é bom para o trabalhador brasileiro, para você dona de casa, para você que tem uma pequena quitanda e para você que tem uma pequena indústria, pois o nosso custo de vida cai.”

  28. No meio de tanta insanidade, eis uma boa medida para nós:

    “Contran proíbe radares móveis e fixos escondidos a partir de novembro”

    Sinceramente e sendo até estatista, com esse tanto de multa que é “arrecadado” por radares acho que até daria para pavimentar o Brasil com rodovias alemãs, ou estou exagerando? Para onde esse dinheiro todo vai?

    Na Flórida eu sei que as cidades possuem controle mais rígido de velocidade (em bairros residenciais inclusive), ao passo que em rodovias é mais flexibilizado. Se não me engano lá os radares são só com policiais presentes.

    Bolsonaro vai ser reeleito na moleza. Agora ele tem que “cuidar” da moeda.

  29. O Governo Sarney foi um exemplo clássico do controle de preços , chegou um momento que não tínhamos nada nas prateleiras do supermercado, faltava leite , carne, pão , foi um momento difícil na vida dos brasileiros .

  30. "O fato é que, sob um sistema capitalista, os principais patrões são os consumidores. O soberano não é o estado, é o povo."

    Mises

    * * *

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