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Déficits financiados via impostos ou via endividamento: as consequências não-premeditadas

Não é só na esquerda que estão as pessoas que subestimam os efeitos nocivos dos déficits do orçamento do governo e a crescente dívida pública que eles geram. Há também “liberais e conservadores” que subestimam os déficits.

Em um mundo em que as respostas estatais à Covid-19 estraçalharam as contas dos governos e geraram grande carestia (o que vem pressionando os governos pela criação de novos pacotes de gastos para “mitigar os efeitos da carestia”; não ria!), a postura de várias correntes ideológicas até então rivais em relação às fianças públicas parece ter se tornado bastante uniforme.

A esquerda afirma que déficits orçamentários são uma maneira efetiva de o governo estimular a economia. Segundo ela, quando há “recursos ociosos”, inclusive mão-de-obra, déficits do governo têm o poder de colocar tudo para trabalhar e, com isso, reativar a economia. Neste grupo estão os keynesianos, os quais agora ganharam a companhia de pessoas ainda mais bizarras, que são os seguidores da “Teoria Monetária Moderna“.

Argumentos contra essa teoria dos “déficits como estimuladores da economia” já foram apresentados aqui e aqui, de modo que não serão o objetivo deste artigo.

É no segundo grupo, que engloba alguns tipos de liberais e conservadores, que está o interesse deste texto.

Normalmente, este grupo é formado por pessoas contrárias (corretamente) ao aumento de impostos. Tais pessoas não possuem a ilusão de que déficits são necessários para estimular a economia. Elas não são keynesianas. Elas não acreditam que uma economia funcional necessita de um governo fornecendo estímulos fiscais ou monetários. E elas sabem que impostos distorcem e desvirtuam a atividade econômica e, consequentemente, afetam o crescimento econômico.

São realmente liberais em economia.

No entanto, elas afirmam que os déficits e o crescente endividamento do governo “não importam” muito. Consequentemente, elas não defendem uma redução do déficit via corte de gastos (muito “politicamente impopular”).

Logo, dado que não defendem aumento de impostos e não defendem corte de gastos, elas simplesmente dizem que os déficits (e o crescente endividamento) não apenas são um dado da realidade que deve ser aceito, como também não afetam a economia.

Tais pessoas realmente entendem as consequências negativas dos impostos. Estão corretas neste ponto. E isso faz com que elas aceitem os déficits orçamentários com o argumento de que são preferíveis ao aumento de impostos.

Falando mais especificamente, o argumento é que, ao passo que impostos são coercivos (correto) e retiram recursos do setor privado (correto), investidores emprestarem recursos para o governo é um ato voluntário (correto) e, logo, menos nefasto em termos econômicos.

Consequentemente, tais pessoas fazem a pergunta retórica: por que não financiar o governo por meio de empréstimos feitos voluntariamente em vez de por meio de recursos extraídos coercitivamente, algo que comprovadamente distorce a economia?

Afinal, dado que o governo está financiando suas operações com recursos emprestados voluntariamente em vez de com impostos extraídos coercitivamente, o fardo tributário sobre a economia se mantém inalterado e as distorções econômicas não ocorrem. Adicionalmente, a liberdade individual não é atacada. É uma situação em que todos ganham.

Mas há dois erros graves neste raciocínio aparentemente atraente.

Financiamento via endividamento não mantém a carga tributária inalterada

A primeira falácia fatal é a ideia de que o financiamento do governo via endividamento permite que a carga tributária se mantenha inalterada.

Não é verdade.

O financiamento via endividamento de fato permite que os impostos não tenham de subir hoje, mas isso só é possível porque se torna implícito de que os impostos terão de ser subidos em algum momento no futuro. Dado que o serviço da dívida terá de ser pago, incorrer em mais endividamento hoje significa ter de elevar impostos amanhã.

Uma analogia com um indivíduo é útil. Dizer que os cidadãos estão livres de um futuro aumento de impostos sempre que o governo opta por endividamento (em vez de por um aumento de impostos agora) faz tanto sentido quanto dizer que você está livre da obrigação de pagar caso você compre um carro com dinheiro emprestado em vez de à vista.

Obviamente, quando você compra um carro via financiamento, você está incorrendo em uma obrigação futura. Você terá de pagar essa obrigação. O fato de você ter adiado o momento da quitação do pagamento não significa que você não tem de pagar pelo seu carro. O fato de você não estar pagando por seu carro hoje não significa que o seu carro será pago pelo seu banco, que fez o financiamento. Você irá pagar pelo seu carro com a sua renda futura.

Já os indiferentes ao endividamento do governo respondem dizendo que, ao contrário do dívida privada, que realmente tem de ser quitada, o endividamento do governo nunca tem de ser quitado (toda a esquerda e praticamente toda a direita parecem estar de acordo aqui). Segundo eles, o governo sempre pode rolar a sua dívida. Ou seja, quando ocorre o vencimento de um título do governo, o governo sempre pode emitir outro título e com isso arrecadar o dinheiro necessário para quitar o título vincendo.

Logo — prossegue o argumento —, os gastos de ontem do governo, feitos à época com empréstimos voluntários concedidos por investidores ao governo, não são quitados pelos pagadores de impostos de hoje. Igualmente, os gastos de hoje do governo serão financiados por empréstimo voluntários feitos ao governo, e não terão de ser quitados pelos pagadores de impostos do futuro.

Toda essa dívida que vai se acumulando poderá ser eternamente rolada

Mantendo-se esse arranjo para sempre, os pagadores de impostos nunca serão afetados.

Faz realmente sentido acreditar neste moto-perpétuo?

É claro que o governo pode rolar sua dívida. Com efeito, ele faz isso frequentemente. Ou seja, o governo não só pode, como frequentemente ele quita sua dívida vincenda emitindo mais dívida. Ele quita parte de sua dívida com mais empréstimos. Mas o governo só consegue fazer isso porque os credores corretamente entendem que ele tem o poder de tributar.

Assim como um banco só concede a você um empréstimo para comprar um carro porque ele entende que você tem a capacidade de auferir uma renda e, com isso, a capacidade de quitar sua dívida, os credores compram títulos do governo somente porque entendem que o governo tem o poder de tributar e, com isso, a capacidade de quitar suas dívidas.

A necessidade de o governo ter de quitar suas dívidas é mascarada, na prática, pelo fato de o governo ser capaz de rolar com frequência suas dívidas. E dado que a longevidade de um governo é muito maior que a de um ser humano, o governo consegue rolar sua dívida por mais tempo que qualquer pessoa.

Mas para entender por que a capacidade do governo de rolar sua dívida depende totalmente da sua capacidade de tributar, faça a si mesmo a seguinte pergunta: se o governo repentinamente perdesse seu poder de tributar (inclusive a capacidade de imprimir moeda, que nada mais é do que um imposto, no caso, um imposto inflacionário), você emprestaria dinheiro para o governo? Você compraria os títulos da dívida do governo (via Tesouro Direto, por exemplo)? 

Ainda que você responda que sim, você realmente acredita que, sem o poder de tributar, todos os outros credores também continuarão emprestando para o governo? Mais ainda: você continuaria emprestando para o governo se você não estiver confiante de que outros emprestarão para ele no futuro? Lembre-se: se, no futuro, outros não emprestarem para o governo, você simplesmente levará calote quando os títulos públicos em sua posse vencerem.

Assim que os credores passarem a acreditar, generalizadamente, que o governo não mais tem poder de “receita” — ou seja, que o governo não mais tem o poder de tributar —, eles irão emprestar para o governo o mesmo tanto que emprestariam para um condenado com prisão perpétua sem chance de condicional.

Qualquer promessa de que esse prisioneiro poderá pedir emprestado na segunda-feira para quitar a dívida contraída no domingo, e depois pegar emprestado de novo na terça-feira para quitar a dívida contraída na segunda-feira, e assim por diante, não será nada convincente. Esse presidiário rapidamente será visto como alguém que não possui nenhuma fonte de renda.

Um governo sem o poder de tributar também não possui fonte de renda. (Um “governo” com um fonte de renda, mas sem o poder de tributar seria uma organização privada, no mesmo nível de uma associação de proprietários.)

Portanto, antes de passarmos para a segunda falácia, sempre tenha isso em mente: a capacidade de um governo de se endividar depende, em última instância, de seu poder de tributar.

Financiamento via endividamento estimula o governo a crescer excessivamente

A segunda falácia é ainda mais irônica: pessoas corretamente contrárias ao aumento de impostos aparentemente não percebem que estão defendendo a expansão estatal ao afirmarem que déficits não importam.

O tamanho dos gastos do governo não é independente dos meios utilizados para financiar esses gastos.

Especificamente, dado que a capacidade de o governo se endividar permite que os políticos e pagadores de impostos de hoje possam passar a conta dos gastos estatais atuais para os pagadores de impostos futuros, o custo de políticos e pagadores de impostos atuais expandirem o estado hoje é menor do que seria caso o governo não conseguisse se endividar.

A capacidade e a facilidade de se endividar, portanto, subsidia expansões no tamanho do governo. Ademais, dado que os recursos gastos hoje serão quitados pelos pagadores de impostos futuros, há todos os motivos para se acreditar que os gastos estatais atuais serão ainda mais esbanjadores e pródigos do que seriam caso o governo não tivesse essa capacidade.

Daí a grande ironia de “liberais, conservadores e direitistas” que se dizem anti-estado mostrarem indiferença aos déficits: se realmente fosse verdade que o governo pode se endividar indefinidamente, sem realmente depender dos futuros pagadores de impostos, então a taxa de crescimento do tamanho do governo, e consequentemente sua influência sobre a economia, aumentaria ainda mais do que já aumenta hoje.

Políticos, ao se darem conta de que podem conseguir empréstimos dos credores sem terem de se preocupar com a quitação dessa dívida e nem com nenhum aumento de impostos, passariam a ser ainda mais pródigos com o orçamento, e com isso acabariam sugando para o estado cada centavo disponível na economia, asfixiando o financiamento para investimentos privados, aniquilando a economia produtiva e ampliando o estado para todas as searas de nossas vidas. 

Aqueles cidadãos que se opõem a um estado inchado teriam ainda mais dificuldades para oferecer resistência a essa expansão do poder estatal.

Para concluir

Dada a existência de uma organização que pode legalmente iniciar o uso de força física, deveríamos ser gratos pelo fato de essa organização não ter um acesso tão fácil e irrestrito aos nossos recursos, ao contrário do que acreditam aqueles que dizem que déficits não importam.

E uma gratidão extra e especial deve ser expressada por aqueles de nós que somos totalmente céticos quanto às intenções e capacidades do estado. 

Falando de maneira mais prática, nós, céticos quanto aos poderes de um governo, jamais deveríamos parar de alertar quanto aos perigos dos déficits e do crescente endividamento do governo. Mostrar indiferença aos déficits e à dívida reduz os custos para os políticos expandiram o tamanho e o escopo do governo.

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169 comentários em “Déficits financiados via impostos ou via endividamento: as consequências não-premeditadas”

  1. Perfeita a explicação. Nos EUA é muito comum ver direitistas dizendo que "deficits don't matter", mas só em governos republicanos. Ninguém criticou a explosão dos déficits do Trump.

    Aqui no Brasil, até ano passado ainda havia algum esforço para reduzir os déficits (mas sempre pela via do aumento de impostos). Agora, pós-pandemia, tudo foi pro espaço.

    Até a turma que criticava os déficits da Dilma (como Mônica de Bolle e asseclas) hoje passou a exigir déficits ainda maiores para "salvar a economia".

    São pouquíssimos os que mantêm a coerência.

  2. Excelente. Já discuti bastante esse assunto até mesmo com pessoas esclarecidas, e elas nunca parecem entender o ponto. Elas juram que a dívida do governo é um problema pontual e que não afeta ninguém. Mais até, elas acham que é algo “socialmente bom”, pois permite o governo gastar mais do que arrecada com impostos. Para elas é uma opção indolor: o estado pode gastar mais sem ter de tributar ninguém.

  3. Não acho que procede. A menor dívida pública e déficit público da região em relação ao PIB é o Paraguai, apesar de estar em boa situação econômica não se vê nenhum milagre de investimentos por lá que não ocorra em um país com hábitos moderados de endividamento.

    Sem o gasto do governo local os investidores colocam seu dinheiro em bancos locais que compram títulos dos países perdulários ao lado, Brasil.

  4. Ex-microempresario

    “…o que ocorrerá se o Governo Brasileiro se tornar um exemplo de sobriedade fiscal”

    Se isso ocorrer eu acho que o universo acaba.

  5. O endividamento do governo não importa, desde que não cause inflação, se for em moeda nacional, caso do Brasil. O problema é a inflação, não dívida. Esta é só número eletrônico. Aquela é um fenômeno real preocupante.

    Sendo assim, não há como ter insolvência no Brasil. No limite, se nenhum investidor mais quiser comprar título do tesouro, há ainda o BB, que participa do mercado primário de títulos públicos, e que pode absorver as vendas do Tesouro e revender para o BC, o qual controla a criação eletrônica de moeda. Ou seja, não há como haver uma situação em que o Tesouro não consiga mais vender títulos nem rolar sua dívida e tenha que dar calote. Então repito, não há risco de insolvência.

    E quanto à inflação? Num cenário em que o Tesouro emita demais, gaste demais, e o dinheiro efetivamente entre na economia real em abundancia, havendo pressão inflacionária, aí sim teríamos que nos preocupar e tomar medidas de contenção fiscal. Porém esse cenário não é o problema agora, ao contrario, o Brasil está há 2 meses em deflação.

    Antes de nos preocuparmos com risco de inflação, deveríamos nos preocupar em recuperar a economia, gastar o que for necessário para fazer frente a nossa recuperação, ajuda às empresas e pessoas. Só depois da economia passar por uma queda grande de ociosidade, do desemprego e viver um boom, começaria a haver pressão inflacionária. Então seria hora de nos preocuparmos com a dívida e o deficit, não por eles em si, que são só números, mas pelo excesso de demanda.

    Isso aí é tudo verdade para um país com moeda forte, o qual pode gastar como se não houvesse amanhã, até o momento em que comece a ter inflação. Para um país emergente , o mercado pode encrencar e tentar desvalorizar a moeda nacional. Então teríamos esse risco , ao adotar a estratégia de gastar o que for preciso para recuperar a economia brasileira. Porém acho que siso é contornável com uso das reservas e pactuando com o mercado que vamos gastar muito agora, mas quando a coisa voltar ao normal e a economia engrenar de vez, voltaríamos a ter preocupação como controle de gastos. Assim poderíamos gastar, fazer deficit pesado e aumentar a dívida sem sofrer ataque especulativo do mercado e socorrer as empresas e pessoas.

  6. Em tempos como esses é que vemos quem são os verdadeiramente defensores de suas ideias. Cheguei do trabalho e li sobre o que Rodrigo Maia falou. Será que vai ter um fim nessa expansão excessiva do Estado? Será que ninguém percebe como o Estado está fazendo com nossos direitos básicos, principalmente a liberdade? Não vejo uma melhora no cenário do Brasil, seja em termos econômicos e políticos. Quanto tempo Guedes vai aguentar aos devaneios dos políticos? Ou será ele também um ‘Ditador – Socialista’ ?

  7. Apenas complementando:

    O que realmente importa para uma economia não é o tamanho do déficit orçamentário do governo, mas sim o total dos gastos do governo — ou seja, a quantidade de recursos que o governo retira do setor privado e desvia para suas próprias atividades.

    Muito embora um orçamento equilibrado seja importante, ainda mais essencial é não haver aumento de gastos. Por isso, o objetivo de se equilibrar o orçamento do governo pode ser uma política errônea.

    Por exemplo, se o governo planeja gastar $3 trilhões e planeja financiar esses gastos por meio de $2 trilhões em impostos, haverá um déficit de $1 trilhão. Isso significa que, além dos impostos de $2 trilhões, o governo terá de arrumar outros meios para financiar o $1 trilhão restante, e ele normalmente o fará por meio de endividamento.

    Dado que o governo certamente irá obter esse $1 trilhão restante, pode-se concluir que o que realmente importa são os gastos de $3 trilhões, e não o déficit de $1 trilhão.

    Se o governo elevar impostos e consequentemente conseguir obter receitas de $3 trilhões, isso o deixaria com um orçamento equilibrado. Mas isso seria positivo? Isso por acaso alteraria o fato de que ele ainda está se apossando de $3 trilhões em recursos do setor produtivo?

    Um aumento nos gastos do governo desencadeia um aumento no confisco de recursos do setor produtivo, desviando esses recursos para as atividades não-geradoras de riqueza do governo. Isso gera empobrecimento econômico.

    Dado que o governo não é uma entidade geradora de riqueza, quanto mais ele gasta mais recursos ele retira das atividades que genuinamente geram riqueza. Consequentemente, isso solapa todo o processo de geração de riqueza da sociedade. Sendo assim, o que realmente importa para a economia é o total de gastos do governo.

  8. Esse déficit deste ano no Brasil de quase R$ 1 trilhão é algo que faz qualquer obra pornográfica pesada parecer um filme de animação infantil.

    Parece uma pergunta idiota mas como funciona na Venezuela?

    “Como assim essa pergunta, Felipe?”

    O governo venezuelano já caloteou os estrangeiros e quase nenhuma pessoa de fora vai emprestar dinheiro para o governo do Maduro. Mas e os domésticos? Há algum tipo de mercado de títulos de dívida interna? Com uma moeda de valor menor do que as cédulas do Banco Imobiliário, haveria como o governo se financiar com juros astronômicos? No governo brasileiro, historicamente, houve até alguns anos com taxas de juros anuais na casa dos milhares.

    Aqui no Brasil, por exemplo, foi só depois do PAEG no governo Castello Branco, que o governo acabou se tornando mais dependente dos títulos que ele emite, pois antes uma maior fatia de seu financiamento era pelo senhorio (imprimir dinheiro).

  9. YURI - SÃO CARLENSE

    “Tanto o setor público como o privado têm mais ativos do que passivos externos em moeda estrangeira, respectivamente US$ 234 bilhões e US$ 85 bilhões. O passivo externo líquido das empresas brasileiras é denominado majoritariamente, portanto, em moeda nacional.

    Posto de outra forma, o setor privado liquidamente se beneficia da valorização do dólar no que diz respeito ao seu balanço, isto é, seus ativos se valorizam mais do que seus passivos.

    Dificilmente a desvalorização da moeda nacional face ao dólar teria um efeito negativo generalizado sobre as empresas brasileiras.” (Os números provêm do relatório sobre a Posição Internacional de Investimento (PII))

    ————————————————————————————

    Leandro, como você enxerga a análise acima? É o BC tentando justificar sua política de juros baixos que desvaloriza o cambio, procurando algo de positivo com alta do dólar?

  10. Eu entendo o Paulo Guedes

    Entenda porque Guedes quer cambio Alto! E ele tem razão:

    Vejam essa última a maravilhosa do Guedes na CNN, AGORA VOCÊS ENTENDEM O PORQUE DO CAMBIO ALTO?

    http://www.youtube.com/watch?v=5WHA0zU82vE

    Ele quer isso pra acalmar a industria e permitir a abertura da economia junto com o fim dos subsídios. É um TRADE OFF político! Ele confessou praticamente, vejam depois de 1 hora de entrevista. É uma BAITA SAÍDA política pra abrir essa economia e depois mandar os industriais pra casa do chapéu

  11. Menino da TI que não trabalha na TI

    [OFF]

    Alguém aí da área de TI (ou qualquer outra) poderia me ajudar? Fiz quatro semestres de ciência da computação, tranquei e estou seguindo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas via EAD, além disso estou estudando estatística e Machine Learning de modo totalmente autodidata, e ainda faço cursos online na área eventualmente. Apesar disso, venho até o momento falhando miseravelmente em conseguir qualquer oportunidade de trabalho na área, nem mesmo uma entrevista.

    Tenho Github onde posto pequenos programas que faço, majoritariamente implementações de algoritmos de Machine Learning que faço para melhorar meu entendimento do algoritmo após aprender sobre.

    Fora isso também tenho LinkedIn com todas as informações atualizadas e tudo certinho. Mas quando envio currículo ou me candidato à uma vaga por outros meios eu quase nunca recebo sequer uma resposta.

    Alguém saberia me dizer o que falta ou o que estou fazendo errado?

  12. Vocês vivem dizendo que o endividamento alto é ruim porque o crédito vai todo para o governo deixando a iniciativa privada sem nada.

    Mas onde que eu posso encontrar um dado falando que X% do crédito brasileiro vai para o governo?

  13. Eu tenho lido algumas coisas sobre os derivativos que a nível mundial podem excede vários triliões ou até passando dessa marca,meu entendimento é relativamente raso,gostaria de perguntar se alguém aqui que tenha um conhecimento mais concreto sobre tudo isso,a minha pergunta é:Esses derivativos irão garantidamente destruir todo o sistema finaceiro ou algo que está sendo “vendido” como algo catastrófico?

  14. O governo é uma máquina improdutiva de sugar riquezas (dos outros) se você permite que 20% do PIB vá para o governo, ele gastará 20%, se permitir 30% gastará 30%, e assim por diante.

    Dada sua ineficiência por natureza, os recursos nunca serão o suficiente, e o Estado crescerá até o máximo que pode até estrangular quem realmente produz riqueza, que é a iniciativa privada.

    Estamos nessa enrascada, chegamos no limite. Ou diminuímos o tamanho do governo, ou continuaremos a empobrecer continuamente.

    Por isso não existe argumento para defender um Estado maior.

  15. Brasil, 2 anos de governo Jair Messias Bolsonaro

    .

    – As reservas de mercado para grades empresas continuam.

    – As empresas púbicas de péssimo atendimento e prestação de serviço não foram privatizadas.

    – As agências reguladoras continuam protegendo as grandes empresas oligopólicas.

    – As pequenas empresas continuam tentando sobreviver frente às tributações e regulações (que não protegem o consumidor, mas os oligopólios).

    – Os PROCON continuam ineficientes e desinteressados em solucionar problemas dos consumidores.

    – A isenção de IRPF para rendas abaixo de 5 S.M. – prometida em campanha – não foi aplicada. Faz-se necessário continuar taxando as pequenas rendas para poder sustentar a gastança do governo com assistencialismos!

    – O protecionismo continua.

  16. Não parece, mas a dívida e o déficit estão ligados. Uma dívida enorme e com juros altos geram gastos que contribuem com o déficit público. A partir daí, como o governo se financia causa inflação e encolhimento privado. Os esquerdistas vão sempre bater na tecla que isso é bom. Nem adianta discutir. E essa ideologia deles que lhes permite roubar via estado. Negar é seu fim.

    E o déficit atual esta pela hora da morte. Ou reverte ou acaba esse país.

  17. Em resumo, três formas de um governo aumentar a tributação:

    1. Via impostos (imediatamente);

    2. Via emissão de moeda (imediatamente);

    3. Via emissão de títulos públicos (futuramente).

  18. Não estão preocupados com os enormes déficits e divida pública. Porque querem gastar a rodo com assistencialismo. Ora ! Bolsonaro quer de qualquer maneira manter o Auxilio emergencial de qualquer maneira. Tem razão de muitos serem contra a austeridade fiscal, pois os políticos sabem que os pobres representam a maioria eleitoral. Se não podem gastar não podem comprar o apoio deste eleitorado e de outros. Logo ! Apelam para o lado emocional e humano para continuar a gastança. Apesar desta fachada muito bonita, embelezada,a gastança continua uma coisa horrorosa . Tem que dizer aos políticos se gostam muito de pobres, que gastem então o seu dinheiro com eles !

  19. Alguém sabe se já saiu o déficit nominal e primário do governo federal?

    No México já saiu: superávit primário de 0,1 % do PIB e déficit nominal de 2,9 % do PIB (em 2019 o superávit primário foi de 1,1 % PIB e déficit nominal de 1,6 %). Parte fiscal deles está (muito) melhor do que a nossa.

  20. Por que vocês falam que o atual governo está implantando a “MMT” sendo que se fala muito em “não romper o teto de gastos e manter a responsabilidade fiscal”?

  21. Obrador cortou orçamento em 70 % de agências reguladoras no setor energético (ele aumentou o orçamento no ministério em si, mas somando o total, houve um corte efetivo). Em 2018 ele havia prometido reduzir burocracia no setor, apesar de suas trapalhadas feitas em 2019 e 2020 com o setor (a Pemex ganhou grau especulativo e já está pior do que a Petrobras nas finanças). No mínimo bastante contraditório.

    De qualquer forma, os gastos estatais ficaram praticamente congelados do início de 2018 até pelo menos agosto de 2020 (não saiu dados mais recentes). Isso não acontecia desde 2000.

  22. Olha só:

    http://www.terra.com.br/economia/bolsonaro-zera-a-partir-de-13-imposto-federal-sobre-gas-de-cozinha-em-definitivo-e-por-2-meses-sobre-diesel,f7643b4d0139e2c0676e81b921048a1d2tm3w4h8.html?utm_source=VivoCaptive&utm_medium=rss

    Até quê seriam boas notícias se o Brasil fosse mais estável, mas essa decisão não está cortando á raiz do problema.

    1- O real está extremamente desvalorizado.

    2- Á Petrobrás exerce monopólios sobre diversos setores, e como não possuem concorrência, a empresa se sente livre para fazer o quê bem quiser sem pensar no consumidor, e como á empresa foi obrigado á congelar os preços no governo Dilma, eles atualmente estão descontando tudo nos preços atuais para limpar á balança da empresa.

    3- O governo gasta mais do quê arrecada, eliminar impostos assim só irá piorar á situação.

    Mas eu entendo quê o Bolsonaro provavelmente quer melhorar á situação dele no curto prazo, para tentar melhorar á popularidade, e acalmar o síndicato dos caminhoneiros, mas essa decisão ainda continua sendo economicamente precipitada e insensata, e caso o Bolsonaro não resolva os 3 problemas apontados por mim, á tendência é as coisas piorarem no longo prazo.

    E isso também levará á algumas pressões internacionais de alguns ambientalistas extremistas, mas não acho quê vá causar algum problema, á não ser quê algum presidente/primeiro-ministro, ou algum burocrata poderoso se una á essa pressão.

  23. “Daí a grande ironia de “liberais, conservadores e direitistas” que se dizem anti-estado mostrarem indiferença aos déficits: se realmente fosse verdade que o governo pode se endividar indefinidamente, sem realmente depender dos futuros pagadores de impostos, então a taxa de crescimento do tamanho do governo, e consequentemente sua influência sobre a economia, aumentaria ainda mais do que já aumenta hoje.”

    Haveria a possibilidade de as pessoas simplesmente perderem interesse em emprestar para o governo, deixando de comprar títulos governamentais? Eu digo sobre a dívida interna, porque os credores da dívida externa realmente podem cair fora (como ocorreu com a Argentina).

    Já que um aumento de impostos faz surgir a tendência de fazer o governo gastar mais, uma diminuição nos impostos faria surgir uma tendência de o governo cortar gastos? A ordem de cortar gastos e cortar impostos, ou vice-versa, importa?

  24. "Toda essa conversa: o estado deveria fazer isso ou aquilo, em última análise, significa: a polícia deveria forçar os consumidores a se comportarem de maneira diferente do que se comportariam espontaneamente."

    Mises

    * * *

  25. Imperion turbo nuclear quântico com equio

    Se você cortar imposto sem cortar gastos, no caso do Brasil, ocorreria que o déficit aumentaria e você teria que tomar mais emprestado, se endividando mais. São os gastos que obrigam ou a inflacionar, se endividar, ou cobrar impostos.

  26. Eu não sei como tem gente como o Guedes e o Sachsida que aceitam ficar no governo depois dessa PEC que vai terminar de destruir nossa economia.

    Não pode alguém que defenda a redução do estado compactuar com isso.

    "ahhh mas é só pra ganhar a eleição"

    Não, rapaz. Vai ganhar e depois vai ser difícil desfazer.

    Vai jogar uma bomba atômica no próprio país pra derrotar o inimigo que está no nosso território, mas depois vai fazer todo mundo pagar o preço da reconstrução.

    Simplesmente bizarro

  27. Não sou formado em economia, mas estudo para me aprimorar. Mesmo não entendendo muito tenho a impressão que o Brasil é uma BOMBA RELÓGIO, só que as pessoas não entendem e nem se preocupam. Infelizmente pelo que noto a maioria pensa que está ruim e que vai piorar só um pouquinho. E muitos não se importam com os gastos dos políticos, para a população político bom é AQUELE QUE GASTA!!! E isso gera consequências a longo prazo, como se fosse a BRINCADEIRA BATATA QUENTE, só que uma hora vai QUEIMAR todo mundo.

  28. Se algumas medidas fossem adotadas esses gastos não seriam necessários, não podemos centralizar a culpa no atual governo(se é essa a crítica), há forças contrárias que impedem que o governo seja mais liberal, vamos levar isso em consideração.

  29. Trocaram um governo com dívida/PIB caindo, superavitário, entregando PIB 3% em cenário de contração mundial com um que já quebrou o país.

    O resultado está aí: FUGA DE CAPITAL!

  30. Senhores, alguém aqui consegue avaliar a real possibilidade do governo comunista que se aproxima de congelar (sequestrar) as poupanças e contas correntes assim que assumir a presidência?!

  31. Essa questão dos déficits lembra o caso do Reino Unido. Liz acertou na questão de cortar impostos, mas ela inventou o tabelamento nos preços de energia, que seria custeado por dinheiro estatal (claro, se não houvesse os subsídios, as empresas iriam falir e seria um padrão venezuelano de energia elétrica). Isso para mim que seria o problema principal (tabelar preços e aumentar gastos com subsídios), não a questão exatamente de cortar gastos. Deveriam ter seguido o caminho nosso em 2021, quando ocorreu o aumento dos preços nas tarifas de energia, mas não houve racionamento e nem rombo fiscal.

    Eu ressalto o que disse tempos atrás: quando se falava sobre reduzir o ICMS, parte do mercado ficou com medo dos impactos fiscais e isso interferiu na nossa taxa cambial. Mas aí o negócio deu certo e os ânimos se acalmaram. Dessa forma, temos também de tomar cuidado com essa coisa meio fiscalista, tentando achar uma solução ideal de austeridade. Curioso é ver que na Europa, muitos governos ou cortaram gastos ou congelaram (italiano, grego, português; infelizmente estragaram o corte de gastos em países como Espanha e Irlanda), ao passo que o britânico não fez nada disso. Aqui no Brasil a coisa é tão grave que a gente comemora a redução dos gastos em proporção ao PIB, não o montante nominal. Mesmo assim, eu continuo comemorando a relativa austeridade que vimos no governo nos anos de 2019 e 2021. O caso de 2019 foi corte mesmo, havendo redução no total de gastos, embora o orçamento tivesse sido feito ainda no governo Temer.

    Agora uma dúvida: no caso argentino, os gastos estão parados desde 2016, sofrendo até uma leve queda, até chegando a subir alguma coisa, ainda que de maneira tímida. Podemos dizer que a principal encrenca é a questão da subida nos agregados monetários do país? Afinal o governo pode se financiar também através da senhoriagem, isto é, quando ele consegue coletar dinheiro por impressão de dinheiro. Tem a ver com os acordos envolvendo o FMI?

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