“Independência do Banco Central funciona em raríssimos casos ao sul do Equador. Talvez Austrália e Nova Zelândia.” – Alexandre Schwartsman.
No dia 17/06, oito pessoas se aglomeraram em uma sala no Banco Central de Brasília, anunciaram seus votos e inauguraram uma nova era: nunca antes na história deste país a taxa básica de juros esteve tão baixa.
O Copom determinou que a taxa Selic agora é de 2,25% ao ano. Isso significa que os juros reais estimados para os próximos 12 meses não apenas estão negativos, como também estão menores que os da Suíça!
Vale repetir: em termos exclusivamente de política monetária, já ultrapassamos a Suíça.
Apesar do marco histórico, esse corte da Selic era esperado pelo mercado. Até por isso, Paulo Guedes, Ministro da Economia, decidiu iniciar em maio uma turnê pelas principais instituições do sistema financeiro brasileiro. E, em uma live organizada pelo Itaú/Unibanco, comentou que o Banco Central iria chuveirar liquidez na economia inteira caso o país começasse a demonstrar indícios de depressão econômica.
Parece óbvio, mas, nestes curiosos tempos, vale a pena sublinhar o normal: o Banco Central está sofrendo captura regulatória do Ministério da Economia. O ministro da economia está abertamente estipulando o que uma autarquia controlada por outro ministro — o presidente do Banco Central tem status de ministro — irá fazer.
Na prática, o Banco Central, que já não tinha independência, perdeu também a autonomia.
Talvez a declaração soe um pouco injusta e dura demais. Afinal, para o Banco Central sofrer captura regulatória primeiro teríamos de ter uma autoridade monetária verdadeiramente independente do governo. E, nesse ponto, vale ressaltar que o próprio Paulo Guedes advogava pela independência do BCB em 2018 e 2019.
No entanto, ainda no fim de 2019, o Ministro da Economia esqueceu que o Real é uma moeda fiduciária de um país emergente e declarou que a cotação boa do dólar era acima de R$ 4,20. Depois, disse que não estava preocupado com a alta do dólar. E então, já em 2020, e aparentemente um tanto assustado com a rápida escalada da moeda americana, ele disse que o dólar apenas chegaria em R$ 5,00 se o governo fizesse muita besteira. Uma vez ultrapassada essa barreira, ele disse que o dólar acima de R$ 5 era bom para abater dívida pública.
Ora, se o Ministro da Economia declara que há possibilidade de sua moeda sofrer forte desvalorização, ele indiretamente está forçando o mercado a reavaliar sua moeda e realizar uma nova precificação.
Dito e feito. Em meados de maio, o dólar comercial alcançava sua máxima histórica: R$ 5,97. Teria o governo feito muita besteira? Ou teria o mercado financeiro percebido que o Banco Central não tinha mais autonomia, e que o Ministro da Economia, que sempre defendeu moeda fraca, era quem de fato comandava o Banco Central?
A independência do Banco Central
Pauta historicamente liberal, a independência do Banco Central é uma ferramenta que busca blindar a moeda fiduciária, espinha dorsal de qualquer economia, da política, essencialmente conjuntural e efêmera.
A ideia, nascida na Alemanha, país que experimentou os riscos políticos e econômicos de uma hiperinflação em seu passado, surgiu em 1951 inicialmente com o Deutsche Bundesbank.
Após o sucesso do modelo alemão, as décadas de 1960, 70 e 80 observaram, no mundo desenvolvido, diferentes níveis de adoção ao sistema de Banco Central independente. A ótica de uma autoridade monetária à parte do sistema político apenas seria desafiada com o surgimento do New Public Management neo-zelandês.
A ideia do Reserve Bank of New Zealand era simples: um regime de metas de inflação de preços seria estabelecido trienalmente por um comitê formado pelo Presidente do Banco Central e pelo Ministro das Finanças (Economia ou Fazenda, chame do que quiser).
Eram os anos 1990: o grunge estava morto, éramos tetra campeões mundiais e utilizávamos a nossa mais nova nova nova moeda, o Real.
Livre da inflação, o Brasil de Fernando Henrique Cardoso decidiu entrar no consenso social-democrata de Tony Blair (Labour Party) e Bill Clinton (Democrats). Em um intervalo de oito anos, criaríamos dez agências reguladoras em um programa de “Reforma do Estado” capitaneado pelo ultra-keynesiano Luiz Carlos Bresser-Pereira.
No apagar das luzes da gestão de Gustavo Franco no Banco Central, Armínio Fraga decidiu apostar na estratégia de “ancorar as expectativas” e alterar completamente o regime cambial. Sua solução? O modelo de metas inflacionárias neo-zelandês.
A ideia era bem-intencionada e pareada com os diversos bancos centrais que adotavam medidas parecidas na época, inclusive o próprio Deutsche Bundesbank.
No entanto, na América Latina e, especialmente no Brasil, políticas monetárias influenciam diretamente na taxa de câmbio e, consequentemente, não costumam ter um perfil de estabilização. Na verdade, o costume local indica: na primeira chance política, qualquer “presidente” populista pode e deve assumir os rumos da moeda.
A captura do Banco Central
Foi ainda em outubro de 2019 que Paulo Guedes levantou a tese de que uma alta no preço do dólar teria uma consequência positiva na economia: bastava o Banco Central vender suas reservas da moeda norte-americana, repassar os lucros para o tesouro e, voilà!, todos os nossos problemas fiscais estariam resolvidos. (Algo bizarro, como explicado aqui).
Ato contínuo, tornou-se explícito para o mercado financeiro que o Banco Central queria um dólar caro exatamente para efetuar essa mágica. Quanto mais caro o dólar, maior o valor das reservas internacionais, maior seria o repasse do Banco Central para o Tesouro.
E então, o mercado financeiro entregou o dólar que o BC queria.
No entanto, como é costume ao abrirmos caixas de pandora, nem sempre o que se quer é o que se tem. Novamente, a primeira incongruência a ser levantada é o fato de o Ministro da Economia, o mesmo que advogava em 2019 por um Banco Central independente, ser favorável a uma intervenção governamental na autoridade monetária.
O conceito basilar do New Public Management, que inaugurou a redemocratização no Brasil, é que ministérios do governo não podem intervir em autarquias regulatórias. Por isso se discute tanto sobre mandatos dessincronizados, modelos de governança pública e independência de atuação para as agências reguladoras. Tudo em vão na mão do capturador.
E não é necessário ir tão longe para entender como interesses escusos capturaram nossa autoridade monetária.
Gustavo Franco, em seu livro A Moeda e a Lei, fala que o Banco Central Brasileiro apenas nasce como ente regulador na década de 1990. E, de lá pra cá, conseguimos contar ao menos três vezes em que o congresso nacional, em parceria com o executivo, interveio diretamente no funcionamento do Banco Central.
A primeira captura ocorre com a Lei Nº 10.179/2001, que, pela primeira vez, regulamenta a permuta de títulos entre o Tesouro Nacional e o Banco Central.
A segunda captura se dá em meio à crise financeira de 2008, com a esdrúxula Lei Nº 11.803/2008, que confundia ativos do Banco Central com passivos da União e vice-e-versa.
Já a terceira captura ocorreu no ano passado, com a Lei Nº 13.820/2019 (discutida aqui).
Apesar da legislação mais recente suprimir absurdos propostos em 2008, a nova lei inaugura, com mais clareza, a utilização de ativos do Banco Central para o abatimento da dívida pública da União.
Isso fica claro quando o ex-secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, falava em remessas de R$ 500 bilhões, advindas das Reservas Internacionais do Banco Central, para reduzir o peso do déficit orçamentário do governo, que deve chegar a R$ 600 bilhões em 2020.
Para completar a sopa de letrinhas de intervenções no Banco Central, Paulo Guedes, na fatídica reunião ministerial divulgada pela imprensa, explicava aos seus colegas que a expansão da carteira do BNDESPar, com aquisições de papéis das companhias aéreas brasileiras, se tornaria, no longo prazo, em uma operação lucrativa para a União.
E o que isso tem a ver com o Banco Central? Tudo. Não é o caso de agora, mas a inauguração do canal entre Tesouro Nacional e Banco Central pode se tornar em mais um instrumento de expansão monetária. Basta uma breve guinada heterodoxa — neste ou em qualquer futuro governo — para abrirmos novamente vislumbrados a caixa de pandora.
E isso sem mencionar também o fato de que qualquer operação do BNDES gera intervenções nos juros do mercado de crédito, o que obriga o Banco Central a reavaliar sua política monetária.
Mas quem se importa? Até agora, o governo já gastou R$ 6 bilhões e, consequentemente, até os brasileiros que nunca entraram em um avião são sócios da Azul, Gol e Latam.
Que fique a lição: na terra onde gasto é vida, é mais fácil acreditar no ET de Varginha do que em independência do Banco Central.
Como se proteger da política
Percorremos um longo caminho para entender a diferença entre deixar a política monetária nas mãos de um burocrata (Banco Central Independente) ou deixá-la nas mãos de um político (Banco Central Brasileiro).
Enquanto um bom burocrata desvaloriza o seu patrimônio paulatinamente ao longo de sua vida, um bom político, típico de nossas republiquetas latino-americanas, costuma abrir a caixa de pandora, emitir moeda e fazer evaporar, magicamente, toda a poupança de sua família.
Como evitar isso? Se expor a outras moedas e a outros ativos reais. Se o Banco Central do seu país não tem atuação independente do governo eleito, o seu patrimônio também será dependente de mandos e desmandos políticos. Renda fixa? Ibovespa? Tudo exposto ao real. Educação financeira é o primeiro passo pra liberdade e, na era da informação, fazemos comparações justas.
Até o fechamento desta análise, e considerando os resultados a partir de 1º de janeiro, o real havia se desvalorizado em 26,5% frente ao dólar; 37,4% frente ao ouro; e 41,8% frente ao bitcoin em 2020.
Ou, colocando de outra forma, o dólar encareceu 36% em relação ao real. O ouro, 60%. E o bitcoin, 72%.
Confira o gráfico.
Gráfico 1: encarecimento do ouro (linha amarela), do dólar (linha verde) e do bitcoin (linha preta) em 2020
Aos moradores da republiqueta tropical avessos às inovações tecnológicas, apresento o vosso futuro: em 2011, o CQC Argentina veio a São Paulo e fez uma simples pergunta aos transeuntes na Avenida Paulista: Qual é o preço da sua casa em dólar? Na época, custando R$1,75, não havia sentido pensar em seu patrimônio em outra moeda.
Quando a mesma pergunta foi realizada em Buenos Aires, não havia um argentino que não soubesse valorar sua casa na moeda norte-americana.
Hoje, após aquelas oito pessoas em Brasília decidirem sobre a taxa Selic e colocarem o Brasil com juros reais negativos e em um nível menor até mesmo que o da Suíça, o dólar fechou a R$ 5,46.
E aí eu pergunto: qual é o preço da sua casa em dólar?
Este artigo foi originalmente publicado no site blocktrends.com.br

Eu já conhecia esse vídeo do CQC e ele é excelente. Mas também é desolador.
Agora que o BC brasileiro passou a brincar de MMT (pior: achando que aqui é Suíça), aposto que qualquer um na rua saberia a cotação do dólar. "Tá mais que cinco, né?"
Aliás, o fato de os argentinos sempre pouparem em dólar — assim que o cara recebe o salário em pesos, ele corre pra trocar tudo pra dólar — explica por que o país não se desintegrou mesmo com uma inflação de 50% (em pesos).
Obrigado pelas informações. Ótimo artigo, como sempre.
Embora o bitcoin seja MUITO superior a qualquer moeda de papel, eu não recomendaria para um leigo. Seus movimentos são extremamente imprevisíveis. E lamento, mas não há garantia nenhuma de que isso continuará existindo daqui a 30 anos. Tampouco que terá alguma aceitação. Por enquanto, trata-se de um ativo puramente especulativo. Não é recomendável para longo prazo visando aposentadoria.
Poupar a longo prazo é ouro. Nem tem conversa.
Dito isso, o artigo foi excelente.
O BC mudou sua abordagem. Antes, ele usava juros visando a inflação. Agora, ele claramente usa juros com o intuito de ajudar o Tesouro a gastar menos com o serviço da dívida. Isso está explícito.
Observem que o Guedes nem sequer disfarça mais quando fala o que o BC irá fazer. É visivelmente ele quem manda na instituição. É ele quem dá as diretrizes. É ele quem antecipa tudo o que será feito. Campos Neto é só um fantoche. Toda a política monetária é do chicaguista Guedes. A imprensa, que tanto adora criticar trivialidades, curiosamente não fala nada desse assunto importante, e que é realmente grave.
Quem aqui curte uma exponencial? Eis a evolução do M1.
ibb.co/wWGYSRs
E olha que os dados vão só até o fim de maio. Os dados semanais de junho mostram que já cresceu bem mais.
Bons tempos que o Instituto Mises Brasil publicava artigos contra a existência do bacen..
Com licença: eis o que escrevi aqui no dia 13 de maio:
“Quando finalmente acabarem o lockdown, o vírus vai voltar (sempre é assim em pandemias; e confinamento não imuniza ninguém), os governadores vão se desesperar, vão impor um lockdown ainda mais severo, a economia vai colapsar ainda mais e aí a MMT vem com tudo. E esse dinheiro impresso vai cair no colo do Smart Money, que vai com tudo para o ouro (com juros negativos e ações sem perspectiva, só sobra o ouro).”
Por enquanto, absolutamente tudo vai se confirmando.
Melhor coisa seria trocar os burocratas (todos eles) do Ministério da Economia por bonecos vudu. Por mim, manteria aquela SELIC até julho do ano passado (6,5%) e agora aumentaria, só para sinalizar que é hora de poupar, não de ficar com gastança. Claro, é arrogância minha porque eu estaria em papel de burocrata. Tem um artigo aqui no site, falando algo relacionado ao motivo de os juros terem de aumentar em recessão (se alguém souber, agradeço). Procurei agora e não achei.
Agora, uma pergunta esquisita: os juros negativos nominais seriam capazes de, gradualmente, diminuindo a dívida bruta do governo? Outra coisa que perguntei e me foi respondido é que os juros menores beneficiam os endividados e as primeiras pessoas que pegam esse dinheiro. Então na prática os poupadores estariam subsidiando os endividados, indo dos que estão em cheque especial até os investidores que pediram empréstimo para abrir novos negócios?
Essa história de Banco Central independente é bobagem. O Ministério da Fazenda (hoje o da Economia) sempre mandou no Banco Central, com exceção de décadas atrás, quando era o Ministério do Planejamento. Pior ainda, Banco Central gerido por gente que historicamente gosta de tabelamento de preços e ficar trocando de moeda e brincando de algarismos é uma verdadeira pornografia.
Depois eu tenho que ver gente falando que o Brasil sofreria se aqui não tivéssemos um BC e usássemos dólar (como é no Panamá).
Alguém aqui acompanha commodities e mercados agrícolas? Já estão falando abertamente que, por causa do câmbio, vai faltar soja no segundo semestre. Os produtores estão, corretamente, preferindo exportar tudo (eu faria o mesmo).
http://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/soja/262156-soja-alta-do-grao-preocupa-industria-quanto-a-abastecimento.html#.XvZ1m5NKhQI
Obviamente, com soja cara e escassa, a criação de bovinos, suíços e aves ficaria inviabilizada. E os preços destes irão disparar.
Apenas imagine isso: escassez e desabastecimento de soja por causa do câmbio. Coisa de profissional.
qual a implicação desses juros negativos para os vendedores do títulos no mercado secundário?
Como eu já recomendei a um amigo, saia do Brasil se puder. O governo acabou, e esse artigo mostra que mesmo se o congresso colaborar, teremos uma falha interna pra impedir enriquecimento da população.
O que não é o caso. Temos crise politica também.
Fico pensando nos jovens que terão que começar suas vidas nesse cenário de terra arrasada. Mortes pelo coronga são merda perto das que o banditismo, as drogas, a depressão e o alcoolismo vão causar.
[OFF]
Pessoal, rotineiramente ouve-se que países como Coreia do Sul e Japão, entre outros, são bem sucedidos simplesmente porque investem pesado em educação, o que este site repetidas vezes já provou não ser o caso. Mas aí me surge uma dúvida: A educação nesses países realmente é assim tão melhor do que por exemplo a dos EUA? Digo, os alunos por lá geralmente são submetidos à longas cargas horárias de estudo, muita pressão social e é claro, muito stress, tanto que esse é tido como um dos motivos pelos quais tais países estão no topo dos rankings mundiais de suicídios, mas o aprendizado geral é realmente melhor do que nos países ricos do ocidente, e se sim, a diferença compensa todos os problemas apontados?
Obrigado!
Seria algo de grande valor se no Brasil for feito um estudo abordando as consequências sobre os bloqueios e quarentenas impostos, mostrando a taxa de suicídios, de ansiedade, de depressão, de desemprego, renda, conflitos familiares, abuso infantil, entre outras coisas, para depois mostrar para todos os que perpetraram esse estado policial, sobre o que eles causaram.
Tudo isso acontecendo dentro de um governo “de direita,liberal e conservador”. Imagina o que os esquerdistas farão quando voltarem ao poder.
Mesmo com forte desvalorização do real, juro negativo e deficit público gigantesco, a inflação, no entanto, está morta.
Economia não é pra amadores definitivamente…. É uma caixinha de surpresas que teoria nenhuma conseguirá abarcar plenamente. Só nos resta humildade e aprender com tentativa e erro e absorver com bom senso o que deu certo nos outros países e tentar adaptar a nossa realidade. Sem receitas prontas.
Nada a ver com o artigo,
Mas compartilho a surra que o Luis Carlos Prestes leva do Roberto Campos em um debate sobre capitalismo e comunismo. O Debate ocorreu 1985.
youtu.be/BlYTncFUMqY
Meta reduzida para 3,25%
Boa notícia mas ach que eles deveriam, no mínimo, terem imposto a meta de 3% para este ano, não algo próximo só em 2023. No México é assim faz tempo.
Ano que vem a meta será reduzida para 3,75%. 3% somente em 2024. Isso se eles cumprirem com o discurso.
“Brasil vai produzir gasolina com mesma qualidade dos EUA e Europa”
Alguém acredita nessa ficção?
“A diretora explicou que a gasolina que será produzida com as novas especificações vai manter o mesmo percentual de 27% de adição de etanol anidro“
Achei que eles estivessem planejando às escondidas o fim dos subsídios ao óleo diesel, à essa pornográfica adição de etanol, abolição da ANP, abertura do setor (inclusive do de etanol)… ai ai. E os nossos vizinhos mais pobres da América Latina vão continuar podendo usar gasolina de verdade, enquanto aqui ninguém vai revogar essa mistura compulsória.
Tem um comentário de um certo cara que estava debate no Facebook e gostaria que vocês me ajudassem a elaborar uma resposta vinda de vocês, pois acabei ficando sem argumento. Estávamos debatendo sobre capitalismo e se era o melhor sistema, e acabei mostrando aquele gráfico que mostra a taxa de pessoas vivendo em absoluta pobreza e sua diminuição após a revolução industrial, creditando o crédito ao capitalismo. A resposta dele foi: "Falácia de post hoc ergo propter hoc. "Depois disso, logo por causa disso", sim, de fato o capitalismo acendeu juntamente com a revolução industrial, mas, há capitalismo com ou sem o indústria. Significa que apesar da produção industrial ser um fenômeno bem usado pelo capitalismo não significa que só existiria produção industrial ou avanço tecno-científico caso exista capitalismo. A redução da fome está relacionada ao desenvolvimento da técnica, da tecnologia e na nova velocidade de produção, não está relacionado por si com o serviço assalariado. A produção familiar, cooperativas ou firmas ou mesmo auto-gestão agroindustrial hoje gozariam das mesmas vantagens da indústria tal qual o sistema capitalista goza, ou seja, a fome reduziu apesar do capitalismo, e não por causa dele, na verdade, o "Capitalismo" que se conhece no ápice da Revolução industrial é chamado de capitalismo tardio, desde que exista a contratação de serviço assalariado ou aluguéis com o principal objetivo de adquiri lucro, gerando capital de giro em preferência temporal, logo há capitalismo. O termo "capitalista" referia-se ao proprietário de capital e o seu uso é anterior ao surgimento do capitalismo, a palavra capitalista surge no século XVII e designa a privatização do capital, ou seja, o seu aluguel ou o serviço assalariado e isso precede a própria industrialização, logo capitalismo é diferente de industrialização. Apesar da industrialização ter sido um fenômeno amplamente manifestado no capitalismo a manifestação de um fenômeno é uma substância acidental e não essencial, o mesmo acidente pode existir em entes diferentes logo não se pode por um gráfico que tem a curva da fome gerada pela industrialização e inferir que é uma curva gerada pelo capitalismo." Se puderem responder agradeço!
Guedes: Se nos aproximarmos de depressão, podemos autorizar BC a emitir moeda
Segundo o ministro da Economia, o Brasil está tecnicamente pronto a autorizar a emissão de moeda, mas no atual cenário isso não é necessário
valor.globo.com/brasil/noticia/2020/06/30/guedes-se-nos-aproximarmos-de-depressao-podemos-autorizar-bc-a-emitir-moeda.ghtml
Curiosamente, e por pura coincidência, eu tinha ouvida falar sobre isso aqui antes de ler o artigo:
Exclusivo: BNDES aportará R$ 20 milhões em fundo voltado às startups e QR Capital é uma das beneficiadas
cointelegraph.com.br/news/exclusive-bndes-will-invest-r-20-million-in-a-fund-aimed-at-startups-and-qr-capital-is-one-of-the-beneficiaries
Agora, mudando de assunto, o Ciro Guedes saiu do armário de vez?
valor.globo.com/brasil/noticia/2020/06/30/guedes-se-nos-aproximarmos-de-depressao-podemos-autorizar-bc-a-emitir-moeda.ghtml
“A emissão serve para casos de depressão econômica. Uma situação em que a atividade cai e fica estagnada, uma curva em formato de L, próxima à "armadilha da liquidez" descrita por Keynes, disse Guedes.”
Saiu hoje um artigo no G1 que apenas reafirma o que está sendo dito neste artigo:
g1.globo.com/economia/noticia/2020/06/30/real-e-a-segunda-moeda-que-mais-perdeu-valor-neste-ano.ghtml?utm_campaign=g1&utm_content=post&utm_medium=social&utm_source=facebook&fbclid=IwAR2wbFn_qPvNCMn2ug6CQIMrRuvZOD-OhFFd63yK_K884DvU27i7LMmXK8I
Leandro, qual a sua opinião sobre a chamada “Nova Escola Austríaca”, iniciada por Antal Fekete e expandida por outros nos nomes com grande simpatia de grupos ligados ao Objetivismo da Ayn Rand?
Me recomendaram esse texto sobre o assunto:
UM REMÉDIO PARA A DOENÇA SUBJETIVISTA DE MISES E HAYEK: A NOVA ESCOLA AUSTRÍACA
objetivismo.com.br/artigo/um-remedio-para-a-doenca-subjetivista-de-mises-e-hayek-a-nova-escola-austriaca
Leandro,
Alguns economistas dizem que a redução da SELIC teria tido pouco impacto para a alta dólar dos últimos meses.
A redução do diferencial de juros teve algum impacto sim, mas seria um impacto pequeno diante dos demais fatores.
O principais fatores que levaram a alta da moeda americana seriam o aumento do risco-país e a valorização global do dólar.
Assim, a alta do dólar no Brasil teria ocorrido mais por forças não controladas pelo BC do que pelo diferencial de juros.
Você concorda com essa visão?
Seria a Grécia, uma Argentina sem Banco Central e usando o dólar como moeda corrente?
Essa notícia abaixo é de 2018:
Só 6% dos brasileiros têm dinheiro na poupança para encarar emergência
Nessa época, os juros ainda não estavam tão pornograficamente baixos (6,5%). Agora, com os auxílios e os juros negativos, isso só deve piorar.
Os indianos que ganham uma mixaria poupam mais. Os chineses, bom, lá é algo impressionante, estão entre os que mais poupam no mundo. Deve ser alguma tradição milenar. E Cingapura teve essa herança. O Renminbi tem um bom histórico de ganho em poder de compra em relação ao dólar, isso claro até 2014, quando desvalorizou e causou a recessão chinesa. Pobres chineses, aguentar décadas de rígido adestramento do PCC não deve ser fácil.
Juros reais altos tivemos no começo do Plano Real, mas não sei se refletiram na poupança.
A situação de agora não deve forçar uma poupança (aquilo de “Tempos ruins criam homens fortes” não deve funcionar nesse aspecto), dado o fato de que os juros manipulados para baixo já trouxeram uma mensagem errada no sistema de preços, de que está sobrando poupança e capital, quando na verdade é o contrário. E além disso, a moeda desvalorizou junto com a queda da renda nominal (em acordo ou recebendo seguro-desemprego) ou mesmo a perda total dela (para quem é empresário, autônomo e informal).
Além disso, deduzo de que as causas sejam também o histórico de hiperinflação, assim como a extrema regulação no setor de crédito e na falta de punição para devedores. FGTS também tem bastante culpa. Algum cientista político pode me explicar por que diabos o governo militar não aboliu a estabilidade após 10 anos da CLT e junto disso não tentar criar nenhuma gambiarra em cima? Mídia?
A Argentina afundou tanto que, não apenas o Brasil já passou eles no setor de soja (deve ultrapassar nos óleos também), mas a empresa Saint-Gobain Sekurit do setor de para-brisas simplesmente vai se mudar para cá.
Eis o trecho:
“A Saint-Gobain Sekurit era fornecedora da Chevrolet e da Renault, e também abastecia o mercado de reposição. Além da fábrica de Campana, que fechou, a empresa tem um armazém em Tortuguitas e um distribuidor em Córdoba, que também está em uma situação delicada.”
O Brasil tem uma grande parcela no setor automotivo argentino, já que muitos carros vendidos aqui são de lá, por causa da porcaria do protecionismo, então comprar deles é um pouco menos caro. Exemplos são o Toyota Hilux, Nissan Frontier, Fiat Cronos, Ford Ranger, entre outros. Só para se ter ideia da importância das picapes, o Hilux por lá vende mais que carros de entrada como Gol, 208, Etios e Kwid. Também, alguns carros brasileiros são exportados para eles, como o Chevrolet Onix. Curiosamente, por lá nem se sente cheiro de Onix 1,0 aspirado, como aqui no Brasil. Nunca foi, nem com a versão Joy (ainda da geração anterior). O Celta também era vendido com o motor 1,4. Por pior que seja lá, não existe a porqueira da legislação tributária de capacidade volumétrica do motor e na flexibilidade de combustível, assim como a gasolina deles é melhor, por ser menos misturada. Até uns anos atrás, havia uma fartura de carros que por aqui no Brasil só se chegou perto no período áureo do Plano Real.
Milagre é ainda ter fábrica de carro de pé lá. Isso sim é surpresa. O que vocês acham?
Pessoas, o que explica o fato de hoje o dinar kuwaitiano ser hoje a moeda mais cara do mundo? No momento, um dinar desse custa por volta de R$ 17,50. Me disseram já que é porque lá a moeda é mais divisível que aqui, mas eu ainda não me convenci.
Leandro, parece que nesse mês a Bulgária irá entrar no chamado European Exchange Rate Mechanism 2. Isso seria o abandono do Currency Board e do Lev Búlgaro? No que isso poderia acarretar para o país? Acho que o Leste Europeu terá um futuro promissor.
Poderia existir na América do Sul uma união monetária, adotando alguma moeda mais forte e por consequência eliminando os bancos centrais dos países membros? Claro, peso argentino e o bolívar já são piores que o dinheiro do Banco Imobiliário.
“With Mint at 100%, Argentina Imports Bills to Meet Cash Thirst”
Vou resumir para vocês: a Argentina está importando cédulas porque ela não consegue mais suprir o mercado interno com a sua própria impressão de dinheiro.
O agregado M1 lá, de janeiro a maio, subiu 35% (1,906 bilhão de pesos para 2,58 bilhões de pesos), alta histórica.
No mesmo período, no Brasil subiu 21,16%; nos EUA, 27,3%.
Na Bulgária, com Currency Board (vê o meu comentário acima Leandro, por favor…), o M1 subiu 4,74%.
E lá vem mais cortes
Copom deve cortar Selic para 2% nesta quarta, redução de 0,25 p.p
O choro dos rentistas está altíssimo. Negócio deles é: o país que se f*da, desde que me pague dois dígitos de juros.
Levando-se em conta de que a inflação na Venezuela em julho foi de 2358,5% ao ano e os juros anuais no mês foram de 38,98%, então os juros reais do país são de – 94,1% ao ano?
Curiosidades. Calculei os juros reais dos países da América do Sul para esse mês de agosto, e obtive os seguintes resultados:
– Equador: 9,95%
– Uruguai: 3,65%
– Colômbia: 0,36%
– Brasil: – 0,19%
– Paraguai: – 0,83%
– Argentina: – 0,86%
– Peru: – 1,54%
– Chile: – 1,85%
Lembrando que os juros na Bolívia e no Equador flutuam e são decididos pelo mercado, enquanto nos outros países eles são controlados pelo banco central. Do meu ponto de vista, Uruguai, Equador e Bolívia estão no caminho certo, ao passo que os outros países se perderam com os juros baixíssimos (ou até negativos).
Só agora começa a aparecer a parte do bônus de ter juros baixo. Até então a gente só estava vendo o ônus disso:
Financiamento imobiliário fica 30% mais barato com redução dos juros
O sonho da casa própria está mais acessível para os brasileiros. Com a Selic no menor patamar histórico, as taxas de juros para o financiamento imobiliário também apresentaram redução e contribuíram para que a prestação caiba no bolso de mais trabalhadores.
(…)
O resultado dessa redução já pode ser sentido no aumento da liberação de crédito mesmo com a pandemia da covid-19. Segundo a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), os financiamentos avançaram 74,7%, atingindo R$ 11,7 bilhões nos oito primeiros meses deste ano na comparação com igual período do ano passado.
E a tendência é que novas mudanças reduzam ainda mais o custo do crédito imobiliário. Recentemente, o Itaú lançou uma linha de crédito imobiliário indexada pelo rendimento da poupança com taxas partindo de 5,39%.
A novidade vale para quem quer adquirir um novo imóvel. A linha terá uma taxa de juros fixa de 3,99% ao ano e utilizará como indexador o rendimento da poupança, que acompanha a Selic.
Com isso, a taxa para os clientes que contratarem financiamentos imobiliários nesta nova linha, com os valores atuais, será de 5,39% (3,99% + 1,4%) ao ano, a menor do mercado.
Se déficit primário grande gera inflação por que nesse ano com 1 trilhão de déficit teremos uma das menores inflações dos últimos anos?
Se emissão monetária gera inflação por que nesse ano que tivemos a maior emissão dos últimos 20 anos tivemos também uma das menores inflações dos últimos anos?
Vamos repetir pra ver se a galera entende: governos que se endividam em sua própria moeda não quebram!
Enquanto houver demanda por títulos públicos, haverá espaço para aumentar gastos. E por que os poupadores financiam um governo "gastão"? Porque não têm alternativa. Na crise, os que podem poupam mais. Onde guardam sua riqueza, em títulos privados? Poucos querem comprar títulos privados num cenário numa crise onde várias empresas podem quebrar.
Nossa dívida pública vai a 100% do PIB e não teremos grande inflação. E todos demandam dívida pública. Assim funciona a economia. Um governo não quebra nunca se tomar dívida em sua própria moeda.
Pessoal, temos boas notícias.
Antes, o real era a terceira pior moeda do mundo em desvalorização. Não sei que diabos aconteceu com a rúpia indonésia.
De qualquer forma, agora não estamos mais na terceira posição. Fomos passados pelo gourde haitiano.
Mas vejam que esquisito. Meses atrás, eram por volta de 110 gourdes haitianos por dólar. Agora são por volta de 62 (menores valores desde o meio de 2017!!!). E a meta do banco central local é de 25 gourdes haitianos por dólar. Isso deve derrubar a alta inflação deles (que foi de 25,7% em julho).
Campos Neto é eleito melhor banqueiro central de 2020 pela Banker
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, foi eleito o presidente de Banco Central do ano pela revista britânica The Banker, especializada em finanças. O anúncio foi feito na quinta-feira (31). O prêmio Central Banker of the Year, em sua sétima edição, homenageia os funcionários que mais conseguiram estimular o crescimento e estabilizar sua economia.
Campos Neto foi premiado na categoria Global e Américas. A publicação cita que poucos países foram afetados pela pandemia do novo coronavírus da mesma forma que o Brasil.
(…)
A The Banker pondera que enquanto no início de 2020 as expectativas eram que a maior economia da América Latina teria contração de 9%, as projeções foram sendo revisadas “drasticamente” no final do ano para cerca de metade disso.
Menciona que a estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de recuo de 9,1% para declínio de 5,8% em 2020, enquanto alguns analistas acreditam que a contração será inferior a 4,5%.
Conforme a publicação, muito desse cenário “promissor” se deve ao trabalho do Banco Central do Brasil. Segundo a revista, a instituição monetária respondeu à crise tomando medidas sem precedentes e eficazes para garantir que a liquidez não secasse no sistema financeiro. Destaca que o BC tomou outras medidas específicas para que as empresas, em particular as pequenas empresas, pudessem continuar a operar.
No geral, acrescenta a publicação, o programa de liquidez do BC brasileiro representou impressionantes 17,5% do PIB, e foi acoplado a outras medidas que liberaram capital das instituições financeiras que, segundo o banco, tinham potencial para aumentar o crédito pelo equivalente a até 20% do PIB.
Cita ainda que também obteve autorização temporária do Congresso para comprar e vender ativos privados para aumentar ainda mais a liquidez do sistema financeiro, que acabou apoiando também o mercado de títulos em moeda local.
É a segunda vez que um presidente do Banco Central do País conquista o prêmio. Antes de Campos Neto, o agraciado foi Ilan Goldfajn, em 2018, por sua atuação no combate à inflação em 2017.
(…)
http://www.cnnbrasil.com.br/business/2021/01/03/campos-neto-e-eleito-melhor-banqueiro-central-de-2020-pela-banker
"A história econômica é um longo histórico de políticas governamentais que falharam porque foram projetadas com um forte desrespeito pelas leis da economia."
Mises
* * *
BC é alvo de críticas por excesso de transparência
Por muito tempo, o Banco Central (BC) foi chamado de caixa preta. Ultimamente, porém, as queixas são por excesso de transparência. Operadores e analistas do mercado reclamam, de forma reservada, da sinalização explícita sobre o rumo dos juros no médio prazo.
(…)
valor.globo.com/google/amp/financas/noticia/2021/06/04/bc-e-alvo-de-criticas-por-excesso-de-transparencia.ghtml
Mantega: ‘O BC de agora tem desempenho melhor do que na nossa época’
O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega disse nesta segunda-feira, em almoço com empresários, que o atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, é melhor do que Henrique Meirelles, ex-presidente do BC nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). (…)
Segundo o ex-ministro, Campos Neto agiu “corretamente” ao adotar uma política econômica anticíclica, que diminuiu a taxa de juros no cenário de crise econômica antes da pandemia. Meirelles, por outro lado, aumentou os juros na crise de 2008. Mantega e Meirelles eram de alas opostas durante, principalmente, o primeiro governo do PT.
(…)
oglobo.globo.com/politica/mantega-bc-de-agora-tem-desempenho-melhor-do-que-na-nossa-epoca-25479229