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Por que há uma escassez de dólares no mundo apesar das maciças injeções do Fed?

Em resposta ao colapso econômico causado pelo confinamento geral imposto pelos governos estaduais em decorrência da pandemia de Covid-19, o Federal Reserve (o Banco Central americano) anunciou uma injeção de mais de US$ 2 trilhões na economia americana.

Mas o dólar segue forte em relação às outras moedas do mundo — como pode ser comprovado pelo alto valor do índice DXY, que compara a moeda norte-americana ao euro, ao iene, à libra esterlina, ao dólar canadense, à coroa sueca e ao franco suíço. 

Logo, a pergunta é inevitável: como pode o Fed lançar um programa de estímulos monetários praticamente ilimitados, e o índice do dólar ainda permanecer forte?

Escassez em meio à abundância

A resposta está na crescente escassez global do dólar, algo que deveria servir de lição para os alquimistas monetários ao redor do mundo, que juram ser possível fazer em outros Bancos Centrais (principalmente de países em desenvolvimento) o que está sendo feito pelo Fed.

Antes de tudo, vale lembrar que o ouro voltou a alcançar as máximas históricas que só havia sido alcançada em 2011, o que comprova que a inflação monetária de fato já está se transformando em inflação de ativos. Entretanto, é fato que o dólar segue forte em relação às outras moedas do mundo, o que demanda explicações.

O pacote de estímulos de US$ 2 trilhões acordado junto ao Congresso equivale a aproximadamente 10% do PIB americano. E, se incluirmos as linhas de crédito criadas pelo Fed para garantir capital de giro às empresas, temos aí uma liquidez de US$ 6 trilhões para consumidores e empresas ao longo dos próximos nove meses.

O pacote de estímulos aprovado pelo Congresso americano é composto dos seguintes itens:

1) Transferências fiscais permanentes para famílias e empresas de praticamente US$ 5 trilhões.

2) Indivíduos receberão US$ 1.200 em pagamento direto (US$ 300 bilhões no total).

3) Pequenas empresas receberão empréstimos totais de US$ 367 bilhões, os quais se transformação em subsídios caso empregos sejam mantidos

4) Haverá um aumento nos valores do seguro-desemprego para o valor de 100% dos salários perdidos durante quatro meses (US$ 200 bilhões).

5) US$ 100 bilhões serão destinados ao sistema de saúde, bem como US$ 150 bilhões para governos estaduais e municipais.

6) O restante do pacote virá de medidas temporárias para ajudar empresas e famílias, incluindo diferimento de impostos e renúncias fiscais.

7) Finalmente, haverá o uso de US$ 500 bilhões Fundo de Estabilização Cambial do Tesouro para empréstimos para empresas que não sejam do setor financeiro.

A tudo isso, devemos acrescentar o maciço programa de afrouxamento quantitativo anunciado pelo Fed.

Primeiro, temos de entender que a palavra “ilimitada” é apenas uma ferramenta de comunicação. Não é ilimitada. Todo o programa é limitado pela demanda do resto do mundo por dólares americanos. Caso haja uma perda de confiança no dólar, o programa acaba.

Eu mesmo já tive o privilégio de trabalhar com vários dos atuais membros do Fed, e a verdade é que eles sabem que não é ilimitado. Mas eles sabem que a comunicação é importante.

O gráfico abaixo mostra a evolução dos ativos em posse do Fed. Para comprar ativos, o Fed cria dólares do nada. É assim que ele faz seus programas de expansão monetária e afrouxamento quantitativo. 

ativosfed.png

Gráfico 1: evolução dos ativos em posse do Fed

O Fed identificou o calcanhar de Aquiles da economia mundial: a enorme escassez global de dólares. Isso já havia ficado óbvio em setembro do ano passado, quando o mercado de repo americano congelou

Atualmente, a escassez global de dólares está estimada em US$ 13 trilhões. Este é o valor ao qual chegamos quando pegamos toda a oferta monetária americana, inclusive as reservas bancárias em posse do Fed, e dela subtraímos todos os passivos mundiais denominados em dólar, principalmente nos países emergentes.

Como chegamos a tamanha escassez de dólar?

Nos últimos 20 anos, as dívidas denominadas em dólar, tanto nos países emergentes (liderados pela China) quanto nos desenvolvidos, explodiram. O motivo é simples: investidores domésticos e estrangeiros não aceitam incorrer em volumosos riscos na moeda local, pois sabem que, em momentos de turbulência, como agora, vários países vivenciam uma acentuada desvalorização cambial (o dólar fica mais caro em termos das moedas locais). Tamanha desvalorizar gera intensos prejuízos para esses investidores, que, ao remeterem seus lucros, perderiam todos os seus ganhos ao converterem a moeda local para o dólar. (Veja detalhes deste processo aqui).

Consequentemente, investidores só aceitam financiar governos e empresas caso estes emitam títulos em dólares.

Igualmente, vários Bancos Centrais ao redor do mundo, principalmente em países emergentes, estão fazendo uso de suas reservas internacionais para tentar conter um pouco da intensa e repentina desvalorização de suas moedas. Mas as reservas internacionais são efetivamente formadas por títulos do Tesouro americano. Ou seja, quando Bancos Centrais vendem reservas, eles na verdade vendem títulos do Tesouro americano em troca de dólares, o que acentua a demanda mundial pela moeda americana.

De acordo com o Banco de Compensações Internacionais (o Banco da Basiléia), a quantidade de títulos de dívida denominados em dólar emitidos por governos e empresas de países europeus, emergentes e pela China dobrou de US$ 30 trilhões para US$ 60 trilhões entre 2008 e 2019 (Fonte: página 6).

Estes países hoje têm de lidar com mais de US$ 2 trilhões em dívidas que irão vencer nos próximos dois anos. Para piorar, a queda nas exportações, no PIB e nos preços das commodities (inicialmente por causa da guerra comercial e agora por causa da pandemia de Covid-19) gerou um enorme buraco na entrada de dólares nestes países. 

Assim, se pegarmos as reservas de dólares dos países mais endividados e deduzirmos os passivos externos em dólares, e levarmos em conta as receitas estimadas de dólares nesta crise (exportações e investimento estrangeiro direto), temos que a escassez global de dólares pode subir de US$ 13 trilhões em março de 2020 para US$ 20 trilhões em dezembro. E isso se considerarmos que a recessão global não será duradoura.

A China possui mais de US$ 1 trilhão em reservas e é um dos países mais bem preparados para lidar com a situação, mas, ainda assim, essas reservas totais cobrem apenas 60% do passivo em dólar do país. Se as receitas das exportações colapsarem, a escassez de dólares irá aumentar. Em 2019, os chineses se endividaram em mais US$ 200 bilhões à medida que suas exportações desaceleraram e a entrada de dólares ficou aquém do esperado.

O ouro não basta

As reservas em ouro não bastam. Se olharmos as reservas das principais economias do mundo, elas representam menos de 2% da oferta monetária. A Rússia possui a maior reserva de ouro em relação à sua oferta monetária: 9% do M2.

Já as reservas de ouro da China equivalem a 0,007% do M2.

Sendo assim, não há nenhuma moeda “lastreada em ouro” no mundo, e aquela que teoricamente é mais protegida em ouro — que é o rublo — sofre as mesmas volatilidades das outras moedas em épocas de recessão e de forte queda nos preços das commodities devido à escassez de dólares (vide a acentuada depreciação do rublo russo no início de 2020).

Ainda assim, a volatilidade do rublo russo nem sequer se compara à volatilidade daqueles países da América Latina que sofrem tanto de uma queda nas reservas internacionais quando de um colapso na demanda de seus próprios cidadãos pela moeda doméstica (como é o caso da Argentina).

Adicionalmente, a acumulação de reservas de ouro pelos Bancos Centrais nos últimos anos foi mais do que compensada, em apenas poucos meses, pelo aumento na base monetária destes países. Em outras palavras, as reservas de ouro de vários países aumentaram, mas a uma taxa muito menor do que a expansão de suas bases monetárias.

Os EUA são os privilegiados – e não dá para copiar

Considerando-se tudo isso, o Federal Reserve sabe que possui a maior de todas as bazucas à sua disposição, pois o resto do mundo precisa de pelo menos US$ 20 trilhões até o fim do ano, de modo que ele pode expandir seu balancete (criando dólares do nada) e com isso financiar o déficit orçamentário do governo americano de US$ 10 trilhões e, ainda assim, a escassez de dólares permanecerá.

O dólar americano não se enfraquece excessivamente (embora, como dito, esteja se enfraquecendo acentuadamente perante o ouro) porque todos os outros países do mundo estão vivenciando perda de reservas, redução na entrada de dólares e necessidade de rolar dívidas em dólares ao mesmo tempo em que estão expandindo suas respectivas bases monetárias (em moeda local) a uma taxa maior que a do Fed, mas sem terem o privilégio de serem a moeda internacional de troca e a moeda global de reserva.

Ou seja, a demanda global por dólares nunca esteve tão forte: de um lado, a expansão monetária dos outros países está sendo tão ou mais intensa que a do próprio Fed; de outro, a oferta de dólares repentinamente escasseou por causa de quedas nas exportações e do colapso nos preços das commodities. Para piorar tudo, como explicado, há também a necessidade de se obter dólares no curto prazo para a rolagem de dívidas.

Trata-se de um arranjo que nenhum outro país do mundo vivencia, pois nenhum outro detém o privilégio de emitir a moeda internacional de troca e a moeda global de reserva.

E piora: nas atuais circunstâncias, e com uma crise global no horizonte, a demanda global por títulos dos países emergentes em moedas locais tende a cair fortemente, bem abaixo de suas necessidades de financiamento. Assim, a dependência do dólar americano aumentará. Por quê? Quando centenas de Banco Centrais tentam copiar o Fed reduzindo juros sem terem a mesma segurança jurídica, financeira e de investimentos dos EUA, eles irão simplesmente ver uma fuga generalizada de suas moedas, acentuando ainda mais a desvalorização cambial.

Por isso, aqueles Bancos Centrais que tentarem copiar o que o Fed está fazendo, ignorando que a real demanda por suas respectivas moedas é muito menor que a demanda pelo dólar americano, farão apenas com que os investidores locais e estrangeiros abandonem ainda mais estas moedas, por causa do risco inflacionário. Isso poderá piorar ainda mais a desvalorização cambial. 

Não existe “soberania monetária” sem segurança aos investidores.

Até o momento, o único país que já demonstrou ter entendido isso é o Japão. Sendo hoje o país com as maiores reservas de dólares do mundo, o Japão não apenas tem sua moeda já completamente lastreada em dólares, como também possui um ambiente jurídico completamente seguro, previsível e propício aos investimentos estrangeiros, no mesmo padrão de EUA, Reino Unido e Suíça. Por isso o país pôde ser dar ao luxo do juro zero sem sofrer grandes consequências.

Para concluir

Essa corrida rumo ao juro zero que está sendo praticada pelos Bancos Centrais não é uma corrida para ver quem ganha, mas sim para ver quem perde primeiro. Aqueles que perderem serão os que se acreditam capazes de copiar o Fed e os EUA sem terem a mesma liberdade econômica, o mesmo ambiente jurídico e a mesma segurança dada aos investidores.

O Federal Reserve pode, e deve, ser criticado por sua postura monetária, mas ao menos é o único Banco Central do mundo que realmente analisa a demanda global por sua moeda (dólares americanos) e que aparentemente sabe que a oferta monetária não pode ser aumentada para além da demanda por ela.

Com efeito, o afrouxamento quantitativo do Fed não é ilimitado; ao contrário, é totalmente limitado pela verdadeira demanda global pela moeda americana, algo que outros Bancos Centrais ignoram ou preferem esquecer.

Pode o dólar americano perder sua posição de moeda global de reserva? Claro que sim. Mas jamais a perderá para outro país que decida cometer os mesmos tipos de loucuras monetárias do Fed sem levar em conta a real demanda global pela moeda que emitem.

Essa deveria ser uma lição para todos os países. Se você cair na armadilha de acreditar que possui a moeda de reserva mundial, e sair se comportando como o Fed, imprimindo dinheiro sem quaisquer considerações pela demanda global por esse dinheiro, então a sua dependência do dólar irá se intensificar. E isso na melhor das hipóteses.

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104 comentários em “Por que há uma escassez de dólares no mundo apesar das maciças injeções do Fed?”

  1. Ótimo Artigo!

    Aproveito o comentário para fazer algumas perguntas a galera. Comecei a estudar seriamente economia a pouco tempo, por isso tenho algumas dúvidas.

    – O que realmente é lastro?

    – O que é moeda fiduciária?

    – O que são reservas internacionais?

    – Qual é o lastro do real? E do dólar?

    – Por que em um regime cambial flutuante, caso haja uma fuga de capitais, a inflação aumenta?

    Por fim, queria saber se alguém tem alguma dica de artigo, etc., que fale sobre o regime de Getúlio Vargas na parte econômica. É muito comum vermos a idolatria do brasileiro por esse Ditador. Os mesmos citam dados (não sei se são reais) de que economicamente foi muito boa essa época. Primeiro, isso é real? Segundo, se sim, qual é a razão?

    Agradeço se alguém responder. (Perguntas feitas neste artigo em especial pois é o mais recente, assim acredito que aqui poderão responder minhas perguntas)

  2. O artigo explica mas eu ainda não entendo como pode o dólar está tão forte com a dívida pública americana estando acima de 100% do PIB e subindo.

  3. 1. Por que estão dizendo que imprimir dinheiro neste momento do covid não teria inflação? Teria nos setores de alimentação que a demanda continua alta?

    2. Qual seria a melhor alternativa ao governo ao ser obrigado a gastar mais dinheiro com saúde? reservas? impressao? outros?

    Obrigado!

  4. Eu digo: porque se tornou o Império Americano.

    Como afirma Leandro Roque: “O homem mais poderoso do mundo é o presidente do Fed.”

    Nesse parágrafo, faltou uma letra maiúscula:

    “adicionalmente, a acumulação de reservas de ouro pelos Bancos Centrais nos últimos anos foi mais do que compensada, […]”

    Bom, Japão nem se fala. A economia agora pode estar até sofrendo o problema de estagnação, mas o iene japonês é uma moeda forte, além de o país ter segurança jurídica, infraestrutura e alguma produtividade.

    E há também a razão política: a hiperinflação nos EUA corroeria os salários dos burocratas do Federal Reserve, e certamente causaria uma revolta generalizada no país sem precedentes (inflação de mais de 10% acabou com o mandato do Jimmy Carter). Acho que uma “japanização” da economia americana seria pouco provável, porque ao passo que no Japão há um sério problema demográfico e de acessibilidade (para quem quiser se mudar para lá, por ser uma ilha), nos EUA, todos os anos, brotam pessoas de todas as partes do mundo querendo trabalhar, sejam como assalariados, sejam como empregados. Isso automaticamente já faz a economia crescer, e mais pessoas para sustentar as dívidas do governo americano. Por ser um país continental e com federações dotadas de alguma autonomia, então a pessoa com um visto de residência do país pode morar na Flórida, ou no Texas, ou onde quiser, podendo explorar mais oportunidades.

    Mudando de assunto… ainda bem que (ufa!) o Roberto Campos Neto sabe que não dá para sair imprimindo dinheiro loucamente.

  5. Sendo novato no estudo da economia: certa vez ouvi uma explicação que a lei da oferta e demanda é a base da economia, sendo uma lei irrefutável, estando para a economia assim como a lei da gravidade está para a física. Procede?

    A lei da oferta e demanda sempre será válida em qualquer situação para explicar a formação de preços de um bem/serviço? Em qualquer situação o preço é um reflexo da oferta e demanda?

  6. Tento demonstrar para alguns esquerdistas que no Brasil nunca houve, de fato, um liberalismo econômico. Historicamente, a economia brasileira sempre teve um viés estatizante, intervencionista, sendo que isso é a causa do nosso atraso.

    Há no IMB artigos com análise e dados históricos que permitam demonstrar com mais detalhes essa realidade da economia brasileira?

  7. Ao que parece, Srs, estamos ressuscitando J. M. Keynes, já que o endividamento público é quase certo.

    Mas aqui no Brasil vejo alguns oportunismos.

    O que os Srs acham?

  8. Obrigado, nunca tinha entendido porque os Eua podiam se dar ao luxo de ficar imprimindo quantidades imensas de dolar sem sofrer consequências.

  9. Me chamou a atenção a questão da escassez de dólares após subtraída a oferta monetária nos EUA dos passivos externos denominados em dólares.

    Algum sabe de algum artigo que aprofunde mais nessa questão?

  10. Chicaguistas, Keynesianos, TMMs e cia estão descobrindo que modelos são passíveis de falhas. Os modelos utilizados, SIR e SEIR falharam para prognósticos e previsões, deixando a turma toda desesperada.

    O pior foi o profeta do apocalipse, Átila, que leu um artigo feito por Harvard em 15 minutos e saiu postando como se fosse autoridade em ciências econômicas também.

    Isso é importante pra que a gente sempre defenda a liberdade do individuo acima de qualquer modelo matemático (os chicaguistas implantariam o socialismo, se algum modelo provasse que daria certo).

  11. Cassio Fernandes

    No passado eu tb acreditava que a bolha iria estourar nos EUA, isso seria em teoria o que deveria acontecer. MAs o dolar alem de moeda eh um produto de demanda alta, pois nao ha outra alternativa. O ouro eh escasso para a economia mundial. Uma utopia.

    Trump como um investidor imobiliario. sabe que para vender seu Imovel, mesmo endividado, deverah ser reformado, renovado e valorizado. Foi o que fez, transmitiu uma imagem de poder militar, investindo forte na area energetica e produtiva, baixou impostos para demonstrar que seu Imovel eh atrativo forte e promissor.

    Esse eh o lastro dos EUA . O berco da democracia e liberdade, seguranca belica e de mercado. Onde mais investir em massa ?

    Muitos diziam que CHina seria o novo centro do mercado e sua moeda seria a moeda de troca mundial, mas o que garante que teu investimento na CHina poderah ser confiscado a qualquer momento ?

    A economia nao se baseia soh em numeros e graficos, mas tb em psicologia de mercado. Uma prova foi dada pelo Bitcoin, que nao tem valor intrinsico algum nem lastro , mas seu valor tem como lastroa uma percepcao psiologica e especuladora. Um bem altsamente instavel.Teve seu valor aumento devido aa inseguranca economica mundial.

    Se a democracia americana continuar solida, seu poder miliar forte e seu poder economico continuar dominante e serio, o dolar continuarah com a demanda forte e seu valor continuarah forte.

  12. Olá, desculpe comentar isso aqui nesta publicação, mas eu gostaria de ver algum economista comentando a idéia mirabolante de “imprimir dinheiro” do Meirelles.

  13. O que se vê é uma grande “Lei de Gresham” em nível Global.

    O Dólar vai fazer todas as outras moedas sublimarem…

    Tudo isso é culpa do estágio de FINANCEIRIZAÇÃO do Capitalismo. O dinheiro que era um MEIO, virou um FIM.

    Os ricos não arriscam seu dinheiro colocando na economia real, gerando empregos, criando novos produtos, eles preferem ganhar com juros.

    Estamos caminhando pra um mundo cada vez mais monopolizado (monopólio do dólar) e um imposto global como Pikety tinha sugerido se faz cada vez mais necessário.

  14. Como trazer gente que pensa em tirar seus investimentos e negócios da China, para o Brasil?

    Simples: respeito aos investimentos estrangeiros e domésticos, segurança jurídica, investimento privado em infraestrutura, moeda estável e forte, facilitar a importação e exportação, abertura e fechamento de negócios e admissão e demissão de funcionários (dificultar demissão não vai eliminar o risco de demissão, nem diminuir o risco de demissão).

    Alguém aí sabe na prática o que é a Zona Franca de Manaus? Se ela é benéfica ao desenvolvimento regional, por que não fazer uma “Zona Franca do estado de Pernambuco”? Uma “Zona Franca da região Sudeste”?

    Brasil não vai ter moleza. Irá concorrer com Estados Unidos da América, países da Ásia, Europa e Oceania. Se o AMLO tivesse sido pragmático como foi o Lula no primeiro mandato (não sei se ele será, pelo menos o peso mexicano se valorizou nos últimos meses), capaz de já ter atraído um monte de investidores.

  15. E quanto a atual escassez do gás de cozinha?

    O mercado do gás de cozinha é extremamente regulado/oligopolizado como petróleo e gás natural ?

    A escassez atual é reflexo mais do aumento do consumo doméstico (embora o consumo no setor industrial/comercial possa ter caído) ou dessa maldita quarentena que afetou a produção/distribuição do produto?

  16. ” a escassez global de dólares pode subir de US$ 13 trilhões em março de 2020 para US$ 20 trilhões em dezembro. E isso se considerarmos que a recessão global não será duradoura.”

    Podemos concluir que essa escassez dólares (embora compensada pela impressão de dólares pelo Fed) tem grande potencial paa gerar uma valorização ainda maior do dólar perante o real?

    Ou seja, aqui no Brasil provavelmente veremos o dólar renovar as máximas daqui pra frente?

  17. Sugiro lerem esse texto “The US Labor Market Will Heal Faster Than the European One”

    O artigo é bom e curto.

    Decepciona é que no Mises Institute às vezes aparecem pessoas com comentários extremamente imbecis, como nesse artigo. Aproveitei para comentar lá também.

    Deveriam tirar esse sistema de Disqus e, caso tiver como, eles tirarem a opção de curtir ou descurtir, porque só dá importância para comentários idiotas. Isso explica um dos motivos da seção de comentários daqui ser boa, estimula o debate e a discussão.

  18. O que foi exatamente esse PAEG feito no comecinho do governo militar brasileiro? Procuro e procuro na rede, e expressões como a “inflação de custos” são mencionadas com frequência, assim como algumas expressões como “inflação inercial”. Alguma coisa foi feita (pelo menos foi o que vi neste artigo), pois para um país ter tido aquele impulso do milagre econômico, precisa de alguma “base”. Um país em frangalhos não consegue ter uma expansão gigantesca que o Brasil teve. No ano de 1964, o PIB per capita estava em pouco menos de US$ 4000. Em 1980, já estava em quase US$ 8000. Depois estagnou e só teve um aumento real depois do Plano Real. Se ele estagnou, então pode-se dizer de que algo errado estava ocorrendo, não?

    Até o momento, descobri essas coisas que foram feitas nesse início de regime:

    – Introduziu os títulos federais com correção monetária, de valor atualizado trimestralmente. Eram denominados “Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional” (sigla ORTN). Surge uma nova forma de financiar os déficits do governo, diminuindo a chamada monetização de déficits (imprimir dinheiro para pagar déficits). Os títulos já existiam, mas não tinham esse mecanismo. Uma das finalidades era de reduzir a inflação de preços.

    – Centralizar os impostos e tornar a “arrecadação” mais eficiente (foi aí que nasceu a atual Secretaria da Receita Federal). Parte considerável do financiamento estatal à época vinha por pura impressão de dinheiro. O resultado é que a carga tributária aumentou. Ela subiu de 15% em 1963 para 21% do PIB em 1967. Havia sido criado também o ICM, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias.

    – Imposição do FGTS, sigla para Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Na prática, foi uma troca: com o FGTS, eles eliminaram o bizarro artigo 492 da CLT, que previa estabilidade a quem ficasse mais de 10 anos na mesma empresa (era pior do que eu imaginava). Com isso, criaram também o BNH, o Banco Nacional da Habitação, uma estatal para financiar imóveis, décadas depois extinta e tendo essa função cumprida pela Caixa Econômica Federal. O FGTS servia para financiar também esses imóveis.

    Em algumas fontes, foi dito de que o salário mínimo real caiu nesse período, além de terem usado as expressões “arrocho salarial”. Mas esperem um pouco: se o PIB per capita aumentou tanto nesse tempo, como é que se pode dizer de que os salários foram prejudicados? Ok, o PIB per capita é imperfeito, mas é um mensurador relevante. Pelo menos deve ser praticamente impossível achar o salário médio brasileiro, de cada ano, em cruzeiros (Cr$).

    De tudo que procurei (até arquivo do programa em si, eu achei), não encontrei nada mencionando o que eu esperava: um ajuste baseado no corte de despesas, burocracias e impostos. Só informações picadas. Uma suspeita: dado de que a inflação de preços nesse período era continuamente alta (embora ela tenha diminuído bastante depois de 1964, estava longe do satisfatório), pior do que na era petista, então foi feito quase nada, correto? Por exemplo, olhem a inflação pornográfica no período.

    O Roberto Campos era liberal, mas ele fez pelo jeito pouca coisa…

    PS: Pena existir apenas um Leandro Roque. Só ele consegue conhecer a economia brasileira com profundidade, e explicar isso de maneira extremamente didática.

  19. Diante do colapso do sistema financeiro mundial. Quais os impactos de um calote do governo americano e seus efeitos no dólar nas transações comerciais? E o que aconteceria com as reservas internacionais do Brasil que corresponde mais de 90% em títulos americanos? Com a crise a permanência do câmbio flutuante seria descartada para um currency board (Câmbio Fixo)? é qual seria a ancora para esta estabilização cambial(Franco suíço, prata, ouro, rublo, libra)? Com a expansão monetária dos Banco Centrais a utilização do deposito compulsório de 100% se mostraria eficaz na diminuição da base monetária e quais as consequência para os grandes bancos diante desta ação?

  20. O PAEG ele basicamente preparou o terreno para o crescimento economico, dado que ele deu uma ajustada nas contas públicas reduzindo a inflação e trouxe melhorias institucionais ao país como a criação do Banco Central.

    Isso abriu caminho pra que no momento seguinte ocorresse o milagre economico, com o pais avançando na industrialização.

    Para mim o maior pecado do período do milagre foi nao ter investido em educação de maneira a contento, até saúde foi um pouco negligenciada no período. Não há milagre, literalmente, que faça uma economia perpetuar crescimento sem mdo qualificada. Isso junto com questoes mais conjunturais como os dois choques do petroleo, alto endividamento externo (tb poderia ter sido melhor moderado o incentivo ao K estrageiro), o esgotamento do modelo (não havia mais tanta mdo livre disponivel do campo para migrar para cidade) e contas públicas em frangalhos fizeram a crise dos anos 80.

    Colocaria ainda outro fator na jogada. A elevada concentração de riqueza no campo. A nossa carga historica do patrimonialismo portugues nos prejudica há séculos. Citando uns nomes como Barbalhos, Sarneys, Caiados são famílias que desde os tempos da Coroa mandam e desmandam nesse país e tiveram sua ascenção galgadas na política de colonização de exploração latinfundiária aqui implementada e perpetuada (diferentemente do historico mais voltados a minifundios e de ocupação como EUA e Austrália). Essa turma sempre foi amiga do Rei e permanece sendo, cabrestando o povo desde séculos.

    Com relaççao ao PIB crescer mesmo com redução salarial, cabe destacar que pelo lado da renda o PIB é composto por salários, lucros, alugueis e juros. O PIB cresceu em cima das outras componentes

    Por fim : recomendo livro Economia Brasileira Contemporanea do Giambiagi (um dos poucos liberais de respeito neste país) livro de muito fácil leitura voltado para todo tipo de público.

  21. alguém teria uma ajuda para alguém que não conhece o sistema de ativos,passivos,títulos,rolar dívidas,taxa selice etc ?

    Eu sou anarcocapitalista,mas essas questões mais técnicas,quando vejo artigos sobre elas,sempre começam com todos os termos,não consigo achar algo mais introdutório

  22. O PIB tem três óticas distintas (as três tem que dar o mesmo resultado financeiro) e cada ótica tem suas componentes

    As 3 óticas são através da despesa, oferta e renda.

    A da despesa é o famoso: C+I+G+(X-M)

    Consumo, investimento, gasto governamentais, exportação – importação

    A da oferta é o somatório de todos os produtos finais da economia, ou seja, tudo que é produzido deduzido dos bens intermediários (do contrario haveria dupla contagem). São contas bem complexas envolvendo operações matriciais.

    E por fim, a ótica da renda que envolvem os salários, lucros, aluguéis e juros. E quando indica salários aqui são todos os salários incluindo setor público e setor privado e de todos os níveis salariais.

    O importante é notar que a única componente ligada à pessoas que não possuem patrimonio é a do trabalho. Quem tem patrimonio e investe aufere lucro, juros e/ou renda de aluguel, quem nao tem, os trabalhadores, auferem apenas o salário.

    Entao quando o PIB per capita cresce com os salários per capita caindo significa que há uma maior concentração do PIB em lucros, juros e alugueis per capita, o que mostra uma maior concentração de renda.

    Ademais, perceba que a massa salarial pode crescer mesmo com a queda do salário per capita, basta reduzir o desemprego. Mas tenha em mente que na época, o exodo rural era muito forte, gente que trabalhava no campo com a propria subsistencia ou quase escravidão passou a ter emprego e salário nas cidades

    Há de convir que com o aparato institucional vigente à época do Milagre Economico era mais fácil manter a média salarial baixa, isso aumentou o lucro e o incentivo ao investimento e assim o PIB disparou.

    Por fim, quando se fala de ajuste nas contas (públicas), quer dizer que houve uma redução do deficit público, seja aumentando impostos, seja cortando despesas ou ambos. Sinceramente não lembro qual dos dois foi o mais forte praquele período.

  23. Cassio Fernandes

    No passado eu tb acreditava que a bolha iria estourar nos EUA, isso seria em teoria o que deveria acontecer. MAs o dolar alem de moeda eh um produto de demanda alta, pois nao ha outra alternativa. O ouro eh escasso para a economia mundial. Uma utopia.

    Trump como um investidor imobiliario. sabe que para vender seu Imovel, mesmo endividado, deverah ser reformado, renovado e valorizado. Foi o que fez, transmitiu uma imagem de poder militar, investindo forte na area energetica e produtiva, baixou impostos para demonstrar que seu Imovel eh atrativo forte e promissor.

    Esse eh o lastro dos EUA . O berco da democracia e liberdade, seguranca belica e de mercado. Onde mais investir em massa ?

    Muitos diziam que CHina seria o novo centro do mercado e sua moeda seria a moeda de troca mundial, mas o que garante que teu investimento na CHina poderah ser confiscado a qualquer momento ?

    A economia nao se baseia soh em numeros e graficos, mas tb em psicologia de mercado. Uma prova foi dada pelo Bitcoin, que nao tem valor intrinsico algum nem lastro , mas seu valor tem como lastroa uma percepcao psiologica e especuladora. Um bem altsamente instavel.Teve seu valor aumento devido aa inseguranca economica mundial.

    Se a democracia americana continuar solida, seu poder miliar forte e seu poder economico continuar dominante e serio, o dolar continuarah com a demanda forte e seu valor continuarah forte.

  24. Há quem aposte que o dólar vai virar pó.

    acertarnamosca.blogspot.com/2020/08/o-dolar-vai-virar-po.html?m=1

    “A hegemonia de uma moeda não termina da noite para o dia, vai acontecendo de forma lenta. Em contra partida, é necessário que surja uma substituta e a única que me parece em condições seria o Yuan, todas as outras tem problemas tão sérios como o dólar.”

    No site do fed há dados sobre a economia americana: dívida total, % do pib, etc

    Alguém aqui sabe onde há esses dados sobre a China: dívida pública total, % do pib. Dívida interna x externa?

  25. "Um ponto essencial na filosofia social do intervencionismo é a existência de um fundo inesgotável que pode ser espremido para sempre. Todo o sistema colapsa quando a fonte é drenada e o princípio do Papai Noel se liquida."

    Mises

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  26. “Por isso, aqueles Bancos Centrais que tentarem copiar o que o Fed está fazendo, ignorando que a real demanda por suas respectivas moedas é muito menor que a demanda pelo dólar americano, farão apenas com que os investidores locais e estrangeiros abandonem ainda mais estas moedas, por causa do risco inflacionário. Isso poderá piorar ainda mais a desvalorização cambial.”

    Seria o caso de atualizar o artigo? O BCB copiou algumas políticas do Fed e agora os resultados estão cada vez mais evidentes.

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