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Os 25 anos do real: os preços regulados pelo governo subiram muito mais que os preços de mercado

A moeda é monopólio do governo. O governo está no completo controle da moeda. Sendo a moeda um monopólio do governo, a qualidade da moeda será diretamente proporcional à qualidade do governo que a gerencia.

Se o governo tem uma política fiscal ruim, se ele não gera confiança nos investidores e nos consumidores, se ele trava os investimentos, se sua política creditícia é ruim, e se ele é visto como relutante em atacar seu déficit e estancar o crescimento da dívida, então sua moeda será fraca (será pouco demandada mundialmente) e, consequentemente, o poder de compra dela será declinante.

Logicamente, uma sucessão de governos ruins será fatal para a qualidade de uma moeda.

Nós brasileiros somos vítimas diretas do que os sucessivos governos fizeram com o nosso dinheiro.

A destruição do real

Segundo as estatísticas do próprio governo — o IBGE e seu Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) —, aquilo que custava R$ 100 em 1º julho de 1994 passou a custar R$ 613,55 em 30 de novembro de 2019. Um aumento de 513,55% em 25 anos.  Uma taxa média de 7,5% a cada 12 meses.

Isso significa que para adquirir a mesma quantidade de mercadorias e serviços que R$ 100 compravam em 1994, o consumidor precisa desembolsar R$ 613,55, um valor quase seis vezes superior.

Falando de outra maneira, desde 1º de julho de 1994 até 30 de novembro de 2019, o real já perdeu 83,7% do seu poder de compra. 

(A matemática é simples: em julho de 1994, R$ 100 compravam Y.  Isso significa que R$ 1 comprava (1/100) Y.

Atualmente, são necessários R$ 613,55 para comprar esse mesmo Y, o que significa que R$ 1 compra (1/613,55) Y. 

Fazendo-se a conta do valor final (1/613,55) menos o valor inicial (1/100), e dividindo o resultado pelo valor inicial (1/100), tem-se o percentual de 83,7%, que foi a perda do poder de compra da moeda.)

Na prática, essa perda de quase 84% no poder de compra significa que uma nota de R$ 100 hoje tem o mesmo poder de compra que R$ 16 em julho de 1994.  Isso é uma destruição significativa.

Para se ter uma ideia, neste mesmo período, a inflação de preços acumulada nos EUA foi de “apenas” 73,32% (contra 513,55% no Brasil).  Aquilo que custava US$ 100 em 1º julho de 1994 passou a custar US$ 173,32 em 30 de novembro de 2019.  Uma média de 2,22% a cada 12 meses (contra 7,5% no Brasil).

Nem toda destruição é igual

Mas, em meio a esses escombros, há detalhes interessantes — os quais, porém, não deveriam surpreender ninguém que conheça o básico sobre economia.

O IBGE divulga vários componentes que formam o IPCA. Para começar, há o componente “preços livres” e há o componente “preços monitorados”.

O componente “preços livres”, como o próprio nome diz, engloba todos aqueles itens cujos preços são livremente formados no mercado.  Exemplos:

Alimentos industrializados e semi-elaborados. Artigos de limpeza, higiene e beleza. Móveis. Utensílios domésticos. Equipamentos eletro-eletrônicos. Automóveis. Produtos de cama/mesa/banho. Bebidas. Roupas. Material escolar. Matrícula e mensalidade escolar. Cursos. Produtos in natura. Alimentação fora de casa. Aluguel. Consertos domésticos. Seguro de carro, conserto de carro, lavagem de carro, e estacionamento. Recreação e cultura. Dentistas e todos os tipos de serviços pessoais.

Já o componente “preços monitorados” engloba todos aqueles itens cujos preços são determinados pelo governo via agências reguladoras, estatais e portarias do Ministério da Fazenda. Exemplos:

Todos os tipos de serviços públicos. Taxa de água e esgoto. IPTU. Gás de bujão. Energia elétrica. Ônibus urbano. Ônibus intermunicipal. Metrô. Gasolina e óleo diesel. Planos de saúde. Tarifas de celular e de telefonia fixa. Pedágios. Remédios e outros produtos farmacêuticos. Licenciamento.

O gráfico abaixo mostra a evolução destes dois componentes (veja aqui as taxas mensais de inflação de ambos). Parte-se da base 100 em junho de 1994, o que significa que ambos os componentes custavam R$ 100 em 1º de julho.

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 Gráfico 1: encarecimento dos bens e serviços cujos preços são livres (linha azul) e dos bens cujos preços são regulados pelo governo (linha vermelha)

Observe que o agrupamento de bens e serviços cujos preços são regulados pelo governo encareceu acentuadamente mais do que o agrupamento de bens cujos preços são estipulados pelo mercado.

Em média, um bem ou serviço regulado pelo governo que custava R$ 100 em julho de 1994 passou a custar R$ 950 em novembro de 2019. Encarecimento de 685%.  Média de 9,42% a cada 12 meses.

Já um bem ou serviço regulado pelo mercado que custava R$ 100 em julho de 1994 passou a custar R$ 540 em novembro de 2019. Encarecimento de 440%.  Média de 6,98% a cada 12 meses.

Algumas curiosidades:

1) A primeira fase do Plano Real, que tinha uma moeda realmente forte, com o câmbio atrelado ao dólar, foi bastante eficaz em domar os preços livres.  De 1996 até o final de 1998, os preços livres (linha azul) demonstraram uma estabilidade que nunca mais seria repetida após 1999, ano da adoção do câmbio flutuante.  Por que o câmbio flutuante não é propício a gerar preços estáveis em países ainda em desenvolvimento foi explicado em detalhes neste artigo.

2) Repare a pequena ‘deflação’ na linha vermelha ocorrida no início de 2013. Foi quando Dilma reduziu na caneta o preço da energia elétrica. E também congelou o preço da gasolina em um momento em que o dólar estava encarecendo aceleradamente.  Isso foi um fator decisivo que nos trouxe à situação em que estamos hoje.

3) À exceção dessa lambança feita por Dilma em 2013, não parece haver nenhum critério específico na maneira como o governo regula os preços monitorados. Eles estão sempre subindo mais aceleradamente que os preços livres.

4) Como ensina a teoria econômica, aqueles bens e serviços que são ofertados em um mercado concorrencial sempre têm seus preços restringidos pela ação dos consumidores (que podem comprar ou se recusar a comprar). 

Já aqueles bens e serviços ofertados em mercados regulados e fechados pelo governo — os quais na prática são fornecidos por empresas que usufruem um monopólio concedido e protegido pelo governo, como empresas de ônibus, de saneamento, de eletricidade, telefônicas, planos de saúde, postos de gasolina, TV a cabo, internet etc.— podem encarecer continuamente sem qualquer represália. O governo acorda os preços com as empresas protegidas (dentre elas várias estatais) e o consumidor simplesmente não tem o que fazer nem para onde ir.

5) Dentre os preços livres, temos de levar em conta que:

5.a) boa parte da alta advém dos alimentos, que estão sujeitos não apenas a fatores climáticos, como também, e principalmente, à taxa de câmbio: quanto mais desvalorizado o câmbio, maior o incentivo à exportação de alimentos, menor a oferta de alimentos no mercado interno, maiores os seus preços.

5.b) praticamente todos o produtos industrializados e manufaturados nacionais são protegidos por altas tarifas de importação. Não fosse esse protecionismo, seus preços seriam bem menores.

6) Ainda assim, se pegarmos aqueles bens e serviços que são ofertados em regime concorrencial, inclusive os próprios alimentos, eles são os que apresentaram o menor encarecimento dentre todos.

O gráfico abaixo mostra a evolução dos preços dos “artigos de residência”, que englobam eletrodomésticos e equipamentos, TV, som e informática, mobiliário, utensílios e enfeites, cama, mesa e banho, e consertos e manutenção; do “vestuário”, que engloba roupas masculina, feminina e infantil, calçados e acessórios, jóias e bijuterias, tecidos e armarinho; e dos alimentos e bebidas.

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 Gráfico 2: encarecimento dos bens e serviços para casa (linha vermelha), do vestuário (linha azul), e dos alimentos e bebidas (linha verde)

Compare com o gráfico 1 e veja como estes itens subiram bem menos. Com efeito, nota-se que o item “preços livres” foi puxado quase que majoritariamente pelos alimentos — que, como dito, estão sujeitos não apenas a fatores climáticos, como também, e principalmente, à taxa de câmbio: quanto mais desvalorizado o câmbio, maior o incentivo à exportação de alimentos, menor a oferta de alimentos no mercado interno, maiores os seus preços.

Móveis, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, utensílios, enfeites, cama, mesa e banho, consertos e manutenção doméstica (este certamente foi o item que mais puxou para cima) que custavam R$ 100 em julho de 1994 custam hoje R$ 268.  Encarecimento médio de 4,02% a cada 12 meses.

Roupas, tecidos, jóias e bijuterias que em julho de 1994 custavam R$ 100 custam hoje R$ 380.  Encarecimento de 5,48% a cada 12 meses.

Já aqueles alimentos e bebidas que custavam R$ 100 em julho de 1994 custavam R$ 585 no fim de novembro. Encarecimento de 7,32% a 12 meses bem menos que os bens e serviços regulados pelo governo, que encareceram 9,42% a cada 12 meses.

O fato de todos estes itens — alimentação e bebidas, artigos de residência e vestuário — terem encarecido bem menos que os bens e serviços regulados pelo governo nos leva a uma ironia é inevitável: um item essencial à vida, como alimentação, que está a cargo do mercado, encareceu bem menos que coisas como tarifas de celular e de ônibus (para não dizer dos remédios e planos de saúde), cujos preços são regulados pelo governo. 

Logo, a ideia de que o governo protege os consumidores e é necessário para impedir que o povo seja explorado pelos “gananciosos capitalistas” não só é errada, como está completamente invertida: é o governo quem realmente ferra o povo, ao passo que os capitalistas fornecem os bens e serviços que menos encarecem.

Uma observação sobre juros

Imagine que você vá emprestar dinheiro para alguém. De posse do gráfico 1, você sabe que os preços daqui a um ano ou daqui a vários anos (dependendo do prazo do empréstimo) estarão substantivamente maiores. Esse sempre foi o histórico do Brasil. Nossa moeda nunca permitiu que os preços se comportassem civilizadamente. Como você agirá?

É claro que você embutirá nos juros cobrados essa incerteza em relação à carestia. Por exemplo, como visto, os preços controlados pelo governo provavelmente subirão a uma taxa média de 9,42% a cada 12 meses. Logo, uns 10% ao ano é o mínimo que você deveria cobrar apenas para manter seu poder de compra

Acrescente a isso o fato de que você quer ter algum lucro, o fato de que você quer ser compensado pelo tempo em que ficará sem seu dinheiro, e o fato de que o tomador de empréstimo já está bastante endividado (o que gera alguma incerteza quanto à sua solvência), e você começará a entender por que os juros bancários são altos no Brasil.

Eis uma conclusão importante: juros altos são, acima de tudo, consequência de uma moeda que continuamente perde poder de compra. Sim, um governo gastador, endividado e com orçamento desequilibrado também impulsiona os juros de uma economia (pois ele está continuamente pegando empréstimos para fechar seu orçamento), mas, ainda assim, o principal sustento dos juros altos é a fraqueza da moeda.

Juros altos são a consequência de uma moeda que perde poder de compra. 

Conclusão

O governo, que detém o monopólio da moeda, é um impiedoso destruidor da mesma. Mas nem toda a destruição é igual.

Setores que operam sob concorrência oferecem os bens e serviços cujos preços foram os que menos subiram nos 25 anos de real. 

Mesmo com o explosivo crescimento da quantidade de dinheiro na economia nestes 25 anos — que cresceu a uma taxa média de 18% ao ano —, a concorrência neste setor conseguiu conter os preços, fazendo com que seu encarecimento ficasse confinado, como mostra o gráfico 2, a algo entre 4 e 7% ao ano. Isso é um feito e tanto.

Em contraste, bens e serviços ofertados por setores regulados pelo governo e blindados da concorrência por meio de agências reguladoras conseguiram extrair preços cada vez mais altos da população. E com uma qualidade, no mínimo, insatisfatória.

Ao passo que bens cada vez mais demandados pelo povo — como TVs, smartphones, geladeiras, eletrodomésticos, computadores, notebooks e todos os tipos de vestuário — foram os que menos encareceram, bens e serviços ofertados sob intensa regulação do governo — como planos de saúde, remédios, passagens de ônibus, energia elétrica, telefonia, TV a cabo, gasolina e diesel, pedágios, gás de bujão, taxa de água e esgoto etc. — foram os que mais dispararam.

Mesmo alguns itens que são considerados “preços livres”, como mensalidade escolar (que estão entre as que mais subiram nos preços livres), operam sob um regime de proteção estatal. Afinal, a partir do momento em que o governo decreta ser obrigatório matricular seu filho em uma escola — sob pena de encarceramento caso você não o faça —, está criado um mercado cativo, cujos serviços devem ser compulsoriamente consumidos.  Sob esse arranjo cartelizado pelo estado, impossível os preços não dispararem.

Realmente, não é nada complicado. Se você quer bons serviços, bons produtos, idéias inovadoras e preços contidos, você tem de ter mercados livres e concorrenciais. Você tem de ter liberdade de entrada em todos os setores. Você tem de abolir as barreiras regulatórias erigidas pelo governo, as quais servem apenas para proteger as empresas reguladas, garantindo-lhes um mercado cativo e monopolista.

Quanto mais o governo controla, maiores serão os preços, e mais insatisfatórios serão os serviços.

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Leia também:

O que realmente faz com que os preços subam continuamente? Eis a explicação para o Brasil

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179 comentários em “Os 25 anos do real: os preços regulados pelo governo subiram muito mais que os preços de mercado”

  1. Traduzindo: Uma nota de 100 Reais, que conseguia encher de comida um carrinho de supermercado lá em 1994, mal dá pra comprar um marmitex com suco em pleno 2019.

    Ou então, é como se eu fosse voltar ao passado, pegar uma nota destas de 1994, cortar em 6 partes, e uma destas partes seria a nota de 100 Reais de 2019.

    E ainda tem economista que comemora esse disparate.

  2. Aproveitando o tema, vocês viram que foi só o Banco Central parar com aquelas intervenções atabalhoadas no câmbio (vendia spot e comprava futuro), que o dólar rapidamente desabou?

  3. Esse tipo de texto deveria ser de obrigatório entendimento para se começar o ensino médio, para tomar posse no congresso e câmaras estaduais e municipais, no STF e STJ, pra ser presidente da república, governador e prefeito.

    Aí daria pra ver um pingo de esperança pra esse país!

  4. Quanto maiores são as grandezas, mais as coisas vão se tornando espantosas. Um apartamento que hoje custa R$ 1 milhão custava R$ 167.500 em 1994.

    Falando de outra maneira, quem guardou R$ 167.500 em 1994 achando que compraria um apartamento de luxo no futuro (algo que conseguia comprar tranquilamente com esse valor naquela época) não consegue nem comprar um utilitário hoje com esse valor.

  5. Uns 3 anos atrás um economista americano divulgou um estudo onde ele avalia a carestia de produtos/serviços americanos entre 1996 a 2006. “Coisas que realmente precisamos estão ficando mais caras enquanto outras superficiais estão mais baratas” basicamente essa foi a chamada da matéria nos veículos da mídia por lá.

    Segundo o próprio autor do estudo o motivo é claro:

    “International, global competition lowers prices directly from lower-cost imported goods, and indirectly by forcing U.S. manufacturers to behave more competitively, with lower prices, higher quality, better service, et cetera,

    .

    Prices rise when [health care and college] markets are not competitive and not exposed to global competition … and prices rise when easy credit is available.”

    http://www.washingtonpost.com/news/wonk/wp/2016/08/17/the-stuff-we-really-need-is-getting-more-expensive-other-stuff-is-getting-cheaper/

  6. Em busca da verdade

    Teve uma época em que os preços monitorados, especialmente da gasolina, subiam só um pouquinho, gov Dilma. E a Petrobras pagou a conta, quase falindo.

    Hoje ela segue a cotação internacional, para derivados do petroleo e gás, o que tem resultado em aumentos muito maiores e tornado a vida dos caminhoneiros um inferno. Privatizar não vai adiantar nada, pq a cotaçao é internacional.

    Vc querem então a volta do congelamento? Quando sobe mt vcs criticam, quando sobe pouco, criticam 10x mais.

    Vai entender… Alias, o que vcs querem é simplesmente que o Estado não gerencie mais nada. Não importa se o preços subirem 10x mais. Só importa que o Estado não regule nada. Esse é o ponto. Não tem nada a ver com suposta preocupação com o bolso do consumidor.

  7. Lembrei de um artigo similar publicado pelo Leandro anos atrás.

    Leandro, não sei se você viu a entrevista do Paulo Guedes ao O Antagonista semanas atrás, mas lá ele disse que o Real estava “sobrevalorizado” antes (não sei se ele estava se referindo ao Plano Real original e/ou aos anos no governo Lula), como se isso fosse algo ruim. O que você acha disso?

  8. 130 anos de república já somam mais de 6,5 trilhões de % em inflação. Os cálculos estão na internet. Pesquisem. Já nos 67 anos de império tivemos uma média anual de 1,58% de inflação dando inflação de 286% em 67 anos. O poder moderador de Dom Pedro II recebia 67 contos de réis por mês durante 49 anos e sem aumentos. Com esse dinheiro ele doava a metade para pagar os estudos de 409 brasileiros durante esses 49 anos de segundo reinado. Durante os 6 anos da guerra do Paraguai Dom Pedro II doava outros 25% para custos de guerra.

    O império foi o único governo que deu certo por aqui. E a república nitidamente falhou em tentar ser melhor do que o império.

  9. Outro adendo interessante é a questão das mensalidades das faculdades privadas. Depois que o governo inventou o FIES (que na prática representa uma clientela crescente, cativa e garantida para as faculdades) as mensalidades explodiram.

    Outro exemplo de preços livres inflacionados por uma atuação estatal (subsídios).

  10. Infelizmente não há solução realista para o problema levantado pelo artigo. Se fosse implantado um Currency Board conforme o articulista defende, os juros disparariam devido aos déficits incontroláveis do governo. Uma moeda eternamente forte no Brasil geraria uma recessão profunda e perene devido a este motivo, inclusive no câmbio flutuante pois juros extremamente altos teriam que ser a norma. Seria necessário calotear toda a dívida pública, proibir a emissão de novos títulos da dívida publica e adicionalmente calotear o INSS para reduzir os gastos do governo, para que finalmente houvesse superávit nominal e para que uma moeda forte pudesse existir sem efeitos colaterais. Quem faria isso? O Brasil não tem solução viável.

  11. Pessoas, uma coisa realmente interessante da Argentina é com relação ao mercado de carros. Além disso, vou abordar outras questões nas quais o país pequenino é superior ao Brasil, apesar de muitas décadas de peronismo e desastres seguidos. Alguém que já morou na Argentina e/ou mora, pode acrescentar detalhes se quiser.

    Li essas duas colunas de 2008 de um site de carros o qual eu simplesmente amo, e notem que interessante nesses trechos:

    “O trânsito da capital (com base em viagens anteriores, pois nesta não dirigimos lá) não é muito diferente do que vemos em nossos grandes centros, mas se nota a ausência de lombadas, mesmo nas estreitas vias de Bariloche. Nem por isso se vê alguém em velocidade incompatível com a condição: seria o brasileiro tão mal-educado ao volante em relação ao argentino? “

    De fato eu nunca entendi esse tesão por lombadas que muitos brasileiros possuem. Alguma besta quadrada decide não respeitar o “PARE”, faz uma cagada, e então esse mesmo idiota vai lá e pede para que coloque semáforo. Ou lombada. O padrão é sempre o mesmo. Na Flórida eu vi algumas, mas são lombadas extremamente bem-sinalizadas e bem suaves. Um único trecho que achei irracional ter colocado lombadas foi em um trecho por onde passa por cima de uma linha férrea. Alguém pode me explicar o motivo de existir esse amor por lombadas por aqui?

    Outra surpresa da mesma coluna:

    “O mercado argentino consumiu 50 mil carros em agosto e 447 mil nos primeiros oito meses do ano, total que o brasileiro atinge em menos de dois meses. Apesar dessa inferioridade em volume, conta com marcas que não atuam no Brasil, como a espanhola Seat, e com vários modelos não disponíveis aqui por importação oficial, casos de Chevrolet Corvette, Honda Legend, Toyota Avensis, Renault Laguna, o conversível Peugeot 207 CC, a minivan Volkswagen Sharan, o Mini da BMW, uma ampla linha Alfa Romeo (159, Brera, GT, Spider) e os Fords Mondeo e S-Max — eles não têm o Fusion, mas aposto que não faz falta, a julgar pelos Mondeos que a Ford usou para transporte de seus diretores durante o evento. “

    Alguns motivos foram expostos posteriormente na própria coluna. Mas deve haver outros. Por que será?

    Nesse artigo que traduzi semanas atrás sobre a Argentina, foi dito de que o argentino médio é culto. Me lembrou de quando o Leandro disse de que o francês é culto. Seria essa uma herança dos tempos de ouro da Argentina, lá do fim do século XIX até a segunda metade do século passado?

    Até o Gol maquiado (chamado de “G4”) de lá era superior ao vendido aqui.

    Surpreendente é que o PIB per capita argentino é maior que o brasileiro (US$11 626,90 contra US$8967,90). Também a taxa de desemprego é menor (9,5% contra 12,5%). Neste último aspecto, até o Paraguai está melhor (apesar de ainda ser bem mais pobre do que o Brasil). Em qualidade de infraestrutura, a Argentina está com pontuação de 3,6 de 7 (e na 92ª posição), enquanto o Brasil está com pontuação de 3 de 7 (e na 116ª posição). Falando de ensino, além do fato da Argentina ter prêmios Nobel (e o Brasil não existir nenhum), a Argentina supera em habilidades de graduados (com 4,2 pontos de 7), estando na 61ª posição; enquanto o Brasil tem 3,2 pontos de 7 e está na 131ª posição.

    Em abertura comercial, a Argentina é também superior. Está na 111ª posição, enquanto o Brasil está na 125ª posição. Essas informações podem ser conferidas nesse relatório.

    O Leandro, que eu sei que é um austro-entusiasta de carros, pode talvez também nos ajudar nessa. Após o desastre argentino no começo dos anos 2000, o Peso Argentino era um câmbio flutuante já, dos Kirchner até o governo Macri? Depois do colapso em 2002, como é que ainda houve tantas opções de carros diferenciados?

  12. A história da moeda no Brasil é uma longa era de trapalhadas seguidas de pequenos intervalos com um pouco mais de moderação e o ciclo se repetindo.

    A atual fase (pós 1994), é o período mais longo de inflação abaixo dos 20% ao ano. São cerca de 24 anos. A outra longa fase, foi após a crise do encilhamento e o período durou de 1898 à 1914. É engraçado como os períodos foram inclusive parecidos, nesse ano de 2019 é a primeira vez em que a economia começou a crescer sem impulsos do governo. O crescimento nos anos anteriores à primeira guerra mundial também foi em grande parte impulsionado pelo investimento estrangeiro e nacional, bastou estabilizar a moeda e conter os gastos do governo que o crescimento veio (o governo iniciou uma forte redução dos gastos já em 1898, o câmbio foi flutuante de 1898 à 1906 e fixo de 1906 à 1914).

    No entanto, naquela época o investidor nacional e principalmente o estrangeiro não cogitava um confisco direto ou indireto dos seus investimentos, daí os fortes investimentos infraestrutura da época, mas depois a situação piorou e muito. Após o crescimento exagerado dos gastos, dos impostos e da inflação, um breve suspiro de 1926 à 1930 trouxe a estabilidade da moeda novamente. Depois disso, tudo foi por ladeira abaixo. Tivemos confiscos, revoluções, hiperinflação, estatizações, controles de preços…

    Hoje, é complicado, após tantos anos de lambança, como fazer o investidor mudar de ideia e enviar seus milhões de dólares, libras, euros ou francos para cá? Alguém seria realmente sensato de fazer isso?

    Eu realmente sou do time do real-ouro, mas todos nós somos uma minoria, a maioria quer câmbio flutuante…

    vamos aguardar os próximos episódios…

  13. Caro Felipe, a Argentina sempre foi mais forte que o Brasil na questão automotiva. O automobilismo la sempre é mais forte, existem diversas categorias que funcionam e dão certo, se popularizam e se tornam verdadeiras academias de pilotos.

    Talvez isso se deve pelo fato de Juan Manuel Fangio e Carlos Reutemann terem sido ídolos dos argentinos. Só Fangio, ganhou 5 títulos de formula 1, sendo 4 deles em CARROS DIFERENTES!!

    Isso bem no começo da F1!

    Basta ver como o automobilismo no Rio Grande Do Sul é forte, justamente por ser colado com a Argentina e ter influencia.

    Acho que por isso Argentino gosta mais de carro, eles apresentam mais interesse em carros especiais e esportivos, diferente do Brasileiro que apenas pensa em ter um SUV do ano, joga dinheiro no lixo comprando carro 0km a cada 2 anos no máximo.

    Mas nem tudo é flores, depende como você olha, la os carros FRANCESES por exemplo são muito mais respeitados e por isso são carros muito demandados por Argentinos, diferente do Brasileiro que pegou bode de carro francês.

    La por exemplo não tem a marca japonesa SUBARU, enquanto aqui no Brasil tem e vende relativamente bem até.

    Carros Europeus são mais onipresentes la, enquanto Japoneses são mais onipresentes no Brasil.

  14. Leandro, você poderia escrever um artigo analisando o projeto político do Enéas Carneiro?! Sei que é bastante intervencionista, envolvendo, inclusive, moratória temporária da dívida, bem como – igualmente temporário – controle de preços e salários, além de uma grande estatização da economia e um imposto absurdo sobre as transações financeiras. Mas há alguns pontos bastante interessantes, como a criação de uma nova moeda lastreada em metais abundantes no Brasil e raros no exterior – como o Nióbio -, um sistema educacional mais livre, um direcionamento da indústria e da agricultura para o mercado interno via política externa – mesmo com subsídios -, etc. Acredito que com os devidos ajustes seria o melhor projeto político para o Brasil desde a proclamação da República. Poderia tratar a respeito?!

  15. este artigo do leandro chegou na hora certa, e coroa um ano inteiro de conversas e debates sobre este caos onde fomos lançados. o que ele nos mostrou são fatos. não podem ser contestados. mas aí é onde está o problema: zilhões de ilustres representantes da sub-raça brazilêira, quando confrontados com as evidências, simplesmente as ignoram, vítimas do perigosíssimo duplipensar orwelliano, onde um infeliz, com cérebro de minhoca, consegue aceitar duas crenças mutuamente contraditórias e exclusivas como se fossem verdadeiras. durma-se com um barulho desses. como falou alguém que não lembro agora, “digamos que estamos apenas fritos”.

  16. Pessoal, dado de que um câmbio desvalorizado não estimula exportações mas… quando a moeda é um lixo, muitas pessoas preferem exportar e adquirir o dólar americano. O fato de haver essa maior procura pelo dólar não é em si um estímulo às exportações? Ou um câmbio afundando propicia exportações apenas em certos setores na economia?

  17. Infelizmente a sociedade brasileira ainda não compreende o básico da economia, algo que deveria ser obrigatório em todas as escolas publicas e privadas. Isso sim modificaria a vida das pessoas e traria igualdade a todas. Tive uma professora de matemática que sempre falava que o objetivo dos governos é não ensinar à população como a politica e economia de um país funciona a fim de justificar qualquer ato do mesmo sem a revolta da população.

  18. Caro Lucas, acredito que ela não estava errada não. Tenho um filho de 6 anos que já tenho ensinado a ele algumas coisas básicas sobre economia e a demanda infinita de trabalho…lembro-me até hoje do dia em que ele ficou fascinado ao ver um Porshe e um Camaro andando juntos, e ele é apaixonado por carros, ele ficou admirando os carros no semaforo e depois enquanto trafegavam e aí ele me olha com uma cara de “desapontado” e inicia um diálogo:

    -Pai, por que você não tem um carro esportivo igual o Porshe ou o Aston Martin?

    -Porque o papai não tem dinheiro pra comprar filho.

    -Mas você não trabalha?

    -Sim, trabalho.

    -E por que você não tem dinheiro e aqueles outros tinham pra poder comprar?

    -Porque o salario do papai no final do mês não dá pra comprar o carro.

    -E por que o seu salário não dá, mas o deles dá?

    -Porque o papai é assalariado, filho. Eu trabalho em uma empresa.

    -E eles, onde eles trabalham?

    -Provavelmente eles são donos de uma empresa! (Ele gosta muito de aviões também) Então, lembra que eu falei antes… se você quiser ter um carro desses, você não pode consertar aviões, você deve ter uma empresa que “constrói” aviões, e depois de construir, os aviões tem de ser muito bons, e aí você VENDE os aviões, depois que você vender, aí você terá muito dinheiro pra poder comprar um carro esportivo.

    Tive que explicar o mais simples possivel dentro da lingugem e universo dele… mas essa foi uma das boas conversas que tive com ele, para a arvore crescer deve-se plantar, e CULTIVAR, sozinha ela cresce toda desconjuntada e pode não dar o melhor fruto! Ok, agora vamos em frente.

    Sobre o artigo em si, realmente muito bom, mas ficou uma dúvida. Confesso que sou leigo em economia, estou procurando aprender sempre um pouco mais e mais e mais, para APRENDER O BÁSICO, pois acredito que até mesmo a minha base ainda não é sólida como deveria, ou pelo menos como acho que deveria ser…enfim, minha dúvida é a seguinte:

    Nesse contexto de desvalorização da moeda, com a adoção do câmbio flutuante (estou correto?) não é papel do Banco Central GARANTIR a estabilidade da moeda? Não é esta sua função principal? Caso afirmativo, o motivo pelo qual não garantem esta estabilidade é por conta de intervenção estatal ou incompetência do Banco mesmo?

  19. Excelente artigo.

    Sempre concordo com os argumentos logicos e coerentes apresentados no site, porem tenho uma pergunta/curiosidade: pelos dados apresentados nos vemos claramente que a concorrencia/livre mercado eh mais eficiente em prover melhores servicos e precos mais baixos. Mas em um cenario hipotetico de uma empresa mineradora, por exemplo, que usa produtos toxicos e os despeja em rios, lagos e florestas. E uma outra que adota praticas corretas e sustentaveis ao meio ambiente porem a um preco muito maior aos seus consumidores. A primeira empresa conseguira fornecer seu produto a precos muito mais baixos (e no caso do consumidor nao fazer ideia dos procedimentos por debaixo dos panos, ele nao tera duvidas em escolher um preco mais baixo). Nao seria injusto premiar a 1a empresa “incorreta” por suas praticas prejudiciais a vida? Como fica esse arranjo para os autores desse site?

  20. Algum artigo falando da importância das seguradoras, eu imagino que a ausência delas seja o principal obstáculo para a implantação de uma previdência privada aqui no Brasil e que elas possuem um papel fundamental no exercício do direito à propriedade…por que o brasileiro não pensa que nem os americanos na questão dos seguros?

  21. O deficti público é prioridade porque é a pior nota do Brasil atualmente e seria ameaça a falencia brasileira . So um economista estúpido com a dilma roussef falaria o contrario hoje

  22. Obrigado pela resposta.

    Mas nesse caso, um banco central independente, sem o dedo do GF para mexer nas diretrizes e decisões do banco, em teoria, deveria ser suficiente para que este consiga garantir esta estabilidade da moeda. Inclusive lembro que em uma das palestras do Paulo Guedes, ele disse que defendia abertamente a independencia do banco central. Será que esta independencia é uma utopia ou algo tangível em nossa realidade brasileira?

    Grato

  23. Fantástico artigo!

    Esses dias eu vi uma lista de moedas e suas apreciações/depreciações em relação ao dólar, fiquei bastante surpreendido com a estabilidade do Peso Cubano, depois eu entendi que não era essa a moeda usada pelo povo cubano.

    É bem feito esse Currency Board no CUC?

  24. E claro, vão culpar o presidente Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes e sua equipe econômica. Nenhum jornalista vai bater na porta da casa do FHC, pedindo explicações sobre essa depreciação do Real. Por isso que meu salário a uns dez anos atrás, quando comecei a trabalhar, valia mais do que hoje! Comprava mais coisas. É um fato que, a população em geral, quando percebe já está sendo afetada.

  25. Leandro, me desculpe pela ignorância, mas os próprios “preços livres” não são indiretamente afetados pelos “preços controlados”?

    Explico: algum item de alimentação e bebidas, artigos de residência e vestuário, por exemplo… não sofre indiretamente com os preços (controlados) da gasolina, energia etc? Se fosse possível excluir essas variáveis do cálculo, os preços livres provavelmente teriam aumentado ainda menos.

  26. Pessoal, eu estou com uma dúvida.

    Se em 94 o salário mínimo era R$ 70,00, algo que custava R$ 100,00 valia mais que 1 salário.

    Hoje o salário é aproximadamente R$ 1000,00 e os R$ 100,00 de 94 agora custam R$ 613,0055, menos que 1 salário mínimo.

    Eu não consegui entender como o poder de compra diminuiu.

    Alguém poderia me explicar de forma mais simples?

  27. Leandro, eu reli hoje este seu comentário. Nele, você disse que o IPCA voltou a disparar depois de novembro de 2018, devido à expansão monetária e à desvalorização cambial. Por que e como ocorreu essa expansão monetária? E como ocorreu a desvalorização cambial? Sabe-se de que o índice DXY não oscilou muito no ano de 2018 (ou eu posso estar errado, pois as mínimas chegaram por volta de 90 e as máximas por volta de 99). Em 2018 eu notei que, pouco antes da greve dos caminhoneiros, o dólar passou a encarecer continuamente (seria porque é ano de eleição e “o Brasil começa depois do Carnaval”?). O que ocorreu para isso ter começado logo antes da greve?

    Desculpe as inúmeras perguntas e pela confusão. Obrigado!

  28. Até que existiu um ganho real do salário.

    Salário mínimo em julho de 1994 R$ 64,79 e hoje vai para R$ 1039,00.

    E os preços subiram 685%

  29. Trump anuncia guerra comercial com a China: dólar dispara mais de 1% em relação ao real.

    Hoje, Trump assina primeira fase do acordo comercial com a China: dólar dispara 0,95% em ralação ao real, podendo aumentar ainda mais até o fechamento do dia.

    Eu já desisti.

  30. Olá, Leandro

    Num Currency Board, é possível que a base monetária nacional seja maior que as reservas em moeda internacional? Se sim que consequências isso traria? Abraço!!

  31. Uma duvida, como o mercado forex determina a taxa de câmbio? E por que?

    Estão dizendo que o Real não vai voltar a ter dolar baixo se não subir juros, ou se não tiver investimento direto(mas, e o descolamento entre a paridade do poder de compra?)

  32. Leandro, seria possível criar um índice DXY, só que no lugar do dólar, colocar o real brasileiro perante as principais moedas do mundo? Eu já vi algo feito pelo Fernando Ulrich, mas é de anos atrás. E hoje, como poderia ser feito? Que cálculos são feitos? Como é elaborado o índice DXY?

  33. Leandro, analisando o gráfico histórico do DXY, me fascina muito essa alta histórica que houve na década de 80. Foi graças à surra que Paul Volcker deu na inflação no governo Carter e algumas pequenas reformas feitas pelo governo Reagan? O disparo depois de 1998 foi somente por causa dos ataques especulativos contra o Brasil e alguns países da Ásia? O estouro da bolha pontocom veio depois, mas antes o disparo havia começado.

  34. Leandro, eu estou elaborando um artigo e nele pretendo mostrar um curto histórico do real. E então eu peguei esse gráfico, que vai de 28 de outubro de 2018 (data da eleição no segundo turno) até 31 de janeiro de 2020.

    – Até a posse, uma coisa que notei é que o dólar só foi subindo. Eu devo ter uma memória ruim, mas foi alguma (ou mais) besteira falada pelo Bolsonaro e sua equipe ou é aquele tipo período de incerteza, onde eles não sabem se o Bolsonaro iria deixar a equipe econômica atuar livremente, dado o seu histórico estatista?

    – Depois da posse, perto de fevereiro, o dólar afundou. Período de lua-de-mel, e ele discursou bem na parte econômica.

    – Essa subida contínua do dólar até meados de junho veio por causa da guerra comercial entre Trump e Xi Jinping? Eu perguntei já, mas eu perdi a pergunta… por que a demanda pelo dólar americano aumenta quando a guerra volta a acontecer?

    – E então, uma queda contínua até começo de julho. Além da Reforma da Previdência, algum outro fator?

    – Depois, foi só subindo, descendo, subindo, descendo… disso até fim de dezembro poderia ser explicado por este seu comentário, feito meses atrás? Lembrei agora da soltura do Lula, mas deve haver outra coisa.

    – Após uma baixa em quase R$ 4, dólar voltou a decolar. Alguma outra besteira falada por Paulo Guedes? Orthocoronavirinae (coronavírus)?

    Bom, por enquanto eu acho que é só… obrigado pela resposta anterior sobre o índice DXY (embora eu não tenha entendido a leve queda no índice depois de 2016).

  35. Olá, pessoal.

    Em um fórum que participo, alguém perguntou o porquê do dólar estar alto. Como resposta, indiquei a leitura deste, deste e deste comentários do Leandro Roque.

    Dois outros participantes responderam o seguinte:

    O mercado esperava SELIC a 4.5% basicamente desde a eleicao do Bolso, o BC estava segurando por causa da Reforma da Previdencia, mas a curva de juros do Brasil estava anomala, com o BC tendo que atuar fortemente para manter os juros de curto prazo num patamar mais alto.

    Quanto a estabilidade da moeda, um Real sobrevalorizado sera’ sempre instavel, para conter subidas no dolar o BC precisa de dolares, de estoque finito, para conter uma valorizacao do Real o BC precisa de Reais, para os quais ele nao tem limitacao.

    E por ultimo, o BC tem mantido o poder de compra da moeda, a inflacao ou tem estado na meta e geralmente consideravelmente abaixo de seu centro“.

    Pensei que o pessoal do Mises fosse liberal. Pesquisando as palavras chaves no google, encontrei esse artigo no site do mises: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=533. É um artigo contra a intervenção do BC no mercado de câmbio quando o dólar estava barato… destaco a seguinte parte:

    A taxa de câmbio, como já frisamos, é um preço. E preços só são preços quando determinados pelas forças de mercado. Quando é o governo que os determina, não são preços; são, para usarmos a expressão de Mises, pseudo-preços. Quando o real está valorizado em relação ao dólar – e permanecem constantes as outras variáveis que afetam o setor externo -, as importações tendem a crescer mais do que as exportações, o que, após algum tempo, provoca a saída de dólares do país e sua conseqüente valorização perante o real, o que incentivará as exportações e desestimulará as importações. Por outro lado, como a taxa de juros no Brasil tem sido alta o suficiente (comparativamente às taxas de juros externas) para atrair dólares para o país, o correto seria o governo promover as reformas do Estado (tributária, trabalhista, previdenciária, administrativa e privatizações), para que a nossa taxa de juros viesse a cair substancialmente e de modo natural. Ademais, em um país que apresenta taxas de poupança bastante pequenas diante do que deveriam ser para financiar os investimentos necessários ao crescimento da economia, abrir mão do capital externo pode ser uma atitude considerada tola. E, se for adotada apenas para atender aos interesses do poderoso setor exportador, deixa de ser apenas tola e passa a configurar um comportamento contrário à boa ética que deve reger toda a política econômica’.

    O artigo é bem claro. O regime de câmbio vigente é flutuante então o câmbio tem que ser flutuante. Segundo o artigo, o câmbio se ajusta sozinho e se ele está sobreapreciado deveria ser atacado a origem do problema não o câmbio. Agora que o inverso ocorreu, não vale mais?“.

    A partir daí, uma longa discussão se seguiu, a qual não caberia nesse espaço. Mas, para encurtar a história, ao longo da discussão fui indicando os seguintes artigos/comentários:

    mises.org.br/article/3052/o-investimento-estrangeiro-so-vira-quando-a-moeda-for-estavel–historicamente-nao-e-o-nosso-caso

    mises.org.br/article/3052/o-investimento-estrangeiro-so-vira-quando-a-moeda-for-estavel–historicamente-nao-e-o-nosso-caso#ac238490

    mises.org.br/article/3052/o-investimento-estrangeiro-so-vira-quando-a-moeda-for-estavel–historicamente-nao-e-o-nosso-caso#ac238491

    mises.org.br/Article.aspx?id=3010&comments=true#ac243597

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=3180&comments=true#ac245237

    mises.org.br/Article.aspx?id=3207&comments=true#ac247411

    http://www.mises.org.br/article/2196/os-tres-tipos-de-regimes-cambiais-existentes–e-qual-seria-o-mais-adequado-para-o-brasil

    http://www.mises.org.br/article/3055/a-nova-cpmf–vulgo-imposto-sobre-transacoes–afetaria-o-setor-produtivo-e-restringiria-o-credito#ac238844

    http://www.mises.org.br/article/2901/afinal-o-cambio-esta-barato-ou-caro-eis-uma-maneira-de-estimar-seu-atual-valor-correto

    mises.org.br/article/2175/tres-consequencias-da-desvalorizacao-da-moeda–que-muitos-economistas-se-recusam-a-aceitar

    mises.org.br/article/2175/tres-consequencias-da-desvalorizacao-da-moeda–que-muitos-economistas-se-recusam-a-aceitar#ac150024

    mises.org.br/article/3180/quem-ganha-a-guerra-cambial-isso-e-o-de-menos-o-que-e-garantido-e-que-voce-perde#ac245178

    mises.org.br/article/3052/o-investimento-estrangeiro-so-vira-quando-a-moeda-for-estavel–historicamente-nao-e-o-nosso-caso#ac238638

    http://www.mises.org.br/article/2901/afinal-o-cambio-esta-barato-ou-caro-eis-uma-maneira-de-estimar-seu-atual-valor-correto#ac217901

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2055#ac129268

    A reação do pessoal foi a seguinte:



    “[Ao afirmar que, no arranjo proposto, em que o BC compraria e venderia dólares a preços por ele determinados com o objetivo de fazer a taxa de câmbio cair para um valor bem abaixo do atual,] O autor dos artigos parece querer simplesmente dólar barato à custa dos outros. Por que em um nivel mais baixo que o atual? Por que nao no cambio magico de 7 reais do Ciro? Alias, um cambio sobrevalorizado será SEMPRE instavel. O sistema atual funciona, e funciona bem, e o sistema de metas protege os cidadaos, que e’ quem paga os juros da divida, de propostas como essa de criar um grande programa de subsidio do cambio, o vale-disney, bem como tambem protege os poupadores de um Ciro da vida propondo ligar a impressora para criar o vale-industria.

    O cambio esta’ sempre no preco certo, se voce discorda voce compra ou vende de acordo, movimentando com seus recursos o cambio. E’ essa a logica de mercado. O que poderia atrapar isso e’ exatamente um BC utilizando recursos de terceiros para impor um preco especifico.

    Novamente, se voce tem um governo baguncado e arriscado a solucao e’ resolver esse problema. O que o autor do artigo propoe e’ que o custo de um governo baguncado e arriscado deve ir para os pagadores de impostos para proteger os importadores. Nao faz o MENOR SENTIDO.

    E lembrando, a dolarizacao teria muitos beneficios nessa situacao, mas a dolarizacao sozinha nao tem como aumentar o potencial de importacao de um pais. Diria ate’ o contrario, o pais teria que deprimir seu consumo externo para fazer poupanca ate’ que atingisse liquidez suficiente”.



    “Se o objetivo for manter o cambio estavel entao o BC deveria trabalhar para manter o BRL sempre desvalorizado, ja’ que ele consegue conter qualquer movimento de valorizacao, enquanto qualquer movimento de desvalorizacao ele tem poder limitado”.



    “Quanto a implementar um CB no Brasil, que nada mais seria que abrir mao da politica monetaria e dolarizar a economia mas mantendo uma “marca” local do dolar/euro, okay, problema algum, mas, se o objetivo e’ ter estabilidade cambial, que e’ algo benefico, o BC deveria manter o Real subvalorizado, pois o BC pode criar BRLs infinitos, mas dolares nao.

    Nao faz o menor sentido [um Currency Board com sede na Suíça e sem participação do Estado]. O Currency Board depende do legal tender para existir e fazer sentido. Toda a funcao do Currency Board e’ mudar a marca da moeda-ancora. Ela TEM de ser uma instituicao publica e sua moeda TEM de ter forca de lei no pais em que funciona.

    O que o autor do artigo parece defender e’ o uso de papeis de um mercado monetario privado como cash. Surpresa: Isso ja’ existe e sempre existiu, se chama money markets e e’ o que grandes empresas utilizam como cash. Uma outra surpresa: so’ funciona em escalas grandes pois os custos transacionais sao bem maiores, entao nada de Disney a preço baixo…

    Enfim, os argumentos dele surgem da confusao completa e ignorancia ingenua de diversos conceitos bem como uma crenca infantil de que o riscar de um papel lhe daria magicamente o direito de consumir mais em dolares. Os beneficios que nao sao imaginarios vem da estabilidade monetaria, que implica subvalorizacao, ou da conversibilidade monetaria, que nao implica Currency Board”.



    “[Sobre as três consequências da desvalorização da moeda]Os 3 argumentos sao falsos ou enganosos.

    1. Aumento dos precos: O dolar atualmente a 4.20-4.30 mostra que definitivamente os precos brasileiros nao sao fixos em dolar, o pass-through estimado pelo BC nao passa de 5%. O dolar/cambio nao e’ O PRECO da economia, e’ apenas mais um preco como outro qualquer.

    2. Reducao de investimentos. Falso, o periodo de apreciacao do BRL, de 2005 a 2010 foi o periodo de menor FDI do Brasil. Os periodos de maior FDI sobre o PIB foi 99-2004 e agora. Ele confunde basicamente duas coisas: sobre/subvalorizacao com expectativa de apreciacao/depreciacao. Uma moeda SUBVALORIZADA tem expectativa de APRECIACAO, ou seja, os argumentos dele sao exatamente opostos.

    3. Desindustrializacao. Isso e’ uma piada, e’ mostrado empiricamente que o dolar tem pass-through baixo, mesmo uma empresa que necessite 100% de insumos e maquinario estrangeiro vai se tornar mais competitiva internacionalmente pelo fator mao de obra.

    Por ultimo, a unica forma de manter a moeda estavel e valorizada e’ pagando por isso e como falei, essa estabilidade e’ precaria, e’ questao de tempo ate’ o BC pedir arrego. Todas as analises dele ignoram esse custo, de juros altos, e mesmo ignorando esse custo variam entre frageis e ridiculas.

    Segundo, mesmo no caso de CB, as consequencias nao sao essas que ele supoe, pois ele ignora que os precos terao de se adequar, nao existe nenhum sistema magico que permita as pessoas a consumirem mais por um simples riscar de papel. Alias, por definicao, se voce se incomoda com o dolar alto, e portanto nao e’ “exportador”, voce seria prejudicado por uma dolarizacao e/ou CB, basicamente, os setores exportadores tomariam o lugar do BC como fornecedores de liquidez, voce pagaria um premio por tudo exportavel que consumisse. O que acontece e’ que durante um longo periodo houve uma enorme transferencia de renda dos pagadores de impostos e exportadores para os importadores e credores da divida, no fundo e’ isso que esse pessoal esta’ chorando”.



    “A ideia de vender dolares e comprar divida, é exatamente o que o BC tem feito, nao pode fazer os dois: manter a SELIC e dolar estaveis. A uma mesma taxa SELIC o dolar vai baixar, a um mesmo dolar a SELIC vai ter que aumentar.

    Novamente, o autor dos artigos confunde cambio apreciado com cambio valorizado. E’ IMPOSSIVEL o BC ou qualquer autoridade monetaria manter um cambio estavelmente sobrevalorizado. No caso da Autoridade Monetária Singapura eles mantem o cambio estavelmente subvalorizado, como quase toda autoridade monetaria asiatica. Ele novamente sai confundindo 3 conceitos: apreciacao/depreciacao, sub/sobrevalorizacao e estabilidade. Escolhendo os beneficios de cada um como se fosse beneficio de moeda sobrevalorizada”.



    “[Sobre usar a data da criação do real para calcular o “valor correto” do dólar] Não, isso mostra que o autor do artigo não sabe o que é paridade do poder de compra. jul/1994 é usado pq do URV e da relativa estabilidade das contas externas. PPC é basicamente equilíbrio do BP(transações correntes, basicamente). Uma pergunta: Se a nova moeda(real) fosse adotada com um superavit/deficit de 4% do PIB, jul/1994 ainda poderia ser considerada a “data base”? Se disser sim, só posso concluir que também não conhece o funcionamento do padrão-ouro, ou mesmo de um currency board. Outra pergunta: Se nos próximos 5 anos, a conta corrente da BP(balanço de pagamentos) ficar entre -0,5% e 0,5% do PIB e o dólar ficar relativamente estável em torno de R$4,2(em termos reais), esse poderia se tornar uma “nova base” para o cálculo?”.



    “Não entendi muito bem o que o autor quer dizer por comprar títulos públicos com o dinheiro da venda das reservas. Suponho que o cara não entenda muito o funcionamento da coisa. Quando o BC compra dólar, emite reais e pra enxugar a emissão/liquidez de moeda, ele “vende títulos” e “queima” real. Quando vende dólar, ele compra títulos. Isso é conhecido como operações compromissadas. E faz mais de uma década que títulos públicos federais na carteira do BC não entra no cálculo da dívida bruta, apenas as operações compromissadas. Se o BC comprar o título, a dívida bruta cai”.



    “O BC nao atuou para conter o dolar, vide agora o dolar a 4,28. E sim, deveria e deve deixar o dolar subir livremente. Uma outra discussao completamente distinta e’ como e quando o BC vai se desfazer das reservas excedentes, obviamente tentando escolher o momento de maior preco do dolar, pois e’ quando o BRL esta’ mais desvaorizado que o potencial de apreciacao e’ maior”.



    “De resto, acho que ja’ refutaram 500 vezes, eu nao vou ficar me repetindo, ate’ porque os argumentos nao sao bons nem no nivel logico nem no nivel empirico, com algum esforco se tira 1% de util desses textos.

    E olha que eu nao estou advogando nada, so’ que a ideia que o Brasil vai poder consumir mais em dolares com uma canetada e’ falsa, e’ estupidamente falsa”.

    Eu busquei responder com base naquela lista de links que eu citei acima, mas, como visto nos comentários mencionados, ainda ficaram algumas coisas para as quais eu não encontrei resposta, dado o meu limitado conhecimento no assunto. Se alguém tiver a boa-vontade de esclarecer esses pontos, agradeço.

    Muito obrigado pela atenção.

  36. Entao vamos la (meu teclado eh do ingles americano, então nao tenho acento, uso as vezes correção do próprio chrome) :

    “[Ao afirmar que, no arranjo proposto, em que o BC compraria e venderia dólares a preços por ele determinados com o objetivo de fazer a taxa de câmbio cair para um valor bem abaixo do atual,] O autor dos artigos parece querer simplesmente dólar barato à custa dos outros. Por que em um nivel mais baixo que o atual? Por que nao no cambio magico de 7 reais do Ciro? Alias, um cambio sobrevalorizado será SEMPRE instavel. O sistema atual funciona, e funciona bem, e o sistema de metas protege os cidadaos, que e’ quem paga os juros da divida, de propostas como essa de criar um grande programa de subsidio do cambio, o vale-disney, bem como tambem protege os poupadores de um Ciro da vida propondo ligar a impressora para criar o vale-industria.”

    Essa eh facil refutar. Esse regime com cambio flutuante com atuação ativa do BC nao esta nem no TOP 3 das iniciativas que esse site defende. Mas se eh a opção viável politicamente, ela pode sim ser colocada em ação sem supostamente “criar um grande programa de subsidio do cambio, o vale-disney” . Primeiro que o BC seria apenas mais um player no mercado de cambio flutuante, ele apenas colocaria dolar a venda em um determinado valor, compraria quem quisesse. 2 ou 3x fazendo isso e ja passaria a mensagem pro mercado “Se vc especular sobre o Real em um valor maior que esse que eu oferto dólares, vc terá prejuízo. Pronto, nao precisaria mais ficar usando a reserva internacional constantemente pra manter um teto ao real.

    “Novamente, se voce tem um governo baguncado e arriscado a solucao e’ resolver esse problema. O que o autor do artigo propoe e’ que o custo de um governo baguncado e arriscado deve ir para os pagadores de impostos para proteger os importadores. Nao faz o MENOR SENTIDO.”

    Ahn? Quem aqui defende proteção a algo? O defendido eh o livre comercio e a liberdade econômica. Moeda forte e estável eh tao bom pra quem importa quanto pra quem exporta. E principalmente bom pra quem vive dentro desse pais. Ninguem perde com uma moeda dessas.

    “E lembrando, a dolarizacao teria muitos beneficios nessa situacao, mas a dolarizacao sozinha nao tem como aumentar o potencial de importacao de um pais. Diria ate’ o contrario, o pais teria que deprimir seu consumo externo para fazer poupanca ate’ que atingisse liquidez suficiente”.”

    Refute-o apenas com esse link : www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/02/apos-anos-de-crise-elite-de-caracas-ve-sua-vida-melhorar-apos-medidas-de-maduro.shtml

    “”Se o objetivo for manter o cambio estavel entao o BC deveria trabalhar para manter o BRL sempre desvalorizado, ja’ que ele consegue conter qualquer movimento de valorizacao, enquanto qualquer movimento de desvalorizacao ele tem poder limitado”.

    Isso nao faz o menor sentido pra um BC que tem 360 bilhoes de dolares em reservas internacionais.

    “Quanto a implementar um CB no Brasil, que nada mais seria que abrir mao da politica monetaria e dolarizar a economia mas mantendo uma “marca” local do dolar/euro, okay, problema algum, mas, se o objetivo e’ ter estabilidade cambial, que e’ algo benefico, o BC deveria manter o Real subvalorizado, pois o BC pode criar BRLs infinitos, mas dolares nao.

    Outra coisa que nao faz o menor sentido, pois o Currency Board nada mais eh que o BC abrir mão de poder criar BRLs a seu bel prazer.

    Enfim, os argumentos dele surgem da confusao completa e ignorancia ingenua de diversos conceitos bem como uma crenca infantil de que o riscar de um papel lhe daria magicamente o direito de consumir mais em dolares. Os beneficios que nao sao imaginarios vem da estabilidade monetaria, que implica subvalorizacao, ou da conversibilidade monetaria, que nao implica Currency Board”.

    Oi? Fazer um CB nao eh simplesmente um “riscar de papel”. O pais construiu $360 bilhoes de reservas internacionais para poder ter a opcao de criar um CB. E a conversibidade monetaria que ele citou eh EXATAMENTE o papel do CB. Ele inverteu as bolas toda ai.

    2. Reducao de investimentos. Falso, o periodo de apreciacao do BRL, de 2005 a 2010 foi o periodo de menor FDI do Brasil. Os periodos de maior FDI sobre o PIB foi 99-2004 e agora. Ele confunde basicamente duas coisas: sobre/subvalorizacao com expectativa de apreciacao/depreciacao. Uma moeda SUBVALORIZADA tem expectativa de APRECIACAO, ou seja, os argumentos dele sao exatamente opostos.

    pt.tradingeconomics.com/brazil/foreign-direct-investment

    Nesse link vc ja mata o argumento do cara, o maior pico ate hoje de investimento direto no pais foi justamente em 2011, ano que o real teve a maior cotação frente ao dolar (em época de cambio flutuante).

    E a parte da moeda subvalorizada também não faz sentido, o real já esta muito subvalorizado e continua despencando, nao ta tendo expectativa nenhuma de apreciação.

    3. Desindustrializacao. Isso e’ uma piada, e’ mostrado empiricamente que o dolar tem pass-through baixo, mesmo uma empresa que necessite 100% de insumos e maquinario estrangeiro vai se tornar mais competitiva internacionalmente pelo fator mao de obra.

    Pede ele pra te mostrar empiricamente isso, ai não se esqueça de nos mostrar a resposta, pq vai ser engraçado a falta de exemplos empíricos HAHAHA. Diga pra ele tbm que a CLT nao eh extinta com a desvalorizacao do Real e que pagar quase outro salario do funcionário pro governo nada tem a ver com a cotacao da moeda.

    Por ultimo, a unica forma de manter a moeda estavel e valorizada e’ pagando por isso e como falei, essa estabilidade e’ precaria, e’ questao de tempo ate’ o BC pedir arrego. Todas as analises dele ignoram esse custo, de juros altos, e mesmo ignorando esse custo variam entre frageis e ridiculas.

    ERRADO! A medida mais defendida por esse site eh usar o ouro como ancora, seguida da dolarização da economia, que nada mais eh do que liberar a circulação de dolares como eh com o Real. E em ambos os casos não ha custo nenhum em fazer isso. Ninguem tem que bancar uma medida dessas, só ha ganhos para todos.

    “A ideia de vender dolares e comprar divida, é exatamente o que o BC tem feito, nao pode fazer os dois: manter a SELIC e dolar estaveis. A uma mesma taxa SELIC o dolar vai baixar, a um mesmo dolar a SELIC vai ter que aumentar.

    Realmente nao da pra manter os dois estáveis. Mas eh muito mais sensato manter o cambio estável e deixar os juros oscilarem através da oferta e demanda, mesmo pq, com a moeda forte e estável, a insegurança da inflação futura acaba e com isso os juros despencam.

    E olha que eu nao estou advogando nada, so’ que a ideia que o Brasil vai poder consumir mais em dolares com uma canetada e’ falsa, e’ estupidamente falsa”.

    [b] Vou fazer só um adendo sobre isso. No primeiro semestre de 2018 o Dolar estava por volta de R$3 e a base monetária nao mudou quase nada de la pra cá. Consumíamos muito mais em Dolares do que hoje e “ninguém tinha que pagar essa conta”.

    Por essa logica dele, como isso foi possível?

  37. Pessoas, além dos preços das commodities serem influenciados pelo dólar, há outros fatores como condições meteorológicas e afins, não é? Porque o Leandro disse que a alta do dólar após a eleição do Bolsonaro se deu a esse fenômeno.

    Parece loucura mas seria possível um cenário onde o dólar americano e o real brasileiro se valorizando em simultâneo? Como isso poderia influenciar nos preços das commodities?

    Por que a demanda pelo dólar aumenta, sempre que a guerra comercial entre EUA e China volta a acontecer? Eu perguntei isso aqui em um outro artigo, mas perdi esse comentário e não o encontro.

  38. Leandro, mudando um pouco, mas nem tanto, de assunto. O quão seguro são os contratos de ouro negociados na B3(OZ1D, OZ2D, OZ3D)? Em uma situação de caos, eles podem não ser honrados?

    Obrigado e parabéns pelo excelente trabalho.

  39. E o dólar aumentando de novo… essa SELIC de novo reduzindo… vou ter que atualizar o meu artigo.

    Pelo bem do país, alguém tira esse Roberto Campos Neto e coloca o Henrique Meirelles. Basta ele começar a falar grosso e defendendo uma moeda forte, e voltar com a política anterior, e pronto, o real volta a se fortalecer. Paulo Guedes dando palpite sobre moeda também só dá estrago.

  40. Olá

    Perdoe o off topic, Leandro, mas vc poderia me explicar o que o Rothbard quis dizer com isso?

    “No caso dos ovos, sabemos o que significa “demanda”. A demanda por ovos é a quantidade de dinheiro que os consumidores estão dispostos a gastar em ovos, *mais os ovos que estão guardados pelos fornecedores e que não estão à venda.* Essa é a demanda total por ovos”(www.mises.org.br/article/1512/qual-e-a-oferta-monetaria-adequada-para-uma-economia)

    Por quê os ovos que não estão a venda faria parte da demanda por ovos? Me indica artigos para entender melhor isso?

  41. Leandro, seus artigos são sensacionais.

    Mas vim aqui por uma outra questão.

    Gostaria de saber sua opinião sobre essa declaração do Guedes de hoje, “Melhor juro a 4% e câmbio a R$ 4, do que câmbio a R$ 1,80 e juro a 14%”.

    Fica a pergunta, qual equipe economia se saiu melhor ( até então obviamente), Lula I ou Bolsonaro com PG/Roberto Campos? Pode elencar alguns motivos de uma ser “melhor” que a outra?

    Abs.!

  42. Olá Leandro.

    Excelente artigo!

    Sua didádica é impressionante! Parabéns!

    Gostaria de sugerir um artigo sobre os indexadores da economia.

  43. Leandro, só por saber, vc usa algum programa específica para gerar os gráficos? (exceto aqueles do Sistema de Séries Temporais do Governo), ou seria tudo no Excel msm?

    Eu tava querendo gerar uns gráficos a partir de dados brutos, mas não sei um bom programa para fazer isso além do Excel mesmo.

  44. “O gráfico abaixo mostra a evolução destes dois componentes (veja aqui as taxas mensais de inflação de ambos). Parte-se da base 100 em junho de 1994, o que significa que ambos os componentes custavam R$ 100 em 1º de julho.”

    Leandro, como conseguiu fazer esse índice acumulado, partindo da base 100?

    Será que existe um índice de preços só para o setor de informática? Incrível como esse setor de informática conseguiu inovar tanto, mesmo aqui no País, assim como os de eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Ok, ainda não estamos cheios de máquinas de lava-louças como os americanos, mas estamos no caminho (eu acho). O setor de informática certamente seria bastante melhor não fossem as tarifas norte-coreanas e a nossa moeda que está desvalorizando para o quiate birmanês.

    Já pensaram se existisse uma Agência Nacional da Informática? Ou melhor, uma estatal do setor, totalmente estatizando o segmento de informática no Brasil? Ainda estaríamos em alguma velheira, a estatal estaria acumulando prejuízos, sustentando inúmeros funcionários estatais e nós pagando a conta. Os gamers de hoje teriam que sair do País em definitivo.

  45. “Todos os tipos de serviços públicos. Taxa de água e esgoto. IPTU. Gás de bujão. Energia elétrica. Ônibus urbano. Ônibus intermunicipal. Metrô. Gasolina e óleo diesel. Planos de saúde. Tarifas de celular e de telefonia fixa. Pedágios. Remédios e outros produtos farmacêuticos. Licenciamento.”

    O etanol combustível não seria também? Gasolina e óleo diesel são regulados em preços, por causa da Petrobras. Qual a diferença disso para o que foi feito com relação ao congelamento feito no governo Dilma? O fato de os preços serem regulados pelo governo não deveria fazer com que, por exemplo, nos postos houvesse escassez de combustível aos moldes soviéticos, ou isso é diferente do congelamento imposto por exemplo pelo José Sarney? E no caso dos remédios?

  46. Ontem o real brasileiro completou 27 anos de vida.

    Alguém sabe como que se calcula a inflação acumulada dos preços livres e dos monitorados, como foi feita no gráfico acima?

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