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Três consequências da desvalorização da moeda – que muitos economistas se recusam a aceitar

Uma política de câmbio flutuante funciona bem para países
já desenvolvidos e que possuem governos normais.  Nesse arranjo, as flutuações cambiais ocorrem
dentro de uma normalidade previsível, e normalmente não causam sustos nem
instabilidade.  Quando o país é sério, a
moeda flutua no sentido da apreciação, melhorando ainda mais o poder de compra
e a qualidade de vida da população (vide o recente caso da valorização
do franco suíço
).

Já em países ainda em desenvolvimento, dotados de
governos bagunçados e políticos insensatos, o câmbio não flutua; ele afunda.  E junto com ele vai o padrão de vida da população.

O Brasil está hoje vivenciando as consequências de
ter um câmbio flutuante dentro de um contexto político extremamente instável.

A seguir — em uma compilação de tudo o que já foi
publicado por este site sobre o assunto –, as três consequências diretas, e nefastas,
geradas por uma moeda que está em contínua desvalorização.

1.
Aumento dos preços

Essa é a consequência mais imediata e mais visível.

Uma moeda fraca, longe de afetar exclusivamente os preços
dos importados, afeta também todos os preços internos, inclusive dos bens
produzidos nacionalmente.  Isso é óbvio:
se a moeda está enfraquecendo, isso significa, por definição, que passa a ser necessário
ter uma maior quantidade de moeda para adquirir o mesmo bem. 

Essa é a definição precípua de moeda fraca: é necessária
uma maior quantidade de moeda para se adquirir o mesmo bem que antes podia ser
adquirido com uma menor quantidade de moeda.

Não tem escapatória: moeda fraca, carestia alta. Sem
exceção.

No Brasil, o esfacelamento do
real
 perante todas as moedas do mundo — e ainda mais intensamente
perante o dólar — está gerando aumento de preços em todas as áreas da
economia.

Não são apenas os preços dos produtos importados e das viagens
internacionais que ficam mais caros.  Bens
produzidos nacionalmente também encarecem, pois as indústrias produtoras
certamente utilizam insumos importados ou, no mínimo, peças importadas.

Uma simples firma que utiliza computadores e precisa
continuamente de comprar peças de reposição vivenciará um grande aumento de
custos.

Pior ainda: os preços dos alimentos são diretamente
afetados pela desvalorização da moeda.

Com a desvalorização do real no mercado
internacional, a aquisição de milho, café, soja, açúcar, laranja e carne do
Brasil ficou
muito mais barata para os americanos
e estrangeiros em geral. 

Consequentemente, os produtores brasileiros dessas
commodities passaram a vendê-las em maior quantidade para o mercado externo,
gerando uma diminuição da sua oferta no mercado interno e um aumento dos seus
preços. 

Fartura para os estrangeiros, carestia para nós.

Os preços da carne bovina, por exemplo, que foram
até motivo de debate na
campanha eleitoral
, seguem crescendo
E, nesse caso, a desvalorização do câmbio tem um efeito duplo: de um lado, ela
aumenta as exportações do produto e reduz a oferta interna; de outro, ela
encarece o preço da soja (a soja é uma commodity precificada em dólar.  Se
o real se desvaloriza perante o dólar, o preço da soja em reais aumenta). 
E, dado que o farelo de soja é utilizado como ração para bovinos, o
encarecimento da soja encarece todo o processo de produção.  (Apenas neste
ano, a tonelada do farelo de soja subiu de R$
1.070
 para R$ 1.350)

Consequentemente, os preços da carne são
pressionados tanto pela diminuição da oferta quanto pelo encarecimento da
produção.  Por trás de tudo, está o câmbio.

Mas piora.  Como
dito, a desvalorização cambial é um fenômeno que gera carestia generalizada em
praticamente todos os bens e serviços do mercado interno, pois ela
gera um efeito em cascata. 

A desvalorização cambial também encarece
os remédios
(85% da química fina é importada), o
pão
(o trigo é uma commodity precificada em dólar; se o dólar encarece, o
trigo encarece), os preços das passagens aéreas (querosene é petróleo, e
petróleo é cotado em dólar), das passagens de ônibus (diesel também é
petróleo), todos
os importados básicos (de eletroeletrônicos e utensílios domésticos a roupas e
mobiliários) e até mesmos os preços dos aluguéis e das tarifas de energia
elétrica (ambos são reajustados pelo IGP-M, índice esse que mensura commodities
e matérias-primas, ambas sensíveis ao dólar). 

E o aumento do aluguel e o encarecimento da
eletricidade, por sua vez, afetam os custos de todos os estabelecimentos
comerciais, os quais terão de elevar os preços de seus produtos e serviços (o
cabeleireiro e a manicure cobrarão mais caro, assim como o dentista e a oficina
mecânica). 

E todos esses aumentos generalizados farão com que
os autônomos que atuam no setor de serviços — o eletricista e o encanador
comem pão e carne, cortam cabelo, pagam conta de luz e levam seus carros para
consertar — também tenham de aumentar seus preços.

Ou seja, não há escapatória: uma desvalorização
cambial mexe com toda a estrutura de preços da economia.

2.
Desestímulo aos investimentos

Além de ser o meio de troca, a moeda é a unidade de
conta que permite o cálculo de custos de todos os empreendimentos e
investimentos.  Se essa unidade de conta é instável — isto é, se seu
poder de compra cai contínua e rapidamente, principalmente em termos das outras
moedas estrangeiras –, não há incentivos para se fazer investimentos.

Quando investidores investem — principalmente os
estrangeiros –, eles estão, na prática, comprando um fluxo de renda futura
Para que investidores (nacionais ou estrangeiros) invistam capital em
atividades produtivas, eles têm de ter um mínimo de certeza e segurança de que
terão um retorno que valha alguma coisa.

Mas se a unidade de conta é diariamente distorcida e
desvalorizada, se sua definição é flutuante, há apenas caos e incerteza. 
Se um investidor não faz a menor ideia de qual será a definição da unidade de
conta no futuro (sabendo apenas que seu poder de compra certamente será bem
menor), o mínimo que ele irá exigir serão retornos altos em um curto espaço de
tempo.

Veja o caso do Brasil.

Em agosto de 2014, um dólar custava aproximadamente R$ 2,20.  Naquela época, um investidor estrangeiro que houvesse
trazido US$ 100 para cá converteria para R$ 220.

Hoje, com o dólar a quase R$ 4,10, se esses R$ 220 fossem reconvertidos em dólares, o
investidor estrangeiro teria apenas US$ 53.

Isso significa que, para que ele obtivesse algum ganho real com seu
investimento — por exemplo, para que ele pudesse voltar pra casa com pelo menos
US$ 101 –, sua taxa de retorno teria de ser de aproximadamente 88% (os R$ 220
teriam que se transformar em R$ 414) em um ano.

Há algum investimento que gera um retorno de 88% em
um ano? 

Essa é a encrenca.  País de moeda
instável é prejuízo certo para o investidor estrangeiro. A taxa de retorno
teria de ser altíssima para que ele se arriscasse a vir para cá.

No que mais, e como já dito, moeda se desvalorizando
implica que a população está perdendo poder de compra.  Por que seria racional investir em um país
cuja população está perdendo poder de compra?

Para países em desenvolvimento, que precisam de
investimentos estrangeiros, essa questão da estabilidade da moeda é crucial. 

E há outro fator: uma moeda estável cria as
condições necessárias para a transferência de conhecimento.  O
conhecimento acompanha o investimento: o capital estrangeiro vem
acompanhado de conhecimento estrangeiro
.

Se um país desvaloriza continuamente sua moeda, ele
está mandando um sinal claro aos investidores estrangeiros: “mantenham sua
riqueza financeira e intelectual longe daqui; caso contrário, você irá perdê-la
sempre que for remeter seus lucros”.

O máximo a que um país de moeda fraca pode aspirar é
utilizar para fins de curto prazo o capital puramente especulativo (o chamado
“hot money”) que entra no país à procura de ganhos rápidos com
arbitragem.  Adicionalmente, os melhores cérebros do país abandonarão as
profissões voltadas para o setor tecnológico e irão se concentrar no mercado
financeiro, especialmente no setor de hedge. 

Já um país de moeda forte e estável envia um sinal
bem diferente ao mundo: “tragam seu dinheiro; mandem para cá seus
especialistas; construam suas fábricas aqui; ensinem a nós tudo o que vocês
sabem; e riqueza que vocês criarem aqui voltará para vocês multiplicada e em
uma moeda que mantém seu valor”.

E é exatamente por isso que uma moeda forte e
estável é indispensável para o crescimento econômico.  Quando a moeda é
estável, investidores têm mais incentivos para se arriscar e financiar ideias
novas e ousadas; eles têm mais disponibilidade para financiar a criação de uma
riqueza que ainda não existe.  O investimento em tecnologia é maior. 
O investimento em soluções ousadas para a saúde é maior.  O investimento
em infraestrutura é maior.  O investimento em ideias para o bem-estar de
todos é maior. 

Já quando a moeda é instável — ou passa por
períodos de forte desvalorização –, os investidores preferem se refugiar em
investimentos tradicionais e mais seguros, como títulos do governo.  Não
há segurança para investimentos de longo prazo, que são os que mais criam
riqueza.

É exatamente por isso que, em países cuja moeda tem
histórico de alta desvalorização, (alta inflação de preços), são raros os
investimentos vultosos de longo prazo.  É por isso que, em países cuja
moeda tem histórico de alta desvalorização, os juros são altos.  É por isso
que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, os bens
produzidos são de baixa qualidade.  É por isso que, em países cuja moeda
tem histórico de alta desvalorização, as pessoas são mais pobres. 

Uma moeda instável desestimula investimentos
produtivos.  E, consequentemente, age contra o crescimento
econômico. 

Uma moeda forte e estável é indispensável para
atrair o capital estrangeiro e, com isso, gerar crescimento econômico.

O gráfico abaixo mostra o histórico da taxa de
câmbio do real em relação ao dólar (linha vermelha), ao euro (linha azul), ao
franco suíço (linha amarela), e à libra esterlina (linha verde).

taxasdecambio.png

Observe que, no período 2004-2010, foi um grande
negócio para os investidores estrangeiros investir no Brasil (a taxa de câmbio
em contínua apreciação gerava ganhos reais enormes para seus investimentos). 

Já a partir de 2012, e intensificando a partir de
2014, a chance de eles perderem dinheiro — mesmo tendo bons retornos em reais —
se tornou crescente.

E aqui, o gráfico da evolução do preço de 1 grama de
ouro em reais.

ouro.png

Veja que estabilidade…

3.
Desindustrialização

Segundo os economistas desenvolvimentistas, a
desvalorização do câmbio é o segredo para impulsionar a indústria e o setor
exportador brasileiro.  

Ao se desvalorizar o câmbio, dizem eles, as
exportações são estimuladas e, liderada por um aumento nas exportações, a
indústria volta a produzir e, por conseguinte, toda a economia volta a crescer.

O primeiro grande problema é que, no mundo
globalizado em que vivemos, vários exportadores são também grandes importadores
Para fabricar, com qualidade, seus bens exportáveis, eles têm de importar máquinas e matérias-primas de
várias partes do mundo.  Uma mineradora e uma siderúrgica têm de utilizar
maquinário de ponta para fazer seus serviços.  E elas também têm de
comprar, continuamente, peças de reposição.  O mesmo vale para a indústria
automotiva, que adicionalmente será prejudicada pela redução da oferta de aço
no mercado interno (dado que agora mais aço está sendo exportado). 

Se a desvalorização da moeda fizer com que os custos
de produção aumentem — e irão aumentar –, então o exportador não mais terá
nenhuma vantagem competitiva no mercado internacional.

Aliás, não deveria causar nenhuma surpresa o fato de
a própria indústria automobilística ter vindo a público admitir que a
desvalorização cambial — ao contrário do que pregam os economistas
desenvolvimentistas — não apenas está encarecendo a produção, como também está gerando
incertezas para o setor.

Vale lembrar, adicionalmente, que a desindustrialização
no Brasil chegou ao auge justamente no período em que a moeda mais se
desvalorizou.  A desindustrialização está ocorrendo é
justamente agora
, quando temos uma moeda fraca, inflação alta, e as maiores tarifas
protecionistas da história do real

E a causa não é apenas o aumento dos custos de produção
gerado pela desvalorização da moeda.  Há também
outro fator.

Como explicado no item 1, a desvalorização cambial
faz com que haja um aumento generalizado dos preços.  Consequentemente, a renda real das pessoas
diminui.  Com a renda em queda, as
pessoas consomem menos.  Consequentemente,
as vendas do comércio diminuem e os estoques se acumulam.

Ato contínuo, a primeira medida dos comerciantes
será a de diminuir a encomenda de novos estoques.  Se há
geladeiras, fogões, televisões e móveis se acumulando nos armazéns das lojas,
então a encomenda de novos estoques será suspensa.

Logo, os fornecedores — o setor atacadista —
reduzirão suas encomendas para as indústrias.  E as indústrias, por sua
vez, reduzirão sua produção. 

Ou seja, uma desvalorização cambial impactou
diretamente aquele setor que, segundo os economistas desenvolvimentistas, mais
seria beneficiado por ela.

Os três gráficos a seguir, do
IBGE
, mostram a evolução do emprego na indústria brasileira em três
momentos recentes da economia.

Nesse primeiro gráfico, de janeiro de 2006 a
dezembro de 2008, época de forte crescimento da economia, o emprego no setor
industrial cresce continuamente (até a crise mundial do final de 2008).

ind1.png
 

Nesse segundo gráfico, que vai de janeiro de 2009 a
dezembro de 2011, há uma contração no ano de 2009, prontamente superada pelo
forte crescimento de 2010.  Em 2011, o emprego na indústria se mantém
estável.

ind2.png

Finalmente, neste terceiro gráfico, de janeiro de
2012 a junho de 2015, o emprego na indústria encolhe continuamente.

industria.png

Observe que, exatamente ao contrário do que defendem
os economistas desenvolvimentistas, é justamente quando o câmbio está se
apreciando (de 2005 a 2008, 2010 a 2011), que a indústria fica mais
forte.  E é justamente quando o câmbio se desvaloriza (2009, e 2012 em
diante), que a indústria encolhe.

E o motivo é óbvio: câmbio desvalorizado significa
moeda com menos poder de compra.  Moeda com menos poder de compra
significa renda menor para a população e preços em contínua ascensão.  E
renda menor em conjunto com preços em contínua ascensão significa que a demanda
por bens de consumo diminui. 

E isso afeta todo o setor industrial e atacadista,
como explicado no exemplo acima.

Não é à toa que a confiança
do empresariado
chegou ao menor nível da série histórica:

brazil-business-confidence.png

A relação entre câmbio apreciado e indústria forte é
tão óbvia e direta, que é espantoso que ainda haja pessoas que acreditam que
uma desvalorização cambial “ajuda a indústria”. 

A crença, sem nenhuma lógica, é a de que uma moeda
desvalorizada, sem poder de compra, irá estimular as pessoas a produzir mais e
melhor, e a investir com mais sapiência. 

“Destrua a moeda, e surgirão uma Apple, uma
Microsoft e uma Google”, parece ser o lema deles. 

Até mesmo o argumento de que o câmbio desvalorizado
estimula as exportações não se sustenta.  Se os exportadores de um país
têm de recorrer continuamente ao mercado internacional para comprar maquinários
e peças de reposição, e se os maquinários e as peças de reposição são
demandados globalmente pelos exportadores de todos os outros países, então
aqueles que tiverem uma moeda forte estarão em grande vantagem, pois poderão
comprar tudo mais barato. Seu custo de produção será menor. Isso ajuda a
explicar por que os produtos suíços — cuja moeda se valoriza continuamente
desde 1971 — são de alta qualidade.

É por isso que uma taxa de câmbio valorizada ajuda as
indústrias mais competentes.  Uma moeda forte permite que as indústrias
comprem bens de capital, máquinas e equipamentos de qualidade a preços
baixos.  Isso as deixa mais produtivas, aumenta a qualidade dos seus
produtos, e faz com que eles sejam mais demandados lá fora.

(Nos primeiros anos do Plano Real, a moeda era muito
mais forte do que é hoje, e não houve nenhuma desindustrialização; ao
contrário, houve modernização do parque industrial).

Nenhum país que tem moeda fraca e inflação alta
produz bens de qualidade que sejam altamente demandados pelo comércio
mundial.  Todos os bens de qualidade são produzidos em países com inflação
baixa e moeda forte.  Apenas olhe a qualidade dos produtos alemães,
suíços, japoneses, americanos, coreanos, canadenses, cingapurianos etc.

Se moeda forte fosse empecilho para a indústria,
todos esses países seriam hoje terra arrasada.  No entanto, são nações fortemente
exportadoras.  Moeda forte e muita exportação.

Conclusão

Dado que o dinheiro representa a metade de
toda e qualquer transação econômica
, a saúde da moeda irá determinar a
saúde de toda a economia.  Se a moeda é instável, a economia também se
torna instável. 

Não há como uma economia se fortalecer se a sua
moeda está enfraquecendo.

Essa destruição do poder de compra da nossa moeda
tem de acabar.  A carestia que estamos vivenciando hoje não será resolvida
enquanto o real não voltar a se fortalecer.  É impossível ter uma carestia
minimamente tolerável se a sua moeda é gerenciada por incompetentes.

Moeda desvalorizada não apenas não traz pujança a um
país, como ainda é sinal de debilidade econômica e de empobrecimento.  Ninguém fica rico utilizando uma moeda que
compra cada vez menos.  Isso é tão óbvio,
que aparentemente é necessário ter doutorado em economia para ser capaz de não entender.

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270 comentários em “Três consequências da desvalorização da moeda – que muitos economistas se recusam a aceitar”

  1. Farinha de peixe, farinha de carne, farinha de osso e premix proteico estão disparando. Usinas exportando.
    Alimentos aqui vão subir mais. Tic-tac

  2. Excelente artigo, mas carrega nele uma tristeza implícita. Justamente por abordar casos práticos durante toda sua extensão, é prova cabal da desconexão dos economistas desenvolvimentistas com sua própria tese (que já é um dogma – uma religião que cultua a miséria) e, ao mesmo tempo, é quase comprovação do caso de Planck, na qual uma ideia ruim não termina por ser refutada, mas sim porque seus proponentes morreram e outra geração, familiarizada com a correção, surgiu.

    Apesar da lástima que senti, muito obrigado por trazê-lo, Leandro.

  3. Leandro, tem algum artigo que fale sobre os tipos de câmbio existentes e a visão da escola austríaca sobre eles?

    Ao ler a crítica sobre o câmbio flutuante fiquei pensando qual opção seria melhor. Mas não sei.

  4. Essa não aceitação por parte dos economistas das consequências expostas no texto seriam por viés ideológicos (a negação constante que o governo errou, uma grande canalhice) ou também pode ocorrer por um viés filosófico, linhas de raciocínio tão tortas que justifiquem essas atitudes?

  5. Dissidente Brasileiro

    É impossível ter uma carestia minimamente tolerável se a sua moeda é gerenciada por incompetentes.

    Não é incompetência, mas sim um bem elaborado plano de dominação e controle da sociedade. A destruição da economia nacional é um dos passos descritos no Decálogo de Lênin para implantação do socialismo, e enquanto a sociedade bananeira composta de bois mansos e obedientes não acordar e tomar uma real e firme atitude, a situação só tende a piorar.

  6. Dissidente Brasileiro

    Vejam só a mais “nova velha” perversidade do governo. E o pior é que eles vão conseguir, ou alguém duvida disso?

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/08/1674244-cni-classifica-de-absurdo-projeto-de-volta-da-cobranca-da-cpmf.shtml

  7. A última frase é perspicaz! “É preciso ter doutorado em economia para não entender”. Quisera o curso de economia tivesse essa didática para explicar as coisas…

  8. Vale lembrar da enorme transferência de renda resultante da desvalorização cambial. O setor exportador se beneficia em detrimento da população: enquanto o exportador recebe em moeda cujo poder de compra permanece constante, a população perde poder de compra em função do câmbio desvalorizado e da inflação de preços. Este é só mais um exemplo de como as consequências das políticas do governo são exatamente contrárias às suas intenções. A política monetária do governo atual, baseada na expansão de crédito desenfreada e desvalorização cambial, e o grotesco protecionismo comercial, são dois dos grandes responsáveis pela disparidade de renda no Brasil.
    Abs

  9. Bom, não entendo muito de economia e é por isso que queria pedir a opinião de vocês.
    Penso que a desvalorização do real se deu, claro, pelas políticas econômicas do nosso querido e sábio Mantega, mas acho também que se deve ao cenário de instabilidade política pelo qual passamos.
    Estaria correto dizer que se ocorrer um impeachment e um novo presidente assumir, ainda num regime democrático, com novas eleições em 2018, o dólar recuaria e muito?
    Em qual cenário político o real voltaria a se valorizar? Quais políticas econômicas deveriam ser aplicadas? Ou as medidas de “austeridade” do Levy surtirão algum efeito mas é preciso esperar?

  10. Quando o dolar estava abaixo de R$ 2,00, próximo de R$ 1,50, quem teve capacidade de investir em maquinário e tecnologias precificadas em dolar, agora colherá os frutos.

    Simples exemplo: o setor do agronegócio agora está sendo beneficiado com a venda de commodities precificadas em dolar. O produtor/empreendedor que estruturou seu negócio na baixa do dolar, comprando tecnologia e máquinas na moeda “barata”, agora vende num preço excelente.

    Basta vermos as ações de empresas que tem lucro em dolar e despesa em reais. Seus papéis estão valorizando ao longo desse ano, com casos de valorização em torno de 50%, mesmo em meio ao cenário ruim na economia brasileira. Um exemplo seria o ramo das empresas Fibria e Suzano, que estão deitando e rolando esse ano.

    Essas oscilações da economia brasileira são ruins para o país, mas que tem gente ganhando com isso tem. E olha que não precisa ser especialista de Harvard. No boom (?), o investidor foi pra Bolsa, que rodava em mais de 60.000 pontos vários pregões e dava retornos na alta das commodities (principalmente petróleo e minério), enquanto que SELIC e dolar estavam em baixa. Nas eleições de 2014, quando “deu o que o mercado não queria”, quem foi inteligente se adiantou, desfez de posições que seriam afetadas e partiu para o dolar e papéis a ela atrelados, nessa moeda que serve de porto seguro em momentos de instabilidade financeira.

    Basta lembrar de uma carta da ex-superitendente de Investimentos do Santander, Sinara Polycarpo, no link abaixo.

    http://www.infomoney.com.br/blogs/terraco-economico/post/4124927/passado-ano-famosa-carta-superintendente-santander-estava-errada

  11. Parabéns por mais um excelente artigo!Câmbio é complexo.O pior que já vi vários estudos comprovados que uma desvalorização prévia da moeda aumenta em tantos por cento as exportações e mais num sei quanto do PIB,apesar de aumentar a inflação e existir um limite para esse crescimento.Nesse ínterim daria tempo para realizar reformas que perpetuassem essa “bonança”.O que achas desses estudos Leandro e amigos libertários?Qual seus pontos de vista para melhorar da rentabilidade da industria “além do câmbio”?Seriam as reformas estruturantes?

  12. Ótimo artigo!

    Mas fiquei com uma dúvida, vamos lá:

    Se um país em crise, por exemplo, toma medidas protecionistas e, ao mesmo tempo, vê sua moeda se esfacelando em relação as demais, provocando um aumento da exportação (já que os demais países estão com um maior poder de compra). Entendo que essa desvalorização diminui a qualidade dos produtos, os exportadores também são importadores, etc, conforme descrito acima, mas isso não seria positivo para o país ao menos no fato de trazer capital estrangeiro, já que a demanda interna está afetada pela crise??? Essa demanda externa não pode colaborar com o país para que se recupere?

  13. “Uma política de câmbio flutuante funciona bem para países já desenvolvidos e que possuem governos normais”.

    O que seriam governos “normais”?

  14. Texto claro e muito bem escrito.
    Entretanto, eu tenho uma dúvida:
    O que explica, então, o caso da China, que possui uma moeda propositalmente desvalorizada e tem altíssimos níveis de exportação?
    Obrigado!

  15. Excelente artigo.

    Quando investidores investem — principalmente os estrangeiros —, eles estão, na prática, comprando um fluxo de renda futura. Para que investidores (nacionais ou estrangeiros) invistam capital em atividades produtivas, eles têm de ter um mínimo de certeza e segurança de que terão um retorno que valha alguma coisa.
    ————————————–

    Como fica o pequeno empresário nessa situação? Ainda é possível fazer dinheiro, estando no Brasil e usando o real como investimento em pequenos negócios?

  16. A desvalorização da moeda é ruim por um monte de coisas que vcs bem ressaltam, mas dizer que é ruim pra indústria, em geral, é no mínimo bem discutível e o próprio periodo de tempo apresentado no artigo é insuficiente pra qqr conclusão no sentido do que foi apresentado.

    É só pegar lá no SGS a serie 1588 do emprego formal na industria de transformação e pegar a 11753 do cambio deflacionado pelo IPCA, desde 1988 as duas, e observar.

    Cambio ao redor dos 100, a industria da uma estabilizada. Pra baixo de 100, quanto mais pra baixo, mais ela perde mommentum. Quanto mais pra cima de 100, mais ela ganha.
    E claro, há um certo delay de 1-2 anos, pq nenhuma empresa trabalha só no dia que o dolar sobe ou desce. as firmas fazem contratos e os cumprem, e assim causa-se o delay.

    Em julho, depois de 3 anos de desvalorização cambial, a moeda malemal chegou finalmente ao 100 pontos. Ainda ta longe do ponto que vai causar alguma reversão sustentada.

  17. É a terrorista-marxista Dilma imitando os generalecos argentinos lá nos anos 1970 e primeiros anos dos anos 1980.
    Primeira fase sob Videla e seu ministro Martinez de Hoz:
    1- Alto endividamento público. Tudo sem nenhuma efetiva infraestrutura. Economia viciada em investir em títulos públicos; não em produção real.
    2- Moeda ultra-valorizada. Importações barateadas artificialmente, por endividamento para importações de bens de consumo.
    3- Construções e obras públicas pautadas pela corrupção e pela abjeta desnecessidade. Por exemplo, inúmeros estádios de futebol e demais instalações apenas para a Copa do Mundo de 1978. No caso, a Argentina ganhou. Aqui para a copa de 2014, a seleção do Brasil perdeu e teve sua maior derrota em décadas.
    4- Aliança com ditaduras comunistas daquele tempo. A ditadura de Videla, Viola, Galtieri e Bignone foi na América Latina, a parceira comercial número um da União Soviética naquele tempo; bem à frente de Cuba. Na ONU os embaixadores de Videla & Cia e os da União Soviética eram parceiros conhecidos. Bilhões de dólares em jogo.
    5- Aliança com narco-governos da Bolívia de Garcia Mesa & Cia. Lula e Dilma trocaram o narco-general pelo narco-índio Evo Morales & Cia.
    6- Aliança com Fidel Castro. A rápida queda do ERP e dos Montoneros; os dois mais poderosos grupos de guerrilha urbana do mundo entre 1970 e 1976; ambos reduzidos à insignificância. A razão? Ambos eram comandados de Cuba. Fidel Castro entregou todos os endereços aos generais argentinos, pelo fato de buscarem uma aliança.
    7- Usar dum falso militarismo(aqui de um socialismo), como desculpa e fachada para roubar o dinheiro público.
    8- Uso da demagogia baseada no nacionalismo, para engabelar as massas.
    9- Uso de promessas de obras e conquistas futuras, que nunca vieram.
    10- Obtenção de índice de desemprego relativamente baixo.
    11- Endividamento externo alucinado, para manter todas as 10 coisas anteriores. A Argentina se endividou mais de 1976 a 1983( sete anos), que em todos os mais de 160 anos de independência anteriores.
    A segunda fase, que na Argentina começou no final do governo Videla e se caracterizou pelas seguintes coisas:
    1- Crescente redução do valor da moeda, em relação ao dólar. Tudo acompanhado de crescente inflação.
    2- Crescente inflação, combinada com crescente recessão.
    3- Escândalos de corrupção sem fim, embora Videla em si, nunca tivesse roubado.
    4- Crescente aliança da Argentina com Cuba, então União Soviética e toda espécie de canalhas e ditadores socialistas, islâmicos, etc. Foi notória a amizade/cumplicidade entre o (então) almirante argentino Massera e o clepto-ditador Ceausescu da Romênia; ambos maçons da loja maçônica P2.
    5- Pilhagem sem fim da YPF, que exercia um monopólio virtual da exploração de petróleo e de gás natural, na Argentina. A YPF foi a recordista mundial de prejuízo no mundo inteiro, em 1981.
    6- Envolvimento total e completo de integrantes do governo com negociatas com altos empreiteiros e banqueiros.
    7- Crescente descontentamento do povo argentino, que deixou totalmente de confiar em seus militares.
    8- Crescente desemprego.
    9- Queda total do regime, com a Guerra das Malvinas servindo com catalizador do processo.

  18. Leandro parabéns pelo artigo,e aos que nele participaram.

    Leandro existe outro 8medidor de inflação para a europa que não o oficial do bce,desconfio dos números da inflação,você~e acha que há motivo para desconfianças maiores,desde já obrigado.

  19. Uma pequena aula de lógica para keynesianos e desenvolvimentistas, que sofrem de baixa acuidade intelectual, com sete passos claros para eles não se perderem:

    1. Desvalorizar é o mesmo que depreciar;
    2. Depreciar é o mesmo que perder valor econômico;
    3. Perder valor econômico é o mesmo que perder poder de compra;
    4. Perder poder de compra é o mesmo que adquirir menos insumos;
    5. Adquirir menos insumos é o mesmo que gerar menos produção;
    6. Gerar menos produção é o mesmo que permitir menor consumo;
    7. Permitir menor consumo é o mesmo que diminuir o padrão de vida.

    Agora é só colocar "moeda" nessa linha raciocínio e se obterá a resposta sobre a valorização ou desvalorização da moeda ser boa ou ruim para a economia.

  20. Só uma dúvida: Se permitisse a livre circulação de moedas, isso não geraria uma grande confusão? Supondo que se você receber em dólar e o mercado que você faz compras venda em euros ou outro tipo de moeda, você teria que ficar trocando de moeda. Isso não geraria problemas? Ao invés de ser várias moedas não seria mais sensato adotar o dólar que é mundialmente aceito, junto com o real? Isso acabaria de vez com a inflação e não condenaria as pessoas a usar uma moeda vagabunda como a nossa.

  21. Olhem essa reportagem ontem no Jornal Nacional

    g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/08/empresas-exportadoras-no-brasil-comemoram-alta-do-dolar.html

    É lamentável o final da matéria.

  22. Gostei do artigo. Bastante esclarecedor em relação aos motivos e consequências da moeda fraca e instável.
    Porém, achei a conclusão muito pobre. Faltou propor as soluções para o “controle” e estabilização do câmbio. Eu, como um recém convertido liberal, entendo que o liberalismo não prega a intervenção estatal. Então qual seria o caminho rápido (se é que ele existe) para estabilização do Real? Reformas tributárias, redução da máquina pública, fim do protecionismo?
    Da forma como o artigo terminou, para uma pessoa que não conhece os fundamentos do liberalismo, fica a impressão de que a política econômica Dilma-Mateguista, que utilizava o Banco Central e a negociação de contratos futuros para segurar a alta do Dólar, seria uma das opções (não digo que é uma boa opção, mas a alternativa está dada por omissão).
    Imagino que os textos publicados no IMB precisam ser bastante didáticos e explícitos em todos os sentidos, já que o propósito do Instituto é educar e converter cada vez mais pessoas a esta linhagem política e econômica tão em falta na história do Brasil: o Liberalismo.

  23. Como sempre, avaliar as consequências reais das diferentes ações humanas é uma das maneiras mais efetivas de verificar sua eficiência. Se desvalorizar a moeda fosse uma boa estratégia econômica, a Argentina, com seu peso continuamente desvalorizado, seria uma potência exportadora, e a Inglaterra, com sua libra caríssima, teria déficits comerciais gigantescos. É tão obvio que deixar de ser ululante.

  24. Há um outro aspecto a considerar. Quando o exportador começa a ganhar bem mais pela desvalorização, o importador estrangeiro, que não é bobo, consegue sempre um desconto.

    Assim, parte da possível vantagem fica no país do importador. Em razão disso, quando havia uma desvalorização, o Delfim fazia sempre um confisco cambial parial (por ele denominado “cunha fiscal”) para evitar que o exportador aceitasse conceder grandes descontos. Fez isso várias vezes.

    E não só quando a moeda se desvalorizava, mas, também, quando o produto exportado aumentava bastante ou dramaticamente a sua cotação internacional (ocorreu com a soja, com o cacau etc.).

    Há um outro fator psicológico a considerar. O produto interno bruto do país, medido em dólar, cai na mesma proporção da desvalorização da moeda (questão apenas de tempo), o que gera um desprestigio internacional do país. Agora mesmo, pela cotação do dólar, o Brasil deve ter perdido duas posições na lista das maiores economias. Pode parecer pouco, mas a repercussão é grande.

  25. Parabéns pelo elucidativo artigo. Só há uma coisa que nunca ninguém conseguiu me explicar. Se existe demanda aumentada por dólares, fica fácil compreender porque no Brasil, hoje, US$ 1,00 = R$ 3,26. Porém, o Franco Suíço também está muito valorizado frente ao Real (ou o Real desvalorizado frente ao Franco Suíço). O que tem a ver o Franco Suíço com essa história? Porque outras moedas sobem frente ao Real, uma vez que a demanda aumentada no Brasil é por dólares? Agradeceria se alguém pudesse me responder. Muito obrigado a todos!

  26. Muito obrigado mesmo Leandro! Nunca tive uma dúvida dirigida a você que não tenha sido brilhantemente respondida. Agora entendi! Boa esta sensação gratificante de desvendamento intelectual. Só passei a entender, de fato, como funciona o câmbio depois de estudar aqui no Mises.org.br. E não surpreendentemente, com os artigos do Leandro.

    Em contrapartida, admito que fiquei um pouco mais assustado do que já estava com essa desvalorização do Real e sua perda do poder de compra. Agora que entendi a coisa, terei que estudar muito mais para buscar meios e modos de evitar que meu suado dinheirinho se evapore (perca ainda mais seu poder de compra).

    Também fiquei mais assustado, pois se bem entendi, nem ao menos adianta a moeda ser corrigida pelo IPCA uma vez que será a mesma moeda, ou seja, desvalorizada no Mercado de Câmbio. Pensava que corrigindo o dinheiro pelo IPCA seria o suficiente, mas já vi que não é.

    Que preocupante esta situação em que se encontra o Brasil!

    Muito obrigado mesmo Leandro!

  27. Produção industrial encolhe 8,9% em julho e tem a 17ª queda seguida

    Intensidade do recuo surpreende e dados vêm pior do que as projeções dos analistas; produção de bens de capital cai quase 30% ante 2014, segundo o IBGE

    Setor opera com ociosidade recorde

    Em julho, uso da capacidade instalada foi de 78,6%, número mais baixo já registrado

    Ué, mas a desvalorização da moeda não faria a indústria bombar? Quanto mais o real desaba, pior fica a indústria. E tem gente pedindo ainda mais desvalorização. O dólar a R$ 3,74 ainda não deu…

  28. Olá,

    Seria possível explicarem como é que os ‘economistas’ ainda acreditam que a venda de swaps cambiais “gerou lucros” ?


    Beneficiado pela alta do dólar, o Banco Central (BC) teve lucro recorde no primeiro semestre. Segundo o balanço da instituição, aprovado hoje (27) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a autoridade monetária lucrou R$ 35,2 bilhões de janeiro a junho, o melhor resultado semestral desde quando o órgão reformulou o sistema de contabilidade, em 2008.

    Além do lucro contábil, o BC ganhou R$ 46,4 bilhões com as operações cambiais (administração das reservas internacionais e operações de swap cambial), cujo resultado é divulgado separadamente do lucro da instituição. Os ganhos com as operações cambiais são o segundo melhor resultado da história, perdendo apenas para 2008, quando o BC lucrou R$ 126,6 bilhões com as intervenções no mercado futuro de dólares e com o rendimento das reservas externas.

    Ao todo, o banco teve ganhos de R$ 81,6 bilhões, que serão transferidos ao Tesouro Nacional nos próximos dez dias úteis. Por lei, o lucro do Tesouro é destinado a abater a dívida pública. O dinheiro amenizará o impacto que o governo está tendo com as operações de swap cambial – venda de dólares no mercado futuro. Nos sete primeiros meses do ano, as vendas custaram ao governo R$ 57 bilhões, que foram incorporados aos juros da dívida pública.

    http://www.jb.com.br/economia/noticias/2015/08/27/alta-do-dolar-faz-banco-central-ter-lucro-recorde-de-r-352-bi-no-primeiro-semestre/


    O Banco Central registrou prejuízo de cerca de R$ 71,93 bilhões com os contratos de swap cambial de janeiro até a última sexta-feira (28), segundo números divulgados pela própria autoridade monetária nesta quarta. Apesar das perdas geradas pelas intervenções no câmbio, o BC não impediu a alta do dólar que, no fim do ano passado, estava em R$ 2,65.

    O BC tem destacado que, se por um lado há perdas com os contratos de swap cambial, por outro também há valorização das reservas internacionais brasileiras (atualmente em US$ 370 bilhões). Esse valor, de acordo com o BC, supera as perdas com os swaps cambiais.

    g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2015/09/dolar-fecha-em-alta-pelo-quarto-diaseguido.html

    Entendo que as operações de swap cambial são realizadas pelo BC para controlar o valor do dólar, apesar de estar comprovado que não está funcionando (pois, se assim fosse, o dólar não estaria chegando perto dos 4 Reais, algo que ‘projetaram’ chegar a R$ 3.60 somente no fim de 2016). Ou o ‘pessoal do BC’ é doido varrido, ou não estou compreendendo o que se passa…

    Comentários elucidativos, por favor.

    Grato,
    Sven

  29. Leandro,

    Grato por comentar, mas eu não posso dizer que houve lucro (real) com a desvalorização (tanto nominal, quanto real) da moeda, pois certamente eu não poderia adquirir mais dólares com a mesma quantidade de Reais.

    Entendo que o BC está justificando a continuidade de uma operação deficitária com base nos lucros decorrentes apenas de uma valorização do dólar. Se fosse assim, ao deixar as operações de swap cambial, o lucro seria maior ainda (e, talvez ajudasse a moeda a se fortalecer ?).

    Aprendi neste site que a desvalorização da moeda não traz benefício algum para o mercado, muito pelo contrário.

  30. Quais seriam as consequências se a população decidisse boicotar o real e aderir a comercialização de moedas estrangeiras? Seria algo economicamente viável? Obviamente se o brasileiro não fazia isso nem na época da hiperinflação, imagine agora. Quais seriam as consequências dessa atitude para o Estado do ponto de vista financeiro? Obviamente seria um boicote justo, já que o governo destrói a moeda nacional propositalmente e prejudica o brasileiro.

  31. Prezado Leandro, uma dúvida simples que tenho e que me enrola o raciocínio. O cenário atual é de Inflação em alta e Dólar em alta (desvalorização do Real). Porém, se o Dólar for para R$ 1,50 daqui a alguns meses, o poder de compra do Real retorna (aumenta de novo)? Isso descontando a Inflação medida pelos índices. Obrigado!

  32. Compartilhando:

    Perda do BC com swaps beira R$ 90 bi, mas não impede alta do dólar
    De janeiro até 4 de setembro, BC perdeu R$ 89,51 bi com estes contratos.

    Mesmo assim, dólar avançou cerca de 45% neste período, para R$ 3,86.

    Os prejuízos da autoridade monetária com os contratos de “swaps cambiais” são incorporados às despesas com juros da dívida pública e ajudam a impulsionar o déficit nominal – que atingiu quase 9% do PIB em doze meses até julho, o maior patamar da série histórica, que começa em novembro de 2002. Também ajudam a impulsionar a dívida do setor público.

    No caso da dívida bruta do setor público, uma das principais formas de comparação internacional (que não considera os ativos dos países, como as reservas cambiais) – conceito também acompanhado pelas agências de classificação de risco – o endividamento brasileiro subiu em julho.

    No fim do mês passado, estava em 64,6% do PIB (R$ 3,68 trilhões) – também o pior resultado da história. Alguns bancos já projetam a dívida bruta em 70% do PIB nos próximos anos.

    g1.globo.com/economia/noticia/2015/09/perdas-com-swaps-beiram-r-90-bi-mas-nao-impedem-disparada-do-dolar.html

  33. Atenção: Standard and Poor's retira grau de investimento do Brasil

    Agência dá sinal para o mundo de que não considera país um bom pagador.

    Brasil caiu para BB+ com viés negativo.

    g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/09/standard-and-poors-retira-grau-de-investimento-do-brasil.html

    E agora ? O dólar vai para qual patamar ? Acima dos R$ 4,00 ???

  34. Por favor, queria entender melhor a relação Dólar – Real – Ouro. Sei que a queda do dólar gera uma alta no preço do ouro, mas o que aconteceria por exemplo hoje em dia em ralação ao preço do ouro cotado em reais (Cotação atual R$ 134 o grama) – neste cenário de desvalorizção do real – com uma queda do dólar ( não porque o real se valorizou, mas sim porque o dólar se desvalorizou, se é que me entende, por causa das políticas do FED… ). Pois ultimamente mesmo com o preço do ouro caindo lá fora, aqui dentro tem subido, já que o dólar está se valorizando perante o real. Obrigado.

  35. PSC:


    O dólar avançou 1,34 por cento, a 3,8504 reais na venda. De maneira geral, a percepção nas mesas de operações é que o dólar tende a rumar para a máxima histórica de quase 4 reais em breve, em uma trajetória volátil.

    http://www.dci.com.br/financas/dolar-sobe-1,34-e-vai-a-r$3,85-com-rebaixamento-do-brasil-id494987.html

    Novidade:


    DIs disparam após S&P rebaixar Brasil


    As taxas dos contratos de juros futuros dispararam nesta quinta-feira, com investidores exigindo rendimentos maiores de papéis de dívida do Brasil após a Standard & Poor’s rebaixar o Brasil ao grau especulativo, aumentando a pressão para que o Banco Central volte a elevar os juros (SELIC) em breve.

    http://www.dci.com.br/financas/dis-disparam-apos-s&p-rebaixar-brasil-id494975.html

    Mas, nada a temer sobre esta situação, pois Lula diz que perda do grau de investimento não significa nada…

    Deve ser somente outra ‘marolinha’ ou intriga midiática…

    Sds

  36. PSC:

    Dólar perto de R$ 4,00 põe BC e Tesouro em 'modo crise':

    Com o dólar perto de atingir R$ 4,00, superando seu recorde histórico de alta, e os juros disparando no mercado de futuros, parece restar pouco à equipe econômica além de reduzir danos.

    Recentes intervenções do Banco Central e Tesouro parecem visar apenas impedir que se consolide a ideia de que o mercado está fora de controle. Reverter o nervosismo de forma consistente, porém, depende da presidente Dilma Rousseff e do Congresso.

    A percepção é de que o mercado está "sem defesa" diante do agravamento da crise político-econômica, diz Italo Abucater, chefe da mesa de câmbio da Icap do Brasil. Para ele, tornou-se "óbvio" que o dólar chegará a R$ 4,00.

    Na verdade, ele prevê que, diferentemente do que ocorreu antes da eleição de Lula em 2002, desta vez o dólar vai superar o recorde e não voltará a cair. Ajustado pela inflação, o dólar de R$ 4,00 em 2002 hoje deveria valer de R$ 5,50 a R$ 6,00.

    Um dos motivos de o real estar perdendo fôlego é que o mercado considera que o BC não vai vender dólar das reservas. Seria preocupante o BC começar a queimar as reservas, um dos poucos, se não o único, fundamento econômico que não se deteriorou nos últimos anos.

    Leia mais, em exame.abril.com.br/economia/noticias/dolar-perto-de-r-4-00-poe-bc-e-tesouro-em-modo-crise

    Real foi segunda moeda que mais desvalorizou no mundo:

    O real foi a segundo moeda do mundo que mais desvalorizou em relação ao dólar nos últimos 12 meses, de acordo com Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da TOV Corretora.

    Em primeiro lugar no ranking está o rublo da Rússia, com 72% de desvalorização, seguida do nosso real, com 67%

    Leia mais, em exame.abril.com.br/economia/noticias/real-foi-segunda-moeda-que-mais-desvalorizou-no-mundo

  37. Leandro,

    É possível haver valorização do Dolar e do Real ao mesmo tempo? Ou a evolução na cotação do Dólar é, principalmente, reflexo da desvalorização da moeda local e vice versa?

  38. Uma moeda valorizada demais também pode ser ruim do ponto de vista interno, visto que os investidores podem aproveitar e investir em outros países, se aproveitando da moeda forte?
    Dessa maneira a economia trava, a inflação não cresce, já que as pessoas adiam os gastos pois sabem que no dia seguinte o poder de compra será maior.
    Isso justifica o fato do Fed não subir os juros nos EUA?
    Obrigado.

  39. Henrique Zucatelli

    Segundo a própria escola austríaca, não é somente o valor do câmbio que provoca a desindustrialização de um país, mas sua imprevisibilidade.

    Posto que bastaria fixar o câmbio assim como a China fez em um patamar condizente com algum índice bem básico (Razão PIB/ PIB per Capita etc) e respeitar esse câmbio sem emitir dinheiro fajuto e aumentar o endividamento interno, os problemas de investimento estariam resolvidos.

    Claro que não seria o melhor dos mundos, pois mesmo com um câmbio previsível, este estando fraco seria péssimo para o consumidor interno (como é na China), mas já resolveria alguma coisa nessa montanha de problemas. E conforme a riqueza do país vai crescendo e os investimentos entrando, a moeda vai somente se valorizar (como é na China).

  40. Analisando os gráficos e comparando com outros artigos do próprio Leandro, surgiu uma duvida: Pelo gráfico apresentado neste artigo, o emprego na industria entre 2010 e 2012 se manteve relativamente estável. Porém neste artigo http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1601 o autor diz que este mesmo período foi de forte contração do setor. Afinal, esta contração não deveria estar expressa nos dados de emprego?

  41. Aee Leandro Currency Board!

    […]um país de moeda forte e estável envia um sinal bem diferente ao mundo: “tragam seu dinheiro; mandem para cá seus especialistas; construam suas fábricas aqui; ensinem a nós tudo o que vocês sabem; e riqueza que vocês criarem aqui voltará para vocês multiplicada e em uma moeda que mantém seu valor”.

    Perfeito. A China fez isso e cresce forte há anos. O Brasil, na América, com cultura parecida, perde a chance de pegar um atalho para a riqueza.

    Basta dar um retorno merreca, mas seguro, ao investidor estrangeiro, e eles entregam todo o conhecimento acumulado em séculos de geração de riqueza.

    Estradas, aeroportos, portos, ferrovias, metros, fábricas de tudo quanto é tipo, industrias, etc.. tudo poderia vir para o Brasil mas, nos últimos 35 anos, foi pra China.

    Currency Board já!

  42. Até onde eu sei, o dólar alto no atual cenário é muito bom, principalmente para diminuir o déficit nas transações correntes e ajudar a indústria nacional que já vem sufocada desde 2003.

  43. Rodrigo Pereira Herrmann

    Mais uma:

    A Petrossauro definitivamente foi pro saco. Não há futuro possível sem capitalização pelo Tesouro. Adivinhe quem vai pagar a conta ?!

  44. Leandro, tenho ouvido um pessoal falando que o dólar devia estar em torno de 8 reais e tal, por causa da inflação e blá, blá, blá.
    Que história é essa??? É uma piada, né?

  45. Leandro vi um pessoal basicamente falando isso: ” R$ 4 em outubro de 2002 atualizados pelo IPCA equivale hoje a R$ 9,08. Então o dolar hoje (R$ 4,16) não está nem na metade do que foi em 2002. Parem de pânico!”

    Isso existe ???

  46. Marcelo Werlang de Assis

    Olá, pessoal.

    Eu gostaria de ter uma dúvida esclarecida pelo Leandro Roque ou por outro indivíduo. Eis a pergunta: Por que o custo de vida na Suíça é elevado? Afinal, esse país possui uma moeda saudável, robusta, forte e grande liberdade econômica. Algumas das informações que li na internet culpam o protecionismo estatal no setor primário, os altos salários, as regulações estatais sobre a importação de bens.

    Por obséquio, me respondam.

    Grande abraço!

  47. Dissidente Brasileiro

    ÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ… DO BRAZIUL!!! BRAZIULLLL!!!

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2191&comments=true#ac152362

    Bovespa deixa de ser a maior bolsa da América Latina

    Já são 2×0. Vai ser 7×1 de novo em cima do Bananão, mas desta vez no campo econômico, hehehe.

    Eu odeio futebol, mas não poderia deixar de usar esta “metáfora futelobística” em cima dos bananeiros, ops, brazilêros, já que é o esporte preferido deles (e também a única linguagem que eles entendem, kkkkkkkkkkkkkk.)

  48. Acabei de voltar de férias de NYC. Parei de comprar meus dólares quando o mesmo ultrapassou os R$3,00

    Comer nas barraquinhas espalhadas pela cidade (famoso “lamb over rice”) custando ao redor de US$9,00 com uma Coca Cola.

    Quase R$40,00 por refeição para comer comida de barraquinha no meio da rua.

    Terrível.

  49. Agora só quem tem a ganhar e quem tem sua mão de obra aqui dentro do pais, bem como matéria prima, mas exporta o seu produto, recebendo assim em dólar.

  50. Leandro, procurei outro canal mais adequado para fazer essa pergunta e não encontrei então faço-a aqui mesmo:

    Imagine que você ganhe em dolar(um salário digno para os padrões dos EUA) e trabalhe de casa, do Brasil. Por trabalhar de casa você tem mobilidade para mudar para outro país com sua família(lembro que você citou que não sai do Brasil por causa da família, imagine que não houvesse tal impedimento), para onde você iria e por que? Pensei em Chile ou Panamá, mas tenho várias ressalvas para ambos.

    Estou investigando outro país para morar e estava pensando na América Latina mas pelo visto não tem muito para onde correr por aqui, Europa não parece tão atraente quanto era no passado, para os EUA a imigração nesses moldes beira o impossível(imigração legal, claro).

    Obrigado não só pela possível resposta mas também pelo ótimo trabalho no mises, não perco um artigo seu 🙂

    Abs

  51. Leandro, o que aconteceria se o governo simplesmente jogasse os impostos de importação no chão, tipo, baixasse a alíquota pra um valor próximo do zero, tipo 1%?

  52. Leandro,

    Já li em outra matéria, não lembro onde, afirmando que as causas que levaram o dólar a chegar a quase R$ 4,00 em 2002 não foi somente a má expectativa de um governo PT às portas. A matéria citava que havia alguns problemas econômicos no cenário, mas não lembro o que era.

    Você teria como me dizer se isso procede ou não? E se “sim”, que cenário econômico nos rondava ali junto com a eleição?

    Abraços.

  53. Leandro,

    Se uma currency board deve trocar a moeda pelo seu lastro (e vice versa) sem custos, como ele banca seus próprios custos operacionais?

  54. Há um preço “justo” para o dólar em relação ao real ? Como saber qual câmbio se adequaria melhor para um país como o Brasil ? Obrigado.

    Se tiver algum artigo sobre isso, agradeço.

  55. Leandro, correndo o risco de ser repetitivo, peço-lhe encarecidamente que escreva aquele artigo já muito pedido sobre Currency Board.

    Pelas suas respostas dadas em várias seções de comentários a respeito do assunto, acredito que a matéria já está bem ventilada.

    Aproveito o ensejo para parabenizá-lo pelos excelentes artigos de sua autoria.

    Grande abraço.

  56. Rodrigo Pereira Herrmann

    – A Dívida Externa Bruta (pública e privada) é de U$ 350 bilhões.

    – O Passivo Externo Líquido está em torno de U$ 560 bilhões (agradeço se alguém confirmar esse número).

    – As Reservas Internacionais somam U$ 370 bilhões.

    ou seja, sair queimando Reservas na tentativa desesperada de segurar o câmbio pode não ser uma boa ideia, já que isso pode se traduzir em mais vulnerabilidade e mais disparada do dólar (há um movimento do mercado neste sentido? talvez haja, pois o BCB está numa sinuca de bico danada e isso é bem sabido).

    A coisa é trágica se considerarmos ainda os custos financeiros do carregamento dessas Reservas e do tal programa de swaps cambiais (que está nos custando, só este ano, R$ 80 bilhões). Ainda assim, o dólar bateu 4,22, fazendo com que o BCB lançasse novos contratos, apelasse aos leilões de linha e cogitasse, finalmente, em usar das babilônicas Reservas. O mercado parece que ganhou.

  57. Tem algum artigo que explique com mais detalhes, para um leigo em economia, o que o banco central está fazendo para controlar o câmbio ??

    economia.uol.com.br/cotacoes/noticias/redacao/2015/09/24/dolar-cai-373-e-fecha-abaixo-de-r-4-apos-anuncios-do-bc-e-do-tesouro.htm

  58. Boa Noite a todos.
    Leandro (ou quem possa responder – Leandro tem sido muito solicitado rsrs), algumas dúvidas:
    1 – Li não lembro se aqui, que o gov estaria com dificuldades de rolar a dívida. E aí me perco no mecanismo BC X Tesouro. Parece que quem deveria emitir as dívidas seria o Tesouro, mas não estaria conseguindo então o BC entraria. E não entendi nada;
    2 – Quando começam a surgir soluções “sofisticadas” é bom ficar esperto, essa história de swap não engulo. Na época do Armínio Fraga tinha outro mecanismo ainda mais “chique”: swap reverso. Eu lia e lia e não entendia… até q desisti. A única coisa que saquei é que quem iria se ferrar era eu, vcs, nós… Portanto esse negócio de swap tá mal contado. Se tudo estivesse minimamente sob controle, as reservas seriam usadas sem frescura nenhuma. E qdo necessário uma porrada no mercado pra mostrar quem manda. É o q acho;
    3 – “Imprensa foi feita pra não informar”; “Na guerra quem vence é a mentira”. Não lembro os autores, mas sabiam o q estavam dizendo. A situação da Grande São Paulo não é nada boa. Aumentam as notas de colapso hídrico sem q a imprensa coloque na pauta. Além do caos social e exodo caso se confirme, deve-se lembrar que estamos falando de 30% do PIB, o efeito dominó não saberia estimar. Isso tudo com vazamento estimado entre 30 e 40% na tubulação que nunca teve tratamento adequado, portanto não venham falar em seca. É só calcular o perdido no subterrâneo e ainda teríamos um estoque. Espero que não ocorra e q estja errado tudo q se fala, por Deus, é o q espero.

    Pedrão, se me permite, eu procuraria uma cidade com até 70mil habitantes ( no Máximo) com boa infraestrutura, e acesso, e que estivesse no mínimo a 500km de qualquer capital estadual e tbém de Brasília. No estado de SP tem várias.

  59. “Nos primeiros anos do Plano Real, a moeda era muito mais forte do que é hoje, e não houve nenhuma desindustrialização; ao contrário, houve modernização do parque industrial”
    Vocês têm algum gráfico que ajude a demonstrar isso? Porque, pelo que professores e comentaristas vivem falando, na época do câmbio fixo nossa moeda estava valorizada demais e isso fechou muitas indústrias e causou desemprego. E que, só depois do câmbio flutuante, é que nossa economia pôde voltar a respirar.

  60. Rodrigo Pereira Herrmann

    A continuarem as coisas como estão, é isso o que nos espera:

    novo.fpabramo.org.br/content/documento-traz-projeto-de-desenvolvimento

    a tragédia desenvolvimentista – parte II

  61. Ao contrário do que prevê a “teoria desenvolvimentista”, as exportações desabaram ao mesmo tempo em que o dólar encareceu:

    Forte queda nas exportações e importações leva balança a registrar saldo de US$ 10,246 bilhões

    O saldo registrado no período janeiro/setembro deveu-se a uma queda expressiva nas exportações (-16.3% para US$ 144,5 bilhões, contra US$ 173,6 bilhões exportados em igual período do ano passado) e a uma retração ainda mais drástica nas importações (-22,6% para US$ 134,2 bilhões em 2015, contra US$ 174,4 bilhões importados nos nove primeiros meses de 2014).

    Com importações e exportações em queda, a corrente de comércio exterior registrou uma cifra de US$ 278,7 bilhões, 19,5% inferior aos US$ 348,0 bilhões contabilizados de janeiro a setembro do ano passado.

    De acordo com os dados divulgados hoje (1º) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em setembro, houve queda das exportações brasileiras para todos os mercados de destino: Europa Oriental, 51,2%; África, 22,6%; União Europeia (19,6%); América Latina e Caribe, exceto Mercosul, 14%; Oriente Médio, 13,7%; Estados Unidos, 13,3%; Ásia, 8,3%; e Mercosul, 4,5%. Por outro lado, as vendas para a China subiram 22,8%. A China continua liderando folgadamente o ranking dos principais importadores de produtos brasileiros, seguida pelos Estados Unidos e pela Argentina.

  62. Engraçado que nesta lista quase não tem país de moeda fraca:

    exame.abril.com.br/economia/album-de-fotos/os-10-paises-campeoes-em-remessas-de-imigrantes

  63. Leandro,

    > Tenta explicar isso para os desenvolvimentistas, que dizem que moeda fraca é um ímã de prosperidade e riqueza.

    Dillma II reencontra Dilma I.

    Mais do mesmo, como vinha sendo anunciado (com a possibilidade de Dillma permanecer no poder, sua ‘política’ tenderia (ainda) mais à esquerda): Barbosa é visto como uma das forças intelectuais por trás da chamada “nova matriz econômica” implementada pelo ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega

    http://www.infomoney.com.br/mercados/politica/noticia/4472211/dilma-reencontra-dilma-veja-opinioes-sobre-chegada-barbosa-fazenda

    Vivemos tempos apocalípticos, como disse Obama…

    Att

  64. Tenho uma dúvida.

    Por que algumas empresesas (como a Polar, a Apple a Samsung) preferem fabricar seus produtos na China e não em seus próprios países?

  65. Realmente, a desvalorização do real é terrível e a partir de junho de 2016 vai piorar, apertem as carteiras que o piloto sumiu. Após o golpe de 2008 o planeta está recesoso em investir e consumir. O governo dos eua acharam que aplicar um golpe desses não gera consequências. A consequência está aí, barril de petróleo a U$ 30.00. E vai cair mais. Ninguém quer produzir nada, todos estão com medo. Só quem pede pra tomar calote vai investir em um país que está endividado até sete palmos debaixo da terra e só se mantém pedindo mais dinheiro emprestado e usando seu status de moeda de reserva para imprimir mais dinheiro sem lastro algum em riqueza, sem lastro em ouro, commodities ou qualquer outra coisa. Se os estados unidos queimassem todo os seu estoque de ouro, pagaria apenas pouco mais de 600 bilhões de dólares de sua dívida externa de 18, 2 TRILHÕES. Seu Pib foi de 17,8 tri em 2015. Sua dívida total é de mais de 75 TRILHÕES DE DÓLARES, fora os 18,2 trilhões de dívida externa. E a economia não cresce, estão mascarando os dados de emprego e inflação. O fed subiu a taxa de juros para pegar mais dinheiro emprestado, e os 4 trilhões impressos do nada depois de 2008, tendo como lastro papel sujo e tinta e nenhuma riqueza verdadeira, estão circulando pelo planeta. Quando o fed achar que todos os dólares que poderia captar atingiram seu máximo, então irão anunciar oficialmente que os eua estão quebrados. Só não vê quem não quer, ou seja, os que gostam de tomar o calote. As bolsas são mantidas em alta artificialmente. O JP Morgan, já perdeu, só nesse começo de ano, mais de 8 bilhões de dólares investidos no setor de exploração de petroleo e produção de derivados. O preço do ouro e da prata vai disparar muito além do que já valorizou. Grande oportunidade para comprar prata. Ou até mesmo ouro se vc tem 155 mil reais para levar para casa uma barra de 250 gramas. 2016 será o ano do apocalipse da quebra do dólar.

  66. Algum leitor poderia me tirar algumas dúvidas:

    Então, o câmbio deriva essencialmente da inflação(poder de compra), que esse por sua vez da oferta monetária pelo governo?

    “Essa é a definição precípua de moeda fraca: é necessária uma maior quantidade de moeda para se adquirir o mesmo bem que antes podia ser adquirido com uma menor quantidade de moeda.”

    Baseado nesta frase, seria a seguinte situação:

    Um país que produz um bem – digamos um carro – por R$1.

    Se a oferta monetária aumentar(+R$1), mas o país produzir apenas um carro, o preço do carro seria aumentado em R$2? (Desvalorização e perda do poder de compra?)

    Se a oferta monetária aumentar(+R$1) e aumentar a produção para 2 carros, o preço continuaria no mesmo patamar de R$1 para cada carro produzido? (Preços estabilizados, ou seja, não houvem mudanças?)

    E coloquemos na seguinte situação, se esse país aumentar a produção para 2 carros e não houver aumento da oferta monetária, cada carro teria seu preço em R$0,50?(Valorização e maior poder de compra?)

    É isso o que você quer dizer?

    Abraço

  67. engraçado, a china desvaloriza a sua moeda cada vez mais e eles conseguem e são a maior economia do mundo, atrairam empresas para o seu pais e tudo que a gente imagina vem de la, O MAIOR ERRO DO BRASIL FOI O PLANO REAL, deveria ter continuado com o CRUZADO estimular o emprego no pais e a exportação…..

  68. Boa Tarde, Senhores!!!

    Concordo com o ponto de vista da maioria dos leitores, mas acredito que toda história tem dois lados, e pensando no outro lado da moeda, fico me pergunto porque Japão, China e Índia fazem questão de manter suas moedas desvalorizadas, e o mais interessante dessa minha humilde visão sem fundamento e conhecimento técnico! é, todos esses países tem uma economia interna muito forte com um potencial de exportação absurdo. Entendo que esses países estão preocupado em proteger seu mercado interne e fortalecer suas empresas contra o mercado estrangeiro em benefício da sua população.

    Se estou falando algum absurdo, me desculpem!! Pois não entendo nada de economia rsrsr

  69. Acabo de ver a entrevista de Ciro Gomes para o Roda Viva. E acabo de ver uma pancada de mentiras com uma puta sofisma. Ele disse que 85% de nossos remédios são importados e que uma sugestão seria criar uma indústria farmacêutica em nossa país. Acontece que como o próprio artigo diz, na verdade 85% da nossa química fina que é importada, e não os remédios. E sim, já existe uma indústria farmacêutica em nosso país. Mas fiquei em dúvidas que eu não consegui encontrar respostas. Em 2012 a Dilma Roussef aumentou tarifas de importação para 100 produtos, dentre eles, a química fina. Zerando a tarifa, seria uma boa para queda nos preços dos remédios a meu ver. Mas isso foi em 2012, e eu não encontrei se até hoje as tarifas de importação ainda permanecem sobre o produto. Poderiam me dizer se ainda existe as tarifas, com fonte? Se existe, qual o valor sobre as tarifas?

  70. Patricia Carraschi Aleotti Meneguetti

    Parabéns pelo artigo, linguagem simples e direta. Pensamento coerente e realista. E triste ver nossa situação atual e a futura. :<

  71. Antes de mais nada, não sou economista, nem perto disso, mas resolvi dar aquela estudada.

    Gostaria de saber a opinião de vocês sobre algumas questões.

    O Brasil está com sua indústria se destruindo, como o artigo aponta. Uma das “soluções” apontada por alguns é a tal “desvalorização”, criticada no artigo. Mas sempre que ouço esse argumento, me citam a Indonésia, por exemplo.

    O que acham desse exemplo?

    Outra coisa, é que o que tem segurado um pouco nossa economia, são algumas poucas atividades, como commoditie. Exemplo do balanço positivo em regiões mineradoras.

    Mas essa dependência não acaba por destruir as industriais locais, já que se tornam mais atrativas em todo ponto de vista (cooptando as políticas públicas e mão de obra)?

    Em outras palavras, será que nossa indústria não está se acabando por causa da tal “doença holandesa” por causa de nossos commodities?

  72. Faruk Morais Aragão

    O maior enigma de todos é como conseguiremos mudar a situação do Brasil? Com os FUTUROS governantes que temos? Os quais sempre POSSUEM interesses próprios e que para isso são rendidos aos “sistemas internos restritos de alguns grupos” e aos “externos” que sempre o controlou, na maioria das vezes indiretamente através destes últimos e em alguns momentos até mesmo de maneira direta? Através do voto? Como se a cadeia produtiva de políticos brasileiros segue uma clonagem interior dos interesses antigos que sempre evolui para o lado negro da organização, mudando apenas o gênero e ideologias as quais nem sempre são diferentes, apenas procuram camuflar o reais interesses, pois num país como o Brasil onde a política ainda é vista como um trampolim e se confunde a utilização dos cargos políticos com monarquias absolutistas.

  73. Tendo uma moeda tão volátil em um cenário político incerto, mostra como os nossos setores produtivos não tem concorrência global, vendemos matérias primas com baixíssimo valor agregado para importar maquinários com alta tecnologia agregada. Enquanto não houver uma reforma política, vamos continuar surfando em incertezas.

  74. Ué, mas os desenvolvimentistas não dizem que é só desvalorizar o câmbio que a indústria bomba?

    Com dólar alto, Volkswagen diz ser muito difícil voltar a ter lucro em 2019

    A Volkswagen dificilmente voltará a ter lucro em sua operação no Brasil em 2019. Foi o que afirmou nesta segunda-feira, 10, o vice-presidente de vendas e marketing da montadora, Gustavo Schmidt. Segundo ele, o principal problema é a alta do dólar, que encareceu insumos utilizados pela fabricante para a produção de veículos, em especial o aço.

    http://www.seudinheiro.com/com-dolar-alto-volkswagen-diz-ser-muito-dificil-voltar-a-ter-lucro-em-2019/

  75. Leandro,

    Considerando positiva uma apreciação cambial, como poderia ser atrelado os ganhos desta com um possível regime de Currency Board? Os ganhos seriam advindos por outros fatores ou o CB implicaria em uma outra estratégia de crescimento, sem ganhos com uma apreciação cambial?

  76. Amei esse texto, com ele aumentou minha certeza que vivonuma terra guiada por imbecis e desonestos, o que diz o texto é uma realidade flagrante, como realidade também é o tempo todo já transcorridos que essa taxa de câmbio parece um biruta tremulando no ar sem que aparece um sacrossanto economista que a ponha numa posição para nós mais ínteresante. Parece um corpo de bombeiros se declarando medo do incêndio que vai apagar. Imagine o acham aqueles não bombeiros que por ali estão.

  77. Tendência é dólar acima de R$ 4,20, mas isso não preocupa, diz especialista…

    economista Simão David Silber, professor da Faculdade de Economia, da Universidade de São Paulo…

    josepaulokupfer.blogosfera.uol.com.br/2019/12/10/tendencia-e-dolar-acima-de-r-420-mas-isso-nao-preocupa-diz-especialista/

  78. se a ideia mencionada no site, é levar fábricas para paises de moedas fortes, ou seja, EUA e Reino Unido, Dolar e Libra respectivamente.

    pq as maiores empresas do mundo, investem tudo o que tem na china e não colocam suas principais sedes em Londres ou Washington?

    pq samsung, lg, kingston, e tantas outras grandes empresas que vendem seus produtos no mundo inteiro, tem suas principais fábricas na china onde a moeda é altamente desvalorizada?

    será que é só mão de obra barata? ou o custo para eles sai baixo?

    onde é melhor investir?

    em um pais onde a Libra é elevada, e teria de gastar 20x mais do que na china?

    pense, se a LG instala sua principal sede em Londres, tu acha que ia comprar uma TV de 50″ por R$2.000,00 ?as TVs custariam caro para se fabricar e ainda chegariam caro aos consumidores, o que não resultaria em venda, e certamente falência das fábricas.

    a moeda desvalorizada, gera investimento, pois para os paises de moedas estáveis, isso é barato para eles. e logo conseguem alcançar o mundo inteiro com suas vendas e preços competitivos para todas as classes sociais, potencializando seus lucros.

    se fosse alguma vantagem os paises de moeda estáveis, a china não teria nenhuma fábrica importante.

  79. Equipe IMB,

    dado que a necessidade de proteção do poder de compra do brasileiro face à desvalorização do real continua premente, e que o ouro é tradicionalmente uma boa reserva de valor, não poderiam vocês publicar um artigo sobre a situação atual do ouro? Posso estar enganado, mas acho que há tempos não aparece artigo sobre isso por aqui.

    Outra coisa, e talvez fugindo um pouco da proposta do site: como se poderia investir em francos suíços aqui no Brasil? Não domino o assunto. Há algum artigo sobre isso? Como fazer investimento em Francos Suíços a longo prazo em nosso país?

    Abraços

  80. Francisco Lucas de Souza

    tem algo que não entendo, se essa aumento de inflação vier acompanhado do aumento salarial, entenda reajuste salarial, corrigindo o poder de compra do trabalhador que outrora estava diminuindo . Então, nesse aspecto, continua tudo como era antes do início dessa política, ou nao? Acaba que é um jogo que no final das cotas volta tudo para mesma coisa.

  81. “Com a desvalorização do real no mercado internacional, a aquisição de milho, café, soja, açúcar, laranja e carne do Brasil ficou muito mais barata para os americanos e estrangeiros em geral.

    Consequentemente, os produtores brasileiros dessas commodities passaram a vendê-las em maior quantidade para o mercado externo, gerando uma diminuição da sua oferta no mercado interno e um aumento dos seus preços.

    Fartura para os estrangeiros, carestia para nós.”

    A desvalorização da nossa moeda tornou a aquisição desses bens mais baratas pelos estrangeiros porque, para eles, são necessários menos dólares para comprar esses bens. Certo, por que as exportações de commodities tendem a aumentar com a desvalorização cambial? Afinal mesmo o setor agroexportador também utiliza máquinas e insumos importados ou que sofrem de alguma maneira com a queda da nossa moeda. Faz sentido? Ou isso traz uma falsa sensação de prosperidade no curto prazo para esse setor e, logo depois, os problemas também atingem eles?

  82. Fazendo uma pesquisa em revistas e artigos sobre, fala-se que a taxa de câmbio foi um dos fatores negativos para a questão da produção brasileira de carcinicultura (página 45 dessa revista) e, mais recentemente, neste censo (página 10), onde é falado que a desvalorização cambial interferiu nas exportações. Não sei se eu entendi: a valorização do real interferiu nas exportações brasileiras ou foi o contrário? Nesse sentido, é possível dizermos que essa maior oferta interna foi benéfica por causa das tarifas de importação dos americanos contra os brasileiros foi benéfica?

    Essa ação mencionada (a antidumping) que restringiu a exportação de camarão do Equador, Brasil, China, Vietnã e Índia para os EUA existe desde 2005.

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