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Em uma economia regulada pelo estado, o foco de atuação do empresariado é desvirtuado

Em termos práticos, o que faz o capitalista-empreendedor?

Ele poupa (ou pega emprestado fundos que foram
poupados por terceiros), contrata mão-de-obra, compra ou aluga bens de capital
e terra, e compra matéria-prima. 

Ato contínuo, ele passa a produzir seus produtos ou
seus serviços, quaisquer que sejam, na esperança de obter lucros nessa
empreitada.

Lucros são definidos como sendo simplesmente um
excesso de receitas de venda em relação aos custos de produção. 

Os custos de produção, no entanto, não determinam os
preços e nem a receita. Se os custos de produção de fato determinassem os
preços e as receitas, então todo mundo seria um capitalista. Ninguém
jamais iria à bancarrota. 

A realidade, no entanto, é outra: é a antecipação
correta dos preços e das receitas futuros o que irá determinar quais serão os
custos de produção
que o capitalista poderá bancar. Empreendedorismo é,
acima de tudo, a arte de saber antecipar corretamente
as demandas dos consumidores e direcionar os recursos presentes de modo a
fabricar bens que atenderão aos desejos dos consumidores no futuro.

O capitalista não sabe quais serão os preços futuros
e nem qual a quantidade de seu produto será comprada aos preços
praticados. Tudo isso vai depender dos consumidores. E o capitalista
não possui nenhum controle sobre eles. O capitalista tem de especular qual será
a demanda futura por seus produtos; e, caso sua especulação se revele errada,
ele não apenas não irá ter lucros como na verdade irá ter prejuízos.

Arriscar o próprio dinheiro (ou, em caso de empréstimo,
o próprio patrimônio) antecipando uma demanda futura incerta é obviamente uma
tarefa difícil. O resultado pode ser lucros magnânimos, mas também pode
ser a ruína financeira. Poucas pessoas estão dispostas a se arriscar
assim, e um número ainda menor de pessoas é realmente excelente nisso,
conseguindo permanecer no mercado por um longo período de tempo.

Mas ainda há outras dificuldades.

A
concorrência em um mercado livre

Cada capitalista está em permanente concorrência com
todos os outros capitalistas pela limitada quantia de dinheiro que os
consumidores estão dispostos a gastar em seus bens e serviços. Cada
produto vendido concorre com todos os outros produtos vendidos. 

Sempre que os consumidores gastam mais (ou menos) em
um bem, eles irão gastar menos (ou mais) em outros bens. Mesmo que um
capitalista tenha criado um produto bem-sucedido e tenha lucrado com ele, não
há garantia nenhuma de que isso irá continuar assim por muito
tempo. Outros empreendedores podem entrar no mercado, imitar seu produto,
produzi-lo a custos mais baixos, vender a preços menores e, com isso, tomar os
seus clientes. 

Para impedir isso, todo capitalista já estabelecido precisa
se esforçar continuamente para reduzir seus custos de produção e, com isso,
reduzir (ou ao menos manter constantes) seus preços. 

No entanto, mesmo isso ainda não basta. Tentar
produzir o que quer que você produza a preços cada vez menores ainda não é o suficiente.

O conjunto de produtos oferecidos pelos vários
capitalistas está em um constante fluxo, assim como também está em fluxo
constante a avaliação que os consumidores fazem destes
produtos. Continuamente, novos e aprimorados produtos são oferecidos no
mercado, e os gostos
dos consumidores mudam constantemente
, o que gera novos sucessos e também estrepitosas
falências. Nada permanece constante. A incerteza do futuro que
aguarda o capitalista nunca desaparece. 

Embora sempre haverá o chamariz dos lucros, também
sempre haverá a ameaça de prejuízos. 

Por tudo isso, é bastante difícil se manter
continuamente como um empreendedor bem sucedido. Um erro de estimativa, e um
empresário pode voltar para a categoria de mero empregado. Por isso, este
empresário estará continuamente à mercê dos caprichos, desejos e exigências dos
consumidores. E estes são extremamente volúveis.

O capitalista em um ambiente estatista

Agora, coloquemos o estado neste cenário para vermos
como ele afeta a atividade do capitalista.

O estado é convencionalmente definido como uma
instituição que possui o monopólio da jurisdição de seu território, sendo o
tomador supremo de decisões judiciais para todos os casos de conflito,
inclusive conflitos
envolvendo o estado e seus próprios funcionários
. Adicionalmente, e em
consequência desta característica, o estado possui também o direito de
tributar, isto é, de determinar de maneira unilateral o preço que seus súditos
têm de lhe pagar para que ele efetue essa tarefa de tomar decisões supremas.

Tendo o monopólio da jurisdição e o poder de
tributar — sendo que ambos esses poderes lhe conferem um terceiro poder, que é
o poder de legislar, regular, controlar e restringir –, o estado adquire a
singular condição de poder escolher quem irá e quem
não irá prosperar
.

Agir sob estas restrições — ou melhor, sob esta
falta de restrições — é o que constitui a política e as ações
políticas. Consequentemente, já deveria estar claro desde o início que a
política, por sua própria natureza, sempre significará transgressões, fraudes e
delitos. 

Mais especificamente, podemos fazer a priori uma previsão sobre quais as
consequências que a imposição de um estado terá sobre a conduta dos
empreendedores. 

Na ausência de um estado, são os consumidores quem
determinam o que será produzido, com que qualidade e em qual quantidade, bem
como quais empreendedores irão prosperar e quais irão à falência. Com a
intervenção do estado, a situação enfrentada pelos empreendedores torna-se
inteiramente diferente. 

Agora passa a ser o estado e seus funcionários, e
não os consumidores, quem em última instância irá decidir quem irá prosperar
e quem irá falir

Dado que o estado vive repleto de dinheiro de
impostos, de dinheiro adquirido via endividamento (dívida esta que será paga
por toda a sociedade via impostos) e de dinheiro criado por
seu próprio Banco Central, ele pode gastar em maior volume do que qualquer
outra entidade. Consequentemente, o estado pode sustentar qualquer empreendedor
concedendo-lhe subsídios, empréstimos a juros baixos
ou fornecendo contratos
exclusivos para obras públicas
. Ele pode também socorrer qualquer
empreendedor que esteja passando por dificuldades (porque os consumidores não
mais querem seus produtos).

Por outro lado, o estado também pode arruinar
qualquer empreendedor ao simplesmente decidir investigar suas operações e
encontrar alguma violação (sempre haverá uma,
inevitavelmente
) de leis e regulamentações estatais. Ou mesmo qualquer
deslize tributário.

Sendo o monopolista da violência, o estado (seus
membros) pode achacar e extorquir aqueles empresários de quem ele não gosta, os
quais não poderão simplesmente se negar a pagar o achaque, pois sabem que, se o
fizerem, sua empresa
poderá ser prejudicada das mais diversas formas
. [N. do E.: no Brasil, quem
trabalha na construção civil sabe que em algum momento um fiscal do governo
surgirá pedindo um “agrado”].

Ademais, o estado pode ele próprio utilizar o
dinheiro que extrai da população para tentar se tornar um
empreendedor
. E dado que ele não precisa se preocupar
em ter lucros e evitar prejuízos — pois ele sempre poderá suplementar suas
receitas por meio de impostos, endividamento ou criação própria de dinheiro –,
ele sempre poderá sobrepujar qualquer produtor privado que esteja produzindo
bens ou serviços similares.

Finalmente, em decorrência de seu poder de legislar,
de criar leis e de alterar regras, o estado pode conceder privilégios exclusivos
para algumas empresas específicas, isolando-as ou protegendo-as da
concorrência, seja por meio de tarifas protecionistas, de barreiras
alfandegárias ou mesmo por uma simples e direta reserva de mercado. Ele também
pode expropriar parcialmente — e criar uma série de empecilhos sobre — outras
empresas.

Nesse ambiente, torna-se imperativo que todos os
empreendedores prestem total e constante atenção ao mundo político. Para permanecer vivo e possivelmente
prosperar, um empreendedor terá agora de dedicar muito tempo e esforço a
tarefas que nada têm a ver com a satisfação de seus clientes, mas sim com a
satisfação do poder político

E, desta forma, baseando-se em sua compreensão
acerca da natureza do estado e da política, ele terá de fazer uma escolha: uma
escolha moral.

Ele pode escolher se juntar ao estado e se tornar
parte desta vasta
organização criminosa

Ele pode subornar políticos, partidos políticos ou
funcionários públicos, seja
com dinheiro ou com promessas tangíveis
(algum emprego futuro no setor
“privado” como “membro do conselho administrativo” ou como
“conselheiro” ou “consultor”), com o objetivo de obter para
si próprio algumas vantagens econômicas em detrimento das outras empresas
concorrentes. 

Ele pode pagar propinas para
assegurar contratos
(de obras públicas ou de fornecimento de material para
empresas estatais) ou garantir subsídios para ele próprio em detrimento dos
outros concorrentes. Ou ele também pode pagar propinas para conseguir
aprovação ou a
manutenção de legislações
 que assegurem a ele e à sua empresa
privilégios legais e lucros monopolistas — ao mesmo tempo em que parcialmente
expropria e oprime seus concorrentes.

Desnecessário dizer que vários empresários optaram
por este caminho. Em específico, grandes bancos, grandes indústrias, mineradoras e
empreiteiras se tornaram desta maneira intricadamente envolvidos com o estado,
e vários empresários hoje bilionários construíram suas fortunas muito mais em
decorrência de suas habilidades
políticas do que em decorrência de suas habilidades como empreendedores

preocupados em bem servir aos consumidores.

A escolha

Mas há a outra escolha: um empreendedor pode optar
pelo caminho honroso — e ao mesmo tempo muito mais difícil. 

Este empreendedor está a par da natureza do
estado. Ele sabe que o estado e seus funcionários estão ali apenas para
intimidá-lo, chantageá-lo e extorqui-lo, para confiscar sua propriedade e seu
dinheiro. Pior: ele sabe que eles são hipócritas arrogantes e presunçosos,
que afetam superioridade moral e se acham acima de todo o bem e todo o
mal. 

Sabendo disso, essa espécie bastante rara de
empreendedor terá então de se esforçar e tentar fazer o seu melhor para sempre
se antecipar e se ajustar a toda e qualquer manobra maléfica do
estado. Ele não irá se juntar à gangue. Ele não pagará propinas para
assegurar contratos ou privilégios do estado. 

Ao contrário, ele estará sempre tentando, na medida
do possível, defender o que quer que tenha restado de sua propriedade e de seus
direitos de propriedade, e tentará ainda obter o máximo de lucro possível
operando nesta situação estressante.

Ou seja, é só para verdadeiros heróis.

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80 comentários em “Em uma economia regulada pelo estado, o foco de atuação do empresariado é desvirtuado”

  1. Esse é o exemplo claro do que acontece em nosso pais, o governo cria “caminhos” para empresas grandes, como as empreiteiras, obterem todo o mercado de grandes construções no pais, em troca de financiamentos para campanhas eleitorais e tudo o mais. Monopólio só beneficia grandes empresas e o próprio governo (mesmo porque só há monopólio em setores regulados pelo estado). O consumidor que era pra ser o “manda-chuva” fica em segundo plano.

  2. No Brasil, além de ter de tentar prever demandas dos consumidores e tentar ser mais eficiente possível, ainda tem que aguentar amolação de sindicato, justiça do trabalho, impostos, órgãos estatais reguladores, moeda que não presta, código tributário ininteligível e muita burocracia e que confunde a cabeça.

    Enquanto empreender e arrumar emprego está cada vez pior, não faltam oportunidades para entrar em cargos estatais (ou em conluio com o estado) e esbanjar o espólio alheio.

  3. “Ele sabe que o estado e seus funcionários estão ali apenas para intimidá-lo, chantageá-lo e extorqui-lo, para confiscar sua propriedade e seu dinheiro. Pior: ele sabe que eles são hipócritas arrogantes e presunçosos, que afetam superioridade moral e se acham acima de todo o bem e todo o mal. ”

    Perfeito.

    E o pior que a grande maioria da sociedade exalta o funcionarismo público.

  4. Para um megaempresário, uma socioeconomia controlada pelo Estado é muito mais confortável do que o livre mercado. Por isso megaempresários sempre mantiveram relações cômodas e confortáveis com a esquerda.

  5. No Brasil, os políticos vivem como ricos, mas não são ricos no sentido patrimonial: moram em mansões (e sitios 😉 ) que não são deles, andam em carrões que não são deles, viajam em jatinhos que não são deles, e frequentam os melhores e mais caros hotéis, restaurantes e resorts sem jamais por a mão no bolso. E ainda acham que isto lhes dá moral para falar mal da “elite privilegiada”.

  6. A Teoria da Corrupção

    O poder do estado — e, por conseguinte, o poder daqueles que detêm cargos de poder dentro da máquina estatal — é o poder de pilhar, usurpar e dar ordens. Quem detém o poder estatal detém a capacidade de se locupletar. A capacidade de se locupletar estando dentro da máquina estatal é a definição precípua de corrupção.

    A corrupção sistemática necessariamente acompanha um governo. Ela está presente na história de absolutamente todos os governos. Varia apenas a intensidade e o grau de exposição e de denúncia pela mídia.

    A teoria por trás destas conexões é simples.

    Em primeiro lugar, o governo detém o monopólio da criação de legislações e emendas orçamentárias. E tal monopólio gera oportunidades para se roubar legalmente. Roubar legalmente significa aprovar uma lei, regulamentação ou emenda orçamentária que favoreça um determinado grupo à custa de todo o resto da economia, principalmente os pagadores de impostos.

    Em segundo lugar, o governo, munido do dinheiro que coleta de impostos, detém o monopólio da escolha das empresas que farão as obras públicas que o governo julga adequadas. Esse processo de escolha, que dá à empresa vencedora acesso livre ao dinheiro da população — algo que não ocorre no livre mercado — é outra forma de roubo legalizado.

    Grupos de interesse — por exemplo, grandes empresas, empreiteiras ou empresários com boas ligações políticas — ansiosos por adquirir vantagens que não conseguem obter no livre mercado irão procurar determinados políticos e fazer lobby para “convencê-los” a aprovar uma determinada legislação que lhes seja benéfica, ou para pressionar que sua empresa (ou empreiteira) seja a escolhida para uma obra pública.

    A legislação pode ser desde a imposição de tarifas de importação até a criação de regulamentações que irão dificultar a entrada de novos concorrentes em um mercado específico. Pode também ser uma mera emenda orçamentária que irá beneficiar alguma empreiteira que será agraciada com a concessão de alguma obra pública.

    Mas há um problema: se esses legisladores não cobrarem um preço pelo seu voto favorável — isto é, se o custo para se fazer lobby for zero —, então a demanda por legislações específicas será infinita. Igualmente, se os políticos não cobrarem um preço das empreiteiras escolhidas para fazer as obras públicas, a demanda por obras públicas da parte das empreiteiras também será infinita.

    Sendo assim, os legisladores terão de cobrar caro pelo seu voto com o intuito de estabelecer parâmetros para os espertalhões que estão brigando pelo seu voto favorável; e os políticos terão de cobrar um preço alto para fraudar o processo de licitação em prol de uma determinada empreiteira.

    Para ambos os casos, o preço inclui contribuições de campanha, dinheiro em contas no exterior, favores corporativos, publicidade favorável, e vários outros. Suborno e propina são apenas as formas mais cruas desse leilão.

  7. Ola pessoal, boa tarde.

    Quanto ao empreendedor da escolha, gostaria de um exemplo atual, e um que existiu, ou que claramente aspira ser por estar no caminho, ou pelo menos um que genuinamente tentou ou mais próximo que conseguiu, não acabar nas garras de um estado.

    Isso é possível? Algum empreendedor fora do círculo libertário, ou de ideais liberais, almeja isso hoje? E está no caminho?

    Abraços.

  8. 5 minutos de ira!!!

    Por que não há uma massa de candidatos liberais nessa eleição!?

    A esquerda sempre usou da tática de por diversos candidatos para monopolizar o debate. Um ataca o outro e não parece haver outra via………. direita e esquerda levam ao mesmo caminho…

    Tem uns pra presidente, mas e o congresso?

    Por que o instituto mises não apoia abertamente nenhum político/partido para o senado, que seja, nem mesmo pra por o libertarianismo em debate no palanque do congresso??? Nem que seja para denunciar a mão invisível do Estado???

    Li críticas ao João Almoedo e ao Bolsonaro, mas no fim do dia é em um deles que terei que votar. Quem, então!?

    Deem uma luz, ai, pfv…

  9. “Ao ouvir reclamações de Joesley sobre a gestão de Maria Sílvia à frente do BNDES, Rocha Loures sugere que o empresário repita suas queixas ao presidente, no encontro do dia seguinte. “Aproveita para dizer para ele que isso aqui está muito ruim”, disse.

    Joesley, de fato, falou sobre dificuldades no BNDES com Temer. Ao deputado o empresário defendeu que o banco atue de modo mais flexível. “O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social só faz sentido para [financiar] projeto em que a conta não fecha”, disse.

    Em um trecho da conversa, o empresário reclama que o real está muito valorizado e defende a taxa de câmbio na casa dos R$ 3,40. Curiosamente, o dólar atingiu essa taxa no dia seguinte à divulgação da conversa de Joesley com Temer, diante da incerteza na economia.”

    www1.folha.uol.com.br/poder/2017/05/1886284-em-audio-deputado-se-diz-emissario-de-temer-e-marca-hora-para-joesley.shtml

  10. A fonte do crescimento econômico são as trocas voluntárias e mutuamente benéficas entre os indivíduos. Dentro de uma economia baseada em transações voluntárias, os consumidores gastam uma parte da sua renda em bens e serviços com o intuito de satisfazer seus desejos mais imediatos. Isto estimula a produção corrente.

    Simultaneamente, os consumidores poupam uma parte de sua renda visando a satisfazer, no futuro, seus desejos que hoje são menos imediatos. Isto sinaliza para os empreendedores como deve ser a estrutura produtiva voltada para o longo prazo.

    Esta proporção entre consumo e poupança determina a estrutura de produção da economia, mostrando quais bens são mais demandados no presente e quais bens devem ser produzidos para o longo prazo. Este arranjo leva ao desenvolvimento de mercados de capitais mais sofisticados.

    Contratos privados, concorrência nos mercados e instituições privadas que possibilitam investimentos e acumulação de capital são todo o necessário para se obter um crescimento econômico ótimo.

  11. Há um piso (ou uma barreira) financeiro-burocrático pra se empreender no Brasil. Só os pequenos que operam em um mercado livre, sem privilégios e proteções, que o sentem.

  12. Como o próprio hoppe sempre fala: ”o rico é rico por um motivo… ”. É uma grande ilusão achar que um sistema feito para beneficiar as massas as custas aristocracia (democracia) não seria pervertido pela própria elite intelectual.

    Esses empresários são as pessoas mais inteligentes da sociedade, são as pessoas com maior QI, eles se utilizam da ignorância e ”ganância burra”(como diria bastiat) da população que pede para o Estado apontar armas para essas empresas para garantir o ”bem comum”, eles simplesmente viram essa arma para seus concorrentes o que cria seus privilégios.

  13. Davi Pereira Gomes

    Diante de um artigo maravilhoso como esse,até fico feliz por ter escolhido como tema de TCC – ” Como o Estado reprime o progresso “.

    Espero conseguir mostrar pra algumas pessoas que o Estado castigando o empreendedorismo,castiga a sociedade inteira.

  14. Nessa sociedade anarco-capitalista, só haveria espaço para bons vendedores de peixe.

    Parem para pensar e, de dentro de vocês, poderão constatar um fato:

    Os melhores não são os mais vendidos.

    Nos mais diversos serviços e nas melhores linhas de produção, principalmente no artesanato, os melhores geralmente são pessoas que se focaram em uma habilidade por uma vida inteira e, para isso, nunca se dedicaram a aprender a vender. Muitos gênios em uma área são péssimos em lidar com outras coisas, como a administração. Alguns chegam a passear pelo espectro autista da personalidade.

    Uma sociedade anarco-capitalista beneficia marqueteiros. Vejo isso na minha profissão e nas mais diversas áreas.

    Apontem uma solução para isso e eu saio do meu cargo público (que para mim é uma forma de eu trabalhar da melhor maneira que eu sei sem ter que lidar com cobrança e negociação).

  15. Muito bom esse artigo. São só coisas que já sabemos, mas de qualquer forma é importante manter fresco na memória esses problemas e argumentos.

  16. Exercício de filosofia: advocacia do diabo.

    Na minha cidade tem um dentista que estraga os dentes de todo mundo, mas é considerado um homem de sucesso, de família de nome, tem uma clinica maravilhosa, cadeira que faz massagem e faz tratamento de canal a laser (?!?!). Faz uns vinte anos que ele está no mercado e nunca ficou por baixo. Como? Ele tem lábia… ele vende… exemplo real. Não diga que não por que é verdade!!!!!!!

    Ele estraga os dentes de todo mundo e mantém a clientela a 20 anos? Então as pessoas só vão ao seu consultório para receber massagem?

    Vá no shopping e veja qual o buteco que nunca fica sem movimento: Macdonnalds… ai vc come aquele lanche feito por um aprendiz, sem centralização, com metade da alface já caída fora na caixinha, toma coca cola sem gas (pura água), lê as informações nutricionais deprimentes na embalagem do lanche e diz: eu juro que essa foi a ultima vez.

    Bem, os McDonalds que costumo frequentar servem um lanche, geralmente, bem montado, com uma coca cola com gás… Agora, procure outro lugar que sirva um lanche + batata + coca por 17 reais, com padrão de qualidade semelhante. Você vai achar lanche bem mais gostosos, gourmetizados, porém vai pagar 30, 40 reias, mais bebida, garçom, etc. O preço é acessível.

    Digo isso porque sempre há um bom dentista com um consultório modesto e uma ótima lanchonete que não chama a atenção… por causa de marketing, relações públicas, propaganda, venda, nunca por causa do produto ou do serviço.

    Eu não estou entendendo, você quer que o cara abra um consultório nos fundos da sua casa e que comece chover cliente? Você tem que fazer o MÍNIMO pra atrair alguma clientela e prestar um bom serviço para manter a clientela (que irá fazer um marketing gratuito pra você, se gostar do serviço). E você ainda pode optar por ter um consultório mais modesto, sem cadeiras de massagens, cobrando valores mais baixos ou ter um consultório igual o do seu exemplo, cobrando mais pelo luxo "extra".

    Quando um ótimo dentista ou chef de cozinha sabe fazer seu trabalho maravilhosamente (nada de guarda chuva furado, falo de coisa boa que qqr um quer), mas não sabe vender seu peixe, nem tão pouco administrar sua empresa, para não se frustrar na profissão, tem que achar uma saída. As vezes a saída está num concurso público.

    Concurso não garante vaga para quem faz maravilhosamente bem, apenas para quem burocraticamente estudou uma apostila e passou na prova. Ou seja, um fracassado no empreendedorismo, que não consegue angariar clientela, deve entrar no Estado e tomar a força o dinheiro de gente que sequer comprará seu serviço? Beleza, bem ético.

    Esse bom dentista atende muito mais gente num dia estando numa UBS e atende bem. Ganha menos por procedimento do que ganharia no particular, mas como não vende, não adianta estar no consultório. Não precisa lidar com a parte que ele não gosta (cobrar) e está, portanto, fazendo um trabalho eficiente (o custo em imposto é menor do que o custo individual no consultório). Ainda assim, ele deveria ser tratado como um receptador de carro roubado?

    Deve ser por isso que ninguém mais procura dentistas particulares, todos os bons dentistas estão atendendo em UBS; e atendendo bem, igual o setor privado. Receptador de carro roubado recebe um produto que ele sabe que foi tomado a força de alguém; o dentista da UBS faz um serviço e recebe dinheiro tomado a força de alguém. Moralmente falando, tem muita diferença?

  17. Interessante como este artigo poderia concisamente tratar-se de uma sinopse do livro A Revolta de Atlas, de Ayn Rand. O cenário moralmente destrutivo propagado pela ação estatal e o peso da dificil decisao em aguentá-lo sobre o indivíduo, seriam um bom resumo da obra da escritora.

  18. Digamos que tenhamos um Estado benevolente que não cobre impostos. Digamos que esse Estado comece a imprimir mais e mais dinheiro de forma “controlada” mas destinando o mesmo não para o seu próprio bolso, mas sim para pesquisas científicas e/ou tecnológicas assim como para educação, saúde e segurança. Esse ato – de imprimir mais e mais dinheiro – iria afetar negativamente a economia do país, tendo em vista que ele estaria investindo em pesquisas?

  19. Ninguém proibe os empregados de abrirem suas próprias empresas, individualmente ou em grupo. Não existem “classes sociais” no sentido marxista.

    * * *

  20. Entendo que o excesso de estado faz muio mal a sociedade (vide Venezuela) e mesmo o excesso mascarado de capitalismo (Vide China), mas esse texto tratar como organização criminosa o estado é demais, e nem é um hipérbole, ora se não houver estado e suas leis “malvadonas” quem irá impedir que um terceiro se aproprie do seu produto de forma ilícita? Ou quem irá dirimir conflitos entre as pessoas em que ambas acreditam fielmente estarem sendo prejudicadas? O fato de nossa experiência entre estado e capitalismo não tenha sido a melhor, não diminui em nada a existência vital de um corpo burocrático, em nenhum lugar do mundo e nenhum lugar da história deixou de existir estado é impossível existir sociedade sem estado, tribos indígenas vivem sob uma forma de estado com chefe (cacique), fronteiras (rios, florestas, etc..) e uma diretriz moral (leis) com menos ódio (o que te leva mais a parecer um esquerdista) ao estado o seu texto teria sido pelo menos oportuno.

  21. “Por outro lado, o estado também pode arruinar qualquer empreendedor ao simplesmente decidir investigar suas operações e encontrar alguma violação (sempre haverá uma, inevitavelmente) de leis e regulamentações estatais. Ou mesmo qualquer deslize tributário.”

    Isso é muito real, principalmente com relação aos deslizes tributários. As legislações dos ICMS’s são extremamente complexas, é quase impossível a empresa não cometer algum deslize (mesmo grandes empresas assessoradas por grandes escritórios contábeis e de advocacia). Fora isso, os fiscais autuam por fatos que não são motivos para autuação, é um inferno. Em tempos que os Estados estão quebrados, a tendência é piorar.

    Reverter as autuações no tribunal fazendário é quase impossível, no judiciário é bem difícil, há uma insegurança jurídica enorme.

  22. Só não concordo quando afirma que o estado “tem direito” de cobrar impostos.

    Não! Ele não tem direito de cobrar impostos e motivo já foi explicado squi mesmo quando mostrado que a entidade é uma contradição jurídica.

    No mais o texto é excelente, como sempre!

  23. Pessoal, qual a causa dessas crises? Resumidamente em poucas palavras:

    1982: Crise da dívida externa, na América Latina, com início no México.

    1989-91: Crise do sistema de poupança e empréstimo nos Estados Unidos.

    1990s: Bolha especulativa japonesa.

    1992-1993: Ataques especulativos às moedas no European Exchange Rate Mechanism (Mecanismo de taxas de câmbio europeu).

    1994-1995: Crise econômica do México de 1994: ataque especulativo e inadimplência do México.

    1997-1998: Crise financeira asiática: desvalorizações e crise bancária em vários países da Ásia.

    1998: Crise financeira russa: desvalorização do rublo e inadimplência da Rússia.

    2001-2002: Crise econômica da Argentina : quebra do sistema bancário.

    2008: Crise financeira de 2008-2012, nos Estados Unidos, levando recessão a diversos outros países no mundo.

    2013-atualidade: Crise na Venezuela desde 2013, iniciado no governo Chávez e acentuada após o governo Nicolás Maduro.

    2014: Crise econômica brasileira de 2014, iniciado no segundo mandato de Dilma Rousseff

  24. Vi hoje esse vídeo sobre a crise de 2008. Até que ficou bom, só faltou ele falar do papel principal que o Federal Reserve System exerceu para criar essa bolha imobiliária.

    Leandro Roque no roteiro deixaria o vídeo perfeito.

  25. Enquanto isso…

    Estado brasileiro deve deixar de ser subalterno ao mercado, diz economista

    (…)

    Em entrevista ao UOL, ele disse que os EUA e a Europa já começaram a seguir esse caminho, após décadas de políticas econômicas que colocaram os mercados como principais agentes das atividades. Mas o Brasil estaria na contramão do mundo, ao reduzir o tamanho do Estado e aumentar a importância do setor privado. Para ele, o país precisa deixar de colocar o Estado como subalterno ao mercado.

    (…)

    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2021/10/01/brasil-vai-seguir-na-contramao-do-mundo-enquanto-bolsonaro-for-presidente.htm

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