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Cinco características estranhas desta guerra comercial

Nota do editor

O artigo abaixo foi originalmente publicado em julho de 2018. Com a recente escalada das tensões entre os governos de EUA e China, ele ficou ainda mais atual. Adicionalmente, ele explica por que as medidas protecionistas até então adotadas pelo governo americano não surtiram visíveis efeitos negativos sobre os consumidores americanos.

________________________________________________________________

Após anos de alertas de que ela viria, e após meses
de ameaças e retórica, a guerra comercial está oficialmente lançada. Nada mais
de prazos, propostas e negociações. Ela já está aqui, agora, e provavelmente
irá se intensificar.

As primeiras consequências não-premeditadas já estão
sendo sentidas, como o anúncio
da Harley-Davidson
de que irá fechar uma fábrica nos EUA e abrir outra na
Tailândia.

No entanto, vale a pena refletir sobre todas as
maneiras como esta guerra comercial parece divergir do padrão histórico. No final, chega-se a uma
constatação importante: essa guerra comercial não nasceu de uma estratégia, mas
sim de uma mera ideologia.

1.
A economia americana está forte

Normalmente, políticos adotam o protecionismo em
épocas de economia em recessão. O objetivo, completamente insensato, é proteger
as empresas nacionais da concorrência estrangeira, garantindo uma reserva de
mercado para elas. No entanto, como nos mostram as trágicas consequências da
tarifa Smoot-Hawley
, essa medida simplesmente piora tudo.

Atualmente, porém, a situação é bastante diferente.
Após uma longa e lenta recuperação desde a crise financeira de 2008, a economia
americana finalmente voltou a acelerar. Não apenas os principais indicadores
macroeconômicos — como o aumento da renda e dos salários — são
robustos, como a taxa
de desemprego está no menor patamar desde 1968
.

Logo, qual realmente é o problema a ser resolvido?
Há quem diga que o emprego no setor industrial está em queda, o que é verdade,
porém a produção
industrial americana nunca esteve tão alta, assim como a renda destes
empregados
. Ademais, o emprego no setor industrial alcançou seu último pico
no ano de 1980, passando a entrar em uma contínua queda desde então.
Logo, simplesmente não faz sentido adotar uma política econômica em 2018 para
solucionar um aparente “problema” cuja tendência já era clara há 40 anos. A
redução da mão-de-obra humana no setor industrial não apenas é um fenômeno inevitável, como
também é humanamente desejável
.

Ademais, a economia americana já está plenamente adaptada à
globalização
. Nenhum americano será capaz de citar um único produto
adquirido nos últimos 5 anos que não utilize algum processo de produção
“estrangeiro” em sua manufatura.

No final, a grande ironia deste ponto é que é
exatamente a economia robusta o que irá possibilitar que essa política do
governo Trump tenha longevidade. Estivesse o país em uma recessão, o
protecionismo rapidamente pioraria a situação de
todos
, pois traria um imediato aumento no custo de vida em um momento de
desemprego alto e renda em queda; estando, porém, o país em crescimento
econômico, os efeitos deletérios do protecionismo podem ser bastante
amenizados. O rápido crescimento econômico e uma baixa taxa de desemprego
possibilitam o nacionalismo econômico sem que se sinta seus rápidos e óbvios
efeitos deletérios.

De uma forma um tanto perversa, o crescimento
econômico americano irá fornecer alguma blindagem contra os estragos.

Mas jamais nos esqueçamos da lição de Bastiat: para
avaliar as consequências de uma política econômica, temos de olhar tanto para
aquilo que vemos quanto para aquilo que não vemos. Uma grande quantidade de
riqueza não apenas será como já está
sendo
destruída. Veja exemplos recentes de pequenas empresas americanas
negativamente afetadas por essas tarifas de importação aqui,
aqui,
aqui,
aqui,
aqui
e aqui.

2.
Não há um ponto final

Os produtores e consumidores de todos os países
afetados (Canadá, México, toda a Europa e China) perguntam qual realmente é o
objetivo de tudo isso. Cabe ao país que deu o primeiro tiro fazer a distensão e
restaurar a ordem comercial global. Mas você não encontra nenhuma declaração
oficial do governo Trump indicando o que faria o governo americano recuar.

Ao contrário: todas as declarações e postagens no
Twitter indicam mais, mais e mais agravamento. Hoje, Trump já está ameaçando
impor tarifas contra a China em
um valor total que chega a US$ 550 bilhões
. O número é tão pitoresco que chega
a ser engraçado: dado que o total de importações oriundas da China foi de
apenas US$
500 bilhões em 2017
, tudo indica que Trump simplesmente pegou esse valor e
acrescentou mais US$ 50 bilhões. Inacreditável.

E veja só: o principal conselheiro de Trump para
comércio exterior disse, em uma entrevista
à Fox News
(minuto 3:20) que “Eu não creio que algum país no mundo irá
retaliar …”. Adivinha só? Ele estava completamente errado. Mas, ainda assim,
não há nem sinal de recuo. Logo, qual é o real objetivo aqui? Se não há
objetivo, não há uma vitória de verdade.

3.
As tarifas atingiram os insumos e os bens de capital, e não os bens de consumo

Esse é o ponto mais curioso e estranho de todos. Até
o momento, segundo uma pesquisa
do Centre for Economic Policy Research,
o protecionismo está praticamente todo voltado para máquinas, insumos e demais
bens de produção, e não para bens de consumo.

A esmagadora maioria dos casos de protecionismo é
voltada para bens de consumo. Este atual não é. Incríveis 95% das tarifas
aplicadas até o momento incidem sobre bens de capital
e bens
intermediários
. São os materiais que as empresas e indústrias americanas
utilizam para fabricar produtos. Agora, elas terão de pagar mais caro, o que
acarreta um encarecimento artificial do seu custo de produção (por isso as
pequenas e médias empresas estão sendo negativamente afetadas, como demonstram
as notícias listadas ao final do item 1).

Este primeiro gráfico mostra a incidência de todas
as tarifas.

tariffed1.png

O
total de bens atingidos pelas tarifas de Trump

Já este segundo gráfico mostra apenas as tarifas
para a China.

tariffed2.png

Produtos
da China atingidos pelas tarifas de Trump

São números notáveis. A pergunta, de novo, é: há
alguma estratégia nisso tudo? É realmente difícil ver alguma. Não há nenhuma
indicação de que as tarifas foram criadas para pressionar a China a aceitar
exigências do governo americano, uma vez que ninguém consegue imaginar o que
exatamente Trump quer da China.

A única explicação plausível é que Trump quer que
tudo seja fabricado nos EUA. Ele está tentando inspirar uma readaptação e uma
reorganização de toda a base industrial da economia americana, fazendo com que
ela volte a ter a mesma cara da década de 1970, com indústrias pesadas
utilizando mão-de-obra humana para fazer serviços maçantes, exaustivos e
agravadores da saúde.

Esse tipo de nostalgia esconde um profundo
desconhecimento: no mundo atual, economias baseadas em trabalho industrial
pesado são atrasadas; as economias desenvolvidas são aquelas que se concentram no setor
tecnológico e de serviços
. Empregos industriais pesados sempre foram
insalubres e, por isso mesmo, indesejáveis. Quem já esteve lá sabe bem: trabalhar
na indústria é algo totalmente punitivo do ponto de vista da saúde. É um
ambiente maçante e monótono. O trabalhador industrial passa oito horas do dia
fazendo trabalhados repetitivos e extenuantes. É a perfeita caricatura do homem
robotizado. País rico é aquele que já passou desta fase e já a terceirizou
para países mais pobres, os quais, exatamente por ainda não terem o mesmo nível
de riqueza, ainda se submetem a isso.

Colocar tarifas de importação para regredir a economia a este arranjo não é uma
forma de negociação. É simplesmente uma atroz forma de planejamento industrial
baseada no modelo de autarquia — um delírio impossível que, caso concretizado,
levaria a uma profunda queda no padrão de vida dos americanos (atualmente, o maior do mundo).

4.
As desculpas são várias

Uma maneira de diferenciar uma desculpa de uma
justificativa racional está na ladainha.

Você pergunta a uma pessoa: “Por que você não pode
ir à festa?”. E aí ela responde: “Ah, eu tenho que fazer minha monografia, meu
cachorro está doente, estou esperando uma ligação da minha mãe, meu carro está
estragado, e parece que vai chover.”

Se você começa a ouvir esse tipo de desculpa, você
sabe com certeza que há algo mais por trás de tudo.

O mesmo ocorre com as políticas comerciais de Trump.
As desculpas nunca acabam, e estão sempre mudando: déficit comercial,
desrespeito à propriedade intelectual, perigo à segurança nacional, subsídios
excessivos dados pelos outros países às suas indústrias, manipulação cambial da
China, ou qualquer combinação de todos esses.  

Assim como a desculpa para não ir à festa, chega-se
a um ponto em que nada disso é realmente crível. E há também o fato de que
Trump vem defendendo o nacionalismo econômico desde a década de 1980, de modo
que é implausível que estas ações sejam realmente uma resposta a eventos
econômicos atuais. Ao contrário: elas são produto da ideologia.

5.
No final, são os próprios americanos que irão pagar

O governo americano diz que essas tarifas são
impostas aos países estrangeiros. Falso. Por mais poderosos que sejam os EUA,
seu governo não tem como fazer com que China, Canadá, Europa ou México paguem por
alguma coisa.

Tarifas de importação são uma taxa extra que a alfândega
do país em que a mercadoria desembarca acrescenta ao valor final do produto já comprado.
Ou seja, tarifas são pagas por produtores e consumidores do país importador. É um imposto. Pura e simplesmente.

 

No final, todas essas cinco estranhas características
desta guerra comercial apontam para aquilo que talvez seja a mais assustadora dimensão
de todo este fiasco: é a ideologia quem está alimentando tudo isso. Trump é um
crente no planejamento econômico nacional, o que significa autarquia. Isso permite
que ele seja o CEO do país, administre cada empresa, puna seus inimigos e
premie seus amigos, e faça com que vários de seus admiradores o saúdem como um
grande líder.

Ironicamente, trata-se da clássica tática do “grande
homem” seguidor da velha presunção de Hegel: a de que ele está guiando a
história para a direção correta.

Uma
nota de otimismo

No entanto, para não terminarmos em uma nota muito
depressiva, vamos enfatizar algumas boas notícias.

Por ora, a esmagadora maioria do comércio ainda não foi
afetada, ao menos se tomarmos por base estes
interessantes dados
compilados pelo Washington
Post
.

wapo_tariffs.jpg

Para resumir, os EUA importaram um total de US$ 2,4
trilhões de bens em 2017. Até o momento, na prática, Trump impôs tarifas em
apenas US$ 85 bilhões, o que dá 3,6% do total. No entanto, e aí jaz o perigo,
ele está ameaçando nada menos que US$ 700 bilhões em tarifas adicionais, o que
chegaria a 30% do total de importações.

Ou seja, isso dá uma dimensão do grande estrago que
ainda pode ser feito à economia global.

O cenário de pesadelo é aquele em que Trump impõe tarifas
adicionais, as quais levam os outros países a reagir impondo também mais
tarifas de importação. Trump então se ofende por essa reação e impõe novas
tarifas (a aumenta ainda mais as já existentes), o que desencadeia novas retaliações
de todos os lados. E por aí vai. Se a história nos serve de guia, os prognósticos não são alvissareiros.

Conclusão

No final, tudo isso é a política em sua mais explícita
manifestação: tudo se resume a poder e controle, a centralização e obediência,
e não a prosperidade e grandeza. É a velha glória de mandar.

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104 comentários em “Cinco características estranhas desta guerra comercial”

  1. A ideia de reativar indústrias obsoletas é bizarra, além de ser totalmente contraproducente. Mão de obra e recursos que deveriam estar sendo direcionados à nanotecnologia, à tecnologia de informação, às pesquisas médicas e científicas, e à cura do câncer voltarão às fábricas pesadas para cortar, entortar e rebitar ferro — tarefas que um xing-ling é capaz de executar a custos irrisórios.

    Que isso seja considerado por repúblicas bananeiras é até compreensível. Mas nos EUA? É a total apologia ao atraso.

  2. Trump está apenas sendo mais um republicano no velho estilo lincolniano: tarifas protecionistas e compensadas por algumas melhorias internas. E com um Banco Central intacto.

  3. Se os EUA não querem aço estrangeiro, isso significa que haverá excesso de aço no mercado mundial. Para o Brasil isso significa aço mais barato para a indústria e menos inflação. Tomara que o Trump crie taxas para automóveis também, pois com o fim do maldito Inovar Auto é possível que esses automóveis venham ser vendidos por aqui aumentando a concorrência.

    Deixa os americanos chorarem lá. Se a gente for esperto, dá pra se beneficiar dessas cagadas feitas por lá.

  4. Cristiane de Lira Silva

    Vocês são mesmo bondosos com Trump. Eu continuo achando que Trump e seus fãs desejam levar o mundo pra idade das trevas enquanto parte da esquerda quer levar pra época da revolução russa.

    Não se pode deixar de rir vendo isso. Meu otimismo vem da percepção de que o mundo não pode continuar andando pra trás ( não por muito tempo) só porque essa gente maluca não consegue viver no tempo presente.

    Já que eles gostam tanto de passado poderiam fazer o favor de se mudar para as cavernas.

  5. Tente explicar isso para as “Trumpetes”, “Olavetes”, “Bolsonetes”, “Nandetes”, e YouTubers reaças…

    Ouço direto que “Trump está fazendo história”, “melhor presidente da história dos EUA”;

    Bolsonaro, vulgo “o mito”, vem aí para romper com a China, e blá blá blá.

  6. Ministro da Adequação

    Eu to me divertindo bastante com todos os artigos que o IMB faz com relação ao Trump…estou adorando o desespero e a incompreensão de vcs diante desde homem com o topete platinado.

    IMB so da fora….

    Vcs batiam tanto no Euro, faziam previsões de que ele era insustentável… E o Euro ta ai até hoje, firme e forte. Vcs até desistiram na ladainha.

    Os seres humanos não são lógicos e portanto a praxeologia de Mises cai por terra quando é confrontada com a realidade. Se a matemática/econometria não consegue prever a ação humana, os axiomas dos mises tbm não serão capazes de prever a ação humana. Portanto não tirem leis de onde não se existe.

    Trump está dando uma lição aos que estavam convictos de suas ideias.

  7. Nem precisa ser sofisticado não. O protecionismo nada tem a ver com ideologia, nem com técnica de gestão, muito menos com preocupação social, ao contrário: é apenas reserva do quintal para que os “investidores de campanha” depenem as galinhas sem misericórdia.

    Facam uma devassa e verão que as empresas beneficiadas pelas reservas de mercado são as que mais fazem doações de campanha.

  8. Essa guerra comercial é ótima para países emergentes, que podem aproveitar a oportunidade para abrir o mercado e receber o que os países que estão impondo tarifas não recebem.

    Pena que temos um monte de nacionalistas, estadistas e socialistas na briga pela presidência…

  9. É um tanto cedo ainda, mas a inflação de preços ao produtor nos EUA (exatamente a que está sendo diretamente afetada por essas tarifas) foi divulgada hoje e está nas máximas desde 2008.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-producer-prices-change.png?s=unitedstapropricha&v=201807111242v&d1=20130101&d2=20181231

  10. Estou longe de ter a profundidade do autor desta matéria. Mas existe uma outra aparente desculpa:

    É uma queda de braço sim. Os EUA exigem reciprocidade de tratamento.

    Isso na minha modesta opinião não é desculpa. É fato.

    E como reagir a falta de reciprocidade? Com guerra… Todos perdem com a guerra. Mas não reagir a uma injustiça não me parece racional…

  11. Pessoal, a indústria de hoje não é a mesma que antes. A visão que todos os empregados na indústria serão de trabalho braçal tal como em séculos passados não é correta. Mesmo a extração mineral é mecanizada. Calma aí. As medidas de Trump, como dito no texto, nem são de alcance tão amplo em todos os setoresve os EUA já estão na idade da pedra lascada? É possível abrir todas as barreiras comercias contra os subsídios chineses? Não dá. Acredito que para afirmar se Trump está certo ou não é necessário observar a longevidade das medidas. Será que não está cedo e com picos dados para a análise? Acredito que estamos com o mindset libertário e tudo que foge disto é erro e vai dar merda. Isto não é convicção e limitação.

  12. O objetivo é claramente geopolítico. A China estendeu sua influência na América do Sul e Asia. Trump lança a ofensiva tarifária para fazer acordos bilaterais, para exigir redução da participação chinesa na região, caso a caso.

  13. Nem tudo é só pela economia, muitos pensam em justiça também!

    É justo a China ser uma abusiva escravocrata como tem sido? É tofu o planeta fechar os olhos pra isso? Nada mais justo se ele tem em mente pender essa balança.

    Ele já vinha faltando algo próximo durante a campanha.

  14. Só se esquecem de falar que o Trump está taxando os países que sobretaxam os EUA. Querem taxar mas não querem ser taxados. O Trump responde na mesma moeda e pode, tamanha a força da produção americana.

    Os impostos aumentados pelo Trump continuam abaixo do que é cobrado nesses países.

    Tudo bem criticar o Trump, mas comecem antes a criticar a política externa do resto do mundo que agora está começando a sentir na pele o mesmo que impões aos americanos. Não é subsídio, é imposto direto de importação.

  15. O trump ao contrariar a liberdade de escolha do consumidor, que também é cidadão, vai contra a liberdade, e como sabemos prejudica a riqueza desses. No fim temos que tomar cuidado com a esquerda, mas tambem com políticos de direita, falar e fazer. Já era pra entendermos que ambas são coisas totalmente diferentes. Ele que é empresário, convenientemente quer é bagunçar a concorrência, convenientemente quer proteção pros seus negócios, mesmo que prejudique seus eleitores-consumidores. Assim sendo ele é contra a liberdade genuína. Quer ter poder e nisso é igual as políticas da esquerda.

    Tem que de ter cautela só escolher , porque não existe só esquerda e direita. Existe o poder contra liberdade tambem. Políticos extremistas de esquerda e direita tem a semelhança de tirar algo do consumidor-eleitor. Pra eles terem poder, nós temos que perder

  16. O que nao vejo nos comentários é que os USA estão quebrados ,com uma dívida interna de 14 trilhões de dólares e um déficit comercial de 400 bilhões eles precisam reduzir isto rapidamente ,fazendo que os outros países comprem mais produtos americanos.O Trump é especialista em falência e está jogando.

  17. Desconfio que o objetivo é organizar a economia americana a não depender de produtos chineses para industrializar. Com isso eles podem entrar em guerra com a China para atacar a Coréia do Norte e proteger Taiwan, e ainda não reconhecer a dívida que eles tem com a China a qualquer momento.

    Isso tudo parece uma estratégia pré-guerra.

  18. Eu acredito que o comércio nessa guerra comercial CHINA X EUA tem um aspecto secundário pois essa divergência pode acabar em meses ou 1 ou 2 anos.Mas a espionagem industrial e militar chinesa sobre os EUA,principalmente sobre as empresas do Vale do Silício sem sombra de dúvida constitui uma ameaça maior que a provavél inflação nos produtos importados e consumidos pelos americanos.

    Hoje no UOL publicou a notícia da prisão de um engenheiro chines da APLE que foi preso roubando segredos do carro autónomo da empresa (PROJETO).Através da transferencia forçada de tecnologia os chineses dominaram a fabricação de trens bala,drones e avançam na robótica,

    MISES mais uma vez peca por não focar no objetivo principal dos comunistas chineses o desenvolvimento tecnológico chines MADE IN CHINA 2025 conseguido em parte com pirataria tecnológica.Principalmente dos EUA é a maior ameaça ao padrão de vida americano pois os trabalhadores da tecnologia são os mais bem renumerados dos STATES.

    Naõ é a toa que os esquerdistas e progressistas dominam parecem vencer a batalha cultural pois os ditos LIBERAIS se concentram muito na lógica.Mas os chineses astutos e espertos vem aos poucos desafiando a liderança tecnológica do ocidente de maneira desleal e traiçoeira apesar de problemas como SUA ECONOMIA ALAVANCADA EM EMPRÉSTIMOS se isso vai dar certo só DEUS sabe mas ate agora eles tem sido bem sucedidos.

  19. Inacreditável que o país que já foi símbolo do laissez faire assuma postura tão anti protecionista e uma ditadura comunista defenda o livre mercado.

  20. no primeiro parágrafo do item 5 tem: “seu governo não como fazer com que China”, provavelmente era para ser “seu governo não *tem* como fazer com que China”

  21. Trump, um sonho americano

    Trumpistas ou trumpenetes?

    Já falei aqui em um artigo que o Trump é um grande manipulador da opinião pública. É um dissimulado compulsivo.

    Não surpreende ler tantos comentários de trumpenetes por aqui.

  22. Novamente, analisado apenas pelo ponto de vista econômico. Esses países prejudicam suas economias inteiras para beneficiar certos grupos de empresas exportadoras. Desnecessário dizer que estas empresas fazem parte de suas respectivas elites políticas. Acontecem que essas elites políticas são ninguém menos que os comunistas chineses que pretendem ( segundo eles próprios ), dominar o mundo em 50 anos e os globalistas da União Europeia.

  23. Trumpistas, nandetes, bolsonetes são um caso de estudo. O artigo foi certeiro quanto ao, digamos, equivocado e contraproducente modus Trump de condução da politica econômica, mas os caras mesmo levando uma surra de realidades apontadas ainda vem aqui defender o assecla deles….kkkkk

    Estamos perdidos com essa gente

  24. O mais bizarro é que até as famosas terras raras entraram na lista de tarifas do Trump. Dado que os EUA são dependentes da China, que controla 95% das minas de terras raras no mundo ,isso é algo totalmente ilógico. Mas o mais importante é que o Trump está nomeando conservadores para a suprema corte que ficarão lá por várias décadas. Quanto a essas sandices dele, em 2020, os americanos elegem um republicano mais sensato e fica tudo resolvido.

  25. Essas informações são bastante interessantes. Dado que a esmagadora maioria das tarifas está incidindo sobre bens de capital e bens intermediários, e não sobre bens de consumo, então temos que essa política está claramente voltada para:

    1) Ferrar pequenos empresários (como comprovam as várias notícias linkadas no artigo);

    2) Privilegiar grandes empresários (ramo ao qual pertence Trump); e

    3) Não afetar os consumidores.

    As pequenas empresas irão se estrepar, pois terão maiores custos de produção mas não terão como repassar esses preços, dado que a importação de bens de consumo continua sem ser tributada. Consequentemente, os grandes empresários estarão agora mais protegidos da ameaça destes pequenos empresários. E o consumidor, como não irá notar nada, não irá se opor ao arranjo.

    Em suma: a política de Trump nada mais é do que o velhíssimo corporativismo em ação: ferrar os pequenos e privilegiar os grandes. A novidade, porém, é que desta vez os consumidores (ao menos por enquanto) estão sendo poupados.

    A conferir.

  26. Edson só apresentei fatos reais e concretos. Não é preciso ser discípulo de Trump para entender que os chineses jogam sujo no mundo comercial e se enriquecem as custas dos EUA.certamente as tarifas vão gerar inflação nos EUA mas isso é pouco frente os trilhões de prejuízos que a pirataria chinesa causará nas próximas décadas para trabalhadores e empresas americanas.estude fatores não só pela lógica econômica pois do contrário a vantagem da esquerda crescerá cada vez mais.

  27. Desculpem minha ignorância, mas eu acho que no comércio mundial a moeda universal de troca é o dólar, o Brasil não pode usar reais na compra de produtos importados e o exportador brasileiro não aceita outra moeda a não ser o dólar e talvez o euro na venda de seus produtos. Desta forma os EUA é o único país do mundo que possui o privilégio de usar sua própria moeda na transações de importação/exportação, utilizando-se de seu incrível PIB de 18 trilhões de dólares. Outros países como o próprio Brasil têm que necessariamente procurar um balanceamento entre importação/exportação, pois do contrário terá que pedir dólares emprestados, como de fato ocorreu com o Brasil nos 1º e 2º choques do petróleo, ocasionado a crise da dívida na década de 80 do século passado.

  28. Taxar esses insumos e bens intermediários não vai elevar os custos para as industrias, e consequentemente, ter um efeito oposto ao esperado?

  29. Sem entrar no mérito da questão, mas me dá nojo ver os Estados Unidos da Europa, no maior cinismo e cara de pau, querer se colocar como o defensor do livre mercado, uma instituição que faz da Europa uma fortaleza.

    Não que o Trump seja santo, mas ver essa turminha hipócrita da Europa gritando aos 4 ventos que é preciso defender o livre comércio é a piada do século.

  30. Trump está usando a estratégia Mad Dog ou é realmente um Mad Dog?

    De qualquer forma, provavelmente não são apenas motivos econômicos.

    Parece que Trump está fazendo boas ações e más ações.

    Espero que o saldo final seja positivo.

    * * *

  31. Trump acaba de aprovar fundos para o aumento de projetos sociais em 2019. Não sei se ele realmente acredita nessas políticas, mas democracia é isso mesmo, o candidato tem que ceder às pressões e acaba sendo “absorvido” pelo establishment parcialmente.

    Por isso mesmo social-democracia, neoliberalismo e fascismo (com outro nome, obviamente) são tão populares, não teria como ser diferente. São sistemas que misturam o capitalismo e o socialismo e agradam a todos os tipos de eleitores e bases de apoio político.

  32. O Brasil está prestes a iniciar sua terceira década perdida, vocês gostaram tanto dos anos 80 que não apenas querem bis, querem tri.

  33. Ao menos a maior vítima dele é a China, então os importadores americanos ainda tem a opção de comprar de outros países pra fugir da taxa extra. Mas o Trump já chegou pra união europeia e ofereceu zerar as tarifas caso eles também zerassem as deles. Aqui mesmo no site tem um artigo que fala disso.

    Então, apesar de concordar que tarifas de importação são maléficas, discordo da parte que Trump não tenha uma meta, a meta dele (apesar, repito, de concordar que a baixa de tarifas deveria ser unilateral) é que os outros países tratem os EUA da mesma forma que os EUA tratam eles (em questão de tarifas e respeito as regras).

  34. Leandro,esta guerra comercial pode elevar a inflação americana?

    E já agora,porque os estados unidos e a europa estão com uma inflação “tão baixa”?

  35. Trump é um baita de um socialista “de direita”, continuo achando isso.

    Com esse novo aumento ele já tem o “Soção Awards 2019” garantido.

  36. Sabem uma coisa implicitamente contida em quase todos os comentários, com raras exceções? Quase todo mundo acha que tem TODAS as informações disponíveis. É muita arrogância.

  37. Se você estudasse a história da China recente, suas atrocidades e quem ela financia, talvez enxergasse um pouco além da economia.

  38. Dias atrás saiu essa notícia do Paulo Guedes.

    “É tudo ou nada. É aqui que o jogo é definido. A abertura da economia tem que ser exponencial, não pode ser linear, senão você quebra a indústria brasileira. Vamos baixar tarifa média de importação em 10%, sendo 1% no primeiro ano, o dobro no segundo, o triplo no terceiro e o quádruplo no último ano”, prometeu o ministro.

    O esquisito é que no Heritage é dito que a tarifa média brasileira é de 8%. Será que o Paulo Guedes está tentando ser gradualista também? O que vocês acham?

  39. **Vou tentar copiar aqui, porque saiu no lugar errado… não era para responder ao Leandro…**

    O pior é que essa praga dessa “guerra comercial” existe aqui nos EUA há décadas. Vou copiar um trecho:

    “Nesse período uma barreira protecionista também surgiria: o Chicken Tax (imposto do frango, em Inglês), imposta em 1964 pelo Lyndon Johnson.

    Ele fez isso em retaliação às tarifas de importação erguidas pela Alemanha Ocidental e França (lembre-se que, além da Alemanha ter sido repartida, Nikita já havia construído o Muro de Berlim) sobre o frango americano. A ameaça para a raça humana (obviamente para os produtores domésticos na Europa, que queriam uma boquinha mercantilista) estava no fato de europeus poderem comprar frango barato dos americanos. Lyndon deveria saber que o livre comércio, mesmo que adotado de forma unilateral, gera benefícios.

    Essa tarifa basicamente impunha um imposto de 25% sobre veículos comerciais leves estrangeiros (que segundo a classificação americana possuem capacidade de carga de até 1815 kg). Basicamente é como se você fosse taxado em importar uma Mitsubishi L200 da Tailândia, uma Hilux da Argentina, entre outras picapes e veículos comerciais. ”

    E então o que as fabricantes fizeram? Simplesmente importavam os veículos parcialmente feitos, e finalizavam a montagem aqui. Cada uma fazia uma gambiarra diferente, só para conseguirem escapar dessa tarifa idiota.

    O artigo original é este, para quem quiser ver (eu que elaborei).

    Mesmo no Brasil existiu isso. A Volkswagen classificava o Brasília como perua, para pagar menos imposto.

  40. É impressão minha ou o governo Bolsonaro está fazendo água? Longe das fofocas midiáticas, digo em relação às seguidas derrotas em votações no congresso.

  41. Rodolfo Andrello

    Daí você vê o ibovespa derretendo com as notícias da guerra comercial e entra no app da XP pra ver sua participação em um fundo multimercado acumular uma desvalorização de quase 10% nos últimos meses.

  42. Tenho uma dúvida que não é diretamente relacionada com a matéria. Hoje eu vi uma pessoa argumentando contra abrir a extração do petróleo brasileiro às empresas estrangeiras pois mesmo após realizar seus negócios e promover desenvolvimento interno (empregos, infraestrutura, impostos), a maior parte do capital que deveria ser usado aqui iria ficar com os donos estrangeiros e o nosso petróleo com o tempo vai se exaurir. Faz sentido essa argumentação de usar o protecionismo para evitar a fuga do dinheiro?

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