Voltar

O Facebook e o governo: uma demonstração prática de como as regulações funcionam

Mark Zuckerberg, o presidente executivo do Facebook,
depôs
perante o Senado americano. O depoimento durou cinco horas.

Zuckerberg respondeu questões relacionadas a como o
Facebook lidou com o vazamento de dados de 87 milhões de usuários pela
consultoria Cambridge
Analytica
. Ele também foi questionado sobre o modelo de negócios do
Facebook, sobre como a rede social utiliza os dados de seus usuários e,
principalmente, sua posição sobre regulação de empresas de internet.

Quem teve a paciência de acompanhar a audiência percebeu
o óbvio: os políticos e burocratas não sabiam essencialmente nada sobre como o
Facebook funciona, quem é proprietário dos dados, como a empresa ganha
dinheiro, qual a relação da plataforma com a economia baseada em aplicativos, o
que significa um vazamento de dados, e por aí vai.

Já Zuckerberg explicou todas as questões básicas,
apresentou detalhes técnicos, revelou o modelo básico de negócios da empresa,
falou de maneira aberta sobre sua história pessoal e seus sonhos para a
plataforma.

E concordou em ser regulado pelo governo.

Professor
e alunos

Antes de prosseguir, uma rápida observação.

Cada político que interrogou Zuckerberg
imediatamente se viu fora de sua área e fez papel de bobo. Todo o evento, no
mínimo, serviu para nos relembrar o básico: essa gente nem sequer pode ser
considerada inteligente ou sagaz. Ao contrário do que eles próprios imaginam, não
são os mestres do universo.

Político é especialista em uma coisa, e uma coisa
só: tentar se eleger. Para isso, eles se tornam peritos em repetir chavões e
frases de efeito que têm apelo aos eleitores que formam sua base eleitoral. Uma
vez eleitos, eles se especializam em tentar ser reeleitos. Quando não estão ocupados
com isso, criam legislações e regulações.

Durante toda a audiência, havia apenas uma pessoa na
sala que realmente sabia sobre o funcionamento do Facebook: o próprio Zuckerberg.
E isso deu a ele uma clara vantagem sobre todo o resto. E ele a utilizou ao
máximo. Ele explicou que são os usuários que voluntariamente optam por fornecer
dados, e que eles próprios escolhem o volume, a frequência e a profundidade dos
dados que irão oferecer. Eles compartilham esses dados ao autorizarem
aplicativos que recolhem esses dados. Os usuários podem cancelar esse processo
a qualquer momento.

Os senadores
ficaram impressionados. Zuckerberg venceu. As ações do Facebook chegaram
a subir 7% após seu depoimento.

A
questão da regulação

E, ainda assim, os senadores fizeram a si próprios a
seguinte pergunta: o que realmente podemos fazer aqui? A resposta era óbvia:
regular.

Por favor, tenha a bondade de ler o seguinte
diálogo
entre Zuckerberg e o senador Lindsay Graham, da Carolina do Sul.

GRAHAM: Você aceita a regulação?

ZUCKERBERG: Creio que a verdadeira questão, dado que
a internet está se tornando cada vez mais importante na vida das pessoas, é
qual seria a regulação correta — e não se deve haver regulação ou não.

GRAHAM: Mas… mas você, como uma empresa, é favorável
e receptivo a uma regulação?

ZUCKERBERG: Creio que, se for uma regulação boa e
correta, então sim.

GRAHAM: Você acredita que os europeus fizeram certo?

ZUCKERBERG: Acredito que eles entenderam bem e
acertaram.

GRAHAM: Então você trabalharia em conjunto com a
gente em termos de escolher quais regulações você acredita que são necessárias para
o seu setor?

ZUCKERBERG: Com certeza.

GRAHAM: Ótimo. Você apresentaria para nós algumas
propostas de regulação?

ZUCKERBERG:
Sim. Vou pedir para a minha equipe fazer isso e apresentar as propostas para os
senhores. Assim poderemos levar esse debate para várias outras diferentes
categorias [de redes sociais], as quais eu acredito que devem ser levadas em
conta nesse debate

GRAHAM: Estou ansioso por isso.

Perceberam o que ocorreu? O próprio Senado pediu
para o que Facebook seja o autor e o consultor das regulações que irão regulá-lo.

Como você interpreta
isso? Conflito de interesses? Exato. Bem-vindo ao mundo real.

Todas as regulações políticas funcionam exatamente
desta forma. As grandes empresas — aquelas que teoricamente são o alvo da regulação
— sempre estão envolvidas na criação das próprias regulações que irão regulá-las.
E por que elas fazem isso? Porque isso irá beneficiá-las e prejudicar seus
concorrentes, exatamente como era de se esperar.

Regulando
a si próprio

No caso do Facebook, a empresa irá defender algumas mudanças
institucionais na maneira como as mídias sociais devem funcionar. Cada mudança envolverá
custos. No jargão técnico, são os custos de compliance
(custos de adaptação, custos de conformidade). O Facebook, obviamente, irá se
assegurar de que pode se adaptar e se conformar às regulações (que ele próprio
irá ajudar a criar) — ao mesmo tempo, irá se certificar de que seus
concorrentes não tenham a mesma facilidade, e incorram em altos custos.

Isso dará ao Facebook uma vantagem distintiva no
mercado, fará com que seja mais caro e mais difícil o surgimento de startups
concorrentes, e garantirá que sua plataforma seja a líder do mercado, e agora
por lei.

É por isso que Zuckerberg não só concordou, como até
mesmo se entusiasmou ao ser regulado. Regulações sempre funcionam em prol das grandes empresas já estabelecidas
no mercado.

Captura
regulatória

Nada disso é novidade. Essa é a maneira como as regulações
estatais sempre funcionaram. Isso ocorre em praticamente todos os
setores da economia
, sendo mais visível nos setores aéreo, bancário, telefônico,
elétrico, petrolífero, de transportes terrestres e de saúde. [Recentemente, no
Brasil, Uber e Cabify também passaram a se beneficiar de regulações].

Grandes empresas defendem e até comemoram uma
regulação porque muitas vezes elas próprias a querem. É o que a Ciência
Política chama de Teoria
da Captura Regulatória
. Ela acontece quando é aprovada uma lei que,
embora tenha sido criada com a justificativa de que irá proteger o consumidor e
restringir as grandes empresas do setor, acaba gerando um resultado oposto: um
setor tendente à oligopolização e ao aumento do poder das grandes empresas
reguladas.

O que normalmente ocorre é a criação de regulações que,
na prática, trazem um grande aumento do custo operacional de todas as empresas
do setor. Para as grandes empresas, ricas e já estabelecidas, esse aumento de
custos é fácil de ser arcado. Já para empresas pequenas, pode significar o fim
de suas operações.

Ainda mais importante, as regulações também tendem a
elevar os custos para se entrar legalmente neste mercado. E, de novo, embora tais
regulações possam até representar uma elevação dos custos operacionais das
empresas já estabelecidas, o fato é que elas tornam muito mais proibitivo o
surgimento de novos e menores concorrentes no setor.

No final, ter custos operacionais maiores, mas que
também impliquem maior restrição à entrada de novos concorrentes, tende a ser
um bom negócio.

O
mito que não morre

Há um mito que permeia todos os livros-texto de
macroeconomia, o qual descreve políticos e funcionários públicos como seres
abnegados e de grande sabedoria, os quais criam leis e regulações que irão beneficiar
a todos em detrimentos de alguns poucos grandes e poderosos.

Esse mito imagina que as grandes empresas sofrerão “merecidas
punições” quando os agentes do governo impõem novas regras que exigem que suas operações
suspendam a ganância e coloquem o interesse público em primeiro lugar. A realidade, no entanto, é oposta.

Não há uma única regulação estatal que não tenha sido criada por
um autor que não esteja ligado
, de alguma maneira, à indústria regulada em questão.
Capitalistas quase nunca são defensores da concorrência capitalista. Quando
empresas surgem, elas defendem a livre concorrência plena, pois só assim podem
crescer. Quando elas se tornam grandes, tendem a defender a regulação do
mercado, exatamente para bloquear a entrada de novos concorrentes que podem vir
a tomar sua fatia de mercado e, com isso, afetar seus lucros.

Muitas pessoas são ótimas em usar o mercado para
ganhar dinheiro; apenas as muito especiais se tornam defensoras da livre concorrência.

Conclusão

Atualmente, o Facebook enfrenta a concorrência de
várias outras plataformas nas mídias sociais (há, atualmente, 33
concorrentes, entre grandes e pequenos
), de imitadores, e até mesmo do uso
alternativo que outras pessoas fazem do seu tempo.

De certa forma, este é o melhor momento possível para
recorrer ao governo e criar uma regulação que institucionalize o Facebook como
uma forma de utilidade pública. Este pode ser perfeitamente o objetivo que
Zuckerberg tem em mente.

E então os políticos poderão atualizar seu status na
linha de tempo do Facebook: hoje, aprovamos regulamentações que deixaram essa
perversa megacorporação de joelhos. E Zuckerberg irá responder com um emoticon
sorrindo e piscando o olho.

_____________________________________________

Leia também:

Como as regulações estatais prejudicam os pequenos, protegem os grandes, e afetam os consumidores

Contrabandistas e batistas: as regulações beneficiam os regulados e iludem os ingênuos

Por que Uber e Cabify comemoraram ser regulamentados?

Últimos Artigos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

54 comentários em “O Facebook e o governo: uma demonstração prática de como as regulações funcionam”

  1. Sim, o Zuckerberg defendeu SEUS PRÓPRIOS interesses. E não está errado! Ele é empresário e vai complicar a vida dos concorrentes.

    Entretanto, como sou contra todo e qualquer monopólio, seja público ou privado, optei por não ter uma conta do Facebook, Instagram ou Twitter.

  2. Ninguém escapa. No lugar dele, teria falado na frente dos políticos que a regulação é feita pelos consumidores e não por legislações. Será que me perseguiriam?

  3. Mas ele não deixou claro qual tipo de regulação ele acha boa ou correta. Será mesmo que ele estava se referindo a uma regulação por parte do governo?? Ou uma regulação por parte dos próprios usuários da rede social??

  4. Instagram, Snapchat, LinkedIn, Google,Twitter, Pinterest, Tumblr, Tagged, MySpace, MeWe, Flickr, Diaspora, Ello, Foursquare, Ning, Path, Quora.

    Esses são os que lembro de cor. O mercado (ainda) está aberto. Quem não gosta do Facebook, vá pra esses enquanto ainda dá.

  5. E ontem, na Câmara, teve mais. A coisa é bem explícita:

    Facebook CEO Mark Zuckerberg said Wednesday that federal regulation of Facebook and other Internet companies is “inevitable” .

    “The Internet is growing in importance around the world in people’s lives; I think it’s inevitable that there will be some regulation,” the 33-year-old billionaire told members of the House Energy and Commerce Committee.

    Rep. Frank Pallone of New Jersey, the senior Democrat on the House commerce committee, said he was glad Zuckerberg “conceded that industry needs to be regulated.”

    “I agree,” Pallone said. “It’s time for this Congress to pass comprehensive legislation. If all we do is have a hearing and nothing happens, then we haven’t accomplished anything.”[…]

    Zuckerberg promised Rep. Peter Welch, D-Vt., that Facebook would work with Congress to develop regulations that prioritize consumers’ right to privacy.

    “Yes, congressman, I’ll make sure we work with you to flesh this out,” Zuckerberg told Welch.

    http://www.washingtonexaminer.com/news/mark-zuckerberg-opens-door-to-facebook-regulations-under-tough-house-questioning

  6. Este caso com Zuckerberg escancara como as pessoas estão totalmente idiotizadas.

    A sociedade do politicamente correto, das ideologias esquerdistas ou libertárias (que pouco se diferem) e da fake news, é a mais dócil e estúpida sociedade que já habitou o planeta.

    Administrar idiotas é uma tarefa das mais divertidas e cômicas que pode existir.

    Viva a burrice !

  7. O artigo deixa algumas informações de fora no qual eu gostaria de destacar aqui, apenas o que EU ACHO relevante com base nesta fonte: noticias.gospelprime.com.br/zuckerberg-denunciado-censura-conservadores.

    “(…) mau uso de dados de 87 milhões de perfis da rede social.”

    “(…) o senador do Texas, Ted Cruz, criticou Zuckerberg por sua rede social não ser, de fato, um fórum público neutro.”

    “‘Há muitos usuários que estão profundamente preocupados com o fato de o Facebook e outras empresas de tecnologia terem adotado um 'padrão difuso', mostrando preconceito e censura a certas posições políticas’, argumentou Cruz.”

    “(…) o senador Cruz listou diversos casos conhecidos de páginas conservadores ou claramente ‘à direita’ que foram apagadas.”

    “(…) censura ao apresentador de rádio Glenn Beck, da empresa Chick-fil-a – cujo dono é evangélico e faz campanhas pela família tradicional – e de algumas celebridades que defendem Donald Trump.

    Alguns deles tiveram postagens e as próprias páginas retiradas do ar por serem ‘inseguras para a comunidade’. Também citou o caso de Palmer Luckey, alto funcionário da empresa que teria sido demitido após declarar seu apoio a Trump.”

    “Quando o senador questionou quantas postagens ou páginas que defendiam o aborto ou candidatos progressistas (de esquerda) haviam recebido o mesmo tratamento – censura – o CEO do Facebook não conseguiu dar uma explicação coerente.”

    “Em resposta ao senador, Zuckerberg tentou dizer que não sabia de todos os casos citados, mas não negou que as páginas foram apagadas por questões ideológicas.”

  8. Não sei até que ponto esse teatro montado com MZ no congresso americano vale uma defesa do ponto de vista liberal. Vejo ali um pouco mais do mesmo…. Burocratas fazendo uso de pautas liberais pontuais com o objetivo de aumentar seu poder.

    No caso da audiência parece que estavam apontando uma suposta violação dos dados pessoais dos usuarios do FB para impor regulações (via Estado) benéficas a ambos os atores, tal como apontado no texto, e de quebra inventar um factóide político de influência em eleições.

    Vejo essa mesmo ardil se repetir em diversas situações, onde pautas liberais pontuais são usadas como trampolim para o aumento do poder estatal, infelizmente com o apoio de muitos liberais.

    A liberação das drogas a meu ver é um exemplo dessa manobra estatal. Burocratas querem liberas drogas, porém não abrem mão do monopólio do uso da força nas mãos do estado, bem como saúde “grátis” para todos e ainda frequência escolar forçada a partir dos 4 anos de idade.

    Alguns pensam que esta seria uma vitória da liberdade do indivíduo perante o poder do estado……Já a realidade é bem outra.

    Realidade 1: Aumento da violência e maior demanda por “segurança” estatal, já que é a única disponível…. Mais dinheiro e poder ao estado.

    Realidade 2: Cracolândias por todo o país, e viciados tratados com dinheiro de impostos, pois são uma “questão de saúde pública”….. Mais dinheiro e poder ao estado.

    Realidade 3: Crianças obrigadas a frequentar ambientes infestados de drogas (agora não passíveis de proibição) a partir dos quatro anos de idade ……. Maior vitória da liberdade do indivíduo perante o poder do estado?

    Gostaria de saber a opinião dos leitores. Vcs acreditam que o Estado pode aumentar seu poder ou influência ao defender pautas liberais pontuais?

  9. Se Grandes Corporações tendem a se aproximar de regulações e menos capitalismo, o que salva o no Anarcocapitalismo empresas consolidadas de Justiça e Policia de se tornarem Tirânicas? Num cenário em que Empresas de segurança, com um discurso em prol do bem comum, iluda as pessoas sobre leis para regular empresas menores e pouco equipadas de segurança, ou melhor, uma unificação das maiores empresas de segurança para regular as empresas clandestinas.

  10. Antigamente os políticos ao menos disfarçavam a criação de uma reserva de mercado, hoje pedem diretamente para a empresa quais regulações ela quer, só falta dar a caneta para assinar

  11. Como responder ao meu professor:

    1- que disse que quando preços diminuem, mesmo pela concorrencia, os capitalistas aproveitam para diminuir os salarios tambem ja que o custo de vida dos trabalhadores diminiu.

  12. Esse artigo não mencionou que foi discutido esse tema na audiência, e que o Mark Zuckerberg foi questionado sobre isso:

    Senator Sullivan: Uma das minhas preocupações em regular uma empresa do tamanho da sua, enquanto você nos diz: “Ei, nós podemos estar interessados em ser regulados”, é que as regulações podem também cimentar o poder atual.

    Então o que você quer dizer com isso (sobre aceitar ser regulado)? Você tem vários lobistas, e acho que todo lobista na cidade está de olho nessa discussão de uma forma ou de outra, muitos interesses em jogo.

    Veja o que aconteceu com a lei Dodd-Frank (lei criada pelo Obama no pós crise de 2008): foi destinada inicialmente aos grandes bancos, mas a regulação por fim acabou empoderando os grandes bancos e reprimindo os bancos pequenos. Você acha que esse risco existe, dada a sua influência? Se o regularmos, estaremos na verdade consolidando sua liderança atual?

    Uma das minhas maiores preocupações sobre fazermos isso (criar novas regulações), é o sobre “próximo” Facebook. Minha preocupação é que você ficará tão dominante que não será possível termos o “próximo” Facebook. O que você acha disso?

    Mark Zuckerberg: Senador, eu concordo com o ponto que você mencionou, que regulações em todas as indústrias devem se preocupar em não cimentar a liderança das companhias atuais. Eu acho que parte do desafio com as regulações em geral, é que quando você cria mais regras para para as empresas seguirem, as grandes empresas como a nossa terão os recursos para aderi-las, mas pode ser mais difícil para as empresas que acabaram de começar atendê-las.

    Veja:

  13. Qual a diferença: de grandes corporações serem regulamentadas pelo governo; terem conivência no monopólio de um determinado setor da economia com essas; com a dos tempos da Idade Média, onde cada burgo era monopolizado por uma nobreza atendo os desejos rei, o qual regulamentava a “Aristocracia (governo dois melhores)” ?

  14. Não foi tão confortável assim para o MZ.

    A principal questão é a quebra de contrato: o FB se apresenta como uma plataforma neutra e isonômica, mas na prática trata diferente os clientes de acordo com suas convicções filosóficas, religiosas, etc.

    Ou o FB começa a realmente tratar a todos de forma isonômica, ou assume sua parcialidade pró esquerdismo. Mas eles não querem fazer isso porque seria ruim para os negócios, é mais lucrativo continuar mentindo que são imparciais.

    * * *

  15. Relações tecnológicas e a manipulação das massas

    No mundo existe uma tendência a produção em massa de plataformas sociais, porém não há pessoas capacitadas para consumi-las. No artigo de hoje vamos entender como essa relação entre o excesso tecnológico e a falta de capacitação dos próprios consumidores serve como ferramenta para que a direita se mantenha no poder.

    Você já se perguntou quantas redes sociais existiam em 2002? E quantas existem hoje? Se você fizer as contas verá que ocorreu um aumento substancial no número de redes sociais em todo mundo, pesquisas recentes afirmam que são criadas mais de 100 novas redes sociais todos os anos somente no ocidente. Há tantas redes sociais, que até deixaram de criar redes que tivessem uma abrangência para tudo (como o facebook) e agora estão programando redes focadas em nichos específicos como Flickr (para fotos) e Linkedin (para empregos). Mas qual o problema em haver tantas redes sociais no mundo?

    Inversamente ao avanço tecnológico que há no mundo, está ocorrendo um aumento da ignorância e analfabetismo funcional entre consumidores. Quero dizer que as pessoas estão tendo acesso ao que há de melhor em tecnologia e avanço estético, mas, a grande maioria desta massa de consumidores não sabem ler e escrever. E isso é culpa do capitalismo que deixa as pessoas burras. A consequência de tudo isso será refletida nas eleições presidenciais no qual as massas são influenciadas por fake news e por ideologias retrógradas que já foram há muito tempo refutadas pelos progressistas (basta averiguar a ascensão do neoliberalismo e da extrema-direita nas redes sociais).

    Podemos concluir que existe uma influência do capitalismo através da eficiência tecnológica e estética que vai controlando a mente de pessoas que são mais ignorantes. Por isso as redes sociais precisam ser reguladas, porque as pessoas não estão preparadas para tamanho avanço, antes elas precisam aprender filosofia e o próprio domínio da língua.

    Como será as redes sociais quando o comunismo dominar o mundo

    Por mais que os neoliberais e conservadores façam barulho, cedo ou tarde, o comunismo irá dominar o mundo e controlar todos habitantes da terra; é da nossa natureza a busca pelo progresso social.

    Uma das coisas mais interessantes do comunismo será o acesso a internet e a única rede social do governo que valerá para todo mundo. Isso mesmo, uma única rede social para o mundo inteiro, ela será vermelha. Para ter acesso a esta maravilha tecnológica você somente precisará tirar seu passaporte de acesso à rede, isso significa que você terá que fazer um curso de um ano para aprender como se portar nessas ambientes virtuais sem ofender minorias de gênero, cor, raça, e verdurix (Pessoas que pensam que são verduras) além de sua formação básica em filosofia e línguas que você deve ter aprendido na escola estatal. Mas por que tudo isso? Este pequeno controle social visa não deixar nossos irmãos vítimas da própria ignorância como está ocorrendo hoje.

    Tudo será tão maravilhoso, neoliberal. O debate será outro nível, iremos discutir com mais beleza e profundidade sobre como o modo de comer de alguém pode ser ofensivo para o gênero beterraba, poderíamos discutir sobre a beleza da nova religião Et bilu em nossa dia a dia, e obviamente, falar sempre sobre a revolução que nunca acaba. Afinal, tudo se trata sobre o progresso. Não é mesmo, neoliberal? Não se preocupe caso haja mensagens de ódio em nossa rede social, o próprio sistema irá apagar a mensagem e reduzir pontos sociais de uma pessoa na vida real. O respeito irá imperar entre todos na internet, vamos olhar para o passado com vergonha dessa baderna anárquica que está ocorrendo nos dias hoje. Por enquanto o facebook domina o mundo, mas um dia isso irá mudar.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.

  16. Eu tenho uma conta no Face feita há anos para testes da plataforma, mas nunca usei, exceto como perfil para acessar o Tinder. Há alguns dias, perdi o acesso porque minha conta no Face havia sido invadida: alguém na Califórnia entrou, trocou a minha senha e trocou a minha foto do perfil, e sei lá mais o quê. Comecei a receber um monte de e-mail em japonês, já que o invasor aparentemente era japonesa. Fiz os procedimentos de alerta de invasão de conta e de recuperação de conta e senha. Ai vc já viu, precisa dar e-mail alternativo e inclusive tive que usar o meu número de celular para receber códigos de confirmação. Muito suspeito e pouco confiável.

  17. Se passaram 4 anos e até o momento esta muito confuso. Eu sempre faço questão de baixar os meus videos favoritos e sugiro q façam o mesmo. ssavedown.com/

Rolar para cima