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Carteis, postos e preços da gasolina – de quem realmente é a culpa pela forte alta?


Nota: Artigo originalmente publicado no dia 21 de fevereiro de 2018


Uma preocupação do governo federal recentemente anunciada gerou reações sarcásticas em
profusão nos cidadãos que receberam a notícia:

manchete.png

Os comentários irônicos seguiram todos na mesma
linha: “Não me diga!”; “Só indícios?”; “Descobriu a América!” — tudo no
sentido de fazer galhofa com a epifania dos órgãos públicos diante de algo que
não seria novidade para ninguém.

De fato, é notório que o preço dos derivados do
petróleo em nosso país varia muito pouco dentro da mesma unidade geográfica.
Mais: os reajustes costumam ser aplicados de forma síncrona.

Tudo isso, inevitavelmente, induz o brasileiro médio
a apressadamente concluir que tais fenômenos — ínfima diferença de preços e
reajustes simultâneos — só ocorrem porque os proprietários dos postos burlam o
sistema de concorrência e fazem um cartel entre eles, tabelando os valores a serem
cobrados. Tal arranjo ímprobo entre eles ocorre, obviamente, em prejuízo aos
consumidores.

O que nos leva à seguinte elucubração: ora, se esses
comerciantes conseguem garantir maiores faturamentos por meio deste expediente
(combinando preços), é de se imaginar que assim procedam também, por exemplo,
os donos de padarias, mercados, armazéns e restaurantes — enfim, todos aqueles
que comercializam produtos similares dentro do ramo alimentício. Correto?

Discordar desta hipótese equivaleria a afirmar que,
por uma inexplicável coincidência, os empresários daquela atividade econômica
em especial costumam ser menos honestos que todos os demais. Será que o odor de
benzeno nos estabelecimentos onde abastecemos o carro perturba a moral dos
indivíduos?

O que impediria quaisquer empreendedores de um mesmo
setor da economia de adotar o mesmo suposto estratagema dos donos de postos de
combustíveis — quem sabe até mesmo formando um grupo no Whatsapp e
combinando que, a partir de amanhã, elevarão o preço de um determinado rol de
produtos ou serviços em 10%?

Não é este o cenário que observamos, por certo.

As
reais causas

Há duas explicações para esse comportamento dos preços
praticados pelos postos de combustível.

A primeira — e mais importante — explicação para
este fenômeno não está na ponta final do processo produtivo — a
comercialização, a interação final com o cliente –, mas sim nas demais etapas
do caminho que o petróleo percorre até chegar no seu tanque.

A cadeia produtiva dos combustíveis consiste
basicamente de quatro estágios: exploração, refino, distribuição e, aí, sim,
comercialização.

O problema que irá gerar, lá na frente, aquele
aparente “comportamento desonesto” dos preços, encontra-se especialmente no
segundo: a Petrobrás
é dona de 13 das 17 refinarias do Brasil
, respondendo por 98% do petróleo
refinado (isto é, transformado em gasolina, diesel, etc.) no país. 

O próprio presidente da Petrobras já veio a público
confessar: “Não
é bom para o País a Petrobras ter 100% de monopólio no refino”
.

E
por que não há refinarias nacionais ou estrangeiras no país para concorrer com
a Petrobras? Simples. Porque para abrir uma refinaria no país você tem de:

1) submeter-se a uma cornucópia de regulamentações impostas pela ANP, que regula tudo
que diz respeito ao setor; 

2) A
ANP é uma burocracia enorme que possui, além de sua diretoria, uma secretaria
executiva, 15 superintendências, 5 coordenadorias, 3 núcleos (Segurança
Operacional, Fiscalização da Produção de Petróleo e Gás Natural, e Núcleo de
Informática) e 3 centros (Relações com o Consumidor, Centro de Documentação e
Informação, e Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas). 

Montar
uma refinaria significa ter de submeter a calhamaços regulatórios impostos por
cada um desses departamentos, o que, por si só, já torna todo o processo
financeiramente inviável. 

3) Além
da ANP, você tem de se submeter a calhamaços de regulamentações ambientais,
trabalhistas e de segurança. O arranjo sempre foi montado exatamente para
coibir a concorrência à Petrobras. Pode até ser que mude no futuro, mas não há
qualquer indicação disso. 

4) Além
de tudo isso, estamos no Brasil, o que significa que você terá de “molhar
a mão” de vários políticos e burocratas caso realmente queira conseguir
alguma licença. 

5) Finalmente,
ainda que um empreendedor estivesse disposto a encarar tudo isso e realmente
conseguisse abrir refinarias no país para concorrer com a Petrobras, o governo
poderia simplesmente praticar política de controle de preços e reduzir artificialmente os
preços cobrados pela Petrobras, o que garantiria a reserva de mercado da
estatal e inviabilizaria todo o seu empreendimento, trazendo enormes prejuízos.

Essas
são as consequências de se ter todo um setor controlado diretamente pelo
estado: total insegurança jurídica.

Sendo
assim, é simplesmente inviável surgirem novas refinarias.

Ou seja, como diria Carlos Drummond de Andrade,
há uma pedra (o estado) no meio do caminho. Este monopólio estatal elimina a
competição exatamente na fase de processamento, onde uma melhor produtividade
(corte de custos e adoção de métodos mais eficazes) seria capaz de reduzir
consideravelmente o preço final na bomba.

(Quanto à exploração, vale lembrar que o mercado nacional
de petróleo ficou completamente fechado de 1953 a 1997, período em que a
Petrobras deteve, por lei, o total monopólio do setor. A consequência inevitável
é que, com a abertura do mercado após mais de 40 anos de monopólio, a Petrobras
já havia se apossado das melhores reservas do país, não havendo espaço para a concorrência
privada. Hoje, é quase que impossível alguém concorrer com a estatal. Embora o
monopólio de jure não exista mais, o monopólio de fato continua praticamente
intacto.)

Para se ter uma ideia mais clara do efeito nefasto
deste obstáculo no meio da jornada, observe os aumentos registrados de julho
de 2017 até o início de 2018 no preço da gasolina em cada um dos elos da cadeia econômica: nas
refinarias, 30,03%[1];
nas distribuidoras, 19,24%; e nos postos, 16,78% (Fonte).

Ou seja, quanto mais a gasolina se afasta do governo
e se aproxima do mercado, mais a concorrência vai fazendo seu “milagre”: os
postos repassaram, no período considerado, aproximadamente metade do aumento
aplicado pela Petrobrás, o que reduziu
de 22% para 14%
a margem bruta média, percentual ainda pendente da quitação
de custos como aluguel, água, luz e mão de obra.

E, considerando que, neste período, o governo mais que dobrou as alíquotas do PIS/COFINS sobre a gasolina, o repasse ocorrido nas bombas foi até baixo.

Os postos, obviamente, tiveram de segurar os
repasses para espantar a clientela o mínimo possível (coisa que não tira o sono
de gestores governamentais nem por um segundo). No entanto, os consumidores,
naturalmente, direcionam sua indignação para aqueles com quem negociam
diretamente.

Percebam que aí reside o porquê do reajuste
simultâneo: as refinarias estatais, por dominarem quase 100% do refino,
controlam uma espécie de “gatilho” do sistema de preços, que é repassado a
partir de seu disparo — o que não ocorreria se diversos fornecedores
diferentes atuassem concomitantemente, como é a regra na maioria dos setores da
economia. Mas como vem tudo da mesma fonte, é de se esperar que o efeito se
alastre de maneira uniforme.

E a interferência estatal na composição final do
preço dos combustíveis não acaba por aí: além da forte participação da
Petrobrás na exploração e, principalmente, no refino do petróleo, há pesadas regulamentações
estatais tanto na distribuição quanto na comercialização, onerando os
investimentos necessários para empreender na área e, consequentemente, formando
oligopólios nestas atividades (leia-se: nicho concentrado nas mãos de poucos).

O que nos leva à segunda causa para o comportamento
dos preços: sim, o setor de postos de combustível funciona, na prática, como
uma reserva de mercado.

As pesadas regulamentações da ANP, além de tornarem proibitivo o
surgimento de qualquer empresa que queira prospectar petróleo aqui no
Brasil e nos vender, também garantem esse oligopólio do setor de postos de
combustível. Como explicado neste artigo:

Não
há nenhuma liberdade de entrada para qualquer concorrência neste ramo [postos
de combustível].

Tente
você abrir um posto de gasolina. Além de todas as imposições da ANP e de todos
os papeis, taxas, cobranças, cartórios, filas, carimbos, licenças e encargos, há
ainda toda uma cornucópia de regulamentações ambientais, trabalhistas e de
segurança que fazem com que abrir um posto de combustíveis seja uma atividade
quase que restrita aos ricos (ou a pessoas que possuem contatos junto ao
governo).

Livre
concorrência nesta área nunca existiu. Você só consegue se tornar dono de um
posto de gasolina se o seu atual dono lhe passar o ponto. Apenas veja na sua
própria cidade. Qual foi a última vez que você viu um posto de gasolina ser
aberto em uma nova localidade? Praticamente nenhum posto quebra e nenhum posto
novo surge.

E piora. Desde o ano 2000, há uma lei
federal
 que proíbe a instalação de sistemas de autoatendimento nos
postos de gasolina, como já ocorre em praticamente todos os países de primeiro
mundo. Tanto na Europa quanto nos EUA não existem frentistas. No Brasil, o
governo tornou essa profissão obrigatória (assim como trocador de ônibus), o
que só encarece os custos de se ter um posto de combustível.

E, antes de lamentar pelo emprego dos frentistas,
lembre-se da lição de Frédéric
Bastiat
: mais dinheiro sobrando no bolso de quem compra gasolina (quase
todo mundo) significa mais consumo em outros segmentos, nos quais estas
oportunidades de trabalho serão recuperadas (e este remanejo ocorrerá de forma
tão menos traumática quanto mais flexível for a legislação trabalhista).

Conclusão

A Petrobras detém o monopólio do refino de petróleo, o que a permite estipular preços sem concorrência interna. Adicionalmente, os postos de combustível atuam em um setor fortemente
regulado pelo governo: de um lado, as regulamentações restringem o surgimento
da concorrência, o que é bom para os postos já estabelecidos; de outro, elas
geram vários custos operacionais extremamente altos, o que é ruim para os
postos.

Ambos os fatores empurram os preços para cima e, no
final, quem é o real prejudicado é o consumidor.

Por isso, apontemos o dedo para os verdadeiros
culpados pelo “cartel” do combustível: os governantes contrários à total
abertura ao livre mercado desta atividade econômica, o que inclui a desregulamentação
do setor de postos e a desestatização
da Petrobrás
(mas aí acabariam o aparelhamento e o loteamento de cargos
para apadrinhados políticos).

Por fim, é o paroxismo da ironia o governo, o real protetor
dos carteis, dizer que irá “combater os cartéis”.

Retomando a manchete lá do início, é possível fazer
uma releitura do enunciado levando em consideração o exposto aqui, propondo uma
versão mais condizente com os fatos:

“Governo diz haver fortes indícios de
manipulação de preços no setor, problema causado e mantido
por ele mesmo
“….



[1] A
política do governo Dilma de congelar o preço dos combustíveis — obrigando a
Petrobras a vender para as distribuidoras gasolina
e diesel abaixo do preço
 pelo qual foram importados — destruiu o
capital da estatal, causando um
prejuízo de aproximadamente R$ 60 bilhões
. (Valor este que é muito maior do
que o desviado pela corrupção na
estatal).

Para compensar este estrago e recompor o caixa da
estatal, a atual diretoria da Petrobras teve de elevar os preços dos
combustíveis, fazendo com que eles batessem
recordes quase que diários
. Esta é a causa dos seguidos aumentos observados
nas refinarias.

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Leia
também:

Políticos erram e quem
arca com as consequências somos nós

Há muito governo na nossa
gasolina

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116 comentários em “Carteis, postos e preços da gasolina – de quem realmente é a culpa pela forte alta?”

  1. O povo brasileiro precisa parar de cair em conversas moles de que o petróleo é dele e da casa do caralho. Precisa parar de se iludir com esses discursos nacionalistas de que o estado precisa “cuidar dos setores estratégicos” que orgulhariam Josef Stalin. Precisa parar de achar que uma agência que funciona pior que os Correios como a ANP irá garantir qualidade da mijolina com 27% de lixonol. E precisa parar de acreditar de que o estado é quem combate monopólios, oligopólios e cartéis. E que o estado precisa proteger empresários vagabundos e incompetentes dos consumidores.

    Enquanto esses discursos continuarem, os trouxas aqui vão consumir uma mijolina cara e adulterada enquanto o americano usa uma gasolina que preste e barata.

  2. PROFESSOR ARISTÓBULO

    g1.globo.com/economia/noticia/entenda-a-composicao-do-preco-da-gasolina-e-o-que-diz-a-petrobras.ghtml

    O que encarece a gasolina são os impostos.

    E ainda tem que pagar pra batizar a nossa gasolina(a porcentagem lá de etanol anidro)…

    É ridículo.

  3. “a Petrobrás é dona de 13 das 17 refinarias do Brasil, respondendo por 98% do petróleo refinado no país.”

    Carai, 98%?! De fato, o petróleo é mesmo nosso! E que vantagem!

  4. A Petrobras aumenta os preços na refinaria em 30%. O governo federal aumenta o PIS/Cofins sobre a gasolina em mais de 100%. Vários governos estaduais, como o de MG, aproveitam e também elevam o ICMS sobre gasolina em quase 7%.

    No final, os postos, que elevaram os preços "apenas" 16% são apontados como os únicos culpados de tudo. Pior: serão investigados e punidos pela entidade que realmente causou o estrago. Piada pronta.

    P.S.: longe de mim querer defender postos, que são protegidos por uma reserva de mercado, mas está claro que eles são os menos culpados de tudo.

  5. Se não me engano, no exterior, estava em discussão a liberação de venda de combustível a partir de caminhões, muito semelhante aos caminhões de gás que vendem para os os condomínios. Tenho certeza que essa medida diminuiria a chance de cartel de em postos de combustível.

  6. Confesso que nunca entendi o "espanto" com a coincidência dos preços cobrados. O preço cobrado é simplesmente o ponto de equilíbrio dos postos: se vender mais barato, quebra, se vender mais caro, quebra também. É assim para todos. Como os custos operacionais entre os postos são praticamente os mesmos (ao contrário de restaurantes, por exemplo), e o produto vendido também, não há margem para grandes diferenças. O que irá variar é simplesmente o IPTU de cada localidade do posto.

  7. A maioria do povo é burra e por isso é contra a privatização da Petrobras e a liberação da exploração por qualquer empresa.

    Logo eles têm o que merecem.

    A minoria que é libertária não tem como mudar a mente da maioria burra.

    Não adiantar argumentar que as pessoas não são burras, e que apenas foram enganadas por anos

    de lavagem cerebral fornecidos pela escola, pela mídia e por toda a sociedade.

    Pessoas inteligentes não acreditam em mentiras mesmo que essas mentiras sejam repetidas ad nauseum.

    Ser um libertário e esperar um comportamento racional das pessoas é como ser uma pessoa

    normal e esperar que um chimpanzé se comporte de forma civilizada e aprenda a ler e escrever.

  8. Vale lembrar que nos EUA você pode comprar tudo na bomba, gasolina pura, gasolina com até 10% de etanol, E20, E50, E85, etc…

    Confiram:

    sdcorn.s3.amazonaws.com/legacy-content/sdcornblog/uploads/2013/05/photo.jpg

    Tem também postos que vendem “racing fuel” com 100 octanas (sem etanol, com chumbo, apesar de ser baixo teor). E essa idiotice de “aditivada” não existe lá, todas gasolinas mais caras tem performance melhor e não só detergente:

    drivetofive.files.wordpress.com/2014/09/100_octane.jpg

    E muitos donos da carros antigos usam Avgas (100LL), por ser mais parecida com as gasolinas de antigamente, pela fórmula ser fixa e não mudar e por ter maior shelf life.

    Comparar nossos postos de gasolina com os dos EUA é como comparar um supermercado soviético com um americano: preços absurdos, de um fornecedor só, com pouca variedade.

  9. Tal como os setores de companhias aéreas e bancário, o setor de distribuidoras de petro-derivados tem cada vez ficado mais concentrado em meia dúzia de empresas, redundando em menos rivalidade nos setores.

    E "coincidentemente" esse fenômeno se intensificou com o advento das agências reguladoras, após 2001/2002.

    Faz uns vinte anos existiam, por exemplo, Atlantic, Texaco, Agip, Esso, Forza e ALE. Todas essas distribuidoras foram compradas por outras distribuidoras e mudaram de bandeira.

    Por exemplo, a BR comprou a Agip e a Forza.

    A Texaco foi comprada pela Ultrapar, que controla a Ipiranga.

    A Ultrapar comprou também a ALE

    E a Esso foi para a Shell

    No setor bancário, Unibanco, Abn-amro e BBV também foram embora ou extintos/incorporados pelos concorrentes.

    Quando você fecha o mercado via agências reguladoras e praticamente proíbe tanto a concorrência de estrangeiros quanto o surgimento de pequenos concorrentes nacionais, fusões e aquisições se tornam algo extremamente lucrativo. O problema é fazer as vacas entenderem que quem causa isso são justamente as regulações.

  10. Como se explica o crescimento vertiginoso da importação nos últimos anos, desde que a Petrobras começou a aplicar preços de mercado?

    Culpar o “monopólio” pelo Refino é ingenuidade.

    Por que então nenhuma outra empresa se aventura em montar sua própria Refinaria no país e se aproveita das “altas margens” da Petrobras?

  11. Capitalismo de Bem Estar

    O problema do Brasil é que tem muito malandro pra pouco otário.

    Esse montanha de beneces estatais são distribuidas e recebidas por malandros.

    Esses auxílios e reembolsos de funcionários públicos é coisa de malandro.

    Tem tanto malandro que o cofre esfaziou. A malandragem roubou e enganou tanto que o psís quebrou. Até fabricação de dinheiro os malandros fizeram.

    Nesse país Tem malandro demais pra otário de menos.

    O

  12. Excelente artigo. Faço apenas uma observação, que vale para todos os artigos deste Instituto quando abordam o assunto do petróleo. Nos jargões do ramo, “exploração” se refere às atividades da busca pelo petróleo (estudo geológico, sísmica, etc.), enquanto “produção” se refere ao fato de extraí-lo. Então, quando o artigo menciona “exploração”, ele está querendo dizer “produção”.

  13. Ué, não entendi. Então a Petrobrás não é um monopólio para distribuir combustíveis para os postos? Petrobrás atualmente é mista…as 13 refinarias são 100% estatais? No link da Globo que vc colocaram diz:

    “Parte do recuo do refino está atrelado ao aumento das importações de combustíveis pelos concorrentes da Petrobras. Esse avanço ocorreu porque a estatal manteve, por boa parte do ano passado, os preços de gasolina e diesel mais elevados no Brasil em relação ao mercado internacional. Como consequência, essas empresas optaram por trazer o combustível do exterior do que comprar da Petrobras.”

  14. Adonis Sinicio Junior

    Outro fator importante para os preços altos da gasolina é a forma com que se cuida da distribuição do álcool combustível, que é um produto alternativo. Não é permitido que os produtores comercializem o álcool diretamente com os distribuidores já que o produto deve passar pela Petrobras. A justificativa é que a Petrobras cuida da verificação da qualidade do álcool. Daí pergunto:

    Porquê a cerveja, o leite e a água mineral não passam pela Petrobras? Quem garante a qualidade destes produtos? Porquê se permite que nós brasileiros bebamos Coca-Cola sem o selo de garantia da Petrobras? A resposta todos sabemos. Somos os responsáveis por tudo isto. Elegemos os crápulas que criam as leis do nosso país. Somos vítimas da nossa própria estupidez e indolência.

  15. Nordestino Arretado

    Sem falar na absurda concentração de álcool na gasolina, que é superior à 25%, graças aos milicos e seu pró-alcool, que na realidade só serve para subsidiar o setor sucroalcoleiro, vantagem para o consumidor é praticamente zero. Isso quando nos postos não misturam com outras porcarias para render mais, pagando uma “comissãozinha” para os fiscais do governo. Ou seja, estamos pagando horrores por um produto inferior.

  16. Se o mercado é aberto desde 97 porque não temos novas refinarias no país?

    O que impede as majors do petróleo de investirem aqui? Falam como se exploração de petróleo fosse como padaria, exige muito capital. Não entram porque não interessa.

    Por último, a venda da Petrobras mudaria o quê? O monopólio foi quebrado desde 97 e as estrangeiras não tem barreiras para entrada.

    Um último dado, o aumento do combustível diminuiu a carga das refinarias da Petrobras e aumentou em média 70% da importação de combustíveis pelos concorrentes. Como pode ser bom para a Petrobras processar menos petróleo bruto e vender menos combustível permitindo aos seus concorrentes ter mais mercado?

    http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2018/03/02/internas_economia,663464/importacao-de-gasolina-cresceu-82-e-a-de-diesel-67-em-2017-diz-anp.shtml.

  17. Estratégia Sarney: O Estado/governo engessa e arrebenta a economia fazendo a população acreditar que a culpa da estagflação é dos varejistas e dos empresários e empreendedores em geral.

    * * *

  18. Telecomunicações, Correios, Televisão, Combustíveis, Eletricidade…

    Todos setores estritamente controlados, que mesmo se forem totalmente privatizados (caso das Tele) não irá resolver o problema. O problema está no estado fascista proto-socialista do Brasil.

  19. Mesmo achando que haverá novas leis proibindo o uso de carros elétricos no brasil para proteger o monopólio da petrobrás, acredito que essa mamata do estado e da petrobrás só vai terminar quando os veículos elétricos forem realidade.

    O petroliu é noçu.

  20. Essa redução de preços que o governo fez para combustíveis, foi redução de impostos ou nos preços de mercado? Se foi nos preços de mercado, isso não gerará as mesmas consequências para o caixa da Petrobrás, novamente? E se foi em impostos, isso não gerará uma queda na arrecadação e com isso aumento no déficit orçamentário?

  21. Matheus Henrique

    No caso do Paraguai, onde a gasolina é vendida a 2.60 ~ 2.80, pela a própria Petrobrás, esse valor se deve por lá ter maiores concorrências e menas cargas tributárias?

  22. E mais uma greve dos caminhoneiros… acho que isso vai dar em nada. Governo detesta ver o gado revoltado, vai acabar dando algum jeito. Me lembrou o começo de 2015.

    O “povo” não quer o estado “cuidando” do petróleo? A Petrobrás “não é nossa”?

    Já pensei em sair distribuindo artigos (impressos) do Mises sobre o motivo dos preços dos combustíveis serem tão altos…

    Enquanto isso, nada dos impostos e regulações abaixarem…

  23. Vocês poderiam fazer um artigo falando especificamente sobre o Ciro Gomes. Ele representa uma ameaça séria nessas eleições, já que ele tem apoio tanto da direita-nacionalista quanto da esquerda. Poderiam comentar especificamente sobre essa sabatina dele, já que ela condessa os pontos que ele sempre alardeia por ai:

    http://www.youtube.com/watch?v=eN46ZQWODs4

  24. Sou liberal e a favor de privatizações, porém, no caso específico da petrobras não entendo como privatizar seria benéfico uma vez que como dito no próprio artigo, a petrobras é dona de 13 das 17 refinarias do país, é responsável por 98% do petróleo refinado e por conta do monopólio de mais de 40 anos é dona das maiores e melhores reservas.

    Teoricamente, caso a petrobas fosse comprada, o comprador herdaria todas essas vantagens, transformando o que é hoje uma empresa pública, em uma empresa privada detentora de um monopólio fantástico e pensando como um captalosta, duvido que os novos donos desse monopólio fossem querer dividir ele com alguem ou lucrar um centavo a menos!

    Sou a favor da privatização da petrobras mas gostaria de saber como fazer isso sem criar uma empresa privada superpoderosa e detentora do controle do petróleo no país.

  25. Falando da greve dos caminhoneiros, quais são os principais motivos do transporte ferroviário e hidroviário serem tão inexpressivos em relação ao rodoviário?

  26. Tudo perfeito. Só a palavra "cornucópia" não tem bem este sentido que foi usado. É riqueza, abundância, num sentido positivo. Abundância de coisa ruim não encaixa bem.

  27. Nos EUA, cujo mercado é livre e concorrencial, a importação é liberada, e não há uma estatal que monopoliza a produção e o refino (além de deter quase 40% da distribuição), a gasolina custas nas bombas US$ 0,75 por litro, o que equivale hoje a R$ 2,73 por litro.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/[email protected]?s=unitedstgaspri&v=201805041606v&d1=20180224&d2=20180524

    Apenas a carga tributária não explica essa diferença abissal entre eles e nós (que somos "autossuficientes"). Todo o monopólio da Petrobras (produção e refino) e todas as regulações estatais sobre a distribuição (quase 40% é da Petrobras) e sobre os postos (que são carteis protegidos pelo estado) explicam muito mais.

    Carteis, postos e preços da gasolina – de quem realmente é a culpa pela forte alta?

  28. Como é a conta de precificação do preço de gasolina sobre o desabastecimento?

    Oque o empresário pensa? Tenho tantos litros que vão durar x semana, então traz a valor presente uma previsão de fluxo de caixa baseada em giro de estoque e embute no preço?

    Pergunto isso pois é importante mostrar matematicamente o porque/ como os preços sobem,(validando a empiria/teoria), decifrando a precificação, a fim de emplacar na cabeça das pessoas pararem com esse pensamento que o empresario malvadão acorda com a pá virada e para “causar” jogar 500% em cima. Eu tenho pouco conhecimento em formação de preços e isso com certeza tem um fundamento por traz e peço ajuda aos nobres amigos do IMB a ajudarem a desmitificar essa precificação.

    Grande abraço

  29. Essa premissa “A Petrobras detém o monopólio do refino de petróleo, o que a permite estipular preços sem concorrência interna” tá errada. Tanto os preços da gasolina quanto diesel ex-refinaria (na “saída” da refinaria) se comportam como preços de commodities. O que há é um mercado mundial extremamente líquido que marca preços diariamente, de forma que esse é o custo de oportunidade desses produtos nesse elo da cadeia. Dessa forma, a Petrobras, como única refinadora no país, não tem poder de mercado para manter os preços ex-refinaria artificialmente altos por muito tempo pois, a medida que essa arbitragem se mantivesse disponível para o mercado (preços internos mais altos que preços internacionais), importadores iriam trazer cargas de gasolina e diesel para o Brasil e tomariam uma parte do mercado (isso foi exatamente o que aconteceu nos meses recentes). De forma análoga, mesmo que existissem outros refinadores no Brasil, ainda assim os preços do diesel e da gasolina internamente não iriam despencar, pois a custo de oportunidade desses refinadores seria exportar essas cargas para outros mercado que pagam exatamente os preços internacionais desses combustíveis (entre afundar valor no Brasil e exportar para o mercado internacional a preços maiores, eles exportariam). Na prática, o único poder de mercado que a Petrobras tem é de reduzir preços abaixo da paridade de importação, o que não seria uma decisão econômica ótima, visto que o custo de oportunidade da Petrobras também é o preço internacional.

  30. Haha descobriram agora que o até então impoluto presidente da Petrobras é sócio do presidente no Brasil do JP Morgan, banco que recebeu da Petrobras pagamento de 2 bilhões de reais.

    Detalhe: esse pagamento foi antecipado – os empréstimos venceriam só em 2022.

    Agora tá explicado por que Parente tava arrancando nosso couro cobrando preços acima dos do mercado internacional.

    http://www.oantagonista.com/brasil/exclusivo-em-crusoe-parente-e-socio-de-presidente-de-banco-que-recebeu-2-bi-da-petrobras/

  31. Li o artigo e os comentários (apenas os inteligentes e educados).

    Fiquei me questionando se a Petrobrás é ineficiente no refino. Para a importação do combustível (produto acabado) valer a pena, o custo tem que ser menor ou pelo menos igual ao valor cobrado na saída das refinarias da estatal. E todo mundo sabe quanto custa importar e desembaraçar mercadorias nesse país. Será que o custo da empresa na etapa de refino está alinhado com a média do setor? Será que além da falta de concorrência, a ineficiência no refino também pode ser apontada como causa do preço alto dos combustíveis no Brasil?

  32. Eduardo R., Rio

    Eduardo Giannetti: (…) a Petrobras cometeu um erro grave na metodologia de fixação dos preços dos derivados de petróleo.

    Fomos de um extremo ao outro, o que é muito comum no Brasil. Fomos do extremo de uma mão muito pesada no governo Dilma —que represou a correção dos derivados de petróleo para segurar a inflação no curto prazo e acabou gerando um enorme desequilíbrio— para outro extremo de fundamentalismo de mercado, equivocado nesse caso.

    Folha de S.Paulo: Por que esse mecanismo é equivocado?

    Eduardo Giannetti: Porque você não pode mudar o preço dos derivados de petróleo nas refinarias todos os dias, usando uma metodologia que é calcada em dois preços de alta frequência e de muita volatilidade, que são o preço do petróleo no mercado internacional e a taxa e câmbio em um regime flutuante.

    Transmitir para o consumidor a volatilidade do mercado de petróleo mundial e da variação da taxa de câmbio no Brasil todos os dias é uma maluquice. Primeiro porque cria uma enorme imprevisibilidade e depois porque tem situações de volatilidade transitórias que levam a traumas na população.

    Se até o Banco Central, no câmbio flutuante, utiliza instrumentos para atenuar a volatilidade do câmbio, como no derivado de petróleo, que é tão sensível para tanta gente na população, você vai transmitir essa volatilidade diariamente para o consumidor final?

    É lógico que tem que ter realismo tarifário. Agora, você acoplar a isso, numa base diária, a volatilidade do mercado internacional de petróleo e do câmbio é um erro grave.

  33. A Petrobras ainda mantém o monopólio de refino de petróleo no país. Enquanto for assim, a empresa como corporação — pouco importando se há no comando um liberal ou um esquerdista — alimentará a tentação de governar o Brasil porque a ela caberá definir, sozinha, SEM A AJUDA DO MERCADO, o preço dos combustíveis.

    Submeter o dito-cujo a variações da cotação do barril do petróleo e a oscilações do câmbio não faz de uma monopolista um exemplo de respeito às regras do mercado. Isso apenas nos diz que ela, Petrobras, está cuidando do seu caixa, ainda que os políticos estejam sendo obrigados a recorrer às Forças Armadas.

    O Brasil vem da maior recessão de sua história. A renda média que o brasileiro tinha em 2013 deve se recuperar — e a conta era de quando havia otimismo pela frente — só em 2023. O desemprego ainda é brutal. E a Petrobras, a monopolista do refino, era parte dessa equação do desastre.

    Pode-se pôr na estatal um presidente — E, INFELIZMENTE, ELA NÃO É UMA EMPRESA PRIVADA QUE CONCORRA COM OUTRAS EMPRESAS PRIVADAS — que pense na monopolista segundo, também, o país que a abriga e a situação objetiva de seus acionistas majoritários: o povo. E se pode fazer de conta que a tal empresa monopolista está abrigada na Lua, em Marte ou na Noruega.

    Está correta a chamada "política de desinvestimento" implementada por Pedro Parente. Mas a sua política de preços era, para ficar no paradigma, um barril de pólvora. Aliás, ele próprio ouviu um figurão do primeiro escalão do governo, que está longe de ser esquerdista ou heterodoxo, dizer ao presidente Michel Temer que a sociedade brasileira não estava aceitando a política de preços da Petrobras.

    Convenham: é fácil demais tirar do bolso do consumidor, dia a dia, o custo da variação do barril — que oscila segundo os humores de Donald Trump, dos aiatolás do Irã, dos mulás das Arábia Saudita do delinquente Nicolás Maduro — e da cotação do dólar, sujeita aos humores da política. Enquanto os brasucas, com renda deprimida, topam pagar a conta, a coisa vai bem. Difícil é quando eles dizem: "Não topo".

    E o momento chegou.

  34. Desculpe-me, mas o cara que escreveu o artigo sugou nada menos do que 2 milhoes de reais de salario do governo federal desde que virou servidor, vi no portal da transparencia. É um puta de um parasita e fica escrevendo aqui no Mises? Ainda é um cara que dá multa em empresario e vive de dinheiro público!

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