Os 100 anos da Revolução Russa — a qual gerou 61 milhões de cadáveres
— explicitaram um enorme contraste entre o silêncio dos russos e a celebração da esquerda
brasileira. Houve político se licenciando do cargo para ir à Rússia festejar e
se frustrando com a ausência de qualquer festividade.
A Câmara dos Deputados, inclusive, realizou uma
sessão
solene por causa da data.
O pouco caso da esquerda brasileira para com as
vítimas do socialismo é um fenômeno curioso. É impossível encontrar alguém que
se autodenomine mais interessado com o próximo do que um esquerdista. São “os
inteligentinhos”, como afirma o filósofo Luiz Felipe Pondé, detentores
do monopólio das virtudes. Quem é esquerdista costuma justificar sua opção
ideológica como sendo alguém que “se importa com as pessoas”.
Peça mais detalhes de por que o sujeito está na
esquerda e você provavelmente terá como resposta algo como: “Bem, eu não gosto
da desigualdade que existe hoje. Eu me importo com o sofrimento das minorias e
gostaria de mais liberdades individuais para mais pessoas”.
Se você pegar alguém mais estudado, ele vai chamar
isso de “se importar com os direitos humanos”.
Todos estes quatro pontos — igualdade de tratamento,
proteção das minorias, defesa das liberdades individuais e dos direitos humanos
— não apenas são muito importantes, como também, por definição, implicam que a
esquerda deve rejeitar por completo socialismo.
O
socialismo gera tudo aquilo que a esquerda supostamente deveria abominar
Analisando as experiências socialistas, constata-se
que não houve nada pior para a igualdade, para as minorias, para as liberdades
individuais e para os direitos humanos do que os acontecimentos na União
Soviética, na China, na Coreia do Norte, em Cuba, no Leste Europeu e em todas
as outras experiências socialistas.
Nada no mundo gera mais desigualdade do que uma
ditadura do proletariado.
Na China, enquanto as pessoas comiam casca
de árvore para não
morrer de fome, a alta burocracia chinesa vivia no luxo e Mao Tsé-Tung
mantinha
um harém. “Curiosamente”, o mesmo acontece em 2017 na
Coreia do Norte.
Já na Venezuela, enquanto a população come cachorros, revira
latas de lixo em busca
de comida e passa por um emagrecimento compulsório,
membros do governo se fartam em festas luxuosas regadas a
champanha e comida farta e chique.
Em Cuba, a família Castro e dirigentes do
partido levam
vidas luxuosas na mesma ilha em que o povo
raciona comida há mais de 5 décadas, e cujo salário médio — atenção, salário
médio e não salário mínimo — é de 22
dólares mensais.
Cuba também é um exemplo de quão terrível é ser uma
minoria em um país socialista. Embora seja uma ilha majoritariamente negra,
eles quase não aparecem na composição do governo cubano, além de serem minoria entre
os professores universitários.
Ser gay na ilha comandada por Fidel Castro durante
décadas significou ir para campos de concentração. Toda uma rede de campos de trabalho forçado
ao longo de Cuba foi criada para torturar e reeducar gays e efeminados com
o intuito de fazê-los renunciar às suas “perversões malévolas”, as
quais eram vista como o produto do capitalismo moralmente corrosivo.
Em 1965, Fidel Castro e Che Guevara criaram as Unidades
Militares de Ajuda à Produção, que nada mais eram que acampamentos de
trabalho agrícola em regime militar, com cercas de 4 metros de arame farpado,
onde os homossexuais e outros “marginais” realizavam trabalho forçado
nos canaviais, com jornadas de até 16 horas, em condições desumanas muito
semelhantes aos campos de concentração nazistas. Inúmeros artistas e escritores
homossexuais foram perseguidos: Virgílio Piñera, Lezama Lima, Gallagas, Anton
Arrulat, Ana Maria Simo e Alien Ginsber foram os mais notórios.
Segundo o jornalista cubano Luis Ortega, que
conheceu Che Guevara ainda em 1954 e que escreveu o livro “Yo
Soy El Che!“, o número de pessoas que Guevara pessoalmente mandou
fuzilar foi de 1.892. Guevara pessoalmente executou vários homossexuais,
os quais ele assumidamente detestava.
Em 1971, homossexuais foram proibidos de ocupar
cargos públicos; a sodomia constou no Código Penal Cubano até 1979, e beijos
homossexuais eram punidos com cadeia por atentado ao pudor até 1997.
O mesmo aconteceu na União Soviética. Entre 1934 e
1992, mais de 50 mil homossexuais foram condenados com base
no art. 121 do Código Penal Soviético, em que ser gay era crime punido com
trabalhos forçados até 1992. Isso significa que a União Soviética tornou a
homossexualidade uma
prática ilegal por quase 60 anos, fazendo com que o atual regime de Putin,
que proíbe marchas LGBT, seja um parque de diversões em comparação.
Já no que toca às liberdades individuais, os regimes
socialistas se caracterizaram justamente por suprimi-las. Cuba, até hoje,
é um dos poucos países do mundo que pune o tráfico de drogas com
pena de morte. Se boa parte da esquerda mundial atualmente levanta a
bandeira do fim da guerra às drogas, Mao Tsé-Tung se orgulhava de ter eliminado
a venda de ópio matando todos os vendedores.
Na China, a liberdade individual se tornou
controlada ao ponto de o governo decidir quantos filhos você pode ter e, até
mesmo, em que local você deve morar, haja vista os passaportes internos que impedem a população chinesa de mudar
de uma cidade para outra.
Ao passo que os direitos
humanos foram conquistas liberais, os regimes socialistas configuraram
quadros completos de controle e violação da dignidade humana. Há vítimas do socialismo
que morreram pelo crime de cantar músicas “ocidentais” no
Camboja. Na Rússia, o rock era considerado subversivo, fascista e tinha
que ser contrabandeado. Diversos músicos cubanos foram censurados pelos
irmãos Castro.
Já Mao Tsé-Tung famosamente se gaba de ter “enterrado vivos 46.000 intelectuais“, o que
significa que ele os enviou para campos de concentração, onde ficariam calados
e morreriam de fome. Enquanto isso, o radical movimento comunista de Pol
Pot (o Khmer Vermelho) executou intelectuais aos milhares, chegando ao
ponto de ter como alvo qualquer
pessoa que usasse óculos.
Não obstante, a intelectualidade sempre foi a grande
defensora do socialismo.
No socialismo, a arte e o pensamento não eram
autênticos como devem ser, mas uma mera máquina de propaganda do poder.
Atualmente, todas as aulas lecionadas na Coreia do
Norte são gravadas para controlar o que é transmitido aos alunos,
havendo diversos temas proibidos, como falar da internet ou contar como é a
vida fora da península. Não há liberdade individual sem liberdade educacional.
A própria apreciação do socialismo era forçada. Alexander
Soljenítsin, que sobreviveu a um campo de concentração soviético, conta
histórias escabrosas em sua obra-prima Arquipélago Gulag.
Josef Stalin, muito além de conduzir as Grandes
Purgas e ser o responsável pelo genocídio do Holodomor, criou os aplausos forçados. Seu
nome era anunciado nos teatros, e as pessoas aplaudiam durante dezenas de
minutos, pois ninguém queria ser o primeiro a deixar de aplaudi-lo e ser
considerado um traidor (o que levaria ao seu assassinato). O socialismo chegou
ao nível em que até as saudações eram controladas por um único homem.
Não há nada parecido com direitos humanos nos países
socialistas. Além de todos os exemplos acima configurarem ataques diretos aos
direitos humanos, vale também lembrar que princípios milenares, como o direito
à ampla defesa e ao contraditório, ao devido processo legal, habeas
corpus ou um mínimo de dignidade aos presos sempre foram apenas uma
miragem nos regimes socialistas. Ser preso pela polícia de um país socialista
significa ser condenado e trancafiado em uma masmorra — quando não em um campo
de concentração, como ainda hoje milhares de pessoas estão presas na Coreia do
Norte.
O socialismo não trouxe igualdade, não protegeu
minorias, destruiu liberdades individuais e desprezou os direitos humanos. A
despeito disso, a esquerda brasileira ainda idolatra a União Soviética, Cuba e
defende a atual
situação da Venezuela.
Até quando insistirão em defender o legado de um desastre
que resultou em tudo aquilo que eles dizem repudiar?
Ou
abandona ou assume logo
Rudolph Rummel, demógrafo perito em contabilizar
todos os homicídios em massa causados por governos, estimou o total de vidas
humanas dizimadas pelo socialismo do século XX em 61 milhões na União
Soviética, 78 milhões na China, e aproximadamente 200 milhões ao redor do
mundo. Todas essas vítimas pereceram de inanições
causadas pelo estado, coletivizações
forçadas, revoluções
culturais, expurgos
e purificações, campanhas
contra a renda não-merecida, e outros experimentos
diabólicos envolvendo engenharia social.
Em termos de monstruosidade, esse terror
simplesmente não encontra paralelos na história humana.
Ou a esquerda rejeita definitivamente o desastre socialista
ou então assume de vez que não está interessada em ajudar ninguém, mas apenas
em conseguir o poder e usufruir a “glória de mandar”.
Stálin, Mao, Fidel, Pol-Pot, Chávez, Maduro, Kim e
todos os outros líderes socialistas se mantiveram no poder não apesar de todo
esse desastre, mas justamente devido a ele. Esse tipo de violação à dignidade e
aos direitos humanos é a única forma de tanto poder concentrado ser mantido nas
mãos de tão poucos.
Conclusão
É impossível haver socialismo sem
tirania. A defesa do
socialismo é, inescapavelmente, uma apologia da violência.
O historiador marxista Eric Hobsbawn chegou ao ponto
de se referir aos milhões que perderam suas vidas para o socialismo como
algo menor. “Não se faz omelete sem quebrar alguns ovos” sempre foi a
máxima socialista para justificar seus fins. O problema é que as omeletes nunca
apareceram.
Já Stálin sempre ressaltava: “a morte de um homem é
algo trágico; já a morte milhões é apenas estatística”.
Só que indivíduos não são nem ovos, tampouco
números; indivíduos são indivíduos, e, apesar do discurso e do monopólio das
virtudes, ao celebrar o socialismo, a esquerda demonstra não se preocupar
verdadeiramente com eles.
Nota: Este
texto foi uma parceria com Ivanildo Terceiro – Diretor de Comunicação
do Students For Liberty Brasil e Leandro Roque, editor do site do Instituto Mises Brasil.
Socialismo não é sinônimo de ditadura.
Existe ditadura de direita também.
IMB sempre mal intencionado e desinformando as pessoas.
O que eu mais vejo é gente reclamando que o mundo ta mais “esquerdista”, que a Europa é “esquerdista”.
Pq o IMB quando vai citar o socialismo não usa exemplo da Dinamarca ? Suécia ? Noruega ? Cite os locais com melhores aplicações de impostos, com Estado mais eficiente. Tenha a coragem…
Brilhante texto. Pena que socialistas não conseguem lê-lo; se leem não entendem; se entendem dizem que não é com eles, é com o sistema.
Príncipes, governantes e generais nunca são espontaneamente liberais. Tornam-se liberais quando forçados pelos cidadãos.
[Ludwig von Mises]
************************
A humanidade precisa, antes de tudo, se libertar da submissão a slogans absurdos e voltar a confiar na sensatez da razão.
[Ludwig von Mises]
De acordo com recentes estudos o esquerdismo causa depressão e doença mental. rsrs.
Matéria no link abaixo.
www2.uol.com.br/sciam/noticias/cerebros_pro-sociais_sao_mais_propensos_a_depressao.html
Melhor texto que li nos últimos 3 meses, pelo menos.
Boa tarde Leandro, gostaria de dedicar um assunto em OFF com você.
Estava no yt e vi uma discussão que o sujeito – Carlos – declara que a Dilma não poderia diminuir os juros por conta do déficit em conta corrente, que sem antes debelar essa conta, não poderia haver diminuição da taxa de juros. Depois ele disse que os juros subiu para não haver fuga de capitais, e que tudo o que importava, era o saldo das transações correntes da qual necessitava de capitais externos.
Eu estava dando uma pesquisada nisso na internet e verifiquei que desde 2008, o Brasil vêm tendo déficit em transações correntes chegando a US$90 bi em 2014, mais o déficit estava aumentando desde 2011, exatamente quando Dilma começou abaixar os juros até o patamar de 7,25% em Outubro de 2012 até Abril de 2013. Em 2015 mesmo havendo saldo positivo da balança comercial e mesmo tendo investimento estrangeiro líquido de US$33 bi, ainda sim tivemos déficit em conta corrente, menor, porém ainda tivemos.
Numa situação paralela, está a do governo Temer, ao invés do Temer atacar a questão dos juros como Dilma, ele aprovou o teto de gastos, sinalizando uma freada nos gastos públicos, aqueles gastos correntes que os esquerdas defendem vigorosamente como saúde, educação, previdência e etc, os chamados gastos correntes e como consequência dessa política de Temer, a inflação assim como os juros estão caindo a níveis abaixo de Dilma, e agora é que vem a cereja do bolo, está havendo diminuição desses índices mesmo tendo déficit em conta corrente, ou seja, o Temer já não dá uma resposta para o Carlos?
Essa discussão teve início por conta dos juros sobre a dívida pública, já que de acordo com as planilhas do banco central 81,7% do déficit fiscal de janeiro à agosto desse ano foi gerado pela despesa com os juros. Segundo eles, o déficit primário é desviar a atenção da população, fazendo acreditar que o desequilíbrio das contas públicas tem como responsáveis os serviços públicos (saúde, educação, ciência & tecnologia, etc.) e os investimentos, em detrimento dos custos da dívida pública que é o grande responsável pelo desiquilíbrio, segundo a tese deles.
Mostre-me um esquerdista que eu mostrar-lhe-ei alguém que quer mandar em você e tirar o seu dinheiro.
.
.
.
.
No final das contas, todo o socialista é alguém que quer mandar e vc. Não é alguém que se esforça
na vida para viver trabalhado como um comum. É sempre alguém que quer um cargo na nomenklatura.
Para tanto, precisa do discurso da igualdade (como auto-engano, às vezes), quando, na verdade, a
desigualdade, por menos que gostemos dela, sempre vai existir, pois exite até entre filhos criados
sob um mesmo teto. Pessoas são diferentes nas aspirações, talentos e esforços e se pode ter igualdade na
miséria OU desigualdade com a base vivendo dignamente.
"Toda verdade passa por três estágios:
No primeiro, ela é ridicularizada.
No segundo, é rejeitada com violência.
No terceiro é aceita como evidente por si própria”.
Arthur Schopenhauer.
Entretanto… no caso dos esquerdistas só existem dois estágios: eles sempre ficam atolados no segundo.
Esquerdista decente e coerente.
Não entendi.
Como fazemos para arrumar um país com 30 milhões de pessoas recebendo bolsas, 40 milhões de trabalhadores que não pagam previdência, 6 milhões de funcionários públicos que não entregam serviços, milhares de aposentados com condições físicas para trabalhar, 20 milhões de alunos que não estudam, milhares de passageiros que não pagam passagem, etc.
O Brasil é um país de bolsistas, assistidos, indenizados, etc.
O povo prefere viver de esmola, do que trabalhar para ter uma condição bem melhor.
O pior é que estamos recebendo redes de ensino socialista.
Perto da minha casa tem uma escola do grupo Goethe, que foi a universidade alemã onde começou a escola de Frankfurt.
O que é o capitalismo?
“É a exploração do homem pelo homem”.
E o que é o socialismo?
“É exatamente o contrário”.
"Todo governo é inimigo de seu povo." ? Marco Túlio Cícero, filósofo Romano.
Enquanto eu estava lendo o texto, foi citada a prática de “expurgos e purificação”. No que consistia esta prática? No mais, um ótimo artigo.
“Por que um esquerdista decente e coerente deveria odiar o socialismo”
É um tanto difícil alguém ter essas três características ao mesmo tempo…
* * *
Direita. esquerda. capitalismo. socialismo. sujo falando do mal lavado.. o problema jaz ainda na simples existência do bem e do mal..
Não conhecia o site…estou lendo…e alguma vezes leio comentários!
O phoda é que a maioria é briga de lados e egos.
Sou empresário e se na empresa há um problema, convoco a equipe e busco a idealização da solução e (principalmente) a execução da solução. Simples assim….
Aqui tem muito Idealizador e aposto que pouco Executor…
Mundo Real nada….
E na boa dá sono!