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O sistema escolar moderno prolonga a adolescência e atrasa as responsabilidades da vida adulta

As oficinas de aprendizes surgiram pela primeira vez
no fim da Idade Média. Eram uma oportunidade para que os jovens da época,
normalmente entre 10 e 15 anos de idade, adquirissem habilidades manuais e
conhecimentos práticos trabalhando diretamente sob o comando de um mestre artesão.

Esses adolescentes aprendizes chegavam à maturidade
imersos em autênticas experiências de trabalho, rodeados por mentores adultos. Isso
rapidamente os preparava e capacitava para assumir responsabilidades profissionais,
fazendo com que se tornassem adultos mais precocemente.

Em pouco tempo, deixavam de ser adolescentes e se
tornavam adultos com responsabilidades e deveres.

O termo “adolescência” advém do latim “adolescere”,
um termo surgido no século XV cujo significado era ‘crescer’ ou ‘tornar-se maduro’.
Mas foi apenas em 1904 que G. Stanley Hall, o primeiro presidente da Associação
Americana de Psicologia, cunhou o termo “adolescência” para identificar uma
fase distinta e separada do desenvolvimento humano.

A expansão da escola obrigatória, em conjunto com
uma variedade de leis que proíbem o trabalho infantil, acabou por
artificialmente ampliar a duração da infância e da adolescência, levando ao
surgimento do estereótipo do “típico adolescente” imaturo, sem a necessidade de
assumir deveres e responsabilidades, o qual persiste até hoje.

Adolescentes
são mais capazes do que permitimos

A adolescência se tornou um conceito social. A
maioria das pesquisas sobre a adolescência — frequentemente abordadas em
termos patológicos — começou na década de 1940. Desde então, intensificou-se a
ideia de que a adolescência é uma fase intermediária entre a infância e a vida
adulta, durante a qual o jovem está liberado de assumir deveres e responsabilidades
profissionais, tendo apenas a obrigação de estudar (em escolas cujos currículos
são determinados pelo governo) e uma maior liberdade para se comportar de
maneira errática.

Compulsoriamente removidos das experiências práticas
da vida real, e confinados a um ambiente restritivo e artificial imposto pelo sistema
escolar massificado, não é de se surpreender que os adolescentes de hoje
demonstrem apatia, angústia, ansiedade e raiva. E, acima de tudo, um grande
despreparo técnico e profissional.

Porém, historicamente, não é assim que os
adolescentes sempre se comportaram. Tampouco é assim que eles se comportam hoje
em algumas partes do mundo.

Como escreveu
o psicólogo Dr. Robert Epstein, autor do livro The
Case Against Adolescence
:

A
confusão social e emocional vivenciada por vários jovens do mundo ocidental é
um fenômeno inteiramente criado pela cultura moderna. Nós criamos este fenômeno
ao infantilizarmos nossos jovens isolando-os dos adultos e do mundo adulto.

O
atual sistema escolar compulsório e massificado, bem como as restrições ao
trabalho infantil — uma criação da era da Revolução Industrial –, não mais são
apropriados para o mundo moderno. As clássicas fábricas exploradoras não mais
existem e hoje temos a capacidade de fornecer educação de qualidade em nível individual,
sem a necessidade de um currículo compulsório ditado pelo estado.

Adolescentes
são jovens adultos inerentemente capazes. Para desfazer o estrago que fizemos,
seria necessário estabelecer sistemas baseados na competência que dêem a estes
jovens as oportunidades e os incentivos para se juntarem ao mundo adulto o mais
rapidamente possível.

O impacto do sistema escolar compulsório e
massificado sobre os adolescentes pode ser ainda mais severo. Forçadamente isolados
do autêntico mundo adulto (com o qual, inevitavelmente, terão de interagir no
futuro), superprotegidos e cada vez mais despreparados para as responsabilidades
da vida, vários adolescentes acabam por se rebelar e adotar comportamentos
autodestrutivos, que vão desde a raiva e a angústia até o vício em substâncias e
o suicídio.

Como acrescentou o doutor Epstein:

Devido
aos imperativos evolucionários estabelecidos há milhares de anos, o principal desejo
de um adolescente continua sendo o de se tornar produtivo e independente. Todos
nós, como indivíduos, inevitavelmente aspiramos a isso. Mas se, após a puberdade,
continuarmos agindo como se os jovens ainda fossem crianças indefesas, estaremos
dificultando enormemente a concretização deste desejo. E
isso lhes causará grandes agonias.

Uma
solução

Se o objetivo é conectar os adolescentes às experiências
práticas e autênticas do mundo real, então acabar com o modelo de escola
compulsória (e de currículo estabelecido pelo governo) e retornar aos sistemas
de aprendizagem profissional seria uma abordagem valiosa e já testada e
aprovada pelo tempo.

Estágios e programas de aprendizado profissional são
valiosos em qualquer etapa da vida, principalmente quando se está na faculdade.
Porém, permitir que eles ocorram já em idade escolar é essencial. Jovens que estão
no ensino médio anseiam por experiências reais e significativas que levem à aquisição
de habilidades e conhecimentos práticos. Permitir que, em vez da escola compulsória
e controlada pelo governo, eles possam frequentar programas de aprendizado
profissional, adquirindo desde cedo valiosas habilidades e conhecimentos
práticos, não apenas pode atacar o crescente problema da confusão social e
emocional que acomete os adolescentes, como também pode abrir um caminho para
uma carreira de sucesso e de satisfação pessoal.

Para isso, revogar as leis que obrigam a presença em
escolas e que proíbem o trabalho infantil seria crucial.

Integração por meio do aprendizado

No prefácio do seu livro The Means to Grow Up: Reinventing
Apprenticeship as a Developmental Support in Adolescence
(‘Os meios
para o crescimento: reinventando o aprendizado como um suporte para o
desenvolvimento na adolescência’), o doutor Robert Halpern afirma:

As
experiências dos jovens com o aprendizado profissional não apenas estabelecem os
pilares para sua vida profissional, como também, em vários casos, facilitam e
clarificam enormemente a escolha de seus cursos universitários. E isso ocorre
para todas as classes sociais.

Aquilo
que, à primeira vista, parece uma estratégia para aprofundar as desigualdades
sociais — universidades e uma adolescência ampliada para os jovens mais
abastados, e cursos profissionais e um empurrão prematuro para o mundo adulto
para os menos abastados — é exatamente um meio para atacá-la.

Programas de aprendizado geram uma situação de ganho
mútuo para os jovens aprendizes e para os empregadores que os contratam e os
treinam. Os adolescentes adquirem habilidades práticas e benéficas, o que os
leva para o autêntico mundo adulto; já os empregadores terão mão-de-obra
capacitada e produtiva.

Adolescentes não são seres inerentemente problemáticos.
Um século atrás, o grande anseio de um adolescente era se tornar um adulto responsável,
respeitado e independente. Tal anseio foi destruído pelas regulamentações
estatais sobre o mercado de trabalho e pelo sequestro educacional promovido
pelo estado. As consequências não foram nada positivas para juventude.

Por isso, o segredo para se resolver este desvio é
simplesmente fornecer apoio ao desenvolvimento natural do indivíduo jovem. E
isso deve ser feito libertando-o de ambientes institucionais restritivos e
artificiais e permitindo que ele siga caminhos mais relevantes para a maturidade
e a vida adulta.

________________________________________

Leia
também:

Como a escola acaba com a
criatividade e com o raciocínio próprio

Alguns conselhos aos jovens
que estão desempregados

A educação estatal – e como
ela seria em um livre mercado

A obrigatoriedade do diploma
– ou, por que a liberdade assusta tanto?

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108 comentários em “O sistema escolar moderno prolonga a adolescência e atrasa as responsabilidades da vida adulta”

  1. A adolescência hoje vai até os 30 anos.

    Daqui a 10 anos, irá até os 40 anos.

    Essa geração inteira já era. Mais sorte para a próxima.

  2. O trabalho infantil citado seria somente na adolescencia ou em qualquer idade?E se for em qualquer idade isto não poderia causar problemas?

  3. Se vocês observarem bem, a própria existência de faculdades se transformou em uma "convenção social" que estimula e incentiva o ócio.

    O adolescente entra na universidade e sua família sabe (e deseja) que ele ficará os próximos 4 ou 5 anos sem ter de trabalhar, concentrando-se apenas em "estudar" e se divertir. Trata-se de um ócio socialmente aceito e até mesmo desejado, inclusive pela própria família.

    É a procrastinação da vida adulta e ampliação artificial da adolescência.

  4. Edmundo dos Santos

    Muito boa essa sequência de artigos sobre educação e desemprego de jovens. Eu tenho a teoria de que o berço do esquerdismo progressista, vitimista e coitadista está exatamente neste modelo educacional que prolonga artificialmente a adolescência.

    O sujeito sai da escola sem saber p… nenhuma de prático, entra e sai da universidade sabendo menos ainda, e aí, quando percebe que não serve pra nada (suas poucas habilidades não são demandadas pelo mercado consumidor), ele corre para o estado e exige redistribuição de renda, emprego público e revolução. Mas sem sair da casa dos pais.

  5. Voces já notaram como a psicologia, psiquiatria e demais ciências de estudo do cérebro e do comportamento humano se dedicam a provar que não existe livre arbitrio e consequentemente responsabilidade pessoal ? Se um “adolescente” comete um crime é porque seu cérebro ainda não esta totalmente formado. Se algúem fuma a culpa é da nicotina que é altamente viciante (eu realmente não aguente mais ouvir tal “coisa” é tao viciante quanto heroína. Não importa o que seja, chocolate, videogame, acucar, remédios e até exercicio físico etc.) Se compra algo ou se endivida a culpa é da empresa e sua propaganda.

  6. Excelente artigo, um dos grandes motivos da mão de obra no Brasil ser de péssima qualidade, em pleno desemprego de 14% bons profissionais com ainda escolhem emprego e salário. Ninguém quer trabalhar com esses adolescentes com 30 anos nas costas cheio de politicamente correto.

  7. Hoje na Segunda Guerra Mundial

    Adolescente ocidental de 18 anos nos anos 1940: Saltavam em para-quedas precários atrás das linhas inimigas encarando a morte quase certa.

    Adolescente ocidental de 18 anos nos anos 2010: Precisa de um espaço seguro e sem risco de ofensas.

  8. Aos 15 anos meu avô fugiu do socialismo em Portugal somente com a roupa do corpo rumo ao Brasil em busca de uma vida melhor.

    Aos 15 anos os adolescentes de hoje pregam por Marx e Stalin usando seus iphones.

  9. Atualmente tenho 15 anos e trabalho em uma empresa de desenvolvimento de sistemas, iniciei minha carreira em uma empresa de logística aos 14, sempre quis ter maior independência financeira, e estou conseguindo me desenvolver profissionalmente e como pessoa a cada dia, trabalho durante o dia e me esforço para estudar no tempo restante, mas a escola toma um tempo considerável de mim, esse tempo que poderia estar estudando e aprendendo realmente, acabo gastando na escola, ouvindo e tendo que decorar inutilidades, mas não desisto, felizmente não serei afetado diretamente pela reforma do ensino médio(assim espero).

    Agradeço a todos que desenvolvem esse ótimo conteúdo.

  10. Felipe Lange S. B. S.

    Tenho os meus 19 anos e eu já sinto os efeitos dessa aberração criada pelo estado (eu só ganhei dinheiro até hoje porque eu faço algumas vendas de maneira informal). Na prática só vou começar a trabalhar quando for entrar no ensino superior (dependendo da área).

    Eu só acho que o psicólogo Dr. Robert Epstein pegou leve, na verdade ninguém nunca precisou de um modelo estatal coercitivo de pseudo-educação. Gênios como Leonardo da Vinci seriam desprezados hoje por não portarem um mero diploma e frequentarem instituições burocráticas e antiquadas. E claro, estou no cursinho com vários outros jovens (é cobrança dos nossos pais, vai fazer o que, morar na rua?)… e a vida vai, a CLT sabotando possibilidades de pessoas com menor qualificação de adquirirem experiência de trabalho/profissão, e ainda vem junto essa merda desse MEC e seus filhotes do demônio que infestam as secretarias e escolas.

    Basicamente a escola é uma espécie de integração forçada e de uma prisão com coletivismo puro. A sua decisão individual ali não influencia em nada e, quando você sai da bolha e volta para a realidade, vê que não é bem assim.

    E assim os vagabundos que integram o sistema vai criando uma geração “nem-nem”.

    Felizmente a Internet já está acabando com essa palhaçada e esses dinossauros vão ter que dar um jeito na vida… só ver aí o Khan Academy e afins.

  11. Escola pública nunca prestou, nem prestará, no Brasil. Se algum governador ou prefeito deste país quiser mesmo, melhorar a educação, no seu estado ou município; então que faça isto:

    1- Privatize todas as escolas públicas.

    2- Dê o direito aos pais de escolherem em qual escola particular, eles querem matricular seus filhos, por meio de bolsas de estudo.

    O resto é só demagogia eleitoreira. Você acha que as escolas públicas funcionam gratuitamente? Enquanto nas escolas particulares, cerca de 70% dos funcionários são professores, nas escolas públicas esta percentagem não passa nem de 40%. O resto é burocracia; corrupta, incompetente e lenta. Sai mais barato e melhor, se usar dinheiro público, para pagar uma mensalidade numa escola particular, que jogar dinheiro fora em escolas ditas "públicas", mas de fato da CUT, da corrupção e da incompetência.

    Em resumo. Com escolas sob o controle de marxistas, estaremos fadados a vivermos num país pobre, falido, corrupto e endividado.

    Tornar um país pobre, num país rico é raridade, mas a Coréia do Sul conseguiu tal feito, graças aos governos de dois generais de 1961 a 1988. Peço a você, que veja a palestra que começa aos seis minutos e vários segundos do site https://www.youtube.com/watch?v=axuxt2Dwe0A

    “Um estudante típico vai sair da escola com a cabeça cheia de minhocas, submetido a uma intensa pregação de anos e anos contra o lucro e o sistema capitalista. Aos 18 anos, vai cair na vida sem ter a menor noção de quanto deve poupar por mês para se aposentar, ou de quanto deve separar a partir dos 22 ou 23 anos para poder dar uma entrada para adquirir a casa própria aos 30 anos. Quando descobrir como o mundo funciona, já estará endividado e pendurado no cheque especial. Seria muito melhor se, em vez de ter aulas baseadas em um marxismo de quinta categoria, ele fosse preparado para a vida. ” > Publicado na revista Veja (edição 2438), na página 65.

  12. Marcílio Duarte

    Parabéns pela rica matéria, que, aborda o assunto com eficiente e profunda análise nos transcorrer do tempo. Mudanças realizadas, provavelmente por falta de conhecimento e entendimento sobre a matéria, por aqueles que aturaram no processo que promoveram as equivocadas distorções. Tenho 8 netos. Um deles, depois de passar no vestibular para Direito em seis universidaes, depois de 60 dias de aula, decidiu, trancar a matrícula e, investir os próximos 5 anos em desenvolvimento de sua empresa na área de comunicação virtual, deixando para conclusão na formação acadêmica, depois de ter sua empresa em plena atividade, suficiente, inclusive para sustentar seus estudos.

    Vejo a atitude como corajosa e desafiadora, para um jovem de 17 anos, que atualmente dependeria do apoio dos pais para sustentação financeira no período para formação acadêmica. Causou-me alegria, pela sensibilidade dos pais, meu filho e nóra, que, sábiamente deram à ele, todo apoio para iniciar sua visão futurística,com liberdade. Não tenho formação acadêmica, mas, sínto-me auto- didata em diversas áreas do meio social.

  13. A melhor educação para uma criança é expropriar todos os seus brinquedos, dividir todas as suas coisas e forçá-la a trabalhar sem nenhuma remuneração ou mesada.

    Além disso, deixe a criança com fome, frio e sede, como se ela estivesse num Gulag.

    Deixe essa criança assistir filmes dos países socialistas com os milhares de cadávers dos socialismo.

    Com certeza, essa criança vai odiar o socialismo e vai ser um eterno combatente do coletivismo.

    Nada é mais eficaz contra o coletivismo do que uma simulação do socialismo.

  14. Aprender uma ou mais profissões técnicas é realmente bom. Agora, querer abolir a obrigatoriedade das crianças irem à escola e sugerir que deveríamos dar ênfase somente no ensino técnico profissional é algo que a elite bancária adoraria. Excluir matérias que incentivassem alunos a pensar nos mais variados aspectos sócio econômicos na qual a sociedade em que vivem entao seria o ideal para as elites. A verdade é que banqueiros financistas não querem que a população saiba como funciona o sistema bancário atual. Pois se o povo soubesse como funciona o sistema fracionario e que bancos privados proíbem países de emitir sua própria moeda sem dívidas e juros aí sim teríamos uma revolução verdadeira. Não essas revoluções coloridas e híbridas que são justamentes financiadas por banqueiros.

  15. O aumento da expectativa de vida permite o prolongamento da adolescência. Não vejo problema nisso. O adolescente pode iniciar sua vida profissional mais tarde. O paradoxo é que ele fica velho cedo, ou seja, ele deixa de ser adolescente aos 30 anos, mas aos 40, para o mercado, já é “velho”. Antigamente um profissional de 50 anos já estava em final de carreira. Hoje, por mais preparo e gás que ele tenha, o mercado já considera ele em final de carreira. Desta forma, muitos adolescentes nem chegarão a trabalhar, pois pularão da adolescencia para “velhice”. A o mesmo tempo o mercado quer jovens de 30 anos com experiência profissional e formação. Como? se ele ainda é adolescente?

  16. O que vocês acharam da regulação do CONCORDE?

    Lembram do avião supersonico promissor, o famoso CONCORDE?

    Seu primeiro voo comercial foi para o RJ!

    E quando ele estava sob voo supersonico, fazia aquele barulho como um estouro. Parecia uma bomba.

    Bem isso fez com que ele fosse proibido de voar sob cidades, devido as reclamações de barulho.

    Imagina de madrugada, devia ser um inferno mesmo.

    Belo e moral? Defesa de propriedade? iae?

  17. Excluindo o fator qualidade das instituições de ensino, em uma empresa de grande porte o currículo desejável para uma pessoa de 30 anos ingressar é de: graduação em curso correlato, pós graduação, 2 idiomas estrangeiros avançados com 1 deles com intercâmbio, 10 anos de experiência profissional e sendo a última delas em cargo de analista ou consultor em empresas do segmento e uma vasta rede de contatos profissionais. Tudo isso para ganhar salários de R$4.000. E para espanto, sobram profissionais nesta idade com currículos assim.

    Agora imagine o que um adolescente de 30 anos sem metade do currículo desejável vai fazer? A)começar a acumular experiência profissional tardiamente em empresas pequenas com salário de R$1.000 B) virar consurseiro.

    O mercado de trabalho não está exigindo nada que as pessoas não consigam oferecer. O estado que está exigindo mais recursos do que a sociedade pode gerar.

  18. Tá certo que muito do que é ensinado nas nossas escolas e faculdades é coisa que nunca vamos usar na vida e que o sistema escolar deveria ser reformulado para dar mais liberdade de escolha (ex.: só ensinar história, geografia, física, química e biologia para quem pretende seguir carreira nesses ramos) e ensinar coisas realmente úteis na vida pessoal e profissional (ex.: noções de microeconomia para que a pessoa seja capaz de administrar seu próprio dinheiro), mas a prioridade para uma criança ou adolescente devem ser os estudos. Afinal, numa sociedade como a nossa, sem estudos você não é ninguém, a menos que seja filho de rico. E, com a tendência de a automação destruir empregos que requerem pouco estudo, isso só vai piorar nos próximos anos.

  19. André Ferris - advogado - oabrj

    Em um país em que o BNDES deixa alguns “marmanjos” bilionários com mesada a longo prazo…vcs querem mesmo criticar a geração “mamoni”? ou vulgarmente conhecida como geração canguru? complicado né…

    Só lembrando que esse fenômeno não é exclusivo do brasil…está no mundo inteiro…

  20. Eu concordo com às críticas feitas ao sistema educacional… Creio também que a melhor forma de evitar esse cenário seja com o fim da regulação sobre o trabalho infantil… Ou ao menos uma boa afrouxada nessa lei. A flexibilização do conteúdo das escolas também será de grande valia.

    Tenho dúvidas em relação a afirmação de que isso seja um problema… Se hoje as pessoas estão prorrogando o amadurecimento, é porque podem fazê-lo (se tentassem fazer isso no passado, morreriam de fome).

    Acho contraditório os comentários das pessoas que são “contra o coletivismo” e acreditam na responsabilidade do indivíduo… Mas ao mesmo tempo entendem que os jovens “são vitimas” do sistema… Se a responsabilidade é do indivíduo… Porque estão adotando essa postura de “vitimização” do adolescente de 30 anos… No final das contas, a responsabilidade pela suas escolhas, após os 18 é somente dele… Antes dos 18, a responsabilidade é compartilhada entre ele e seus pais… (sim, com o estado atrapalhando muitos aspectos).

    Se a pessoa escolhe fazer uma faculdade ao invés de ir ao mercado de trabalho…. Foi uma escolha dele… Em algumas carreiras, sem o diploma, ele pode não ser o responsável principal… Mas nada o impediria de tentar um cargo como aprendiz, ajudante, auxiliar, etc.

    Se a pessoa escolhe somente se dedicar à faculdade e não fazer estágios enquanto estuda… De novo foi uma escolha do individuo. As oportunidades são escassas, mas existem para quem corre atrás… (Empresas boas sempre têm processo de seleção de estagiários… Muitas empresas ruins também)

    Ninguém obrigou a pessoa a fazer uma faculdade sem antes ter experiencia prática… Ou começar a fazer faculdade tão cedo… Foi a pessoa que escolheu isso… Então parem de colocar a culpa no sistema e assumam a responsabilidade sobre suas escolhas… Se você foi “enganado” pela “sociedade”… Então a culpa por essa escolha errada é, em primeira instância sua e das referências que escolheu… (seja ela a figura de um pai, mãe, tio, avô, professor, político, etc…).

    Por isso não concordo com a solução proposta pelo artigo, ao afirmar que a causa desse processo de infantilização de jovens adultos, seja da educação massiva… Oras a educação massiva ocorre há séculos/décadas e somente a geração atual foi afetada? Além disso os cursos técnicos e profissionalizantes, os programas de estágio e trainnes, e até, porque não, o próprio programa de “jovem aprendiz” existem há muito tempo… E eles têm moldes semelhantes ao proposto pelo artigo. Isso tudo já existe hoje… Então se a solução já está implantada, porque não surtiu efeito?

    Minha vida inteira eu estudei em escola pública, fiz curso técnico em escola pública (ETE – Lauro Gomes)… A faculdade que eu fiz foi pública (FATEC-SP) e nada disso me impediu (pelo contrário me ajudou) que, aos 32 anos, eu tivesse 14 anos de carreira (na minha área, sem contar dos 14 aos 18 quando trabalhei em outras coisas) e uma boa experiência de mercado… Então… Aos jovens que por ventura lerem este post…

    A minha conclusão para o artigo apresentado é outra… Se as pessoas acham que deveriam mudar alguma coisa… Mudem a si mesmos e influenciem às pessoas sob sua área de influencia a:

    Pararem esperar que leis sejam criadas/revogadas, que o sistema educacional melhore, que os impostos sejam reduzidos, etc …

    Ainda que tudo isso ajude… O que vai fazer diferença crucial no final das contas, na sua vida… É você entender o cenário em que está inserido e reagir da melhor forma possível diante dele. Assumir o protagonismo na sua vida e a responsabilidade de suas escolhas… Parem de se vitimizar, culpar o estado, a economia, a mídia opressora, a sociedade, o facebook, a falta de dinheiro, a falta de apoio, seu emprego, seu baixo salário etc…. Apenas aceitem que tudo isso existe e mesmo assim você pode ter sucesso!

    Soa arrogante… Mas eu acredito que, o que vai definir o sucesso do individuo… São seus valores e ações… O que vai definir o sucesso de uma sociedade é a soma dos valores e ações de seus indivíduos… Logo… Para a sociedade avançar, basta que cada um se torne uma pessoa melhor. De sociedades melhores, surgirão leis melhores e estados melhores (ou a ausência dos mesmos, como creem os ancap’s)…

    Eu acredito que essa seja a única/melhor forma de se conquistar isso.

  21. O trabalho infantil/juvenil nunca foi totalmente abolido. Fiquei surpreendido pelo fato do Mises BR ter deixado passar essa. Existem diversas crianças e adolescentes trabalhando no meio artístico, atuando em novelas ou como cantores. É só ver Chiquititas, Carrossel, Cúmplices de um Resgate ou então qualquer novela e filme adulto que tenha algum personagem que seja criança. É assustador constatar que esses trabalhos são permitidos para crianças exercerem simplesmente porque são trabalhos “específicos” para crianças, vide que um adulto jamais interpretaria uma. O que ocorre é que todos os outros trabalhos salubres que crianças poderiam exercer, caso fosse permitido que elas exercessem, a oferta de mão de obra iria aumentar e os sindicatos nojentos impedem isso para evitar queda nos salários.

  22. João de Alexandria

    As únicas coisas as quais dou valor que aprendi na escola são leitura e matemática.

    O resto foi dispensável, e a escola foi um tormento sem fim.

    Tive professores que quiseram me moer vivo e a partir de um incidente na sexta série virei habituée da diretoria da escola porque desafiava os professores incessantemente se achasse que não estavam ensinando direito. Era escola particular e eu tinha a noção de quanto era complicado pros meus pais pagarem.

    Na faculdade, escolhi uma graduação tecnológica numa instituição particular pensando em ir logo pro mercado de trabalho, onde os tormentos não terminaram pois, além de encarar imbecis com um giz na mão sofri episódios de racismo velado constantes de um professor americano e um sansei.Levei o caso pra direção da instituição, mas era a minha palavra contra a deles.Levei um ano a mais pra me formar porque fiquei de DP na cadeira dos distintos.

    Escolhi uma pós que é rara no Brasil e que ia me diferenciar da massa. Foi o único nível de ensino onde tive sossego pra estudar e pude provar capacidade.

    Porém sempre gostei de ganhar dinheiro.

    Comecei vendendo sorvete aos 12 anos, pra horror dos protetores de menores. Aos 14 eu vendia sorvete, refrigerante água e cerveja (mais horror) na porta do parque Villa-Lobos em São Paulo. Era uma mina de ouro no verão porque o Quércia criou o parque sem árvores….elas foram plantadas em mudas e o lugar era, e é até hoje,ótimo pra andar de bicicleta, skate, patins, empinar pipa mas na época não tinha poucos lugares com sombra. Era sol na nuca o dia todo e agente vendia muito.

    Aos 15 anos comprei uma mobilete em sociedade com um amigo pra pegar as menininhas. Um amigo nosso tinha uma outra ferrada e queria comprar uma nova. Deu a velha e uma grana, nós mesmos arrumamos a ferrada e embolsamos a diferença, aí apareceu alguém pra comprar essa, e ganhamos mais dinheiro. Vimos naquilo um negócio e como era época do Cruzado/Cruz Credo, em que um carro seminovo valia mais que um 0km passamos de mobilete pra moto 125, de 125 pra 250, de 250 pra 350, carro, caminhonete e aos 19 anos chegamos a ter um Mercedes 608 que quando vendemos a minha parte pagou um ano de faculdade.

    Chegou o Plano Real e não valia mais a pena. Com meus conhecimentos de mecânica fui trabalhar na oficina do meu padrinho e completei o que sabia. Junto com a facu fiz um curso de mecânica de bico injetor,novidade no Brasil na época e arrumava o carro dos amigos na garagem de casa, no fim de semana, pegando emprestadas as ferramentas da oficina do padrinho sábado meio dia e devolvendo domingo a noite ou segunda de manhã.

    Me graduei e fui encarar o mercado de trabalho CLT. Fui funcionário público e agora sou profissional liberal e investidor.

    Adivinhem onde fui mais feliz…

  23. Cristian Rahmeier

    Vários fatores contribuem para o surgimento de jovens imaturos, muitos motivados pelo estado. Somos imaturos em inúmeras ações, quando não conhecemos seu real valor. Por isso, acredito que os motivos de haver jovens (ou adultos) imaturos são as gratuidades do ESTADO e da FAMÍLIA. Quando as duas se juntam, caso não sejam necessárias, viciam e se não forem controladas levam a destruição do indivíduo e da sociedade. O estado domina aqueles a quem a família é ausente ou conivente. A sociedade também contribui, muitos trabalhos que são direcionados aos mais jovens são condenados (vistos preconceituosamente), como empacotador, lixeiro, faxineiros, etc. Sem contar as remunerações, os salários são uma miséria, em parte por causa do governo e também por parte dos patrões. Também o proibitivo consumo gerado pela burocracia estatal afasta os mais jovens de empregos de baixa renda, pois tornam os empregos ainda mais vexaminosos. Quem vai querer trabalhar um mês inteiro para receber 400 reais se seus pais dão roupa e um pouco para diversão? Se o rapaz tem uma namoradinha, não sobra nada, é desmotivador para os jovens. Mas o fato é que a família deve estar sempre em cima, cobrando.

  24. Me deparei agora com este artigo, e sei muito bem como é ter em casa um adolescente de (quase) 30 anos. Meu irmão está com 29 anos e nunca teve um emprego. Ele agora faz um curso técnico, para tentar recuperar parte do tempo perdido. Nós até conversamos de vez em quando com ele, para ele começar a procurar emprego, mas dificilmente conseguimos alguma coisa. Ele tem feito concursos, mas não adianta, pois ele se interessa pouco por estudar. Sendo assim, fico pensando o que vai ser dele quando não pudermos mais sustentá-lo.

  25. Antes da “revolução cultural” da esquerda, os jovens queriam ser como os adultos; agora, são os adultos que querem ser como os jovens.

    Antes da “revolução cultural” da esquerda, não havia o conceito de “adolescência” neste sentido de fase intermediária entre a infância e a vida adulta: os jovens eram jovens adultos que se preparavam para a vida adulta plena.

    Os jovens não recebem treinamento adequado, são impedidos de aprender, são mimados e condicionados a ter uma autoimagem narcisista e comportamentos psicopatológicos… e depois ainda dizem que é uma fase intrinsecamente problemática! Queriam o quê?

    * * *

  26. Esse é um problema da classe média do brasil. Esse é o motivo de muitos estarem em tratamento psiquiátrico forçado, sendo forçado a internações e drogas. A classe média com essa mentalidade de ”estudar, fazer faculdade, fazer concurso” isso é o maior atraso de vida que existe. Os pais e a psiquiatria é implacável com o jovem de classe média que FRACASSA. Se este jovem nascesse pobre, poderia trabalhar em obra desdos 20 anos ou fazer um curso técnico e assim nunca seria um fracassado. Infelizmente nasci numa matrix mesmo, a matrix da classe média, meus pais nunca me educaram.

  27. Além desse problema que é mais visível, me assusta que a adolescência, além de durar muito, começa muito precocemente aqui no Brasil. Tenho como hipótese, por lidar diariamente com crianças e jovens, que, na periferia, o fator cultural proporciona isso. O gosto musical de uma criança de 7 anos é o mesmo de um adolescente de 19. Ou “adolescente”. O contato e consumo de conteúdos explícitos e de conotação sexual inicia assim q a criança se entenda por gente, além de ser aplaudido pelo politicamente correto das pedagogias. Veja, estou num contexto de escola pública em região periférica. Minha hipótese se limita a esse lugar, mas não observo no local q moro – um condomínio com 12 torres e dezenas de crianças – comportamento diferente.

  28. Não queiram comparar as oficinas de aprendiz da Idade Média com a conjuntura atual pós-industrial.

    Um artigo publicado no Art of Manliness e traduzido pelo Canal do Búfalo explica o que aconteceu:

    “Durante o período pré-industrial, a casa de um homem também era o seu local de trabalho. Para o camponês e o artesão, o "dia de trazer o filho para o escritório" era todo dia. Pai e filho trabalhavam lado a lado do nascer ao pôr do sol. Os pais ensinavam pelo exemplo, não apenas inserindo seus filhos no ofício, mas transmitindo aos poucos lições sobre trabalho árduo e virtude.

    Essa relação foi quebrada pela Revolução Industrial, uma vez que os pais foram forçados a abandonar as terras e as oficinas para ocupar um lugar na linha de montagem. Uma nítida fronteira foi traçada entre a casa e o local de trabalho. Os pais saíam de manhã e só voltavam dez, doze horas depois.”

    Ou seja, na era pré-capitalista, o filho do artesão ou o camponês aprendia o serviço em casa com o pai. Depois com a Revolução Industrial, o pai teve que sair de casa. Ou seja, a relação era de pai para filho, o que não ocorre mais depois da Revolução Industrial.

  29. “Após ser impedida de se matricular na USP, jovem ganha bolsa em escola nos EUA”

    Lembram-se da garota que foi impedida de se matricular na USP pela Justiça, só porque ela estava de homeschooling? Então, agora vai estudar nos Estados Unidos.

    A CF/88 garante, alegadamente, o “direito à educação”. Isso não é direito, é uma concessão estatal. Tanto é que se existisse realmente o “direito à educação”, não existiria vestibulares, FIES e nem mesmo o ensino privado.

    Vai esperar o que de um país que não tem nenhum prêmio Nobel (até a Venezuela tem…)… e assim perdemos cérebros. Os melhores cérebros ou vão para o funcionalismo estatal ou saem do país. Esse estrago vai demorar para ser revertido.

    Apenas vejam esse trecho do artigo do Leandro Roque, de quase nove anos atrás:

    “No Brasil, além de a qualidade dos serviços no geral ser ruim, a quantidade e a variedade de bens de consumo é muito baixa, pois além de o governo dificultar ao máximo as importações, nossa desvalorizada moeda não tem poder de compra em relação às principais moedas do mundo. E não bastasse a pouca oferta e a pequena variedade de bens e serviços, o acesso a eles é caro, justamente porque o governo destrói continuamente o poder de compra da moeda.

    Portanto, eis a realidade atual do Brasil: qualidade da mão-de-obra em queda livre, quantidade e variedade de bens e serviços bastante insatisfatória, e acesso a eles cada vez mais caro. Em vez de facilitar a aquisição de bens de capital, o que poderia remediar a questão da baixa produtividade e da qualidade dos bens e serviços, o governo dificulta o acesso, tanto por meio de tarifas quanto por desvalorizações cambiais. E, para piorar, não há absolutamente nenhuma tendência de melhora na qualidade da mão-de-obra. Esse é o nosso padrão de vida

    Mais ainda: a julgar pelas políticas adotadas pelo atual governo no que tange a protecionismo, câmbio e inflação, não há nenhuma indicação de que isso irá mudar no futuro próximo.

    Isso sim será definitivo para o futuro do país — e não o acréscimo de meros dígitos artificiais ao PIB.”

    PS: Enquanto isso, temos isso…

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