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Não desfaça amizades por causa da política – gerar a divisão é exatamente o que o estado quer

Por acaso a política sempre foi tão brutal assim com as amizades pessoais?

Conheço
várias pessoas, até então amigas entre si, que estão entrando em brigas no
Facebook, em guerra no Twitter, em discussões no Instagram, e em rixas no
Snapchat.  Aquilo que começa como uma
desavença ideológica termina em amargura e rancor.  As pessoas estão provocando umas às outras,
exigindo que aquelas que têm uma posição política contrária à sua saiam de suas
redes sociais.  Algumas até mesmo cortam
relações totais com amigos e familiares. 
E tudo por causa
de diferenças políticas.

Fico
até pensando em como será o natal dessas famílias.

Para
deixar claro, a filosofia política de fato importa e, consequentemente, a
política em si é algo que afeta a vida de todos.  No entanto, a briga partidária pelo controle
temporário do aparato estatal é menos importante do que as contendas eleitorais
nos fazem crer.  Você pode estar sendo
facilmente manipulado por políticos, ideólogos e intelectuais, e amizades e a
família são coisas preciosas demais para ser descartadas por razões
temporárias.

É
lamentável que a política cause divisões permanentes, e de uma maneira tão
desnecessária.  As pessoas que rearranjam
suas relações pessoais de acordo com a política imaginam que estão assumindo em
definitivo o controle de suas vidas; o que elas aparentemente não percebem é que
estão, na prática, deixando que estranhos controlem suas vidas — estranhos que
não se importam absolutamente nada com elas.

A
política é um sistema que busca dividir as pessoas para mais facilmente
dominá-las.  Divide
et impera
sempre foi o lema da política e dos políticos.  Permitir que a política fundamentalmente
influencie algo tão importante quanto a amizade e a família significa conceder a
vitória efetiva aos políticos.  Significa
dar a eles muito mais importância do que eles merecem.

Trollagem e banimento

Agora,
é claro que é necessário levar em conta um pré-requisito.  Se há alguém em sua rede social
deliberadamente trollando
você, lhe perturbando e continuamente enviando links de sites que você
despreza, então a melhor resposta é simplesmente bloquear essa pessoa.  Não responder.  Não entrar em discussões improdutivas.  Simplesmente bloqueie, calmamente, sem dramas
e anúncios espalhafatosos.  Muito menos faça qualquer denúncia.

A
maioria das pessoas que eu conheço já bloqueou mais de cem pessoas ao longo dos
últimos meses, insufladas pelas batalhas políticas e ideológicas que vêm sendo
travadas pela direita e pela esquerda nas redes sociais, cada uma em defesa de
seus políticos de estimação. 
Simplesmente bloquear é uma reação muito mais sensata do que confrontar,
o que levaria a infindáveis e amargas discussões.  E não há nada mais improdutivo e exaustivo do
que intermináveis discussões na internet. 
Pessoas que querem arrastar você para esse meio de fato merecem uma
exclusão do seu círculo de conversação.

Mas,
excetuando-se esses casos extremos, vejo como uma atitude sem sentido expulsar
alguém da sua vida só por causa de diferenças políticas.

Primeiro,
ao se isolar e negar a si mesmo acesso a diferentes pontos de vista, você corre
o risco de se isolar de um crítico que pode ensinar a você algo que você ainda
não sabe.  Pode ser sobre qualquer coisa
da vida, mas talvez até mesmo sobre política. 
Fechar a porta para eventuais informações importantes não é uma atitude
sensata.

Segundo,
conversar com pessoas com opiniões opostas é uma boa maneira de você treinar a
manter a calma, a raciocinar rápido, a falar com fluência e segurança, e a
conversar de maneira civil e cortês, sempre se direcionando ao interlocutor de
uma maneira que possa realmente persuadi-lo. 

Terceiro,
e mais importante, isolar-se de tudo e todos, odiar os outros por suas visões
políticas, e considerar que pessoas com diferentes pontos de vista sejam menos
merecedoras de um tratamento digno é exatamente o tipo de atitude que o sistema
político quer que você tenha.

Mas os outros não são os
agressores?

Um
contra-argumento a esse meu ponto foi feito por um amigo meu ano passado.  Sendo ele também um libertário, ele considera
que qualquer pessoa que defenda qualquer medida governamental — mesmo que só
casualmente, sem pensar mais profundamente no tema — é uma defensora da
agressão estatal.  Afinal, qualquer coisa
que o governo faz só pode ser feita, em última instância, por meio da
tributação da renda (uma agressão à propriedade privada) e da restrição ao
empreendedorismo. 

Consequentemente,
as únicas pessoas que esse meu amigo diz serem dignas de sua atenção são
aquelas que seguem firmemente sua perspectiva anarcocapitalista e
voluntarista.  Quaisquer outras pessoas
são consideradas por ele uma ameaça direta à sua vida e liberdade.

A
mim isso parece ser excessivamente severo. 
A verdade é que as pessoas normais que defendem algum tipo de ação
governamental não se consideram a si próprias como pessoas violentas.  Elas apenas, e ingenuamente, acreditam estar
defendendo algo que será bom para terceiros, talvez até mesmo melhorando a vida
de todos.

Por
exemplo, se uma pessoa defende mais gastos do governo com educação pública, ela
acredita estar apenas defendendo políticas que serão boas para terceiros.  Em sua mente, ela não está decretando guerra
e incitando a violência contra a propriedade privada dos pagadores de impostos,
que deverão ser obrigados a dar ainda mais dinheiro para financiar programas
ineficientes.  Se você simplesmente
cortar relações com essa pessoa, como você poderá persuadi-la de que ela está
errada?

E
não são só os libertários que agem assim. 
Um ex-amigo meu, de esquerda, era um crente fervoroso na tese do aquecimento
global.  Eu não fazia a menor ideia de
que ele pensava assim até o momento em que, enquanto tomávamos um café, o
assunto surgiu.  À época, apenas
expressei algum ceticismo
de que a ciência a esse respeito já estava solidamente comprovada e que o
debate sobre causas e efeitos, soluções, custos e benefícios já estava
encerrado.  Eu realmente fui bastante
comedido em meus comentários.  No
entanto, por algum motivo, eles foram o bastante para fazê-lo explodir de
raiva.  Ele disse que eu era um
obscurantista que negava a ciência e um maluco apologista do capitalismo.  Ele se levantou e foi embora.  E foi isso.

Fiquei
perplexo.  Eu estava apenas discordando
dele, de maneira bem cautelosa.  No
entanto, por algum motivo, ele genuinamente acreditava que qualquer um que
discordasse dele era o responsável direto pela elevação do nível dos oceanos,
pelo derretimento das calotas polares, e pela gradual desintegração do
planeta. 

Ele
havia deixado que a política controlasse sua vida e até mesmo determinasse suas
amizades.  Como consequência, nós dois
nos tornamos espiritualmente mais pobres em decorrência dessa amizade desfeita.

E
considere o efeito tóxico que está sendo causado pelo crescimento da influência
desta tal “política de identidade pessoal”: as pessoas estão perdendo a
capacidade de ver algum valor nas outras. 
Imagine como você me faria sentir se você acreditasse que a brancura da
minha pele representa uma opressão e uma indelével mácula na ordem mundial? Não
haveria nenhuma chance para qualquer tipo de interação civilizada.  Afinal, eu não posso mudar minha raça.  Da mesma forma, e se eu acreditasse que o
fato de você ser negro, ou gay, ou ateu fosse a causa da destruição demográfica
e cultural — como seria possível agir civilizadamente nesse contexto? 

A
imposição dessa política de identidade está gerando exatamente esse tipo de
desavença irracional e de rixas supérfluas entre as pessoas.  Exatamente o que o estado e seus defensores
intelectuais querem.

Qual é o objetivo de uma amizade?

O
que o libertário e o esquerdista acima mencionados não conseguiram perceber é
que eles são culpados pelo mesmo erro: permitiram que a política invadisse e
conduzisse suas vidas, determinando as condições para sua felicidade
pessoal.  Tão logo esse tipo de coisa
começa a acontecer, não há como parar.

Deveria
todo mundo concordar com cada ponto de sua ideologia para ser seu amigo?  Deveria haver tolerância zero para a mais
mínima diferença de idéias, de visões, de prioridades, de aplicações e de
objetivos?  Em outras palavras, deveriam
todos os seus amigos acreditar exatamente em tudo aquilo que você acredita?

Se
essa é a sua perspectiva, então não há muito sentido em ter uma amizade e conversar
com alguém que tenha exatamente o mesmo ponto de vista que o seu em
absolutamente todas as coisas.  No
mínimo, isso seria incrivelmente tedioso. 
Ficar em casa pensando na sua própria infalibilidade teria o mesmo
efeito.

Pessoalmente,
gosto de pensar em amizades da mesma maneira que penso em transações
econômicas.  Em termos de economia, bens
e serviços não são transacionados sob uma perfeita condição de igualdade.  A transação comercial ocorre exatamente
porque ambos os lados acreditam que ficarão em melhor situação após a troca.  É somente quando há expectativas desiguais
que a transação se torna mutuamente recompensadora.

O
mesmo é válido para a amizade.  É
necessário ouvir pontos de vista distintos. 
É sempre bom termos acesso ao que pensam os outros.  Mesmo que não concordemos com nada do que
dizem, ainda assim passamos a compreender as pessoas e o mundo de uma maneira
mais completa quando ouvimos o que os outros têm a dizer — com sinceridade,
cordialidade e honestidade.  Em outras
palavras, amizades desse tipo nos ajudam a ter uma mente aberta e nos mantêm
humildes e sempre dispostos a aprender mais.

Políticos sempre irão trair você

Tampouco
é uma boa ideia desfazer amizades por causa de opções
político-partidárias.  Políticos
raramente mantêm uma mesma opinião sobre qualquer assunto ao longo de suas
carreiras.  Muito pelo contrário, aliás:
essa gente se molda estritamente de acordo com as tendências da opinião
popular.  Quando a maioria da população
clama por mais estado, políticos adotam um discurso mais intervencionista.  Já quando a maioria da população começa a
reclamar do excesso de estado, políticos até ontem estatistas começam a adotar
um discurso mais liberalizante.

Seguir
as idéias de um político, ou mesmo de um partido político, até o ponto de
afetar seu relacionamento com família e amigos significa comprometer sua
própria integridade intelectual.

Simplesmente
não vale a pena.  E muito menos ainda se
for feito em nome de políticos.

Uma
das grandes tragédias da política é que ela é capaz de transformar pessoas que,
na vida real, seriam pacíficas, leais e grandes amigas em inimigas amargas e
rancorosas.  Sempre penso nisso quando
veja brigas de rua insufladas por militantes político-partidários, cada um
brigando em nome do seu político ou partido político favorito. 

Quem
realmente ganha com isso?  Se você colocasse
essas mesmas pessoas em um restaurante, em um cinema ou em um shopping, elas
teriam todos os motivos para ser corteses, gentis e civilizadas, e nenhum
motivo para gritar obscenidades e distribuir sopapos entre si.

Isso
é algo que realmente deveria ser mais refletido.  Cada um de nós é um ser humano com
sentimentos, esperanças, sonhos e desejos de viver uma vida bem vivida — cada indivíduo,
independentemente de sua raça, religião, identidade de gênero, opção sexual ou
ideologia quer isso.  E a política não deveria interferir em nada disso.

Se
o desejo é por um mundo mais pacífico e de mais compreensão, uma maneira de
ajudar a criá-lo é viver como se tal mundo já existisse.  Acima de tudo, isso significa jamais deixar a
política interferir nas relações humanas. 
As relações humanas, e não a política, são o nosso verdadeiro tesouro.

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86 comentários em “Não desfaça amizades por causa da política – gerar a divisão é exatamente o que o estado quer”

  1. Por que a Gurgel faliu? Ele vivia de subsidios e proteção estatal e quando a teta secou ela quebrou ou a inflação da epoca que a prejudicou?

  2. Leandro como era a economia da ditadura militar, alguns dizem que foi estatizante outros dizem que foi liberal, gostaria de ouvir a sua opinião a esse respeito.

    Alguns até dizem que pelo efeito estatizante, a ditadura militar teve uma concepção de estado baseado no comunismo ou socialismo.

  3. Não se misture, se quiser ser grande
    Eu acredito que o texto da a entender, que é uma mera questão de opinião e posição politica.
    De fato é muito alem disso, Porque no Brasil, quem é de esquerda já faz parte do aparato estatal, está lucrando com isso, e já carrega todo um modo de vida de ser, e esse modo de vida traz consequências culturais para quem está próximo.

    Existe a questão ideológica, que carrega todo um modo de vida, como por exemplo uma feminista te odiar, porque você é homem, não pelas suas opiniões, mas pelo que você é.
    O mesmo acontece com uma ideologia que prega a destruição da mesma familia que o artigo quer proteger, as pessoas aderem a isso e se voltam contras as coisas, pelo que elas são e pelo que elas representam.

    È como se o homem se voltasse contra toda a cultura ocidental e desejasse queimar tudo isso, jogar tudo isso no lixo.

    Poderia dizer também, que tudo posso nessa vida, mas nem tudo me convêm. As minhas leituras e as pessoas com quem convivo dizem quem eu sou, Lógico que posso ter amigos de esquerda e ler o que eles tem a dizer, mas tempo é precioso e não volta.Se trato a minha mente como uma lata de lixo, ela será uma lata de lixo. Se convivo com pessoas baixas, eu serei uma pessoa baixa.

    Conclusão
    Olavo de Carvalho já dizia, “Amigo é o sujeito que quer a mesma coisa que você, e rejeita a mesma coisa que você”{1}. Portanto devemos ter muito cuidado, com o que lemos e com as pessoas que nos relacionamos. Esse texto só vale para quem busca a verdade.

    {1} – A vida intelectual e a perda das amizades – Olavo de Carvalho

  4. Realmente é tentar enxugar gelo discutir política e economia com os esquerdopatas,mas ao mesmo tempo é estimulante,prazeroso vê sem argumentos tentando defender o indefensável e é preciso sabedoria e muita,mas muita sensibilidade,pois os mesmos são escorregadios,contraditórios,confusos,em alguns casos alienados,em outros mau-caráteres ao extremo,enfim haja estomago para aguentar desaforos e bravatas do dogmatismo marxista…
    Mas vale sim o bom-senso para manter a amizade e o dialogo,afinal a vida não se resume em discutir pontos de vista políticos.

  5. Eu deixei de falar com minha prima por questões políticas, inicialmente tinha bloqueado ela no face por não aguentar olhar postagens da carta capital e piadas contra a direita, mas com o tempo simplesmente deixei de falar com ela, por raiva mesmo.

    Hoje evito ao máximo discutir política, melhor escutar algumas abobrinhas calado do que ficar bringando em debates que NUNCA levam a nada.

  6. Sábias palavras. Fiquei muito confuso quando vi JEC, Dilma e Aecio conversando de boa, Ministro Lewandoski e Renan também, dando gargalhadas.

    É muito estranho ver a atual oposição esbravejar no microfone, acusar várias coisas mas, nos bastidores, parecem ser tão amiguinhos

  7. “Dividir para melhor reinar “.

    Eles se frequentam em almoços e camaradagem, sobretudo quando é para os protegê-los de denúncias. Vide os áudios publicados no mês de abril, que podemos reouvir no YouTube…

    Casta política, este é o nome

  8. “Deveria haver tolerância zero para a mais mínima diferença de idéias, de visões, de prioridades, de aplicações e de objetivos?”

    Não,mas…

    “there can be no tolerance toward democrats and communists in a libertarian social order. They will have to be physically separated and expelled from society.”

    algumas diferenças são aceitáveis, outras não.

  9. Imagem adequada para o artigo é a da Dilma, Aécio, JEC e Lewandowski conversando sorridentes em pleno impeachment enquanto a boiada ignorante defende cada um o seu lado e de graça.

  10. Um grande texto, talvez (tirando os textos técnicos sobre economia) um dos melhores desse espaço.
    Além de não valer a pena, o autor captou corretamente que o que realmente dá sentido as nossas vidas são as relações que mantemos com outros seres humanos.
    Apesar de não concordar com inúmeros aspectos de vários textos desse espaço, já recomendei diversas vezes este site no meu pequeno blog (pensamentos financeiros).
    Aliás, quem conhece um pouco das pesquisas mais atuais sobre ação humana, não apenas ideias abstratas colocadas em algum livro por um pensador mas pesquisas baseadas no que realmente acontece no nosso cérebro quando exposto às mais diversas condições, sabe que o nosso cérebro toma decisões baseado em dois sistemas completamente distintos de pensamento. Eu não me lembro de nunca ter visto nada sobre isso nesse espaço, o que é de certa maneira curioso, já que o tema é central para entender como o ser humano se comporta.
    Uma das melhores maneiras de exercitarmos nosso poder de raciocínio consciente é constantemente acionarmos nosso sistema2 (o ligado a formas mais reflexivas de pensar), e uma das formas de fazermos isso é expor o nosso cérebro a ideias contrárias ou novas. Aliás, essa é também, grosso modo, a ideia central do livro mais recente do Taleb “Antifragile”. Portanto, para mim o IMB foi uma fonte muito boa de estímulos ao meu sistema2. É uma pena que as pessoas fiquem tão condicionadas a determinadas formas de ver a vida e o mundo, que acabam apenas por reproduzir pensamentos automatizados (algo típico do sistema1), e não percebem que nem estão pensando mais, apenas reagindo a estímulos externos de forma automática e quase inconsciente. Isso apenas demonstra, como dito no presente texto, que as pessoas estão se isolando cada vez mais sem se darem conta disso.
    Abraço a todos!

  11. Amizade implica em afinidade. Ter valores semelhantes. Trata-se de gostar das mesmas coisas e detestar as mesmas coisas. Como é que vou ter amizade com pessoas que têm valores antagônicos aos meus. O problema dos esquerdistas é que são relativistas morais eculturais; O certo e o errado e a verdade e a mentira dependem de serem favoraveis ou não à causa revolucionária. Já os liberais são tão utópicos quanto os esquerdistas. Acham que tudo se resolve com liberdade econômica. Como se todas as pessoas fossem naturalmente boas segudo a ótica de Rousseau.

  12. Eu tenho uma grande dúvida, como é possível se misturar com pessoas que partem da premissa de que os outros (que pensam diferente da “justiça social”) são a infâmia e eles, que são os justiceiros sociais que tem a formula mágica para fazer um mundo perfeito, são a virtude? Especialmente quando essa visão de “justiça social” levará a uma necessária destruição do individuo e fortalecimento do “coletivo” (leia-se, nas opiniões absurdas de burocratas).

    Me parece mais ou menos como querer dialogar com o Estado Islâmico e achar que eles consigam ter a minima boa vontade de entender o que você está querendo dizer.

    Porque para um grupo politico que pediu o impeachment de todos os presidentes democraticamente eleitos e, de repente, acham que o impeachment é golpe após o presidente que representa esse grupo ter sofrido o impeachment é, no minimo, um fanatismo alucinado.

    Sem contar que, passado o “golpe” do presidente eleito por este grupo, voltaram a defender o impeachment como algo legitimo.

  13. Henrique Zucatelli

    Ainda acredito que existe Estado democrático na pós modernidade porque quem produz (e paga a conta) é pacífico demais para quebrar tudo e fundar um país novo. Essa escravidão branca é característica de nosso tempo, enquanto do passado os homens davam a vida por um suspiro de liberdade- vide a revolução americana e a revolta mineira de Tiradentes.

    No passado os homens simplesmente paravam o que estavam fazendo para quebrar o status quo, derrubar o agressor e se libertar das garras da tirania. Para estes bravos homens a vida não valia a pena se fosse para ser servil.

    Hoje o mundo rasteja aos pés de aberrações que fariam Gengis Khan se considerar um monge, simplesmente porque estes se escondem atrás de flâmulas, de cartas e pactos civis, de constituições que existem apenas para torna-los semi deuses, enquanto a massa dá o sangue e entrega sua dignidade desde o berço.

    A grega democracia só existe com um propósito: dominar intangivelmente com o arguto da anonimidade. A dissimulada alternância de poder esconde apenas o óbvio: aquele que chega lá, nunca mais volta ao mundo dos mortais.

    Um simples vereador consegue erguer impérios fornecendo bens e serviços a preços absurdos e qualidade pífia, de forma contínua e com volumes assombrosos. Suba de nível e multiplique a fortuna, é assim que funciona. Por isso não raro estranhamos que certos políticos com 70, 80 anos de idade continuam em suas cadeiras e se elegem de forma quase automática: é o poder construído por décadas que carrega uma turba de parasitas com direito a voto, que irão eleger o infame até depois da morte, se assim virar lei (e não duvidem).

    Ao contrário dessa obscenidade, a monocracia é o caminho mais lógico e honesto: elites naturais se encarregam apenas de guardar as poucas e efetivas leis de um território, e só. Caso falhem na missão, serão derrubados no fio da espada, e de lá nascerão outros Estados. Só essa aura de terror protege os governados dos governantes.

    Me perdoe Mises, mas eu não acredito na democracia.

  14. Com a cultura da “propriedade pública”, produto da democracia, acredito que inconscientemente as pessoas estão fartas de que quando uma ideologia que elas não concordam assume o poder, elas têm de arcar os custos dessa ideologia, por exemplo: eu sou fumante, mas a ideologia do momento é “Pare de fumar”; Não tenho filhos, mas tenho que arcar com a escola pública daqueles que têm filhos; Gostaria de gastar a contribuição do meu INSS em outra coisa, mas o estado me obriga a recolhê-lo.

    Com isso, João fica irado quando Henrique começa a defender uma ideologia contrária ao que ele pensa, pois, inconscientemente, João sabe que a sua liberdade e o seu bolso estarão em risco; e pela liberdade e pelos seus bens os homens lutam com unhas e dentes.

    Se um grupo defende, por exemplo: “Mais creches para mães solteiras poderem deixar seus filhos.”, e somente esse grupo (e pessoas que forem sensibilizadas por essa causa) contribuísse voluntariamente para a construção de creches não haveria problema para Maria, que não é mãe solteira, ouvir essa reivindicação de uma amiga que é partidária dessa ideia. Maria no mínimo diria a sua amiga: “Boa sorte com a sua revindicação”, pois seu bolso não seria afetado com isso.

    Por isso, acredito que a raiz do problema de todo esse pugilato ideológico se assenta na “propriedade pública” que como consequência nefasta causa a conhecida tragédia dos comuns.

  15. Parabéns pelo texto. Se me permite apenas uma observação, somos todos nós, seres humanos, igualmente diferentes, não existe raça branca,amarela,vermelha… Esse equívoco sempre está presente aqui no Mises.

  16. Ser esquerdista agora é uma doença? Acredito que ser um comunista lunático, é ruim do mesmo jeito que ser um anarco capitalista também é doença mental. Ser liberarem um país com mais de 50 milhões de habitantes, é pedir para a população se fuder, acabar com com o salário mínimo, e com uma série de benefícios do trabalhador só vai acabar em revolta popular. E outra coisa que país cresceu sendo liberal? Todos os países que hoje são de primeiro mundo tiveram ajuda do estado.

  17. O texto é lúcido, ponderado. Parabéns!
    Mas ainda assim aparecem um monte de comentário criticando os “esquerdopatas”, “comunistinhas” e blá-blá-blá… O pessoal não aceita que o vale lá, vale cá, também. Não é porque o outro pensa diferente que ele é, obrigatoriamente, inferior. Releiam o texto e reflitam melhor!
    Mais uma vez, parabéns pelo texto, e que ele sirva como base para REFLEXÃO e não como ferramenta de ataque a outros ideais.

  18. Os brasileiros, de lado a lado, demonstram ter uma inacreditável dificuldade em dialogar. Tão estúpida quanto a frase “os liberais são todos uns idiotas, com eles não dá para dialogar” é a frase “os esquerdistas são todos uns idiotas, com eles não dá para dialogar”, que em essência são a mesma frase: “não sei dialogar, portanto, desqualifico o contraditório”. É uma aberração pensar que não haja pessoas inteligentes em todas as correntes ideológico-políticas. É claro que há. A dificuldade é de se investir da honestidade necessária para ouvir e ser ouvido, aprender e ensinar.

  19. O MESMO de SEMPRE

    Opíniões políticas NÃO SÃO INOFENSIVAS.

    Estas opiniões ao serem toleradas podem progredir e resultar em genocídios.

    Como eu posso aceitar-me amigo de um MANÌACO que almeja apenas aliciar imbecis e safados de seu naipe para um desfecho funesto na realização de suas ambições????

    Só imbecis podem elaborar SOFISMAS para um BOM MOCISMO mal cheiroso.

    Estou com Shopenhauer, algo assim:

    “Se você pensa que o Diabo anda por aí com chifres e patas de boi, você é candidato a ser vitima dele”.

    O BOM MOCISMO É A QUINTA COLUNA!!!

  20. Gostei demais do texto.

    Confesso que estou cada vez menos tolerante para com simpatizantes de socialismo e para com a esquerda e seus partidos. Ao mesmo tempo, como o próprio texto diz, tenho me afastado de discussões, sobretudo em redes sociais, pois, atrás do monitor, todos nós viramos ‘destemidos guerreiros dos teclados’ e desferimos palavras que, NA IMENSA MAIORIA DAS VEZES, não as usaríamos se estivéssemos tête-a-tête, jamais.

    Saí de grupo da família da minha esposa por conta disso, dias antes do afastamento da giuma, devido à posicionamento de tios dela. No Facebook, vejo publicações de alguns amigos esquerdinhas (declaradamente, até que são minoria 14 ou 15 de 500 pessoas), mas uso o botão da barra de rolagem e segue a vida. Já fui de entrar nos tópicos, comentar… Mas não os mudarei com meus argumentos… Então, no fim, melhor manter as amizades. Claro que fico chateado porque pessoas assim, com mente estatizante, ávidos por ‘mais igualdade’, votarão em candidatos que, ao serem eleitos continuarão sua ‘caridade com o dinheiro dos outros’. Contudo, venho tentando fazer o exercício mental de pensar que um dado candidato ruim ao ser eleito, o foi não apenas com o voto daquele meu (infeliz… rsrsrs) amigo/parente, mas com o voto de muitos outros incautos, o que só confirma que desfazer essas amizades não faz o menor sentido para nossas vidas.

    Mas… não está sendo fácil… rs

    Ao conhecer a Escola Austríaca, o Libertarianismo e a visão do respeito à individualidade e à propriedade privada, torna-se penoso conviver e conhecer a visão (velha e arraigada) do estatismo/coletivismo. Disse aqui certa vez e vou repetir: há uns 3 anos eu me sinto como se tivesse me desligado da Matrix, no entanto, ando e vejo as pessoas ainda ligadas à ela, vivendo suas vidas e inteiramente convencidas das suas convicções que não passam da emulação de um programa de computador (neste caso, o estado) em suas mentes, acreditando que o mundo é o que ela tem diante dos olhos.

  21. O enunciado já mostra que o Libertarianismo flerta com a esquerda. do texto, fico com o ‘Mas… não está sendo fácil… rs’. Para mim, não tem o que conversar.
    Imagino ter um amigo de esquerda, totalmente contrário a saída de Dilma Roussef. Ainda reticente, após 3 anos de falcatruas na cara de todos e recessões fortes devido ao populismo de esquerda. Com o Bolivarismo no sangue, querendo Havana capital da Pátria Grande. Ou seja, quer o pior para o nosso país. Óbvio que um soco na cara não darei no sujeito, apesar de merecê-lo, mas que a amizade precisa ser ‘esfriada’, ah, isso é extremamente necessário até para a saúde mental minha. Chegamos ao ponto de que quem ainda defende o socialismo bolivariano, aqui, no Brasil, ou é muito otário ou muito malandro. Malandro vemos aos montes por aqui e otários mais ainda. Passar a mão na cabeça ou tentar convencê-los é de uma ingenuidade digna de liberais. Ou uma pequena ‘esperteza’ embutida para ganhar um talvez jovem rebanho social democrata, os mais próximos.
    Quanto ao senhor João Amaral Gurgel. A Gurgel foi vítima de uma sacanagem do então governo do senhor Sarney. O BR-800, ações em bolsa de valores para o projeto, foi ‘atropelado’ por uma medida maldosa em que as grandes montadoras puderam lançar carros abaixo das 1000 cilindradas. Quem entende de livre mercado, como vocês – sou conservador e já fui liberal -, sabe que uma montadora como a gigante FIAT e seu UNO Mille( 994 cm³) esmagaria a pequena e corajosa Gurgel, com o seu simples BR-800.
    Foi isso que aconteceu.

  22. Claro, quando você fizer “amigos” que vão roubar….ops, estatizarem sua propriedade, tirar seu direito de voto, ensinar os seus filhos a te odiarem, por que você não é um comunista, e fizerem você trabalhar para sustenta-las, eu posso chamar essa pessoa de melhor amigo.

  23. Texto sensacional. É isso. Não vale a pena acabara amizades por política pois mesmo discordando do outro ambos tem a crescer com o diálogo civilizado. E os políticos querem é a divisão mesmo para vir com aquela promessa de resolver tudo e tomar o poder. Como disse alguém acima, não vale perder o olho por político algum.

  24. Quanto mais similar a pessoa é menos conflito há, não vejo como isto é tedioso, é mais um alívio

    Além disso, o tipo de pessoa que já tive que lidar…

    Não importava o quanto eu explicasse ele nunca se convencia, achando que a solução pra quase tudo era o Estado, se recusando a ver como este distorce o mercado, expliquei por detalhe a ideia por trás do anarco-capitalismo e em um momento ele disse que não importa se imposto é roubo pois o Estado é necessário para ele

    Não consigo ver o que se tem a ganhar continuando este tipo de amizade, ou fico sozinho ou tenho que tolerar tanto conflito que nunca melhora apesar de todo o meu esforço

  25. Discordo totalmente e absolutamente com 100% de tudo que aqui foi escrito. Um sujeito que pretende ser meu amigo, meu colega de jornada nesta vida e defende a ideologia Socialista/Comunista é como alguém que defende o Nazismo. É literalmente um inimigo total e inegociável. É simples de entendermos:

    1- O que foi que o Comunismo fez nos últimos 100 anos? Assassinou milhões de pessoas em nome de suas crenças ateístas, em nome do absolutismo de quadrilhas que se apossam do Poder.

    2- Daí eu vou continuar tratando tais figuras como irmão e companheiro? Ora, como é que se resolve isto aqui? (1ª Coríntios 10:21) “Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.” Alguém que estiver lendo poderá dizer: ‘demônios’? Sim, é-nos dito na tradição cristã o seguinte: (1ª Timóteo 4:1) “MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios”

    3- Os defensores da carniça diabólica do Socialismo/Comunista que ergueu China, Coréia do Norte, Cuba, Venezuela, Laos, Camboja, Vietnã do Norte e agora está arrastando a Argentina para o abismo se faz COM PESSOAS REAIS E CONCRETAS que devem ser vistas como INIMIGOS da vida, apoiadores de ladrões, vagabundos, desgraçadores da Humanidade.

    4- Por fim, quem acha boa coisa fazer alianças com estes sujeitos têm o mesmo caráter deles, ou pior, são pusilânimes que sempre têm um sorrisinho do canto de boca e na primeira que podem metem a faca nas tuas costas, ex.: Sérgio Moro, Joice Hasselmann, João Dória, etc.

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