Estamos a menos de 3 semanas para o referendo do “Brexit”
(quinta-feira, 23 de junho), que decidirá se a Grã-Bretanha sairá ou não da
União Europeia.
(O termo “Brexit” é uma conjunção de Britain, de Grã-Bretanha, com exit, que significa saída).
O Partido
da Independência do Reino Unido (UK
Independence Party), que tem 13% do eleitorado, defende a saída. Cerca de metade dos parlamentares do Partido
Conservador também defende a saída (embora o Partido tenha se mantido
oficialmente neutro na campanha).
Já o Partido Trabalhista, o Partido Nacional
Escocês, o Plaid Cymru
(do País de Gales) e os Liberal-Democratas estão contra a saída.
Há algumas vantagens em estar na UE, como, por
exemplo, o livre comércio
(em grande medida) e o livre movimento de pessoas, em que não são exigidos passaportes
(exceto países que não estão na área de Schengen,
como a Grã-Bretanha) dos cidadãos dos países-membros.
Porém, o que está em jogo é o conceito e o
funcionamento da centralização de poderes. Os pontos negativos da União Europeia
são numerosos e estão demonstrados neste imperdível documentário
A UE foi formalmente criada em 1992, por meio do Tratado de Maastricht,
que determinou também a introdução gradual da nova moeda, o Euro. O documento
foi costurado pelo socialista francês Jacques Delors,
presidente da Comissão Europeia. Delors, Mitterrand (presidente da França),
Helmut Kohl (chanceler alemão) e seus amigos socialistas eram oponentes das
políticas econômicas de Reagan e Thatcher, que reduziram a inflação e geraram
crescimento por meio de menos impostos, desregulamentação de alguns setores,
políticas monetárias restritivas, e combate aos sindicatos (o oposto do que os
socialistas europeus pregavam).
Estes socialistas — que em muitos governos europeus
eram aliados dos partidos comunistas — ainda estavam chocados com o júbilo dos
europeus orientais em derrubar estátuas, símbolos e sistemas socialistas após a
queda do muro. Queriam um poder europeu que pudesse enfrentar os Estados
Unidos, em termos de comércio e finanças.
A Grã-Bretanha assinou o Tratado, mas John Major (Primeiro
Ministro que sucedeu Margaret Thatcher) exigiu que tivesse a opção de lidar com
a adoção do euro mais à frente (a Dinamarca também foi agraciada com esta regra
de exceção). Thatcher dizia que a adoção do euro seria “socialism through the
back-Delors”. (Um trocadilho entre “porta
dos fundos” (back door) e o sobrenome do francês Delors. Com isso, ela quis dizer que seria uma maneira furtiva de se adotar o socialismo).
Já Helmut Kohl queria ser conhecido não apenas como
o chanceler mais longevo, mas também como o que reunificou a Alemanha e que
uniu a Europa por meio da UE. Por conta disso, impediu que os alemães votassem
diretamente em referendo sobre a entrada na UE e a adoção do euro,
desrespeitando acima de tudo aquela instituição por quem os alemães tinham
profundo orgulho e respeito: o marco alemão. Essa manobra
fez com que Kohl perdesse a eleição.
(Leia aqui para entender
por que os alemães abriram mão do seu venerado marco alemão).
A expectativa dos europeus era que o euro se
tornaria a nova moeda de reserva do mundo, suplantando o dólar. Ledo engano. O
dólar estava em boa fase, e ainda é, depois de 15 anos da adoção definitiva do
euro, de longe, a moeda mais líquida do mundo.
A Grã-Bretanha percebeu que nada perdeu por não ter
se unido ao euro, e agora se pergunta se perderia algo não estando na UE. Os
ingleses sempre recearam um Estados Unidos da Europa. Como mostra o
documentário acima — intitulado ‘Brexit, the Movie’ –, as vantagens da saída
são enormes.
Pelas últimas pesquisas, a despeito da campanha do Remain (permanecer) liderada por
Cameron, é possível que a Grã-Bretanha tome o caminho da saída.
As atitudes do parlamento europeu colocam a distopia de Ayn Rand perto demais. A libetdade é sempre melhor.
Madame Thatcher sempre certeira em suas ponderações acerca da política e sua repulsa ao socialismo\comunismo.Essa guerreira têm o meu respeito,tardio é verdade,mas verdadeiro,enfim ela mais uma vez tinha razão.
“A expectativa dos europeus era que o euro se tornaria a nova moeda de reserva do mundo, suplantando o dólar. Ledo engano. O dólar estava em boa fase, e ainda é, depois de 15 anos da adoção definitiva do euro, de longe, a moeda mais líquida do mundo.”
E qual é a vantagem de se ter a moeda de reserva do mundo? Eu não vejo absolutamente nenhuma, inclusive acho isso perigoso. A alegação de que os EUA podem imprimir dólares para pagar importações como “vantagem” é completamente sem sentido, qualquer BC pode imprimir moeda nacional para comprar moeda estrangeira e é impossível evitar uma desvalorização cambial fazendo isso.
Ter a moeda de reserva internacional dá ao governo uma maior capacidade de financiamento pois os juros vigentes são menores do que naturalmente seriam, já que os títulos publicos são demandados pelos Bancos Centrais ao redor do mundo. Isso pode tornar a administração das finanças publicas menos rigorosa e em caso de supressão do pagamento da dívida, a retaliação se dará a nível mundial. A dívida publica americana ultrapassou 100% do PIB e os juros vigentes são baixíssimos, quem vai se preocupar com austeridade num ambiente assim?
Achei esse filme do Brexit espetacular !
Recomendo que seja visto por qualquer pessoa antes de formar opinião sobre a manutenção ou
retirada da Inglaterra da União Europeia.
Parabéns pela publicação, Helio!
Excelente artigo!
Ótimo post, Hélio! Abraço!
A moeda internacional de troca deveria voltar a ser o ouro. Acho que se a China ou até mesmo o Brasil adotasse o padrão ouro, o Dolar deixaria de ser a moeda de troca internacional rapidinho. Claro que isso é uma opinião minha.
As vantagens do brexit são uma ameaça ao Mercado Comum Europeu.
Amigos, comecei a traduzir e legendar o filme. São 26 partes no total. Pretendo terminar antes do referendo, mas vai ser bem difícil… se tiver algum voluntário para ajudar é só entrar em contato, já tenho tudo transcrito, é só traduzir mesmo. Abraço
https://www.youtube.com/watch?v=8d14AerxRgQ
Alguém poderia me informar porquê a saída da GB da UE seria vantajosa? Por quê o Mercado financeiro está tão temerário disso? Haja volatilidade nas ações.
Helmut Kohl poderia ser tudo, menos socialista.
Vladimir Bukovsky fez virar um livro ”U.E uma nova URSS” não sei saiu em tradução PTBR.
É difícil qual é mais danoso: social-democracia ou socialismo.
Eu nunca sei se os libertários são favoráveis ao território gigante ou ao território fragmentado. Se preferem unidade do território brasileiro ou a milionésima divisão com leis particularizadas a cada 50 Km com um Fidel Castro a cada propriedade privada.
Se o UK liberasse completamente as barreiras alfandegárias e depois de estabelecido um grande fluxo de comércio ameaçasse fechar comercialmente o país, não seria uma boa estratégia? Os comerciantes estrangeiros não fariam lobby para reativar o comércio? Eu não sei se essa estratégia funcionaria na prática!