Voltar

O Marx que a esquerda desconhece – contra o protecionismo, anti-keynesiano e pró-livre concorrência

Ao passo que os estudantes universitários
brasileiros foram apresentados ao liberalismo pelos seus críticos e tiveram um
acesso de segunda mão às ideias liberais, uma situação similar ocorre no acesso
dos jovens liberais ao pensamento de Karl Marx e ao marxismo, apesar de as
universidades ainda serem dominadas pela vulgata marxista.

É difícil encontrar alguém que, mesmo orientado pelo
professor, tenha estudado alguma de suas obras.

Ao terem contato direto apenas com as críticas a
Marx elaboradas por grandes nomes do liberalismo, os liberais compreenderão
apenas uma parte da refutação — muitas vezes descolada do seu devido
enquadramento –, e não conseguirão elaborar a própria crítica, uma vez que,
por ignorância ou indiferença às fontes primárias, tenderão a repetir o que
leram e assim continuarão despreparados na hipótese de pretenderem escrever
sobre o assunto ou debater com marxistas.

Por isso, vale a pena o esforço de se manterem
estoicamente dentro da sala de aula ouvindo a vulgata marxista dos professores
universitários, nem que seja para anotar as fontes bibliográficas ou, o que é
melhor, questionar o professor sobre se o marxismo dele é de primeira ou de
segunda mão (e lembrem-se sempre de que um mero por que pode
ser um argumento infalível contra o marxismo).

Não se está sugerindo, obviamente, que todos leiam a
obra completa de Karl Marx e tornem-se especialistas, mas o estudo do texto
original, quando citado em um argumento crítico em um texto de seu interesse, é
fundamental para compreender as dimensões da própria crítica com a qual se
concorda ou simpatiza. Se o estudo do pensamento de Karl Marx não tivesse sua
importância tantos intelectuais não teriam dedicado anos de estudo e
desenvolvido uma refutação tão vigorosa.

O
Marx que a esquerda atual desconhece

Marxistas, social-democratas e demais defensores do
intervencionismo estatal sempre afirmaram que determinados setores da economia —
principalmente saúde, educação e segurança, mas também o setor elétrico e de
telecomunicações — não podem ficar por conta do livre mercado e da livre
concorrência porque a ganância e a busca pelo lucro não apenas são
incompatíveis com tais setores, como também levariam a preços absurdamente
caros, o que prejudicaria principalmente os mais pobres.

Já os economistas seguidores da Escola Austríaca
sempre afirmaram categoricamente que é justamente a busca pelo lucro em um
ambiente sem protecionismos, sem privilégios, sem agências reguladoras
e sem subsídios o que gera serviços da alta qualidade e preços baixos.

E a explicação é simples: como empresários, no
geral, não gostam de
concorrência
, eles sempre se mostram ávidos por fazer lobby e utilizar o
poder estatal em seu próprio interesse com o intuito de banir a concorrência e
solidificar sua posição de domínio
.  Eles conseguem isso por meio de
tarifas protecionistas, subsídios e agências reguladoras que cartelizam o
mercado e impedem a entrada de concorrentes.

Já o livre mercado — arranjo em que não há
protecionismo, subsídios e agências reguladoras — é um sistema em que são os
consumidores que controlam os empresários.  No livre mercado, as empresas
não têm opção: ou elas servem o consumidor de maneira eficaz ou elas fecham as
portas.  E servir o consumidor de maneira eficaz significa estar sempre
ofertando bens e serviços de qualidade crescente a preços cada vez menores.

É justamente o governo — com seus subsídios,
privilégios especiais (como tarifas protecionistas e execução de obras públicas
com empreiteiras) e restrições à concorrência (por meio de agências reguladoras
e exigências burocráticas) — quem promove monopólios e oligopólios, e
consequentemente preços altos e serviços de baixa qualidade.  Sendo assim,
se você quiser serviços de qualidade a preços cada vez menores, você tem de
defender o livre mercado.

Sabe quem concorda com tudo isso?  Ninguém
menos que Karl Marx.  Não deixa de ser curioso constatar que Marx entendeu
perfeitamente essa realidade.  Mais ainda: ele foi explícito em demonstrar
isso. 

Marx
contra o protecionismo

Comecemos pela questão do protecionismo. 

Marx entendia perfeitamente — ao contrário da
esquerda atual — que tarifas protecionistas impostas pelo governo aos produtos
estrangeiros serviam apenas para proteger os lucros do grande baronato
industrial, blindando-os da concorrência e garantindo-lhes um mercado cativo.  Marx reconhecia que o protecionismo nada mais
era que uma reserva de mercado em prol dos grandes empresários e contra o povo;
o protecionismo era a garantia de um monopólio.

Em um discurso
proferido em 1848
, Marx disse:

Onerar
os cereais estrangeiros com tarifas protecionistas é algo abominável; é
especular em cima da fome do povo.

E prosseguiu:

Se
eles [os protecionistas] falassem abertamente para as classes trabalhadoras, então
eles poderiam resumir sua generosidade nas seguintes palavras: é melhor ser
explorado pelos seus conterrâneos do que por estrangeiros.

Percebendo que o protecionismo servia apenas para
manter o status quo inalterado, Marx constatou:

O
sistema de tarifas protecionistas coloca nas mãos do capital de um país as
armas que o permitem desprezar o capital dos outros países; tarifas
protecionistas aumentam a força deste capital contra o capital estrangeiro. […]
A questão para as classes trabalhadoras não é preservar esse estado de coisas,
mas sim transformá-lo no seu oposto.

Já um tanto sem paciência, Marx concluiu
seu discurso dizendo:

Não
há motivos para continuar nesse assunto. 
A partir do momento em que os protecionistas concedem que as reformas
sociais não têm espaço no seu sistema e nem resultam dele — a partir deste
momento, eles já abandonaram a questão social.

Já em A
Ideologia Alemã
(1845-46), Marx e Engels afirmam:

As
indústrias sempre foram protegida por tarifas alfandegárias, por monopólios no
mercado colonial e, no mercado externo, pelo maior número possível de direitos
diferenciais. […] A indústria de modo nenhum podia dispensar a proteção, pois
que pode perder o seu mercado e arruinar-se com a mais pequena mudança que se
opere noutros países. Sob condições relativamente favoráveis, a indústria pode
ser facilmente criada em um país; mas, por essa mesma razão, pode ser
facilmente destruída.

Seu companheiro Engels foi tão arguto quanto.  Em um artigo de
1847
, ele disse:

A
burguesia, com efeito, é incapaz de se manter, de consolidar sua posição, de alcançar
o poder irrestrito se ela não proteger e estimular sua indústria por meios
artificiais.  Sem tarifas protecionistas
contra a indústria estrangeira, ela seria esmagada em uma década.

E concluiu que o protecionismo era uma maneira de os
atuais industriais ultrapassarem as antigas classes dominantes.  Ele disse:

A
burguesia da Alemanha requer proteção contra países estrangeiros para
sobrepujar o que restou da aristocracia feudal.

Marx, em suma, era contra o protecionismo e a favor do
livre comércio
porque via este como um instrumento do enfraquecimento da burguesa,
a qual se fortalecia e enriquecia sob o protecionismo. 

Já os liberais/libertários, obviamente, entendem que
o livre comércio — isto é, a sua liberdade de transacionar voluntariamente com
quem você quiser, sem ser impedido pelo governo — é um instrumento para se
alcançar a prosperidade
.

Marx
e a livre concorrência

No quesito “efeitos benéficos da livre
concorrência”, Marx também concorda com os austríacos e discorda de todos
os atuais marxistas e demais intervencionistas. 

Veja o que ele escreveu logo nas páginas
iniciais do Manifesto Comunista
:

A
burguesia, pelo rápido melhoramento de todos os instrumentos de produção, pelas
comunicações infinitamente facilitadas, arrasta todas as nações, mesmo as mais
bárbaras, para a civilização.

Os
preços baratos das suas mercadorias são a artilharia pesada com que deita por
terra todas as muralhas da China, com que força à capitulação o mais obstinado
ódio dos bárbaros ao estrangeiro, com que compele todas as nações a apropriarem
o modo de produção da burguesia, se não quiserem arruinar-se; compele-as a
introduzirem no seu seio a chamada civilização, i. e., a tornarem-se burguesas.

Numa
palavra, ela cria para si um mundo à sua própria imagem.

Em suma: além de creditar à burguesia e aos seus
instrumentos de produção — isto é, ao sistema de lucros e prejuízos — a façanha
de retirar nações da barbárie e levá-las à civilização, Marx afirma
categoricamente que o modo de produção burguês — que nada mais é do que a
busca pelo lucro — gera mercadorias a preços baratos

E não apenas isso: ele afirma que o sistema de lucros
e prejuízos compele todas as nações a adotarem este modo de produção, sob pena
de se arruinarem por completo caso não o façam.

Essa é uma conclusão interessante, pois vai contra
tudo o que os atuais marxistas e demais intervencionistas afirmam.  Segundo eles, serviços de saúde, educação,
segurança, energia e telecomunicações não devem ser ofertados em um ambiente de
livre concorrência, pois seriam caros e inacessíveis para os pobres.  Ao afirmarem isso, eles comprovam que não
leram Marx.  Se leram, não entenderam. 

Marx entendeu perfeitamente que a busca pelo lucro
sob um arranjo de livre concorrência leva ao barateamento dos produtos e
serviços, e que tal barateamento é “a artilharia pesada com que [o sistema
de lucros] … compele todas as nações a apropriarem o modo de produção da
burguesia [e se tornarem civilizadas], se não quiserem arruinar-se.”

Ao contrário dos marxistas atuais que defendem a
estatização de vários serviços sob o argumento de que isso reduziria seus
preços, Marx entendeu que é a busca pelo lucro o que realmente derruba os
preços, e não a estatização destes serviços.

Marx
contra Keynes

Como se não bastasse, Marx também disparou um
petardo contra keynesianos defensores de aumentos de gastos do governo, de déficits
orçamentários e de políticas de endividamento estatal.  Marx zombou o
keynesianismo antes mesmo de este sistema ter sido criado — algo possível
porque não havia absolutamente nada de original nas ideias de Keynes.

Eis o que escreveu Marx em O Capital, capítulo 24,
seção 6, “A
Gênese do Capitalista Industrial
“:

A
única parte da chamada riqueza nacional que realmente está na posse coletiva
dos povos modernos é a sua dívida pública.  Daí … a
doutrina moderna de que um povo se torna tanto mais rico quanto mais
profundamente se endividar.  A dívida pública torna-se o credo do capital.
 E, com o surgir do endividamento do Estado, vai para o lugar dos pecados
contra o Espírito Santo — para os quais não há qualquer perdão — o perjúrio
contra a dívida do Estado.

Como
com o toque da varinha mágica, [a dívida pública] reveste o dinheiro
improdutivo de poder procriador e transforma-o assim em capital.  …
[Mas] a moderna política fiscal… traz em si própria o germe da progressão
automática. A sobretaxação não é um acidente, mas sim um princípio.

Ou seja, para Marx, políticas fiscais tipicamente
keynesianas, além de serem um método de escravização — pois obrigam os pobres
a pagarem impostos para arcar com seus juros –, fazem com que dinheiro
improdutivo (dinheiro emprestado para o financiamento do governo) seja
ilusoriamente visto como capital gerador de riqueza (para aqueles que detêm os títulos
da dívida). 

Mais ainda: segundo Marx, criticar o endividamento
do estado passou a ser visto, pelos defensores da gastança estatal, como um ato
equivalente a uma blasfêmia contra o Espírito Santo.

Qual
era a de Marx

Marx, ao contrário do que se supõe, não se
incomodava muito com o liberalismo e com o capitalismo (ele inclusive elogiava as
obras de Adam Smith e David Ricardo) porque os via como elementos de uma fase
intermediária da evolução social, cuja função principal era criar uma classe
proletária para depois empobrecê-la.

Tal situação era benéfica ao seu argumento porque
essa suposta pobreza gerada pelo capitalismo incitaria os trabalhadores à
revolução final, ou seja, ao estágio no qual as classes sociais seriam
abolidas.

Inexoravelmente como uma lei da natureza, acreditava
Marx, o capitalismo seria destruído justamente pelos trabalhadores supostamente
submetidos à exploração.

A afirmação de que o capitalismo tinha uma propensão
a criar miséria entre a classe proletária foi desmentida pelos fatos nos 25
anos seguintes à publicação de O Capital. Em 1893, segundo mostra
Jörg Guido Hülsmann em sua excelente biografia Mises – The Last
Knight of Liberalism
, o marxismo já havia perdido o respeito e seu
poder de sedução em Viena, onde Mises morava e estudava.

Os líderes intelectuais socialistas, em vez de
rejeitarem a teoria diante da desconfortável evidência empírica de que os proletários
estavam enriquecendo e melhorando seu padrão de vida, propuseram uma revisão da
teoria do socialismo de forma a salvá-la do marxismo, tentando corrigir suas
falhas mediante governos eleitos democraticamente.

Vocês certamente sabem os resultados dessa
estratégia, pois não?

Conclusão

Se você é um marxista defensor dos pobres e quer que
eles tenham acesso a bens e serviços de qualidade a preços baixos, você tem de
defender o livre mercado — afinal, Marx acreditava que a busca pelo lucro em
um ambiente de livre mercado gera redução de preços.

Se você é um marxista e defende que o povo tenha
poder sobre as empresas, você tem de defender a abolição de tarifas
protecionistas — afinal, Marx entendia que o protecionismo, além de empobrecer
o povo, servia apenas aos interesses do grande baronato industrial

E se você é marxista e é contra a escravização do
povo pelas elites financeiras, você tem de defender a anti-keynesiana postura
de que os gastos do governo sejam restringidos ao máximo — afinal, Marx
reconhecia que os déficits orçamentários do governo aumentavam seu endividamento,
e esse endividamento é financiado pelas elites, as quais recebem os juros pagos
com os impostos extraídos do povo.

Agora, se você defende que o governo adote tarifas
protecionistas, regule o mercado e gaste demasiadamente, você estará defendendo
os interesses das grandes empresas e das elites financeiras, e estará
defendendo que elas tenham privilégios sobre os pobres e que elas os oprimam
com a abolição da concorrência, com preços altos, com serviços precários e com juros
altos.

Palavras de Marx.

________________________________

Leia também:

Menos Marx, Mais Mises – tudo o que você precisa saber sobre a teoria econômica do socialismo

Últimos Artigos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

86 comentários em “O Marx que a esquerda desconhece – contra o protecionismo, anti-keynesiano e pró-livre concorrência”

  1. Como em pleno seculo XXI se tornou ridiculo defender comunismo e levar a serio Marxs a moda agora dos neo socialistas é falar de Keynes e da social democracia. Quando esses paises nordicos quebrarem a descupa será “DETURPARAM KEYNES” ou por a culpa no capitalismo

  2. O estado Burguês é uma lástima e o estado proletário é o inferno na terra,libertários e marxistas deem as mãos e lutem juntos pela abolição de nosso inimigo comum o estado opressor,entidade do mal e da injustiça temos de lutar contra a opressão do homem pelo homem que o estado patrocina ou seja temos objetivos comuns apesar de ser por caminhos diferentes,portanto vamos ser parceiros,afinal o que está em jogo é a nossa liberdade e não meras diferenças pontuais.

    Abaixo todo preconceito e viva a liberdade de expressão,de empreender e acumular riqueza.

  3. A esquerda não se orienta pela realidade de fatos e sim por misticismos de sua ideologia. De populismo. É uma religião política, que só pensa no poder. Em lá chegando, a humanidade perde em liberdade, criatividade e progresso.

  4. Henrique Zucatelli

    Ou seja, Marx é nosso!

    Brincadeiras a parte, esse artigo é MUITO útil. Além de defender o livre comércio ele foi cristão, duas coisas que marxistas abominam.

  5. Então Marx errou apenas em acreditar que a tomada dos meios de produção pelo proletariado iria acabar com esse arranjo que permite que uma elite explore o povo. Afinal, quando o proletariado detém ou controla os meios de produção, ele acaba se tornando a própria elite que explora o povo?

  6. Reclamam do estado e não batem naqueles que mantém o estado: A CLASSE POLÍTICA.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política…e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos “fantasmas”. O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email NOVO é [email protected]

  7. Ou seja, todo marxismo que já existiu no mundo era apenas leninismo. O plano do Marx era que o marxismo fosse aplicado num país rico como os EUA, por exemplo. Ou que isso surgiria naturalmente numa sociedade capitalista avançada.

    É muita loucura, né?

    Capitalismo (livre mercado) > Socialismo (estado máximo) > Comunismo (abolição do estado e das classes sociais)

  8. Que texto interessantíssimo.

    Mas, o progresso de Marx seria:

    Fim do Protecionismo, para Capital Estrangeiro acabar com a Burguesia – OK!
    Livre Mercado e Luta de Classes para a Burguesia não conseguir se reestabelecer e escravizar o proleteriado – OK!
    Crescimento constante do Estado, visando eliminar qualquer entrada de burguesia (aqui o argumento já se torna utópico) mas Ok!

    Estado Gigante e Uniforme, de forma que todos sejam o Estado, e o Estado e a Sociedade seja um orgão só – OK!

    Só que, se estamos falando de um estado e sociedade, sem protecionismo, em que a regulação do sistema é feita pela sociedade (que é o estado em si) então, eu poderia empreender, pois estaria criando uma estatal que seria do domínio público…

    Não estamos falando de Livre Mercado?

  9. Não, o PT foi fundado no Colégio Sion:
    csbh.fpabramo.org.br/blog/1980-nasce-o-pt-voce-sabe-quem-estava-no-colegio-sion

    Até hoje a CNBB (não a Igreja Católica) apoia esse partido, mas não possui nada a ver com a fundação dele. A CNBB e o Edir Macedo são adeptos da Teologia da Libertação.

  10. Excelente artigo.

    O maior questionamento sobre o engodo do marxismo-comunismo,está na má-fé de quem o propaga e defende e a ignorância conjunta com o oportunismo da maioria da população.

  11. Então, pelo que entendi, Marx compreendia e até creditava o sistema de livre mercado em oposição ao protecionismo, que nada mais é que uma relação esdrúxula entre estado e mercado. O seu erro foi prever o empobrecimento da população, e principalmente, propor um sistema que abole o mercado ao invés de se dedicar em reduzir o estado, que é a real causa do problema. É isso mesmo?

  12. Bruno Garschagen e Leandro Roque:

    Qual livro é melhor para conhecer Marx diretamente, O Manifesto ou O Capital?

    Se for para ler ambos, qual ler primeiro?

    Tem algum outro que sugerem em lugar destes ou além destes?

    * * *

  13. Agora eu compreendo melhor o ódio mortal que os Marxistas tem pela figura do “pequeno burguês”, pois ele é a prova mais cabal que suas previsões fracassaram.

  14. Uma duvida surgiu.

    Eu sabia que Marx afirmara que o livre-mercado reduz preços. Mas eu sempre entendi que ele via nisso um mal, já que acreditava que o preço dos produtos derivava da força de trabalho. Logo, o livre-mercado subvalorizaria a mão de obra do proletário.

    Abs,
    Bruno Leite

  15. Marx deveria ter lido o livro do Ibn Khaldun, Al-Muqaddimah, que data de 1400 e poucos. Não teria perdido tempo com essa baboseira de mais valia.

  16. Olha, eu não sou bem o que se possa chamar de uma pessoa ‘espontânea’, mas “cara, isso ficou muito legal!”. Eu realmente preferia fazer aqui um elogio mais pomposo, mais à altura dos autores, mas essa colocação mais coloquial também não é para enganar ninguém, porque ela quer dizer mesmo que o artigo ficou formidável, incrível, extraordinário, estupendo e etc. “Muito massa mesmo!”.

    Mas o mais importante é que por mais que pouco se aproveite no que o Marx escreveu, ou nas ideias dele, é importante não desestimular as pessoas de lerem, conhecerem e tirarem suas próprias conclusões. Criticar sem ter lido também não é uma prática muito “saudável”. E com um artigo deste, ler Marx se torna uma tarefa até menos árida. Ah, e ótimos esses excertos achados também. Um show!

  17. Humberto Pereira

    Caros amigos do Instituto Mises,
    Sou admirador do trabalho de vocês e possuo apreço especial pelas contribuições do Leandro Roque e do Bruno Garschagen, mas discordo das conclusões apontadas no artigo.
    Como um exercício de sarcasmo e desorientação dos militantes marxistas, o texto é impecável em apontar determinadas falas do Marx que são, aparentemente, a favor do livre mercado. Entretanto, tais trechos não constituem o cerne do pensamento do autor e precisam ser vistas, no máximo, como momentos de lucidez de um escritor guiado por sua teoria problemática.
    Marx nunca chegou perto de entender o funcionamento do livre mercado. Quando este afirma que a concorrência faz os preços caírem, em momento algum o autor faz qualquer tipo de defesa da concorrência.
    O processo de produção capitalista, segundo Marx, consiste em empresários explorando trabalhadores desprovidos dos meios de produção através do valor não pago pela hora de trabalho (mais-valia). No momento em que os burgueses levariam seus produtos para serem vendidos, o resultado seria um mercado saturado de produtos que teriam seus preços rapidamente reduzidos a nada. É o que o autor chama de crise de superprodução.
    Para Marx, o livre mercado é caos, desordem, destruição de riqueza e empobrecimento geral da população. A queda dos preços proporcionada pelo livre mercado seria o estágio final do processo de produção capitalista no quol o próprio burguês encontraria seu fim após explorar o trabalhador.
    Marx pode até ter dito que a concorrência faz os preços caírem, mas isto seria algo ruim e evidenciaria as falhas do mercado. A solução marxiana, é o fim do livre mercado e da propriedade privada.
    Da mesma forma, Marx parece ter um momento de lucidez ao perceber que barreiras protecionistas e gastos públicos são ruins para o povo. Entretanto, na teoria marxiana, o Estado nada mais é do que um instrumento de opressão da classe burguesa contra os trabalhadores. Sendo assim, nada mais natural do que o Estado criando privilégios para uma classe em detrimento de outra. Mais uma vez, a solução que o autor propõe o fim do Estado Burguês.
    Estes três aparentes momentos de lucidez que versam sobre concorrência, protecionismo e dívida pública possuem seu devido lugar na equivocada teoria marxiana. O que os marxistas desconhecem e ignoram de todas as formas é que a teoria de Marx estava errada em tudo e que seu grande ídolo era a favor de uma solução extremamente violenta para aquilo que ele chamou de Capitalismo, pois, a tão sonhada revolução, obrigatoriamente deveria passar (como passou onde ocorreu) pelo extermínio da classe burguesa.
    Não existe possibilidade de tentar encontrar um Marx "liberal" nos escritos do Marx socialista. Entretanto, Karl Marx já flertou sim com ideias liberais antes de se tornar um socialista.
    Atenciosamente,
    Humberto Santos Pereira
    (Doutor em Ciências Sociais pela UFBA)
    Salvador, Bahia, 18 de Abril de 2016.

  18. Por que será que os marxistas tem ódio mortal pela figura do pequeno burgês?
    O pequeno burguês significa a prova cabal que as previsões dos marxistas fracassaram.

  19. Alexandra Moraes

    Marx não entendia o funcionamento do livre mercado. Quando afirma que a concorrência faz os preços caírem, em momento algum o autor faz qualquer tipo de defesa da concorrência.
    O processo de produção capitalista, segundo Marx, consiste em empresários explorando trabalhadores desprovidos dos meios de produção através do valor não pago pela hora de trabalho (mais-valia). No momento em que os burgueses levariam seus produtos para serem vendidos, o resultado seria um mercado saturado de produtos que teriam seus preços rapidamente reduzidos a nada. É o que o autor chama de crise de superprodução.

  20. Marivalton Rissatto

    Quando eu disse que Marx tinha elogiado o capitalismo por ser o sistema mais revolucionario ja visto, riram de mim, até que enfim alguem foi la e leu Marx e sacou o que eu ja tinha dito. Parabens Leandro. É isso mesmo. Para Marx a historia aconteceu e esta acontecendo. Assim como outros sistemas surgiram e desapareceram, pra Marx o capitalismo tb funciona assim. Marx diz: “Um sistema nao desaparece enquanto nao esgotar sua capacidade de se renovar” ou seja, o capitalismo tem que evoluir muito ainda até chegar a hr do socialismo. MUitos “marxistas” nao leram Marx, daí pegaram em armas e quiseram “atropelar” a historia (e foram atropelados por ela). Socialismo/comunismo jamais sera possivel sem que o capitalismo avance e no Brasil ainda estamos no feudalismo, ou seja, meia duzias de familia oliguarquicas controlam a maior parte da produçao de riquezas. Nossa produçao ainda é agricola, importamos quase toda tecnologia que precisamos. O Brasil precisa de uma sura de capitalismo. Mas então por que o Marivalton nao defende o fim do protecionismo? Pois bem, deixa eu tentar explicar. Tempos atras o Brasil iria lançar foguetes com satelites em alcatara, iria usar tecnologia de foguetes da Ucrania. Os americanos ao saberem disso proibiram a Ucrania de passar tecnologia. Teve tb outro caso recente onde o Brasil iria exportar super tucanos pra Venezuela, ops EUA entrou no meio e proibiu a venda (Venezuela acabou comprando Sukhoy russos). Resumindo: Nao vivemos amis no capitalismo (mundialmente falando). O que vivemos hj chama-se imperialismo. Imperialismo é uma etapa do capitalismo onde potencias capitalistas dominam países semifeudais impossibilitando que se desenvolvam pro capitalismo global. Vladmir Lenin ja tinha alertado isso em sua obra “Imperialismo; Etapa superior ao capitalismo”. Concordo com vc Leandro, o Brasil nao precisa de socialismo, precisa de capitalismo. Mas como podemos nos desenvolver se isso nao interessa as naçoes desenvolvidas? Recentemente Lula veio a publico dizer que a solução para tirar o Brasil da crise seria entregar o pre sal pra China, ja Serra acha que o ideal seria entregar pros EUA (Chevron). Mas afinal qual seria a solução? A soluçao seria alugar o Brasil?

  21. Caros,

    Até onde entendi do enquadramento descrito no artigo, o protecionismo priva um mercado consolidado ou enraizado e traz todos os malefícios já citados também nos comentários acima, mas em qual ponto políticas protecionistas podem beneficiar a sociedade como um todo? Talvez em um nicho ou segmento pouco desenvolvido com alta capacidade de geração de empregos?

    Agradeço.

  22. mauricio barbosa

    Marivalton Rissatto

    O imperialismo defende os interesses de multinacionais corporativistas,exemplo os EUA,os investimentos norte-americanos em nosso território é benéfico,agora essa história de neocolonialismo é conversa para boi dormir,papo furado de professor esquerdista que gosta de elogiar Cuba e condenar a política externa dos EUA,justamente por que esta política beneficia suas multinacionais e seu complexo industrial-militar.

    O livre-comércio pregado pelos EUA ser de mão unica é condenável,lógico,mas ela não é exclusividade norte-americana,essa é uma pratica de todos os países,ou seja as diplomacias e chancelarias mundo afora se digladiam tentando tirar vantagens uns dos outros e todos sabem que a pior política é empobrecer o vizinho,mas os casuísmos acontecem exatamente porque os políticos visam ganhos de curto prazo em detrimento do longo prazo que algumas medidas necessitam,mas o problema não é o capitalismo de livre-mercado,mas sim de políticas estatistas imperialistas ou não que atrapalham as vidas dos cidadãos norte-americano,brasileiro,cubano e do resto do mundo.

    O imperialismo é condenável por ser uma política corporativista,uma política de capitalismo de compadrio existente em todas as nações a exceção de Cuba e Coréia de Norte socialistas,
    o capitalismo de livre-mercado com existência do estado nacional minimalista ou de preferência sem a sua existência é o cerne da teoria de Mises e Rothbard,portanto que isto fique claro para todo mundo,repudiamos o imperialismo norte-americano,europeu,eurasiano e até mesmo a nível regional por parte do Brasil,pois se você perguntar para os paraguaios eles consideram o Brasil uma potência regional ameaçadora e o IMB condena esse arranjo vigente e prega a Liberdade individual e o fim da tutela estatal tanto a nível nacional bem como internacional,portanto mais mercado e liberdade e menos estado imperialista,socialista,nacionalista,enfim o estado é o problema,o causador de crises e espalhador de misérias e guerras de sempre.

    Um abraço a todos e viva o IMB baluarte da Liberdade em meio ao obscurantismo estatista.
    .

  23. Eu tenho completa ojeriza da esquerda moderna que bota socialismo, intervencionismo e social-democracia tudo no mesmo saco para sua argumentação ficar mais aceitável.

    Daí surgem bizarrices como socialistas assumidos defendendo o New Deal e a Nova Matriz Econômica (que nada mais são do que planos econômicos fascistas) e também defendendo o modelo nórdico que cobram altos impostos (algo que nunca foi característico do socialismo), mas possuem um mercado altamente desburocratizado (algo completamente oposto ao que foram os países socialistas).

    Eles mudam a definição de socialismo sempre que convém, assim tudo é socialismo e nada nunca é socialismo ao mesmo tempo, a depender do resultado temporário que produz.

    Outro dia mesmo um seguidor da “Socialista Morena” (dá até uma dor no pâncreas de lembrar) disse que “os liberais usam Mises para refutar argumentos do socialismo que nem os socialistas usam mais”, assim, na maior cara de pau.

    Ou seja, a falsa noção de que o valor é objetivo defendida por Marx e do planejamento central, cerne do arranjo socialista, não seriam mais “socialismo” na cabeça daquele ser. É inacreditável.

    Por isso que digo: não há nem sentido discutir com os socialistas modernos. Eles tem um grau de canalhice e dissonância cognitiva que torna praticamente impossível qualquer tipo de debate, visto que, se não é possível definir nada (as definições mudam toda hora), não é possível chegar a nenhuma conclusão.

Rolar para cima