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Não existe um político “solucionador de problemas” – soluções requerem liberdade, e não planejamento

“Precisamos de um político com experiência em resolver problemas!”           

Isso é o que dizem sempre que a economia do país vai mal e a insatisfação
com o governo vigente está aumentando.  Para
aparentar imparcialidade, normalmente não se especifica o nome de nenhum
político; apenas diz-se que é necessário ter alguém no comando com grande experiência
administrativa e com um histórico de “solucionador de problemas”.

Isso é bem conveniente e faz com que vários políticos se apresentem como
tal.  Claro; qual candidato não quer ser
conhecido como “alguém que faz”?

Quando entrevistados,
tais políticos sempre dão a entender que estão perfeitamente capacitados para resolver
todos os problemas sociais e econômicos vivenciados pelo país. As “soluções” sempre
vêm em slogans e frases de efeito. Parece que cada vez mais pessoas desejam ser
liberadas daquilo que Friedrich Hayek descreve em O Caminho da Servidão como “a necessidade de resolver nossos próprios
problemas econômicos e […] as escolhas amargas que isso frequentemente
envolve
“.

Pedindo para ser enganado

Mas será que um
sistema econômico próspero depende de eleger um presidente que seja um solucionador
de problemas?  Qual a ideia de conclamar “nossos
líderes” a mentir para nós, fingindo que sabem tudo e que são capazes de resolver
ordenadamente todos os problemas?  

Quem defende a
ideia de que “temos de eleger solucionadores de problemas” está, na prática,
dizendo que devemos servir como instrumentos que os políticos utilizam para alcançar
seus fins; devemos ser servos para todos os fins que “nossos líderes” escolheram
para nós.

A questão é que
o foco na resolução de problemas por meios políticos é uma postura inconsistente
com uma economia de mercado. Em um artigo intitulado “Let
a Billion Flowers Bloom
“, o economista George Gilder explica que
resolver problemas pode ser uma tarefa infindável e infrutífera:

A primeira grande regra de um empreendimento é “não
resolva problemas”. Busque oportunidades. Problemas são infinitos e se
multiplicam continuamente. Quando você os resolve, apenas volta para o ponto de
partida. Governos são especialistas em criar problemas para, em seguida, generosamente
tentarem resolvê-los para as pessoas — criando, nesse processo, problemas
ainda mais sérios e mais sistêmicos.

Por outro lado,
quando buscamos oportunidades, aí sim permitimos um processo de descoberta que
irá, automaticamente, resolver problemas.

Descobertas no escuro

Imagine que você
está subindo por uma escadaria no escuro. A luz ambiente permite apenas
visualizar o próximo degrau à sua frente. Assim que você dá seu primeiro passo,
a luz cai sobre o próximo degrau à sua frente. A cada degrau surge um próximo
degrau, uma nova possibilidade. Mas você não consegue ver ou responder a essas
possibilidades até que tenha subido o degrau à sua frente. A partir do primeiro
degrau, você não pode ver o topo da escadaria. Na verdade, a partir do degrau
no qual você se encontra agora, você não pode ver nem mesmo três degraus
adiante.

Naturalmente, há
muitas ocasiões nas quais nos sentimos desconfortáveis com este processo de surgimento
de oportunidades. Candidatos políticos tentam amenizar nossos medos e manter a
ilusão de que podem ver toda a escadaria, do primeiro ao último degrau. Não
podem. Desde a perspectiva que ocupam agora, sua visão, assim como a nossa, é
limitada.

Não se dá crédito a quem não merece

Todo político “solucionador
de problemas” promete criar empregos.  Mas
desde quando políticos criam empregos?  Quem
realmente cria empregos?  

Mais ainda: quem
é capaz de prever quais empregos são realmente necessários?

Aqueles milhões
de indivíduos que estavam empregados nas fazendas no século XIX saberiam prever
que seus descendentes estariam empregados em fábricas de automóveis e siderúrgicas?
Poderiam aqueles que estavam empregados nas fábricas de automóveis imaginar que
seus filhos e netos escreveriam programas computacionais?

Algum político poderia
prever essa dinâmica?

Se as pessoas
daquela época exigissem que políticos criassem e mantivessem empregos, estaríamos
até hoje vivendo no campo, à luz de velas, vivendo da agricultura de subsistência,
comenda mandioca e alface.

Ou então, considere
o seguinte: em 1800, de acordo com o escritor científico Matt Ridley em seu
livro The
Rational Optimist
, um trabalhador médio tinha de trabalhar durante seis
horas para ganhar dinheiro suficiente para pagar por uma hora de luz de uma
vela de sebo. Hoje, um trabalhador médio em país desenvolvido paga por uma hora
de iluminação interna com meio segundo de trabalho.

Algum político ou
presidente resolveu o problema do alto custo da iluminação interna? Não. Tanto
as lâmpadas quanto a eletricidade confiável surgiram da concorrência entre
empreendedores que perceberam uma ampla necessidade da população e, consequentemente,
tentaram satisfazê-la no mercado.

Não houve
decretos ou ordens de políticos.  Houve
apenas a espontaneidade do mercado.

O progresso não
ocorre por meio de decretos políticos, de regulamentações, e de ordens burocráticas.
O progresso é um fenômeno que surge de acordo com demandas e necessidades dos
consumidores.  Acima de tudo, é um fenômeno que
ocorre de acordo com o ambiente à sua volta. 
Se não houver compulsão e coerção, e se houver liberdade empreendedorial
para que indivíduos possam colocar suas idéias a serviço das demandas, o
progresso ocorrerá.

A crença de que
líderes políticos “solucionadores de problemas” podem impulsionar o progresso
por meio de decretos e de “coordenação política” significa, na prática, apoiar
o uso da força para impulsionar a produtividade.  É assim na Coréia do Norte.

A energia humana,
quando forçada e coagida, é exaurida. Aqueles que são capazes de criar valor
para os outros são impedidos de fazê-lo quando são compelidos e coagidos.

Todos os dias,
cidadãos comuns e empreendedores buscam oportunidades. Ninguém controla a
miríade de decisões e ações descentralizadas que, ao longo do percurso,
resolvem os problemas.  Por tudo isso, não
precisamos de “solucionadores de problemas”que nos digam
qual é o seu mirabolante “plano vencedor”.

Queremos, isso
sim, que planejadores e “solucionadores de problemas” simplesmente saiam da
nossa frente.

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35 comentários em “Não existe um político “solucionador de problemas” – soluções requerem liberdade, e não planejamento”

  1. Tenho um desejo quase sádico de ver políticos, principalmente os figurões, trabalhando numa empresa privada… imagino que a maioria não duraria alguns meses e trariam resultados inferiores a muitos estagiários (peço perdão aos estagiários ela comparação aos políticos).

  2. Pergunta bobinha: o que aconteceria se o brasil adotasse o dólar como moeda corrente e adotasse a paridade de 1 por 1 e não abrisse mão disso eternamente?

  3. Há uma obra escrita por Laurence J. Peter e Raymond Hull com o título: Todo mundo é incompetente, inclusive você – onde o autor discorre sobre a ciência da hierarquiologia e o princípio de Peter. Gostaria de citar um breve trecho que faz referência ao texto em questão. Em sua pág. 67-67 no seu Relatório Preliminar, o autor descreve o seguinte:
    Em qualquer crise econômica ou política uma coisa é certa. Muitos especialistas eruditos recomendarão muitos remédios diferentes.
    O orçamento não consegue equilibrar-se: A. diz “Aumente os impostos”, mas B. clama “Reduza os impostos”. Os investidores estrangeiros estão perdendo a confiança na moeda: C. aconselha que se restrinja o crédito, enquanto D. advoga a inflação.
    Há quebra-quebra nas ruas. E. propõe subsidiar os pobres; F. deseja incentivar os ricos.
    Potência estrangeira faz um estardalhaço de ameaças. G. propõe: “Vamos enfrentá-la, mas H. aconselha “É melhor dialogar”.
    Por que a Confusão? O autor aponta 3 fatores que se relacionam com a incompetência, a saber:
    1) Muitos especialistas, na realidade, atingiram seu nível de incompetência: seus conselhos são disparatados ou irrelevante.
    2) Alguns têm teorias perfeitas, mas são incapazes de pô-las em ação.
    3) De qualquer forma, nem as propostas sensatas nem as absurdas podem ser levadas a efeito, porque a maquinaria do governo é uma vasta série de hierarquias desengrenadas, crivadas de incompetência de ponta a ponta.

    Na pág. 71, o autor aponta precisamente onde se dá essa incompetência no Executivo, enumerando assim: repartições públicas, departamentos, divisões, agências e escritórios do governo nos níveis nacional, regional e local. Tudo, da polícia às forças armadas, se constitui em hierarquias rígidas de empregados assalariados, todas necessariamente crivadas de incompetentes, que não podem realizar o trabalho existente, não podem ser promovidos, mas também não podem ser removidos.

  4. O povo ainda não entendeu que os políticos formaram a maior organização criminosa do país.

    Eu aposto que o PCC não rouba 1% do dinheiro que some dos cofres públicos.

  5. Alternativas
    ( ) A maioria é burra
    ( ) A maioria é acomodada
    ( ) A maioria é malandra
    ( ) A maioria é masoquista
    ( ) Todas e outras absurdas alternativas estão corretas

  6. Há alguns meses tenho acompanhado os artigos do site e concordo com o que tem sido escrito. Já li alguns livros e isso abriu e muito minha mente. Não tenho formação econômica. Muitas vezes tenho receio de comentar aqui por conta das respostas secas que alguns recebem. Entendo que é por causa da impaciência de explicar a mesma coisa várias vezes. Bom, pondo isso de lado vou postar uma dúvida que talvez já tenha sido respondida num artigo ou mesmo em comentários de outros artigos, mas não encontrei:

    – Suponhamos que o governo deixe de cobrar impostos e todas as relações fiquem a cargo das pessoas, ou seja, elas mesmas resolverão seus problemas. Um dos problemas mais triviais que posso mencionar é o lixo na rua. Vamos dizer que eu more num daqueles bairros onde as casas são geminadas de duas em duas. Ou seja, minha casa é “pregada” na do vizinho da esquerda, daí tem um espaço entre ele e o outro vizinho, que tem sua casa “pregada” na do vizinho da esquerda e assim sucessivamente até acabar a quadra. Eu tenho na minha calçada uma árvore. A calçada é minha, logo a árvore que eu plantei também é. Um dos vizinhos decidiu que seria bom comprar um caminhão para recolher o lixo do bairro e cobra R$ 10,00 por casa, por mês, para recolher diariamente o lixo das ruas. Eu decido não pagar. Eu mesmo recolho o meu lixo. Mas minha árvore solta folhas na rua que o vento leva para a frente de outras casas. Ou seja, meu lixo acaba indo para a casa de outras pessoas que pagam o serviço do cara da caçamba. Os vizinhos acham injusto que eu não pague. Mas eu afirmo que não vou pagar e pronto e quem quiser que limpe o lixo da frente da sua casa (mesmo que seja o lixo gerado pela minha árvore). E aí? Qual seria a forma ideal de lidar com esse problema?

    Agradeço aos amigos a oportunidade de comentar e, de antemão, agradeço também as respostas.

  7. O cidadão precisa se conscientizar de que: primeiramente a classe política defenderá os interesses dos grupos (bancos, conglomerados empresariais, empreiteiras etc.) que os financiaram e os ajudaram a chegar ao poder, em seguida defenderão os interesses do seu partido e terão de apoiar as decisões impostas pelos caciques e mandatários (presidente do partido e associados tais como: pastores, líderes de movimentos sociais etc.); depois defenderão seus interesses particulares e de seus apaniguados e finalmente, de acordo com as suas convicções pessoais, religião, orientação política, dentre outras, que um político pensará em tentar solucionar os problemas mais simples da comunidade que o elegeu, desde que as demandas populares sejam garantias de futuros votos e não desagrade a base aliada e tampouco a oposição.
    Nenhum cidadão por mais altruísta que seja, coloca os interesses de terceiros acima dos seus, assim ninguém se candidata a cargo eletivo por benevolência, e a partir do momento que o cidadão entra no jogo político todas as suas convicções se evaporam e a única meta a ser alcançada é o enriquecimento ilícito via corrupção e tráfico de influências.

  8. Se não houver compulsão e coerção, e se houver liberdade empreendedorial para que indivíduos possam colocar suas idéias à serviço das demandas, o progresso ocorrerá

    Sugerindo correção: “a serviço”.

    Título do artigo: Não existe um político "solucionador de problemas" – soluções requerem liberdade, e não planejamento

    Sugestão 2: Não existe um político "solucionador de problemas" – soluções requerem liberdade, e não planejamento CENTRAL.

    A solução de muitos problemas passa necessariamente por planejamentos (não me refiro ao estatal).

  9. Politica virou mercadoria. No mundo todo os politicos sao financiados/comprados pelos mais ricos pra depois governarem a seu favor. É por isso que os ricos estao cada dia mais ricos. Capitalismo é isso, pagou levou.

  10. “Precisamos políticos com preparo e disposição para (1) deixar de causar problemas, (2) diminuir as obstruções estatais e (3) permitir que a própria sociedade solucione suas questões!”

    * * *

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