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O vírus da Zika e o retorno do DDT

O vírus da Zika está se espalhando, por meio do mosquito Aedes aegypti ao longo da América Latina, possivelmente em correlação
com defeitos de nascença tais como a microcefalia em bebês. Histórias e fotos
de seus crânios
anormalmente pequenos estão ocupando as manchetes. A
Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que quatro milhões de pessoas podem
ser infectadas até o final de 2016.

O organismo internacional faria bem em recomendar a
revogação da proibição do DDT para matar os mosquitos portadores de Zika e
malária, uma parasitose provocada por protozoário e que não tem cura.

A Zika está nos noticiários, porém é ofuscada pela
malária. De 300 a 600 milhões de pessoas sofrem, a cada ano, de malária, que
mata aproximadamente 1 milhão de pessoas anualmente, 90% delas na
África Subsaariana
. Dispomos dos meios para reduzir a Zika e a malária — e
não os estamos utilizando.

Sob o Programa
Global de Erradicação da Malária
, que teve início em 1995, o DDT era
utilizado para matar os mosquitos portadores do parasita e a malária foi
praticamente eliminada. Alguns países como o Sri Lanka, que começaram a usar o
DDT no final dos anos 1940, vivenciaram melhorias profundas. Casos relatados
caíram de aproximadamente 3 milhões por ano para apenas 17
casos
em 1963. Na Venezuela, os casos caíram de mais de 8 milhões em 1943
para 800
em 1958. A Índia experimentou uma queda dramática de 75 milhões de casos por
ano para 75.000 em 1961.

Isto mudou com a publicação, em 1962, do livro Silent
Spring
, de Rachel
Carson
, que afirmava que o DDT era prejudicial. Após longas audiências
entre agosto de 1971 e março de 1972, o juiz Edmund Sweeney, auditor examinador
da Agência de Proteção Ambiental dos Estados
Unidos, decidiu que as evidências eram insuficientes para banir o DDT e que
seus benefícios superavam quaisquer efeitos adversos. A despeito disso, dois
meses depois, o então administrador da Agência de Proteção Ambiental, William
D. Ruckelshaus, invalidou a
decisão de Sweeney e baniu o DDT, com a medida entrando em vigor a partir de 31
de dezembro de 1972.

Outros países se seguiram e em 2001 o DDT foi banido
para a agricultura pela Convenção de
Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes
. Isto foi uma grande
vitória para os mosquitos, bem como uma grande derrota para as pessoas que
vivem na América Latina, Ásia e África.

Carson afirmou que o DDT, por ser lipossolúvel,
acumula-se nos tecidos gordurosos dos animais e humanos na medida em que o
composto move-se através da cadeia alimentar, provocando câncer e outros danos
genéticos. As preocupações de Carson e a ação da Agência de Proteção Ambiental
interromperam o programa subitamente, e as mortes por malária começaram a
aumentar novamente, atingindo 600.000 em 1970, 900.000 em 1990 e mais de
1.000.000
em 1997 — de volta aos níveis pré-DDT.

Alguns continuam a dizer que o DDT é prejudicial,
porém outros afirmam que a substância foi banida em vão. Ainda não há
evidências convincentes de que esse produto químico tenha produzido quaisquer
efeitos deletérios à saúde pública. De acordo com um artigo publicado no
periódico médico britânico Lancet,

de autoria do professor A. G. Smith da Universidade de Leicester,

As
informações toxicológicas iniciais sobre o DDT eram tranquilizadoras; parece
que riscos agudos à saúde eram pequenos. Se as grandes quantidades de DDT
utilizado forem levadas em consideração, o histórico de segurança para os seres
humanos é extremamente bom. Nos anos 1940, muitas pessoas foram expostas
deliberadamente a altas concentrações de DDT por meio dos programas de pulverização
ou pela impregnação das roupas, sem qualquer efeito nocivo aparente […]. Em
suma, o DDT pode provocar efeitos toxicológicos, porém os efeitos sobre os
seres humanos na eventual exposição são muito brandos.

Embora nada seja tão barato e eficiente quanto o DDT, ele
não é uma panaceia para a malária. Porém, um estudo
realizado pela Universidade de Serviços
Uniformizados de Ciências da Saúde
concluiu que pulverizar as cabanas na
África com DDT reduz o número de mosquitos em 97% em comparação com as cabanas
que recebem um pesticida alternativo. Os mosquitos que entram nas cabanas (que
recebem DDT) são menos propensos a picar.

Ao proibirmos o DDT e basear-nos em métodos de
prevenção mais caros e menos eficientes, estamos provocando sofrimentos incomensuráveis.
Pequenas perdas ambientais são menos importantes do que salvar milhares de
vidas humanas e aumentar, potencialmente, o crescimento econômico de nações em
desenvolvimento.

Ainda não possuímos dados sobre os efeitos econômicos
do vírus da Zika, porém sabemos que os países que apresentam uma alta
incidência de malária podem sofrer perdas anuais de 1,3 ponto percentual em seu
crescimento econômico. De acordo com um estudo realizado por Harvard e a OMS, o
Produto Interno Bruto (PIB) da África Subsaariana poderia ser maior em 100
bilhões de dólares caso a malária houvesse sido eliminada há 35 anos.

Rachel Carson faleceu em 1964, porém o legado do Silent Spring e sua defesa do banimento
do DDT permanecem conosco até os dias de hoje. Milhões sofrem com a malária e
incontáveis outros estão contraindo o vírus da Zika como resultado do banimento
do DDT. A essas pessoas nunca lhes foi dada a escolha de viver com ou sem o
DDT. A OMS deveria reconhecer que o DDT apresenta benefícios e encorajar seu
uso para combater as doenças da atualidade.

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Leia também:

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33 comentários em “O vírus da Zika e o retorno do DDT”

  1. Primeiro artigo que eu leio aqui praticamente sem embasamento nenhum. Focou na parte econômica e arranhou, muito mal arranhado, a parte da saúde humana. A impressão que me deu foi que a autora não conhece como funciona a ciência, dando a entender que a proibição foi realizada devido a publicação de 1 LIVRO apenas.

    Se eu entendi errado peço que me corrija.

  2. Uso repelente comprado no exterior com 50% DDT. Nenhum produto nacional chega aos pés de eficiência que tenho com uso desse produto, mas ta lá explicado a qualidade dos repelentes nacionais: uma porcaria em qualidade de concentração de DDT.

    Tenho a pele sensível sempre fui alvo mais fácil de mosquitos (isso é comprovado cientificamente pela tez clara). E vejo essa histeria quanto ao Zika mas a incoerência de não ter produtos facilmente encontrados de boa qualidade continua!!!

    Ainda bem que tenho do meu, pois na hiperregulação quem sofre na pele é quem tem a necessidade de uso. Antes a minha necessidade era evidente, fora dengue, agora chicunguya, Zika o escambau e a negligência é eterna. zzz preguiça desses burrocratas.

  3. Tem muito mimimi com respeito ao uso de agrotóxicos e outros produtos químicos. Dão à entender q está tudo contaminado, mas a verdade é q nós estamos vivendo cada vez mais e melhor…com agrotóxicos e tudo.

    Então é claro q nesse caso devem liberar …

  4. Luiz Alberto Pereira Americano

    O Pirula fez um novo vídeo recentemente abordando justamente o DDT. Segundo ele, por mais que no começo a substância realmente tenha funcionado, os mosquitos que restaram foram selecionados por terem uma resistência maior ao pesticida. Além disso, foi provado que o DDT pode influenciar na casca do ovo de pássaros, tornando-a mais fina e impedindo que novas aves consigam ser geradas. Como responder a isso? É justo que pessoas se utilizem de um produto que pode provocar consequências em espécies inteiras de aves?

  5. E é assim que o estado “regulamenta” nossas vidas.

    Agora pode. Não, pera, agora não pode mais. Ops, deu uma epidemia aqui, então agora pode sim. Mas depois não vai mais poder OK?

  6. Felipe Lange S. B. S.

    Depois de ter visto o vídeo do Pirula semanas atrás sobre o assunto, fiquei cético sobre a questão.

    Quero opinião de quem entende do assunto: o uso de DDT hoje traria riscos de ocorrer uma seleção de mosquitos resistentes ao composto?

    Aí tem esses links:
    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2476305/
    apps.who.int/iris/bitstream/10665/163771/1/dbv26p185.pdf
    memorias.ioc.fiocruz.br/issues/past-issues/item/2168-resistance-of-aedes-aegypti-from-the-state-of-s%C3%A3o-paulo-brazil-to-organophosphates-insecticides
    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3035027/
    http://www.ajtmh.org/content/77/3/467.full.pdf
    http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0085562615001351

    PS: A vida humana é mais importante que a das aves. Quem gosta das aves, que por favor use a iniciativa privada e crie uma reserva.

  7. Prezados, andamos assustados pra lá e pra cá com os surtos de doenças como a zica, dengue e chikungunya, porém, existe um assunto por trás desse que também me faz questionar. Se todos temos direito à propriedade privada, até que ponto numa sociedade libertária, alguém teria o direito de invadir a propriedade alheia com a proposta de eliminar daquela propriedade, focos de aedes aegypti. Hoje, vivemos numa sociedade que está criando novas leis para dar autoridade à alguns funcionários do Estado, para invadir propriedades que julguem ameaçar o direito à saúde de outras pessoas. Casas que o proprietário se recuse abrir, talvez por medo de um assalto, ou que simplesmente estão vazias, pelo fato do mesmo não estar presente, são invadidas por estranhos “uniformizados”, (o que não garante nada, pois o bandido também pode se passar por agente usando uniformes) colocando em risco os seus bens, com a justificativa, possivelmente infundada, de localizar ali, focos do mosquito. Como ocorreria, numa sociedade libertária, se alguém se recusasse a abrir as portas do seu imóvel para um estranho fazer a busca de focos ou larvas? Será que quem invade uma propriedade está somente interessado em encontrar focos ou larvas? Até a que ponto o meu direito à propriedade privada poderia ser violado em uma sociedade libertária, visto que hoje, ele já é violado de diversas maneiras?

  8. Bom dia!

    Trabalho como diretor do controle de vetores,

    É um contrassenso querer que liberem um produto que perdura por até 30 anos no solo e lençóis freáticos, contamina todos os animais em seu tecido adiposo e os predadores como o próprio ser humano em níveis ainda maiores.

    116 funcionários da Funasa morreram e usaram este produto por dez anos apenas.

    o presidente da associação brasileira de medicina integral diz que” a contaminação do DDT esta relacionada a degeneração gordurosa do coração e fígado”, além disso também diz: “a intoxicação aguda produz um quadro neurológico característico, mas o principal mal é a sua ação crônica por acumulação. É um agente cancerígeno, provoca distúrbios congênitos, além de causar esterilidade”.

    Atualmente temos produtos eficazes contra as larvas do mosquito como o BTI e o Natular que podem durar até dezessete semanas, eliminando 100% das larvas.

    Quando se faz necessário, utilizamos inseticidas químicos sim, inclusive através do fumacê, mas ressalto que usamos apenas em casos confirmados.

    O que eu vejo com 21 anos de experiência na área é que o mosquito acaba vencendo é por falta de políticas públicas uniformes e contínuas e também por diversos municípios estarem com deficiência de RH ou recursos materiais, além do envolvimento da população, que por falta de educação e descarte inadequado de recipientes o mosquito sempre persiste.

    abraços.

  9. Pessoas, do jeito que os ambientalistas gostaram, o Sri Lanka impôs uma agricultura orgânica na marra, isso em junho de 2021. Proibiu fertilizantes inorgânicos. Isso, junto com o M1 em forte alta e com a recente desvalorização da rúpia cingalesa em 8 de março de 2022 (era atrelada ao dólar americano), fez o índice de preços (que estava menor do que no Brasil) explodir, para quase 20 % em março de 2022 (18,7 % anuais). Isso deve ficar pior porque a desvalorização foi recente.

    O banco central do país deu uma pancada nos juros, subindo de uma vez a taxa de 6,5 % para 13,5 % ao ano.

    O governo tirou vários banimentos em meio a protestos, mas a ureia continua banida.

    A gente deveria mandar os socialistas do Leblon morarem lá.

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