Pouco se comenta sobre isso, mas o arranjo de taxas
de câmbio flutuantes é uma invenção extremamente jovem. Fará apenas 48 anos de idade em agosto deste ano.
No entanto, se você é do tipo que acompanha o que os
economistas dizem, terá a impressão de que câmbio flutuante não apenas é uma espécie
de lei que jamais deve ser transgredida, como, mais ainda, terá a impressão de
que tal arranjo sempre predominou na história do mundo, e que para sempre
predominará.
Nada mais falso.
A história da civilização ocidental, desde a Renascença
em diante (em outras palavras, toda a história do capitalismo moderno), é
majoritariamente uma história de moedas estáveis, atreladas ao ouro e à prata
— e, em alguns casos, feitas realmente de ouro e de prata. Moedas flutuantes, com efeito, sempre
existiram, mas sempre eram marginais, sem nenhuma importância. Os países de economia mais bem sucedida sempre tiveram uma moeda estável,
atrelada ao ouro.
E foi assim até 1971.
Em 1971, o mais bem-sucedido e mais influente país
era, obviamente, os Estados Unidos, o qual, até então, sempre utilizara, desde
o seu surgimento em 1789, uma moeda atrelada ao ouro. Os primeiros 182 anos da história americana ocorreram sob um padrão-ouro.
Aliás, a história é ainda maior: esses 182 anos de
moeda americana atrelada ao ouro foram, na realidade, uma continuação de 600
anos anteriores de moedas européias atreladas ao ouro.
E então, do nada, “algo aconteceu” — e deu-se
início ao atual arranjo de moedas flutuantes, que perdura até os dias de hoje.
Este foi o evento econômico mais importante do século
XX (sim, mais importante do que a queda do comunismo, pois a moeda afeta o padrão
de vida de todas as pessoas do globo). O
que foi que aconteceu para gerar este arranjo?
Para começar, podemos citar as coisas que não aconteceram. Não houve nenhum desastre econômico que deu
início a este novo arranjo. Não houve
nenhum fracasso monumental do sistema de padrão-ouro global, até então conhecido
como o sistema de
Bretton Woods. Não houve nenhuma reunião
de líderes governamentais de todas as partes do mundo, em algum hotel de luxo,
para criar um novo sistema global de moedas flutuantes. Não houve nem sequer uma proposta para se
estabelecer um sistema global de moedas flutuantes.
Não houve tratados, referendos ou discussões, como
os que precederam a criação da zona do euro. Quando o sistema global de moedas flutuantes primeiramente surgiu, no
dia 15 de agosto de 1971,
era para ser apenas uma medida temporária. Ninguém imaginou, à época, que um novo sistema estava surgindo par ficar.
O sistema global de moedas flutuantes, esse mesmo
sistema que temos hoje, surgiu por acidente.
Como ocorreu
O ano era o de 1965. Economicamente, os EUA estavam no auge. Foi um dos melhores anos para a economia
americana no século XX. Pergunte a
qualquer americano que era um adulto à época e ele provavelmente concordará com
essa afirmação.
Em 1965, os EUA estavam no padrão-ouro havia 176
anos. A classe média americana havia alcançado
o apogeu da prosperidade, sendo a inveja de todo o mundo. Em termos relativos,
o nível de prosperidade da época jamais seria equiparado novamente. Outros países como Alemanha, Japão e até
mesmo o México estavam enriquecendo rapidamente, uma vez que eles também
participavam do padrão-ouro global, tendo suas respectivas taxas de câmbio fixadas
em relação ao dólar (o qual, por sua vez, tinha um valor fixo em relação
ao ouro).
Em 1965, os EUA estavam vivenciando um boom econômico
gerado pelos cortes de impostos sancionados pelo presidente Kennedy em 1963, e
que entraram em vigência em 1964. Porém,
e infelizmente, o então presidente Lyndon Johnson começou
a aumentar os impostos novamente, pois tinha de pagar pela Guerra do Vietnã e,
principalmente, pelos vastos e inéditos programas sociais que ele havia criado
em seu programa A Grande
Sociedade.
Já em 1969, o presidente Nixon dobrou os impostos
sobre ganhos de capital, elevando a
alíquota máxima para quase 50%. Houve uma recessão.
De olho nas eleições de 1972, Nixon começou a fazer
de tudo para reativar a economia. Em 1970,
ele colocou Arthur
Burns na presidência do Federal Reserve, o Banco Central americano. Para reverter a recessão, Burns deu início a
uma agressiva política
monetária expansionista, reduzindo os juros e expandindo a oferta monetária
e de crédito, sempre de acordo com os princípios das doutrinas keynesianas e
monetaristas da época.
Isso deu origem aos fenômenos econômicos que hoje são
conhecidos como “os choques
da era Nixon“. As tentativas de se
implantar “políticas monetárias arbitrárias” entraram em conflito com o sistema
de padrão-ouro vigente da época, que não permitia arbitrariedade na política monetária.
Essa política monetária expansionista aumentou
enormemente a quantidade de dólares no mundo. E quanto mais esses dólares se acumulavam nas mãos de governos
estrangeiros, mais estes governos exigiam que fossem restituídos
em ouro. O país mais agressivo em
suas exigências era a França, liderada pelo principal conselheiro monetário de
Charles De Gaulle, o economista defensor do padrão-ouro clássico Jacques Rueff. Isso gerou uma severa redução no estoque de
ouro em posse do governo americano.
Com o tempo, a situação do governo americano foi se
deteriorando até que as coisas chegaram a um momento decisivo. Nixon teria de abrir mão ou de sua política monetária
frouxa ou do padrão-ouro.
No dia 15 de agosto de 1971, um domingo, Nixon foi à
televisão e disse que o governo americano não apenas não mais iria restituir dólares
em ouro, como também declarou o fim do sistema de Bretton Woods, desatrelando
completamente o dólar do ouro.
Ato contínuo, todos os outros países do mundo repentinamente
se viram em uma situação sombria: quando o dólar estava atrelado ao ouro, estes
países podiam simplesmente atrelar suas moedas ao dólar, e isso faria com que
eles automaticamente também estivessem em um padrão-ouro (esse, em suma, era o
sistema de Bretton Woods).
Agora, no
entanto, com a saída dos EUA do sistema de Bretton Woods, o dólar não mais
tinha nenhuma ligação com o ouro. Pior ainda:
o dólar começou a afundar
em relação ao ouro (com a onça do ouro indo de US$ 35 para mais de US$ 600).
Todas as moedas estavam à deriva, sem nenhuma definição
precisa para seu real valor.
Por um tempo, vários países tentaram se manter no
jogo simplesmente mantendo suas respectivas moedas atreladas ao dólar, que
agora era totalmente flutuante.
Mas em 1973 todos abriram mão. Haviam chegado ao limite. Não mais era possível atrelar suas moedas a
uma moeda que agora era completamente fiduciária e que estava se desvalorizando
acentuadamente. Os países desatrelaram
suas respectivas moedas do dólar e, com isso, as moedas mundiais começaram a
flutuar entre si.
Consequência: o mundo entrou em um colapso
inflacionário. A década de 1970 foi a
década da inflação de preços — que alcançou níveis até então inéditos (nem
a Suíça escapou) — e do declínio econômico.
A popularidade de Nixon se evaporou por completo, e
ele se tornou o único presidente americano da história a ser ejetado do cargo
no meio de seu mandato.
E assim se “consolidou” o arranjo cambial e monetário
sob o qual vivemos até hoje: as moedas são destituídas de qualquer tipo de definição
e os Bancos Centrais são livres para manipular a oferta monetária ao seu
bel-prazer.
E as consequências disso são vivenciadas diariamente.
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Leia
também:
O colapso monetário do
Ocidente
Uma radiografia da
destruição do real – ou: não há economia forte com uma moeda doente
Os três tipos de regimes
cambiais existentes – e qual seria o mais adequado para o Brasil
Três consequências da
desvalorização da moeda – que muitos economistas se recusam a aceitar
A real causa da disparada dos preços dos combustíveis (e não é a Petrobras e nem fatores externos)
O Brasil está produzindo mais de 50 toneladas de ouro por ano.
Isso permitiria a expansão da moeda sem inflação, mesmo lastreada no ouro ?
É assim que os governos deturpam a base monetária com fins nem sempre favoráveis para uma economia estável, procuram extrair do povo a produtividade e a poupança amealhada por anos, simplesmente criando inflação de preços, emitindo dinheiro sem lastro, procuram lesar os incauto que infelizmente por falta de conhecimento continuam dando procuração para esses gestores que tem um único objetivo que é o enriquecimento ilícito.
Essa estagflação ou depreflação é bizarra.
O viagra econômico do governo não funcionou.
Eles trouxeram mais mulheres e mais viagra, mas a economia não cresceu.
Os estimulantes do governo não funcionam nesse ambiente de crise. O paciente tem medo de gerar filhos, pegar alguma DST, etc.
Essa versão é um pouco diferente da versão relatada por Rothbard em seu livro “What has government done to our money”….. ]
A França teoricamente foi uma das protagonistas para o fim do lastro – e consequentemente, oficial início da moeda fiduciária – não uma mera parte induzida pelo governo americano.
Ora pois(como diria minha mentora Conceição Tavares), se crescemos tanto nesses últimos anos foi graças à esse ”acidente”.
É impossível haver crescimento em um país cuja oferta monetária é praticamente inelástica. Quanto mais a economia se aquece, mais liquidez é necessária. É como se fosse um carro: quanto mais potente ele for, mais gasolina será demandada.
Até mesmo o ultra-ortodoxo do Gustavo Franco já admitiu que não podemos deixar algo tão importante quanto o nosso dinheiro depender de um ”dogma segundo o qual a moeda era uma dádiva da Natureza – o metal que vinha do veio dos rios, das entranhas da terra – e sua “criação” não podia ser profanada por mãos humanas.”
Podem ficar calmos, a nossa moeda está nas mãos de quem sabe. Os PhD’s dos BC’s não estão lá atoa.
Não menosprezem tanto o atual arranjo, ele tem uma vantagem incomparável: nenhum deficit na balança comercial ou no balanço de pagamentos precisa ser pago. Num Padrão-ouro, na presença de tais déficits, os juros aumentariam. Ou seja, no atual arranjo, é possível um país se financiar da poupança interna dos outros países sem precisar pagar verdadeiramente por isto. Os EUA que o digam.
Será que os tecnocratas seriam competentes para voltar ao padrão-ouro ? Estamos em tempo de juros negativos e dívida pública infinita, de forma que uma certa… sutileza… (ou seja, um emaranhado de trapaças e truques dantescos) seria necessária para não explodir tudo, certo ?
Dois reparos:
“Este foi o evento econômico mais importante do século XX (sim, mais importante do que a queda do comunismo, pois a moeda afeta o padrão de vida de todas as pessoas do globo).”
a queda do comunismo não foi um evento econômico, então não faz sentido esta comparação. se a ideia era comparar dois eventos de natureza distinta que tiveram um gigantesco impacto no mundo, é absurdo descabido desproporcional e irrazoável afirmar que a adoção generalizada da moeda fiduciária foi mais importante pra o séc. XX do que a queda do comunismo. isso é ridículo.
“Não houve tratados, referendos ou discussões, como os que precederam a criação da zona do euro. Quando o sistema global de moedas flutuantes primeiramente surgiu, no dia 15 de agosto de 1971, era para ser apenas uma medida temporária. Ninguém imaginou, à época, que um novo sistema estava surgindo par ficar.
O sistema global de moedas flutuantes, esse mesmo sistema que temos hoje, surgiu por acidente.”
isso é uma besteira inominável. coisa de ignorante em história política. é fato amplamente comprovado que esse sistema atual foi gestado pela elite financeira internacional (assim como a criação do Fed) que mantém um lobby fortíssimo no congresso americano e cuja riqueza sempre financiou políticos subservientes aos seus interesses. se não acontece praticamente nada ao acaso no mundo das finanças e da política graúdas, muito menos um evento desta significância. “surgiu por acidente” my ass.
Essa moeda fiduciária criou problemas enormes.
O Brasil é um dos países mais endividados do mundo. O país tem 250 bilhões de reais em calotes registrados no Serasa.
Ou seja, nenhum lugar do mundo tem tantos caloteiros.
1. Não existe um câmbio flutuante entre moedas fortes? Tipo cotar prata em gramas ouro…
2. Porquê os demais países simplesmente não atrelaram suas moedas diretamente ao ouro ao invés de manter ao dólar fiduciário?
Uma dúvida que eu tenho é: Se o objetivo do padrão ouro é (até onde eu sei)restringir e dar um aspecto previsível à quantidade de dinheiro em um país, por que simplesmente não se coloca uma quantia fixa de moeda vigente? Se não me engano isso é utilizado no Bitcoin; evitaria ainda a malandragem que Adam Smith fala, de quando reis emprestavam moedas para depois depreciar através de decretos o seu valor (geralmente pela diminuição da quantidade de ouro nestas). Existe algo que torna isso ineficaz?
O IMB tem algum artigo sobre a “guerra das geladeiras” entre Brasil e Argentina.
Seria interessante descobrir os resultadose e aumento de preços.
O ideal seria o dólar lastreado em reais. Aí não tinha Dilmanta para inflacionar.
kkkklk
É ou não o pior presidente dos EUA? Ele começou a Guerra às Drogas que deixou centenas de milhares de mortes e Estados-policiais cada vez mais fortes.
A título de colaboração aos eventuais interessados, a propósito do assunto do artigo há um tratado de 1722 págs. sobre história monetária dos EUA (inclusive à luz da Constituição), sob um viés de teoria monetária da EAE, escrito por um jurista de Harvard, Edwin Vieira Jr., intitulado “Pieces of Eight: The Monetary Powers and Disabilities of the United States Constitution”:
http://www.amazon.com/Pieces-Eight-Disabilities-Constitution-Foundation/dp/0967175917/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1455119521&sr=1-1
Ele também escreveu (assinando com outro nome e em coautoria com o investidor Victor Sperandeo) um romance com enfoque livre-mercadista no âmbito monetário (crítico ao Fed, portanto), de 1572 pág., chamado “Cra$hmaker: A Federal Affaire: A Novel”:
http://www.amazon.com/gp/product/0967175909/ref=as_li_tf_tl?ie=UTF8&tag=arsgratlibe-20&linkCode=as2&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=0967175909
Prezados, uma dúvida: Se o propósito da criação da moeda fiduciária era apenas temporária, qual o motivo de não voltarem com o padrão – Ouro? O que aconteceu na época, quando verificaram que não daria certo tal arranjo, para não restabelecerem o padrão – Ouro?
Artigo muito bom. Este vídeo resume também a saída do padrão ouro:
(em inglês, mas com legendas em português).
Se não fosse a impressão de dinheiro usada para financiar o parque militar os EUA não teriam provocado a URSS, fazendo esta quebrar de vez ao tentar acompanhar o poderio dos Americanos.
Agora me surgiu uma dúvida.
Em outro artigo aqui do IMB sobre a Grande Depressão de 29 rolou uma discussão a respeito do modelo americano: padrão ouro ou reservas fracionárias.
Foi dito que durante esta época os EUA já haviam adotado as reservas fracionárias e abandonado o padrão ouro. Isso é verdade? Pq por este texto entendi que o país veio a abandonar o padrão ouro apenas na década de 70.
Um dos argumentos apresentados foi de que a base monetária americana se contraiu em cerca de 30% durante os primeiros anos da crise e que isso não seria possível no padrão ouro. É possível verificar esta informação?
Ficou um pouco nebuloso para mim. Como expandir a base monetária e respeitar a paridade com o ouro ao mesmo tempo?
se alguém puder dar uma luz, agradeço!
André
Se a moeda não fosse um monopólio estatal, nada disso teria acontecido.
* * *
E nem citou o ‘milagre econômico’ brasileiro da década de 70 (o bolo fermentado a dívidas externas cresceu e ia ser redistribuído foi essa a promessa mas o bolo sumiu).
Enquanto toda a Ocde enfrentava recessão, crise do petróleo e inflação.
Só que os países centrais fizeram seu dever, e sem ‘bolo’ pra repartir (ou redistribuir) restou ao Br conhecer a sra. hiperinflação e dona moratória e a conta veio na década seguinte.
Hoje, a escola austríaca sofre um abalo em um de seus mais elementares pilares. O pilar da moeda forte, e sua defesa do ouro.
Observem o que o grandioso pensador neo-modernista Mathew Erpelding*, um dos maiores conhecedores do sistema monetário que já passaram por esta terra, tem como crítica à este sistema:
“Eu não tenha uma opinião sobre esta legislação, entretanto, eu tenho uma opinião sobre fatos. Fatos são importantes… E se nós dissermos que ouro irá nos proteger de inflação, eu quero trazer à tona o fato de que, em 1868, o valor de uma onça de ouro era de 27 dólares e hoje o valor do ouro é 1.218 dólares a onça. Então… você não pode dizer que ouro irá nos proteger de inflação quando você tem esta variação de preço nesses últimos séculos. Então… eu apenas quero dizer que fatos são importantes.”
*Mathew Erpelding é um gênio e refutou Mises.
A abolição do sistema de Brenton Woods é aquele tipo de coisa fácil de ser implementado, mas extremamente difícil de voltar atrás. O padrão ouro era uma bola de ferro amarrada no pé dos governos. Não é de se admirar que, depois deste evento, a tendência de crescimento do poder dos governos, em detrimento da população, se consolidou em um nível sem precedentes. Mesmo em nações mais livres economicamente se pode notar esta tendência. O poder de criar dinheiro do nada é algo que nenhum governante quer abrir mão nos dias de hoje. Aliás, eles nem podem abrir mão, porque um arranjo monetário lastreado em ouro não permitiria sequer que os estados sejam capazes de sustentar o tamanho que eles atingiram. Do jeito que está, eles conseguem incrementar seu poder sem limitações, e existe um batalhão de economistas muito bem pagos dar as explicações mais mirabolantes possíveis para os problemas causados pelo sistema fiduciário de curso forçado e para convencer a população que este sistema é importante e necessário para o funcionamento da sociedade.
Sou totalmente a favor do retorno do bom e velho padrão ouro. As coisas em vez de ser definidas em “reais” ou em “dólares”, tudo voltar a ser definido em peso de ouro. Seria muito bom.
Leandro,
O que achou da criação da ESC? não sei se rolará um artigo disso, mas seria um avanço para descartelização do crédito no Brasil, não? Existe alguma armadilha no meio que passou desapercebido?
Desde já agradeço!
Os EUA deviam em vez de ficar emitindo dólares pra bancos, emitir para financiar o desenvolvimento da infraestrutura onde não há capital como na África e Haiti. Todo mundo ia sair ganhando. Alias, se pegasse Japão, UE e EUA e eles três ligassem as impressoras para ajudar o resto do mundo, teriamos o milagre do crescimento mundial. O mundo entraria numa trajetória de crescimento de 10%. Coisas assim só serão possíveis quando pessoas como Ocasio chegar ao comando da América e ligar a impressora.
Neste artigo, no seu final, existe a indicação para leitura de um outro, intitulado O COLAPSO MONETÁRIO DO OCIDENTE. Tentei acessá-lo, mas recebi de volta um pedido para me logar numa rede social. Eu não gosto, não uso e não tenho o menor interesse em participar de redes sociais, mas tenho todo interesse do mundo de ler, e principalmente DIVULGAR, os artigos do IMB. Só que diretamente do site. Então, por gentileza corrijam esta falha. É um saco ficar toda hora fechando a tela que quer obrigar o leitor a entrar nas redes. Eu quero ler os artigos, mas não quero participar dessas redes de fofocas, tipo Facebook, onde 99,99% do que aparece é puro lixo internético. Alerto que o artigo ao qual me referi acima também não vem quando solicitado no mecanismo de busca. Aproveitem e cobrem dos responsáveis pelo site uma melhora neste tal mecanismo, que é péssimo, sempre devolvendo na pesquisa coisas que não interessam, ou simplesmente mandando lá pra baixo texto cujo título foi rigorosamente informado. Essas observações têm por objetivo colaborar com o IMB, do qual tenho hoje total dependência. Obrigado.
Por isso o Brasil deveria trocar suas reservas de dólar por Ouro.
Sou contra o padrão ouro porque alguns países ja compraram quase todo o ouro, e por causa disso nunca vai valer a pena novamente para todos os países. Eu sempre fui um crítico do aumento de preços e continuo sendo, mas perdi um pouco do medo quando comecei a pensar como seria em livre mercado. Num livre mercado haveria muita emissao de moeda, porque assim que determinada moeda tivesse grande proporçao de seu estoque acumulada (fora de circulação) por varios bilionarios, as pessoas se dariam conta do risco deles irem ao mercado e desvalorizarem essa moeda, entao, naturalmente dariam preferencia a outra. Isso não aconteceu na epoca do padrao ouro porque não haviam muitas opções viáveis como transação eletronica de titulos de qualquer coisa ou cryptomoedas, e também porque o ouro era constantemente minerado. Mesmo assim outros metais eram comuns como moeda no lugar do ouro.
O bitcoin pode ser imune a inflação, mas não é imune a aumento de preços, simplesmente porque outras cryptos sao lançadas a todo momento, causando uma reduçao da necessidade do bitcoin pra realizar trocas. Considerando então que mesmo num livre mercado haveria desvalorização de determinada moeda, não acho grave o governo imprimir pra manter os preços estáveis. Acho grave a existencia do governo, mas já que ele existe e precisa de arrecadar, é mais eficiente moeda fiduciária e com cambio flutuante.
Currency board tem um defeito. Quando o país exporta, a demanda faz os preços subirem de imediato e a moeda estrangeira que entra no buffer do banco central fica parada. Enquando isso, o mercado estrangeiro vai inflacionando, desvalorizando a reserva de moeda estrangeira.
E aceitar a moeda estrangeira como moeda corrente para contornar esse problema é a maior tolice que vc pode fazer, pois o fluxo de exportação pode ultrapassar o de importação continuamente.
Leandro Roque,
O que você acha do livro do Steven Horwitz “Microfoundations and Macroeconomics: An Austrian Perspective”? Neste livro, o autor defende o sistema bancário livre (free banking) como o melhor mecanismo para promover um adequado ajuste da oferta monetária, de forma a mitigar os efeitos deletérios do desequilíbrio monetário.
Como o padrão ouro funcionava com os EUA emitindo mais dolares do que possuia em reservas? Isso não gerava problema para suas reservas de ouro, caso um país, que possue dolares, tentasse resgatar em ouro? E dado que essa emissão de dolares faria o dolar se desvalorizar cada vez mais, e o cambio era fixo, não estava ai a semente de algo semelhante a uma crise cambial? O descolamento da taxa de conversão com o valor real da moeda?
Creio que o sistema estava fadado a fracassar, o cambio nunca seria fixo com esse descolamento..
Por que os outros países não colocaram suas moedas atreladas ao ouro, sem a necessidade do dólar, depois disso?
Esqueceram do Petrodolar!
Se o Leandro estiver passando aqui pelos comentários ou alguém que manja e souber responder:
Ouvi falar que o FED pode voltar com as rodadas de QE de até $500 bi dentro de 30 dias. Qual seria o impacto desse evento no câmbio aqui?
Outra pergunta, o dólar estava extremamente barato em 2011, é devido ao QE de 2010?
A cotação começou a subir em 2012 foi porque o FED parou com as rodadas de QE?
Leandro boa tarde!
Desculpe a reiterada ausência.
Nao posso colocar figuras aqui mas no facebook, o davi piangers (talvez vc conheça) disse q após 1913, as crises passaram a ser menos frequentes e menos intensas e mostrou um gráfico baseado na obra de friedman.
Nao consegui checar as fontes. Mas vou te marcar lá.
Segundo ele, um arranjo de moeda lastreada, as economias entrarão sempre em recessão.
Além deste artigo, qual outro vc sugere sobre o tema neste site?
“Outros países como Alemanha, Japão e até mesmo o México estavam enriquecendo rapidamente, uma vez que eles também participavam do padrão-ouro global, tendo suas respectivas taxas de câmbio fixadas em relação ao dólar (o qual, por sua vez, tinha um valor fixo em relação ao ouro).”
O México me chamou a atenção. Dando uma rápida pesquisa sobre o “milagre mexicano” (esse termo realmente existe), vi artigo dizendo de que isso se deveu às políticas desenvolvimentistas e de “substituição de importações”. Será que foi mesmo? Até a década de 1980, a economia mexicana parecia estar bombando, assemelhando-se ao Brasil nesse ponto. O Brasil realmente teve um crescimento mais forte entre as décadas de 1950 e 1970, mas a dúvida é que como houve um forte componente de inflacionismo e desenvolvimentismo nesse período, então é preciso ficar cético. A FNM teria sido fruto disso?
Em agosto desse ano, fará 50 anos que estamos nesse arranjo monetário de papéis flutuantes. Engraçado que o Brasil se beneficiou disso na década de 1970. Foi só vir a hiperinflação, que o negócio colapsou e acabou desgastando também o próprio regime militar. Brasil ficou de fora do Bretton Woods, ou sofreu alguma influência em seu arranjo monetário?
Tema interessante: o que realmente foi o “milagre econômico brasileiro”. O milagre chileno e coreano parece ter sido mais sustentável…