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Aqueles que acreditam que a liberdade pode ser alcançada por meio de “políticas públicas”

Uma das maiores derrotas do movimento intelectual
pró-livre mercado foi permitir que suas idéias fossem categorizadas como sendo
“opções de políticas públicas”.  Tal concessão sugere que se
deve deixar a cargo do estado — de seus gerentes e intelectuais pagos —
decidir como, quando e onde a liberdade deve ser permitida. 

A implicação maior desse erro é fazer parecer com
que a função da liberdade, da propriedade privada e dos incentivos de mercado é
apenas permitir que haja um melhor gerenciamento da sociedade por parte do
estado — ou seja, permitir que o regime funcione mais eficientemente.

Esse tipo de pensamento vem nos permeando há um bom
tempo.  Murray
Rothbard
, ainda nos anos 1950, observou que os economistas, mesmo aqueles
favoráveis ao mercado, haviam se tornado especialistas em “como dar
eficiência ao estado”.  A diferença entre essa postura infeliz e
aquela que utiliza uma retórica livre-mercadista para encobrir atrocidades
estatais é mínima, sendo que esta última é certamente o objetivo final de todo
o esquema.

Um exemplo clássico de retórica livre-mercadista
utilizada para encobrir atrocidades estatais ocorre quando, em nome da
liberdade, liberais propõem cortes de impostos com o intuito de aumentar as
receitas do governo, como sugerido pela Curva de Laffer
Ora, por que o propósito da liberdade é garantir uma superabundância de fundos
para o estado?  E se esse aumento da receita não se concretizasse? 
Isso significaria que os cortes de impostos fracassaram?  Até hoje,
pessoas que se dizem defensoras resolutas do livre mercado seguem esse
raciocínio: “Corte de impostos é bom porque, além de tudo, aumenta as
receitas do estado!” 

E, como já ficou mais do que claro, essa estratégia
foi um desastre para a liberdade.  As receitas dos governos em proporção
ao PIB nunca foram tão grandes, assim como a sofisticação das maneiras de se
recolhê-las.  Ademais, hoje, quando o governo quer aumentar suas receitas,
ele nem mais precisa se esconder sob esse manto oratório: ele simplesmente sai
coletando mais receitas e mandando para a cadeia aqueles que não se curvarem. 
Tal foi o fracasso da “estratégia” acima.

Há vários outros exemplos atuais dessa horrenda
concessão ao estado.  Veja, por exemplo, o significado peculiar que foi
dado à palavra “privatização”: em alguns círculos “liberais”, as
pessoas utilizam a palavra “privatização” não com o sentido de se
retirar o governo de um aspecto particular da vida social e econômica, mas
meramente com a intenção de terceirizar prioridades
estatais para empresas privadas que possuam fortes conexões políticas
.

“Privatização” passou a significar que
tudo e todos continuariam exatamente como antes, exceto que o controle agora
estaria em mãos privadas, e não mais nas mãos do governo.  O socialismo é
possível afinal, desde que seja gerido pela iniciativa privada.

Essa abordagem tipicamente leva a resultados
infaustos no mundo real [como foi o caso, no Brasil, das “privatizações” seguidas
da criação de agências reguladores, que existem para proteger as
empresas privatizadas contra a livre concorrência
].  

Vouchers escolares,
“privatização”
de empresas de serviços públicos
, e “privatização” da Previdência Social
são os mais notórios exemplos em nível federal.  Já em nível estadual e
municipal, qualquer contrato governamental concedido, geralmente via propinas,
a algum interesse privado é considerado “privatização”.  Vemos
isso quando se terceiriza serviços como coleta de lixo, saneamento básico,
eletricidade e rodovias.  Uma empresa privada ganha um monopólio concedido
pelo estado e, daí pra frente, não mais precisa se preocupar
com a concorrência
.  Um privilégio e tanto.

Ouvimos alguns “liberais” dizerem que se
“privatizarmos” as escolas públicas por meio de vouchers ou por
quaisquer outros expedientes, elas se tornarão mais baratas de serem geridas e
a qualidade do ensino irá aumentar.  Também nos dizem que se
“privatizarmos” a Previdência Social — ou seja, obrigarmos os
trabalhadores a depositarem mensalmente uma porcentagem de sua renda em uma
conta administrada por uma empresa privada escolhida pelo governo, garantindo
assim uma clientela cativa para essas empresas –, o arranjo funcionará
exatamente como um sistema de capitalização, e irá trazer maiores retornos aos
aposentados. 

Em ambos os casos, os “libertários”
estatistas estão simplesmente dizendo: “O socialismo é possível, desde que
gerido pela iniciativa privada!”

A diferença é que, se o setor educacional estivesse
completamente sob mãos privadas
— o que significa, obviamente, a abolição
de um Ministério da Educação e de seus currículos obrigatórios –, nada igual
ao atual sistema continuaria existindo.  A maioria dos atuais
coordenadores não teria emprego no novo sistema escolar.  As próprias
escolas se tornariam centros varejistas.  A educação seria radicalmente
descentralizada e ofertada pela livre concorrência.  Escolas surgiriam e
desapareceriam.  Os salários de alguns professores provavelmente
despencariam.  Ninguém iria ter o direito a uma educação fornecida pelo
estado.  O estado poderia até exigir alguns conteúdos curriculares ou até
mesmo determinar resultados mínimos, mas não obteria resposta alguma.

Uma enorme variedade de alternativas passaria a
existir, mas seria raro que, entre elas, existisse o atual sistema de
megaescolas que mais se parecem contêineres que abrigam milhares de
pessoas.  É claro que não podemos saber de antemão como seria esse setor e
nem qual forma ele tomaria no futuro.  Mas é exatamente esse o
ponto.  A proposta dos vouchers e todos os outros
esquemas de terceirização sequer dariam ao livre mercado a chance de mostrar
sua superioridade.  Eles apenas gerariam mais aumentos nos gastos públicos
e mais garantias estatais a um sistema já amplamente socialista.

O mesmo se aplica para a “privatização” da
Previdência Social defendida pelos “liberais”.  Aqueles que dizem querer
sua privatização estão simplesmente defendendo um sistema que em quase nada se difere
do atual.  O governo continuaria obrigando os trabalhadores a contribuir
para um plano previdenciário, sem lhes dar a opção de manter em seu salário
integral e direcionarem uma parte dele para onde quiserem. O governo obrigaria
os trabalhadores a contribuírem mensalmente para uma empresa privada escolhida
pelo governo pra administrar as pensões.

Seu dinheiro ainda continuaria sendo confiscado pelo
estado. As pensões ainda continuariam sendo garantidas pelo estado.  Aliás,
você poderia até acabar pagando mais: uma parcela para os atuais aposentados e
outra para financiar a sua própria conta “privada”. 

A única diferença entre esses dois sistemas é que
uma parte do dinheiro poderia passar a ser utilizada por empresas privadas, o
que as tornaria dependentes de subsídios públicos.

Há uns cem anos, quem propusesse tal sistema seria
imediatamente tachado de socialista.  Hoje, esse mesmo indivíduo é
considerado libertário e “especialista em políticas públicas”. 

Agora, se o que você quer é uma reforma genuína e de
livre mercado, não chame isso de privatização.  Tal método é uma fraude
magnânima.  Sob uma verdadeira reforma de livre mercado, ninguém seria
pilhado e a ninguém seriam dadas quaisquer garantias estatais.  Você, e
apenas você, seria o responsável por seu sustento, não legando a mais ninguém
esse encargo.  O slogan deveria ser: parem o roubo!

As escolas públicas e a Previdência Social não deveriam
ser privatizadas; elas deveriam apenas ser abandonadas, permitindo a liberdade
total de gerenciamento e escolha.  Em outras palavras, instituições de
mercado não deveriam ser utilizadas como ferramenta de “políticas
públicas”; elas deveriam ser a realidade prática em uma sociedade livre.

Raciocínio idêntico se aplica à privatização de
empresas.  O estado deveria simplesmente
sair do controle delas, vendendo os ativos a quem pagasse mais ou entregando-os
para os respectivos funcionários e gerentes, permitindo que os novos
proprietários fizessem o que melhor lhes aprouvesse.  E só. Nada de
agências reguladoras geridas por burocratas que recebem propinas de empresários
para criar regulamentações que lhes protejam
.  A única função do estado seria não criar
obstruções à concorrência [veja
todos os detalhes, inclusive para a privatização de água, esgoto, eletricidade
e Petrobras aqui
]. 

Uma objeção frequentemente levantada a esse meu
ponto é que medidas parciais ao menos nos levam para a direção correta.  É
verdade que mesmo um sistema parcialmente livre ainda é melhor do que um
totalmente socialista.  Contudo, vitórias parciais são completamente
instáveis.  Elas facilmente são revertidas para um estatismo
completo.  Se as escolas públicas e a Previdência fossem privatizadas
seguindo-se os esquemas frequentemente propostos, o sistema poderia até se tornar
menos livre do que atual, pois haveria a possibilidade de se incorrer em mais
gastos públicos para cobrir os novos custos demandados pelos vouchers e pelas
contas privadas.  A “privatização” de
empresas sob um ambiente
regulado pelo estado mantém as mesmas ineficiências do arranjo anterior
,
com o agravante de que agora tais ineficiências são imputadas à privatização.

O que está em jogo é a própria concepção do papel da
liberdade na vida econômica, política e social.  Afinal, para nós, seria a
liberdade apenas um recurso útil dentro da atual estrutura ou ela é uma
alternativa genuína ao atual sistema político?  Não se trata de uma
simples contenda entre facções libertárias.  O futuro do próprio livre
mercado está em jogo.

São poucas as oportunidades de reforma que
aparecem.  E quando elas aparecerem, os libertários precisam estar à frente
não apenas exigindo o serviço completo, como também alertando contra os perigos
de certas concessões.  O pior erro que nosso lado pode cometer é
propagandear nossas idéias como sendo a melhor maneira de se obter os fins
desejados pelo estado. 

Entretanto, foi exatamente essa abordagem — dizer
que a economia de mercado é a melhor opção política dentre uma variedade de
planos estatistas — que se tornou a dominante do nosso lado da cerca.

Reformas parciais como essas não apenas podem gerar
um sistema tão ruim quanto o sistema que vigorava antes da reforma, como ainda
podem acabar com a autoridade moral da livre iniciativa.

Uma observação contra reformas parciais foi feita
por Ludwig von Mises:


uma tendência inerente a todos os governos em não reconhecer qualquer limitação
às suas operações e em ampliar sua esfera de atuação ao máximo possível. 
Controlar tudo, não deixar espaço para que nada aconteça fora da interferência
das autoridades — esse é o objetivo ao qual todos os regentes secretamente
aspiram.

A única maneira de fugir desse problema é batalhando
para eliminar todo o envolvimento do estado na vida da sociedade e da
economia.  Sem isso, simplesmente não há como evitar a miséria, a
submissão e a ineficiência.

Na última década — e mais do que nunca no atual
momento — o capitalismo passou a ser visto como um mecanismo criado para
permitir que setores insolventes e mal geridos possam continuar operando
ineficientemente.  É por isso que reformas de livre mercado nunca foram
tão necessárias.

O livre mercado não é apenas um mecanismo de gerar lucros
e produtividade.  Ele não serve apenas para estimular a inovação e a
concorrência.  Fazer a transição do estatismo para a economia de mercado
significa fazer uma revolução completa na vida econômica e política, saindo de
um sistema em que o estado e seus grupos de interesse estão no controle e indo
para um sistema em que o poder do estado não tem função alguma.  A
liberdade não é uma opção de política pública.  Ela é a abolição de todas
as políticas públicas.  Já passou da hora de tomarmos o passo seguinte e
exigir justamente isso.

___________________________

Leia
também:

Não basta privatizar – tem
de desregulamentar e liberalizar 

A diferença entre
iniciativa privada e livre iniciativa – ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?
 

Como as privatizações
criaram novas estatais no Brasil
 

Grandes empresas odeiam o
livre mercado
 

Sobre as privatizações
(Parte 1)
 

Sobre as privatizações
(final)


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48 comentários em “Aqueles que acreditam que a liberdade pode ser alcançada por meio de “políticas públicas””

  1. Ainda acho que reformas parciais é bom, como as que vem sendo feitas na Argentina. Infelizmente, a maioria das pessoas veem o Estado como pai, é só conversar com qualquer um. O Estado é necessário para não deixar formar cartéis, dar educação para os pobres, saúde, etc. Assim fica impossível fazer reformas realmente libertárias, até as parciais são dificeis.

  2. Sensacional! aplaudindo em pé aqui!

    A única coisa que me preocupa é o processo de desestatização. Como vender empresas estatais sem que o dinheiro dessas vendas vá para o estado?
    não consigo conceber um pensamento para isso. afinal, de nada adianta vender a Petrobras, por exemplo, e alimentar o estado com bilhões de dólares. tem que ter outra saída.
    Podem me indicar qual seria a solução?

  3. “A única maneira de fugir desse problema é batalhando para eliminar todo o envolvimento do estado na vida da sociedade e da economia”.

    Ora, então pra que estado?

  4. Ótimo artigo. Mostra que apenas a privatização não basta. Deve vir com a liberdade das pessoas em escolher qual o destino de suas verbas.

    Fugindo um pouco do assunto: Alguem tem alguma opinião a respeito do referendo que será feito na Suiça com a proposta de proibir os bancos privados de criar dinheiro e deixar esta responsabilidade somente ao banco central suiço (Swiss National Bank,SNB)?

  5. Minha grande duvida é, como seria feita essa redução do estado, no que tange aos funcionários concursados que tem estabilidade garantida pelo instituto do direito adquirido, estabelecido pela constituição. Como seria possível demitir maciçamente esses funcionários, sem uma ruptura constitucional, ou a ruptura faria parte do processo?

  6. Também acho que nós caímos no erro ao defender que um modelo livre será necessariamente melhor que o modelo estatista, que será melhor para os pobres e indefesos etc. Esquecemos o cerne principal que é a liberdade, que é o valor supremo que devemos defender acima de qualquer coisa. A liberdade não necessita de justificativa, ela é direito básico, essencial, irrevogável e absoluto.

  7. Quem paga os tributos não é o governo, empresários ou outros. Os tributos são pagos pelo consumidor, a aposentadoria é paga pelo consumidor, o governo somente desvia valores e cria regras para prejudicar o brasileiro. Todos os tributos devem der desvinculados do preço do produto ou serviço, empresas e governo não devem pagar ou dar palpites sobre aposentadoria ou outro tributo. Libertar o povo dos tiranos, somente o povo decide.

  8. Julio cezar Rodrigues

    exercitar a mente sobre como seria sem Estado e interessante. se estado pode ser entendido como povo, governo e território, abolir o estado seria o que? Não precisaria o planeta inteiro abolir o estado? Ou seria possível apenas um determinado pais deixar de ser estado?

  9. Marcelo Simoes Nunes

    Muito embora todos aqui saibam que a ideologia marxista seja, por sua própria natureza, uma força sinérgica à exacerbação do estado, não se pode esquecer que tal conclusão se deve ao socialismo real e não ao discurso teórico de Marx. No plano das ideias, o doutrinador havia proposto exatamente o oposto disso: a meta final, o comunismo, contemplaria a extinção do estado, que, para os marxistas, outra coisa não seria senão e expressão ou a manifestação do poder opressivo da classe dominante sobre o operariado. A ditadura do proletariado (meio criminoso justificado pelo fim grandioso) seria o caminho necessário para a extinção do estado. Segundo essa lógica, extinta a burguesia e a estrutura estatal imposta por ela, o estado desapareceria naturalmente, posto ser mera consequência da estrutura de poder burguês. O patente antagonismo entre a teoria e a prática, turbinado pela falência da URSS e as revelações escabrosas dos genocídios comunistas e outras barbáries afins levaram muitos de nós à constatação da inviabilidade econômica e moral do socialismo. No entanto, essa contradição, entre a teoria e a realidade, levou muitos esquerdistas à conclusão diversa, de que o socialismo deu errado porque foi mal aplicado. Sem dúvida é difícil entender o pensamento de um esquerdista! Mas fiz essa introdução para dizer que esse paradoxo entre a teoria e a prática e entre o estado e sua extinção também se encontra presente no pensamento libertário. Afirma-se que o estado naturalmente tende a se expandir continuamente, o que se constata historicamente. Afirma-se também que deve-se pacificamente buscar o fim do estado, ainda que não esteja muito claro como isso se dará. Obviamente esse assunto se apresenta como uma questão central para gregos e troianos. Uma criança compreenderia perfeitamente que parece mais plausível propor o fim de algo pelo mesmo método que se dá fim a qualquer outra coisa, isto é, desconstruindo essa coisa e não a exacerbando. Como o Mises prega a não violência, consequentemente, parece ser incompatível que o caminho para a extinção do estado se de por uma via abrupta. E, em consequência, se esse raciocínio estiver correto, temos de admitir que nos encontramos diante de um paradoxo. Sem poder aniquilá-lo de um só golpe e, tendo como fato sua tendência a agigantar-se, como desconstruí-lo no dia a dia? Qualquer estado somente subsiste na medida em que uma parcela considerável da população lhe respalda a existência. Bastaria portanto que uma maioria se conscientizasse da inutilidade do estado para nos vermos livres dele. Ou admitimos que o estado jamais deixará de existir ou começamos a elaborar propostas concretas e pontuais de como a sociedade civil poderá ocupar os espaços que foram sendo subtraídos pelo estado e criar mecanismos que impeçam a sua retomada. Fica aqui minha sugestão para discussão desse assunto. Espero que haja participação, pois fico muito desapontado com um certo imobilismo que vejo por muitas vezes no Mises. Me parece uma masturbação mental ficar discutindo, sem que haja proposições, porque isso transforma as discussões numa mera inutilmente.

  10. Julio cezar Rodrigues

    muito interessante esse paradoxo. Parece que, ao final das contas libertários e esquerdistas querem a mesma coisa, o fim do estado. A mesma dificuldade que tenho para pensar a vida fora de um estado e a de compreender um ser existindo fora do espaço e do tempo como e o caso de uma deidade. Nosso aparelho cognitivo se molda para pensar dentro dessas estruturas. Particularmente não acredito no fim do estado assim como não acredito no fim da religião e no comunismo. Nossa natureza gregária sempre partiria para a formação de estruturas sociais similares ao estado. Como o próprio mises trata na sua obra acao humana temos aspirações muito diversas.

  11. Julio cezar Rodrigues 09/01/2016 12:15:05

    “…muito interessante esse paradoxo. Parece que, ao final das contas libertários e esquerdistas querem a mesma coisa, o fim do estado. A mesma dificuldade que tenho para pensar a vida fora de um estado e a de compreender um ser existindo fora do espaço e do tempo como e o caso de uma deidade. Nosso aparelho cognitivo se molda para pensar dentro dessas estruturas. Particularmente não acredito no fim do estado assim como não acredito no fim da religião e no comunismo. Nossa natureza gregária sempre partiria para a formação de estruturas sociais similares ao estado. Como o próprio mises trata na sua obra acao humana temos aspirações muito diversas”.

    Concordo que as pessoas tenham aspirações diferentes,mas,na atual conjuntura os estatistas interventores e ditadores estão no comando de nossas sociedades(Vários países)diferindo só em grau é como eu costumo classificar os países escandinavos campeões em IDH de, não os melhores países para se viver,mas,sim os menos piores dentre todas as porcarias de regimes políticos escravizantes na face da terra na atualidade,enfim quero ter só cinco ireitos nesta vida:
    -Não pagar impostos.
    -Só pagar aquilo que eu quiser pagar.(exemplo serviços de saúde,educação.segurança,justiça) e para ter condições de arcar com estes gastos.
    -Salários(Sem CLT)dignos.
    -Excelentes condições de trabalho(Alta produtividade).
    e\ou,
    -Poder ser empreendedor sem o sócio oculto do leviatã fugando no meu cangote feito um tarado pederasta sádico e sedento pelo sangue de suas vítimas.
    Creio eu que todos os libertários tirando os arrogantes e vaidosos,pensamos iguais nesta questão(Ter estes direitos) e desculpe-me por eu usar sempre uma linguagem coloquial é fruto de anos de doutrinação da escola(Podre) pública

    Um abraço a todos.

  12. Julio cezar Rodrigues

    E verdade. Os esquerdistas da atualidade querem isso mesmo. Mas, segundo Bobbio, interpretando a doutrina marxista, esta propunha o comunismo como a ultima etapa. Uma sociedade sem estado e sem classes. Até então vimos apenas a primeira parte, a ditadura do proletariado que chafurdou.

  13. Sou a favor e concordo com as ideias do site.Acho interessante quando nos ensina em sermos enfáticos nas defesas dessas ideias.Mas quando vamos a pratica dessa desconstrução do estado aí o bicho pega.Os sociais democratas fizeram a revolução cultural e ocuparam os espaços de poder,daí essa cultura esquerdista do brasileiro hoje.Criam o partido NOVO com ideal liberal,mas os libertários não são a favor de nos infiltrarmos no estado para reduzi-lo ou aperfeiçoa-lo,pois são a favor da sua extinção.Às vezes me sinto vazio, inútil,pois já passei dos 40,e não acredito mais neste país.Talvez por acreditar que esta ruptura do “status cor”para o modelo libertário seja impossível.Sei não,sei lá,…não desistamos da liberdade!

  14. Quanto eh que vale o estado brasileiro? Poderia fazer o levantamento e emitir ações e dividi-las entre a população. Aí quem quiser vender a parte do seu país vende, quem quiser comprar compra. Comunistas e libertários viveriam felizes

  15. Acho que o problema da extinção plena do estado reside na questão da nossa relação, enquanto povo/sociedade etc com as demais nações.
    É que se, de repente, passássemos a ser um povo totalmente auto-gerido, creio que nossa vulnerabilidade externa, do ponto de vista bélico mesmo, poderia aumentar, pois não consigo imaginar como nós poderíamos dispor de FFAA sem uma estrutra organizacional poderosa, como o é o Estado.
    Sim, talvez seja possível um povo auto-gerido se articular e contar com uma defesa própria, mas é que a gente tá tão tão longe disso e não amadurecer pra tratar de coisas tão mais latentes, que é difícil imaginar esse cenário.
    Talvez, o que pudesse ser pensado como estratégia de poder, coisa que, me parece, os libertários não tem, seria uma desconstrução das gerações dos fundamentais. Se chegássemos a ficar somente com os direitos civis e políticos já estava de bom tamanho.

  16. Hoje, lê-se nos jornais que o Governo pretende expandir ainda mais o crédito, via Bancos Estatais, e aumentar, também ainda mais, os juros para conter a Inflação. Este governo tresloucado parece que conseguirá a proeza de piorar ainda mais a Economia em curtíssimo prazo.

    Não sei para onde toda essa esbórnia da intervenção estatal na Economia conduzirá esta nação. Parece que irão fazer tudo ao contrário do que este instrutivo site ensina. Para mim fica ainda mais claro que não são somente as teorias econômicas equivocadas, mas a peça chave para que se possa entender a causa desse caos se chama: Políticos.

    Também não sei se será a ignorância, se o comodismo ou se a passividade do povo brasileiro é que levará esta nação à completa devastação.

  17. Acho as idéias liberais lindas, flutuantes, em teoria mas na prática exigem um ser humano tão purificado que fica impossível funcionar. Agentes tão perfeitos e incorruptíveis que permitiriam uma concorrência livre , empresários tão honestos que jamais ofereceriam dinheiro por uma fatia maior de mercado, legislações favoráveis, ou isenções de impostos, ou que pelo menos distribuísse honestamente seus lucros entre seus empregados, cá pra nós,isso não existe.Erram aqueles que apontam os EUA como modelo pois têm os mesmos vícios.São ricos porque detém conhecimento científico, esta sim a verdadeira riqueza, não o sistema econômico.

    Dos seres humanos reais,cheios de fraquezas e defeitos,os cidadãos honestos muito dificilmente prosperam na política, a maioria nem entra nela por pura aversão, isto é o que a história vem mostrando.

    Acredito que a democracia falida como está só funcionaria se houvesse critérios mínimos de escolaridade e pós-graduação em políticas públicas para quem quer se candidatar a um cargo público.Ué, nas empresas não é assim? E o estado não faz concurso público? Porque não com os políticos? Isso já filtraria bastantes aproveitadores e incompetentes.Ou pelo menos os forçaria a frequentar um lugar novo e fascinante: A UNIVERSIDADE

  18. A crise americana de 2008 se deu justamente por falta de regulamentação.Deixar a atividade econônmica correr à solta cria um ambiente de libertinagem ,não de liberalismo.

  19. Não acredito em milagres de sistemas econômicos.Acredito no compromisso do ser humano. Se houver governantes comprometidos com o povo, seja no comunismo ou liberalismo, o país prospera.Não importa o tamanho do estado. Só há duas maneiras para isso: Ou o país tem recursos naturais valiosos e abundantes ou então domina o conhecimento científico e produz produtos de alto valor agregado.Pode ser até prospere alugando seu território para instalação empresas financeiras com redução de impostos, como Cingapura. Fora isso, não há outro caminho.

    A prova está nas duas potências tão diferentes EUA e China. Outra prova: Como a Petrobrás alcançou o gigantismo e excelência tecnológica mesmo sendo estatal? Porque paga bem e realiza concurso público, tem os melhores quadros.
    Para quem acha que o Chile é exemplo de país liberal a ser seguido,é um país equilibrado pois é pouco populoso e está situado sob uma imensidão de cobre ,metal bastante valioso. Ademais, deu a sorte de ter governantes responsáveis, de direita e esquerda.

  20. Amarilio Adolfo da Silva de Souza

    Texto coerente. Mas, devido a tantas intervenções estatais na vida das pessoas, não é possível acabar com os “direitos adquiridos” por elas. Não seria justo puni-las por erros estatais. É preciso que a nova geração liquide o estado.

  21. Ótimo artigo!

    A liberdade não é um valor relativo e instrumental, apenas um meio para algum fim – embora ela com certeza seja parte do caminho para nossos fins corretos.

    A liberdade é um valor intrínseco, um princípio universal e um fim em si mesma.

    Explicar que a liberdade funciona melhor do que a coerção não é para justificá-la (um autoritário poderia contra-argumentar [com ou sem razão] que a coerção é que funciona melhor, pelo menos em certos casos e/ou circunstâncias), mas para demonstrar que ela está de acordo com as leis naturais que regem a realidade.

    * * *

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