Luiz Carlos Bresser-Pereira, cuja mente assombra o
mundo com ideias originalíssimas — como aquela que substituiu um plano (Plano
Cruzado) que se baseava no congelamento de preços, aluguéis e salários por
outro plano (Plano Bresser) que se baseava no congelamento de preços, aluguéis
e salários –, nunca decepciona.
Sempre que
ele faz um comentário sobre economia, a diversão é maior que aquela propiciada
por uma esquete de Ricky
Gervais.
A mais recente contribuição da invejável mente de Bresser-Pereira para os anais da teoria econômica foi a sua recente postagem
em seu perfil no Facebook. Disse ele:
Confirma-se
que o Brasil está saindo da criseEnquanto
os economistas ortodoxos ficam tolamente indignados porque o ajuste fiscal
“não é suficiente para tirar o país da crise” e os economistas da
esquerda igualmente ficam também tolamente indignados porque “o ajuste
fiscal está aprofundando a crise”, eu tenho insistido que o ajuste
principal o mercado (a lei da oferta e da procura) já fez — o da taxa de
câmbio — e tenho previsto que logo a economia brasileira estará saindo da recessão.
O pessimismo de um lado e de outro é mera incompetência.Pois
bem, afinal as notícias começam a confirmar minha previsão. O superávit
comercial de 2015 foi “supreendentemente” maior do que se esperava. E
hoje o Valor informa que os bens industrializados voltaram a liderar as
exportações depois de um longo inverno de liderança das commodities. Um dia
ortodoxos e a esquerda conseguirão revogar a lei da oferta e da procura, mas
enquanto isto não acontecer vamos tratar de ver o que acontece com os preços
macroeconômicos, principalmente com o mais estratégico (e mais esquecido porque
mais temido) de todos: a taxa de câmbio. Ela já está além do equilíbrio
competitivo, que estimo ser hoje de cerca de R$ 3,80 por dólar, as as boas
empresas brasileiras voltaram a ser competitivas.
Comecemos pelo básico: Bresser-Pereira recorre ao truque de deixar subentendido que as exportações estão se recuperando e que isso decorre da desvalorização do câmbio. Ambas estão erradas.
Não houve absolutamente nenhuma recuperação das exportações. Ao contrário: as exportações seguem caindo, não
obstante toda a desvalorização cambial (que Bresser-Pereira diz ser o elixir
para o crescimento). O que ocorre é que
as importações caíram ainda mais que
as exportações, daí o “surpreendente superávit comercial de 2015”.
Ou seja, a recessão no Brasil está tão forte, e a
queda no poder de compra da população está sendo tão intensa, que o povo
simplesmente não está conseguindo importar como vinha fazendo antes. Ao mesmo tempo, a economia está tão desarrumada
e a incerteza está tão grande, que não está havendo investimentos capazes de
aumentar a produção e impulsionar as exportações.
Apresento a Bresser-Pereira este gráfico do Banco
Central:
Como é possível ver, tanto as exportações quanto as importações desabaram ao
mesmo nível de 2007. Regredimos de 9 anos
na economia.
Em números mais claros, as exportações em 2015 tiveram
uma
queda de 14,1% em relação a 2014, sendo que o câmbio em 2015 foi consistentemente
mais desvalorizado que em 2014.
Já as importações tiveram uma queda
de impressionantes 24,3% em relação a 2014, dando a dimensão de como o
poder de compra da população se esfacelou.
No entanto, segundo Bresser, “o Brasil está saindo
da crise” e “as boas empresas brasileiras voltaram a ser competitivas”.
Resta saber em qual dimensão o economista habita.
Como disse
o presidente do IMB, Helio Beltrão:
Bresser
Pereira parece residir em um mundo da fantasia. Enquanto os brasileiros perdem
poder aquisitivo, perdem emprego e perdem seu presente e futuro, Bresser está
feliz pois o dólar subiu.As
‘boas empresas brasileiras’ que Bresser diz que se beneficiam estão valendo em
média 25% menos em reais, e menos da metade em moeda forte do que valiam há
pouco mais de um ano. Keynesianos e neodesenvolvimentistas como Bresser
destroem os país com suas ideologias destrutivas, e mesmo em face de todas as
evidências em contrário, seguem em sua defesa.
Na realidade, Bresser-Pereira faz parte daquela escola
desenvolvimentista que nós, do IMB, nunca nos cansamos de denunciar: pessoas
para quem uma taxa de câmbio desvalorizada é o elixir do progresso.
Para essa turma — que tem uma estranha e insaciável
tara com a destruição do poder de compra da moeda –, dizimar o poder de compra
da população é algo bom para a economia.
Segundo tais pessoas, a desvalorização do câmbio —
ou seja, a destruição do poder de compra da moeda — é o segredo para
impulsionar a indústria e o setor exportador brasileiro. Ao se
desvalorizar o câmbio, dizem os gênios, as exportações são estimuladas e,
liderada por um aumento nas exportações, a indústria volta a produzir e, por
conseguinte, toda a economia volta a crescer.
O primeiro grande problema é que, no mundo
globalizado em que vivemos, vários exportadores são também grandes importadores.
Para fabricar, com qualidade, seus bens exportáveis, eles têm de importar máquinas
e matérias-primas de várias partes do mundo. E elas também têm de
comprar, continuamente, peças de reposição.
Se a desvalorização da moeda fizer com que os custos
de produção aumentem — e irão aumentar –, então o exportador não mais terá
nenhuma vantagem competitiva no mercado internacional.
Aliás, não deveria causar nenhuma surpresa o fato de
a própria indústria automobilística ter vindo a público admitir que a
desvalorização cambial — ao contrário do que pregam os economistas
desenvolvimentistas — não apenas
está encarecendo a produção, como também está gerando incertezas para o setor.
Vale lembrar, adicionalmente, que a
desindustrialização no Brasil chegou ao auge justamente no período em que a
moeda mais se desvalorizou. A desindustrialização
está ocorrendo é
justamente agora, quando temos uma moeda fraca, inflação alta, e as maiores tarifas
protecionistas da história do real.
Exatamente ao contrário do que defendem os
economistas desenvolvimentistas, é justamente quando o câmbio está se
apreciando (como ocorreu de 2005 a 2008, e de 2010 a 2011 no Brasil), que a
indústria fica mais forte. E é justamente quando o câmbio se desvaloriza
(2009, e 2012 em diante), que a indústria encolhe. (Veja todos os gráficos aqui).
E o motivo é óbvio, o que nos leva ao segundo ponto:
câmbio desvalorizado significa moeda com menos poder de compra. Moeda com
menos poder de compra significa renda menor para a população e preços em
contínua ascensão (o IPCA de 2015 fechou em 10,67% majoritariamente por causa
da desvalorização cambial defendida por Bresser).
E renda menor em conjunto com preços em contínua
ascensão significa que a demanda por bens de consumo diminui.
E isso afeta todo o setor industrial e atacadista. Afeta toda a cadeia produtiva, que entra em contração
e gera o efeito contrário ao imaginado pelos desenvolvimentistas.
No entanto, para essa turma da qual Bresser faz
parte, uma desvalorização cambial é algo perfeitamente possível de ser isolado
do resto da economia. Não há efeito
colateral nenhum. A desvalorização irá
ajudar a indústria e não prejudicará mais ninguém. Todos ganham.
Quanto mais desvalorizado for o câmbio — ou seja, quanto menor for o
poder de compra da população –, mais rica será a economia. Faz sentido, não? Quanto mais pobre você está, quanto menos você
consegue comprar, mais rico você é.
“Destrua o poder de compra da moeda, e surgirão
uma Apple, uma Microsoft e uma Google”, parece ser o lema deles. Desvalorize
o câmbio, e o país vira uma potência industrial.
Enquanto o ideário econômico estiver sendo ditado
por essas pessoas, nossa aspiração será a Venezuela.
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Artigos
que aprofundam as visões aqui expostas:
Uma radiografia da
destruição do real – ou: não há economia forte com uma moeda doente
A nossa “depreflação” e o ajuste fiscal que não virá: a necessidade de um novo Plano Real
Três consequências da
desvalorização da moeda – que muitos economistas se recusam a aceitar
Para impedir a destruição
do real e do setor industrial, o Banco Central tem de ter concorrência
A impiedosa destruição do
real (números atualizados para agosto)

Bresser é gênio infalível. Compartilhou da minha exata tese no resultado da balança comercial. Meus olhos se enchem de lágrimas pois se alcancei tão alto foi aos ombros de um gigante. Não importa se os senhores insistem que ele está nu. Somente os magnânimos enxergarão as roupas dele.
Os ortodoxos reacionários, entreguistas e loucos não são bem-vindos em nosso “mundo da fantasia”. Aqui do alto da careca do mestre tudo que os terrenos falam é ruído. Nós só conversamos com deuses quem carregam estrelas no peito. Seus arautos nos permitem interfones para que o mundo baixo todo ouça nossas novidades. Então às formigas só resta gritar porque é fútil fugir da sombra de um colosso.
Sinto muito, coxinhas nuggets: daqui de cima o chão só serve para pisar.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Excelente ARTIGO e didaticamente bem apresentado.Parabéns. … Roberto Campos:Acabem com Os Economistas da UNICAMP(SP) ou Os economistas da UNICAMP(SP) nos Acabarão……..(https://www.youtube.com/watch?v=slrnSWtT1lo)
Eu sinceramente ainda não sei como tem gente que consegue levar a sério esse cidadão, só pelo simples fato de ele ter tido a “brilhante” ideia de combater uma hiperinflação com congelamento de preços já era hipótese para esse sujeito ser visto como um incompetente, até porque além disso ele deixou um baite de um pepino que está até hoje pendente de resolução pelo Supremo Tribunal Federal.
Mas como o Brasil é o pais onde impera a incompetência espécies como Bresser Pereira tem um terreno fértil não só para sobreviverem como também para se reproduzirem. É aquele velho problema que essa semana o IMB destacou, o “aedes unicampis”.
Excelente, Leandro, excelente!
Infelizmente continuaremos em situação difícil enquanto absurdas análises desenvolvimentistas como essa tiverem tanta repercussão, como teve hoje, e enquanto uma massa de doutrinados sem capacidade crítica continuarem fornecendo suporte para tal.
Eu estava lendo outro dia um estudo dele de 1989 sobre inflação inercial. Eu tinha quase certeza que ele era uma toupeira, mas depois de ler o estudo, virou certeza absoluta.
Eu queria compartilhar algumas das tantas bobagens que ele fala.
Confundindo causa com efeito:
“demonstrarei que a necessidade de zerar o déficit público que surge nessa ocasião não
significa que a teoria da inflação inercial considere o déficit público a causa da
inflação. Na verdade, e da mesma forma que a oferta de moeda, o déficit público é em
grande parte conseqüência de altas taxas de inflação e certamente fator sancionador
dessa mesma inflação”
Congelamento de preço como solução e novamente confundindo causa com efeito:
“não é tão fácil controlar a inflação. Os mecanismos de mercado garantem a
manutenção do patamar de inflação. Políticas monetárias e fiscais não logram reduzir a
inflação a não ser a custos insuportáveis. Para suspender o funcionamento automático
do componente inercial real da inflação é muito mais eficiente recorrer a políticas
administrativas de controle dos preços, que poderão ser graduais se a inflação inercial
estiver em um nível relativamente baixo, mas que deverão recorrer necessariamente ao
congelamento de preços, à “solução heróica de combate à inflação” (Bresser Pereira e
Nakano, 1984a), ao “choque heterodoxo” (Lopes, 1984a), se esta já estiver muito alta.”
Eu vi algumas entrevistas dele recentemente e parece que ele continua com as mesmas opiniões. É assustador.
Haha, o vídeo do Gervais com o Liam Neeson é sensacional. Quase tão gozado quanto os comentários do Bresser (que não deve ser zoado pois está visivelmente gagá).
Eu sei bem como esse aí entende de “CRISE”. Na época que esse tralha era ministro e implantou seu “plano Bresser” passei as maiores privações da minha vida. Graças a ele os assalariados brasileiros foram nivelados ao mais baixo nível de pobreza econômica. Inacreditável que algum veículo de comunicação ainda dê ouvidos a esse sujeito que deveria ser inscrito na lista negra do ostracismo intelectual brasileiro.
Bresser é tão bom economista que quando foi ministro elaborou um plano que jogou o Brasil numa recessão que o país levou quase 10 anos para se recuperar e que até hoje há discussões na Justiça sobra as tais “perdas do Plano Bresser”
Fico curioso pra saber como ele chegou na estimativa da taxa de câmbio de 3,80.
Ele deve ter resolvido o problema do cálculo econômico e a gente ainda não sabe! ????
uma curiosidade que notei no gráfico: todo começo de ano as exportações diminuem abruptamente. Isso se deve ao recesso de fim de ano que ocorre na maioria das industrias?
O prior de tudo é o Leandro ter que usar seu precioso tempo para refutar a um ignorante como o Bresser. Se o estudo da economia fosse sério neste país, um comentário imbecil como este que o cidadão fez nem seria levado a sério. Aliás, o Bresser nem seria reconhecido como um economista, e suas previsões seriam menos valorizadas do que as de uma cartomante que anuncia seu trabalho colando cartazes em postes.
Ainda preciso fazer um exercício mental enorme para entender como é que um economista consegue não só sobreviver, mas ter destaque, tendo uma abordagem completamente descolada da realidade.
Consta no “Financista”:
“A inflação alcançou em 2015 o maior patamar desde 2002. Os preços administrados subiram 18% e foram os principais responsáveis por essa alta, com destaque para combustíveis e energia elétrica – itens reajustados com anuência do governo. A eletricidade, por exemplo, ficou 51% mais cara, em média, em todo país. Ou seja, o maior responsável pela inflação ter estourado o teto da meta estabelecido pelo governo foi o próprio governo.”
http://www.financista.com.br/noticias/precos-administrados-saltam-18-08-e-levam-inflacao-a-patamar-recorde
Observação 1: a expressão “preços administrados” já dá náuseas. (E mostra que a “escola” de Bresser segue aí, aplicando suas ‘ideias’ e causando estragos).
Observação 2: o governo é responsável não apenas por essa inflação; o responsável pela inflação (qualquer inflação) SEMPRE é o governo.
É um economista do mundo da fantasia.
moro fora do Brasil e aqui no supermercado a picanha brasileira está cada vez mais barata. Obrigado Dilma! Próximas eleições tenciono ir até a embaixada votar no PT para continuar comprando carne brasileira a preços baixos.
Leandro Roque,
a título de colaboração:
vale dar uma olhada no índice do Big Mac Index da The Economist. Ali se fala na (des)valorização cambial em sua relação com a exportação-importação:
http://www.oantagonista.com/posts/corra-para-comprar-um-big-mac
http://www.economist.com/content/big-mac-index
Kkkkk bom demais essa resposta ao Bresser! Boa Leandro!
Leandro,
Esse conceito de “dominância fiscal” — que começou a ser usado com frequência de um tempo para cá — faz algum sentido?
Abraço!
Olá Leandro e demais leitores do Mises Brasil.
Gostaria que vocês me explicassem essa notícia:
http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/08/brasil-e-o-terceiro-pais-mais-atrativo-para-investidores-estrangeiros-7517.html
Nela fala que mesmo com a atual crise, o Brasil ainda é atrativo para investidores estrangeiros.
Em uma crise, isso deveria ser ao contrário, não?
Se puderem citar livros e artigos que esclareçam essa minha dúvida, ficarei agradecido!
Abraço
O que eu gostei mesmo foi da referência que foi passada:
epocanegocios.globo.com/Economia/noticia/2016/01/producao-industrial-tem-6-queda-seguida-em-novembro.html
Segue uma breve passagem:
A maior pressão veio da indústria extrativa, cuja atividade recuou 10,9% no período, apontou o órgão.
O que se quer é falar de hoje a partir de informações do passado, francamente!
Olá!
Eu vejo muita descrença por aqui. E, no final das contas, há uma (muitíssimo) pequena possibilidade de uma solução, mais baseada na teoria austríaca, ser aceita e agradar justamente o Bresser-Pereira — é claro, infelizmente não pelos mesmos motivos.
De acordo com Bresser-Pereira (e os demais desenvolvimentistas), com a taxa de câmbio entre R$ 3,80 e R$ 4,00 em relação ao Dólar e o baixo preço das commodities, agora sim nós alcançamos um câmbio competitivo, que vai fazer o empresário industrial investir e consequentemente desprimarizar a pauta de exportações brasileiras. A questão agora é manter essa taxa de câmbio competitiva no longo prazo, porque será um grande problema se essa taxa de câmbio daqui a pouco começa a se valorizar. Daí um regime de câmbio fixo seria uma excelente solução. Mas, antes de um Currency Board ser aprovado como uma solução para esse “problema”, é preciso esclarecer:
Primeiro é que, para implantar o Currency Board, é recomendado deixar o câmbio flutuar por cerca de um ou dois meses, período esse em que se espera uma apreciação cambial, e só depois fixar o valor. Mas, que diferença faria se fosse pulada essa fase tão “brutal” de valorização cambial e fixada a taxa de câmbio nesse patamar em que está hoje (mas fora isso, obedecendo rigorosamente toda a ortodoxia do Currency Board) ?
O segundo é que é uma grande inquietação na vida do Bresser-Pereira o fato de o Brasil não possuir um mecanismo de neutralização da ‘doença holandesa’, que em tese ocorre quando um país se torna forte exportador de commodities, apreciando o câmbio e tornando inviável o investimento na indústria. Agora, sendo o ouro (uma commoditie) e o Dólar os dois candidatos à âncora cambial desse Currency Board, e tendo os dois uma relação inversa de preços, que papel teria um e outro em uma possível neutralização da ‘doença holandesa’? (E se é diferente ou não.)
P.S.: Um pouco mais de fé, pessoal! Pelo menos nesse ponto do câmbio, o Bresser-Pereira pode não ser tão ruim assim. Se os propósitos baterem, podemos apresentar, agora mesmo, uma solução muito melhor e mais satisfatória para ele mesmo, do que essa proposta de retenção cambial. E pior que isso, todos aqui teriam que ser tornar seus devotados apoiadores.
Leandro, existe alguma relação entre poupança e taxa de câmbio?
O Samuel Pessoa, por exemplo, fala que o câmbio desvalorizado da China se deve a alta taxa de poupança.
1987
Plano Bresser fracassa na tentativa de vencer inflação recorde e o país caminha para a hiperinflação
Abril 1987 – Bresser Pereira é o novo ministro da fazenda
Junho 1987 – governo lança novo plano econômico e retira o gatilho salarial. Segundo o Dieese o governo vai provocar o maior confisco salarial da história do trabalhador.
Junho 1987 – a CUT convoca greve geral para o dia 15 de julho contra plano Bresser.
Junho 1987 – o deputado Lula analisa efeitos negativos do plano Bresser.
Junho 1987 – metalúrgicos marcam passeata de protesto contra o plano e se preparam para a greve geral.
Junho 1987- CUT marca greve geral para 12 de agosto.
Junho 1987- trabalhadores decidem ir à Brasília protestar contra o plano.
Julho 1987- metalúrgicos mostram sua força. Cerca de vinte mil pessoas participaram da passeata de protesto pelas ruas de São Bernardo.
Julho 1987- mais de 500 metalúrgicos de São Bernardo, Santo André e interior saem em passeata de protesto em Brasília contra o plano Bresser.
Julho 1987- a greve geral é transferida para 20 de agosto com a participação da CGT.
Se piorar bastante (balança comercial), chegamos de novo nos níveis FHC.
Leandro OFF:
1 – Se o dólar influencia o preço das commodities, por que de 2008 com o preço do petróleo em US$120(dólar mundialmente barato) e em 2009(dólar mundialmente barato) chegou a US$45? Foi a crise financeira que provocou essa queda repentina ou alguma outra variável? Se for, poderia me explicar como exatamente isso ocorreu?
2 – Aproveitando a conversação sobre câmbio, existe algum artigo explicando como se daria a volta de um padrão-ouro?
Uma dúvida com relação a isso, muitos economistas advertem que sob o padrão-ouro, teria que haver reservas em ouro e que essa estocagem seria caro demais para manter o funcionamento desse sistema monetário. É verdade?
3 – Seria interessante um artigo sobre os modelos disponíveis de investimento em um país sem uma aposentadoria pública.
4 – Outro assunto interessante é a reserva de mercado que a bolsa de valores detém em função das grandes empresas em detrimento das pequenas empresas e como isso afeta toda a economia.
Viram a última? O dólar caiu, o real se valorizou, o câmbio se apreciou fortemente e… as exportações aumentaram e a balança comercial não só foi para o positivo, como ainda teve o melhor fevereiro da história!
Mais ainda: as exportações em fevereiro tiveram um aumento de 22,4% sobre o mesmo mês de 2016. Ou seja, o dólar caiu de R$ 4,20 para R$ 3,06 e as exportações dispararam!
Os desenvolvimentistas devem estar implorando para ninguém lhes pedir explicações…
g1.globo.com/economia/noticia/balanca-tem-superavit-de-us-45-bilhoes-em-fevereiro-maior-para-mes-em-29-anos.ghtml
Parabéns ao IMB pela persistência de praticamente falar sozinho sobre este tema, expondo a ignorância de todos os outros "economistas".
Por que não questiona a tese explicando como os países asiáticos cresceram com o câmbio depreciado? Seria mais interessante.
O argumento de que o custo de produção aumenta com o câmbio depreciado é somente no curto e médio prazo, pois quando as exportações aumentam o faturamento das indústrias aumentam possibilitando mais investimentos e portanto no longo prazo uma cadeia industrial mais complexa e que gerará tecnologia e mais empregos (já que o mercado externo é muito maior que o interno) – e a cadeia industrial mais complexa diminui a necessidade de importações para as indústrias (no longo prazo). Além disso obtendo uma cadeia industrial mais complexa no longo prazo os produtos tecnológicos se tornam nacionais viabilizando “alto poder aquisitivo” pela população devido os produtos serem nacionais e devido as baixas taxas de desemprego que seriam obtidas. Seria uma questão de sacrificar o poder aquisitivo no médio prazo para obter o desenvolvimento do país no longo prazo, para isso precisaríamos de estadistas – coisa rara no cenário político ainda mais um estadista que saiba quais as condições para o desenvolvimento e que consiga um pacto social para executá-lo, não existe milagre, alguém sempre seria prejudicado no curto e médio prazo, coisa que contraditoriamente inviabiliza tais políticas econômicas, mas que no longo prazo o país como um todo ganharia.
A queda no poder aquisitivo da população também aumenta com o aumento do desemprego (proporcionado pela desindustrialização ocorrida desde os anos 90). O câmbio apreciado no período de 2005 a 2008, e de 2010 a 2011 era devido ao preço das commodities que estavam em alta internacional o que favoreceu compor inclusive reservas em dólar importantes para o Brasil em momentos de crise internacional, mas o que melhorou o poder aquisitivo da população foram as políticas de distribuição de renda e não o câmbio apreciado. As montadoras de carros se preocupam com câmbio depreciado porque eles remetem os lucros para fora do pais e porque nesse caso terão que aumentar os preços dos carros no Brasil para manterem a taxa de lucro (diminuindo as vendas).
Para compreender a tese tem que pensar no longo prazo. Ou seria possível ter reindustrialização e desenvolvimento econômico no curto e médio prazo? Ainda, a tese do novo desenvolvimentismo se refere a uma conjuntura econômica para neutralizar a “doença holandesa”, não se trata apenas do câmbio depreciado.
Para finalizar, as exportações aumentaram de 2015 para cá. Precisaria ter esperado alguns anos antes de tirar algum conclusão a respeito do câmbio e sua influência nas exportações.
(…) pessoas para quem uma taxa de câmbio desvalorizada é o elixir do progresso.
Para essa turma — que tem uma estranha e insaciável tara com a destruição do poder de compra da moeda —, dizimar o poder de compra da população é algo bom para a economia.
Segundo tais pessoas, a desvalorização do câmbio — ou seja, a destruição do poder de compra da moeda — é o segredo para impulsionar a indústria e o setor exportador brasileiro. Ao se desvalorizar o câmbio, dizem os gênios, as exportações são estimuladas e, liderada por um aumento nas exportações, a indústria volta a produzir e, por conseguinte, toda a economia volta a crescer.
(…)
para essa turma da qual Bresser faz parte, uma desvalorização cambial é algo perfeitamente possível de ser isolado do resto da economia. Não há efeito colateral nenhum. A desvalorização irá ajudar a indústria e não prejudicará mais ninguém. Todos ganham. Quanto mais desvalorizado for o câmbio — ou seja, quanto menor for o poder de compra da população —, mais rica será a economia. Faz sentido, não? Quanto mais pobre você está, quanto menos você consegue comprar, mais rico você é.
“Destrua o poder de compra da moeda, e surgirão uma Apple, uma Microsoft e uma Google”, parece ser o lema deles. Desvalorize o câmbio, e o país vira uma potência industrial.
PQP! Isso foi escrito originalmente em 2013, mas descreve com perfeição o pessoal que defende a atual política cambial do Paulo Guedes em 2020:
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