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A incoerência dos liberais e minarquistas

Juro não entender o consenso entre os liberais — definidos
aqui como de qualquer estirpe, conquanto que defendam a existência de algum
estado — em delegar ao estado a provisão dos serviços de segurança, justiça, saúde e educação.

Os liberais dominam com maestria a teoria econômica e
explicam como poucos o quão inerentemente ineficiente é o estado para prover
qualquer serviço ou produto. Mas, por algum motivo — politicamente
estratégico, talvez –, se recusam a aplicar as suas próprias lições à questão
da segurança, justiça, saúde e educação.

Se essas são as funções essenciais em uma sociedade — como
a maioria dos liberais alega — por qual razão deste mundo sujeitar os mais
necessitados a esse arranjo no mínimo insensível?

Quando defendem — e com razão — a redução do estado em
favor da sociedade, eles prontamente concedem que, muito embora sua diminuição
seja necessária, a sua existência para algumas funções básicas é absolutamente
necessária.

Para resolver essa incongruência, seria preferível apenas
defender a redução do estado — e nada além disso — a estar sujeito a ser
atacado por defender posições ilógicas.

Deixemos a discussão das “funções essenciais” para
daqui a algumas décadas ou séculos.

__________________________

Acréscimo do editor

Ainda nessa linha, os próprios minarquistas — que defendem
que o estado se ocupe apenas de serviços de segurança e do judiciário — não escapam
da incoerência atroz: segundo eles, o mesmo estado que é incapaz de gerenciar eficientemente
uma escola e um hospital irá, miraculosamente, prover com grande eficiência serviços
policiais e “manter o império isonômico da lei e da ordem” — algo que,
convenhamos, é um tantinho mais difícil do que gerenciar uma escola e um
hospital.

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239 comentários em “A incoerência dos liberais e minarquistas”

  1. Rodrigo Pereira Herrmann

    melhor trocar o título pra “A incoerência de Mises, Bawerk, Menger, Ricardo, Say, Hayek, Bastiat, Ayn Rand, …”.

    Agora liste os ilustres coerentes do libertarianismo e compare os dois grupos.

  2. Esse questionamento é pertinente.

    O conservadorismo não permite mudanças radicais. Eu não acredito em revoluções do dia para a noite. As mudanças mais significativas acontecem quando alguma coisa não é mais necessária.

    A tendência é que menos estado, seja o caminho para mais liberdade.

    A grande maioria das pessoas não quer acabar com a polícia e ir para o shopping comprar armas.

    As coisas precisam ser feitas com calma. Ninguém troca uma asa com o avião voando.

    Além disso, eu dúvido que alguém pediria o fim do estado com alguns países vizinho querendo tomar nosso território. Muitas pessoas não querem ser soldados. Eles preferem pagar a conta das forças armadas.

  3. Renan Leomardi da Silva

    Eu sou um liberal clássico e minarquista, mas não acredito que o Estado deva fornecer serviços de saúde, educação…
    Somos a favor de que o Estado defenda esses direitos naturais, mas não somos necessariamente a favor de serviços públicos. Em uma sociedade ideal, para mim o Estado não precisa ter ruas, tribunais, escolas ou hospitais. Para mim este Estado deveria apenas criar leis para proteger os direitos de propriedade, a autopropriedade e a liberdade, além de ter um exército para proteção e para garantir que elas sejam cumpridas em situações onde a segurança privada não fosse possível, e observar se tribunais estam cumprido-as também.

  4. Pelo que eu saiba, a maioria dos liberais, minarquistas e conservadores não querem que o Estado forneça saúde e educação para a população.

    Querem o estado mínimo para a “Lei e Ordem” e pela defesa dos direitos naturais.

  5. O estado ou seja lá como queiram chamar é, em essência, coerção.

    Não se negocia com estelionatários, bandidos ou invasores. Logo, o estado deve existir para isso e somente isso. Para coibir aqueles que violam direitos naturais.

    Não vejo contradição nisso.

  6. “Ainda nessa linha, os próprios minarquistas — que defendem que o estado se ocupe apenas de serviços de segurança e do judiciário — não escapam da incoerência atroz: segundo eles, o mesmo estado que é incapaz de gerenciar eficientemente uma escola e um hospital irá, miraculosamente, prover com grande eficiência serviços policiais e “manter o império isonômico da lei e da ordem” — algo que, convenhamos, é um tantinho mais difícil do que gerenciar uma escola e um hospital.”

    Não é esta a questão. Não “concedemos” o monopólio da força ao estado, em relação à lei e ordem, por motivos de eficiência (embora os levemos em consideração); mas, principalmente, por ser um órgão “neutro” e coercivo por natureza, o que o colocaria, idealmente, numa categoria de punidor e assegurador da ordem. O mercado, para ser mercado, deve servir aos indivíduos, diferentemente de um punidor (não inteiramente, claro, já que têm casos judiciais em que há mediações) que chega a agir contra indivíduos.

    OBS: Neutro numa perspectiva minarquista, em que o estado seria pequeno e leve, e sem poderes sobre a economia de um país.

  7. Para quem ainda nao conhece a historia de Cospaia, uma pequena vila anarquista:
    jornalggn.com.br/noticia/cospaia-provas-tecnicas-de-anarquismo-republica-da-cospaia

  8. Tem coisas que o estado tem regular e até proibir. Por exemplo, pornografia daria audiência pras emissoras de TV (afinal, o mercado, ou seja, o povão, gosta destas coisas). O que impediria as emissoras, sedentas por audiência, transmitir pornografia em qualquer horário, se não houvesse um estado e uma lei estatal para proibir? E as crianças? (aliás, mesmo existindo uma lei proibindo isso, existem programas como “Amor e Sexo”).

    Então, eu acho que um estado tem que existir, certas coisas tem que ser proibidas.

  9. O problema que vejo é que as pessoas confundem necessidade de líderes com o estado.
    Precisamos de líderes. Vários! Mas não precisamos de estado (como o que existe hoje).
    É possível outro arranjo social, com líderes natos aparecendo e exercendo a direção que qualquer grupo necessita, sem coerção e sem o monopólio da coerção, principalmente da decisão sobre impostos.
    Olha só um exemplo simples: num condomínio, há o pagamento de um valor mensal, mas este valor é definido por quem paga, não pelo síndico. Já seria um arranjo muito melhor que o estado que temos hoje.
    O ideal seria algo como tudo privado (incluindo ruas, praias, mares, rios, o ar, …) com alguém sendo escolhido para uma função de representante (rei/chanceler/etc.) do território para dar um ar aristocrático ao esquema.
    Se você vai chamar este outro arranjo de minarquia é uma questão de palavras…

  10. A contradição foi bem levantada. Tenho poucos argumentos para rebatê-la. Talvez apenas tentar justificar como uma necessidade de escolher um ending point na proposta de desestatizacao.
    Entao resta tentar explicar como eu cheguei a um pensamento pró-direito a segurança/justiça, educação e saúde; e a regulacao de sistemas viarios, distribuicao de energia, de agua e captacao de esgoto. (Excluí portos, aeroportos, e feracao de água e tratamento de esgoto de
    Propósito, podem ser privados).

    Seguranca se for em estilo ancap pode degenerar para milícias rivais e gerar o caos.
    E simplesmente nao consigo manejar um sistema movido a incentivos financeiros e convorrencia.
    Jutica seria a aplicacao de uma constituicao pelos juizes; esta poderia ser enxuta e se basear no tripé vida-propriedade-liberdade.
    Aqui eu já aceito uma desestatizacao: há a opcao da mediacao privada.

    Educacao: é de interesse de todas as pessoas de um país que as criaças recebam ensino básico. Saibam ler, escrever, fazer conta…
    Todos se beneficiam de uma baixa quantidade de adultos analfabetos. Vale a pena para mim, para o que recebe o direito, e até para o estado…
    Óbvio que a gestao nao precisa ser totalenbte estatal. Simpatizo com os vouchers.

    Saúde: só me vem à cabeça o paciente com insuficencia rebal cronica que só sobrevive por causa da diálise 3 cezes por semana.
    Se o direito desse cara for cancelado? Vai chegar no dia seguinte, carregado de ureia no corpo, tentar dialisar e nao conseguir nunca mais…
    Tem tambem o paciente que aparece um cancer, que só sobrevive se derem para ele um tratamento top.
    Há alternativas: vouchers, caridade privada…

    A regulacao dos servicos supra-citados por serem algo como “monopólios naturais”.

    Abc!

  11. Alguns argumentos a favor de um Estado para, no mínimo, garantir a segurança de agressores externos:

    1 – Como no ancap não há Estado, todas as tropas e forças militares são privadas, logo não passam de mercenários. Mesmo havendo alguns soldados voluntários, eles são a exceção. “O fato é que eles – mercenários – não têm nenhuma razão para continuar no campo de batalha que não o soldo, o qual não é suficiente para fazer com que estejam dispostos a morrer por você.” (Maquiavel)
    2 – No ancap, o mercado de exércitos é totalmente dependente da necessidade de se ter exércitos. A oferta não aumenta na mesma velocidade que a demanda cresce e isso acarretaria problemas sérios no setor defensivo. Por exemplo: um Estado estrangeiro, que antes não era uma ameaça considerável, do dia para a noite pode se tornar uma e em menos de uma semana invadir o seu ancapistão. Seria impossível o mercado suprir a nova demanda por tropas nesse curto espaço de tempo. (poderia ser até um espaço de tempo maior, mas ainda sim existiria a possibilidade do mercado não suprir a demanda). O único modo de solucionar este problema seria com a presença de um Estado que criasse uma necessidade artificial de se armar bem em tempos de paz.
    3 – O único argumento a favor do ancap na guerra é a hipótese de que eles teriam melhores armas, simplesmente por serem mais livres para criar novas armas. Mas numa sociedade com um Estado interventor no setor defensivo, esse estímulo artificial teria o potencial de ser muito mais efetivo que o modelo ancap.

    Estou interessado em saber como irão refutar isso. 🙂

  12. É da natureza de uma legislação penal que ela seja imposta: um estuprador jamais concordaria com uma lei que punisse o estupro. Alguém ainda poderia dizer: “uma pessoa como essa estaria condenada ao isolamento caso não aceitasse viver contratualmente sob tal legislação”. Imaginemos, pois, que o sujeito preferisse ser eremita.Como ele poderia ser punido se estuprasse alguém que contratou uma legislação antiestupro, sem que tal punição não representasse uma agressão ao seu direto de optar?

  13. E nós anarco-capitalistas ainda precisamos ouvir dessa gente que somos “xiitas”, “extremistas”, “inflexíveis”, etc.

    Será que é tão difícil assim ser uma pessoa coerente?

  14. Não acredito ser a questão de incapacidade, e sim de tamanho, foco. Com Estado focado, não existe espaço para o “aparato estatal”. No judiciário não há – ou não deveria haver – espaço para ideologias, crenças e livres interpretações. Um colegiado deve sempre se ater ao que está escrito nos contratos sociais. O que estiver na constituição é imperioso. O desafio, ao meu ver, é em ter-se uma constituição enxuta, baseada nos direitos naturais e na racionalidade, além de sempre estar atualizada com os novos tempos.

  15. “Funcoes essenciais” devem ser elencadas atraves de priorizaçao, uma vez que o grupo tem “recursos escassos”.
    Como conduzir essa priorizacao poderia ser tratada em um outro topico, mas eu diria que existe uma grande chance de justamente esses 4 itens (segurança, justiça, saude e educaçao) despontarem como os 4 primeiros selecionados pelo grupo para investir os escassos recursos do grupo.

    A eficiencia dos executores desses servicos deve ser constantemente avaliada pelo grupo e assim como um mau motorista é afastado do Uber, maus executores tambem seriam prontamente afastados.

  16. Amigos. Em debates no facebook acerca da possível vinda do Lyft, para concorrer com o uber, e como isso contribuiria para uma redução de preços, fiquei intrigado com este comentário, abre aspas:

    “Quando lyft ou outras chegarem, dificilmente irá mudar alguma coisa pq quem dirige pra um, dirige pra outro então quando um motorista estiver atendendo pelo lyft, estará off no Uber e vice e versa….
    Pessoal, a matemática eh simples… Quer usar uber sem doer no bolso… Vai de uber até x3…mais q isso, vai de táxi, busao, carona ou a pé… O q N da eh usar o serviço e resolver seu problema de locomoção, depois vir chorar em rede social achando q irá ganhar um entorno no grito.

    Só pra lembrar, isso acontece no mundo todo, aconteceu ano passado aki (só q bem menos motoristas e usuários)… Vai acontecer mais vezes esse ano.. Pq o sistema eh assim… Ele se renova de motoristas e usuários todos os dias… Sai 1 entra 100!”

    A parte que interessa é essa: “Quando lyft ou outras chegarem, dificilmente irá mudar alguma coisa pq quem dirige pra um, dirige pra outro então quando um motorista estiver atendendo pelo lyft, estará off no Uber e vice e versa….”

    O qual respondi:

    Interessante o seu argumento. O número de pessoas trabalhando no setor, de fato, é finito. É esse o seu argumento? Pode detalhar mais? Partindo desse pressuposto o preço apenas diminuiria se, também, mais pessoas entrassem no setor? Mas seria condição necessária que aqueles que ingressarem, ingressem no concorrente? Observe que o aumento do preço, iria atrair mais pessoas para o setor, reduzindo novamente o preço. Mas isso até o momento em que não houvesse mais pessoas dispostas a vir. Parece um paradoxo. Ele já tem solução?

    O que vocês acham?

  17. Incoerência é a dos anarcocapitalistas em não se darem conta de que já vivemos no ancapistão.

    Quem está impedindo os libertários de fundarem uma agência privada de defesa para libertar o país da gangue de criminosos denominada “República Federativa do Brasil”?

    Se o mercado de defesa é mais eficiente do que o monopólio estatal, então não deveria haver dificuldade nenhuma em vencer uma guerra ou negociar um tratado com o Estado brasileiro.

    E se o mercado é uma ordem espontânea que opera sem a necessidade de boas intenções e planejamento consciente, também não deveria haver dificuldade nenhuma em convencer os brasileiros da necessidade de agirem no seu interesse egoísta e contratarem os serviços dessa agência privada. Afinal, se é viável ofertar serviços de defesa a um preço menor e a uma qualidade melhor do que a do Estado, então tais serviços já deveriam estar sendo ofertados na praça e caindo nas graças do público, e os empreendedores que estavam atentos para a oportunidade, ficando ricos.

    Ora, se Antônio Conselheiro conseguiu convencer baianos descamisados e analfabetos a se revoltarem contra o governo federal em Canudos apenas dizendo que a república era coisa do diabo, por que vocês não conseguem convencer os paulistas a se revoltarem contra Brasília para pagarem menos imposto?

    Aliás, a própria noção de "monopólio estatal da defesa" é problemática.

    Os rothbardianos afirmam que a concentração de market-share por si só não compromete em nada a eficiência econômica e que mercados dominados por cartéis e monopólios podem ser estruturas ótimas — com a condição de que essa concentração resulte naturalmente do processo de mercado (i.e., lucros para as firmas que atendem às preferências dos consumidores e prejuízos para as que não) e não de barreiras legais impostas pelo Estado.

    No mercado de serviços de defesa, entretanto, essa condição não pode se aplicar, em razão da própria natureza do serviço: uma agência de defesa que deixasse de operar por causa de barreiras coercivas impostas por uma outra organização (p. ex., a máfia, o tráfico, as milícias ou o Palácio do Planalto) seria, por definição, uma agência impotente e ineficiente na prestação desses serviços.

    Logo, não existindo barreiras legais de entrada, o mercado de defesa está sempre aberto a novos competidores. Basta que a nova agência supere as barreiras naturais de entrada (i.e., os altos custos de produção do serviço, que provavelmente exigiriam uma produção em escala similar à dos Estados, para que o investimento se tornasse viável — razão pela qual exércitos mercenários como a Blackwater em regra vendem seus serviços para governos e, muito excepcionalmente, para grandes corporações, nunca para cidadãos comuns).

    E se tais barreiras naturais não são superadas e, em razão disso, apenas um único agente consegue operar no mercado, então é incoerente — do ponto de vista rothbardiano — querer falar em "monopólio estatal da defesa" (que faria sentido apenas nos modelos neoclássicos, que definem a concorrência em função do número de agentes).

    Ademais, se os rothbardianos fossem coerentes com a própria teoria rothbardiana do monopólio, pensariam duas vezes antes de proclamarem a ineficiência do Estado em prover esses serviços.

    Uma das implicações mais conhecidas da teoria é que, se um agente domina o mercado e começa a "abusar" dessa posição dominante, cobrando um preço supostamente maior do que cobraria se existisse outro agente, ainda assim não se poderia dizer que ele estaria cobrando um "preço de monopólio" e, portanto, alocando recursos de forma ineficiente. Vide:

    "On the free market there is no way of distinguishing a 'monopoly price' from a 'competitive price' or a 'subcompetitive price' or of establishing any changes as movements from one to the other. No criteria can be found for making such distinctions. The concept of monopoly price as distinguished from competitive price is therefore untenable. We can speak only of the free-market price. Thus, we conclude not only that there is nothing 'wrong' with 'monopoly price,' but also that the entire concept is meaningless. (…) A 'monopoly' would be of importance only if it led to a monopoly price, and we have seen that there is no such thing as a monopoly price or a competitive price on the market. There is only the 'free-market price.'" (ROTHBARD, Murray N. Man, economy and state. Scholar's edition. Auburn: LvMI, 2004, p. 698).

    Se a conclusão de Rothbard é verdadeira, então o fato de o Estado fixar unilateralmente o preço cobrado do consumidor por si só também não diz nada sobre a ineficiência do serviço, uma vez que, por maior que seja o preço cobrado, ele não atrai concorrentes tentando explorar essa suposta ineficiência estatal.

    Pode-se contra-argumentar que existem leis proibindo a evasão fiscal e que, por isso, a população seria oprimida e não existiria ganho de bem-estar.

    Só que esse contra-argumento é falho, pois o simples fato de não existirem agências concorrendo com o Estado prova, na melhor das hipóteses, que não existe demanda por elas (e que o Estado, portanto, satisfaz as preferências da maioria absoluta da população); ou, na pior delas, que os custos são proibitivos e que o negócio simplesmente carece de viabilidade.

    Qualquer que seja o caso, o Estado é a única agência fornecendo esse serviço (seja porque é desejado pela maioria absoluta da população, seja porque é um 'mal necessário', sem alternativa economicamente viável) e pode, por isso, em tese, cobrar o preço que quiser, sem que isso implique necessariamente ineficiência.

    Quando o povo acha que está sendo tributado em excesso, o que ele normalmente faz é se revoltar, derrubar o governo vigente e colocar outro governo no lugar, ou, então, emigrar para um outro Estado — não demandar serviços de agências ancaps que ninguém vê em lugar nenhum.

    Isso tudo sugere fortemente que o atual sistema internacional de Estados (em que a defesa é prestada por mais ou menos 200 Estados em competição por tax-payers, ao invés de milhões de agências ancaps) é apenas o melhor equilíbrio que a humanidade encontrou para lidar com os altos custos de produção do serviço.

    E, por fim, o fato de existir na população uma minoria anarquista contrária à existência do Estado (que preferiria ter milhões de opções de agências de defesa, ao invés de apenas 200) e obrigada a pagar impostos também não é necessariamente imoral nem ineficiente.

    Não é imoral porque, de acordo com os próprios rothbardianos, em uma sociedade ancap, a maioria teria o direito de fundar comunidades por contrato e impor às minorias, por meio desses contratos sociais, quaisquer sanções que achasse necessárias à vida em comunidade; e se a minoria não aceitasse os termos do contrato, seria excluída fisicamente do grupo (quem leu "Democracy: the god that failed" sabe do que estou falando). Ou seja, em substância, não seria muito diferente do "Brasil: ame-o ou deixe-o"; apenas a forma de governo que seria mais descentralizada.

    Não é ineficiente porque a maioria pode considerar a defesa produzida em escala pela agência dominante como um "bem público" e, para controlar o free riding, impor à minoria o dever de contribuir para o financiamento dela, sob pena de exclusão social. E se a minoria anarquista dá mais valor à sua permanência no grupo do que ao dinheiro desembolsado com essas contribuições, então a troca é Pareto-eficiente.

    No mais, acho uma incoerência sem tamanho uma ideologia querer pregar a liberação do uso de drogas pesadas sob o argumento de que o indivíduo deve ser livre para destruir o próprio corpo e depois, por puro radicalismo adolescente, dar piti quando esse mesmo indivíduo decide (supostamente) destruir o próprio bolso apoiando o Estado. Se a utilidade é subjetiva, então quem pode o mais deveria poder o menos.

  18. Prezados, e se formos pragmáticos?
    Como está a gestão de serviços de saúde, segurança e educação feita pelo estado, em nosso país? Em que medida, na prática, já não estamos transferindo para a iniciativa privada uma (grande) parcela desses serviços?
    Que lição podemos tirar desse experimento concreto?

    sds

  19. Creio que já passa da hora de os mantenedores desta página mudarem o nome do site para http://www.hayek.org.br.

    Mises, com todas as letras, disse que o anarcocapitalismo só daria certo numa terra de santos e anjos. Deixem o cara descansar em paz e parem de distorcer a sua obra!

    Obs.: por favor!

  20. A quantidade de estatistas desesperados para defender o estado, mas sem oferecer um único argumento plausível e recorrendo apenas a clamores, chega a ser comovente. Com “liberais” assim, o PT está com a vida ganha.

    É o equivalente a dizer que a máfia é ruim, mas seria pior sem ela.

    Tristeza.

  21. Um texto indigno de ser publicado aqui. Indigno não pelo seu mote, mas pela sua argumentação pueril. Os liberais defendem o conceito de “Welfare State”. Erroneamente acredita-se que esse conceito se tenha surgido dentre os membros da esquerda fabiana, porém o Estado de Bem-estar Social surgiu com os liberais europeus no fim do século XIX, os quais acreditavam que para a política/economia funcionar era, grosso modo, necessário disponibilizar um mínimo àquela parcela da sociedade incapaz de assegurar-se por conta própria. A esquerda apenas reformulou o conceito de Welfare State – para os liberais era visto como um gasto ou custo necessário; para os socialistas, como um investimento ou coisa que o valha, ou seja, a esquerda apenas deu um tom “politicamente correto”.
    Outro ponto a ser destacado é que, embora o neoliberalismo possa ser, para muitos, apenas um experimento teórico, ele possui conceitos e filosofias político-econômicas diversas às do liberalismo clássico. Um desses é a crítica ao Estado de Bem-estar Social. Os neoliberais não se aprazem dele – basta ler Rand para o confirmar.
    Os liberais sempre defenderam uma estrutura mínima do Estado, com funções voltadas à assegurar a propriedade privada – veja o Contrato Social segundo Locke. Não há incongruência no discurso liberal.

  22. Então Mises estava errado ao dizer que o “monopólio da coerção” deve ser do estado ?

    Imagine empresas privadas aplicando a coerção quando por exemplo uma parte não cumprir um contrato firmado rsss.

  23. Douglas Fernandes Dos Santos

    Após Kogos e Takaki, eis que surge mais um ser que confunde gênero com especie, vou me ater a três pontos:

    1 – Existe vertentes do liberalismo e cada delas é extremamente única e diferente, colocar todas como simplesmente “liberais” é ignorar os próprios métodos que se dizem usar, cuspindo assim no prato que comem dos clássicos da EA (nem mesmo o Hayek chegou a esse nível ao ter invertido os papéis e puxado sardinha ao falar das duas vertentes do liberalismo clássico), ignorar a complexidade e modelos econômicos, sociais e valores pregados por cada vertente é no minimo desonestidade, desonestidade pura, mas nada que me surpreenda vinda de ancaps

    2 – Criticas infantis que demostram que o autor jamais leu nenhum Clássico Liberal, as questões que ele implica são explicadas com vários pensadores, Aristóteles, Aquino, Hobbes, Spinoza, Bastiat, Locke, Tomas Gonzaga, John Milton, Nozick, Althussius Johannes, Montesquieu e etc

    3 – Anarquistas não têm nenhuma, repito, NENHUMA autoridade para proclamar soberba de lógica, coerência e funcionalidade, são utopistas que acreditam que todos, TODOS os problemas derivam do estado e que sem ele iremos viver num mar de rosas, paz e sucesso, ridículo, quem tem que demonstrar que a anarquia é o melhor modelo são vocês ancaps e não nós, já demonstramos que liberalismo clássico funciona na teoria e prática, se ha um modelo melhor que seja estabelecido em prática e teoria por vocês, e nem para entrarem em consenso vocês conseguem sobre temas complexos que são impossíveis de serem resolvidos sem um agente legitimo que seja eleito pelo povo local para estabelecer deveres e direitos.

  24. Não há incoerência nenhuma com os minarquistas (já com os liberais mais moderados, sim).

    Serviço de justiça não é igual ao serviço de saúde, educação, telefonia ou qualquer outro serviço/produto.

    Serviço de justiça tem uma natureza diferente, visa resolver conflitos entre 2 ou mais pessoas, portanto não pode está sujeito a vontade do consumidor, caso contrário, a sociedade se desintegra.

  25. A moral não depende do Estado

    A diferença entre conservadores e anarquistas é que os conservadores não percebem a contradição óbvia do Estado: não pode o Estado, para ser o guardião da moralidade, se sustentar por meio de imoralidade. É bastante simples.
    De todo o resto, diria que concordo com muita coisa do que eles dizem. A importância de valores para uma relação harmoniosa entre indivíduos dentro da civilização, de papéis sociais, de certas instituições (como família) e de hábitos. Desde que as pessoas e grupos se organizem de maneira voluntária, não há problema algum. O problema do conservador é a contradição em usar a imoralidade (Estado) com a desculpa de defender a moralidade.
    Já com relação aos anarcocapitalistas, a crítica comum por parte dos conservadores parece ser o fato de que muitos aparentam ter uma visão meramente “dinheirista” da vida. E muitos libertários e anarcocapitalistas, especialmente os mais jovens, se expressam assim. Não significa que eles vejam a vida assim, mas o discurso faz parecer que sim. Quando se fala em “valor” por exemplo, alguns libertários e anarcocapitalistas parecem cometer o equívoco (semântico e filosófico) de associar automaticamente “valor” com “valor econômico”, e é isso que me parece gerar confusão na cabeça de alguns conservadores. Eles acabam pensando que em um mundo anarcocapitalistas as pessoas seriam guiadas meramente por interesses financeiros, que seria o caos, que pessoas morreriam pelas ruas, que haveria um grande número de viciados, etc, etc, etc… Mas é, evidentemente, uma ideia equivocada, baseada na crença equivocada de que o Estado é garantidor da moralidade.
    A ausência do Estado não retira valores éticos e morais dos indivíduos, pelo contrário, pode até os fortalecer. Que o digam as comunidades americanas no início dos EUA, que se uniam de forma voluntária em busca de interesses em comum (seja contra a coroa Britânica mais a frente, seja na organização interna das comunidades, no estabelecimento de regras de boa convivência, etc…).

  26. Eu sou super a favor do anarco capitalismo.

    Mas não acredito na sua implantação da noite para o dia.

    Não porque não funciona, mas porque as pessoas não querem.

    Eu acredito que poderia existir a redução do estado até uma minarquia.

    Esse governo minimo ficaria responsável pela segurança e justiça, porém..rs

    Porém seria liberado o acesso a armas, a justiça privada e a segurança privada.

    Depois de algum tempo esse governo minimo seria acionado apenas para eventuais conflitos em decisões judiciais privadas.

    Ele se sustentaria por um imposto unico pago por um boleto por exemplo..rs

    Iria chegar um momento que esse estado não teria função pratica algum e após um tempo seria decretado que esse imposto seria opcional.

    Pronto estaria implantado o anarco-capitalismo.

    Só que para isso ocorrer ao meu ver uma das condições seria o direito a autonomia e secessão de regiões

    Pois imagina no caso do Brasil, nem todo mundo iria comprar a ideia ao mesmo tempo.

    Isso permitiria regiões mais inclinadas ao libertariansimo a servirem de exemplo ou de opção para regiões mais estatizadas.

    E se a região assim resolvesse ele se tornaria um pais e seguiria o seu próprio caminho.

  27. MISES sobre a Coerção Estatal

    “A vida em sociedade seria, praticamente, impossível, se as pessoas que desejam sua continuada existência e que pautam sua conduta de modo apropriado tivessem de renunciar ao uso da força e da obrigatoriedade contra aqueles que estão prontos a minar a sociedade com seu comportamento. (…) Sem aplicação de obrigações e coerção contra os inimigos da sociedade, seria impossível a vida em sociedade.”
    pg. 63

    Essa vai para os que se dizem liberais misesianos mas criticam a coerção estatal sobre condutas anti-sociais ou que criticam a ação da polícia na repressão ao crime, mesmo quando ela acontece dentro da legitimidade.
    Mises mostra que é absolutamente necessário que o estado reprima tais condutas mesmo que utilizando-se do seu monopólio da força.

    Outras afirmações semelhantes podem ser vistas na página 81:

    “Suprimir a conduta perigosa à subsistência da ordem social constitui a soma e a substância da atividade estatal.”
    pg. 81 – 82

    “O liberalismo nem mesmo deseja ou pode negar que o poder coercitivo do estado e a punição legal de criminosos são instituições que a sociedade não poderia, em quaisquer circunstâncias, delas prescindir.”
    pg. 82

    E ATENÇÃO AGORA – VEJA O QUE MISES PENSA SOBRE ANARQUISMO

    “Há, sem dúvida, uma facção que acredita que se poderia dispensar, com segurança, todo e qualquer tipo de coerção e basear a sociedade, totalmente, na observância voluntária do código moral. Os anarquistas consideram o estado, a lei e o governo instituições supérfluas”
    pg. 64

    Mais adiante na mesma página:

    “O anarquista, porém, se engana ao supor que todo mundo, sem exceção, desejará observar tais regras voluntariamente.”

    “O anarquista compreende mal a verdadeira natureza do homem. O anarquismo somente seria praticável, num mundo de anjos e santos.
    O Liberalismo não é anarquismo, nem tem, absolutamente, nada a ver com anarquismo.”

    E ainda mais adiante na página 66:

    “O liberalismo, portanto, está muito longe de questionar a necessidade da máquina do estado, do sistema jurídico e do governo. Trata-se de grave incompreensão associá-lo, de algum modo, à ideia de anarquismo, porque, para o liberal, o estado constitui uma necessidade absoluta”
    pg. 66

  28. Apontar liberais como defensores da saúde e da educação governamentais é no mínimo uma generalização precipitada. Essa única ilação é mais polêmica que o restante do post e exigiria um grande esforço justificativo da sua parte.

  29. Realmente, até mesmo a desculpa de que é necessário uma “grande organização” para defesa me parece absurda (já defendi isso). Ora, você tem o custo para fabricar as armas, os veículos, os uniformes, combustível, comida, água, remédios. O mercado sempre nos proporcionou tudo isso, o que faz as pessoas pensarem que a fabricação de um pacote de ração de campanha, só por ter o escudo do Exército Brasileiro na embalagem, de repente vai distorcer completamente as leis da economia?

    Já li o livro Da Produção de Segurança do liberal francês Gustave de Molinari em que ele aponta que o problema dos serviços de segurança não é o “monopólio” que o “produtor” (estado) de segurança impõe sobre os consumidores (cidadãos). De fato, ele até chama o imposto de “preço da segurança”.

    Me pareceu que o que os libertários querem dizer com abolição do estado não significa necessariamente a abolição de governo e sim dos controles que possibilitam a integração e mantimento forçado de uma população a ele. O Hoppe é bem cuidadoso ao se referir ao Estado como uma “agência que exerce o monopólio compulsório da jurisdição de seu território” e ao lidar com o problema das elites naturais. Ele quer abolir o monopólio e não a agência.

    O que os libertários querem dizer é que esse monopólio não nos possibilita ter o poder real de escolher que tipo de governo queremos, não nos é dado realmente o poder de escolha. O Erik von Kuehnelt-Leddihn dizia que o que diferencia o liberalismo de outras correntes políticas é que enquanto estas perguntam “quem deve governar agora?”, os liberais se perguntam “como o poder deve ser exercido em todos os momentos”. O libertarianismo me parece uma evolução dessa pergunta: “que tipo de governo as pessoas estariam dispostas a “comprar”?”. E a resposta é que os serviços de segurança deveriam estar à venda no mercado.

    O mais interessante quando se estuda a história da guerra, é que você vê que a “autossuficiência” no campo militar, ou melhor, a popularização de exércitos nacionais, assim como a conscrição, é algo relativamente novo, por exemplo, a conscrição surgiu junto com o sufrágio na Revolução Francesa, junto com a guerra total, quem se interessar leia Monarchy and War, do Kuehnelt-Leddihn. Durante a maior parte da história, as guerras foram travadas por soldados contratados, mercenários.

  30. Professor existem serviços privados de segurança e de investigações(Detetive particular).E existem câmaras de arbitragem(causas comerciais) disponibilizados em algumas associações comerciais Brasil afora(Portanto um exemplo de que o setor privado pode oferecer uma prestação de serviço nessa área também),portanto serviços de segurança e justiça também são precificáveis agora quanto a credibilidade este é subjetivo e questionável ou seja eu posso não concordar com a pena aplicada por um tribunal privado e desobedece-lo ai sim podemos discutir nesse quesito quanto a preços estes quatro setores(Saúde,educação,segurança e justiça)são precificáveis.

  31. Mas já é alguma coisa o resto(Como será)será exercício de futurologia e o que eu quis dizer é que há sim como precificar agora as formas de cobrança e prestação desses serviços o mercado é sábio em encontrar os melhores arranjos e as soluções (tráfico,sequestro,assalto a bancos,assalto a cargas,etc)caso a caso o que não se pode é acreditar que só o estado monopolista é competente para isso.

  32. Os minarquitas no geral não são tão mínimos como se imaginam. Um estado verdadeiramente mínimo, com cada município se tornando uma cidade ficaria tão próximo do ideal ancap como 0,999…=1.

  33. Esse debate entre minarquia vs anarcocapitalismo, no cenário atual, é tão maçante e inútil…

    Porém teve mais de uma centena de comentários em poucos dias, então parece ter importância para um bom número de pessoas… Que pena.

    Mas cada um faz o que quiser com o seu próprio tempo.

  34. Vamos supor que em tenha um contrato com um terceiro e ele quebre o contrato.
    Para analisar o caso judicialmente não vejo problema em termos tribunais, forums, juízes privados.

    Agora, para fazer com que o terceiro cumpra o contrato, não vejo outro modo sem ser pelo monopólio da coerção estatal. Imagina, que coisa bizarra empresas privadas competindo para fazer com o terceiro cumpra o contrato rsss.

    Diferente, de saude e educação que são apenas serviços, a justiça ou mesmo da segurança não é exclusivamente um serviço, há o lado da coerção tb.

  35. Agora, para fazer com que o terceiro cumpra o contrato, não vejo outro modo sem ser pelo monopólio da coerção estatal. Imagina, que coisa bizarra empresas privadas competindo para fazer com o terceiro cumpra o contrato rsss

    O “rsss” é para deixar clara a arrogância do sujeito. E de novo esse comentário, cidadão?

    Você simplesmente “descarta” a competição no âmbito da segurança e da justiça alegando que tal “competição” seria “bizarra”?

    Ofereça o argumento.

  36. Magno silas é possível precificar preços na prestação de serviços de justiça(conciliação e resolução de conflito)agora a grande dúvida é como fazer cumprir as decisões de um tribunal privado sem exercer coerção já que a credibilidade virá com a reputação em relação aos tribunais concorrentes este argumento da coerção da justiça monopolista estatal é fortissímo no seio da população e os estatistas exploram este temor com má-fé ou não.

  37. Não responderam a minha pergunta: como lidar com as crianças, se não houvesse uma lei estatal proibindo a pornografia na TV aberta?

    Uéééé…. que tal proibir seu filho de ver televisão aberta neste cenário? Ou é o estado quem deve educar o seu filho? Ou, pior ainda, você está querendo educar os filhos dos outros, e não os seus?

    Cada pergunta idiota que aparece aqui viu… Pergunta logo de uma vez o que faremos sem o estado no caso de uma invasão alienígena.

  38. Bernardo Neves Pantaleão

    Reflexão interessante, mas vamos parar de filosofia e trabalhar pra pagar o IPTU e o IPVA que vencem daqui a pouco!
    Num mundo onde até as empresas privadas precisam ser privatizadas, discutir a privatização da segurança e da justiça pode esperar.
    Foquem no que nos aproxima e no inimigo comum. Quando obtivermos a primeira vitória, poderemos discutir como continuar evoluindo. Quem sabe nossa quinta geração de descendentes consiga viver num mundo anarquista? Mas, por enquanto, vamos dar o primeiro passo.
    Ou bora pro bar.

  39. Então, depois de 10 dias, isso foi o melhor que os anarquistas brasileiros conseguiram dizer em sua defesa?

    "Existe monopólio estatal da defesa sim. Você diz o contrário porque é feio e tem cabeça-de-melão".

    "Os ancaps querem um mundo onde a maioria possa impor qualquer coisa às minorias por meio de contratos sociais e ameaças de segregação do grupo. O que eles não querem é um mundo onde esse contrato social e essas ameaças sejam aplicados em escala nacional/estadual/municipal, ainda que, ironicamente, seja essa a vontade da maioria absoluta da população, contestada apenas pela minoria anarquista, que, também ironicamente, não tem legitimidade social nem mesmo para fundar um partido político e falar no parlamento".

    "Existe monopólio estatal da defesa sim. E a sua conversa é groselha. Pronto."

    Eu passo minha juventude lendo Rothbard e Hoppe com toda a boa-vontade e tentando entender por que o único lugar do mundo onde existem agências privadas de defesa é a biblioteca do Mises Institute; aí, um dia, já de saco cheio com essa ladainha revolucionária autista, faço-lhes o favor de expor as contradições mais óbvias dela (que vocês não viram porque estavam ocupados demais tentando chamar a atenção sendo os marxistas da direita) e nem mesmo uma crítica séria recebo?

    Considerando que é o IMB quem alimenta essa ladainha no Brasil, tal carência de argumentação substantiva deve ser uma amostra representativa da miséria intelectual do movimento como um todo.

    Só falta aparecer por aqui agora um rothbardiano-trotkista para dizer que a revolução anarcocapitalista é inviável em apenas um país e que, para o mecanismo de concorrência funcionar mesmo, é preciso que todos os Estados do planeta (não apenas o Estado brasileiro) autorizem o funcionamento das agências ancaps e se abstenham de iniciar agressão contra elas.

  40. Um dos argumentos prediletos dos antianarcocapitalistas (embora também um dos mais fracos) é aquele que lista uma série de problemas que supostamente tornar-se-iam insuportáveis numa sociedade sem Estado, fingindo ao mesmo tempo que tais problemas não são uma rotina exatamente na sociedade altamente estatizada em que vivemos: “Doentes morrerão sem tratamento! Corporações dominarão setores inteiros da economia! Os mais pobres morrerão sem proteção policial gratuita! Empresários desonestos deixarão de cumprir contratos, sem medo da coerção estatal! Comunidades serão dizimadas sem a proteção de um exército oficial!” O que deveriam fazer é explicar por que essas desgraças acontecem hoje, quando o papai Estado deveria supostamente estar justificando sua onipotente presença evitando que tudo isso já acontecesse…

  41. O melhor argumento a favor do minarquismo (mais especificamente o republicano, que eu defendo) é que a natureza humana é falha na sua raiz. SEMPRE haverá uma pessoa, ou grupo, tentando subjugar outro. É o fenômeno clássico do mais forte abusando do mais fraco.

    O anarcocapitalismo é amoral, assim como a natureza. O ser humano, para ter melhor chance de sobrevivência, precisa de regras morais. Aliás, morais e razoáveis. Imagina se uma cidade inteira resolve VOLUNTARIAMENTE contratar uma milícia para se defender de invasores externos, e proteger a ordem interna, , gasta uma energia desgraçada, e então parte da geração seguinte (filhos) não concorde em bancar aquela força militar/policial? Ela se retira? Desfazem uma vida inteira de trabalho dos pais, liquidando e vendendo tudo só para se mudarem para outro local? Ou expulsam (uso da força) quem que ainda quer a milícia?

    No mundo real, há vezes em que é necessário amputar um dedo podre para não perder a mão. A realidade é dura, mas é preciso entender que imposto estatal é inevitável. A briga deve ser para o mínimo possível – e necessário – seja cobrado, sempre. E a pena para quem quiser ampliar deve ser a mais dura possível. A liberdade é cara a todos nós.

  42. Num precisamos ter resposta para tudo agora. Discutir se o Estado precisa tratar ou não da Segurança Pública é algo ainda muitíssimo distante da nossa realidade. O nosso problema prático é reduzir a influência do Estado na Economia e na propriedade privada.

  43. Olha, não é porque o estado administra tudo mal que tudo o que ele administra é facil de administrar. Por isso, faz-se necessario provas de funcionalidade dos Ancaps, que é impossivel.

    O anarcocapitalismo só existe no mundo das ideias, ele não é um sistema implementado.

    Para isso, seria necessária a criação de um imperativo categórico onde todos os cidadãos concordassem em seguir certas leis para viver dentro de espaços geograficos, que são recursos escassos.

    Na minha consepção, que é baseada nos estudos da escola de frankfurt, o ser humano tende a buscar uma hierarquia por causa do ambiente familiar.E um imperativo categórico ancap, em um ser familiar é improvavel.

    Com isso, eu afirmo que o Ancap, sem uma revolução cultural profunda do papel da família _que considero um lixo moral_ é impossivel.

    Entretanto, estou de olhos abertos.Quando surgir um território onde impere o imperativo categórico da lei de propriedade privada e da autopropriedade, analisarei a funcionalidade da iniciativa privada dos individuos nessa delimitação geografica.

    Até uma prova empirica, só me resta o mundo ancap, que só existe nos argumentos.Que são bons, mas nada além de argumentos.

  44. Não existe nada ilógico… é pura logica na verdade, na questão de saúde o estado deve ter sistema de saúde publica para aqueles que não conseguem pagar , mas ao mesmo tempo o mercado deve ser aberto para que qual quer um possa investir nele…. na educação vai por ai tbm, Mas os “impostos” deveriam ser na verdade “contribuições direito as instituições e não ao estado” em minha opinião, para todos os setores que o estado gerir, nada passa pelas mãos deles a não ser o deles mesmo ….

    Já no básico do básico segurança e do judiciário, segurança como policiamento poderia ser sim privado, mas o judiciário ser privado é um tiro no pé…. vira uma empresa, e algo que esta mais para negocio do que para lei…. a corrupção seria mais generalizada do que em um sistema que é publico e pode ser exposto a nível nacional e mundial a corrupção e o não cumprimento da lei….

    No sistema atual não temos nenhum dos dois claro, temos um sistema fechado no qual se abrem brechas para livrar bandidos, mas não temos brechas de prender um ministro do STF, um politico qual quer ou um presidente….

    Ou seja, esse sistema é todo falho e não tem mecanismo de regulação pelos contratantes que é a população em geral. E em um sistema minarquistas teria de ser totalmente revisto e colocado mecanismo imutáveis de todas as formas…

  45. Não imaginava que existisse tanto conhecimento sobre libertarianismo circulando como o que demonstraram aqui. Parabéns a todos os eruditos! Muita leitura boa acumulada.

    Tenho ideia de investir em produção de vídeos pedagógicos para mostrar que o estado não tem futuro. Está na UTI e deixará de existir substituído pelo celular e empresas DROs enxutas e competentes.

    Procuro parceiros capazes de criar/produzir os vídeos, coisa bem comum hoje em dia.

    Eu entraria com algum patrocínio.

    Seria ideal alguém já familiarizado com o Practical anarchy de Stefan Molyneux.

    A minha ideia é trabalhar em cima do livro.

    dwardmac.pitzer.edu/anarchist_archives/practicalanarchy.pdf

    Este post é antigo. Será que chegará a essa pessoa que procuro?

    Alguma sugestão sobre onde postar um pedido de parceria assim?

    Grato

  46. A idéia não seria delegar ao Estado essas funções. Pode-se permitir esses serviços privados, pode-se não, deve!. A idéia é ser um terceiro poder – já que os outros dois são as duas partes privadas -, neutro, que entra em ação para resolver conflitos, evitar violência, quando as duas partes não conseguem entrar em um acordo entre si. Quebraram um acordo? As suas justiças privadas que tentem resolver, se não der, antes que saiam no tapa e cause toda a gama de danos colaterais, acionem a estatal para mediar o conflito. Os dois nichos podem conviver e se complementar, só que essa harmonia não é interessante a quem detém o poder de um, ou de outro.

  47. E qual seria então a solução para manter a ordem social, sem um poder moderador?

    Teríamos que ter um sociedade igualitária onde o cidadão, por força da natureza, seria moralmente justo, íntegro e faria o bem para os outros?

    E nos casos que acontecessem crimes, quem puniria o cidadão? A vítima poderia se vingar?

    Ou não deve existir regras? Todo mundo é livre e faz o que quiser ?

    Acho que deixa muita ponta em um discurso onde só se olha para o tema X, e se pensamos em trazer soluções para uma sociedade mais avançada, com bem estar social baseado em trabalho/retorno então tem que ser mais abrangente

    Ou não?

  48. concordo, mas o problema está em confiar demais na humanidade, não pode confiar muito em estado, como também não em empresas privadas, li esse post e pensei logo que estava em uma página de esquerda, quando na verdade fui surpreendido por Fernando Ulrich como autor e em uma página anarco.

    Bom, não sabia que Ulrich era tão radical assim. Espero que ele saiba que existem muitas tentativas de distorcer o termo ‘liberal’ e suas ideias originais, como o próprio friedrich von hayek afirmou em seu livro “O caminho da servidão”. Malandro faz de tudo para tentar ser beneficiar sem fazer nada – mesmo que tenha que atirar para todos os lados, não se esqueça disso Ulrich, o libertarianismo também está em jogo.

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