Embora longe de ser um Dom Quixote, Joaquim Levy
revelou-se uma triste figura, sem voz e sem pulso.
É verdade que ele assumiu o cargo de Ministro da
Fazenda com as contas públicas em frangalhos e com a economia à beira do
colapso. Porém, o que ficará para a
história é que ele foi o ministro que, tendo prometido
um superávit primário de 1,2% do PIB
para 2015, entregará um assombroso déficit primário acima de 2% do PIB;
tendo prometido um “ajuste
firme e rápido” entregou apenas fracassos; tendo prometido a volta do
crescimento econômico, entregará uma economia em
profunda recessão.
O que é certo é que Levy está arrependido. E muito.
Apenas imagine: ele tinha um emprego excelente no
Bradesco, ganhando
R$ 250 mil por mês. Sua reputação e competência eram exemplares. Por onde tinha passado, havia colhido louros. Chegar à presidência do Bradesco era
certamente uma questão de tempo.
E então, talvez por vaidade, talvez por aquele ávido
desejo de poder — o qual Santo Agostinho chamou de “libido dominandi” –,
talvez pela “glória de mandar” (Velho do Restelo), ele
decidiu largar tudo e ir trabalhar justamente para esse governo de reputação
nada ilibada.
Certamente Levy pensou que iria conseguir arrumar a
casa e que isso tornaria seu currículo invejável. Como consequência, iriam pipocar propostas de
trabalho com salários magnânimos, ele ficaria milionário dando palestras, e seu
salário na iniciativa privada iria disparar.
Ele deve ter calculado isso tudo.
Só que deu tudo errado. Ele não apenas não conseguiu fazer nada, como
ainda foi feito de bobo.
Para começar, Levy levou um baile de Nelson Barbosa
— o pavoroso Ministro do Planejamento e a verdadeira
mente por trás da Nova
Matriz Econômica –, que conseguiu criar um ministério da fazenda paralelo (e
foi quem, na prática, pautou as políticas econômicas).
Em seu primeiro grande embate com Barbosa, Levy apanhou:
a meta do superávit primário de 2015 foi reduzida de 1,2% para 0,15% do PIB,
com o apoio de Dilma. Nesse ponto, Levy
já deveria ter pedido para sair. Já estava evidente que Dilma não
havia aprendido nada e não havia esquecido nada.
Mas ele quis ficar.
Para quê? Para virar chacota. No
mesmo dia em que ele afirmava uma coisa, o Palácio do Planalto e o Ministério
do Planejamento se apressavam em afirmar o oposto. A imprensa seguidamente
relatava casos de integrantes do governo que agiam por trás dos panos para desqualificá-lo.
Durante todo esse tempo, ele foi
impiedosamente bombardeado pelos próprios membros do seu governo e por todos os
integrantes do PT.
Levy jamais teve o apoio da chefe. Dilma não apenas nunca deu nenhum respaldo a
Levy, como ainda fortaleceu ainda mais o poder de Barbosa — duas provas disso
foram o desastroso envio ao Congresso de um orçamento
afirmando que haveria um déficit primário de 30 bilhões de reais pra 2016 (o
que precipitou a perda do grau de investimento pela Standard&Poor’s), e a
recente confirmação de que a
meta do superávit primário para 2016 será de 0,5% do PIB, sendo que Levy dissera não
admitir menos que 0,7%.
Depois de o país ter sido submetido a todos os
desmandos da dupla Dilma-Barbosa, ficou claro que Dilma havia escolhido Levy não
para “consertar” a economia, mas sim para ganhar tempo perante o mercado
financeiro. Levy foi apenas — parodiando
Michel Temer — uma peça decorativa. Jamais
teve espaço para fazer seu suposto trabalho.
E jamais teria, pois a real ideologia econômica de Dilma ainda aparenta
ser a mesma da época em que era a líder da organização
terrorista VAR-Palmares.
Levy, passivamente, assistiu à economia derreter sob
o seu suposto comando, recebendo assim a culpa pelo colapso. Todos os indicadores econômicos se
deterioraram sob sua chancela, e a história apontará Levy como sendo o ministro
da fazenda que permitiu tudo isso.
Levy não apenas sairá muito pior do que entrou, como
ainda estragou sua carreira, pois agora será visto como um cara sem pulso, que
foi feito de bobo, que não conseguiu se impor e que, por isso, fracassou
naquilo que se propôs a fazer.
Eis uma poderosa lição: se você se alia a charlatães
e a incompetentes, e tem à sua volta pessoas que em vez de estarem ocupando a mais
alta hierarquia do país deveriam estar ocupando uma cela na Papuda, sua imagem inevitavelmente
ficará conspurcada.
Levy mereceu.
“Eis uma poderosa lição: se você se alia a charlatães e a incompetentes, e tem à sua volta pessoas que em vez de estarem ocupando a mais alta hierarquia do país deveriam estar ocupando uma cela na Papuda, sua imagem inevitavelmente ficará conspurcada.”.
Espero que outros aprendam a lição sem terem que passar pelo mesmo processo.
Passou a imagem de um banana, que mesmo sendo desautorizado diversas vezes, mesmo sendo boicotado por todo o governo que compôs, ainda ficou lá apanhando e servindo de baliza pra esse governo.
Não tenho pena.
Essa história ainda tá muito mal contada, só ingenuidade ou hubris não explicam.
Por melhor ou mais bem intencionado que seja um ministro da fazenda, ele não pode fazer milagres em um país cujo governo é estatizante, socialista e medíocre. O próximo enfrentará os mesmos dilemas.
Barbosa é o novo ministro.
Detalhe: com todo o apoio de Renan Calheiros, aquele sujeito que quer barrar o impeachment. Estamos no fundo do poço.
Excelente que vocês estão postando mais no blog. É muito bom ter os comentários sobre esses aloprados da nossa economia brasileira, especialmente num momento desses.
Pior que o Levy sair, vai ser o próximo que vai entrar. Já estão cogitando Nelson Barbosa ou Jaques Wagner. Haja coração! Lá vem mais inflação!
Li certa vez um artigo do Peter Drucker sobre os princípios e valores de uma empresa e os princípios e valores de um indivíduo. A partir deste artigo eu fiz toda uma avaliação de alguns momentos profissionais que não deram certo e entendi o porquê. Naquela época eu era um jovem fazendo faculdade de administração. Peter Drucker dizia que um profissional deve aceitar trabalhar apenas em lugares onde seus princípios sejam os mesmos da empresa. Se uma empresa não estiver em acordo com seus valores, fuja dessa armadilha, nunca dará certo. Ou você será corrompido pelos valores da empresa, precisará se sujeitar a isso, ou será muito infeliz e não terá sucesso porque os conflitos serão inevitáveis. Se eu aprendi isso há tantos anos, como o Levy, profissional tão experiente caiu numa dessas? Eu só encontro uma explicação: a sua ambição de estrelato foi maior que a coerência e os valores. Isso é uma falha de caráter, uma falha que ficou visível para toda a sociedade. Ele caiu no pior dos mundos: é odiado pelos bandidos da esquerda, que o vê como um intruso no mundo deles, e desprezado pelos que têm alguma vergonha na cara e os valores liberais. Ou seja, caiu no limbo e dificilmente sairá desse buraco, prejudicou sua carreira de maneira irreversível.
Depois do STF ontem, isso, os ministros cotados (PURE CRONY) . Nao nao nao…… nao nao…como mander a calma…Adeus Brasil
Nunca esqueço quando estava assistindo a um episódio de Manhattan Conncetion. Foi perguntado ao Ricardo Amorin sobre a entrada do Levy. E ele foi categórico: “Se o Joaquim Levy consertar as contas o bônus é do PT e se estragar tudo o ônus é dele. Em ambos casos ele sai perdendo”.
Eu sinceramente não sei porque o Levy entrou nessa barca furada petista, realmente só pode ter sido o “olho crescendo”.
Agora provavelmente o PT vai começar a tomar medidas “desenvolvimentistas” novamente para tentar melhorar um pouco a coisa para 2018 e deixar a bomba estourar no colo do próximo presidente.
E assim segue a Bananalandia…
Acreditem, vocês vão sentir saudades de mim.
Pode ter sido ambição, mas pararam para pensar que ele pode ter feito isso pois ingenuamente acha que iria ajudar o país? Da forma correta claro.
Eis uma poderosa lição: se você se alia a charlatães e a incompetentes (…), sua imagem inevitavelmente ficará conspurcada.
Por isso que eu voto nulo. Não me alio a político algum.
Não acho que o Levy arruinou a sua carreira. Apesar de tudo, ele ainda goza de bastante prestígio no setor privado.
Prova disso foi que o IBOVESPA despencou hoje.
Quando ele assumiu, foi uma notícia muito bem recebida pelo mercado. Alguns acreditaram que as coisas realmente iriam mudar e a economia voltaria nos trilhos. Mas não deixaram o homem fazer nada. Era realmente uma peça decorativa para dar tempo e calmaria ao mercado.
Pelo histórico do que ocorreu com Levy muitos profissionais da área financeira não terão o mesmo ímpeto que ele. Talvez por isso se cogite no governo que o próximo ministro da economia será um político e não um profissional do mercado.
A fazenda tinha um ministro “Dom Quixote”, agora será controlada pelos moinhos de vento.
A pasta da fazenda deveria ser ocupada por Armínio Fraga ou, por Henrique Meirelles, pois ambos já passaram pela chefia do BC; a diferença é que o primeiro tem uma competência extraordinária e reconhecimento internacional…
‘Eis uma poderosa lição: se você se alia a charlatães e a incompetentes, e tem à sua volta pessoas que em vez de estarem ocupando a mais alta hierarquia do país deveriam estar ocupando uma cela na Papuda’
E todo banqueiro já não é isso mesmo? Talvez um dos motivos pra ele não se incomodar em se aliar com petistas é que moralmente o ambiente onde ele já estava não era muito diferente.
Esses 250k que ele ganhava, não tem nada de trocas voluntárias. Eles vem do arranjo governo+bancos criando dinheiro do nada e fodendo a vida de todos nós.
Levy foi um ministro decorativo, de um governo decorativo onde até o vice presidente se queixou publicamente de ser uma peça decorativa.
O Levy foi ministro decorativo pelos motivos listados no artigo acima, deixou-se fazer de bobo pela presidente e sua equipe “oficial”.
O governo é decorativo por que a única coisa que governa é o impeachment, não governa o país, tem sua atenção toda voltada a apagar incendios no próprio governo. A armar planos contra a aoposição, golpes para não ser pega nas leis institucionais do país.
E o vive presidente se tornou um mero acess[orio, como ele mesmo disse, por que seu partido foi um acessório para que o PT chegasse ao poder e lá se mantesse.
Agora o novo acessório do governo, de luxo até, são Renan Calheiros e Picciani, vamos ver até quando…
Enfim, a única coisa que não é decorativa nesse país é a forma que os mais necessitados são tratados: Como acessório para que esses políticos de carreira se matenha no poder. Acesórios usados apenas de 2 em 2 anos.
Levy pulou do barco e furou o casco:
“Impeachment tem pouca chance de acontecer.”
ultimosegundo.ig.com.br/politica/2015-12-18/a-perspectiva-de-impeachment-e-pequena-afima-levy.html
O Levy seria perdoado se no discurso de despedida falasse claramente: “eu nunca fui ministro da fazenda, a Dilma somente fazia o que o Barbosa falava para fazer”.
Mas até para chutar o balde é um bunda mole.
Agora com nelson barbosa no comando da fazenda o barca vai afunadar,não tem chance de errar,eheheheh.
Esse levy parece pau mandado da banca que apoia esse desgoverno pseudocomunista ou sei lá o quê.
Do Levy deu pena. Mas daquele palhaço do Ministério da Educação o Renato Janine me comprazi com a cara de bobo quando foi defenestrado do governo que ele tanto apoia.
Levy até poderia ter saído mais forte se não houvesse chegado a ABRIL ainda no cargo.
Sair logo no começo condenando o que faziam os colegas, e diagnosticando o inerente fracasso, teria sim impulsionado a carreira, ainda mais que ele tinha soluções boas.
Mas não; quis aceitar que o ajuste fiscal deveria ser feito na captação e não nos gastos da máquina. E depois disso só seguiu cedendo. Mereceu o fim da própria carreira.
O Luiz Carlos Trabuco já havia rejeitado o convite para ser ministro da fazenda antes do convite ao Joaquim Levy. Na real, nunca entendi a razão para ele ter aceitado. Se eu me torno fiador de um locatário de um imóvel e este não paga o aluguel, eu mesmo é que vou ter que arcar com o prejuízo. O Levy aceitou ser o fiador do governo. Mas o que ele colocou em jogo não foi dinheiro, mas sim o seu nome, a sua reputação. Infelizmente, reputação não é algo fácil de se recuperar depois de perdida.
Leandro,
No trecho abaixo:
“E então, talvez por vaidade, talvez por aquele ávido desejo de poder — o qual Santo Agostinho chamou de “libido dominandi” —, talvez pela “glória de mandar” (Velho do Restelo), ele decidiu largar tudo e ir trabalhar justamente para esse governo de reputação nada ilibada.“
Permita-me fazer um comentário acerca do Levy.
Não quero ser seu advogado, mas acho que podemos considerar a sua ida ao governo por uma imposição vinda desde cima. O Trabuco recusou a recusável oferta. Diria a “Gerenta”: Se você não quer, dê-me um nome. Logo, alguém deveria ir para o abate. E o boi de piranha da vez foi o Levy. E agora precisa dizer em quem recairá toda a culpa?
Agora, se ele aceitou, numa boa, conduzir o Titanic com um furo enorme no casco e achou que seria possível navegar sem naufragar, é outra história. Acredito que seja pouco provável que ele tenha pensado em reerguer a economia do país. O cara foi metido numa baita enrascada, como diriam no linguajar popular.
E o cara até parece mulher de malandro:
http://www.valor.com.br/brasil/4366856/economia-comeca-dar-sinais-de-estabilizacao-diz-levy-ao-passar-cargo
Vou sentir saudades do primeiro mandato do Lula, que por mais estatizante que tenha sido para a economia, pelo menos deixou uma ótima equipe econômica, com Antônio Palocci e Henrique Meirelles, atuar no controle da inflação.
Se o Michel Temer chegar a assumir (a marmota uma hora vai cair, até porque não possui mais legitimação suficiente do povo), e chamar um Ministro da Fazenda (e acabar com o BC) que defenda o Currency Board, os investidores e os consumidores vão voltar à ter confiança.
Parece que o “Cavaleiro da triste figura” caiu pra cima.
http://www.valor.com.br/financas/4384302/joaquim-levy-sera-diretor-financeiro-do-banco-mundial